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março 10, 2017
Galerias mostram pinturas com elementos que saltam do quadro por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Galerias mostram pinturas com elementos que saltam do quadro
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 22 de fevereiro de 2017.
Dedos, cigarros, cabelos e penas saltam da superfície das telas. Uma das pinturas é um manto tricotado, que pende flácido da parede com uma mancha colorida de fundo. Na contramão dessas, outra obra tem traços que imitam fissuras, rasgos de mentira que abalam a visão de um mar um tanto intranquilo.
Numa mostra agora na galeria Fortes, D'Aloia & Gabriel, a artista Erika Verzutti, um dos nomes fortes da última Bienal de São Paulo e recém-escalada para a Bienal de Veneza, mostra uma tela sua com ovos que parecem mergulhados num pântano de tinta além de peças de novíssimos pintores que despontam no circuito.
Mais conhecida por suas esculturas em grande escala, de cisnes, jacas e outros bichos e vegetais, Verzutti vem aos poucos achatando sua obra em três dimensões até chegar à natureza plana da pintura.
Não por acaso, sua seleção para a mostra que batizou "A Terceira Mão" buscou pinturas um tanto inquietas, de gente que não se contenta em ficar só na superfície do quadro. "Tem esses encontros físicos com quem está olhando", diz ela. "É a sensação de que a imagem não está nem na parede nem no espaço."
Daí o tricô de Daniel Albuquerque, a enorme trança presa ao quadro de Gokula Stoffel, os dedos da tela do alemão Daniel Sinsel, as penas, pedras e espuma do americano Daniel Rios Rodriguez e o mar chacoalhado pela tempestade de cortes do italiano Francesco João Scavarda.
Este último, aliás, também exibe agora uma série de novos trabalhos ao lado de outro italiano, Alessandro Carano, na mostra "Donkey Man", em cartaz na Mendes Wood DM.
Na galeria dos Jardins, estão mais trabalhos que tratam do estado nervoso de uma espécie de metapintura, telas que falam delas mesmas.
"Esses trabalhos têm a ver com a materialidade da obra de arte", diz Scavarda. "Falam sobre como nasce e se forma o trabalho, com referências a um passado que está próximo, reconhecível."
Nesse sentido, um de seus quadros ali imita o display digital de um relógio, algo antiquado na era dos smartphones, mas fresco na memória. Outro quadro é uma paisagem montanhosa com remendos do que parece ser fita isolante, mas, tal qual as fissuras sobre o mar, tudo não passa de um trompe l'oeil.
Enquanto isso, Carano usa o mesmo tipo de fita -de verdade- em outras composições. "Uso materiais às margens das obras", afirma. "São coisas que os artistas descartam, mas seus gestos ficam."
A TERCEIRA MÃO
QUANDO de seg. a qui., 10h às 19h; sex., 10h às 18h; até 25/3
ONDE Fortes, D'Aloia & Gabriel, r. Fradique Coutinho, 1.500, tel. (11) 3032-7066
QUANTO grátis
DONKEY MAN
QUANDO de seg. a sáb., 10h às 19h; até 25/3
ONDE Mendes Wood DM, r. da Consolação, 3.358, tel. (11) 3081-1735
QUANTO grátis
Marta Mestre deixa a curadoria do Inhotim após menos de um ano por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Marta Mestre deixa a curadoria do Inhotim após menos de um ano
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 20 de fevereiro de 2017.
Menos de um ano depois de assumir parte da curadoria do Instituto Inhotim, o megamuseu de arte contemporânea nos arredores de Belo Horizonte, a portuguesa Marta Mestre está deixando seu cargo em meio a uma reestruturação da alta cúpula do museu.
No curto período em que esteve no museu do empresário Bernardo Paz, Mestre se dedicou à programação das comemorações dos dez anos da instituição no ano passado, centrada numa homenagem a Tunga, morto no ano passado, além da mostra da artista Claudia Andujar agora em cartaz em Lisboa.
"Meu objetivo foi concretizar uma experiência pontual, focada na especificidade desta instituição por um lado, e tomar contato com a expertise do Inhotim em dinamização de projetos culturais num modelo entre público e privado, por outro", diz Mestre. "Entrei num momento de passagem, os dez anos da instituição, que serviram para indagar sobre o que foi feito e como será daqui para a frente."
O americano Allan Schwartzman, que integra o time de curadores do museu desde sua fundação em 2006, agora assume a direção artística do Inhotim, subsituindo o interino Antonio Grassi, que vinha acumulando o cargo com o de diretor executivo.
Schwartzman vive em Nova York e terá o apoio de María Eugenia Salcedo, ex-curadora-assistente agora alçada ao cargo de diretora artística adjunta do museu. De acordo com o museu, o Inhotim agora mudará sua estratégia de curadoria, contratando profissionais para atuar de forma temporária em projetos pontuais.
Além de assumir o comando do Inhotim, Schwartzman acaba de vender sua agência de consultoria, a Art Agency, Partners para a Sotheby's, uma das maiores casas de leilão do mundo. Na negociação de US$ 85 milhões, ou R$ 263 milhões, Schwartzman agora é responsável também pela consultoria aos clientes da casa de leilões, entre eles Bernardo Paz, fundador do Inhotim.
março 8, 2017
Após seis edições, ArtRio deixa a Zona Portuária por Gustavo Stephan, O Globo
Após seis edições, ArtRio deixa a Zona Portuária
Matéria de Gustavo Stephan originalmente publicada no jornal O Globo em 6 de março de 2017.
Feira de artes anunciou novo endereço e abriu as inscrições para seus programas nesta segunda
A ArtRio anunciou nesta segunda-feira que sua sétima edição será realizada na Marina da Glória, no Aterro do Flamengo. Até então, ela vinha sendo realizada na Zona Portuária.
A decisão de levar o evento para o Aterro do Flamengo levou em conta a necessidade de "ter como base a criação de um novo espaço, mais amplo e integrado, com novas possibilidades de ações e projetos", nas palavras da presidente Brenda Valansi.
A feira de artes, que neste ano acontece de 13 a 17 de setembro, está com inscrições abertas a partir deste segunda-feira – até o dia 7 de abril – para os programas Panorama, Vista e Solo. O formulário está disponível no site www.artrio.art.br e os candidatos serão selecionados pelo comitê formado pelos galeristas Alexandre Gabriel (Galeria Fortes Vilaça / SP); Anita Schwartz (Anita Schwartz Galeria de Arte / RJ); Elsa Ravazzolo (A Gentil Carioca / RJ); Greg Lulay (David Zwirner / Nova Iorque - EUA); Eduardo Brandão (Galeria Vermelho / SP) e Max Perlingeiro (Pinakotheke Cultural / RJ).
Recentemente, em novembro, o local recebeu a exposição “Monumental – Arte na Marina da Glória”, com trabalhos de grandes proporções de 20 artistas, entre eles Antonio Bokel, Almandrade, Almicar de Castro, Artur Lescher, Caligrapixo, Delson Uchoa, Franz Weissmann, Galeno e Ursula Tautz.
março 5, 2017
Economista e colecionador: conheça novo diretor do Parque Lage, O Globo
Economista e colecionador: conheça novo diretor do Parque Lage
Matéria originalmente publicada no jornal O Globo em 3 de março de 2017.
Dono de uma coleção de 400 obras, Fabio Szwarcwald foi vice-presidente da OS Oca Lage
RIO - Anunciado como novo diretor do Parque Lage, conforme antecipou a coluna Gente Boa, o economista Fabio Szwarcwald vai substituir Lisette Lagnado no cargo. Lisette, porém, não deixará o Parque Lage e assumirá a curadoria dos programas públicos, vinculado ao Ensino. Escolhido pelo secretário estadual de Cultura, André Lazaroni, que o definiu como "um ótimo gestor", Szwarcwald é um colecionador de arte reconhecido no meio. Também foi um dos diretores da Associação de Amigos da EAV Parque Lage (AMEAV) e, depois, vice-presidente da OS Oca Lage, criada para administrar o Parque Lage e Casa França Brasil. O contrato entre a OS e o governo do Estado foi rompido no ano passado após o estado não conseguir pagar os repasses devidos à organização por conta da crise financeira do governo Pezão.
Ex-vice-presidente do banco Credit Suisse e membro do Conselho de aquisição do Museu de Arte Moderna (MAM), ele investe principalmente em artistas contemporâneos desde 2002. Tem obras valiosas, como uma fotografia da série "Chocolate", de Vik Muniz, mas também trabalhos de artistas menos conhecidos, como a holandesa Anne Wenzl e o brasileiro Pedro Varela. Sua coleção de 400 peças ainda inclui nomes como Amilcar de Castro, Lygia Clark e Abraham Palatinik.
"Comprar arte consagrada é muito fácil. Depois vou ter o tesão de falar 'comecei a colecionar este artista quando ele era desconhecido'", disse Szwarcwald ao GLOBO, em uma entrevista no ano passado. "São artistas da minha idade, que vivenciam o que eu vivencio, além de ser uma arte mais acessível para quem começa a colecionar. E a arte contemporânea choca, incomoda, não é algo só plástico, e eu gosto disso".
Szwarcwald, que já foi casado com a artista plástica Gabriela Moraes, também adquire obras de arte para diversificar seus investimentos. Antenado nas novidades, ele levou, há poucos meses, todas as 400 peças da sua coleção para um novo espaço do Cosme Velho, a galeria Z42, com artistas ainda emergentes. Em 2007, ajudou, como um dos diretores da AMEAV, a organizar um leilão com obras doadas por artistas, cujas vendas renderam R$ 1 milhão para o parque.
"Queremos fazer com que artistas se tornem padrinhos das salas de aula da escola: cada sala levaria o nome de um deles, em troca de ajuda financeira. Isso é feito em muitos museus pelo mundo. Nunca foi pensado para cá porque o Parque Lage nunca foi visto como uma empresa cultural, só como algo dos seus professores e alunos, o que é bonito mas não sustenta", disse o colecionador ao GLOBO na época.
