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Como atiçar a brasa

 


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junho 17, 2004

Vivendo com Mazeredo...

Emeio enviado por Chico Fortunato, para o jornal O Globo, no dia 16 de junho de 2004.

Na matéria de Bernardo Araújo, de 16/6 "Das ruas do Rio para o mundo" chama a atenção a total falta de cuidado da prefeitura, descaso mesmo com a qualidade das obras de arte compradas e colocadas em pontos de grande visibilidade da cidade do Rio de Janeiro.

Além de sermos obrigados a conhecer o trabalho óbvio e medíocre da Sra.Mazeredo teremos que conviver com ele por muito tempo, já que ela se preocupa em produzir monstrenguices bem sólidas.

Temos escultores fabulosos em nosso país, para não dizer aqui no Rio mesmo, mas isso parece não interessar muito o nosso prefeito pan-americano e seu secretário de cultura olímpica.

Chico Fortunato

Esta carta comenta a matéria publicada originalmente no jornal O Globo, no Segundo Caderno, no dia 16 de junho de 2004

Posted by Patricia Canetti at 3:53 PM | Comentários (2)

Mazeredo?!

Emeio enviado por José Miranda, para o jornal O Globo, no dia 16 de junho de 2004.

Queridos d'O Globo,

Li com atenção a matéria "Das Ruas do Rio para o Mundo", de Bernardo Araújo, sobre as polêmicas obras de Mazeredo e suas conseqüências políticas. Compreendi a tentativa do jornalista de isentar-se a opinar, instigando o debate acerca da questão. Espero que tudo conspire para que essa senhora não represente nenhum artista carioca em qualquer lugar do mundo. Rogo também para que o bom gosto da editoria do Segundo Caderno não permita mais imagens tão chocantes quanto a da "Miss Mazeredo" em seus trajes dourados olímpicos, mesmo vendo certas doses de ironia no acontecimento. Espero muitíssimo que os senhores investiguem com mais clareza e menons conformismo as ações movimentadas pela comissão de avaliação da RioArte, formalmente criada para nada fazer.

Foi muito sutil, e deveras absurdo entretanto, o tratamento dado à galeria do Sérgio Porto. Assunto renegado a um colorido "tijolinho" da quinta página; aguardo dos senhores uma cobertura mais eficiente e menos acaipirada sobre a situação. Ela é extremamente séria, e o espaço merece muito mais do que o simplório "Adeus à galeria". Bola fora.

Grato pela atenção.

José Miranda

Esta carta comenta a matéria publicada originalmente no jornal O Globo, no Segundo Caderno, no dia 16 de junho de 2004

Posted by Patricia Canetti at 3:45 PM | Comentários (3)

junho 16, 2004

Das ruas do Rio para o mundo (A praga Mazeredo se espalha)

Mazeredo_capa.jpg


Matéria publicada originalmente no jornal O Globo, no Segundo Caderno, no dia 16 de junho de 2004.

Das ruas do Rio para o mundo

BERNARDO ARAUJO

Avenida Atlântica, Praça do Lido, Nova York, Paris, Recife, Túnel Zuzu Angel, Avenida Ayrton Senna... as esculturas de Marli Azeredo, ou Mazeredo, estão por toda parte. A ponto de o RioArte, depois de alguma pressão da comunidade das artes plásticas, ter criado uma comissão para decidir o que pode e o que não pode enfeitar as ruas da cidade. Em seu ateliê na Tijuca — que lembra um barracão de escola de samba — a escultora louva a criação da comissão, enquanto fala de seus projetos para o futuro, no Brasil e no exterior.

— É ótimo que se avalie o que pode ser instalado nas ruas e praças da cidade — diz. — Sabe que eu talvez vá para Atenas? Meus trabalhos inspirados em esportes podem me levar até lá.

A enxurrada de esculturas de Mazeredo pelo Rio — e, mais tarde, por várias outras cidades — começou em 1992, quando ela foi convidada a criar o símbolo do Fórum Global, feirão multicultural e étnico no Aterro do Flamengo, que era parte da conferência Rio-92. Desde então, vive sendo chamada para apresentar outros trabalhos em público, como as esculturas em homenagem a Ayrton Senna, Zuzu Angel e a estudante Ana Carolina, morta na saída do Túnel Santa Bárbara em 1998. Mazeredo garante que apenas uma das cerca de 20 obras suas nas ruas do Rio atualmente — incluindo as 15 da exposição "Milênio", que está na Avenida Atlântica há uma semana e, informa ela, deveria ficar por um mês mas pode ser prorrogada — está lá por sugestão sua: "Vitória", na Praça do Lido.

— As pessoas vêem as minhas obras e encomendam novos trabalhos — diz ela, mostrando as autorizações da prefeitura para cada uma delas. — A escultura em homenagem a Zuzu Angel foi um pedido do instituto que leva o nome dela. Eles conseguiram a autorização, eu apenas fiz o trabalho. Eu não posso doar minhas obras à cidade, não sou rica. Esses trabalhos todos passam por auditorias, que verificam desde o gasto com material até o salário das pessoas que trabalham comigo no ateliê.

A exposição "Milênio", por exemplo, que foi autorizada pela prefeitura em 2001, acabou extrapolando o orçamento, que era de cerca de R$ 88 mil.

— É que eu acabo me empolgando, faço mais peças do que o combinado, digo que elas vão ter três metros e entrego com cinco — diz ela. — Mas não faz mal.

Embora não seja rica, Mazeredo — que começou a levar a arte a sério há 30 anos, quando abandonou a carreira de advogada e foi estudar na Escola de Belas Artes, no Parque Lage e em Paris — diz que não precisa da arte para viver. O importante é trabalhar.

— É claro que as minhas obras expostas no Rio e em outros lugares atraem muitas encomendas, que me dão algum dinheiro — admite ela. — Mas não é por isso que trabalho. Tenho 60 anos e me sinto com a vitalidade de quem tem 30. Meu marido, Toni, diz que vou trabalhar até os 90 anos. Esculpo umas 40 peças por ano, cerca de três por mês, todas ao mesmo tempo.

De fato, não faltam projetos na agenda de Mazeredo, como uma exposição em uma galeria do Marais, em Paris — "meu marchand abriu todas as portas na Europa para mim", comemora ela — uma obra na Park Avenue, em Nova York, outra na catedral de São João do Cariri, na Paraíba, e diversos projetos no Rio. Mas não na rua.

— Chega de escultura minha por aí — diz ela. — Adoro ver as pessoas interagindo com as minhas obras, como aconteceu na passagem da tocha olímpica, no domingo, mas o Brasil é muito grande, e o mundo ainda maior.

Ainda bem, para o decorador Edgar Moura Brasil.

— Esculturas como a do Túnel Zuzu Angel e a da Avenida Ayrton Senna são horríveis — diz ele. — Quem deu a essa mulher o direito de emporcalhar a cidade?

Mazeredo sabe da polêmica criada pela quantidade de obra suas nas ruas da cidade, mas se defende.

— Qualquer pessoa pode conseguir a autorização e instalar peças em lugares públicos — diz.

Um integrante da comissão de avaliação do RioArte, no entanto, diz que não é tão fácil assim.

— Houve uma obra do Nuno Ramos, que hoje está no Masp, em São Paulo, que não conseguiu autorização da prefeitura para ficar — lembra ele. — A Mazeredo deve conhecer muito bem os trâmites necessários para isso. Só me parece que para ela tudo é muito fácil. Deveria haver uma discussão maior em torno do que pode ficar nos logradouros públicos, para que faça sentido. Aquelas obras feias na Avenida Atlântica são um crime, e logo em um lugar tão lindo da cidade.

A escultora diz que tem a opinião pública consigo.

— Reclamaram porque não havia peças por toda a avenida, e tive que levar mais uma para lá — conta ela.

A criação da comissão certamente já é um passo à frente, mas ela ainda não está funcionando, nem se reuniu.

— Essa comissão foi inventada pelo secretário das Culturas, é um golpe de marketing que nunca vai sair do papel — diz a artista plástica Patrícia Canetti. — A prefeitura não tem dinheiro para nenhum projeto na área das artes plásticas. Quanto às obras da Mazeredo, não se trata de dizer se elas enfeitam ou enfeiam a cidade, mas de perguntar: qual a importância de uma escultura dela no desenvolvimento de nossa sociedade atual?

Alheia à discussão — que, de resto, nem começou — a escultora exibe mais um de seus projetos, esculturas de imensos guardas (estilizados, é claro).

— Eles poderiam ficar nas esquinas, para ajudar a prevenir assaltos, não acha?

Posted by Patricia Canetti at 7:15 AM | Comentários (9)