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abril 16, 2021

Amelia Toledo na Nara Roesler NY, EUA

Com uma icônica carreira marcada por enlaçamentos entre arte e natureza, uma seleção dos trabalhos de Toledo será apresentada pela primeira vez nos Estados Unidos na nova galeria da Nara Roesler no Chelsea, em Nova York

Nara Roesler se orgulha em anunciar a mostra inaugural de Amelia Toledo nos Estados Unidos. A exposição será realizada no novo espaço da galeria no bairro do Chelsea, em Nova York, de 25 de fevereiro a 17 de abril de 2021.

Amelia Toledo (1926-2017) é uma figura fundamental da arte brasileira no século XX. Sua carreira se estendeu por mais de cinco décadas e se fez marcar, inicialmente, por experimentações esculturais construtivas e pelo subsequente desenvolvimento de investigações sobre as relações entre arte e natureza. Toledo iniciou-se nas artes visuais no final da década de 1930, quando começou a frequentar o estúdio de Anita Malfatti (1889-1964), posteriormente prosseguindo seus estudos com Yoshiya Takaoka (1909-1978) e Waldemar da Costa (1904-1982).

Ao longo de sua trajetória, a artista fez uso de variados meios e técnicas, transitando entre pintura, desenho, escultura, gravura, instalação e design de joias, sempre mantendo uma grande atenção às especificidades da matéria e à sua aplicação. Seu trabalho esteve alinhado, primeiramente, com a pesquisa construtiva, ecoando noções do neoconcretismo e as preocupações correntes na década de 1960, em especial o interesse pela participação do público, assim como o entrelaçamento entre arte e vida. Toledo desenvolveu seu multifacetado corpo de obra a partir do diálogo duradouro e enriquecedor com outros artistas de sua geração, incluindo, Mira Schendel, Tomie Ohtake, Hélio Oiticica e Lygia Pape.

No final da década de 1950, Toledo empreendeu uma investigação baseada na passagem do plano ao volume, inspirando-se nos trabalhos de Max Bill e Jorge Oteiza. Plano Volume (1959), primeira incursão nessa linguagem, parte de um procedimento simples: cortes circulares formando uma helicoidal em uma chapa de cobre que será posteriormente curvada. Anos depois, repete o método em Om (1982). Nesse caso, a chapa de aço é cortada em espiral com maçarico e pendurada no teto, conferindo-lhe movimento. Sua sombra, projetada na parede por uma luz direta, escreve a forma do símbolo que representa o mantra do som universal segundo algumas religiões.

Em última análise, podemos identificar no interesse de Toledo pela natureza a base do que viria a constituir sua conquista mais marcante, desembocado em investigações sobre o conceito de paisagem, assim como no emprego em seus trabalhos de pedras e conchas coletadas compulsivamente, entre outros elementos naturais. Desafiada por esses materiais, Amelia Toledo seguiu carreira como artista e engenheira, vislumbrando as possibilidades de um concretismo ecológico.

Em trabalhos como Parque das cores do escuro (2002), a artista faz uso de pedras para investigar cores, brilhos, transparências e as variadas formas da “carne” da terra. Toledo criou composições nas quais as peças coletadas das profundezas de cenários naturais são dispostas em variados arranjos, inclusive em diálogo com materiais “modernos”, como o aço inoxidável. As rochas não foram submetidas a nenhum tratamento que alterasse suas características originais, sendo apenas polidas de modo a revelar seus desenhos internos feitos pelos delicados veios capazes de revelar sua temporalidade. Em Dragões Cantores (2007), fragmentos de rocha moldados pelo movimento das marés são ativados pelo espectador que traz à tona diferentes sons ao interagir com eles com um pequeno pedaço de madeira.

Outro aspecto fundamental da prática de Toledo é a cor, interesse que se faz notar especialmente em suas pinturas. Telas da série Horizontes (década de 1990 – década de 2010), estarão em exibição em Nara Roesler, em Nova York, junto com Campos de Cor, série iniciada na década de 1980 e em desenvolvimento até pouco antes de sua morte, em 2017. Em exibição, também poderá ser encontrado um exemplo de seus marcantes e coloridos Penetráveis, destacando a abordagem pictórica “natural” de Toledo, que utiliza pigmentos orgânicos sobre juta, criando uma massa de cor fisicamente penetrável ao revelar o caráter maleável do suporte ao mesmo tempo em que faz emergir o jogo de transparências nele contido.

A exposição também traz colagens de Amelia Toledo feitas em 1958, durante sua estadia em Londres. Nesses trabalhos, ela experimenta com a transparência da seda e do papel de arroz, impregnando algumas folhas com cera de abelha, o que lhes confere espessura, tornando-as quase esculturais. A pesquisa com a materialidade do meio levaria a artista a criar a série Fiapos nos anos 1980. Nesta, o papel parece retornar à condição de polpa, um material disforme e tênue que parece se deixar invadir pela luz e ser moldado pela leveza.

Amelia Toledo se permitiu a liberdade de não se filiar a um grupo e de seguir experimentando segundo sua vontade. Nas palavras da artista: “Não é apenas uma questão de processos diferentes; cada material se constrói, se propõe na forma de certas consequências”. Sua produção ressoa hoje mais do que nunca devido a sua articulação contínua entre estética e natureza, ecologia e forma, enfatizando a sofisticação do design e a crueza da matéria e dos materiais.


With an iconic career marked by entwinements between art and nature, a selection of Toledo’s works will be exhibited for the first time in the United States at Nara Roesler new gallery in Chelsea, New York

Nara Roesler is pleased to announce Amelia Toledo’s inaugural solo exhibition in the United States, at the gallery’s new location in New York’s Chelsea neighborhood, from February 25 to April 17, 2021.

Amelia Toledo (1926–2017) is a leading figure of Brazilian art in the twentieth century, with a career spanning over five decades, marked by distinctive engagements with constructive sculptural experimentations, that subsequently unfolded into iconic entwinements between art and nature. Toledo was first introduced to the field of visual arts at the end of the 1930s as she began frequenting the studio of Brazilian modernist landmark artist Anita Malfatti (1889-1964), after which she studied under the guidance of Yoshiya Takaoka (1909-1978) and Waldemar da Costa (1904-1982).

Throughout her career, Toledo made use of several media and techniques, including painting, drawing, sculpture, printmaking, installations, and metalsmith/jewelry design, always focusing on the use of materials and faktura. Her work was initially aligned with constructivist research, echoing notions of Neoconcretism and the characteristic preoccupations of the 1960s, with an interest for public participation, as well as for the entwinement of art and life. She developed her multifaceted oeuvre in permanent and mutually enriching interlocution with other artists of her generation including Mira Schendel, Tomie Ohtake, Hélio Oiticica and Lygia Pape.

In the late 1950s, she undertook an investigation based on the transition from plan to volume, drawing inspiration from the works of Max Bill and Jorge Oteiza. Plano Volume (1959), the first foray into this investigation, starts from a simple procedure: circular cuts on a copper plate forming a helicoid, and then curved. Years later, she repeated the method in Om (1982). In this piece, a steel sheet was cut in a spiral with a sandpiper and hung from the ceiling, allowing it to move, while projecting a shadow against the wall in the shape of the symbol Om, which is a sacred sound and spiritual symbol in Indian spirituality.

Ultimately, Toledo’s signature achievements are driven by her focus on nature, implying her investigations on the concept of landscape, engaging with stones and shells, among other natural elements, which she collected compulsively and included in her work. Challenged by these materials, Amelia Toledo pursued her career as both an artist and an engineer, envisaging the possibility of an ecological concretism.

In works like Path of Colors from the Dark (2001), for example, the artist uses stones to investigate color, brightness, transparency, and the various shapes of the Earth’s “flesh”. She was able to create compositions in which pieces collected from the dark depths of natural settings are placed in various arrangements, including dialogues with “modern” materials, such as stainless steel. The rocks were not subject to any treatment that would change their original form, but were merely polished to reveal their internal designs, the delicate veins, revealing their temporality. In the participatory piece titled Singing Dragons (2007) rock fragments that have been molded by the movement of the tides are highlighted by the sound that each of them make when the spectator interacts with their surface using a small piece of wood.

Another central pillar of Toledo’s work is color, an interest that is notably manifest in her paintings, among other works. Paintings from the series Horizons (1990s - 2010s) will be on view at Nara Roesler | New York along with Campos de Cor [Color Fields], a series which the artist began in the 1980s and continued until right before her death in 2017. Also on view will be an example of her striking and colorful Penetrables, highlighting Toledo’s ‘natural’ approach to painting, using raw canvases and rough organic pigments on jute, creating a physically penetrable mass of color, revealing the malleable nature of the support, as well as a repertoire of transparency.

Also from her early works, the exhibition presents some of the collages that Amelia Toledo started in 1958, while she was living in London. An experiment with the transparency of silk and rice paper, some of these collages are impregnated with beeswax granting the pieces a special thickness, making them almost sculptural. This experimentation with the medium’s materiality would lead the artist to create the Fiapos [Wisps] series in the 1980s, in which the paper seems to have returned to the condition of pulp, a formless and tenuous material that seems invaded by light and shaped by lightness.

Amelia Toledo allowed herself the freedom to never be part of a group, and to experiment according to her own moment. In the artist’s words: “It’s not even just a question of different processes; each material constructs itself, proposes itself in the form of certain consequences”. Her production resonates today more than ever through her continuous articulation of aesthetics and nature, ecology and form, stressing both the sophistication of design and the roughness of matter/materials.

Posted by Patricia Canetti at 4:23 PM

abril 10, 2021

Danielle Carcav na Mercedes Viegas, Rio de Janeiro

A partir do dia 12 de abril, a Galeria Mercedes Viegas apresenta ”Desvio para o delírio”, primeira exposição da artista Danielle Carcav na galeria. Em 9 trabalhos em aquarela, guache e acrílica, ”Desvio para o delírio” navega a proliferação de florestas densas em companhia de personagens caprichosos e uma intuição onírica. Como certa vez disse Ivair Reinaldim sobre o trabalho de Carcav, “do mesmo modo que suas imagens estabelecem diferentes narrativas, colocando em xeque os limites entre real e ficcional, a cor em seus trabalhos possui dupla função, entre a criação do espaço pictórico e o estabelecimento da atmosfera psicológica, reforçando o tom introspectivo muitas vezes imperante.”

”Desvio para o delírio” estará aberta a visitas guiadas até o dia 17 de maio.

Danielle Carcav nasceu em Natal (RN) porém vive e trabalha na capital do Rio de Janeiro desde 2008, ano no qual ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de vários salões de relevância nacional como: 38o Salão de Santo André, Novíssimos, 35o Luiz Sacilloto, e outros, sendo premiada em 2010 no Salão do Mato Grosso do Sul e em Atibaia. Em 2012, foi uma das artistas indicada ao Prêmio PIPA.

“Na minha pintura, eu busco construir narrativas que me aproximam de um senso afetivo e imaginário que a memória me provoca. Acredito que, durante o processo, estou sempre na tentativa de me intuir sobre como as imagens se tornam um lugar de pertencimento com o passar do tempo...e como essas narrativas se transformam nesse espaço. Assim, faço uso de registros fotográficos e imagens de pessoas (na maioria das vezes, crianças), animais e paisagens...tentando compor as situações como se cada um desse elementos agissem sobre o imaginário dos outros. Acho que isso cria um ruído...silencioso sobre o que se observa dentro de cada cena, no meu trabalho.”

Posted by Patricia Canetti at 12:28 PM

abril 6, 2021

Felipe Cohen na Millan, São Paulo

A Galeria Millan tem o prazer de apresentar, de 20 de março a 10 30 de abril de 2021, a exposição Felipe Cohen: Pálpebra, quarta individual do artista nascido em São Paulo, em 1976. Reunindo 10 obras — sendo 8 pinturas e 2 objetos — a mostra parte da ideia de desmaterialização do horizonte através da reflexão, fenômeno que tem sido objeto de estudo presente nas peças produzidas pelo artista na última década.

A partir dessa pesquisa, Cohen vem concebendo trabalhos que destacam a profundidade e o fenômeno da luz e seu efeito na ampliação da sensação espacial bem como suas afecções sobre a experiência temporal de uma imagem. Na exposição na Galeria Millan, a ocorrência da reflexão é articulada a partir da perspectiva da paisagem abrangendo questões do campo geométrico e simbólico.

Na série de pinturas, cujo título é emprestado à exposição, Cohen articulou formas circulares de mesmo tamanho com linhas horizontais, buscando situações de entrelaçamentos e sobreposições em que a unidade modular se diluísse no todo através da seleção das áreas que receberiam a tinta. “Como nas vitrines, nas quais foram inspiradas (série de objetos que venho fazendo desde 2013), há uma clara alusão a paisagens de poentes em horizontes líquidos, criando assim situações de reflexão e espelhamento”, explica o artista.

“Produzir paisagens, seja nas vitrines ou nas pinturas, sempre foi pra mim um pretexto para falar de articulações possíveis entre luz, tempo e espaço. O que me pareceu interessante desde o início do ato de articular essas formas foi a forma com que, com o mesmo módulo circular — símbolo do movimento cíclico —, era possível criar inúmeras situações de topografias e sugestões de profundidades”, conta. “As formas encontradas nessas pinturas me remeteram também a dois olhos, na maioria das vezes com uma pálpebra aberta e outra fechada, uma espécie de olhar da paisagem para o espectador. Me pareceu interessante esse segundo espelhamento, uma paisagem que olha de volta para o espectador”.

A exposição conta também com dois objetos feitos com copos de vidro e basalto que ocupam o espaço da vitrine da galeria. As pedras foram esculpidas a partir das formas dos copos criando uma relação de estranheza entre o conteúdo sólido, opaco e negro e a transparência dos vidros. Em um dos objetos a matéria pesada parece levitar dentro do conteúdo entre os copos. No segundo objeto acontece um movimento simétrico de expansão da matéria em direção às bocas dos copos, criando assim duas formas cônicas espelhadas pela sobreposição dos copos.

Comunicado importante: devido às restrições da Fase Roxa, de 15 a 30 de março de 2021, propostas pelo Governo do Estado de São Paulo, a exposição será aberta à visitação a partir do dia 1 de abril de 2021.


Galeria Millan is pleased to present, from March 20 through April 10 30, 2021, the exhibition Felipe Cohen: Pálpebra, the fourth solo exhibition by the artist who was born in São Paulo in 1976. Bringing together 10 works – 8 paintings and 2 objects – the exhibition stems from the idea of dematerializing the horizon through reflection, a phenomenon that has been the artist's object of study over the last decade.

From this research, Cohen has been conceiving works that highlight the depth and the phenomenon of light and its effect on the amplification of spatial sensations as well as its affections on the temporal experience of an image. In the exhibition at Galeria Millan, reflection is articulated from the perspective of the landscape, covering aspects of the geometric and symbolic fields.

In his series of paintings, the title of which is lent to the exhibition, Cohen juxtaposes circular shapes of the same size with horizontal lines, seeking an interlacing and overlap where the modular unit is completely reduced through the selection of areas that would be painted. “Similar to the display cases, in which they were inspired (a series of objects that I have been making since 2013), there is a clear allusion to landscapes of sunsets in liquid horizons, thus creating instances of reflection and mirroring,” explains the artist.

“Producing landscapes, whether in display cases or paintings, has always been a pretext for me to talk about possible articulations between light, time and space. What seemed interesting to me from the beginning of the act of articulating these shapes was the way in which, with the same circular form – a symbol for cyclic movement – it was possible to create countless topographical situations and suggestions of depth,” he says. “The shapes in these paintings also reminded me of two eyes – mostly with an eyelid open and the other closed – gazing from the landscape to the viewer. I found this second instance of mirroring quite interesting, a landscape that stares back at the viewer."

The exhibition also features two objects made with glass cups and basalt that occupy the gallery display case. The stones were sculpted in the shapes of the glasses, creating a strange relationship between the solid, opaque and black material and the transparency of the cups. In one of the objects, the heavy matter seems to levitate inside the content between the glasses. In the second object there is a symmetrical expansion of the matter towards the edge of the glasses, creating two conical shapes mirrored by the overlapping of the glasses.

Important announcement: due to the restrictions of the Purple Phase, from March 15 to 30, 2021, proposed by the Government of the State of São Paulo, the exhibition will be open to visitors from April 1, 2021.

Posted by Patricia Canetti at 2:32 PM

Jaider Esbell na Millan, São Paulo

A data de encerramento da exposição Apresentação : Ruku, individual do artista e curador indígena da etnia Makuxi Jaider Esbell, foi prorrogada para 10 de abril de 2021. Visando atender às medidas sanitárias da Fase Roxa para conter a pandemia, a exposição está fechada temporariamente e só será reaberta mediante novas medidas do Governo do Estado de São Paulo. Enquanto aguardamos novas orientações em casa, te convidamos a assistir a esse vídeo especial que preparamos com muito carinho sobre a exposição.

Neste vídeo, Esbell discute sua prática artística, a linhagem cosmológica do povo Makuxi, o significado de ser indígena e artista no Brasil contemporâneo e a importância da presença do jenipapo na concepção da mostra e na cultura indígena.


The closing date of Apresentação : Ruku, first solo show by Makuxi indigenous artist and curator Jaider Esbell, has been extended to April 10, 2021. In order to meet the Purple Phase's sanitary measures to contain the pandemic, the exhibition is temporarily closed and will be reopened only according the new measures of the State of São Paulo Government. While waiting for new directions at home, we invite you to watch this special video that we prepared with great joy about the exhibition.

In this video, Esbell discusses his artistic practice, the cosmological lineage of the Makuxi people, the meaning of being indigenous and an artist in contemporary Brazil and the importance of the presence of genipapo in the conecption of the exhibition and in indigenous culture.

SOBRE A MOSTRA

A Galeria Millan tem o prazer de anunciar a exposição Apresentação : Ruku, individual do artista e curador indígena da etnia Makuxi Jaider Esbell. Com curadoria do próprio artista e assistência curatorial da antropóloga Paula Berbert, a mostra reúne cerca de 60 obras, incluindo pinturas, objetos e desenhos, que destacam a diversa produção do artista.

Partindo da noção de artivismo — neologismo conceitual que abrange tanto o campo da arte quanto das ciências sociais —, Esbell combina pintura, escrita, desenho, instalação e performance para entrelaçar discussões interseccionais entre cosmologias, narrativas míticas originárias, espiritualidade, críticas à cultura hegemônica e preocupações socioambientais.

Suas pesquisas mais recentes vem se aprofundando também no txaísmo – modo de tecer relações de afinidades afetivas nos circuitos interculturais das artes contemporâneas pautadas pelo protagonismo indígena.

Desde 2013, quando organizou o I Encontro de Todos os Povos, Esbell assumiu um papel central no movimento de consolidação da Arte Indígena Contemporânea no contexto brasileiro, atuando de forma múltipla e interdisciplinar e combinando o papel de artista, curador, escritor, educador, ativista, promotor e catalisador cultural.

Para a exposição no Anexo Millan, o artista exibe um conjunto, produzido entre 2019 e 2021, que se debruça sobre as visões do artista em torno da árvore-pajé, Jenipapo ou Ruku, um “fruto-tecnologia e uma de minhas avós” nas palavras de Esbell, do qual se produz a tinta natural aplicada por inúmeros povos indígenas em pinturas corporais e utilizada em cerimônias rituais.


Galeria Millan is pleased to announce the exhibition Presentation : Ruku, the first solo show by Makuxi indigenous artist and curator Jaider Esbell. Curated by the artist himself, with the assistance of anthropologist Paula Berbert, the show brings together around 60 works, including paintings, objects and drawings, which highlight the artist's diverse production.

Starting from the notion of artivism—a conceptual neologism that covers both the field of art and the social sciences––Esbell combines paintings, writings, drawings, installations and performances to weave intersectional discussions between cosmologies, original mythic narratives, spirituality, critiques of hegemonic culture and socio-environmental concerns, sometimes presenting them as lyrical discourses and sometimes as strictly political stances. His more recent research has also delved into txaísmo––a way to weave relationships of affective affinity in the intercultural contemporary art circuit led by indigenous protagonism.

Since 2013, when he organized I Encontro de Todos os Povos (1st Meeting of All Peoples), Esbell played a central role in the movement for the consolidation of Contemporary Indigenous Art in the Brazilian context, acting in a multiple and interdisciplinary way and uniting the role of the artist, curator, writer, educator, activist, and cultural promoter and catalyst.

For the exhibition at Anexo Millan, the artist showcases a set of works, produced between 2019 and 2021, that focuses on his visions around the chief-tree known as Jenipapo or Ruku, a “fruit-technology and one of my grandmothers,” in Esbell's words, from which is produced natural paint used by countless indigenous peoples for body painting and ritual ceremonies.

Posted by Patricia Canetti at 1:58 PM

Casa do Povo lança nova edição do Nossa Voz com obra inédita de Jaider Esbell

Publicação anual produzida pela Casa do Povo, o NOSSA VOZ chega a sua edição 1021. Com 63 páginas e três mil exemplares, o jornal tem seus eixos editoriais a partir do contexto contemporâneo, em diálogo com as suas premissas históricas e traz para o debate a cidade, a memória e as práticas artísticas em consonância com a momento político atual.

Entre os destaques da nova edição o texto Cada Curva do Rio tem um Céu Diferente, do astrônomo e antropólogo argentino Armando Mudrik e do professor de física e astronomia, Walmir Thomazi Cardoso, desvenda a dimensão terrestre do universo celeste, uma paisagem em constante transformação e alvo de novas ameaças. Para completar esse jogo dialógico, Jaider Esbell, artista visual Makuxi, acrescentou uma outra dimensão imagética com duas obras na publicação, uma na capa, que já integrava seu acervo e outra inédita realizada a partir da leitura do texto.

O movimento Mulheres Negras Decidem também está nas páginas do NOSSA VOZ. Com Para onde vamos, se seguirmos as mulheres negras, o texto indica um caminho possível, desejável e urgente, construído a partir de dados levantados junto ao Instituto Marielle Franco, localizado no Rio de Janeiro. Já o Coletivo Mitchossó, grupo de mulheres coreano-brasileiras e não binárias, por meio de um exercício de escrita coletiva, pensa os traumas da imigração coreana e a possibilidade de contá-los de outra maneira.

A edição 1021 conta ainda com escritos de Lia Vainer e Mônica Gonçalves Mendes; Castiel Vitorino Brasileiro e Napê Rocha; abigail Campos Leal; Rogério e Ricardo Teperman; Bety Poquechoque Quispe, Sonia Limachi Quispe, Marlene Bergamo e Mayara Vivian; Vandana Shiva; Jorgge Menna Barreto e Marcelo Wasem; Valentina D’Avenia e Daniel Lie e Jonas Van.

NOSSA VOZ – Edição 1021 / abril 2021

Publicação gratuita, que pode ser retirada na Casa do Povo a partir de 10 de abril de 2021. Também é possível colaborar com a instituição através do programa de apoio recorrente e receber a nova edição em casa.

Todas as edições publicadas desde 2014 então disponíveis no site da Casa do Povo: casadopovo.org.br/programacao/#nossa-voz. As edições de 1947 a 1964 estão disponíveis no arquivo da Biblioteca Nacional: memoria.bn.br.

O perfil da Casa do Povo no Medium reúne alguns textos do jornal que são disponibilizados em formatos para compartilhar nas redes sociais: medium.com/nossa-voz.

Casa do Povo
Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro – São Paulo
11-3227-4015 | casadopovo.org.br

Posted by Patricia Canetti at 1:46 PM

Fotografia | Cidade Paisagem na Referência, Brasília

De 5 de abril a 15 de maio, a Referência Galeria de Arte apresenta a mostra coletiva Fotografia | Cidade Paisagem, que aborda questões como a forma, a abstração, a cor, a luz, a eloquência e o silêncio. A exposição traz para o público um recorte das produções dos artistas que trabalham com temas que vão do diário fotográfico de viagens aos andarilhos que vagam sem rumo pela cidade. Há os que recriam a paisagem em busca de perspectivas impossíveis, mas visíveis. E, ainda, os que vão no sentido contrário, atrás do que existe apesar de todas as adversidades. Com visitação de segunda a sexta, das 11h às 20h, e sábado, das 11h às 16h, durante o período da mostra serão realizadas conversas com os artistas em encontros previamente agendados.

Participam da mostra “Fotografia | Cidade Paisagem” cinco artistas de Brasília (DF) e um de Londrina (PR). André Santangelo (DF) apresenta as séries de fotomontagens “Mais valente” e “Eu te vejo”, em que o artista evidencia a relação com o espaço de produção. Frederico Lamego (DF) uma série de imagens que abordam a dualidade e a justaposição nas fotos de espaço, curvas e concreto em preto e branco. A série “Poéticas mínimas”, de José Roberto Bassul (DF), aborda a necessidade de pausas e silêncios como resposta às estridências do mundo. ”A cidade se perde nas ausências...”, de Márcio Borsoi (DF), traz os personagens sem rosto de uma cidade qualquer na noite vazia de um tempo sombrio. Rogerio Ghomes (PR) apresenta a série “Nada mais útil que o silêncio”, um recorte de sua produção que aborda as incertezas e outros sentimentos humanos. Há 12 anos, Zuleika de Souza (DF) coleta imagens de fachadas, muros e ruas coloridas, em um inventário da arquitetura popular candanga, divergente do modernismo que forma a base arquitetônica de Brasília.

Encontros com os artistas

Durante o período da mostra, serão realizadas conversas com os artistas para falar sobre suas produções e apresentar as obras presentes na coletiva. No dia 8 de abril, quinta-feira, às 20h, o encontro será virtual entre o artista visual Rogerio Ghomes e o professor e curador Marco Antônio Vieira em uma live transmitida pelo Instagram @referenciaarte. No sábado, 17, das 11h às 12h, André Santangelo fala com o público. No dia 30, sexta-feira, das 17h às 18h, acontece o encontro com o fotógrafo Márcio Borsoi. Encerrando a programação, no dia 14 de maio, sexta-feira, das 17h30 às 18h30, Frederico Lamego fala ao público sobre seu trabalho.

Os encontros presenciais acontecem pontualmente no horário marcado. As pessoas interessadas em participar devem se inscrever por e-mail ou pelo Whatsapp. Devido aos protocolos de segurança sanitária da Covid-19, os encontros têm vagas limitadas a 10 participantes.

Lançamento de fotolivro

No dia 7 de maio, sexta-feira, o fotógrafo José Roberto Bassul lança seu mais recente fotolivro “Sobre Quase Nada”. Nas 128 páginas, o livro traz 97 fotografias das séries “Poéticas mínimas” e “Quase nada” e textos de Márcia Mello e Marília Panitz. A publicação recebeu os prêmios Fotolivro do Ano no Moscow International Foto Awards 2020 e Ouro no Prix de la Photographie Paris 2020. No dia do lançamento, o público terá acesso a um vídeo do artista sobre a publicação e sobre sua produção, em parte exposta na mostra “Cidade – Paisagem”. Os interessados devem adquirir antecipadamente o livro por e-mail ou pelo Whatsapp e agendar o dia e a hora da retirada da publicação autografada pelo autor. Valor: R$ 90,00.

Posted by Patricia Canetti at 12:10 PM

abril 5, 2021

Naturezas Imersivas no Farol Santander, Porto Alegre

Farol Santander lança exposição online Naturezas Imersivas, uma reflexão sobre a importância do meio ambiente com curadoria de Daniela Bousso, que reúne obras temáticas dos artistas brasileiros Katia Maciel, Raquel Kogan, Rejane Cantoni e Ricardo Siri

O Farol Santander, centro de cultura, empreendedorismo e lazer de Porto Alegre, disponibiliza gratuitamente a versão online de sua segunda exposição em 2021. A mostra inédita Naturezas Imersivas, com curadoria de Daniela Bousso e direção geral de Luciana Farias, ocupa a galeria do 2º piso do histórico edifício e reúne diferentes linguagens artísticas, que se expressam para despertar nossa sensibilidade ao redor das questões ambientais. Enquanto o edifício no Centro da capital gaúcha se mantiver fechado, de acordo com as recomendações das autoridades, a mostra permanecerá disponível exclusivamente para a visita virtual no site do Farol Santander Porto Alegre.

Na opção online, o público poderá percorrer os corredores e apreciar sem sair de casa 13 obras de arte, entre fotografias, esculturas, instalações imersivas, áudio-poemas e videoinstalações, desenvolvidas pelos artistas Katia Maciel, Ricardo Siri, Raquel Kogan e Rejane Cantoni.

O conceito que permeia a mostra visa realçar a relação entre arte e natureza como forma de despertar sensibilidades, criar consciência do presente e refletir o desejo de vislumbrarmos um futuro mais verde.

"Apostando na consciência crescente da necessidade de ampliarmos nossa percepção e nos tornarmos agentes da construção de um porvir mais sustentável, Naturezas Imersivas é também um convite à experimentação de novas formas de ver, sentir, pensar e perceber nossa relação com o mundo. Com projetos que aliam um grande impacto visual ao potencial reflexivo, o Farol Santander mantém sua missão de estimular a curiosidade e a criatividade em busca de experiências que estejam alinhadas com o presente e, ao mesmo tempo, com a filosofia do Santander pela construção sustentável do futuro"; afirma Patrícia Audi, vice-presidente executiva de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander Brasil.

A artista, poeta e professora carioca Katia Maciel, com varias exposições realizadas no Brasil e exterior, participa de Naturezas Imersivas com duas videoinstalações, duas fotografias e quatro áudio-poemas que interligam a mostra. Com destaque para a obra Uma Árvore (2009), onde o foco da câmera incide sobre a copa, que desenvolve movimentos de inspiração e expiração, como um pulmão em contrações que abrem e fecham.

"se falo sempre da água
é porque ela não para
de voltar
bate na porta
e continua
avesso oceano
é todo e parte"
(áudio poema 4 – série Plantio, 2019 – Kátia Maciel).

Também natural do Rio de Janeiro, o artista visual, sonoro e músico Ricardo Siri tem quatro trabalhos expostos em Naturezas Imersivas. Com curadorias e obras realizadas em galerias e bienais nacionais e internacionais, Siri destaca nesta mostra a instalação Ninho (2018), que oferece elementos da floresta e pode ser vista pelo público online em diversos ângulos, inclusive como se estivesse dentro da obra. O artista constrói ninhos artesanalmente, e também esculturas com galhos, cipós, cera de abelha, barro e outros materiais, introduzindo ainda instrumentos musicais. Os trabalhos compõem a poética do universo primitivo e a combinação com o mundo tecnológico atual.

De São Paulo, a dupla Raquel Kogan e Rejane Cantoni desenvolveu a instalação imersiva Água 2021. As artistas especializadas em trabalhos que utilizam tecnologia de ponta e resultam em obras imersivas, apresentam um site specific, ou seja, uma obra concebida especialmente para o edifício do Farol Santander. Montada com espelhos de observação flexível, a luz é o elemento central desta instalação que simula reflexos de água a partir do percurso do público.

Naturezas Imersivas é apresentada pelo Ministério do Turismo e Santander, com patrocínio via Lei de Incentivo à Cultura. Realização da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Farol Santander Porto Alegre.

Ação Educativa Naturezas Imersivas

Com o objetivo de ampliar as reflexões críticas estimuladas pelo contato com os trabalhos artísticos da exposição Naturezas Imersivas, a curadoria preparou iniciativas voltadas para professores, educadores e mediadores. Compreendendo que as obras possibilitam uma série de leituras, sobretudo quando colocadas em relação, a mostra oferecerá visitas guiadas online pelo tour virtual, com participação de artistas e curadoria.

As datas das atividades virtuais e o formulário de inscrição podem ser conferidos no site https://site.bileto.sympla.com.br/farolsantanderpoa/.

Sobre Daniela Bousso

Daniela Bousso é curadora, crítica de artes visuais, dirigente cultural e docente. Escreve e organiza livros de arte. Colabora com a Revista Select e com o Canal Contemporâneo. É Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC. Dirigiu o Paço das Artes e o MIS – Museu da Imagem e do Som em simultaneidade, onde trabalhou na concepção e implantação do projeto de reposicionamento do MIS-SP.

Foi curadora das sete primeiras edições do Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia. Também coordenou a primeira edição do Projeto Rumos Visuais do Itaú Cultural, entre 1997 e 1998. Também foi curadora de mais de 70 exposições realizadas e recebeu diversos prêmios, como: APCA "Curadora Revelação" e "melhor programação do ano" (1992); APCA, Projeto Ocupação, 2004, Paço das Artes SP.

Sobre o Farol Santander Porto Alegre

O Farol Santander Porto Alegre, centro de empreendedorismo, cultura e lazer completará dois anos em março de 2021. Neste período, recebeu seis exposições de artes visuais com artistas nacionais e internacionais e exibiu 15 programas especiais no Cine Farol Santander.

O histórico edifício no Centro da capital gaúcha, também possui o Espaço Memória, que traz a história da cidade, do prédio e da política monetária brasileira, além do Restaurante Moeda; todos concentrados no subsolo da instituição.

Vale também destacar a versatilidade com a dinâmica de eventos, que disponibiliza todos os espaços do Farol Santander para locação.

Posted by Patricia Canetti at 6:02 PM

abril 4, 2021

Flávio Cerqueira na Leme, São Paulo

A Galeria Leme informa a nova data de lançamento da exposição Um mundo de cada vez, por Flávio Cerqueira, para o dia 8 de abril. Devido ao agravamento da pandemia de Covid-19 no Estado de São Paulo e às novas medidas tomadas para a contenção do vírus, a exposição será realizada virtualmente.

Um mundo de cada vez - primeira exposição individual de Flávio Cerqueira na Galeria Leme - como o próprio nome nos convida a refletir, evidencia como as esculturas de Flávio são representações únicas, que trazem à tona realidades por muitas vezes invisibilizadas, mas que ao mesmo tempo carregam complexidades extremamente ricas e singulares a seu próprio modo. Nesse sentido, são extremamente precisas as escolhas pela escultura, pelo uso do bronze, e é claro, pela retratação de meninas e mulheres.

A opção por trabalhar escultura, pode-se dizer, não é das mais usuais no cenário artístico no século XXI, em parte devido ao alto custo do material e ao elevado nível de conhecimento técnico que este tipo de produção demanda. Somado a isso, é interessante observar a utilização que Flávio faz do bronze, um material maleável, mas que ao mesmo tempo ganha rigidez total após o esfriamento.

Se ao longo da história do movimento Barroco (séc. XVII – XVIII), as esculturas em bronze eram utilizadas principalmente para homenagear grandes personalidades europeias, em grande parte homens com importância política ou militar, Cerqueira vem a utilizar esta técnica com o objetivo de visibilizar a existência de corpos historicamente marginalizados, isto é, mulheres de um país que viveu a colonização e que ainda possui diversas marcas daquele período.

Cada uma das esculturas desta exposição fixa uma espécie de narrativa no espectador. Um exemplo é a obra Cansei de Aceitar Assim, onde há uma jovem de corpo delineado ao lado de uma placa em que está escrita a palavra STOP. Outro caso é a obra Para dar nome às coisas, escultura uma adolescente junto de uma luneta, a fim de nos trazer a ideia de descobrimento.

A exposição de Flávio Cerqueira vem a eternizar vivências e narrativas comumente vistas como de pouco valor ou corriqueiras. A partir de uma técnica clássica, muito utilizada em séculos passados, o trabalho faz uma problematização necessária a respeito da noção pré-estabelecida de grandes personagens históricos e a importância daí proveniente.

Sobre o artista

São Paulo, Brasil, 1983. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Flávio Cerqueira trabalha com processo tradicional de escultura conhecido como fundição por cera perdida e fundição em bronze, e explora a figura humana como protagonista.

Como artista/contador de histórias, Cerqueira cria vigorosas esculturas de bronze figurativas, focadas na construção de narrativas e representação de ações. Ele retrata seus personagens em situações cotidianas comuns e universais, como em momentos de introspecção, reflexão, concentração e ação. A presença de objetos do cotidiano, como espelhos, livros, troncos de árvores, rampas, escadas, cria tensão com as figuras humanas de bronze fora de escala. Esses cenários ocorrem dentro do cubo branco, que funciona como um pedestal, uma tentativa de desfocar as fronteiras entre a escultura e o mundo e entre a obra de arte e o espectador. Sua intenção é problematizar a relação entre espaço e espectador. Cerqueira usa a escultura como ferramenta para imobilizar o instante, o momento do fragmento de uma narrativa, onde o espectador se torna co-autor na produção de sentido para dizer que a história não tem fim, mas com vários finais as fronteiras entre fantasia e a realidade desaparece.

O trabalho de Cerqueira tem sido destaque em inúmeras exposições coletivas no Brasil e no exterior, incluindo, principalmente, nos Open Spaces em Kansas City, MO (2018); Histórias Afro Atlânticas, MASP – São Paulo, Brasil (2018); Queermuseu, Santander Cultural, Porto Alegre, Brasil (2017); Sul / Sul Deixe-me começar de novo, Goodman Gallery Cape Town, África do Sul (2017). 10ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (2015); Resignificações, Museu Stefano Bardini, Florença, Itália (2015); Ichariba Chode, Galeria Plaza Norte, Saitama, Japão (2015); e a 16ª Bienal de Cerveira, Portugal (2011).
Suas obras podem ser encontradas em importantes coleções do Brasil, como as da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu Afro Brasil, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) e do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS).

Posted by Patricia Canetti at 10:59 AM

abril 2, 2021

A Escolha do Artista na CRM, Rio de Janeiro

Exposição reúne trabalhos autorais de cinco expoentes das artes plásticas em diálogo com obras de acervo

A Coleção Roberto Marinho, que ao longo de seis décadas reuniu cerca de 1.400 peças cadastradas - entre pinturas, esculturas, gravuras e desenhos, é o ponto de partida da exposição A Escolha do Artista. A mostra encerra a trilogia Casa, Jardim, Coleção, iniciada em 2018, por ocasião da inauguração do instituto no Cosme Velho. Especializado em modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940, bem como em abstracionismo informal da década de 1950, o belo conjunto recebeu trabalhos dos estrangeiros Marc Chagall, Salvador Dali e Vieira da Silva, entre outros, sem perder o foco original.

A ser aberta no dia 13 de março, às 12h, A Escolha do Artista na Coleção Roberto Marinho reúne trabalhos autorais de cinco expoentes das artes plásticas em diálogo com obras do acervo. Antonio Manuel, Beth Jobim, Cristina Canale, Raul Mourão e Waltercio Caldas foram convidados a selecionar peças e a estabelecer com elas uma conversa poética através de suas próprias proposições artísticas. De acordo com o diretor da Casa, Lauro Cavalcanti, “parte fundamental do projeto foi o diálogo ocorrer nos termos estabelecidos pelos cinco artistas, que foram soberanos em suas escolhas”.

A primeira sala é consagrada às mostras anteriores da trilogia: as gravuras de 10 Contemporâneos (2018), que exploram a temática “casa”, dividem espaço com os múltiplos de O Jardim, exposição realizada em dezembro de 2019.

Em sua sala, Raul Mourão estabelece um contraste entre o Brasil idílico do quadro Flora e fauna brasileira (c. 1934), de Portinari, e a época atual. Cristina Canale selecionou, em sua maioria, retratos. E no trabalho inédito propõe um diálogo pictórico, imaginando os caminhos e escolhas de Di Cavalcanti no óleo de 1963, “Ivete Rocha Bahia”. “Sinto sua falta” é o título do múltiplo especialmente criado por Antonio Manuel, que junto a um díptico e à série “Frutos de Espaço”, interagem com obras de Pancetti. Beth Jobim identificou nas ripas de Ione Saldanha questões inerentes à sua poética pessoal e reproduziu um texto de Lygia Pape sobre Ione, criando uma nova camada de possibilidades nesse encontro. Waltercio Caldas, que dialoga com De Chirico, Legér, Tarsila, Soulages, Nery e Pancetti, propõe calar as exterioridades que podem interferir em nossa percepção e cria objetos que falam com arte e não sobre arte.

“Esta exposição representa a crença na arte como elemento de renovação. O encontro de cinco expoentes produzindo trabalhos novos e interagindo com a Coleção é uma prova de vitalidade e generosidade muito bem-vinda nesses tempos. A mostra revela o pensamento artístico de cada um, suas filiações e processos”, avalia Cavalcanti.

DEPOIMENTO DOS ARTISTAS

ANTONIO MANUEL

A destruição da Amazônia, do Pantanal e as queimadas criminosas me comovem e causam profunda tristeza. A questão ambiental é um elemento importante na minha vida. O crítico Mário Pedrosa, em um texto sobre o meu trabalho "O corpo é a obra” (1970), diz: "o artista é sempre aquele que nunca perde o contato com a natureza... mesmo num outro plano dentro das máquinas, ele vê as coisas como uma relação direta - ele e o mundo. Ele e a realidade. Ele e a natureza”.

Com esse pensamento, desenvolvi o objeto “Sinto sua falta”, de ferro e carvão, preso a um fio, como um pêndulo. O título nasceu paralelo ao trabalho. É a minha homenagem e meu amor à natureza. Junto a esse objeto, apresento as esculturas “Frutos do Espaço”, de 1980, que serviram como estudo para a instalação de mesmo nome em tamanho maior.

Dentro da coleção Roberto Marinho, procurei obras que tivessem uma ligação com essa poética. E talvez o Pancetti, com suas pinturas extraordinárias, seja quem mais se relaciona com as questões da natureza. A meu ver, as telas do dele, suas cores, paisagens, poéticas e ligação com a natureza dialogam com as abstrações dos meus trabalhos, que são páginas geométricas, aparentemente vazias, para se preencher com imagens e projeções.

BETH JOBIM

A partir do convite da Casa Roberto Marinho, pensei se havia alguma surpresa a se descobrir numa coleção já exposta e pensada com tanta inteligência. Elegi as 24 Ripas, da Ione Saldanha, que compõem um único trabalho não exibido anteriormente na instituição. Ione é uma grande pintora brasileira que, no final dos anos 1970, começou a pintar sobre ripas de madeira. Esse conjunto tem sua história, traz o seu tempo, mas também acontece agora num diálogo com o presente. É uma série versátil que pode ser mostrada de diversas maneiras, dentro do que a artista propõe, sob um olhar contemporâneo.

E eu já vinha trabalhando em algumas telas com cor, encapadas com linho branco (que usualmente é o fundo da tela), com frestas que revelam o pigmento. É um processo que envolve a costura artesanal de tecidos coloridos. Essas obras têm afinidades com as Ripas da Ione. Há um diálogo muito claro visualmente, embora o trabalho dela seja bastante expansivo e o meu um tanto contido, por ter relação com a questão da pandemia, do isolamento e do uso de máscaras, nesse momento em que estamos todos obrigados a nos “embrulhar” para nos proteger.

CRISTINA CANALE

Já há algum tempo tenho trabalhado com o formato clássico de portrait como território de pesquisa e exercício da pintura, de forma que fazer uma curadoria em um acervo de artistas modernos foi como “colocar uma criança diante de um prato de brigadeiro”. Procurei o percurso da abstração à figuração dentro da estética de retratos, a figura centralizada que mimetiza um rosto e seus arredores.

O retrato “Ivete” de Emiliano Di Cavalcanti foi o ponto de partida da minha curadoria e base para meu projeto de gravura. “Ivete”, além das suas qualidades pictóricas, possui em sua envergadura os caminhos que entrecruzam e perpassam as diversas influências na obra dos modernistas brasileiros, e que ainda hoje ecoam na pintura contemporânea, um pouco de Picasso, Matisse e expressionistas…. E a iconografia da “mulher brasileira”.

Minha porta de entrada nesta obra foram os volumes generosos, a dinâmica do xale rosa luminoso percorrendo o vestido azul como uma cachoeira que deságua em tons vermelhos. Recorri ao Matisse que está em mim, para interpretar esta obra, entre outras tantas visões possíveis.

Adentrar a obra e as decisões de um dos mestres da pintura brasileira quase seis décadas depois de executada foi um exercício de respeito e autoconhecimento.

RAUL MOURÃO

A partir do acervo da Casa Roberto Marinho, escolhi uma única obra, a pintura Flora e fauna brasileira (c. 1934), de Candido Portinari, que compõe um retrato de um Brasil tropical. Em diálogo, apresento a série The New Brazilian Flag, realizada em 2020, trabalho que gerou muitos desdobramentos e reflexões. É também uma representação do país, completamente diferente, concebida quase um século depois. Vejo um casamento perfeito entre as duas abordagens.

O título irônico em inglês remete à origem desse trabalho, um encontro real com uma bandeira americana, em Nova Iorque, em 2017. Estava saindo de uma feira de arte e avistei uma bandeira dos Estados Unidos enrolada no próprio mastro, de modo que o retângulo onde estão as estrelas não aparecia. Fiz um registro em vídeo, um documento singelo da bandeira enrolada, vibrando com o vento forte. Uma bandeira modificada acidentalmente, cortada, amputada. Depois de publicar no Instagram e fazer circular esse curto vídeo, surgiu o título: The New American Flag.

De volta ao Brasil, andando pela Lapa, me ocorre de fazer uma versão brasileira dessa bandeira modificada, sem as estrelas, sem os estados, sem a república, sem a federação, violentada, como um cartoon. Então, comprei uma bandeira, recortei não só as estrelas, mas o azul e a frase “ordem e progresso”. Arrombei a bandeira, fiz um furo no meio e pendurei na parede do ateliê.

Foi se aproximando o carnaval de 2018 e tive um insight: decidi fazer uma provocação, uma intervenção de arte pública, colocar um objeto de arte na cidade na sexta-feira pré-carnaval. E esse objeto é a bandeira, que fixei nos Arcos da Lapa, como uma intervenção urbana temporária, ilegal, não autorizada e carnavalesca. A bandeira sobreviveu apenas de sexta para sábado: na manhã seguinte, alguém passou, pulou, arrancou e levou. O primeiro trabalho dessa série é justamente o registro fotográfico da bandeira fixada nos Arcos da Lapa e chama-se The New Brazilian Flag.

O vazio na bandeira é um comentário sobre uma crise política/institucional, uma incerteza, um momento de violência e agressão. Mas esse vazio também pode ser território para lançar novos projetos, novos desejos e sonhos. É uma área a ser preenchida. Minha pergunta ao coletivo é: estamos aqui, vamos construir algo novo?

O múltiplo que criei para a exposição, um objeto de tecido com 45 bandeiras costuradas, é um cartoon, um trabalho de fácil comunicação e grande circulação. Tem a vocação de circular numa velocidade mais rápida que um objeto de arte, funciona na contemplação da sala branca do museu mas também no Instagram.

WALTERCIO CALDAS

Para a exposição, fiz objetos que remetem direta ou indiretamente às pinturas selecionadas da Coleção e, considerando a montagem, estabeleci uma relação bastante intimista entre eles.

Selecionei obras que se relacionam com questões que transferi diretamente para o meu projeto. Por conta de uma característica própria à minha prática, optei por estabelecer não apenas uma resposta às pinturas selecionadas, mas sobretudo um diálogo através dos objetos. Porque acredito que a diferença entre o que vemos numa pintura e o que vemos num objeto diz algo sobre a questão que eu trato aqui. É na especificidade física do objeto que reside a linguagem plástica.

Gosto muito do trabalho do De Chirico, por exemplo, um pintor metafísico que trata da natureza das coisas. Optei por retirar a moldura da tela dele, com a autorização do Lauro, para esclarecer o caráter de objeto que nela reside: tinta agregada com cola sobre tela esticada em madeira. Escolhi estabelecer um diálogo com esta obra através de um objeto que trata das mesmas questões abordadas por De Chirico. Foi essa a forma de relação que elegi para a exposição: falar com arte e não sobre arte. Quero usar a linguagem artística como prática e não como assunto. O artista pode falar da linguagem “por dentro”.

Posted by Patricia Canetti at 12:42 PM

Maria Martins na CRM, Rio de Janeiro

A poética libidinal de Maria Martins ocupará o térreo da Casa Roberto Marinho em mostra de gravuras e documentos doados à instituição por sobrinho-neto da escultora

Única brasileira a participar do movimento surrealista europeu, MM marcou presença na história da arte moderna

Uma das primeiras obras a capturar o olhar do visitante, na Casa Roberto Marinho, é a escultura em bronze O implacável (1944), da mineira Maria Martins (1894-1973), instaurada diante da fachada do casarão neocolonial, no Cosme Velho. A partir do dia 13 de março, o público terá a oportunidade de se aproximar da poética da primeira escultora a explorar o tema da sexualidade no Brasil. Ocupará o térreo do instituto uma mostra com dez gravuras e documentos doados à instituição pelo casal Heloísa e Carlos Luiz Martins Pereira e Souza, ele sobrinho-neto da artista.

A individual Maria Martins reunirá também as esculturas Glebe-ailes (1944) e Insônia infinita da terra (1954), que integram o acervo permanente da Casa, além de cartas e reproduções de livros e fotos. Em paralelo à mostra, o auditório do instituto exibirá Não esqueça que eu venho dos trópicos, documentário de Elisa Gomes sobre a vida e a obra de MM.

“Recentemente, ao organizar arquivos antigos, encontrei gravuras e documentos que pertenceram à minha tia, e julguei importante dar um destino público a esse conteúdo histórico. Entrei em contato espontaneamente com a Casa Roberto Marinho e manifestei meu interesse em doar, já que seu patrono foi um incansável incentivador da arte brasileira”, revela Carlos. “A Tia Maria sempre foi avant-garde, uma mulher à frente de seu tempo. E essa característica, expressa em sua obra de intensa força plástica, exercia um certo fascínio”, comenta o sobrinho-neto da artista.

“Esta mostra, além de celebrar o ato raro e louvável de doação do Carlos Luiz Martins, é um prenúncio da grande retrospectiva da obra dessa notável artista brasileira que faremos em 2022, em parceria com o MASP”, adianta Lauro Cavalcanti, diretor da Casa Roberto Marinho.

Maria de Lourdes Martins Pereira e Souza, nascida em 1894, em Campanha (MG), marcou presença na história da arte moderna. Escultora, desenhista, gravadora e escritora, teve seu trabalho reconhecido tardiamente no Brasil. Grande parte de sua carreira foi desenvolvida no exterior, enquanto acompanhava as atividades de seu segundo marido, o embaixador Carlos Martins, em diversas partes do mundo.

Iniciou-se na escultura em 1926, na França, quando começou a trabalhar com madeira. Mais tarde, já vivendo no Japão, aprendeu a modelar em terracota, mármore e cera perdida. Nos anos 1930, aperfeiçoou-se na Bélgica, com Oscar Jespers (1887 - 1970), passando a utilizar o bronze, que adotou como principal suporte de sua obra.

Em 1939, foi viver com o marido em Nova Iorque onde fixou ateliê, estudou com o escultor lituano Jacques Lipchitz (1891 - 1973) e realizou a primeira individual, em 1941. No mesmo período, conheceu André Breton (1896 - 1966), autor do Manifesto Surrealista, que a apresentou a artistas ligados ao surrealismo e ao dadaísmo, como Max Ernst (1891 - 1976) e Marcel Duchamp (1887 - 1968). Com este último Maria manteve um relacionamento amoroso e trocas artísticas. Ela posou de modelo para a última obra de Duchamp, Étant donnés, e para a capa do catálogo Prière de toucher. A escultora foi a única brasileira a participar do movimento surrealista europeu. Em 1948, mudou-se para Paris e seu ateliê tornou-se ponto de encontro de intelectuais e artistas.

Quando retornou definitivamente ao Brasil, em 1950, sua obra foi tratada com certa hostilidade pela crítica, que a considerava muito próxima do surrealismo e chegou a classificá-la como obscena. Em sua última individual, em 1956, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Maria publicou um texto defendendo a liberdade de expressão artística. Na mesma década, colaborou ativamente na organização das primeiras Bienais Internacionais de São Paulo e na fundação do MAM Rio.

Como escritora, assinou uma coluna no Correio da Manhã e publicou, entre outros livros, A Índia e o Mundo Novo, A Ásia Maior e o Planeta China.

Em 1968, em entrevista concedida à grande escritora Clarice Lispector (1920-1977), declarou: "Um dia me deu vontade de talhar madeira e saiu um objeto que eu amei. E depois desse dia me entreguei de corpo e alma à escultura. Primeiro, em terracota, depois mármore, depois cera perdida, que não tem limitações".

A radicalidade da obra pouco convencional de Maria Martins estará ao alcance dos visitantes de 13 de março a 13 de junho de 2021, na Casa Roberto Marinho, sempre de terça a sábado, das 12h às 18h. Em virtude da pandemia de Covid-19, a instituição funciona sob agendamento on-line através do site.

Posted by Patricia Canetti at 9:46 AM

abril 1, 2021

Marcos Chaves no MAM, Rio de Janeiro

Marcos Chaves: as imagens que nos contam - Primeira individual do artista carioca no MAM Rio reúne objetos, imagens e instalações criados desde a década de 1980, incluindo trabalhos inéditos

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) apresenta a exposição Marcos Chaves: as imagens que nos contam, que reúne cerca de 70 obras do artista carioca, das últimas quatro décadas. Ocupando grande parte das galerias do Bloco Expositivo, a mostra oferece um panorama da obra de Chaves e revela as diversas facetas de sua prática, desde a fotografia e o vídeo a grandes instalações e objetos modificados. Com abertura confirmada para o dia 20 de março, às 10h, a individual reúne criações provenientes de acervos privados e da coleção do artista. A curadoria é um projeto conjunto da equipe curatorial do museu, com Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente.

“É a minha primeira individual no MAM, um panorama amplo da minha trajetória, que exibe todo o conjunto de objetos criados desde a década de 1980. Apesar de incluir trabalhos antigos, é uma mostra bastante fresca, com obras de pouca circulação. A curadoria foi muito presente na seleção, privilegiamos objetos e instalações, além de fotografias que se relacionam com o entorno. A exposição me fez revisitar trabalhos antigos que me levaram a criar objetos novos: alguns têm relação com a pandemia, mas nada literal. Como a área expositiva é toda aberta, com vista livre para o Aterro e a Baía de Guanabara, a cidade entra na mostra, numa relação física e direta”, adianta Marcos.

A grande galeria do segundo andar do museu está estruturada por duas paredes lineares, de aproximadamente 30 metros cada, que atravessam o ambiente longitudinalmente, servindo de plataforma para objetos, esculturas, fotografias e vídeos. O espaço expositivo com vidraças descobertas permite conectar diretamente as obras de Chaves à cidade do Rio, tema recorrente em seu trabalho. A montagem - que resgata os painéis originalmente projetados para o MAM pelo designer alemão Karl Heinz Bergmiller - libera a visão do público e conduz os movimentos, agrupando trabalhos e criando narrativas não cronológicas.

A exposição inclui quatro grandes instalações, entre elas a Comfundo (1990), que ergue colunas construídas a partir de sacolas de supermercado. Exibido uma única vez no Rio, o trabalho revela a preocupação ecológica do artista, há mais de 30 anos. Outro destaque é a obra minimalista sem título criada nos anos 1990 especialmente para o MAM Rio: em metal, fibra de vidro e fio de nylon, a instalação dispõe postes organizadores de fila, como um circuito ou labirinto. A série Pontos de Fuga (2008), uma sobreposição de fotografias em 3D, e vários trabalhos em vídeo são parte da panorâmica. Outros trabalhos mais conhecidos do público, como o vídeo Eu só vendo a vista e a série Buracos, também integram a seleção.

As obras, sejam fotográficas, escultóricas, vídeos ou instalações, podem ser pensadas como imagens que capturam aspectos fundamentais das paisagens que o artista habita e dos lugares por onde circula. Seu olhar foca em aspectos frequentemente ignorados que, em suas obras, tornam-se profundamente reveladores. Elementos irrelevantes para outros olhares, erros ou desleixos nos quais Chaves repara e captura, dando a atenção devida às coisas que existem, permitindo que se mostrem em sua singularidade.
“Desde o final dos anos 1980, Marcos Chaves é responsável por uma produção artística que nos permite enxergar de perto objetos e situações que conformam o mundo que habitamos. Por meio de suas imagens, podemos nos aproximar da cidade do Rio de Janeiro, em suas paisagens exuberantes e cantos escondidos; mas também de lugares imaginados ou distantes. E através dos objetos do presente e do passado, apresentados muitas vezes em diálogos inesperados, nos iluminamos com histórias que falam, em última instância, sobre nós mesmos”, analisa Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.

A exposição fica em cartaz até 13 de junho de 2021, com visitação de quinta a domingo e feriados, e agendamento on-line através do site do MAM Rio.

Sobre Marcos Chaves

Marcos Chaves nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1961. Formado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Santa Úrsula (RJ), estudou arte no MAM Rio e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O artista se apropria de imagens e objetos cotidianos encontrados em suas constantes andanças pela cidade e com eles realiza combinações inesperadas, promove deslocamentos de sentidos ou injeta uma dose de paródia. O resultado surge em fotografias, vídeos, objetos ou instalações. Chaves expôs em museus e galerias no Brasil, na Europa, nos EUA e no Japão. Participou da Manifesta 7, na Itália; das bienais de São Paulo; Mercosul, em Porto Alegre; Cerveira, Portugal; e Havana, Cuba. Obras suas fazem parte de coleções de museus no Brasil, EUA, Itália e Espanha.

Sobre o MAM Rio

O MAM Rio é uma instituição cultural constituída como uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, apoiada por pessoas físicas e por empresas, que tem atualmente, como parceiro estratégico, o Instituto Cultural Vale e como patrocinador master o Grupo PetraGold, a Petrobras e a Ternium.

Desde janeiro de 2020, a nova gestão do MAM Rio, deu início a um processo de profunda transformação institucional envolvendo novas ideias, novos fluxos de trabalho e novas atitudes. As ações do processo de transformação buscam coerência com o projeto original do museu, pautado pelo tripé arte-educação-cultura. Um movimento de potencialização das ações já realizadas no museu, em consonância com seu histórico, e de acolhimento de todos que desfrutaram da efervescência dos diversos espaços do MAM Rio, incluindo públicos que nunca visitaram a instituição.

Posted by Patricia Canetti at 12:54 PM

Fayga Ostrower no MAM, Rio de Janeiro

Fayga Ostrower: formações do avesso - Mostra aborda o pensamento da artista sobre arte e sua prática em educação desenvolvida entre 1953 e 1969, no Bloco Escola do MAM Rio

Em celebração ao centenário de nascimento da artista, educadora e crítica de arte Fayga Ostrower (1920-2001), uma das pioneiras da gravura abstrata no Brasil, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) abrirá a mostra panorâmica Fayga Ostrower: formações do avesso, no dia 20 de março. Com cerca de 60 trabalhos - entre gravuras, aquarelas, desenhos, tecidos e joias - a exposição explora a pluralidade da produção da artista e aborda sua prática em educação, desenvolvida no período em que lecionou no Bloco Escola do museu carioca. A curadoria é um projeto conjunto da equipe curatorial do museu, com Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente, e a gerência de Educação e Participação, com Gilson Plano, Daniel Bruno e Shion Lucas.

Recentemente, o Instituto Fayga Ostrower doou ao MAM Rio cerca de 70 obras, entre gravuras, aquarelas e desenhos. A mostra parte destes trabalhos somados à peças selecionadas do acervo do museu e da Coleção Gilberto Chateaubriand, em comodato de longa duração. Joias e tecidos pertencentes ao acervo do Instituto também integram a individual e revelam um vocabulário artístico muito particular. O conjunto compõe um importante panorama da produção realizada em diferentes períodos da trajetória de Ostrower, e possibilita um estudo apurado sobre o abstracionismo informal na arte brasileira e o uso das cores na técnica da gravura.

De acordo com a curadora Beatriz Lemos, a exposição traz ao público a importância da atuação de Fayga como teórica e educadora: “É um convite ao mergulho na produção artística e intelectual dela. Entendemos que seu papel como educadora é tão fundamental para o MAM quanto sua trajetória artística. Celebramos seu centenário e a recente doação de obras com uma conversa entre curadoria e educação a partir da expansão de cores de seus trabalhos pelo espaço“.

O pensamento educacional de Fayga – que conduziu o curso de Composição e Análise Crítica no MAM Rio, entre 1953 e 1969 – ganha protagonismo na mostra. Trechos de seus textos, livros e arquivo documental são apresentados no espaço expositivo, criando um solo semântico. Dessa forma, a curadoria estabelece correlações entre a prática em educação e a criação artística na trajetória desta importante personagem para a história do MAM Rio, do Bloco Escola e da cena de arte brasileira.

Sem dúvida, é difícil ser professor de arte, pois nós, artistas, bem sabemos que arte nem se ensina; a única coisa que é possível fazer, dificílima, é ajudar os outros a formularem perguntas, suas próprias perguntas. Ao formularem as perguntas, estarão encaminhando-se para as possíveis respostas. (Fayga Ostrower, A arte como processo na educação, coord. Maria de Lourdes Mäder Pereira. FUNARTE, 1981)

“Em muitos momentos encontramos nos escritos da educadora passagens em que ela partilha generosamente suas pedagogias da criação, enfatizando como aprendemos e criamos por meio das relações com o mundo. É sempre bom relembrar o quanto o compromisso educacional é importante para o MAM. Fayga faz parte de uma geração que vivenciou o museu também como escola”, avalia Gilson Plano, coordenador de mediação do MAM Rio.

Ocorreu-me então: e se nas minhas aulas eu não partisse de conceitos? Se substituísse a definição verbal por uma experiência direta, por uma atuação do grupo? O caminho para se chegar aos vários resultados poderia servir para ilustrar os conceitos. Não haveria necessidade de se abstrair ou verbalizar o sentido do fazer. O fator mais importante e convincente seria mesmo a possibilidade de se vivenciar o fazer.
(Fayga Ostrower, Universos da arte. Editora Campus, 1983)

Em cartaz até 6 de junho deste ano, a mostra ocupa o terceiro piso do museu, que revela a arquitetura externa do edifício modernista de frente para a Baía de Guanabara.

Sobre Fayga Ostrower

Nascida em 1920 em Lodz, na Polônia, Fayga Ostrower emigrou para o Brasil em 1934. Estudou artes gráficas na FGV, foi bolsista da Fullbright em Nova York e lecionou na Slade School da Universidade de Londres, entre outras instituições. Recebeu numerosos prêmios, inclusive das Bienais de São Paulo e de Veneza. Em 1953, expôs pela primeira vez obras abstracionistas no MEC, Rio de Janeiro. Podemos localizá-la entre os pensadores mais importantes do abstracionismo informal brasileiro e uma crítica militante das vertentes construtivistas, então hegemônicas no país. As idéias estéticas expressas em sua obra foram difundidas também por meio dos livros que publicou e dos cursos de Composição e Análise Crítica por ela ministrados no MAM-RJ entre 1956 e 1967. A artista experimentou quase todas as mídias gráficas, incluindo a estamparia.

Sobre o MAM Rio

O MAM Rio é uma instituição cultural constituída como uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, apoiada por pessoas físicas e por empresas, que tem atualmente, como parceiro estratégico, o Instituto Cultural Vale e como patrocinador master o Grupo PetraGold, a Petrobras e a Ternium.

Desde janeiro de 2020, a nova gestão do MAM Rio, deu início a um processo de profunda transformação institucional envolvendo novas ideias, novos fluxos de trabalho e novas atitudes. As ações do processo de transformação buscam coerência com o projeto original do museu, pautado pelo tripé arte-educação-cultura. Um movimento de potencialização das ações já realizadas no museu, em consonância com seu histórico, e de acolhimento de todos que desfrutaram da efervescência dos diversos espaços do MAM Rio, incluindo públicos que nunca visitaram a instituição.

Posted by Patricia Canetti at 11:26 AM

Rafael Bqueer no Pivô Satélite #2, São Paulo

Pivô Satélite recebe aparelhagem de tecnobrega 3D: Proposta do artista Rafael Bqueer fica em destaque em abril na plataforma digital do Pivô

TecnoCabana é uma aparelhagem de tecnobrega 3D desenvolvida pelo artista paraense Rafael Bqueer para a plataforma digital Pivô Satélite. A proposta integra o projeto O Assombro dos Trópicos, curado por Victor Gorgulho e estreia no dia 5 de abril.

O trabalho inédito tem inspiração nas festas de aparelhagem de tecnobrega de Belém do Pará e seu título faz referências à Guerra dos Cabanos (1835-1840), ou Cabanagem, revolta social popular ocorrida na região durante o Brasil Imperial. Bqueer busca estabelecer conexões cyber-espaciais entre territórios e ritmos da Amazônia, através do resgate das memórias da revolta liderada pela população negra e indígena local. "Toda produção artística e cultural da periferia de Belém descende diretamente da resistência cabana", conta o artista. "TecnoCabana representa esse encontro ancestral, festivo e político pela vida e valorização das existências afro-indígenas da região".

Com uma estética "futurista" que remete a naves espaciais, transformers e megazords, as aparelhagens são estruturas formadas por equipamentos de som e luz características das festas de tecnobrega. O gênero musical surgiu em Belém nos anos 2000, fazendo uso de instrumentação eletrônica para fundir música pop internacional e ritmos regionais. O universo do tecnobrega, com sua mistura de regionalidade e tecnologia, especialmente a música da cantora Gaby Amarantos, é uma referência importante para Bqueer. As práticas performáticas do artista nasceram no contexto dessas manifestações culturais contra-hegemônicas da periferia de Belém, com a criação da drag queen Uhura Bqueer, em 2014.

Segundo o artista, TecnoCabana surge como projeto 3D na plataforma digital do Pivô para, no futuro, ganhar sua própria materialidade. O projeto inclui também uma música inédita, composta pelo artista, que servirá de trilha sonora para a sua aparelhagem fictícia. O objetivo de Bqueer é ativar o que chama de corpas-aparelhagens. Ele explica: "As corpas-aparelhagens são corpas que pertencem ao universo performativo das festas de aparelhagem, que tremem e vibram com a intensidade das caixas de som. Corpas de led, cobertas de luz e de afirmação de nossas complexas identidades amazônicas".

A Cabanagem foi uma revolta popular e social ocorrida durante o Império do Brasil de 1835 a 1840, na antiga Província do Grão-Pará, que abrangia os atuais estados do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia. Os revoltosos eram na maioria índios, negros e mestiços que viviam em situação precária em cabanas de barro à beira dos rios e eram usados como mão de obra semiescrava (fonte: Wikipedia).

Além de Rafael Bqueer, a artista Diambe da Silva, o coletivo Anarca Filmes e a dupla Davi Pontes & Wallace Ferreira também integram o projeto O Assombro dos Trópicos. Cada artista ocupa a plataforma com propostas individuais mensais. Criada no contexto da pandemia de Covid-19, a plataforma digital Pivô Satélite é uma sala de projetos dentro do site do Pivô, que busca contribuir para a criação de uma rede de apoio à comunidade artística local, a partir da concessão de bolsas pesquisa no valor de R$ 5.000,00 para cada artista participante. A ideia é promover a visibilidade destas produções e garantir que estes artistas continuem produzindo em um contexto tão adverso. Seu programa é concebido por artistas e curadores convidados pela instituição e compreende propostas artísticas em formatos variados, pensadas especialmente para os meios digitais.

Sobre o artista

Rafael Bqueer (Belém, 1992) vive e trabalha entre Rio de Janeiro e São Paulo. Graduou-se em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA). As práticas performáticas de Rafael Bqueer partem de investigações sobre perspectivas afro-indígenas na Amazônia, sexualidade, ficção e decolonialidade. Drag queen e ativista LGBTQI+, Bqueer tem um trabalho que dialoga também com vídeo e fotografia, utilizando de sátiras do universo pop para construir críticas às questões da contemporaneidade. Atua de forma transdisciplinar com vivências entre a moda, escolas de samba e arte contemporânea. Já participou de exposições nacionais e internacionais, destacando : “Against, Again: Art Under Attack in Brazil"- Shiva Gallery em Nova York (2020); 30ª edição do Programa de Exposições Centro Cultural São Paulo- CCSP (2020) e a individual “UóHol” no Museu de Arte do Rio (2020). Artista premiado na 8º Edição da Bolsa de fotografia da Revista ZUM - Instituto Moreira Salles (2020) e na 7º edição do Prêmio FOCO Art Rio(2019). Suas obras fazem parte das coleções do Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) e Museu do Estado do Pará (MEP).

Sobre o curador

Victor Gorgulho (Rio de Janeiro, 1991) é curador, jornalista e pesquisador. Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e mestrando em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Curou as exposições Vivemos na melhor cidade da América do Sul, junto com Bernardo José de Souza (Átomos, Rio de Janeiro, 2016 e Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, 2017); O terceiro mundo pede a bênção e vai dormir (Despina, Rio de Janeiro, 2017); Eu sempre sonhei com um incêndio no museu – Laura Lima & Luiz Roque no Teatro de Marionetes Carlos Werneck (Rio de Janeiro, 2018); Perdona que no te crea (Fortes D’Aloia & Gabriel, Rio de Janeiro, 2019).Foi co-curador, com Keyna Eleison, da exposição Escrito no Corpo, em exibição na Carpintaria, no Rio de Janeiro, até fevereiro de 2021. Desde 2019 é o curador do MIRA, programa de videoarte da ArtRio. Integra o corpo curatorial da Despina, centro de pesquisa e residência artística no Rio de Janeiro, sob a direção de Consuelo Bassanesi. No Cineclube do espaço, já promoveu a exibição de filmes e conversas com artistas como Cristiano Lenhardt, DISTRUKTUR e Karim Aïnouz. Como jornalista, foi editor assistente de cultura do Jornal do Brasil (2014-2017) e hoje colabora com veículos como o El País Brasil. Co-organizador, junto da crítica e curadora Luisa Duarte, do livro No tremor do mundo - Ensaios e entrevistas à luz da pandemia (Editora Cobogó, 2020).

Sobre o projeto curatorial

Corpo, linguagem, tropicalidade, ficção especulativa e autoficções são algumas das palavras-chave do projeto curatorial de Victor Gorgulho, uma curadoria-narrativa com o propósito de investigar as contradições em torno da construção histórica do que é lido como tropicalidade. O curador pondera: "Se os discursos históricos em torno da ideia de trópico (e do signo da tropicalidade) foram responsáveis por acachapar as complexidades da(s) cultura(s) daqui, como pensar hoje contranarrativas que ultrapassem tais noções hegemônicas?".

Posted by Patricia Canetti at 11:04 AM

Diambe da Silva no Pivô Satélite #2, São Paulo

Diambe da Silva apresenta trabalhos inéditos no Pivô Satélite: Proposta integra a segunda edição do projeto, com a exposição digital O Assombro dos Trópicos, com curadoria de Victor Gorgulho

Diambe da Silva é a segunda artista a ocupar a plataforma digital Pivô Satélite, em sua segunda edição, a partir de 26 de fevereiro. A artista carioca apresentará dois trabalhos em vídeo inéditos, Einstein Remix e Devolta, como parte do projeto O Assombro dos Trópicos, curado por Victor Gorgulho.

O poema visual Einstein Remix (2018), do artista mineiro Ricardo Aleixo, é o ponto de partida para o novo projeto homônimo de Diambe da Silva. O texto do poema é articulado no formato de um tabuleiro de xadrez e seu próprio título carrega a junção de dois elementos aparentemente incompatíveis, um cientista e um verbete da música contemporânea que implica na desconstrução e reorganização de músicas que já existem. Nas palavras da artista: "Pedi para diversas pessoas lerem o poema e cada uma delas vocalizou de sua forma, criando um tipo de coreografia". Tomando a coreografia e a construção coletiva como estratégias possíveis para transitar desembaraçadamente por ambientes distintos, Diambe vê na repetição de gestos intencionados possibilidades para novas experiências que admitem erros e acidentes, além de abrir possibilidades de interação de corpos no espaço. Einstein Remix se forma nas próprias casas dos participantes. A composição modular do poema é replicada em telas de vídeo chamada, trazendo um resultado cacofônico pela sobreposição das vozes das colaboradoras da artista, chamadas por ela de “comparsas”.

Devolta, por sua vez, pertence à série de “emboscadas”, em que a artista circula com fogo esculturas e monumentos no centro do Rio de Janeiro que enaltecem o passado colonial brasileiro. Realizada pela primeira vez em outubro de 2020 na Praça XV, a segunda versão da ação reúne seis comparsas para intervir sobre a estátua de D. João VI, instalada no local desde 1965. Ao redor do monumento, o grupo forma um círculo de roupas, que depois são embebidas com gasolina e incendiadas, sugerindo um tipo de ritual de guerra. "A herança escravocrata dessa cidade indica que eu poderia estender essa série infinitamente em diversas esculturas públicas", diz a artista.

Além de Diambe da Silva, Anarca Filmes, Rafael Bqueer e a dupla Davi Pontes & Wallace Ferreira integram o projeto O Assombro dos Trópicos. Cada artista ocupa a plataforma com propostas individuais mensais. Criada no contexto da pandemia de Covid-19, a plataforma digital Pivô Satélite é uma espécie de sala de projetos dentro do site do Pivô e contribui para a criação de uma rede de apoio à comunidade artística local. Seu programa é concebido por artistas e curadores convidados pela instituição e compreende propostas artísticas em formatos variados, pensadas especialmente para os meios digitais.

Sobre a artista

Diambe da Silva é nascida e criada na periferia do Rio de Janeiro. Sua produção artística se move entre cinema, escultura e coreografia e frequentemente lidando com materialidades como cimento, comida, gravura, fotografia e palavras que são elaboradas na medida em que cria comparsas em situação de diáspora. Esse corpo de práticas e objetos tem sido exposto em lugares como Museu de Arte do Rio (Casa Carioca), Paço Imperial (Esqueleto, uma história do Rio), Galpão Bela Maré (Transcendências), Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Arte Naïf; Estopim e Segredo), Carpintaria – Fortes D’Aloia e Gabriel (Escrito no corpo), Despina (Cartões de revisita) e 25º Salão de Artes de Anápolis. Também participou nas residências MAM/Capacete (2020), Despina (2019), Estado crítico (2018) e do programa itinerante Residência Cem Teto (2019-2020).

Sobre o curador

Victor Gorgulho (Rio de Janeiro, 1991) é curador, jornalista e pesquisador. Graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e mestrando em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Curou as exposições Vivemos na melhor cidade da América do Sul, junto com Bernardo José de Souza (Átomos, Rio de Janeiro, 2016 e Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, 2017); O terceiro mundo pede a bênção e vai dormir (Despina, Rio de Janeiro, 2017); Eu sempre sonhei com um incêndio no museu – Laura Lima & Luiz Roque no Teatro de Marionetes Carlos Werneck (Rio de Janeiro, 2018); Perdona que no te crea (Fortes D’Aloia & Gabriel, Rio de Janeiro, 2019).Foi co-curador, com Keyna Eleison, da exposição Escrito no Corpo, em exibição na Carpintaria, no Rio de Janeiro, até fevereiro de 2021. Desde 2019 é o curador do MIRA, programa de videoarte da ArtRio. Integra o corpo curatorial da Despina, centro de pesquisa e residência artística no Rio de Janeiro, sob a direção de Consuelo Bassanesi. No Cineclube do espaço, já promoveu a exibição de filmes e conversas com artistas como Cristiano Lenhardt, DISTRUKTUR e Karim Aïnouz. Como jornalista, foi editor assistente de cultura do Jornal do Brasil (2014-2017) e hoje colabora com veículos como o El País Brasil. Co-organizador, junto da crítica e curadora Luisa Duarte, do livro No tremor do mundo - Ensaios e entrevistas à luz da pandemia (Editora Cobogó, 2020).

Sobre o projeto curatorial

Corpo, linguagem, tropicalidade, ficção especulativa e autoficções são algumas das palavras-chave do projeto curatorial de Victor Gorgulho, uma curadoria-narrativa com o propósito de investigar as contradições em torno da construção histórica do que é lido como tropicalidade. O curador pondera: "Se os discursos históricos em torno da ideia de trópico (e do signo da tropicalidade) foram responsáveis por acachapar as complexidades da(s) cultura(s) daqui, como pensar hoje contranarrativas que ultrapassem tais noções hegemônicas?".

Posted by Patricia Canetti at 10:28 AM