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outubro 11, 2021

Lucas Arruda na Iberê Camargo, Porto Alegre

Lucas Arruda reúne em exposição, pela primeira vez em Porto Alegre, todas as pinturas da série Tudo te é falso e inútil, de Iberê Camargo

O artista Lucas Arruda, em colaboração com a curadora Lilian Tone, selecionou 49 obras do acervo da Fundação Iberê para a mostra Iberê Camargo: Tudo te é falso e inútil, que abrirá paralelamente à Lucas Arruda: Lugar sem lugar, no próximo sábado, 2 de outubro. A seleção, que gira em torno da série que dá nome à exposição, destaca obras dos últimos anos da carreira do pintor, incluindo 14 pinturas e 35 guaches e desenhos realizados entre os anos 1990 e 1994.

A série, finalizada um ano antes de Iberê falecer, é considerada um dos momentos mais memoráveis de sua obra e tem especial importância para outros artistas. As cinco pinturas que integram o conjunto, sendo uma delas proveniente de uma coleção particular, serão apresentadas juntas, pela primeira vez, na instituição que leva o nome do artista.

Entre 1992 e 1993 Iberê, já diagnosticado com câncer, realiza a série Tudo te é falso e inútil. Os elementos trabalhados até aquele momento, como os carretéis, as bicicletas e os manequins surgem, agora, como testemunhos de um tempo, imobilizados na memória e anunciando o fim.

Desde o primeiro encontro de Lucas Arruda com esta série de Iberê, há seis anos, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, ela se tornou uma forte referência para seu trabalho. O artista voltou repetidas vezes à exposição para ver as pinturas: “O que mais me impressionou, nessa série, foi o perfeito alinhamento entre a execução e o assunto do trabalho. O drama daquelas imagens não reside somente no conteúdo, mas em como Iberê as construiu, no modo como a tinta é posta e raspada, riscada, depositada e removida múltiplas vezes, resultando na fantasmagoria das figuras. A angústia do tema é expressa na própria carne da pintura. Parece existir uma ansiedade no fazer estreitamente conectada ao assunto, o que traz uma potência muito grande para o trabalho. Essa qualidade da pintura do Iberê foi uma das coisas que mais me chamou a atenção”, destaca.

Em Tudo te é falso e inútil, aponta Arruda, “Iberê tenta captar esse momento em que as coisas perdem sentido”. No entanto, a despeito da atmosfera distópica, “da evidente falta de otimismo manifesta nas pinturas”, acrescenta, “é notável a capacidade desse trabalho de gerar um consolo à inquietação existencial do ser humano”.

Texto de Lilian Tone sobre a obra de Lucas Arruda

Construídas a partir de camadas de tinta sobrepostas, escovadas, arranhadas, esfregadas, por vezes as pinturas de Lucas Arruda invocam o gênero paisagem usando tão somente a sugestão de uma linha de horizonte. É ela, afinal, que constitui o recurso fundamental da tradição pictórica, uma espécie de menor denominador comum paisagístico. Como espectadores, tendemos a atribuir sentido a qualquer marquinha num espaço aberto, a imediatamente interpretar uma linha horizontal como um horizonte, a enxergar nuvens nas mudanças de direção de pinceladas, ou a ver um chão de terra numa camada grossa de impasto. As pinturas realizadas por Arruda nos permitem ver, ao mesmo tempo, um pouco além da abstração e antes da figuração.

Pode-se dizer, grosso modo, que Lucas Arruda vem há uma década depurando de maneira quase ritualística um mesmo tema: a ideia de paisagem como construção do olhar. Os trabalhos da série Deserto-Modelo sugerem lugares desprovidos de referências geográficas, mas que se edificam na memória, evocando vistas da natureza, marinhas, e de matas. Muito embora nossa experiência diante dessas obras seja permeada por associações pessoais, narrativas indiretas e conotações artísticas históricas, elas nos falam, sobretudo, do fenômeno sensual e sensorial da pintura. Entre as pinturas recentes estão monocromos, elaborados a partir de sucessivas camadas de tinta, ao longo de vários meses, e que deixam ver o suporte do linho nas bordas.

A insistente frontalidade, a linha do horizonte e a paleta contida de Arruda permeiam os diversos trabalhos aqui reunidos, que abrangem quatorze anos da produção: desde pinturas iniciais até as realizadas neste ano, como também o vídeo e a instalação de luz presentes na mostra. São trabalhos silenciosos, caracterizados por uma luminosidade insólita e sutil que se revela aos poucos, recompensando uma observação prolongada. Entre o devaneio e a qualidade tátil da aplicação da tinta, fica evidente a habilidade extraordinária de Arruda como pintor. A incansável experimentação pictórica de suas pinturas é comovente, especialmente quando observadas ao vivo.

Posted by Patricia Canetti at 12:51 PM

outubro 9, 2021

André Komatsu e coletivo Ali:Leste abordam o conceito de democracia em performance inédita na Pinacoteca de São Paulo

Ativação acontece no sábado (9 de outubro) no Octógono do museu em meio à instalação Noite Longa

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, apresenta a performance inédita Corpo Manifesto, coordenada pelo artista André Komatsu em colaboração com o coletivo Ali:Leste. A programação acontece no dia 9 de outubro em dois horários: 11h e 15h, com sessões de 20 minutos, no octógono da Pina, em meio à instalação Noite Longa, do próprio Komatsu, que ocupa o espaço até novembro.

A ativação pretende transformar Octógono em um ponto de encontro para vozes plurais. Ocupando diferentes pontos da instalação, confrontando as paredes e com alguns megafones, os artistas do coletivo Ali:Leste recitarão, ao mesmo tempo, a interpretação do que significa democracia para cada um deles. O resultado será uma manifestação cacofônica.

Participam do coletivo Ali:Leste, as/os artistas Eliza Schiavinato, Lueji Abayomi, Lauresia (Laura Melo),Tom Guerra, Jamie Fraser, Jefferson de Sousa, William Ferreira (Sk8) e Euller Fernandes.

A entrada na Pinacoteca aos sábados é gratuita, mesmo assim, os visitantes precisam reservar o ingresso com antecedência pelo site www.pinacoteca.org.br.

Ali:Leste (arte livre itinerante) atua como coletivo nômade de arte que estabelece trânsitos entre centros e periferias e atua no distrito de Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo. O coletivo, do qual André Komatsu faz parte, surgiu em 2018 durante as eleições presidenciais.

Noite Longa

A instalação Noite Longa poderá ser vista até 08 de novembro de 2021. As relações de poder e os conflitos sociais permeiam os trabalhos de Komatsu. Nesta obra, o artista dialoga com as ideias de controle, possibilidade e restrição. A curadoria é de Ana Maria Maia.

Sobre a obra

O piso do Octógono foi revestido por placas de ferro, onde foram fixadas 52 lanças de aço de 4 metros de altura. Cada uma das lanças está posicionada a uma distância de 150 cm, criando uma organização com contornos de ordem e hostilidade, além de caracterizar um espaço controlado em que é impossível se movimentar livremente.

Nas extremidades das lanças, objetos como livros, sacos de terra, moedas empilhadas, papel moeda, folhas de ouro e garrafas de água estarão espetados. O público, que poderá circular entre essas estruturas de maneira ordenada, conseguirá vislumbrar os elementos em seu topo, longe do alcance das mãos. Os itens simbolizam bens que embora devessem ser garantidos enquanto direitos básicos, permanecem inacessíveis para grande parte da população, sobretudo em contextos de crise e agravamento das desigualdades sociais.

Posted by Patricia Canetti at 12:02 PM

outubro 7, 2021

Rochelle Costi na Oswald de Andrade, São Paulo

Rochelle Costi apresenta projeto inédito no espaço Oficinas Oswald de Andrade

Rochelle Costi apresenta A Terceira Margem, sua primeira exposição no espaço da Oficina Oswald de Andrade, em São Paulo. O projeto traz o resultado de um desdobramento de pesquisa da artista, realizada a partir de viagens pela região amazônica. Ao todo, são três grandes instalações compostas por fotografias impressas em tecido, que nos colocam diante de narrativas de histórias reais, que enaltecem principalmente a resistência dos povos das florestas e, por consequência, as problemáticas de negligência, desconhecimento e descomprometimento com as riquezas culturais e naturais daquela região.

A viagem de A Terceira Margem teve início de barco a partir da pequena cidade de Jordão (à Oeste do Acre), com destino a uma das terras indígenas Huni Kuin, onde encontram-se 36 aldeias, conhecidas pela organização e culto à ancestralidade através da flora, cantos míticos, desenho e, em aulas escolares ministradas tanto na língua nativa quanto em português. Nas fotos que compõe o projeto pode-se ver o registro de obras dos coletivos culturais Mahku e Kayatibu. Paradoxalmente, também no Acre, cruzando a ponte que separa Brasil e Bolívia, encontra-se a Vila Evo, pequeno povoado que tira seu sustento a partir de um comércio voltado quase que exclusivamente a venda de produtos chineses que ali chegam através do Peru e no Peru pelo Oceano Pacífico. A estética indígena se mistura à dos produtos industrializados sem qualquer compromisso ecológico e social, atraindo pelas cores fortes (como as da natureza) e por estampas de animais selvagens.

Cada uma das três instalações é formada por quatro imagens, dispostas de forma a criar espaços de experiências sensoriais e contextuais, não apenas pela poética de sua composição formal, mas ainda por posicionar o público diante da natureza e da realidade dos Huni Kuin, um povo indígena organizado, engajado e politizado, com um profundo domínio dos saberes de sobrevivência. As situações da atualidade no Brasil e as condições a que estão expostos deixam ainda mais evidente a força desse povo em defender a terra, além da debilidade das populações brasileiras em assimilar isso.

Projeto realizado através do Edital ProAC Expresso Lab 2020. Secretaria da Cultura e Economia Criativa - Governo de São Paulo / Lei Aldir Blanc - Governo Federal.

Biografia

1961, Caxias do Sul, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Rochelle Costi trabalha a memória, essa que normalmente levanta a poeira do nosso subconsciente, acionada por um dispositivo: a imagem. Sua pesquisa parte de seu próprio repertório imagético, para então ser formalizada através da técnica apurada da fotografia, vídeos e instalações. O colecionismo e a fotografia não apenas se complementam, como também se fundem, levando o espectador a um confronto íntimo com esse universo, que passa a ser comum a todos.

Formação em Comunicação Social pela PUC-RS e cursos pela Saint Martin School of Art e Camera Work, em Londres. Dentre as instituições em que apresentou mostras individuais estão: Museu de Arte Moderna - MAM, São Paulo (2010), Centro Cultural São Paulo – CCSP, Brasil (2009) Museu da Imagem e do Som, São Paulo, Brasil (2008) e Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2005). Entre as exposições coletivas mais significativas estão Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil (2020), III Beijing Photo Biennial, Beijing, China (2018), Museu de Arte de São Paulo - MASP, Brasil (2018), Bienal de la Paiz, Guatemala (2016), Somerset House, Londres, Inglaterra (2012), a 11th International Architecture Exhibition, Veneza, Itália (2008), 24a Bienal de São Paulo, Brasil (2010 e 1998), Bienal de Cuenca, Equador (2009), XXVI Bienal de Pontevedra, Espanha (2000), Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Espanha (2000), II Bienal do Mercosul, Porto Alegre (1999), 6ª e 7ª Bienal de Havana, Cuba (1997 e 1999), II Tokyo Photography Biennial, Japão (1997). Seus trabalhos fazem parte de acervos como Cisneros Fontanals Art Foundation (EUA), Instituto Inhotim (BRasil), MASP (Brasil), MAM-SP/RJ (Brasil), Pinacoteca do Estado de São Paulo (Brasil) e Museum Moderner Kunst Stiftung Ludwig (Austria), entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 5:47 PM

André Ricardo na Galeria Estação, São Paulo

Com abertura em 19 de outubro e curadoria de Tadeu Chiarelli, mostra leva ao público cerca de 40 obras concebidas pelo pintor após dois anos de isolamento que resultaram em intensos momentos de introspecção e produção

“Só posso falar de pintura, pintando”. Com essa frase, diminuta, porém plena de significância, o artista plástico André Ricardo expressa o que é, para ele, o exercício de seu ofício. Aos 36 anos de idade ele abre, em 19 de outubro, uma exposição individual na Galeria Estação, a primeira dele neste espaço cultural localizado em Pinheiros e que reúne cerca de 40 telas selecionadas sob o olhar curatorial de Tadeu Chiarelli. Alinhada ao discurso do artista, o nome escolhido para a mostra, “André Ricardo: Pinturas”, é uma síntese que remete diretamente a seu fazer pictórico e fala, por si, ao apresentar ao púbico as obras escolhidas.

Para Chiarelli, nas telas que integram a exposição é visível como o artista agrega às estruturas de início de carreira signos vindos de variadas origens. “É como se ele, após seus deslocamentos reais por São Paulo, desenvolvesse agora um transitar virtual, contínuo pela história das imagens. É inegável como pontua essas alusões com citações que, de imediato, remetem tanto para aqueles universos de artistas eruditos que escrutinam a visualidade popular, quanto para aqueles que dela brotaram”, afirma o professor sênior do Curso de Artes Visuais da USP, ex-curador-chefe do MAM de São Paulo e ex-diretor da Pinacoteca do Estado e do MAC-USP. Ainda de acordo com Chiarelli, a produção de André difere daquelas de muitos de seus colegas. Ele pondera: “Isso ocorre pelo fato de que, a cada pincelada, ele denuncia um conhecimento precioso a respeito de como atuar sobre o campo pictórico, desenvolvendo em suas obras um saber sofisticado e altamente erudito aprendido na observação atenta dos trabalhos daqueles e de outros artistas do cânone mais respeitado da pintura ocidental”.

Uma opinião, por sinal, que também é compartilhada pela galerista e colecionadora de arte Vilma Eid. “O que me intrigou e encantou no trabalho do André é a sua força de imprimir veracidade e demonstrar um grande afã pela vida, além de seu comprometimento com a arte. Quando olho para ele, vejo o artista e o pintor. E, sem dúvida, é um dos mais sérios que já conheci”, afirma. Sobre a entrada dele no rol de artistas representados pela Estação, ela diz: “A vinda do André decorre de um processo natural de conhecimento que evoluiu. Além disso, ele comunga dos nossos ideais. André está conosco desde o final de 2019. Passamos juntos a pandemia trabalhando e aguardando ansiosamente o momento de mostrar a sua mais recente produção”, diz.

Impactos estéticos e ressignificação

A história de André com a Estação, porém, antecede sua chegada à galeria. Iniciado no domínio de tintas e pincéis desde muito jovem, sempre expressou sua arte em telas e compartilhando seus conhecimentos por meio de aulas particulares e em instituições públicas e privadas. Entre as muitas visitas a galerias e museus da capital paulista, por várias vezes levou seus alunos à Estação. Entre tantas idas e vindas, uma em especial, em 2017, quando conheceu o trabalho do pintor mineiro Neves Torres, o impactou diretamente.

“Na Estação, acabei tendo contato com uma linguagem estética de um universo de artistas que até então pouco conhecia ou desconhecia, dentro e fora do meio acadêmico, mesmo tendo me formado em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Aqui, fiz uma imersão em uma história da arte repleta de surpresas e sagacidade. Um verdadeiro refresco de referências onde existia uma ponte entre a produção popular e a contemporânea. E é esse sentido da arte que me interessa. Nesse contexto, e particularmente após ver as telas de Neves Torrese de Alcides Pereira dos Santos, que também é outra referência marcante para mim entre os artistas que conheci aqui na galeria, parei para repensar meu trabalho diante de tudo que vi”, diz.

A identificação com essa gramática pictórica que conheceu, afirma o artista, também contribuiu para que ele acessasse suas referências de vida e memórias. “Revendo essa trajetória que culmina com minha primeira exposição como artista da galeria, avalio como coerente o estabelecimento dessa conexão com a coleção. Já havia uma certa intuição que me direcionava a rever minha produção artística a partir desse acervo de grandes nomes da arte contemporânea e popular brasileira aos quais fui apresentado”, avalia.

Nesse sentido, o de rever sua trajetória pessoal e artística, ele estabelece uma analogia recorrendo a um verso do poema “Às Vezes entre a Tormenta”, de Fernando Pessoa, que diz: Porque verdadeiramente sentir é tão complicado que só andando enganado é que se crê que se sente. “Para mim, para se entender é preciso errar. Nesse verso, Pessoa resume de forma profunda o sentido do exercício poético. E o ateliê é esse lugar onde temos a liberdade de errar, de andar enganado. Mas também é o local onde podemos exercer perseverança, paciência e, se tudo der certo, ser surpreendido por algo revelador”, afirma.

A revelação, neste caso, virá a público a partir de 19 de outubro, quando serão conhecidas as obras selecionadas por Chiarelli para a mostra. Trabalhos idealizados em 2020 e produzidos, quase na totalidade, durante quatro meses em 2021. “Ano passado foi um laboratório diante de tantas incertezas. Fiz muitos estudos, aquarelas e esboços que acabaram moldando o estofo necessário para que eu desenvolvesse os trabalhos neste ano. A pandemia, com o isolamento social que se impôs, significou um momento de intensa produção e introspecção que reflete diretamente em meu processo de amadurecimento técnico, poético e afirmativo. A convivência contínua e por tanto no tempo no ateliê criou um vácuo de tempo, abrindo um universo particular propício à criação ao ativar memórias e estimular o exercício poético que move o campo das ideias e das reflexões. Essas obras, ao meu ver, são extensões do meu próprio corpo que materializam a energia que flui nesse espaço de criação”, afirma.

Afeto e memória, como não poderia deixar de ser, estão impregnados na poética de suas telas e permeiam seu apuro profissional ao dominar, de forma quase alquímica, a milenar técnica da têmpera a ovo. Ao combinar distintos materiais, soluções e pigmentos, a criatividade de André se expressa em traços e formas que imprimem na tela uma rica e variada cartela cromática. “Na minha obra, a cor funciona muito como um indício de celebração, que também remete à abertura dessa exposição. A cor cria esse local de festa, que é tão presente tanto nas manifestações sociais quanto culturais. E a festa, vale lembrar, também é um lugar de resistência do saber popular”, finaliza.

SOBRE ANDRÉ RICARDO

Nasceu em 1985 na capital paulista, onde vive e trabalha, tendo passado boa parte de sua infância e adolescência nos bairros do Grajaú e Campo Limpo. Formado em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (2006-20120), realizou diversas exposições individuais e coletivas no Brasil, Portugal e Espanha. Em suas composições, a recorrência ao cotidiano opera como disparador de um processo poético que se desdobra como uma espécie de crônica visual, expondo um universo imagético constituído no deslocamento pela cidade, pela contaminação de um repertório de imagens que se funde com a paisagem ou, não raro, é oriundo de memórias da infância. Sua pintura é dotada de uma inteligência cromática e construtiva capaz de abarcar os mais diversos temas de modo esquemático, com tendência a forma icônica, características que marcam sua aproximação a certa visualidade popular. A intersecção entre figuras reconhecíveis e elementos abstratos instigam o observador a completar o sentido da obra, convidando-o a projetar seu próprio repertório, não importando tanto o tema inicial, mas a própria familiaridade das formas como guia de novos olhares.

SOBRE A GALERIA ESTAÇÃO

Com um acervo entre os pioneiros e mais importantes do país, a Galeria Estação, inaugurada no final de 2004 por Vilma Eid e Roberto Eid Philipp, consagrou-se por revelar e promover a produção de arte brasileira não-erudita. A sua atuação foi decisiva pela inclusão dessa linguagem no circuito artístico contemporâneo ao editar publicações e realizar exposições individuais e coletivas sob o olhar dos principais curadores e críticos do país. O elenco, que passou a ocupar espaço na mídia especializada, vem conquistando ainda a cena internacional ao participar, entre outras, das exposições “Histoire de Voir”, na Fondation Cartier pour l’Art Contemporain (França), em 2012, e da Bienal “Entre dois Mares – São Paulo | Valencia”, na Espanha, em 2007. Emblemática desse desempenho internacional foi a mostra individual do “Veio – Cícero Alves dos Santos”, em Veneza, paralelamente à Bienal de Artes, em 2013. No Brasil, além de individuais e de integrar coletivas prestigiadas, os artistas da galeria têm suas obras em acervos de importantes colecionadores brasileiros e de instituições de grande prestígio e reconhecimento pelo acervo que reúnem, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo, o Museu Afro Brasil (São Paulo), o Pavilhão das Culturas Brasileiras (São Paulo), o Instituto Itaú Cultural (São Paulo), o SESC São Paulo, o MAM- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o MAR , na capital fluminense.

Posted by Patricia Canetti at 4:56 PM

Thiago Martins de Melo na Millan, São Paulo

A Galeria Millan tem o prazer de apresentar Ouroboros sucuri, primeira exposição de Thiago Martins de Melo (São Luís, MA, 1981) na galeria. A mostra, com curadoria do islandês Gunnar B. Kvaran, reúne 19 trabalhos inéditos, incluindo pinturas e esculturas, e traz um olhar curatorial retrospectivo sobre a produção do artista, bem como suas distintas narrativas ao longo do tempo.

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A trajetória de Thiago Martins de Melo revela em si um projeto de múltiplos experimentos sobre o ato de narrar e suas possibilidades na ampliação da técnica pictórica. Tais características marcam o corpo de trabalhos apresentados na exposição ao integrar animações em stop-motion e peças escultóricas ao suporte tradicional. Na prática do artista, é o desenvolvimento do enredo de cada trabalho que distende e movimenta a técnica, elaborando, através de diferentes referências e signos, seu processo intuitivo.

A organização curatorial de Ouroboros sucuri é dividida em duas partes, sendo a primeira centrada na simbologia da serpente. Sua aparição em narrativas culturais e religiosas ao longo da história é evocada de diferentes maneiras nos trabalhos de Martins de Melo, a exemplo da obra que empresta seu título à exposição.

A imagem de representação do Ouroboros consiste numa serpente que morde a própria cauda, em formato circular. Este conceito milenar, tendo sido observado pela primeira vez no Egito antigo, alude à ideia de eterno retorno, da evolução e da reconstrução. No trabalho de Martins de Melo, tal signo é revisitado tanto como uma moldura quanto como protagonista das cenas - aqui a serpente é tanto narrada quanto enunciadora e antecessora da trama.

Já a segunda parte da mostra apresenta uma “constelação de novas obras” que, segundo Kvaran, refletem temáticas e soluções formais mais recentes na produção de Martins de Melo. Nesta seção, as poéticas perpassam o ocultismo, o espiritismo, elementos de culturas indígenas e afro-brasileiras, temas da política atual, entre outros temas, através de um viés pós-colonial.

Para o curador, esses trabalhos “formam uma construção complexa, em que o espectador passa por diferentes zonas da ficção baseada na realidade. É essa fusão de signos e símbolos, religiosos e espirituais, e referências sociais e políticas da memória coletiva que carregam essas obras com a sua energia singular e que as inserem na grande tradição da pintura histórica.”

Embebidas de significado, essas imagens povoadas de histórias se justapõem e inauguram camadas de representações simultâneas, como no trabalho Ascensão - Queda - Aliança – Redenção (2021), cujo título já antecipa uma sequência narrativa a desenrolar-se. Tais imagens desvelam, ainda, referências singulares, muito caras ao repertório construtivo do artista. Trabalhos como Ogum Corisco no útero da terra – para Glauber Rocha e Naná Vasconcelos (2020) e Ogum Xoroquê expulsa os demônios de Caspar Plautius - para Tuíra Kayapó, Sebastião Salgado e Marighella (2019) convidam o espectador a identificar e interpretar esses referenciais, bem como seus agenciamentos nas tramas apresentadas.

A exposição é acompanhada ainda de uma publicação que traz imagens de obras e o texto curatorial — uma extensa e rica conversa entre curador e artista, fruto de uma troca e parceria que a dupla vêm construindo ao longo de anos.


Galeria Millan is pleased to present Ouroboros sucuri, the first solo show by Thiago Martins de Melo (São Luís, MA, 1981) at the gallery. The show, curated by Icelander Gunnar B. Kvaran, gathers 19 unseen paintings and sculptures, delivering a retrospective insight on the artist’s creation, as well as his different expressions throughout time.

Thiago Martins de Melo’s trajectory reveals a project of multiple experiments on the act of storytelling and its possibilities, as it broadens pictorial techniques. These traces of the work can be seen in the exhibit combining stop-motion animation and sculpture pieces to the traditional support. The development of a plot in every piece expands and moves the technique, developing the artist’s intuitive process through references and signs.

The curatorial strategy of Ouroboros sucuri is divided in two parts, where the first centers the serpent’s symbology. Its appearances in cultural and religious narratives throughout history is evoked in different ways in Martins de Melo’s work, such as the work that entitles the exhibition.

The image representing the Ouroboros is a serpent that bites its own tale, composing a rounded shape. This remote concept was observed for the first time in Ancient Egypt and implies ideas such as the eternal return, evolution, and reconstruction. In Martins de Melo’s work the sign is revisited as a frame and a protagonist of the scenes - the serpent is as much the narrator as it is narrated, and it’s also a predecessor of the plot.


The second part of the exhibition presents a “constellation of new works”, that according to Kvaran, reflect recent themes and formal solutions in Martins de Melo’s production. In this section, the poetic composition navigates through occultism and spiritualism, Indigenous and Afro-Brazilians cultural elements, as well as current politics subjects and others, all based on Postcolonial theories.

To the curator, these works “form a complex construction, where the spectator goes through different zones of fiction based on reality. It’s this fusion between religious and spiritual signs and symbols, with social and political references of collective memory that construct this works with singular energy and insert them in the main painting tradition”.

Saturated with meaning, the stories in the images are juxtaposed, producing layers of simultaneous representations, as in Ascensão – Queda – Aliança – Redenção (2021), work in which the title anticipates a narrative sequence that unfolds itself. These images unravel singular references, familiar to the artist’s constructive repertory. Works as Ogum Corisco no útero da terra – para Glauber Rocha e Naná Vasconcelos (2020) and Ogum Xoroquê expulsa os demônios de Caspar Plautius – para Tuíra Kayapó, Sebastião Salgado e Marighella (2019) invite the observer to identify and interpret the references and their assemblages in the plot displayed.

The exhibition includes a publication with some of the work’s images and the curatorial statement – a substantial and significant conversation between the curator and the artist, product of a long partnership built over the years.

Posted by Patricia Canetti at 2:20 PM

Lina Kim na Casanova, São Paulo

A Casanova tem o prazer de apresentar “Sem perfume”, a segunda exposição individual da artista Brasileira-Coreana Lina Kim na galeria. Composta por uma série de desenhos, pinturas e fotografias inéditas, Lina dá continuidade a sua pesquisa pictórica e textual ampliando a natureza dinâmica e recíproca entre a escrita e a imagem.

"O apelo de situações aparentemente sem apelo é um mote de trabalho para Lina Kim. Seu olhar parece encontrar interesse não em lugares nem objetos específicos, mas na brecha sutil, que a seu modo revela detalhes. Essas brechas têm uma visualidade delicada, exigem o tempo alargado, arrastado, demorado, esgarçado de uma escuta atenta, como essa enumeração disfuncional de verbos", como explica a curadora Daniela Labra, durante a última Frestas Trienal do Sesc em 2017, onde Kim apresentou o trabalho "swanswanswan series", que surgiu da observação da anatomia dos corpos de cisnes que vivem nos canais de Berlim, na Alemanha.

Para esta mostra a artista usa o espaço da galeria de maneira instalativa ao apresentar quatro séries inéditas de trabalhos bidimensionais. Usando elementos tradicionais do desenho, como sumi-e, nanquim, pastel seco e lápis, a artista propõe universos diferentes que se comunicam, baseados na construção da imagem.

Um exemplo imediato de deslocamento fica evidente no grupo de obras "OpOp" que se assemelham à forma de campos retangulares monocromáticos emoldurados com uma fonte sincopada. O deslocamento se percebe na medida em que os aspectos textuais assumem um papel pictórico ao invés de apresentar o determinismo fonético de uma linguagem escrita, daí que a perlocução reside no fato de que enquanto a letra pode ler "Space Stations" ou "Remembering Mountains", ou muitas outras referências dispersas selecionadas, o espectador é levado a um estado de compreensão por meios puramente visuais. Os vários tamanhos das letras e a assimetria de apresentação são circunlocuções ao redor da periferia do campo colorido, e isto evoca uma sensação difusa, fora de qualquer apreensão narrativa imediata. Como resultado, este grupo único de desenhos se apresenta como imagens de punctum, estímulos que levam a um poder de descoberta sutil, porém persuasivo, em vez de um determinismo didático, como destaca o crítico Britânico Mark Gisbourne que também assina o texto da exposição.

Lina Kim não se considera uma artista conceitual com um sistema pré-determinado. Os desenhos são evocações abertas, perlocuções pessoais, ou seja, seus desenhos não direcionam o espectador para uma leitura fixa e significado(s) pré-determinado(s). Ao invés disso, ela prefere em sua prática de desenho abrir a potencialidade de múltiplas respostas sobre as diferenças. Para fazer isto ao longo destes desenhos, a artista introduziu ideias do intra-sensorial, aquilo que é retido "dentro" dos sentidos, diferente de um inter-sensorial entre os sentidos. Ao mesmo tempo, sua conceituação não é abstrata, pois existem relações análogas intencionais com o mundo natural, testemunhadas em outra de suas mídias especializadas, como a fotografia.

De fato, na série de fotografias "Deep is the forest", de ambientes naturais, florestas e vegetação rasteira, com sua poiesis do visual e do aural, podemos ficar tentados a pensá-las como o reservatório oculto de suas ideias expressas através de seus desenhos. Em geral, este não é o caso da fotografia, na maioria das vezes é um meio de incisão e extração, enquanto que o desenho é possessivo da intimidade do momento. Como resultado, a atual instalação de seus desenhos é uma visão desse mundo pessoal privado.

Lina Kim (São Paulo, vive em Berlin)
Estudou arte na Fundação Armando Álvares Penteado em São Paulo e na Arts Students League em Nova York. Participou das Bienais de São Paulo, Gwangju e Havana com instalações e em mostras como Focus Istambul com Urban Realities, Martin Gropius Bau (Berlin 2005), Lugar Nenhum, Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro 2013), Fototrier Stadtmuseum Simeonestift (Trier 2010), At Home na Columns Gallery (Seoul, 2014). Trabalha com site specifics, desenho, fotografia e vídeo.

Posted by Patricia Canetti at 11:45 AM

outubro 4, 2021

Mariannita Luzzati na Cassia Bomeny, Rio de Janeiro

A Cassia Bomeny Galeria inaugura a exposição “Full Moon”, de Mariannita Luzzati. A curadoria é de Paula Terra-Neale e reúne cerca de nove pinturas inéditas em óleo sobre tela. Em seu processo, a artista sempre inicia o trabalho a partir de uma fotografia. O desenho surge com a desconstrução desta imagem, quer seja tirada por ela ou tomada por empréstimo de outras fontes. Em grandes e pequenas dimensões, os trabalhos apresentam atraentes acordes de azul e intrigantes nuances de luzes e sombras.

“As obras de Mariannita nos impactam fortemente com um aspecto imaterial. Ao olharmos para essas pinturas temos várias opções, tais como, refletir sobre nossa condição humana em relação predatória com a natureza, ou sobre a condição filosófica, histórica ou institucional da pintura. Ela trabalha na definição conceitual do que é ou possa ser paisagem, sua ontologia. Ela está convidando a um verdadeiro encontro meditativo com a obra para vivenciar o silêncio essencial da pintura.”, explica a curadora.

A exposição acontece em paralelo à ArtRio – Feira de Arte do Rio, que acontece de 8 a 12 de setembro na Marina da Glória. No espaço físico da galeria, “Full Moon” poderá ser visitada por hora marcada. A Cassia Bomeny Galeria fica na Rua Garcia D’Ávila, 196 – Ipanema. Agendamento pelos telefones: (21) 3085-3000 ou (21) 97390-5995.

Sobre a artista

É pintora, gravadora, desenhista. De 1982 a 1983, frequentou o Instituto per L’Arte e il Restauro, em Florença, Itália. Depois estudou com Carlos Fajardo, Carmela Gross e Evandro Carlos Jardim. Começa a expor no fim da década de 1980, participando de importantes salões em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. Expõe em Paris, na Galeria Debret, e em Berlim, na Intergrafik 90, em 1989. Em 1991 recebe o primeiro prêmio do Salão Nacional de Artes Plásticas e em 1994 passa a residir em Londres alternando temporadas em São Paulo.

Neste período seu trabalho adquire repercussão, integrando as principais exposições e coleções de arte do Brasil e do exterior, dentre as quais: a Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu Nacional do Rio de Janeiro, House der Kulturen der Welt em Berlim, Museum of London, British Museum e a 22a Bienal Internacional de São Paulo, entre outras.

Recebeu o Prêmio de Aquisição na XI Mostra de gravura da Cidade de Curitiba; o Primeiro Prêmio do Salão de Arte de Ribeirão Preto; Prêmio no Salão Nacional de Artes Plásticas; Prêmio Aquisição na Mostra de gravura do Machida City Museum de Tóquio (Japão). Em 2007, recebeu uma bolsa para o Ateliê de Gravura da Fundação Iberê Camargo. Em 2015 recebeu o Sarajevo Winter Festival Prize pelo projeto Cinemusica. E em 2016 foi indicada ao Prêmio Pipa.

Além de coleções privadas, suas obras fazem parte do acervo: do Museu de Arte Contemporânea Dragão Mar (Fortaleza); Fundação Itaú Cultural, Fundação Padre Anchieta e Pinacoteca do Estado (São Paulo); Usiminas, (Belo Horizonte); Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro); Museu de Arte de Brasília; e Fundação Cultural de Curitiba.

Na Inglaterra, seus trabalhos estão: no British Museum, University of Essex, Accenture Coudert Brothers, Halifax plc, Herbert Smith, Credit Suisse First Boston, Rexam plc, Teodore Goddard e Embaixada da Itália em Londres. E ainda: Machida City Museum of Graphic Arts (Tóquio), Pearson plc (Nova Iorque), Embaixada do Brasil em Madrid, Musei Civici e MIDA (Italia).

Posted by Patricia Canetti at 6:49 PM

Panmela Castro na Luisa Strina, São Paulo

A Galeria Luisa Strina tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual da artista e ativista Panmela Castro, reunindo obras produzidas no último ano e que vão da performance à pintura, passando por suportes tradicionais e mídias pouco ortodoxas.

Autora de uma obra confessional e autobiográfica, Panmela começo u sua trajetória nas quebradas do subúrbio carioca. Nos últimos anos, seu trabalho alcaçou repercussão internacional não apenas no sistema da arte, como também meio a setores que lutam pelos direitos humanos de grupos historicamente marginalizados e periféricos - o que diz respeito a sua própria biografia.

Há dez anos fundou a rede Nami, um projeto de conscientização crítica pela arte e contra violência de gênero. Suas atividades multidisciplinares já a levaram para congressos internacionais, instituições de arte contemporânea e eventos de cultura urbana diversos pelo mundo. Um exemplo disso é o documentário “We Are One” (2020), do diretor Stéphane de Freitas, produção francesa do Netflix.

Ostentar é estar viva traz a experimentação estética de Panmela Castro e o impulso social de suas ações. A exposição se apresenta como uma grande narrativa de encontros, rituais e processos de transformação. Uma constelação que fala de relações de confiança e correntes de cuidado.

Além de muitas pinturas, entre retratos e telas abstratas, há objetos em bronze, espelho, madeira, neon, jóias, bibelôs, pixo, stories de redes sociais, print-screens, video... Uma profusão de suportes e visualidades que retratam vivências da artista com pessoas de diferentes círculos, durante o processo que originou a mostra. Portanto, esta individual não diz só sobre a autora. O discurso de soberania sobre si própria se materializa em obras de arte protagonizadas por imagens dessas outras pessoas, habitantes da exposição.

Com curadoria de Daniela Labra, Ostentar é estar viva é uma mostra auto-referente e midiática, inspirada em visualidades Gangstar, espiritualistas, queer, digital, acadêmica, da pixação e outras. Seus trabalhos e ambientes incorporam a multiplicidade complexa da cultura contemporânea, juntando à estética do agora relatos e existências que se afirmam no mundo de modo político, original e apaixonado.

Panmela Castro
Nasceu em 1981, Rio de Janeiro, Brasil.
Vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Originalmente pichadora do subúrbio do Rio, Panmela Castro interessou-se pelo diálogo que seu corpo feminino marginalizado estabelecia com a urbe, dedicando-se a construir obras a partir de experiências pessoais, em busca de uma afetividade recíproca com o outro de experiência similar. O cerne das inquietações da artista é descrito por ela como “alteridade e pertencimento: o trabalho é sempre sobre o amor, sobre a relação com o outro, é sobre a minha existência vivenciada a partir da existência do outro”. Sua obra já foi exposta em museus ao redor do mundo, como o Stedelijk Museum em Amsterdã, e faz parte de importantes coleções. Recentemente, seu trabalho passou a integrar o acervo do Institute of Contemporary Art (ICA- Miami) e a Jorge M. Pérez Collection. Sobrevivente de violência doméstica, Panmela desenvolve há quase 20 anos, projetos de arte e educação para conscientizar sobre os direitos das mulheres, especialmente por meio da Rede NAMI - associação criada por ela.

A artista foi indicada ao Prêmio Select Arte Educação, e ao Prêmio Pipa em 2020. Figurou na lista ‘The Next Generation of Activists Making a Difference’, W Magazine, em 2016; foi nomeada ‘Young Global Leader’, no World Economic Forum, Davos, Suíça, em 2013; recebeu o DVF Award, The Diller - Von Furstenberg Family Foundation, Nova Iorque, EUA; e fez parte da lista ‘150 Women That Are Shaking The World’, Newsweek Magazine, em 2012.

Exposições recentes incluem: O Canto do Bode, Comporta, Escrito no Corpo, Tanya Bonakdar, Enciclopédia Negra, na Pinacoteca do Estado de São Paulo; ‘Rua’, Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, ‘Ocupação Lavra’, Centro de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, em 2020; ‘Aparelho’, Maus Hábitos, Porto,’Exposição Grau 360’, Museu da República, Rio de Janeiro, ‘Palavras Somam’, Museu de Arte Brasileira da FAAP, São Paulo, em 2019; Street Type”, Caixa Cultural DF, Brasília, em 2018; Frestas Trienal de Artes”, Sesc Sorocaba, Sorocaba, ‘Urban Nation Museum Permanent Collection’, Urban Nation Museum, Berlin, em 2017, entre outras.

Entre as coleções que possuem seu trabalho estão: Museu de Arte do Rio (MAR), Museu da República, Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ), Espaço Furnas Cultural, Furnas Centrais Elétricas, no Rio de Janeiro; Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAB FAAP, Museu de Arte Brasileira Armando Álvares Penteado, em São Paulo; The United Nations Art Collection, ONU Mulheres, Museu da Câmara dos Deputados, em Brasília; Institute of Contemporary Art MIAMI (ICA), EUA; Stedelijk Museum, Amsterdan, Holanda; IDB Art Collection - Inter-American Development Bank (IDB) - Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Urban Nation Museum, Berlim, Alemanha.


Galeria Luisa Strina is pleased to present the first solo exhibition by artist and activist Panmela Castro, bringing together works produced last year ranging from performance to painting, passing through traditional supports, and unorthodox media.

Author of a confessional and autobiographical work, Panmela began her journey in the suburbs of Rio de Janeiro. In recent years, her work has achieved international repercussions not only in the art system but also among sectors that fight for human rights of historically marginalized and peripheral groups – as her own biography tells us.

Ten years ago she founded the Rede Nami, a project that through art raises critical awareness against gender violence. Her multidisciplinary activities have taken her to international congresses, contemporary art institutions and urban culture events around the world. An example of this is the documentary “We Are One” (2020), by director Stéphane de Freitas, a French production by Netflix.

To Flaunt is to be alive brings the aesthetic experimentation of Panmela Castro and the social impulse of her actions. The exhibition presents itself as a grand narrative of encounters, rituals, and transformation processes. A constellation that speaks of relationships of trust and care chains.

In addition to many paintings, including portraits and abstract canvases, there are objects in bronze, mirrors, wood, neon, jewelry, ornaments, pixo, stories from social networks, print-screens, video... A profusion of supports and visualities that incorporates the artist’s experiences with people from different circles, during the events that converged to the present exhibition. Therefore, this solo show not only speaks about its author. The discourse of sovereignty over herself is materialized in works of art featuring images of those other individuals, inhabitants of the exhibition.

Curated by Daniela Labra, To Flaunt is to be alive is a self-referential and mediatic exhibition, inspired by Gangstar, spiritualist, queer, digital, academic, grafitti, and other visual languages. Its works and environments embody the complex multiplicity of contemporary culture, joining the aesthetics of the “Now” with accounts and existences that assert themselves in the world in a political, original, and passionate way.

Panmela Castro
Born in 1981, Rio de Janeiro, Brazil.
Lives and works between Rio de Janeiro and São Paulo.

Originally a graffiti artist from the suburbs of Rio, Panmela Castro was interested in the dialogue that her marginalized female body established with the city, dedicating herself to building works based on personal experiences, in search of a reciprocal affection with others with a similar experience. The core of the artist’s concerns is described by her as “alterity and belonging: the work is always about love, about the relationship with the other, it is about my existence experienced through the existence of the other”. Her work has been exhibited in museums around the world, such as the Stedelijk Museum in Amsterdam, and is part of important collections. Recently, her work became part of the Institute of Contemporary Art (ICA-Miami) and the Jorge M. Pérez Collection. A survivor of domestic violence, Panmela has been developing art and education projects for nearly 20 years to raise awareness about women’s rights, especially through Rede NAMI - an association created by her.

The artist was nominated for the Select Arte Educação Award, and for the Pipa Award in 2020. She appeared on the list ‘The Next Generation of Activists Making a Difference’, W Magazine, in 2016; she was named ‘Young Global Leader’ at the World Economic Forum, Davos, Switzerland, in 2013; received the DVF Award, The Diller - Von Furstenberg Family Foundation, New York, USA; and made the ‘150 Women That Are Shaking The World’ list, Newsweek Magazine, in 2012.

Recent exhibitions include: O Canto do Bode, Comporta, Escrito no Corpo, Tanya Bonakdar, Enciclopédia Negra, at the São Paulo State Pinacoteca; ‘Rua’, Rio de Janeiro Art Museum (MAR), Rio de Janeiro, ‘Ocupação Lavra’, Hélio Oiticica Arts Center, Rio de Janeiro, in 2020; ‘Aparelho’, Maus Hábitos, Porto, ‘360 Degree Exhibition’, Museum of the Republic, Rio de Janeiro, ‘Palavras Somam’, FAAP Brazilian Art Museum, São Paulo, in 2019; Street Type”, Caixa Cultural DF, Brasília, in 2018; Frestas Trienal de Artes”, Sesc Sorocaba, Sorocaba, ‘Urban Nation Museum Permanent Collection’, Urban Nation Museum, Berlin, in 2017, among others.

Among the collections that have his work are: Museum of Art of Rio (MAR), Museum of the Republic, Anita Mantuano Foundation of Arts of the State of Rio de Janeiro (FUNARJ), Espaço Furnas Cultural, Furnas Centrais Elétricas, in Rio de Janeiro; São Paulo State Art Gallery, MAB FAAP, Armando Álvares Penteado Brazilian Art Museum, in São Paulo; The United Nations Art Collection, UN Women, Chamber of Deputies Museum, in Brasília; Institute of Contemporary Art MIAMI (ICA), USA; Stedelijk Museum, Amsterdam, Netherlands; IDB Art Collection - Inter-American Development Bank (IDB) - Inter-American Development Bank (IDB); Urban Nation Museum, Berlin, Germany.

Posted by Patricia Canetti at 1:00 PM

Marina Saleme no CCBB, Rio de Janeiro

Exposição terá uma grande instalação da artista paulistana, composta por cerca de 1500 desenhos, que formam uma imagem monumental

No dia 6 de outubro, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro inaugura a exposição “Apartamento s”, da artista paulistana Marina Saleme, composta por uma grande instalação, com cerca de 1500 obras, dentre desenhos e pequenas pinturas, recentes e inéditas, produzidas nos últimos três anos, que tratam de temas como a espera, a solidão e a separação. Os desenhos estarão dispostos em uma grande parede, de 5,70m X14m, na Sala B, no segundo andar do CCBB RJ, ocupando do chão ao teto do espaço, formando uma imagem monumental e fragmentada.

Conhecida pelas pinturas em grandes dimensões, a artista criou, para esta exposição, uma instalação com obras em pequenos formatos, com tamanhos máximos de 25cm X 35cm, que reproduzem uma mesma figura: uma mulher sentada, com as mãos nos ombros, a cabeça abaixada, as pernas e os pés tensos. Apesar de reproduzirem a mesma imagem, nenhum é igual ao outro. “Dependendo do ângulo, essa figura parece estar desesperada, cansada ou pensativa”, conta a artista.

O nome da exposição, “Apartamento s”, tem dois sentidos, o de moradia e o de estar apartado. O S, separado, traz a ideia de um indivíduo no meio da coletividade. “Uma cidade é uma multidão de pessoas, mas também uma multidão de pessoas solitárias, como a mulher do desenho. É um mundo apartado no sentido íntimo e plural”, diz Marina Saleme, que sugere que o grande desenho formado pelas pequenas obras se assemelha a um mapa de uma cidade ou a planta baixa de um imóvel. “Entre os blocos de desenhos, abre-se um espaço, que poderia ser as ruas ou o espaço entre os ambientes de um imóvel”, completa.

Os desenhos começaram a ser produzidos cerca de um ano antes da pandemia. Ao folhear uma revista de arte, a fotografia de uma mulher sentada chamou a sua atenção. “Não era uma imagem muito grande, mas ela me impactou e voltei a página, o que quase não acontece num mundo com tantas informações”, conta Marina Saleme, que começou a desenhar a figura incessantemente. “Quando comecei a desenhar, pensava no social, no isolado, no sozinho. Mas, ao colocar um desenho ao lado do outro, a obra fez todo o sentido. Logo em seguida, veio a pandemia e o trabalhou ganhou ainda mais sentido”, afirma a artista.

“Embora a série se inicie antes da pandemia, não resta dúvida de que seu significado ganha conotações de um drama ainda mais intenso, se ligarmos a figura ali feita e refeita centenas e vezes à situação em que vivemos. Porém, seria importante que não nos esquecêssemos de um fato: como obra de arte que é, Apartamento s, ao mesmo tempo em que se impõe como registro de sua conjuntura, do espírito do seu tempo é, igualmente, a transcendência de si mesma e de sua circunstância histórica”, afirma o historiador da arte e curador Tadeu Chiarelli, que assina o texto crítico que acompanha a exposição.

As obras são feitas em técnica mista, em suportes diversos, como papel 100% algodão, papel de arroz, lona e papel de caderno, e os desenhos são feitos com tinta e caneta. Na instalação, os papeis iguais são postos juntos na parede, em blocos, e são presos por pregos, sem moldura, como folhas soltas.
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“O que Marina vivenciou durante a produção da série foi um jogo: repetia o desenho de olho na matriz, produzindo algum tipo de ação sobre ele: modificava o fundo com cores, descaracterizava as linhas que contornam a imagem, apagava o rosto da figura, cobrindo-o com a ação violenta do grafite até quase mutilar o suporte para, num próximo desenho, trazer a imagem de volta, revelando-a a partir de outros modos de representa-la, em um vai e vem infinito”, escreveu Tadeu Chiarelli.

SOBRE A ARTISTA

Marina Saleme (São Paulo, 1958) concluiu a licenciatura em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado em 1982. Nos primeiros anos a artista trabalhava principalmente com manchas tonais, sem referência à figura humana, utilizando formas compostas por linhas ou grids. No entanto, como afirma a artista: “Meus trabalhos nunca são totalmente abstratos”. Já a partir da metade da década de 1990, sua produção passa a ganhar alusões figurativas a pessoas, chuva, flores, nuvens, muitas vezes indicadas nos próprios títulos. Na década seguinte sua linha se torna sinuosa e se curva desenhando arabescos que por vezes estão parcialmente encobertos por outras imagens, em outros momentos são evidenciados na camada mais superficial.

Destacam-se as exposições individuais e coletivas no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (2019); Paço Imperial, Rio de Janeiro (2017); Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (2008); Paço das Artes, São Paulo (2003); Centro Universitário Maria Antônia, São Paulo (2001); Centre D’Art Contemporain De Baie-Saint-Paul, Canadá (2004); Palácio das Artes, Belo Horizonte (1996); Embaixada do Brasil na França, Paris (1989); entre outras.

Coleções das quais seus trabalhos fazem parte incluem: Coleção Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto; Embaixada do Brasil em Roma; Instituto Cultural Itaú, São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Posted by Patricia Canetti at 11:06 AM

Marina Saleme na Mul.ti.plo, Rio de Janeiro

Artista paulistana apresenta obras de pequena dimensão em galeria no Leblon, com um olhar intimista sobre a série de desenhos utilizada em instalação monumental no CCBB Rio no mesmo período

A Mul.ti.plo Espaço Arte, no Leblon, inaugura a exposição “Partes”, da artista paulistana Marina Saleme. A mostra traz cerca de 60 obras em pequenos formatos pinçadas de uma numerosa série de desenhos e pinturas feitas por ela ao longo dos últimos três anos. Por conta da pandemia, a inauguração da mostra será feita em dois dias: 7 e 8 de outubro (quinta e sexta-feira). O encerramento está marcado para 3 de dezembro de 2021. A entrada é franca.

A série de desenhos de Marina Saleme é o resultado de um obsessivo esforço de investigação da artista sobre uma mesma imagem: uma mulher sentada, encolhida, de cabeça baixa, numa atitude profundamente ensimesmada e impactante. De 2019 a 2021, a artista desenhou a mesma figura mais de 1.500 vezes, com tintas, cores, traços e suportes diferentes. A mostra da Mul.ti.plo reúne parte desse trabalho.

“Partes” apresenta-se também como um recorte intimista da grande instalação que Marina Saleme apresenta no CCBB do Rio, no mesmo período, chamada “Apartamento s”. Os nomes remetem tanto a um espaço físico como a um espaço emocional: o sentimento de estar sozinho, apartado, sensação intensificada pela pandemia. Com dimensão máxima de 25cm X 35cm, os desenhos exibidos na Mul.ti.plo utilizam materiais como giz de cera, tinta a óleo, tinta acrílica e caneta sobre papel e tela.

Segundo Marina Saleme, as duas mostras são complementares e propõem formas diferentes de ver o mesmo trabalho. “A instalação no CCBB faz um olhar panorâmico sobre a solidão escondida na cidade. A multidão de pessoas sozinhas nos apartamentos. A montagem na Mul.ti.plo, ao contrário, convida ao particular, a um olhar mais concentrado, mais intimista, mais próximo e acolhedor”, explica a artista. A última exposição dela na Mul.ti.plo foi em 2016 e 2017, também como uma paralela de uma grande mostra no Paço Imperial, no mesmo período.

SOBRE A ARTISTA

Marina Saleme (São Paulo, 1958) concluiu a licenciatura em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado, em 1982. Nos primeiros anos, a artista trabalhava principalmente com manchas tonais, sem referência à figura humana, utilizando formas compostas por linhas ou grids. No entanto, como afirma a artista: “Meus trabalhos nunca são totalmente abstratos”. Já a partir da metade da década de 1990, sua produção passa a ganhar alusões figurativas a pessoas, chuva, flores, nuvens, muitas vezes indicadas nos próprios títulos. Na década seguinte, sua linha se torna sinuosa e se curva desenhando arabescos que por vezes estão parcialmente encobertos por outras imagens, em outros momentos são evidenciados na camada mais superficial.

Destacam-se as exposições individuais e coletivas no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (2019); Paço Imperial, Rio de Janeiro (2017); Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (2008); Paço das Artes, São Paulo (2003); Centro Universitário Maria Antônia, São Paulo (2001); Centre D’Art Contemporain de Baie-Saint-Paul, Canadá (2004); Palácio das Artes, Belo Horizonte (1996); Embaixada do Brasil na França, Paris (1989); entre outras.

Coleções das quais seus trabalhos fazem parte incluem: Coleção Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto; Embaixada do Brasil em Roma; Instituto Cultural Itaú, São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Posted by Patricia Canetti at 10:29 AM