Página inicial

Blog do Canal

o weblog do canal contemporâneo
 


setembro 2021
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30    
Pesquise no blog:

Arquivos:
setembro 2021
agosto 2021
julho 2021
junho 2021
maio 2021
abril 2021
março 2021
fevereiro 2021
janeiro 2021
dezembro 2020
novembro 2020
outubro 2020
setembro 2020
agosto 2020
julho 2020
junho 2020
maio 2020
abril 2020
março 2020
fevereiro 2020
janeiro 2020
dezembro 2019
novembro 2019
outubro 2019
setembro 2019
agosto 2019
julho 2019
junho 2019
maio 2019
abril 2019
março 2019
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
dezembro 2015
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
setembro 2012
agosto 2012
junho 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
novembro 2011
setembro 2011
agosto 2011
junho 2011
maio 2011
março 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
junho 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
maio 2009
março 2009
janeiro 2009
novembro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
maio 2008
abril 2008
fevereiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
agosto 2007
junho 2007
maio 2007
março 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
junho 2004
maio 2004
abril 2004
março 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

setembro 25, 2021

Duda Moraes na Mercedes Viegas, Rio de Janeiro

A Galeria Mercedes Viegas apresenta Fleur Raison, a segunda exposição individual da pintora Duda Moraes na galeria. Reunindo cinco pinturas e um bordado, a série trabalha flores, ou as florações, como vetores cromáticos, combinando tinta óleo e acrílica, cores densas e fosforescências, em larga e pequena escala.

As esferas coloridas que brotam por estas ‘naturezas mortas’, às vezes apoiadas em uma pétala, às vezes pairando a sua volta, quase camufladas, surgem também no interior destas flores, substituindo suas anteras e estigmas. Trata-se do que a pintora nomeia de “caos leve”. Cápsulas de pólen ganham vôo, flutuam, se expandem, para além do aconchego da corola, talvez até para além de seus destinos fertilizantes. Lançadas em inúmeras direções—incluindo a nossa—essas inflações fosforescentes perigam desregular nossos compassos, relativizar as raízes, os centros. Diante de um dos trabalhos da série, hesitamos: ainda reconhecemos um vaso?

Desde que se mudou para Bordeaux, na França, Duda Moraes relata ter descoberto em sua prática uma janela para o calor e a flora abundante de sua terra natal. Essa espécie de viagem a distância proporciona a artista o conforto de um espaço familiar em meio a um ambiente estrangeiro. Ao mesmo tempo, Fleur Raison parece sugerir a existência de territórios íntimos sujeitos às sobreposições mais distantes.

Duda Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 1985, e atualmente mora e trabalha em Bordeaux, na França. Desde 2020, ocupa um atelier no L'Annexe B, uma associação de ateliers de artistas da Bordeaux. Formada em Desenho Industrial pela PUC-RJ em 2010, trabalhou durante cinco anos em um escritório de design têxtil. A partir de 2014, quando frequentou um curso imersivo de desenho, intensificou a sua prática artística. Em 2015, fez residência no Carpe Diem Instituto de Arte e Pesquisa, em Lisboa, e em 2016, teve a sua primeira exposição individual, "Espaços Soberanos", na Galeria Mercedes Viegas. Em 2017, se mudou para Bordeaux. Em 2020, participou da exposição coletiva "Microcosmos", na Galeria Mercedes Viegas, e em 2021, apresentou a sua exposição individual, “Somos feitos de Tempo”, na galeria Celma Albuquerque, em Belo Horizonte, e participou da coletiva "Noyau", pela associação Föhn, em Bordeaux.

Publicado por Patricia Canetti às 10:39 AM


setembro 24, 2021

Vício impune: o artista colecionador na Millan + Raquel Arnaud, São Paulo

A Galeria Millan e a Galeria Raquel Arnaud têm o prazer de apresentar a exposição coletiva Vício impune: o artista colecionador, com curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro. A mostra reunirá, nos espaços das duas galerias, uma seleção de nove artistas representados, ao redor do diálogo entre seus trabalhos e coleções. Dentre os artistas colecionadores, estão: Artur Barrio (Porto, Portugal, 1945), Iole de Freitas (Belo Horizonte, MG, 1945), Paulo Pasta (Ariranha, SP, 1959), Sérgio Camargo (Rio de Janeiro, RJ, 1930 — 1990), Tatiana Blass (São Paulo, SP, 1979), Thiago Martins de Melo (São Luís, MA, 1981), Tunga (Palmares, PE, 1952 – Rio de Janeiro, RJ, 2016), Waltercio Caldas (Rio de Janeiro, RJ, 1946) e Willys de Castro (Uberlândia, MG, 1926 — São Paulo, SP, 1988).

[scroll down for English version]

Desenvolvida ao longo dos últimos anos, a pesquisa de Pérez-Barreiro sobre o colecionismo encontra no contexto desta mostra um campo de análise, em que o espectador é convidado a compreender as nuances de diferentes relações entre artistas colecionadores e suas coleções. Em seus mais diversos modelos, as práticas de coletar e colecionar mostram-se singulares em cada um dos nove casos apresentados e essenciais para a compreensão de cada produção artística em sua complexidade. Segundo o curador, “as coleções dos artistas podem nos dizer não apenas sobre sua própria prática: o que eles vêem no trabalho de outros que os impacta, mas também estão frequentemente na vanguarda de reconhecer e valorizar fenômenos antes subestimados”. Foi com esse propósito que ambas galerias decidiram realizar a exposição.

Esculturas e relevos de Sérgio Camargo são expostas ao lado de parte de sua vasta coleção de pinturas de Hélio Melo (Vila Antinari, AC, 1926 — Goiânia, GO, 2001), seringueiro, artista e compositor autodidata. O contraste entre as pinturas fantásticas de Melo e a estética construtiva de Camargo traz à tona uma nova abordagem sobre este artista já consolidado na história da arte brasileira, assim como revela a permeabilidade entre movimentos e tendências.

Uma escultura de Willys de Castro — cuja frase publicada em artigo empresta título à exposição — é exibida próxima à sua coleção de arte indígena, uma dentre tantas que o artista preservou e estudou. Com trabalhos de arte plumária e cestarias amazônicas, o conjunto montado nos anos 1970 e 1980 revela um outro lado de seu fascínio pelas formas e padrões geométricos, desdobrados em diversos níveis da percepção ao longo de sua produção.

Em diversos contextos, as coleções evidenciam interesses e obsessões singulares, como é o caso de Waltercio Caldas e sua afeição pelo formato do livro e seus desdobramentos em uma coleção de livros de artistas, trabalhos que discutem possibilidades a partir desta formação primária. Em paralelo, o interesse de Artur Barrio pelo mergulho foi a razão que impulsionou sua coleção de 3 mil grãos de areia, iniciada em 1983, em que cada grão é o registro de um mergulho realizado. A busca pelo registro de cada situação vivida é não somente essencial, para Barrio, mas também para o desenvolvimento de sua produção artística — daí figuram suas séries Situações e Registros. Cada grão de areia que compõe esta coleção demonstra, entretanto, que a busca pelo registro da experiência extrapola, em Barrio, o trabalho de arte e está presente em outras esferas de sua vida.

Conjuntos criados por artistas colecionadores podem, em muitos casos, representar rastros afetivos de suas relações pessoais. A coleção de Tatiana Blass, composta por trabalhos de seu tio-avô, Rico Blass (Breslau, Alemanha, 1908 — s.d.), desafia-nos a questionar em que medida essas relações se estabelecem como intercâmbios diretos ou indiretos. O mesmo ocorre à vista do trabalho inédito e instalativo de Thiago Martins de Melo e de sua coleção de desenhos de amigos também artistas. Os conjuntos de Martins de Melo e Blass fazem saltar aos olhos a potência afetiva do ato de guardar e os desdobramentos subjetivos deste ato em suas escolhas formais.

As pinturas de Paulo Pasta estão em diálogo com uma coleção de alguns de seus mestres: Mira Schendel (Zurique, Suíça, 1919 — São Paulo, SP, 1988), Alfredo Volpi (Lucca, Itália, 1896 – São Paulo, SP, 1988) e Amilcar de Castro (Paraisópolis, MG,1920 — Belo Horizonte, MG, 2002), em uma troca potente entre grandes nomes da arte brasileira. De maneira semelhante, opera a relação entre Iole de Freitas e sua guarda de desenhos e decalques inéditos de Tarsila do Amaral, em que se delineiam os caminhos metodológicos das célebres pinturas da segunda artista. Processo e método estabelecem-se aqui em seus rastros, passíveis de serem compartilhados entre práticas de diferentes gerações.

A coleção de um artista é capaz de revelar traços de reflexões latentes que conduziram a suas práticas e a poéticas. Nesse sentido, as obras de Tunga apresentam-se neste eixo de interlocução com sua coleção de trabalhos dadaístas e surrealistas franceses — entre eles, quatro gravuras de Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, França, 1887 – Neuilly-sur-Seine, França, 1968). Dentre os trabalhos de Tunga, além de seus desenhos, está também a instalação Evolution (2007), realizada a partir do emprego da mesma linguagem da instalação/performance Laminated Souls, exibida entre 2007 e 2008 no MoMA P.S. 1, em Nova York.


Galeria Millan and Galeria Raquel Arnaud are pleased to present the group show Vício impune: o artista colecionador [Harmless Vice: the Artist as Collector], curated by Gabriel Pérez-Barreiro. The exhibition will include a selection of nine represented artists, at both gallery spaces, around how their works and art collections dialogue with each other. The artist-collectors include: Artur Barrio (Porto, Portugal, 1945), Iole de Freitas (Belo Horizonte, Brazil, 1945), Paulo Pasta (Ariranha, Brazil, 1959), Sérgio Camargo (Rio de Janeiro, Brazil, 1930 - 1990), Tatiana Blass (São Paulo, Brazil, 1979), Thiago Martins de Melo (São Luis, Brazil, 1981), Tunga (Palmares, Brazil, 1952 – Rio de Janeiro, Brazil, 2016), Waltercio Caldas (Rio de Janeiro, Brazil, 1946) and Willys de Castro (Uberlândia, Brazil, 1926 - São Paulo, Brazil, 1988).

The research that Pérez-Barreiro has carried out in recent years around art collecting finds a field of analysis within the context of this exhibition, where the viewer is invited to understand the nuances of different relationships between artists who collect art and their collections. With varying models, the practice of collecting is unique in each of the nine cases presented and essential for understanding each artistic production in its complexity. According to the curator, “The artists' collections can tell us not only about their own practice: What they see in the work of others that impacts them, but they are also often at the forefront of recognizing and valuing previously underestimated phenomena.” For this purpose, the two galleries have come together to present this exhibition.

Sculptures and reliefs by Sérgio Camargo are exhibited at Galeria Millan alongside part of his vast collection of paintings by Hélio Melo (Vila Antinari, Brazil, 1926 — Goiânia, Brazil, 2001), a rubber tapper, artist and self-taught composer. The contrast between Melo's fantastic paintings and Camargo's constructive aesthetics brings out a new approach to this well-established Brazilian artist and reveals the permeability between movements and trends.

The title of the exhibition -Vício impune - was an expression used by Willys de Castro to describe the practice of art collecting in an article published in Arte Vogue, in May 1977. In the exhibition, one sculpture by Castro are displayed alongside his collection of indigenous art, one among many that the artist has conserved and studied. With feather art and Amazonian basketwork, the set from the 1970s and 1980s reveals another side of his fascination for geometric shapes and patterns, which unfold at different levels of perception throughout his production.

With different contexts, each collection shows singular interests and obsessions, as is the case of Waltercio Caldas and his affection for the book format, resulting in a collection of books by artists, works that discuss possibilities based on this primary education. In parallel, Artur Barrio's interest in diving was what boosted his collection of 3 thousand grains of sand, starting in 1983, in which each grain of sand represents one dive taken. This quest to register experiences is essential for the development of Barrio’s artistic production; it is what gives rise to his series Situações and Registros. Each grain of sand that makes up this collection shows, however, that the idea of registering each experience goes beyond the work of art for Barrio and is present in other spheres of his life.

Sets created by artist-collectors can, in many cases, represent affective traces of their personal relationships. Tatiana Blass' collection, comprised of works by her great uncle, Rico Blass (Breslau, Alemanha, 1908 - n.d.), challenges us to question the extent to which these relationships are established as direct or indirect exchanges. The same occurs in view of Thiago Martins de Melo's installation work and his collection of desenhos de amigos, drawings by friends who are also artists. The sets by Martins de Melo and Blass make the affective power of the act of saving things and the subjective consequences of this act in their formal choices stand out.

Paulo Pasta's paintings are in dialogue with a collection of some of his masters: Mira Schendel (Zurich, Switzerland, 1919 - São Paulo, Brazil, 1988), Alfredo Volpi (Lucca, Italy, 1896 – São Paulo, Brazil, 1988) and Amilcar de Castro (Paraisópolis, Brazil,1920 - Belo Horizonte, Brazil, 2002), in a potent exchange between great names in Brazilian art. Similarly, it operates the relationship between Iole de Freitas and her collection of never-before-seen transfers by Tarsila do Amaral, in which the methodological paths of the latter artist's famous paintings are delineated. Process and method are established here in their traces, capable of being shared between practices of different generations.

An artist's art collection is capable of revealing traces of latent reflections that led to their practices and poetics. In this sense, Tunga's works are presented in dialogue with his collection of French Dada and Surrealist works – among them, four engravings by Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, France, 1887 – Neuilly-sur-Seine, França, 1968). Among Tunga's works, in addition to his drawings, is also the installation Evolution (2007), made using the same language as the installation/performance Laminated Souls, on view at MoMA P.S. 1, in New York, in 2007 and 2008.

Publicado por Patricia Canetti às 5:10 PM


Itinerância de obras da 10ª Mostra 3M de Arte por espaços públicos de São Paulo

Mostra 3M de Arte leva grandes nomes do cenário artístico contemporâneo para estações do Metrô de São Paulo e Parque Portugal, em Campinas

Itinerância integra as ações comemorativas dos 10 anos do evento artístico

Após abrir o ano comemorativo de sua décima edição no Parque Ibirapuera em 2020, a Mostra 3M de Arte promove, até dia 30 de outubro, a circulação de obras participantes de sua última edição em parques públicos de Campinas, Guarulhos e estações de metrô de São Paulo. Viabilizada pelo patrocínio da 3M via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Mostra 3M apresenta obras que incentivam reflexões sobre a relação do indivíduo com a coletividade na sociedade.

Com curadoria de Camila Bechelany, a 10ª Mostra 3M de Arte explora o tema "Lugar Comum: travessias e coletividades na cidade", cujo conceito explora a relação de cada pessoa como participante ativa e receptiva no meio urbano. "A proposta curatorial nos leva a refletir que por meio de nossas experiências particulares e coletivas somos agentes transformadores do espaço público", conta Bechelany.

Para a 3M, que patrocina a Mostra desde sua primeira edição em sintonia para a construção de um projeto cultural duradouro, o tema desta edição trabalha com pilares fundamentais da empresa. "Levar a 10ª Mostra 3M de Arte para outras cidades amplia a democratização do acesso à arte e a reflexão sobre o uso coletivo dos espaços públicos", comenta Luiz Eduardo Serafim, Head de Marca e Comunicação da 3M do Brasil.

As comemorações da décima edição contam com uma série de bate-papos online (disponíveis no canal da Mostra no Youtube), entre a curadora e artistas participantes do evento e convidados, além da circulação das obras do Coletivo Foi à Feira (SP e ES), Lenora de Barros (SP) e Rafael RG (SP). Além deles, também participam desta edição: Camila Sposati (SP), Cinthia Marcelle (MG), Diran Castro (SP), a dupla Gabriel Scapinelli e Otávio Monteiro (SP), Luiza Crosman (RJ), Maré de Matos (MG) e Narciso Rosário (PI).

Após passar pelo Parque Ibirapuera, em São Paulo, e Parque Faria Lima, em Guarulhos, a partir do dia 27 de agosto, é a vez dos usuários do metrô serem impactados com a instalação "Objeto Horizonte", que vai ocupar o vão central da estação Sé do Metrô até o dia 27 de setembro. As mais de 300 mil pessoas que circulam por ali diariamente podem deixar gravadas suas mensagens de como seria a cidade do futuro de seus desejos.

A obra "Objeto Horizonte" é um projeto do Coletivo Foi à Feira - composto atualmente por Clarissa Ximenes, Gabriel Tye Luís Filipe Pôrto, Matheus Romanelli e Rayza Mucunã. Repensada para o contexto de pandemia, a instalação é baseada na arqueologia da memória. A obra é uma esfera, reflexiva por dentro e transparente por fora, dedicada a ser um espaço de autorreflexão e um convite para que o visitante-participante deixe registrados seus desejos para uma cidade do futuro. A experiência imersiva conta com um painel de LCD com as mensagens deixadas e ruídos com estética futurista. Os áudios registrados são enviados a um receptor que transforma, a partir de um sistema operacional, as vozes em inserções aleatórias de sons e o resultado é como escutar uma viagem no tempo.

A instalação sonora "O QUE OUVE" da artista Lenora de Barros chega à estação Alto do Ipiranga no dia 1º de setembro. Para participar da Mostra 3M, Lenora produziu performances vocais usando como ponto de partida a frase: "O mundo se transforma em função do lugar onde fixamos nossa atenção. Esse processo é aditivo e energético", do músico John Cage. Em parceria com o compositor Cid Campos, durante seu período de isolamento, a artista usou diferentes sons e tons de voz na criação das mensagens-poemas acerca do tempo presente, que serão ressoadas por cinco caixas de som distribuídas na estação.

"A Mostra 3M de Arte é um dos projetos de artes visuais mais longevos no cenário nacional, e tem se consolidado como espaço para experimentação de artistas consagrados e lançamento de novos nomes no mercado artístico-cultural. A circulação da Mostra por parques e estações do metrô reforça ainda mais nossa proposta de formação de público da arte contemporânea", afirma Fernanda Del Guerra, diretora da Elo 3, idealizadora e realizadora do evento.

Em outubro, a 10ª Mostra 3M de Arte migra para o Parque Portugal, conhecido como Parque Taquaral, em Campinas. Além da instalação "Objeto Horizonte", o espaço recebe duas obras do artista Rafael RG: "O Brilho da Liberdade Diante dos Seus Olhos" e "Astral". A primeira - "O Brilho da Liberdade Diante dos Seus Olhos"- é inspirada na biografia da abolicionista e ativista norte-americana Harriet Tubman - mulher negra que lutou pelo fim da escravidão nos EUA e fazia sua rota de fuga baseada na observação da constelação da Estrela Norte. Em "Astral", o artista apresenta uma intervenção sonora, que conta com a participação de astrólogos que fazem leituras astrológicas enquanto o visitante pode observar a projeção original. Os astrólogos convidados por RG fazem também um paralelo com a história de Tubman e trabalham com astrologias de povos originários e culturas afrodiaspóricas.

Sobre a 3M

Na 3M, aplicamos a ciência de forma colaborativa para melhorar vidas diariamente. Com cerca de 90 mil funcionários conectados com clientes em todo o mundo, a 3M atingiu US﹩ 32 bilhões em vendas globais em 2020. No Brasil, o Grupo 3M conta com três fábricas instaladas no Estado de São Paulo, que compõem a 3M do Brasil, além da empresa 3M Manaus, instalada no Amazonas. Em 2020, alcançou faturamento bruto de R﹩ 4.5 bilhões no País, onde conta com cerca de 3.300 funcionários. Conheça nossas soluções criativas no site www.3M.com.br, em nosso Blog de Curiosidade ou em nosso perfil no Instagram @3MBrasil.

Sobre a Elo3

Há 16 anos fazendo produções culturais engajadas na democratização do acesso à arte, a Elo3 alia-se à iniciativa privada para realizar seu propósito e ampliar seu alcance. Sempre com a colaboração de grandes artistas e profissionais e o apoio de empresas que compartilham os mesmos valores, a Elo3 oferece à sociedade projetos questionadores, inovadores e transformadores, como a Mostra 3M de Arte. Conheça mais sobre a Elo3 no nosso perfil no Instagram @elo3cultura ou no site.

Serviço 10ª Mostra 3M de Arte
Tema: "Lugar Comum: travessias e coletividades na cidade"
Curadoria: Camila Bechelany

Locais e Datas

Estação Sé do Metrô: "Objeto Horizonte", do Coletivo Foi à Feira, de 27/08 a 27/09;
Estação Alto do Ipiranga: "O QUE OUVE", de Lenora de Barros, de 01/09 a 27/09;
Parque Portugal - Taquaral - (Campinas): "Objeto Horizonte", do Coletivo Foi à Feira, e as obras "O Brilho da Liberdade Diante dos Seus Olhos" e "Astral" de Rafael RG, de 01/10 a 30/10

Publicado por Patricia Canetti às 4:50 PM


Rubens Ianelli na Contempo, São Paulo

Curadoria de Daniela Bousso traz a público a recente produção do artista, exibindo pinturas em óleo e têmpera sobre tela, além de desenhos e azulejo inéditos

A Galeria Contempo inaugura no dia 28 de setembro de 2021, terça-feira, a mostra do artista brasileiro Rubens Ianelli, exibindo 9 pinturas em têmpera sobre tela, 3 em óleo, além de 6 desenhos e 3 painéis em azulejo, selecionados pela curadora Daniela Bousso. A individual Delicadeza e Resistência fica em cartaz de 29 de setembro a 23 de outubro de 2021 no espaço da galeria no Jardim América, em São Paulo.

A presente seleção de obras de Rubens Ianelli é um convite a se compreender o entrelaçamento de aspectos biográficos do artista, partindo da sua infância cercada de artistas e as situações históricas e culturais por que ele passou como militante político e médico radicado no Acre. “O resultado destes deslocamentos é uma visualidade que remete ao geometrismo indígena, aos símbolos de civilizações arqueológicas e à figuração pré-colombiana. Seu imaginário também é fruto de observações nos anos 70, quando entra em contato com a Geometria Sensível”, escreve Daniela Bousso em texto de apresentação da individual.

Para a curadora, o hibridismo da linguagem de Rubens alia as abstrações orgânicas e geométricas do modernismo brasileiro e europeu às tradições ancestrais de povos ameríndios, operando um resgate da memória latino-americana de maneira dialética, onde se entreveem as influências de artistas como Joan Miró e Paul Klee e grafismos indígenas. Sob esse aspecto, Daniela evidencia o aspecto decolonial inaudito e precoce do repertório visual do artista, que “constela ecos dos tempos modernos no presente”, sobretudo nas delicadas têmperas de cromatismos básicos do mural italiano, com evocações das civilizações pré-colombianas.

“Dos quadrados e triângulos vem as cidades, acesas por uma luminosidade ora velada, ora animada por laranjas e amarelos. Dos povos indígenas vem as setas, a compor ficções que aludem a civilizações de outrora. E dos mares vem as ondas, que se esvaem nas brumas dos movimentos fluidos. Tudo sob o trato sensível de mini pinceladas. Afinal sensibilidade é política de resistência, pois refaz em pequenas narrativas uma história fora do eixo”, escreve a curadora.

A Galeria Contempo foi criada em 2013 por Márcia e Monica Felmanas e para reúne o melhor da produção artística contemporânea brasileira, representando artistas emergentes, jovens e promissores talentos. Ao reunir distintas linguagens e estéticas, a galeria transita do universo da pintura, do desenho, da gravura, do tridimensional e da fotografia, aproximando-se, ainda de “lugares” não tão “visitados”, como a arte de rua.

Publicado por Patricia Canetti às 11:49 AM


setembro 20, 2021

Alice Shintani na Marcelo Guarnieri, São Paulo

A Galeria Marcelo Guarnieri tem o prazer de apresentar, entre 18 de setembro e 16 de outubro de 2021, Mata À VENDA, proposição imersiva de Alice Shintani que surge como um desdobramento de Mata, série de guaches em papel que integra a 34ª Bienal de São Paulo, Faz Escuro Mas Eu Canto.

Mata À VENDA é composta por dezessete pinturas em grande formato que atravessam as instalações físicas da galeria, entre quinas, portas, colunas e paredes. Metaforicamente, das dezessete obras propostas, nem todas são totalmente visíveis e, algumas, completamente invisíveis. Independentemente do tamanho ou visibilidade, todas as pinturas serão comercializadas pelo mesmo valor. Essa possibilidade faz das pinturas um instrumento de reflexão sobre os limites de nossa percepção estética e política no conhecido contexto de intensa mercantilização da linguagem pictórica.

Como observado no texto curatorial de Vento, mostra antecipatória da 34ª Bienal, "Mata trata-se de uma série produzida a partir de uma leitura livre de imagens da flora e fauna brasileira, sobretudo amazônica. A escolha de um sujeito pictórico clássico e a iconografia convidativa e plana parecem sugerir um trabalho autorreferenciado e pacificado, mas a maioria dos elementos explícita ou implicitamente retratados está em risco de extinção. O fundo intensamente negro, nesse sentido, contribui para ressaltar a luminosidade das cores empregadas pela artista para representar a vivacidade de algo, mas também pode ser lido como uma metáfora do estágio de incerteza e opacidade que caracteriza os dias atuais, de um ponto de vista ecológico, social e político". Mata À VENDA propõe uma reflexão complementar, ética e econômica, sobre o atual estágio das relações entre espaços ditos comerciais e institucionais de arte, a autodeterminação de seus atores e as possibilidades de resiliência da prática artística.

Na antessala da galeria, Shintani apresenta um ambiente de escuridão total com duas interferências: Perus, 31 de março (2019) é um vídeo em loop que captura uma cena de melancolia e ternura do dia 31 de março de 2019, no terreno de um cemitério que compõe um dos capítulos mais tenebrosos da nossa história. O áudio original captado na cena talvez nos recorde que, inaugurado em 1970, o Cemitério Municipal Dom Bosco foi utilizado como local de desova de corpos de vítimas da repressão da ditadura cívico-militar; em diálogo, um segundo pequeno vídeo, também em loop: Zika (2015), precursora da presente série Mata, é uma animação em gif de um dos exercícios em guache realizados a partir do entrecruzamento entre as leituras da artista sobre o Brasil de 2015 e as leituras de "Thought Forms" da escritora, teósofa e ativista Annie Besant. Em "Thought Forms", livro de 1905 que teve grande influência sobre artistas como Kandinsky e Klee, Besant defende a ideia de que os pensamentos emitem vibrações dotados de cores e formas que podem ser apreendidos por meio de intensa consciência, meditação e atenção. Na antessala, por meio de sons, formas e cores em movimento, somos convidados a pensar sobre as possibilidades de percepção da passagem do tempo, das imagens e narrativas históricas, suas repetições e apagamentos em meio à atual onda de mercantilização da produção artística de explícita crítica social e política. Os dois vídeos da antessala seguem disponíveis gratuitamente nas redes sociais da artista, além de via QR code no local.

Alice Shintani opera na intersecção entre o fazer artístico e a vida cotidiana, por vezes questionando práticas naturalizadas nessa relação. Como observado em Faz Escuro Mas Eu Canto, "não se trata da arte que comenta as notícias dos jornais, nem da arte que se impõe no tecido urbano como monumento inerte, e sim a vivência próxima dos afetos e violência diários que têm como contraponto o fazer gradual que envolve cores, formas e luminosidades".

Sobre a artista

Alice Shintani
1971 - São Paulo, Brasil
Vive e trabalha em São Paulo, Brasil

Alice Shintani desenvolve em seu trabalho exercícios de aproximação com o outro a partir da pintura e de seus desdobramentos. A pesquisa, motivada pelas possibilidades da experiência estética, explora a ideia da “pintura expandida” e se desenvolve em ações que vão desde o preenchimento total do espaço pela cor e pela luz, criando ambientes imersivos, até a proposição de refeições coletivas em que receitas, texturas, sabores, talheres, pratos e bandejas produzem significados e instigam camadas da percepção. Por meio da fricção entre questões formais, conceituais, sociais e mercadológicas, Shintani se debruça sobre as noções de visualidade e visibilidade de maneira a problematizá-las, quando se utiliza, por exemplo, de tons rebaixados de cor e formas abstratas para dar vida à pinturas que abordam narrativas de fantasmas, sombras e camuflagens, originárias da cultura japonesa; ou até mesmo quando infiltra em seus trabalhos elementos das comunidades de imigrantes no Brasil, invisibilizadas em sua maioria. A artista dialoga com a tradição da pintura e da história da arte, situando-as na experiência do presente e do espaço para além do circuito especializado.

Alice Shintani foi incluída na publicação “100 painters of tomorrow”, da editora Thames & Hudson (2014) e contemplada com o prêmio-aquisição no “II Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea” (2013). Participou de diversas exposições individuais e coletivas, destacando-se as seguintes instituições: Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo, Brasil; Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil; Centrum Sztuki Wspólczesnej, Poznán, Polônia; Centro Cultural São Paulo, Brasil; Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil; Museu Rodin, Salvador, Brasil; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil. Durante a edição da sp-arte/2017, Alice Shintani foi vencedora do Prêmio de Residência com a instalação “Menas” e passou três meses na Delfina Foundation, em Londres (Reino Unido). Atualmente a artista é uma das convidadas para integrar a 34ª Bienal de São Paulo - Faz Escuro Mas Eu Canto, 2021.

Publicado por Patricia Canetti às 12:11 PM