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junho 5, 2007
Crivella nega que Rouanet vá favorecer Universal, por Felipe Corazza Barreto, Terra Magazine
Crivella nega que Rouanet vá favorecer Universal
Matéria de Felipe Corazza Barreto, originalmente publicada na Terra Magazine, no dia 4 de junho de 2007
O autor do Projeto de Lei do Senado que prevê a inclusão de templos religiosos entre os beneficiários da Lei Rouanet, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) diz que a proposta não vai beneficiar a Igreja Universal do Reino de Deus. Mas só por enquanto.
Crivella, bispo da Universal e sobrinho do fundador da Igreja, Edir Macedo, defende o projeto de lei número 69/2005, dizendo que somente "igrejas históricas" poderão receber recursos de incentivo cultural para restaurar os templos.
A Universal não está entre as "históricas" mencionadas pelo senador. Crivella admite, porém, que futuramente pode entrar:
- No futuro, sim. Daqui a 100 anos, sim. Mas no presente não.
A proposta já foi aprovada nas comissões do Senado e vai a plenário. Ainda não há previsão para a votação. "Depende de acordos de líderes", segundo Crivella. Um abaixo-assinado eletrônico contra o projeto já colheu 19.441 assinaturas.
Leia a entrevista com o senador Crivella:
Terra Magazine - Qual é o objetivo da proposta?
Marcelo Crivella - É dar condições às igrejas históricas de receberem investimentos de empresas e pessoas jurídicas dentro do benefício da Lei Rouanet para a reforma desses prédios.
Quais seriam as igrejas "históricas"?
Igrejas históricas, no Brasil, são aquelas que chegaram nos séculos passados. A Igreja Católica, que está aqui desde o século XVI, as protestantes são a Metodista, Presbiteriana, Congregacional e Batista. Essas são igrejas que começaram a construir há muitos anos e têm prédios tombados pelo Iphan.
Então é apenas para igrejas mais antigas?
Isso, como Congonhas (do Campo, em Minas Gerais), aquelas coisas lá dos profetas...
Do Aleijadinho...
Isso, do Aleijadinho. Houve um mal-entendido porque eu sou bispo e a minha igreja é muito jovem, a Universal, e cresce muito, que o projeto beneficiava a Igreja Universal, mas não é. A igreja tem 30 anos, nem tem obras históricas para serem restauradas.
A Igreja Universal não vai ser beneficiada pelo projeto?
Não. No futuro, sim. Daqui a 100 anos, sim. Mas no presente não. Então houve essa confusão, "ah, está desviando recursos da lei da Cultura". Mas as obras de Aleijadinho, que estão lá expostas ao tempo, aquilo não é cultural, meu Deus?
Então há um limite para a lei?
Existe. O projeto altera o artigo que diz que poderão contar com recursos da Lei Rouanet bibliotecas, arquivos e museus. Eu incluí templos religiosos. A lei tem 43 artigos. Quem continuar lendo a lei verá que só poderão receber recursos para reformas os museus, arquivos e bibliotecas que estejam tombadas pelo patrimônio histórico do Brasil. Eu incluí ali as igrejas que também estejam tombadas.
