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maio 22, 2013
Salão de Abril: Seis propostas, O Povo
Seis propostas
Matéria originalmente publicada no jornal O Povo, em 20 de maio de 2013.
64º Salão de Abril - Inscrições
Na semana em que artistas da Cidade se reúnem para avaliar o Salão de Abril, o Vida & Arte convida alguns para pensar e escrever propostas para o evento
1 Enrico Rocha
Artista, educador e mestre em artes visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
Há muito se discute saídas para o Salão de Abril. Poderia ser uma exposição panorâmica, fruto de uma pesquisa curatorial sobre a produção de arte atual. Poderia ser um programa de bolsas ou residências que mobilizasse a produção e promovesse intercâmbios. Poderia ser um conjunto de ações envolvendo exposições, seminários, intervenções etc. Enfim, poderia ter muitos formatos e continuaria a correr o risco de não promover a relação que nos interessa entre a produção de arte e a cidade, pois essa relação não se conquista em uma ação isolada.
Por isso, considero mais urgente começarmos a desenvolver políticas públicas para a cidade que contemplem de modo articulado um programa de arte-educação nas escolas e instituições culturais; programas regulares e complementares de formação em artes; um circuito de instituições que mobilize sistematicamente a produção, promova a sua circulação e sua crítica; programas de interlocução com a produção de arte de outras cidades; enfim, um sistema que seja capaz de comprometer artistas e qualquer cidadão com a experiência de invenção estética, de si e do mundo, que é própria à arte.
Para tanto, precisamos convencer os políticos de que essa experiência é fundamental e estratégica para a conquista da cidade que desejamos viver. Refiro-me aos políticos que ocupam cargos no poder público e, por essa razão, têm obrigação de pensar essas questões, mas também aos políticos que somos, essencialmente, todos nós.
2 Yuri Firmeza
Artista visual e professor do Instituto de Cultura e Arte, da Universidade Federal do Ceará
Do Indo-Europeu, wer significa dobrar. Em Latim, versus – que, em tantas metáforas, sinaliza o arado. Portanto, preparar o terreno. Versus habita, igualmente, o conversar. Versar com, versar junto. Não há como pensar políticas públicas, para além do clientelismo e da politicagem, que desconsidere sua dimensão participativa. Ou seja, a criação de espaços de diálogo entre a sociedade e o poder público tanto na elaboração das políticas – o que engloba pensar o terreno – quanto no acompanhamento das ações implementadas. Projetos pensados à longo prazo e previstos no plano municipal da cultura que não subsistam acuados a celeridade dos eventos e tampouco do mandato político. O Salão moribundo – e não sou eu que declaro sua falência, mas o próprio formato deste Salão – é apenas sintoma desta paisagem árida. Não há, na agenda da Secretaria, um programa para a cultura. Há eventos esporádicos e editais – atrasados e não pagos. Afora isto, o que há? Seminários que pensem o futuro do Salão? Acompanho as prospecções do futuro deste salão há pelo menos dez anos. Constam em sua programação como mea culpa e esperança. Mas, enquanto o futuro não chega é o presente que se desarticula. Ademais, é de salão e editais que sobrevivem as políticas públicas para a cultura? Que outros espaços e projetos estão sendo ativados? Há conversas ou a retórica da inclusão amortiza as diferenças?
3 André Parente
Artista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Em 1976 participei do Salão de Abril. Tentei inscrever fotografias, filmes e instalação, mas não eram categorias aceitas. Consegui inscrever uma monotipia e uma escultura. Ganhei o 2º lugar, não me recordo em que categoria.
Contente da vida (era em algum espaço meio abandonado no Passeio Público), fui ver a exposição, e me informaram que só havia um diploma. Animado, perguntei quantas inscrições teriam havido na categoria em que fui “premiado”. Uma funcionária olhou para mim com um sorriso sarcástico e impaciente como quem me dissesse nas entrelinhas “meu filho, não se anime” e me lascou: “só dois mesmo”. Voltei para casa desolado com meu trabalho e meu diploma. Durante os próximos dois anos, cada vez que alguém falava de Salão de Abril, eu contava a história como se fosse uma piada.
Em 1978, realizei a minha primeira exposição solo numa galeria privada, a Galeria Crédimus. Era uma exposição Multimídia, contendo monotipias, fotografias, filmes super 8, poesia visual e uma instalação intitulada Disciplina (uma gaiola de dois metros de altura por 1,5 metros de largura contendo um terno pendurado num cabide). Era uma forma de afirmação contra a caretice de então. Desde então, eu não soube mais de Salão de Abril.
Há coisa de uns cinco anos, voltei a Fortaleza e eis que vejo um Salão de Abril renovado, com exposição bacana, fotografias, filmes, instalações, gravuras, desenhos, pinturas, exatamente o Salão que eu gostaria de ter participado, só que 30 anos depois! O que teria acontecido para renovarem o Salão em um momento em que os salões, mesmo o nacional, já haviam entrado em declínio ?
Voltei em Fortaleza ano passado e fiquei chocado com as notícias da cena cearense: o BNB, espaço mais experimental da cidade nos últimos cinco anos ia perder seu espaço expositivo; o Alpendre estava fechando as portas; rumores corriam de que a Vila das Artes estava ameaçando quanto a suas verbas, a onda agora era investir no Dragão; já não se falava mais de Salão de Abril. Todos nós estamos de acordo que a cena das artes visuais de Fortaleza vive um momento de grande potência, mas por outro lado, institucionalmente falando, há uma desproporção enorme: a cena é frágil demais, nenhuma política pública continuada e estável.
4 Aterlane Martins
Historiador, professor do IFCE e coordenador de Ação Educativa do Salão de Abril 2013
Na contramão do que já foi dito, não reconheço o Salão de Abril como uma instituição caduca ou moribunda, talvez velha, sim. Mas de uma velhice calcada no acúmulo da experiência. É diante desta que podemos refletir, criticar, propor, revisar e reorientar.
A perspectiva da duração longa ou da continuidade espaço-temporal, como seja preferido compreender, é essencial para o que penso como proposição ao Salão de Abril: o aspecto educativo.
Educação aqui seja entendida na perspectiva freiriana e suas releituras consistentes, do que promove a autonomia, a liberdade e o desenvolvimento social.
O Salão tem experimentado de modo qualificado o desenvolvimento de ações educativas que priorizam a arte como elemento vetor. De uns tempos para cá, ações levadas a cabo nos terminais urbanos, em presídios, praças ou nas galerias de exposição, possibilitaram ao público mais diverso a fruição da arte – coisa rara em nossa cidade.
Profissionais e programas educativos qualificados, como se vê em tantas mostras Brasil e mundo afora, bem podem contribuir com a sanidade desta instituição septuagenária. Porém, assim como a arte, a prática educativa demanda tempo e persistência para ver seus frutos germinarem.
5 Carolina Ruoso
Doutoranda em História da Arte na Universidade de Paris 1 Panthèon-Sorbonne
Pensando o Salão de Abril para o século XXI destaco 7 propostas. Gestão: a Secultfor deve criar uma coordenadoria especialmente para esta instituição sem paredes. Que criará um Conselho Consultivo para que seja elaborado um plano diretor. Este incluirá no seu programa uma equipe de Ação Educativa e uma equipe de Pesquisa. Produzindo registros, construindo uma base de dados, tratando a documentação e elaborando materiais de mediação em arte contemporânea. Proponho que o Formato seja elaborado a partir da noção de artistas-curadores. Os artistas selecionados para a residência artística, elaborarão com o Comitê Curador um projeto coletivo de exposição: resultado de uma experiência alternada entre trabalho de campo e reuniões de orientação. Este evento é um atrativo cultural que fará Produtos: um catálogo com artigos de críticos e pesquisadores, um documentário de arte, postais...
6 Beatriz Furtado
Pesquisadora e professora do Instituto de Cultura e Arte, da Universidade Federal do Ceará
O texto do Yuri Firmeza sobre o Salão de Abril expressa, sobretudo, um movimento de resistência. Em meio ao silêncio, ao comedimento e a apatia, o artista resolve implodir um circuito carcomido, como já o fizera antes, por outras vias. Dessa vez, o release veio assinado pelo próprio punho e se endereçava ao modo do poder público lidar com a cultura, desde sempre.
O fato é que nenhuma gestão, nenhuma, conseguiu reverter, minimamente, a situação de miséria absoluta da área da cultura. Nunca foi destinado e, efetivamente, executado, o orçamento previsto para a Cultura. A prova dos nove dessa conta, muitas vezes escamoteada por gastos com mega-eventos, é que não temos um só equipamento destinado às artes no município de Fortaleza.
Não há um teatro municipal; um cinema público; um museu da história da cidade; uma casa para música; um sala de espetáculos para dança; um museu de arte; uma casa da fotografia. Não temos uma biblioteca que seja capaz de atender uma população de quase três milhões de pessoas. E não é por falta de projetos, inclusive já pagos e amarelando nas gavetas municipais.
O Salão de Abril é feito a toque de caixa para cumprir um calendário. O prédio da galeria Antônio Bandeira, que abrigou no mais das vezes o Salão, é um desprezo ao nome de um dos pintores mais importantes do modernismo brasileiro.
Ou se cria (1) uma instituição séria, com (2) dotação orçamentária, com (3) corpo técnico estável, com (4) curadores/diretores com mandatos definidos, (5) todos concursados, para acabar com os vícios dos eternos chapas brancas; (6) se cria prédio/museu que abrigue não apenas o Salão, em abril, mas para atividades expositivas/educativas durante todo o ano, ou será sempre assim: cairemos, todos, na mesma armadilha do fazer o que é possível e de qualquer jeito. E, o que é pior, clamando pelo consenso da mediocridade.
Abril em outros salões por Alan Santiago, O Povo
Abril em outros salões
Matéria de Alan Santiago originalmente publicada no jornal O Povo em 20 de maio de 2013.
64º Salão de Abril - Inscrições
Salões têm mudado em outras partes do Brasil. Em Belo Horizonte, a Bolsa Pampulha oferece residência artística. Em Recife, as bolsas contemplam desde projetos artísticos tradicionais até mais experimentais
Com premiações que chegam a R$ 160 mil, a 64ª edição do Salão de Abril – que marca seu aniversário de 70 anos – está indo na contramão de salões análogos em outras partes do Brasil. “De um modo geral, os salões têm feito o esforço de deixar de se considerar eventos para pensar uma abordagem da arte o mais processual possível”, explica a curadora pernambucana e crítica de arte Clarissa Diniz.
Isso significa que o salão não age mais como legitimador de uma produção – simplesmente fazendo seleções de artistas e os premiando –, mas passa a apostar, por exemplo, em residências artísticas, bolsas de pesquisa e publicações. Dois casos emblemáticos são o Salão Nacional de Artes de Belo Horizonte e o Salão de Artes Plásticas de Pernambuco. Ambos passaram por metamorfose em 2002.
O primeiro mudou de nome, inclusive. Virou Bolsa Pampulha, que toca bienalmente um programa de residência artística para jovens criadores de todas as partes do Brasil. Os contemplados são acompanhados por uma comissão de críticos, curadores e pesquisadores em artes visuais. Há um ateliê coletivo para os artistas, que recebem bolsa durante um ano, o tempo da pesquisa. No segundo ano, as obras gestadas viram exposição no Museu de Arte da Pampulha na capital mineira. Em 2008, o artista visual cearense Yuri Firmeza foi um dos admitidos.
Segundo a curadora Lisette Lagnado, com a Bolsa Pampulha, a cidade se converte em um campo de investigação na medida em que os contemplados de outros Estados mudam de residência e conseguem efetivamente estabelecer trocas. “Dialogar mais com a cena local é algo que só a residência artística permite, isto é: deixar-se impregnar por uma realidade urbana por uma duração razoável”, pontua.
O Salão de Artes Plásticas de Pernambuco se compartimentaliza: há bolsas para pesquisa e produção em artes visuais, videodocumentário, fotografia e também residência artística. O projeto deve se estender por 10 meses. Aqui, como em Minas Gerais, os artistas são acompanhados por equipe de críticos, curadores e pesquisadores.
“As bolsas oferecidas permitiram abordagens das mais diversas, desde o estabelecimento de relações aparentemente mais tradicionais de pesquisa até mais experimentais, como esforços de diluição da autoria, da dissolução da obra de arte, ou de projetos que ocorrem entre campos distintos da criação e do conhecimento”, explica a coordenadora-geral da 47ª edição do Salão, Luciana Padilha, no texto do catálogo sobre artistas contemplados em 2008.
Para Clarissa, essas alternativas, condensadas em Minas Gerais e em Pernambuco, são significativas para jovens artistas que garantem estabilidade financeira para produzir projetos. Assim, os salões conseguiriam envolver grupos de artistas com a discussão de processo criativo. “O modelo de prêmio causa disfunção social, porque está criando hierarquias e traz um pensamento exclusivista. A própria arte contemporânea é o mais coletiva e horizontal possível”, critica.
O quê
entenda a notícia
Nessa semana, O POVO publicou artigo do professor e artista visual Yuri Firmeza criticando a atual edição do Salão de Abril. Ele reclamava do prêmio como ação de marketing e destacava a ausência de uma ação contínua. A experiência de outros salões pelo Brasil pode iluminar o que o nosso poderá ser no futuro.
Escândalo de obras falsas turbina lobby por nova lei no país por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Escândalo de obras falsas turbina lobby por nova lei no país
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 21 de maio de 2013.
Escândalos nas últimas semanas envolvendo obras falsas de artistas brasileiros em duas das maiores casas de leilão do mundo, a Christie's e a Phillips em Nova York, deixam evidente a sofisticação crescente de falsários no país.
"Estão furando o bloqueio até das casas de fora", diz Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, uma das maiores casas de leilão do Brasil. "Esses golpes já se tornaram quase diários."
Enquanto advogados se esforçam para levar ao Congresso um novo projeto de lei que tornaria a falsificação de obras de arte um crime --a ação por enquanto é só enquadrada como estelionato ou falsidade ideológica--, a Phillips adiantou à Folha uma mudança nas regras.
"Sempre que uma obra não estiver catalogada pelo espólio do artista, vamos consultar seus herdeiros", diz Laura Gonzalez, especialista em arte latino-americana da Phillips, que retirou na semana passada um Alfredo Volpi "duvidoso" de um leilão.
"Quem nos entregar obras para venda será informado de que vamos revelar seu nome aos herdeiros. Temos boas relações com o Brasil, mas o número de falsos é cada vez maior. É importante criar regras claras de autenticação."
No caso de obras falsas, advogados que defendem os direitos de artistas como Volpi e Candido Portinari tentam criar mecanismos para evitar que essas peças continuem a circular no mercado mesmo com suspeitas de falsificação.
Nada impede, por exemplo, que as supostas obras de Ivan Serpa, Mira Schendel, Amilcar de Castro, Roberto Burle Marx e Volpi, removidas dos leilões da Christie's e da Phillips, voltem ao mercado brasileiro "chanceladas" pela aparição no catálogo dessas casas renomadas.
"Botar a obra numa casa de leilão é um expediente frequente entre o pessoal que trabalha com coisas duvidosas", diz Marco Antonio Mastrobuono, diretor do Instituto Alfredo Volpi. "A própria pessoa articula para a peça não ser arrematada e depois tenta vender aqui com o catálogo em que ela aparece."
E elas aparecem cada vez mais. Num cenário que combina a fissura internacional por obras brasileiras e preços em alta, mas em que ainda falta conhecimento para identificar falsos, agentes de mercado no Brasil pressionam o governo a apertar o cerco contra falsários.
CAMINHO TORTUOSO
"Estamos agora trabalhando num projeto para tipificar como crime a falsificação", diz Maria Edina Portinari, diretora jurídica do Projeto Portinari. "No Brasil, isso não é crime. Se alguém estiver vendendo uma obra que sabe que é falsa, é estelionato. Se é pego em flagrante dizendo que é daquele artista, é falsidade ideológica. Mas esse ainda é um caminho tortuoso."
Luis Gustavo Grandinetti, desembargador aposentado do Rio, foi consultado pelos Portinari para aprimorar o projeto de lei que deve ser encaminhado ao Congresso. Ele propõe que a corte possa convocar uma comissão de especialistas sobre um artista para determinar se uma obra é ou não inautêntica.
Enquanto outros países têm isso previsto em lei, exigindo que uma obra declarada falsa por especialistas seja apreendida e destruída, a lei autoral no Brasil ainda é "omissa", na opinião de Pedro Mastrobuono, advogado do Instituto Alfredo Volpi.
"Um expert no Brasil não diz que uma obra é falsa porque ele pode ser denunciado por calúnia. Do ponto de vista jurídico, a figura do expert não está fundamentada", diz Mastrobuono. "Enquanto esses agentes estiverem desprotegidos das sanções criminais, estarão melindrados em assessorar as casas de leilão."
No projeto de lei dos herdeiros de Portinari, a comissão de especialistas a ser convocada pela corte teria o poder de um perito e não correria o risco de ser processada pelo dono da obra suspeita. "Esse risco de constrangimento desapareceria", diz Grandinetti. "Isso precisa ser levado ao debate político."
La gran ilusionista por Diana Fernández Irusta, La Nación
La gran ilusionista
Matéria de Diana Fernández Irusta originalmente publicada no jornal argentino La Nación em 12 de maio de 2013.
Sofisticada y talentosa, Adriana Varejão -considerada la mejor artista contemporánea de Brasil- impacta con una obra que utiliza el simulacro y suele inspirarse en la azulejería colonial
El día en que Adriana Varejão pisó por primera vez las abigarradas callecitas de Ouro Preto, su vida experimentó un antes y un después. Tenía 22 años, se iniciaba en el campo del arte y, de manera imprevista, descubrió que el empedrado de la ciudad colonial hablaba. Las piedras de Ouro Preto gritaban mensajes indescifrables, y ella las caminó descalza, embriagada por la profusión de iglesias y por una iconografía religiosa cuyo significado desconocía, pero cuya intensidad la desbordaba. Entre cachaças, amores juveniles y la sinuosa geografía de ese rincón de Brasil, una joven artista carioca definía su modo de estar en el mundo: con mirada contemporánea y espíritu barroco.
Esa misma mujer avanza ahora por los pasillos del Malba, donde presenta una muestra que atraviesa 20 años de su trabajo. Un recorrido que le valió generar obras cuya cotización en el mercado internacional ronda el millón y medio de dólares, integrar las colecciones de la Tate Modern de Londres, el Guggenheim de Nueva York, la Fundación Cartier de París y, el mes pasado, ser nombrada la mejor artista contemporánea por la Asociación Brasileña de Críticos de Arte. Varejão porta toda esta historia profesional con relajado placer. La misma placidez con que lleva, a los 48 años, su segundo embarazo. "Hay una edad en la que estamos siempre construyendo. Y de repente tomas conciencia de que hay una obra realizada, una trayectoria -comenta-. Ver lo que hiciste reunido frente a ti. es una experiencia maravillosa de lo que la madurez puede traer de bueno."
¿Cómo vivís esto de armar una muestra tan abarcativa, al mismo tiempo que estás en plena creación de otra vida?
[La artista hace un gesto difícil de interpretar. Sonríe, amaga con hablar, respira hondo. Se intuye la renuencia a explayarse sobre su vida privada. Contesta, al fin.] "Es mi segunda hija. Tengo una niña de 7 años. Ahora va a ser otra niña. Es un buen momento profesional, pero son cosas distintas. Otra instancia de cosas".
Hasta el 10 de junio, sobre las paredes del Malba se lucirán sus trabajos: de grandes dimensiones, concebidos en un enigmático cruce entre simulacros, exuberancia barroca y cruces interculturales. El territorio de Varejão no es el del pequeño formato: en Inhotim, emprendimiento que, a kilómetros de Belo Horizonte, alberga jardines tropicales y arte contemporáneo, posee todo un pabellón. La artista estuvo casada con Bernardo Paz, creador de ese complejo, con quien tuvo su primera hija. El padre de la niña que hoy se adivina en su vientre suavemente curvado, es el productor Pedro Buarque de Hollanda, primo de Chico Buarque.
Alguna vez dijiste que las piedras de Ouro Preto hablaban. Las superficies que recreás en tus obras también poseen una enorme intensidad. ¿Cómo trabajás el aspecto técnico?
Hago una aproximación poco tradicional a la pintura, algo típico en una artista contemporánea. Utilizo aluminio, poliuretano, en el sentido de construir una narrativa. Una artificialidad.
¿Por qué la frecuente apelación a lo decorativo, los utensilios domésticos, los azulejos?
Era algo muy artesanal en Portugal; hubo una importación de estos íconos portugueses a Brasil. Es como adoptarlos y subvertirlos, devolverlos de un modo distinto. Algunas piezas se inspiran en un ceramista, Bordalo Pinheiro, de fines del siglo XIX, principios del XX. Pero el significado final se da en el espectador.
En muchas de tus obras asoman vísceras, sangre. Algo que puede referir a la colonización. o a infinidad de otras cosas.
Yo prefiero la infinidad de otras cosas (risas). Cuando pienso en la materialidad, la carne y demás, no pienso en sufrimiento. Pienso en voluptuosidad, en erotismo. Algo que se contrapone a la violencia de las superficies frías, asépticas, racionales, previsibles. Para mí es muy violento el minimalismo. El contrapunto es una pulsión apasionada, que desborda, caótica, incontrolable. Una fuerza más interna, animal, salvaje, que rompe todo ese orden para establecer otro. Un poco la metáfora del nacimiento. No hay sufrimiento en el nacimiento, pero hay contundencia.
Llamaste a tu muestra Historias en los márgenes. ¿Aludís también a esos márgenes donde a veces se ubica lo femenino?
En ningún momento de mi vida me sentí marginada por ser mujer. Por ser brasileña o latinoamericana, sí. Lo de los márgenes tiene que ver con una cuestión histórica.
Pero tu lugar dentro del mercado del arte no es marginal.
Sin embargo, todavía hay un largo camino para el arte latinoamericano; no somos tan centrales. Yo no me siento tan central.
¿De ahí la fascinación con Oriente?
Los portugueses fueron increíbles, hicieron colonias en Macao (China), India, África, Brasil. Es muy fuerte la cuestión del mestizaje. Entre gentes, sangres, culturas. Por eso me encanta tener dos polos, China y Brasil, y hacer una conexión entre ellos.
Durante una charla con el curador Adriano Pedrosa, elogiaste el papel del desperdicio en el barroco.
El barroco es un pensamiento del desperdicio en función del placer. Como explica Severo Sarduy, una mente burguesa frente a una obra barroca, exclama: "¡Cuánto trabajo desperdiciado!". Si piensas en el lenguaje periodístico, está hecho para que otro entienda; no hay desperdicio. Pero la poesía es puro desperdicio, no está hecha para comunicar algo específico. Se trata de encontrar un lenguaje que se preste a la poesía y no a la eficiencia.
En un momento en que el arte está tan atravesado por lo institucional y por el mercado, ¿no se complica esta postura?
Cuando estoy creando, sólo hago lo que la obra necesita. Ninguna concesión al mercado ni a límites institucionales. No es ningún esfuerzo. (sonríe).
Es conocida la afición de la artista por el tai chi. Quizás a esa práctica oriental deba lo grácil de sus gestos, la firmeza nunca ruda de sus dichos. La charla termina, la pregunta se impone:
¿Cuándo nace tu niña?
En junio.
¿Se viene, entonces, un momento de detención?
No. Cuanto menos trabajo, más creación.
maio 20, 2013
Más allá del panfleto, la reflexión por Ángeles García, El País
Más allá del panfleto, la reflexión
Matéria de Ángeles García originalmente publicada no jornal espanhol El País em 20 de maio de 2013.
Cildo Meireles, Museo Reina Sofía - Palacio de Velázquez, Madrid, Espanha - 24/05/2013 a 29/09/2013
El brasileño Cildo Meireles, uno de los artistas conceptuales más relevantes, expone sus instalaciones políticas en el Reina Sofía
Sobre un suelo alfombrado por 20.000 huevos de madera se extiende un techo formado por 50.000 balas. La instalación, bautizada con el nombre de Amerikka, es la denuncia del artista brasileño Cido Meirelles de las justificaciones de la violencia de la Asociación Nacional del Rifle de Estados Unidos. Meireles (Río de Janeiro, 1948) controlaba la semana pasada al detalle cada uno de los movimientos de los operarios encargados de reconstruir esta pieza, nunca expuesta en España. Forma parte del centenar de obras de la antológica que a partir del 23 de mayo el Reina Sofía le dedica en el palacio de Velázquez del Retiro, en Madrid.
Amerikka es un buen resumen de las aspiraciones éticas y estéticas de Meireles. Mezcla de investigación, filosofía, poesía y deslumbrante belleza, sus dibujos, esculturas, pinturas e instalaciones lo han convertido en un referente del arte conceptual. “Son trabajos que han acompañado toda mi vida y estoy disfrutando mucho viendo como renacen en este bello espacio”, explica. La exposición viajará en octubre a la Fundación Serralves de Oporto y en primavera se exhibirá en el hangar Bicocca de Milán.
La exposición durante cuyo montaje se celebró el encuentro es consecuencia del premio Velázquez logrado en 2008. El núcleo está formado por sus instalaciones más contundentes y conocidas, escogidas conjuntamente con su amigo y comisario de la muestra, João Fernandes, subdirector del Reina Sofía.
En Abajur (2010), presentado en la Bienal de Sao Paulo, una lámpara gigante rodeada de imágenes marinas se enciende mediante una dinamo activada con el esfuerzo de los visitantes, en otra prueba del interés de Meireles en la contemplación activa de la obra de arte. Y si Olvido (1987), es un particular tipi (tienda típica de los indios nativos americanos) formado con 6.000 billetes de países americanos colocados sobre miles de fémures de buey, dentro del perímetro delimitado por 70.000 velas, Marulho, contiene miles de libros de tonalidades azules que recrean un océano visible desde una enorme plataforma elevada de madera.
El gusto por el concepto y la crítica política confluyen en cada pieza. Aunque no siempre fue así: “Al principio estaba más preocupado por los espacios y por la investigación. Siempre comprometido, claro. Pero, en 1969, tres horas antes de que se abriera mi primera gran exposición el Museo de Arte Moderno de Río, el museo fue fue cercado por la policía política y ordenaron el desmantelamiento de todo”, recuerda. “La reacción interna y externa fue inmediata y mi radicalización definitiva”.
Las dictaduras que en los setenta asolaban el continente latinoamericano y el imperialismo de Estados Unidos se colocaron desde entonces en su punto de mira. Una de sus piezas más famosas, incluida en la exposición, está dedicada a la idea del imperialismo simbolizado en una Coca-Cola. Como ejemplo de transgresión de la realidad, cogió un número indefinido de botellas a las que colocó un logo en el que se leía “Yankees go home” y las puso de nuevo en circulación.
El capitalismo sigue siendo en el centro de sus preocupaciones. “En Brasil somos expertos en crisis y lo que puedo decir es que no es verdad que haya crisis del capitalismo. Los poderes financieros seguirán igual o más enriquecidos. La crisis la sufren los pobres y las clases medias”.
Y el arte... ¿Qué puede hacer, si es que puede hacer algo, en todo esto? “Me coformo con que la gente sepa que siempre se puede empezar de cero. No se transformarán grandes cosas, pero si una o dos personas salen conmovidas, yo estaré contento. El arte tiene que seguir criticando a la política. Huyo del panfleto, pero quiero reflexión”.
maio 19, 2013
9ª Bienal do Mercosul inclui nomes estelares da arte contemporânea por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo
9ª Bienal do Mercosul inclui nomes estelares da arte contemporânea
Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 17 de maio de 2013.
Uma mensagem telepática enviada pelo artista argentino Eduardo Navarro, de sua casa em Buenos Aires, a 1.200 pessoas que lotavam o Theatro São Pedro, na quinta-feira (16), em Porto Alegre, foi um dos pontos altos do anúncio dos selecionados para a 9ª Bienal do Mercosul, programada para ser aberta no dia 13 de setembro.
"Muita gente está dizendo que recebeu a mensagem", comentava satisfeita a curadora mexicana Sofia Hernández Chong Cuy, diretora artística da Bienal.
Entre os presentes estava também a ministra da Cultura, Marta Suplicy, que não contou se recebeu a mensagem telepática, mas em seu discurso defendeu o Vale-Cultura, que deve entrar em vigor em julho próximo.
Suplicy ainda se referiu à temática da mostra, a relação entre arte e tecnologia, observando nela a importância da chamada economia criativa.
Cuy anunciou a lista de 66 nomes selecionados da 9ª Bienal, intitulada "Se o tempo for favorável", que inclui nomes estelares da arte contemporânea, como os norte-americanos Robert Rauschenberg (1925-2008) e Tony Smith (1912-1980), ou o alemão Hans Haacke. A lista completa está no site da Bienal (http://www.bienalmercosul.art.br).
Se em suas últimas edições, a Bienal do Mercosul já se afastava de sua missão original de mapear artistas vinculados aos países do chamado Mercado Comum do Sul, a 9ª Bienal sedimenta a internacionalização do evento.
Apesas de alguns nomes com grande reconhecimento, caso também de Mira Schendel (1919-1988), a maioria dos escolhidos é composta por jovens artistas, grande parte dela desconhecida do público brasileiro, e "com obras criadas especificamente para a exposição", segundo Bernardo de Souza, um dos curadores do evento.
Dos 66 selecionados, o Brasil participa com 17 artistas, sendo que apenas dez participarão da exposição. Os demais sete farão registros dos Encontros na Ilha do Presídio, no rio Guaíba, uma programação especial do evento, e irão postar as fotografias ou vídeos em uma publicação virtual. Entre os brasileiros que participam da mostra, que irá ocupar o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a Usina do Gasômetro, o Memorial do Rio Grande do Sul e o Santander Cultural, estão Eduardo Kac, Cinthia Marcelle, Sara Ramo, Thiago Rocha Pitta e Erika Verzutti.
Seleção da Bienal do Mercosul apresenta mais de 60 artistas, de 26 países por Francisco Dalcol, Zero Hora
Seleção da Bienal do Mercosul apresenta mais de 60 artistas, de 26 países
Matéria de Francisco Dalcol originalmente publicada no jornal Zero Hora em 17 de maio de 2013.
Entre os 15 nomes brasileiros, 10 são gaúchos. Mostra ocorre entre setembro e novembro
Mais de 60 artistas, de 26 países, fazem parte dos convidados da 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre divulgada nesta sexta-feira pela manhã, no Theatro São Pedro. Há 15 brasileiros, sendo 10 gaúchos.
A seleção está dividida em dois grupos: artistas que irão apresentar obras já prontas (algumas inéditas) e outros que realizarão trabalhos ao longo dos três meses da mostra, entre setembro e novembro. Nesse segundo grupo, estão os que se deslocarão para a Ilha das Pedras Brancas, mais conhecida como Ilha do Presídio, e também os que trabalharão de forma colaborativa com empresas e indústrias gaúchas que abrirão suas portas.
– Apresentaremos artistas que fazem investigações e experimentações. Temos três abordagens de como os artistas trabalham hoje: artista como inventor, artista como colaborador e artista como mediador. Essas são as três aproximações em termos de critérios de seleção – diz a mexicana Sofía Hernández Chong Cuy, diretora artística e curadora-geral da 9ª Bienal.
Sobre a seleção, diz ela que, em lugar de critérios geográficos, de nacionalidade, identidade e fronteira, que estiveram presentes em maior ou menor grau nas oito edições da Bienal desde 1997, a prioridade foi escolher nomes que dialoguem com a proposta curatorial:
– Questões de Estado, nação e fronteira são muito importantes, porque os artistas vivem em condições sociais e políticas distintas. Esses contextos informam a maneira com que os artistas trabalham e talvez o tipo de arte que fazem, mas não são temas das obras de arte e das exposições da Bienal. São dados e experiência que informam a prática artística.
Entre os brasileiros, Sofía destaca a paulista Erika Verzutti e o gaúcho Michel Zózimo. Dos latinos, cita a dupla argentina Faivovich & Goldberg e o equatoriano Anthony Arrobo. A lista ainda traz artistas históricos, como Robert Rauschenberg (1925 – 2008), Mira Schendel (1919 – 1988) e Tony Smith (1912 – 1980).
– Apresentaremos uma série de projetos colaborativos realizados a partir da década de 1960, como os do norte-americano Tony Smith, do qual traremos uma obra preciosa e monumental – promete.
Artistas convidados
São mais de 60 nomes, nascidos em diferentes países
Veja abaixo a lista dos artistas convidados
> Alemanha – 1
> Argentina – 6
> Austrália – 1
> Bélgica – 1
> Brasil – 15
> Canadá – 1
> China – 1
> Colômbia – 2
> Cuba – 1
> Egito – 1
> Equador – 1
> Espanha – 2
> EUA – 6
> França – 3
> Filipinas – 1
> Geórgia – 1
> Holanda – 1
> Líbano –1
> Lituânia – 1
> México – 5
> Peru – 3
> Polônia – 1
> Reino Unido – 5
> Suíça – 4
> Tailândia – 1
> Venezuela – 1
Os brasileiros
> Beto Shwafaty (1977, São Paulo)
> Cinthia Marcelle (1974, Belo Horizonte)
> Danilo Christidis (1983, Porto Alegre)
> Eduardo Kac (1962, Rio de Janeiro)
> Erika Verzutti (1971, São Paulo)
> Fernanda Gassen (1982, São João do Polêsine – RS)
> Fernando Duval (1937, Pelotas – RS)
> Katia Prates (1964, Porto Alegre)
> Leonardo Remor (1987, Ipiranga do Sul – RS)
> Leticia Ramos (1976, Santo Antonio da Patrulha-RS)
> Luiz Roque (1979, Cachoeira do Sul – RS)
> Michel Zózimo (1977, Santa Maria – RS)
> Romy Pocztaruk (1983, Porto Alegre)
> Thiago Rocha Pitta (1980, Minas Gerais)
> Tiago Rivaldo (1976, Porto Alegre)
Artistas históricos
> Juan José Gurrola (1935 – 2007, México)
> Luis F. Benedit (1937 – 2011, Argentina)
> Mira Schendel (1919 – 1988, Suíça)
> Robert Rauschenberg (1925 – 2008, EUA)
> Tony Smith (1912 – 1980, EUA)
Aleksandra Mir (1967, Polônia)
Anthony Arrobo (1988, Equador)
Audrey Cottin (1984, França)
Aurélien Gamboni & Sandrine Teixido (1979, Suíça)
Beto Shwafaty (1977, São Paulo)
Bik Van der Pol – Liesbeth Bik (1959, Holanda) e Jos Van der Pol (1961, Holanda)
Cao Fei (1978, China)
Cinthia Marcelle (1974, Belo Horizonte)
Christian Bök (1966, Canadá)
Daniel Santiago (1985, Colômbia)
Daniel Steegmann Mangrané (1977, Espanha)
Danilo Christidis (1983, Porto Alegre)
David Medalla (1942, Filipinas)
David Zink Yi (1973, Peru)
Edgar Orlaineta (1972, México)
Eduardo Kac (1962, Rio de Janeiro)
Eduardo Navarro (1979, Argentina)
Elena Damiani (1979, Peru)
Erika Verzutti (1971, São Paulo)
Faivovich & Goldberg – Guillermo Faivovich (1977, Argentina) e Nicolás Goldberg (1978, França)
Fernanda Gassen (1982, São João do Polêsine – RS)
Fernanda Laguna (1972, Argentina)
Fernando Duval (1937, Pelotas – RS)
Fritzia Irizar (1977, México)
George Levantis (Reino Unido)
Gilda Mantilla & Raimond Chaves – Gilda Mantilla (1967, EUA) e Raimond Chaves (1963, Colômbia)
Grethell Rasúa (1983, Cuba)
Hans Haacke (1936, Alemanha)
Hope Ginsburg (1974, EUA)
Jason Dodge (1969, EUA)
Jessica Warboys (1977, Reino Unido)
Jorge Villacorta (1958, Peru)
Juan José Gurrola (1935 – 2007, México)
Koenraad Dedobbeleer (1975, Bélgica)
Katia Prates (1964, Porto Alegre)
Leonardo Remor (1987, Ipiranga do Sul-RS)
Leticia Ramos (1976, Santo Antonio da Patrulha-RS)
Liudvikas Buklys (1984, Lituânia)
Lucy Skaer (1975, Reino Unido)
Luis F. Benedit (1937 – 2011, Argentina)
Luiz Roque (1979, Cachoeira do Sul-RS)
Malak Helmy (1982, Egito)
Marta Minujín (1943, Argentina)
Michel Zózimo (1977, Santa Maria-RS)
Mario Garcia Torres (1975, México)
Mira Schendel (1919 – 1988, Suíça)
Nicholas Mangan (1979, Austrália)
Nicolás Bacal (1985, Argentina)
Pratchaya Phinthong (1974, Tailândia)
Rodrigo Derteano (1979, Suíça)
Romy Pocztaruk (1983, Porto Alegre)
Robert Rauschenberg (1925 – 2008, EUA)
Sara Ramo (1975, Espanha)
Sandrine & Aurélien – Sandrine Teixido (1974, França) e Aurélien Gamboni (1979, Suíça)
Suwon Lee (1977, Venezuela)
Tarek Atoui (1980, Líbano)
Tania Pérez Córdova (1979, México)
Thiago Rocha Pitta (1980, Minas Gerais)
Tony Smith (1912 – 1980, EUA)
Trevor Paglen (1974, EUA)
The Otolith Group – Londres, Reino Unido
Tiago Rivaldo (1976, Porto Alegre)
Zhenia Kikodze (1967, Geórgia)
Willian Raban (1948, Reino Unido)
