|
|
maio 10, 2013
Réplica: MAC-USP supera limitações na mostra "O Agora, O Antes" por Tadeu Chiarelli, Folha de S. Paulo
MAC-USP supera limitações na mostra "O Agora, O Antes"
Réplica de Tadeu Chiarelli originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 7 de maio de 2013.
Mais do que o título "O MAC tem problemas estruturais e conceituais", em texto de Fabio Cypriano publicado nesta "Ilustrada", estranhei o subtítulo: "Mostra pouco ambiciosa que inaugura nova sede do museu é prejudicada por excesso de colunas e pé direito baixo".
A Folha esqueceu que o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo atua ali faz mais de um ano? O texto informa que a exposição O Agora, o Antes: Uma Síntese do Acervo do MAC "finalmente ocupa o sétimo andar da nova sede".
Crítica: MAC tem problemas estruturais e conceituais de Fabio Cypriano
Como assim? Não se trata do fim de um processo. Essa exposição, junto com "Di Humanista", inaugurada na mesma data, dá continuidade ao processo de implantação do Museu naquele espaço, iniciado em janeiro de 2012, e que no estágio atual já comporta sete exposições.
Portanto, não é a mostra que deve ou não ser julgada ambiciosa. Ambicioso é o processo total de implantação de um museu público universitário naquele complexo e o que quer que se escreva sobre a mostra deveria levar em conta esta situação.
O jornalista parece ter ficado decepcionado com a montagem da exposição que, para ele, não teria dado conta dos problemas resultantes da adaptação do edifício para seu novo objetivo.
Lamento a decepção, mas afirmo que a equipe conseguiu driblar as dificuldades apresentadas pelo espaço sem esconder, com recursos cenográficos, os condicionantes físicos do lugar. Este é um partido expográfico assumido pelo Museu e que será mantido nas próximas. (Lidar com limitações impostas pela adaptação de edifícios históricos é uma problemática constante na história da arquitetura de museus que não deve ser camuflada).
Quando Cypriano escreve sobre a mostra "em termos de conteúdo", fala da suposta dificuldade do MAC USP em apresentar seu acervo.
Para embasar essa impressão lembra que o Museu Reina Sofia "vem tentando rever a história da arte de um ponto de vista menos eurocêntrico". Já o MAC USP, "parece não buscar um realinhamento dentro desse panorama".
Rever a história da arte não significa seguir ditames dessa ou daquela instituição ou ditames "politicamente corretos" das penúltimas teorias. O MAC USP optou por reexaminar as narrativas mais arraigadas da história da arte "eurocêntrica", atacando um de seus baluartes: os gêneros artísticos tradicionais.
A partir da mostra fica claro como esses gêneros foram e vêm sendo processados por artistas modernos e contemporâneos, numa relação complexa de reiteração e superação de valores que transcendem a simples aproximação entre passado e presente.
Colocar em relação obras de arte que, separadas no tempo e no espaço turvam a hierarquia dos gêneros, é propor outro patamar para rever as narrativas canônicas da história da arte e mesmo aquelas que, sob pele de cordeiro, atuam para manter hegemonias centenárias.
Tal atitude perturba o conforto dos contentes ou os novos preconceitos da velha mídia? Paciência, este é o papel de um museu de arte contemporânea.
TADEU CHIARELLI, 56, é diretor do MAC USP.
Crítica: MAC tem problemas estruturais e conceituais por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo
MAC tem problemas estruturais e conceituais
Crítica de Fabio Cypriano originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 29 de abril de 2013.
A inauguração da mostra "O Agora, o Antes", que finalmente ocupa o sétimo andar da nova sede do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), revela uma série de dificuldades que envolveram a reforma do antigo prédio do Detran.
Réplica: MAC-USP supera limitações na mostra "O Agora, O Antes" de Tadeu Chiarelli
O próprio autor do projeto do edifício, Oscar Niemeyer (1907-2012), quando consultado sobre a reforma, propôs que a disposição dos andares fosse alterada, reduzindo alguns pisos, para assim se ampliar o pé-direito. Contudo, os órgãos reguladores do patrimônio, lamentavelmente, não permitiram a mudança.
Por conta disso, com "O Agora, o Antes" constata-se a inadequação da reforma para um espaço expositivo e, pior, a incapacidade da equipe expográfica do museu em lidar com essa situação.
Com pé-direito baixo e excesso de colunas, foram criados painéis em abundância, que mais lembram uma acanhada feira do que uma exposição museológica propriamente dita.
Dessa forma, o percurso torna-se excessivamente seccionado, sem organicidade, com um exagero de recortes. A expectativa, agora, é se nos demais andares a ocupação será tão problemática como a dessa primeira mostra.
Em termos de conteúdo, "O Agora, o Antes" revela ainda uma outra dificuldade, que diz respeito ao projeto do museu em apresentar seu acervo.
Enquanto instituições internacionais, como o Museu Reina Sofia, vêm tentando rever a história da arte de um ponto de vista menos eurocêntrico, o MAC parece não buscar um realinhamento dentro desse panorama.
A exposição, com curadoria de Tadeu Chiarelli, diretor do MAC, agrupa trabalhos por gêneros tradicionais da história da arte, como o retrato ou a natureza-morta, sem uma ambição maior, dando a impressão de ocorrer como um mero exercício de aproximações entre o passado e o presente.
A primeira sala, nesse sentido, é um bom exemplo. Exibir o "Autorretrato" (1919), de Modigliani, junto com a ótima série "Uma Situação Estimulada" (1976), da polonesa Anna Kutera, poderia representar uma mudança de perspectiva no papel do artista.
Afinal, enquanto na obra de Modigliani o artista se autorepresenta de forma majestosa, Kutera aborda a fragilidade. Contudo, especialmente se tratando de um museu universitário, faltam textos educativos que apontem para tais questões.
NÃO CRONOLÓGICO
Dessa forma, se por um lado percebe-se a tentativa em construir um percurso que não seja cronológico, o que já vem acontecendo em instituições como a inglesa Tate há muito tempo, seria importante ir além de agrupamentos temáticos.
Reunir obras de clássicos do modernismo --como os estrangeiros Picasso, Chagal, De Chirico e Matisse, além dos brasileiros Tarsila do Amaral e Flávio de Carvalho-- com contemporâneos como Cildo Meireles, Cindy Sherman e Fernando Piola, em uma exposição de acervo é, sem dúvida, um grande avanço para o MAC. Mas uma grande exposição não se faz apenas com grandes obras.
O AGORA, O ANTES
QUANDO ter., das 10h às 21h, de qua. a dom., das 10h às 18h
ONDE MAC-USP (av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, tel. 0/xx/11/3091-3039)
QUANTO grátis
AVALIAÇÃO regular
maio 8, 2013
Sob suspeita de falsificação, Christie’s retira dez obras brasileiras de leilão por Audrey Furlaneto, O Globo
Sob suspeita de falsificação, Christie’s retira dez obras brasileiras de leilão
Matéria de Audrey Furlaneto originalmente publicada no jornal O Globo em 7 de maio de 2013.
Casa diz que vai investigar telas de Ivan Serpa e Mira Schendel, entre outros, que seriam vendidas em Nova York, no fim do mês
A maior casa de leilão de obras de arte do mundo, a americana Christie’s retirou às pressas dez obras de artistas brasileiros da venda que fará nos próximos dias 29 e 30, em Nova York. São quatro trabalhos de Ivan Serpa e os demais de Amílcar de Castro, Roberto Burle Marx, Mira Schendel, Hércules Barsotti, Ione Saldanha e Ubi Bava, que foram apontados por colecionadores e especialistas brasileiros como falsificações.
O alerta chegou à Christie’s na semana passada, quando a casa começou a atender telefonemas dos clientes que receberam o catálogo do leilão (uma ampla publicação que tradicionalmente antecede as vendas). Além de imagens e preços, o livro traz a procedência de cada uma das obras a serem negociadas — neste caso, são ao todo 320 trabalhos de arte latino-americana, sendo 50 de brasileiros.
Chamou a atenção dos compradores de posse do catálogo o fato de as dez obras sob suspeita terem a mesma procedência: como indica a publicação, pertencem à “Ralph Santos Oliveira collection” — coleção que, como apurou O GLOBO, é desconhecida entre os principais negociantes de arte do Rio.
Numa pesquisa simples no Google, os poucos registros para a busca do termo completo “Ralph Santos Oliveira collection” levam ao site da própria Christie’s e ao ArtNet, que repete os dados publicados pela casa de leilões.
Segundo a representante da Christie’s no Rio, Candida Sodré, a empresa ainda não concluiu se as dez obras em questão são ou não falsas e decidiu retirá-las do leilão para uma “análise profunda”.
— Quando mais de uma pessoa telefona e levanta suspeitas sobre essa ou aquela obra, nós retiramos e fazemos todas as pesquisas — afirma.
Há, completa Candida (sem detalhar), um trabalho prévio, que antecede a escolha das obras que irão a leilão.
— Nós pesquisamos, sim. Colecionadores vêm a nós e nós vamos a eles, às vezes são conhecidos, às vezes, não. Nós erramos, e não é a primeira vez que isso acontece, embora seja raro. A grande vantagem é que isso foi percebido antes do leilão. Foi tarde para o catálogo, mas cedo para o leilão — defende.
A simples presença das obras sob suspeita no catálogo, porém, já serve para que tenham alguma chancela no mercado de arte, e, agora, a preocupação de colecionadores de arte brasileira diz respeito ao próximo passo da Christie’s. Questiona-se se a casa irá avançar nas pesquisas de autenticidade e denunciar, caso seja comprovada a falsificação, ou se devolverá, sem mais buscas, as peças ao mercado — se o fizer, as obras agora terão o prestígio de terem sido registradas em catálogo internacional e poderão, assim, ser negociadas.
— Não sabemos o que fazer. A lei brasileira é confusa, e nós somos uma casa americana — diz Candida.
Para Haruyoshi Ono, que foi sócio de Roberto Burle Marx desde os anos 1960 até sua morte, em 1994, e que responde pelo acervo do artista, a casa agiu com “irresponsabilidade”.
— Não fui consultado e conheço o trabalho de Burle Marx há mais de 30 anos. Só de olhar eu sei o que é dele. E a falsificação (da obra que seria vendida pela Christie’s) é completamente grosseira — afirma ele, que foi procurado pela casa na semana passada, quando o catálogo já havia sido publicado e as obras do leilão, selecionadas.
Filho de Amílcar de Castro (1920-2002) e à frente do instituto que leva o nome do artista, Rodrigo de Castro também conta que foi procurado pela Christie’s na última semana.
— Me mandaram a imagem da obra por e-mail, mas não dou certificado de autenticidade só por uma foto e pedi para ver a obra, e eles não me procuraram mais — diz Castro. — Numa pesquisa rápida, vi que a obra em questão nunca participou de nenhuma exposição, não está em nenhum catálogo. Isso causa um certo grau de estranheza.
Curadores são tema de livros, mostra e seminário por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Curadores são tema de livros, mostra e seminário
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 7 de maio de 2013.
Diante da câmera, curadores respondem a uma única pergunta, sobre o que "fazem ou esperam fazer" quando organizam uma mostra. Entre jovens e mais experientes, falas destoam, com mais diferenças do que semelhanças.
Na ala dos veteranos estão Paulo Herkenhoff, Suely Rolnik, Lisette Lagnado e Moacir dos Anjos, entre outros. Pela nova geração, Luisa Duarte, Clarissa Diniz, Bitu Cassundé, entre outros. Todos foram interrogados pelos artistas Pablo Lobato e Yuri Firmeza para uma obra mostrada uma só vez até hoje.
Longe do glamour, nova geração de curadores de museus e galerias tem rotina árdua
Invertendo os papéis, Lobato e Firmeza colocaram os curadores na parede, para que explicassem seus métodos e revelassem suas ideias.
"Quem vai para o espaço não é a obra, mas o curador. Sempre teve muita especulação sobre o poder desses caras no Brasil", diz Lobato. "Então, a gente, com um espírito meio punk, queria ver como essa coisa funcionava."
Três anos depois de exibido em forma de instalação em Fortaleza, o projeto "O Que Exatamente Vocês Fazem, Quando Fazem ou Esperam Fazer Curadoria?" vai virar livro, que sai pela Azougue em agosto, enquanto os vídeos devem ser exibidos mais uma vez em mostra em São Paulo.
Esse é só um dos vários projetos que tentam "mapear sensibilidades" entre os curadores do país. Focando a nova geração, Guilherme Bueno e Renato Rezende lançaram há pouco o livro "Conversas com Curadores e Críticos de Arte", em que tentam mapear nomes emergentes.
"Essa é a primeira geração que não passou pelo dilema da transição da arte moderna para a contemporânea", diz Bueno. "A ideia era entender a formação intelectual desses autores, uma tentativa também de gerar história."
E polêmica. Desde que foi lançado, o livro vem provocando debates nas redes sociais, com alguns críticos apontando como falha do livro uma abordagem que põe no mesmo saco as figuras do crítico de arte e do curador.
No fim do mês, essas perguntas também devem ser levantadas no seminário Panorama do Pensamento Emergente. Organizado por Cristiana Tejo, o encontro levará ao Recife dez jovens curadores, entre eles Clarissa Diniz, Ana Maria Maia, Júlia Rebouças e Luiza Proença.
CONVERSAS COM CURADORES E CRÍTICOS DE ARTE
AUTOR Guilherme Bueno, Renato Rezende (org.)
EDITORA Circuito
QUANTO R$ 37 (365 págs.)
PANORAMA DO PENSAMENTO EMERGENTE (ver programação)
QUANDO dias 22/5 e 23/5
ONDE Espaço Fonte (av. Dantas Barreto, 324, Recife; pensamento.emergente@gmail.com)
QUANTO grátis (100 vagas)
Longe do glamour, nova geração de curadores de museus e galerias tem rotina árdua por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Longe do glamour, nova geração de curadores de museus e galerias tem rotina árdua
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 7 de maio de 2013.
Eles nasceram "fora do Olimpo", têm as mãos "mais sujas" e dizem que há muito mais trabalho braçal do que glamour em ser curador. A nova geração desses profissionais que desponta no país já conquistou espaço no circuito, mas ainda tenta decifrar a arte contemporânea.
Decifrar, catalogar, ordenar, exibir, criticar, contextualizar e uma série de outros verbos aplicados à dissecação de um dos campos que mais cresce nas artes visuais brasileiras, projetando a imagem do país lá fora.
Curadores são tema de livros, mostra e seminário
Nos últimos dez anos, houve o que esses jovens curadores chamam de "desmistificação" da profissão, com a multiplicação de cursos formadores, a maior inserção da geração nos grandes museus e centros culturais do país e a voracidade de um mercado de arte que catapultou a demanda por novos nomes.
"Nós somos a última geração autodidata, uma geração de passagem", diz Paulo Miyada, 27, que vem organizando mostras de relevância no Instituto Tomie Ohtake. "Mesmo que haja um 'star system' nas artes visuais, vivemos um cotidiano mais braçal do que glamouroso."
Bernardo Mosqueira, 24, carioca que montou sua primeira exposição há três anos, levando obras de 47 artistas a sua casa no Jardim Botânico, é mais direto e denuncia a "falência da imagem do curador", o fim da ideia exagerada "do cara vestido de Armani, viciado em cocaína e preso à agenda telefônica".
"Essa imagem é uma cilada, é irreal", diz Mosqueira. "A ponta visível do iceberg, que é a abertura da exposição, com todo mundo em volta de você, é só o topo brilhante da montanha. Mas abaixo dela, há um trabalho sinistro e árduo de pesquisa. Não é nada 'rock star'."
"Nossa geração já nasceu fora do Olimpo", diz Ana Maria Maia, 28, que será assistente de Lisette Lagnado no próximo Panorama da Arte Brasileira, uma das mostras mais relevantes deste ano.
"Era quase um desígnio divino exercer esse cargo, mas não somos mais essa figura soberba e cultuada. Artistas e curadores hoje são contemporâneos, travam uma conversa que acontece agora."
Moacir dos Anjos, que escalou Maia para ser sua assistente à frente da Bienal de São Paulo há três anos, vê uma "mudança perceptível de atitude" nesse campo. "Há uma insatisfação dessa geração com os modelos já existentes e uma disposição muito maior para experimentar."
Embora seja cedo, na opinião dele, para apontar novas tendências de curadoria, o sistema amadurece. "Essa geração consegue inserir o artista num campo mais amplo, tirar a arte de seu lugar específico e pôr ideias em conflito", diz Anjos. "Mas vai haver uma seleção natural entre os que têm algo a dizer e os que só têm uma pose a defender."
TESÃO E PODER
Isso porque existem os que trabalham "por tesão" e os que vão atrás de "poder", nas palavras de Mosqueira. Mas os que se firmam, na opinião de Luisa Duarte, 33, são os curadores que conseguem ser "intelectuais de seu tempo".
"É um trabalho de ir formando um olhar mais agudo sobre a produção contemporânea", diz Duarte. "Hoje há uma troca mais horizontal entre curadores e artistas, uma relação mais intensa do que nas gerações anteriores."
Solange Farkas, que costuma escalar jovens curadores para ajudar a organizar o festival Videobrasil, também enxerga relações mais próximas entre curador e artista, mas não atribui isso à geração.
"Vivemos um bom momento com a nova safra de curadores. É um contraponto ao mercado voraz", diz Farkas. "Mas, jovem ou velho, sempre acreditei num diálogo de igual para igual com o artista. Não acredito em grandes nomes da curadoria. Isso tem mais a ver com ego e vontade de projeção no mercado."
Se a arte e seu mercado são indissociáveis, equilibrar esses campos de forma inteligente é o desafio da nova leva de curadores, na opinião de Moacir dos Anjos.
"É um processo de construção e demolição constante", diz o curador. "Mas a ambição deve ser fugir da superfície, da coisa rasa, e fazer algo com significado real."
maio 5, 2013
Arte contemporânea do Brasil terá leilão exclusivo em Nova York, G1
Arte contemporânea do Brasil terá leilão exclusivo em Nova York
Matéria originalmente publicada no G1 em 1 de maio de 2013.
Cerca de 50 obras estarão à venda entre 10 e 29 de maio pela Sotheby's
A arte contemporânea do Brasil terá a partir da próxima semana seu primeiro leilão exclusivo em uma das grandes casas de Nova York, a Sotheby's, em mais uma mostra do crescimento do país no cenário internacional.
A exposição e leilão "Brasil Vívido", que inclui quase 50 obras de 16 artistas brasileiros, acontece de 10 a 29 de maio e coloca o país na vitrine do principal mercado mundial de venda de arte contemporânea, ao lado de Londres.
"Esta é a primeira vez que realizamos um evento deste tipo em Nova York e é particularmente importante para a Sotheby's", disse à AFP o porta-voz da tradicional casa de leilões, Dan Abernethy.
Até o momento, a arte do Brasil integrava os leilões de primavera do hemisfério norte (outono no Brasil) dedicados à América Latina, que este ano acontecerão entre 28 e 29 de maio. As obras dos artistas do país, no entanto, continuarão sendo oferecidas nesses eventos.
A outra grande casa internacional de leilões, Christie's, realizará suas vendas de arte latino-americana nos dias 29 e 30 deste mês. Para o primeiro evento exclusivamente brasileiro, os especialistas da Sotheby's decidiram exibir um leque o mais amplo possível do dinâmico cenário das artes plásticas do país.
Foram selecionadas obras de artistas famosos no cenário internacional, como Adriana Varejão, Carlito Carvalhosa e Miguel Rio Branco. Carvalhosa, por exemplo, se apresentou pela primeira vez nos Estados Unidos em 2011 com a monumental instalação sonora "A soma dos dias" no prestigioso Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York.
Varejão também já expôs no MoMA, além de ter mostras individuais na galeria Lehmann Maupin de Nova York, onde é uma das artistas de destaque.
Além dos nomes já conhecidos entre os colecionadores americanos, aparecem artistas jovens promissores como Lucas Arruda e Maria Nepomuceno. A venda é organizada na denominada "S 2", a galeria de arte global contemporânea da Sotheby's que tem um espaço na sede nova-iorquina da casa de leilões.
"Com o Brasil virando um crescente foco para a Sotheby's, estamos felizes de levar a riqueza criativa e sofisticação da arte contemporânea do país a nossa galeria S 2'', afirmou Katia Mindlin Leite-Barbosa, presidente da Sotheby's Brasil.
A Sotheby's tem mostrado um crescente interesse pelo Brasil nos últimos anos, com a abertura de um escritório em São Paulo em 2011 e a expansão de seus funcionários no país. "Com uma sede em São Paulo e representantes no Rio de Janeiro, a Sotheby's é a única casa de leilões internacional com uma presença formal no Brasil", destacou Katia Mindlin Leite-Barbosa.
Virada Cultural apresenta sua nova cara por Mariel Zasso, Select
Virada Cultural apresenta sua nova cara
Matéria de Mariel Zasso originalmente publicada na revista Select em 2 de maio de 2013.
Programação foi feita por colegiado de curadores
Intervenções urbanas e obras de artemídia terão forte presença na Virada Cultural. Google desenvolve app exclusivo para evento
A Virada Cultural, principal evento de rua da cidade de São Paulo, anuncia hoje sua programação. Além da forte presença de shows, já tradicionais no evento, a edição 2013, contará com intervenções urbanas especialmente concebidas para a Virada, maior diversidade de atrações teatrais e uma série de atividades para crianças que constituem a Viradinha Cultural.
Gal Costa, Racionais MCs, Daniela Mercury com Zimbo Trio, a lenda do funk, George Clinton e o duo Black Star são alguns dos highlights do cardápio musical.
As obras de artemídia e intervenções urbanas entram com mais peso nesta edição. O coletivo Bijari, por exemplo, implantará uma ponte interativa no Anhangabaú, recordando a presença do rio homônimo e oculto que atravessa o vale.
“A Ponte possui Led Tapes vermelhas na lateral que são acionadas pela quantidade de pessoas que a atravessam. Ao atravessá-la, os passantes verão abaixo uma grande mancha azul feita com luzes que allude ao rio”, explicam os membros do Bijari.
Outro coletivo que marca presença na Virada é o CoLaboratório, com o projeto Conjunto Vazio, um mapeamento transmídia dos espaços e edifícios desocupados do Vale do Anhangabaú e arredores. O mapeamento é feito por meio de iluminação de espaços, produção de mapas/cartazes, hotsite com mapa colaborativo e distribuição de impressos na Virada Cultural 2013. O projeto, processual, não termina junto com a Virada.
Lucas Bambozzi, a dupla Rafael Marchetti e VJ Alexis fazem projeções em grande escala, de perfis diferentes que certamente modificarão a paisagem do centro da cidade e a experiência do espaço urbano.
Outro ação inédita da Virada Cultural 2103 é a ocupação do Tribunal da Justiça, que terá sua famosa Sala dos Passos Perdidos, onde se esperam as deliberações dos tribunais, transformada em piscina artificial pelos artistas Rejane Cantoni, Leonardo Crescenti e Raquel Kogan.
A programação foi desenvolvida por uma curadoria colegiada formada pelos seguintes membros: Alexandre Youssef, Giselle Beiguelman, editora chefe da seLecT, José Mauro Gnaspini, Marcus Preto, Maria Tendlau, Pena Schmidt, Sérgio Vaz e Tião Soares.
A Virada Cultural acontece entre os dias 18 e 19 de maio em São Paulo. Acesse a programação completa e informações diárias sobre a Virada Cultural no blog: http://viradacultural.org/
A partir do dia 10 o público poderá se orientar também pelo aplicativo para celular que o Google desenvolve especialmente para a Virada.
