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julho 8, 2004
Artistas vão a Lula
Emeio enviado por Patricia Canetti para os jornais O Globo e Folha de São Paulo, sobre as matéria sobre a ida dos artistas a Brasília, publicadas no dia 7 de julho de 2004. (As matérias estão reproduzidas nos posts anteriores a esse.)
Caro jornalista,
Um dos aspectos mais importantes da ida desse grupo a Brasília - a regulamentação da Comunicação Social e das Novas Mídias - ficou eclipsado pelo velho discurso da defesa da Cultura Nacional e pelas características dos profissionais que lá se reuniram, estes em sua maioria ligados ao nosso monopólio doméstico de comunicação - a Rede Globo (leia-se tv aberta e por assinatura, jornal, rádio, cinema, internet).
É interessante perceber que justamente os artistas que trabalham e desenvolvem as novas mídias apoiados no que elas têm de realmente novo, e não apenas como segmentos acoplados aos veículos existentes, não estavam presentes, mesmo estando o segmento da Arte, Ciência e Tecnologia presente na graduação e pós-graduação da PUC-SP.
Lembro aqui a importância da luta que nós artistas visuais/tecnológicos travamos nesse momento para ver nossos segmentos, internet inclusive, reconhecidos pelo MinC.
Fica a seguinte pergunta para o vosso jornal: o grupo de celebridades globais reunidos em Brasília é de fato a melhor representação para o desenvolvimento das novas mídias no Brasil?
Cordialmente,
Patricia Canetti
Artista criadora e editora do Canal Contemporâneo
Mídia-arte e comunidade digital de arte contemporânea brasileira
www.canalcontemporaneo.art.br
julho 7, 2004
Artistas pedem valorização da cultura nacional a Lula
Matéria publicada originalmente no Folha Online, caderno Ilustrada, do dia 7 de julho de 2004.
Artistas de vários setores da cultura nacional se encontraram nesta terça-feira (6 de julho) com o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para pedir mais valorização aos trabalhos realizados no país.
O grupo, formado inicialmente por mais de 70 personalidades que discutiram a defesa e a valorização do produto nacional em um seminário batizado de "Conteúdo Brasil", promovido pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) e pela Rede Globo, teve 26 representantes no Palácio do Planalto.
Eles entregaram um documento com informações do debate, realizado em fevereiro, em São Paulo.
Participaram do seminário atores, cineastas, escritores, produtores, publicitários, jornalistas, diretores de TV, editores de livros, arquitetos, cientistas e educadores. Uma das idéias debatidas foi a internacionalização ou a globalização da "marca" Brasil.
O grupo foi recebido por Lula, que estava acompanhado da primeira-dama, dona Marisa da Silva; do ministro da Casa Civil, José Dirceu; do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira; e do ministro interino da Cultura, Juca Ferreira.
O grupo foi representado por Tony Ramos, que leu uma carta que destacava alguns dos projetos sugeridos no documento. Em uma delas, pediu "uma ação rápida do Congresso e do Executivo para estender o disposto na Constituição a todas as atividades de Comunicação Social para brasileiros; uma ação que preserve a produção de cultura brasileira nas mãos de brasileiros, mas que não interdite o diálogo com outras culturas; uma ação que reconheça que a produção de cultura é um setor estratégico para o desenvolvimento do país e para o aumento da riqueza nacional e que, por isto, exige políticas públicas e investimentos à altura desse papel; uma ação que divulgue a qualidade do conteúdo brasileiro, para o Brasil e para o mundo; uma ação efetiva em favor da educação como forma de aumentar a demanda e o consumo de bens culturais de qualidade; e, enfim, uma ação firme e imediata do Estado brasileiro em defesa da cultura nacional, sem, no entanto, jamais cair em tentações autoritárias que firam a liberdade de expressão artística e intelectual e de informação e comunicação".
Lula se comprometeu a encaminhar as propostas a seus ministros. "Não haverá globalização total se não houver integração cultural, com respeito às particularidades de cada país", disse o presidente, segundo a assessoria de imprensa que representa o grupo.
Foram ao encontro: o ator Antonio Grassi, o cineasta Cacá Diegues, o humorista Claudio Manoel, a autora de novelas Gloria Perez, o arquiteto Haroldo Pinheiro, o diretor de TV Jayme Monjardim, o diretor da Central Globo de Comunicação Luis Erlanger, o cineasta Luiz Carlos Barreto, o ator Marcos Caruso, a autora de novela Maria Adelaide Amaral, o produtor musical Nelson Motta, o professor da PUC Otaviano De Fiori, o publicitário Petrônio Correa, a atriz Regina Casé, o publicitário Roberto Duailibi, o cineasta Roberto Farias, o ator Stepan Nercessian, o ator Tony Ramos, os mediadores do debate o professor da PUC de São Paulo Gabriel Priolli, o pesquisador da PUC do Rio de Janeiro Luiz Carlos Prestes Filho, o cineasta e assessor especial do ministério da Cultura Manoel Rangel, o cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife Silvio Meira e o cineasta Zelito Vianna, além do reitor da PUC de São Paulo, Antonio Ronca.
Lula promete ajudar a valorizar cultura nacional
Matéria de Rodrigo Rangel, publicada originalmente no Jornal O Globo no caderno O País do dia 7 de julho de 2004.
Lula promete ajudar a valorizar cultura nacional
RODRIGO RANGEL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem de um grupo de artistas e intelectuais um conjunto de propostas para valorizar a cultura brasileira. A lista de sugestões é resultado de um seminário realizado em fevereiro, em São Paulo, em que mais de 70 profissionais ligados à área debateram possíveis soluções para proteger a produção cultural nacional. O presidente se comprometeu a tirar as propostas do papel e defendeu uma atitude mais altiva do Brasil no setor cultural.
Presidente: Brasil deve deixar de ser subalterno
Segundo ele, o país não pode continuar se comportando como um "zé-ninguém".
É uma orientação de todo o governo que em todos os debates que façamos em nível internacional a questão da cultura seja vista como estratégica para a interação que o Brasil pretende fazer com o restante do mundo disse Lula.
Para o presidente, o Brasil deve deixar de se comportar como um subalterno diante dos outros países:
Um país do tamanho do Brasil, com a diversidade cultural que tem o Brasil, com a dimensão tanto cultural quanto de outras riquezas que tem o Brasil, não pode mais ficar agindo no mundo como se fosse um "zé-ninguém", como se fosse uma coisa menor, como se tivesse sempre que estar pedindo licença para fazer as coisas.
O documento entregue a Lula tem 13 sugestões para o Executivo e o Congresso Nacional. Todas elas com o objetivo de defender a produção brasileira da crescente inserção, no mercado nacional, da concorrência muitas vezes desleal de empresas estrangeiras. O seminário que originou as propostas foi promovido pela Rede Globo e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Lula informou que encaminhará o texto aos ministros ligados à área e dará a eles um prazo para que as sugestões virem políticas públicas ou leis. O documento defende, por exemplo, mudanças na lei que estabelece mecanismos para regular os novos meios de comunicação social, como a internet e o conteúdo veiculado pelas empresas de telecomunicações por meio de telefones, hoje sob controle de empresas estrangeiras.
"Essas empresas veiculam conteúdos produzidos sem qualquer vinculação com a cultura, a diversidade e as necessidades nacionais e regionais e apenas comprometidas com os hábitos e padrões de consumo de seus países de origem e a estratégia de seus controladores", diz o documento.
Personalidades de diversas áreas participam do evento
A delegação que foi ao Palácio do Planalto levar o documento a Lula estava repleta de famosos e de gente que trabalha nos bastidores. Havia ainda estudiosos de temas como comunicação e cultura. Lá estavam, por exemplo, artistas como Tony Ramos, Regina Casé e Cláudio Manoel, os diretores Cacá Diegues, Luiz Carlos Barreto e Jayme Monjardim e a escritora Maria Adelaide Amaral.
O documento defende a criação de subsídios e a taxação de produtos culturais importados como forma de defender a produção nacional.
julho 6, 2004
A Deus pertence
Nota publicada originalmente no Jornal do Brasil, na coluna Informe de Arte de Cleusa Maria, no Caderno B do dia 28 de junho de 2004.
A Deus pertence
CLEUSA MARIA
O destino do MAC de Niterói está dependendo das próximas eleições municipais. No momento, ele vem sendo gerido por uma comissão de funcionários e tem, ainda na sua direção, Italo Campofiorito. A crise política cerca o museu desde a recente saída da diretora-executiva Dôra Silveira. Irmã do pedetista Jorge Roberto Silveira, ex-prefeito da cidade, ela se demitiu após a ruptura do PT e do PDT na Prefeitura de Niterói. O conselho gestor está se esforçando para manter a Coleção Sattamini, ameaçada de deixar o museu. Se a instituição perder o comodato das obras, fica sem acervo. O colecionador diz que é cedo para falar sobre o assunto.
