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março 29, 2018

Beto Shwafaty e Pedro Vaz na Luisa Strina, São Paulo

A Galeria Luisa Strina, São Paulo, e a Kubikgallery, Porto, convidam para a abertura da exposição depois do choque, os trópicos, parceria transatlântica para fomentar diálogos entre artistas brasileiros e portugueses. A iniciativa conjunta apresenta, de 7 de abril a 12 de maio, obras recentes de Beto Shwafaty (São Paulo, 1977; vive e trabalha em São Paulo), artista representado pela Luisa Strina, e de Pedro Vaz (Maputo, Moçambique, 1977; vive e trabalha em Lisboa), representado pela Kubikgallery.

Operando de um ponto de vista pós-colonial, o diálogo enfatiza as visões eurocêntrica e imperialista, de um lado, e cordial e colonizada, de outro, que historicamente permearam as relações entre Europa e Brasil, ainda que de forma velada. Os dois artistas partem de lugares de fala assumidamente híbridos: Vaz, português nascido em uma ex-colônia, e neoperegrino da Mata Atlântica do Brasil; Shwafaty, brasileiro que investigou processos coloniais durante um período de estadia na Inglaterra. A seleção de obras para a exposição é um reflexo desses paradoxos: está focada em trabalhos de cunho crítico e inflexível em relação os despojos contemporâneos dos conflitos que perduram há mais 500 anos.

Na série Açúcar nas Veias [Sugar Blues] (2017), inédita no Brasil, Shwafaty utiliza-se de desenhos produzidos com açúcar, chá e café sobre papel translúcido, posteriormente aquecidos em um forno. Cada desenho apresenta uma palavra ou frase que, ao serem justapostas, constituem cartografias evocativas, indicando possíveis constelações de conceitos, personagens e datas ligados a lugares, episódios e informações a respeito de aspectos das histórias de guerra, conquista, comércio, revolta e escravidão que informaram as expansões do colonialismo global. Assim, as relações entre elementos específicos, lugares, nomes e processos realizados pelos impérios europeus com suas antigas colônias são os pontos focais dessas explorações em desenho. De forma metafórica, esta série emprega a contração de informação para dar espaço a uma expansão de perguntas e leituras.

Já o conjunto de pinturas das séries Atlântica (2015) e Caminho do Ouro (2016-17), de Pedro Vaz, deriva de uma vasta pesquisa que culminou em uma expedição pedestre empreendida pelo artista pelo trajeto histórico entre Paraty e Ouro Preto, conhecido como “caminho do ouro”, com o objetivo de revisitar elementos das primeiras imagens do Brasil que circularam na Europa, e cuja difusão foi feita em suporte de panorâmico. Rugendas e Debret foram alguns dos seus executantes. Uma das mais divulgadas foi Vistas do Brasil, de Julien Deltil. A tentativa de transmissão da paisagem como vivência inscreve-se nas suas soluções técnicas: Vistas do Brasil executava um loop de 360º com a dimensão de 3 x 15 m. O envolvimento que estes trabalhos proporcionavam criava uma imersão simulada na paisagem à qual se referem, na impossibilidade da sua experiência real. Com isso, os seus autores tinham a pretensão de reativar a presença espaço-temporal, num esforço de substituir a mera representação pictórica por paisagem vivida. A experiência do lugar em vez da imagem do lugar. Refazendo a lógica da expedição por uma paisagem “natural” desconhecida, Pedro Vaz opta por forjar “registros” completamente subjetivos, que não repõem a imagem de um lugar, mas, antes, oferecem um conjunto de sensações abstratas e íntimas acerca da experiência deste.

Açúcar das Veias (2017) surgiu em uma residência que Beto Shwafaty realizou na Gasworks (Londres), na qual iniciou novas pesquisas sobre as relações entre Brasil, Portugal e Inglaterra que remontam aos tempos coloniais e ainda imprimem seus ecos hoje em dia; é também uma continuação do interesse do artista pelas implicações entre colonialismo e modernismo, manifestadas em projetos anteriores, como Remediações (2010-2014) e Matriz Fantasma [Velhas Estruturas, Novas Glórias] (2016). No período passado em Londres, o artista iniciou uma investigação acerca de como certas commodities – e os processos que elas promovem – geraram relações e narrativas globais que tiveram impacto nos vastos tecidos culturais e econômicos de antigos impérios europeus e de suas colônias.

Além de formarem uma cartografia evocativa de relações, como uma coleção de memórias, fatos, rumores, lugares e acontecimentos, os grupos de desenhos de Shwafaty funcionam como uma manifestação visual de relações díspares (sempre esquecidas) que geraram dramas, tragédias e experiências envolvidas na exploração de mercadorias e das riquezas que geraram. Tal legado de histórias imperiais – legado esse difícil, controverso e doloroso em ser reconhecido, pois ainda deixa rastros, afetando todos nós – imprimiu por toda parte marcas que sugerem que as ramificações dessas relações imperiais ainda estão longe de terminar.

Posted by Patricia Canetti at 2:06 PM

março 26, 2018

Alucinações Parciais no Tomie Ohtake, São Paulo

Ao realizar Alucinações Parciais, nome inspirado na obra de Salvador Dalí presente na mostra, o Instituto Tomie inova ao propor uma “exposição-escola” com obras-primas de vinte artistas modernistas maiores do Brasil e do mundo. O novo formato pretende oferecer uma experiência em que o público possa se aproximar ainda mais dos trabalhos, de seus respectivos autores e do histórico movimento.

O conceito de “exposição-escola” se explicita no próprio desenho do espaço expositivo, em que uma arena-auditório central receberá uma intensa programação. Durante todo o período em que a mostra estiver em cartaz, o Instituto Tomie Ohtake promoverá diariamente debates, aulas, palestras, workshops, ateliês e visitas orientadas a fim de estabelecer trocas com o público para aprofundar, investigar e resignificar narrativas relativas ao marcante período da história da arte no século XX. A proposta vai ao encontro da intenção do Instituto de difundir obras e contextos artísticos de grande relevância e abrir caminhos para o debate crítico e a atualização do sentido histórico de cada época.

Concebida por meio de um diálogo entre os curadores Fréderic Paul, do Centre Pompidou, e Paulo Miyada, do Instituto Tomie Ohtake, a coletiva pretende esgarçar a discussão sobre o modernismo europeu e brasileiro com 10 obras-primas de nomes históricos, pertencentes ao Centre Pompidou, que raramente saíram de seu acervo, e de 10 de artistas brasileiros, provenientes das coleções do MASP, Pinacoteca, Museu de Belas Artes- RJ e particulares. O curador do Instituto Tomie Ohtake ressalta que a quantidade enxuta de obras torna a narrativa histórica da exposição explicitamente lacunar, mas, em contrapartida, propõe desafios sobre como se dará a apreensão do público neste formato.

No conjunto do Centre Pompidou estão os artistas e as respectivas obras: Fernand Léger, Adeus Nova York, 1946; Georges Braque, Natureza-morta com violino, 1911; Henri Matisse, Ponte Saint –Michel, c.c 1900; Joan Miró, A Sesta, 1925; Man Ray, Uma noite em Saint-Jean-de-Luz, 1929; Pablo Picasso, Arlequim, 1923; Paul Klee, Rítmico, 1930; Robert Delaunay, Torre Eiffel, 1926; Savador Dali, Alucinação parcial. Seis imagens de Lenin sobre um piano, 1931; Vassily Kandinsky, Quadro com Mancha Vermelha, 1914.

Já na seleção de brasileiros estão as pinturas de Anita Malfati, A estudante, 1915¬16, e O lavrador de café, 1939, de Cândido Portinari; três aquarelas de Cícero Dias, Sonho Tropical, 1929, Sem título, 1928, e Fábula, década de 20; escultura de Maria Martins, Tamba-tajá, 1945; a tela de Vicente do Rego Monteiro, Atirador de Arco, 1925; o óleo de Flávio de Carvalho, Ascensão definitiva de Cristo, 1932; o retrato Lea e Maura, 1940, de Alberto da Veiga Guignard; e as obras Menino com lagartixa, 1924, A Feira II, 1925, e Sem título (autorretrato com Adalgisa), 1925, de Lasar Segall, Tarsila do Amaral e Ismael Nery, respectivamente.

Segundo os curadores, a exposição experimenta uma abordagem no cerne do modernismo europeu e brasileiro, quando Paris ocupava o lugar central em uma rede cultural global que se estabelecia através de intercâmbios, contaminações e misturas. “Quão forte é o laço que consegue produzir algum ponto de contato entre o russo Kandinsky e a paulistana Malfatti? Como pode um artista, como Rego Monteiro, ou Picasso, ser simultaneamente exótico e exoticizante, dependendo de onde os olhamos? O que fazer com a formação vanguardista e a trajetória emigrante de, digamos, Lasar Segall (ou, no sentido inverso, de Man Ray)?”, indaga Miyada.

Por sua vez, Fréderic Paul defende que o rigor científico exigido na construção didática da história da arte, pode passar ao largo das obras, ao deixar zonas de sombra entre datas e citações. “As obras, sobretudo as mais importantes, nunca se nos mostram tais quais são. Estão plasmadas pela história e por histórias que as tornam visíveis”, diz, parafraseando Paul Klee.

Posted by Patricia Canetti at 1:52 PM

Nicolás Paris na Luisa Strina, São Paulo

“O espaço implica relações invisíveis. Tem a capacidade de preencher-se de códigos, falar, multiplicar e limitar o que acontece em torno dele. Com base nessa ideia, oferece oportunidades para abrir diálogos e trocas, para que possa servir então como uma ferramenta pedagógica.“ – Nicolás Paris

[scroll down for English version]

A partir da ideia de ocupação de um espaço expositivo como possibilidade pedagógica, Nicolás Paris constrói uma poética centrada nos sentidos, acionados pela experiência artística em sentido amplo. Valendo-se de gestos mínimos na composição de seus desenhos e de sutis interferências em objetos ordinários para desestabilizar a percepção do observador, o artista elabora suas obras com dispositivos que vão além do ato de grafar e, frequentemente, se transformam em exercícios lúdicos de experimentação criativa.

Galeria Luisa Strina tem o prazer de anunciar a exposição Entre mañana y ayer o los caminos del desvio, segunda exposição individual do artista colombiano na galeria. Paris apresentará desenhos e objetos além de ambientes suspensos, cada qual com uma instalação em seu interior. Além da exposição, o artista fará workshops com educadores de museus de São Paulo, parte de seu trabalho pedagógico.

Exposições solos recentes incluem: “ejercicios para sembrar relámpagos”, Caixa Forum, Barcelona (2017); “Petricor”, NC-Arte, Bogotá (2016); “Quatro variações à volta do nada ou falar do que não tem nome”, Museu Berardo, Lisboa (2015); “Micro-eventos o la posibilidad de equivocarnos”, Fórum Eugénio de Almeida, Évora (2015); “Room for Us”, Kadist Art Foundation, Paris (2013); “Ejercicios de Resistencia”, MUAC Museo de Arte Contemporaneo, Cidade do México (2012); “Desaprender”, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2012).

Exposições coletivas recentes incluem: “Libretas de dibujos: reencuentros de memoria gráfica”, Biblioteca Luis Ángel Arango, Bogotá (2017); “Ser Humano Ser Urbano” – projeto em espaço público, Cidade do México (2017); “Boa sorte com os vossos esforços naturais, combinados, atrativos e verdadeiros em duas exposições”, Fórum Eugénio de Almeida, Évora (2017); “El curso natural de las cosas”, La Casa Encendida, Madri (2016); “De lo espiritual en el arte”, MAMM Museo de Arte Moderno, Medellín (2016); “United States of Latin America”, MOCAD Museum of Contemporary Art, Detroit (2015); “Bonne chance pour vos tentatives naturelles, combinées, atractives et véridiques en deux expositions”, CRAC Alsace, Altkirch (2015); XII Bienal de Havana (2015), “Ernesto”, CEAAC Centre Européen d’ Actions Artistiques Contemporaines, Strasbourg (2014); “The Peacock”, Grazer Kunstverein, Graz (2014), A Pause for Reflexexion, Musac, León (2014); “Saber Desconocer”, 43 Salon (inter)nacional de Artistas, Medellín (2013); “The Ungovernables” – second New Museum Triennial, New York (2012); 54a Bienal de Veneza (2011); 11a Bienal de Lyon (2011).

Coleções públicas das quais seu trabalho é parte incluem: Coleção TATE, Inglaterra; Kadist Art Foundation, Paris; Coleção JUMEX, México; MAMM Museu de Arte Moderno de Medellín, Colômbia; MUSAC Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León, León, Espanha; CaixaForum, Barcelona; Museu Thyssen-Bornemisza, Madri.


“Space implicates invisible relations. It has the ability to fill itself with codes, speak, multiply and limit what happens around it. Based on this idea, it offers opportunities to start dialogues and exchanges, so that it can work as a pedagogical tool.”- Nicolás Paris

Starting from the idea of occupying na exhibition space as a pedagogical possibility, Nicolás Paris constructs a poetic centered in the senses, activated by the artistic experience in a broad sense. Drawing on minimal gestures in the composition of his works and subtle interferences on ordinary objects to destabilize the observer’s perception, the artist elaborates his pieces with devices that go beyond writing and often transform into playful experimental creative exercises.

Galeria Luisa Strina is pleased to announce Entre mañana y ayer o los caminos del desvio, second solo show of the Colombian artist in the gallery. Paris will present drawings and objects in addition to suspended environments, each with as installation in its inside. Besides the exhibition, the artist will offer workshops with educators from the museums in São Paulo, part of his pedagogical work.

Recent solo shows include: “ejercicios para sembrar relámpagos”, Caixa Forum, Barcelona (2017); “Petricor”, NC-Arte, Bogotá (2016); “Quatro variações à volta do nada ou falar do que não tem nome”, Museu Berardo, Lisbon (2015); “Micro-eventos o la posibilidad de equivocarnos”, Fórum Eugénio de Almeida, Évora (2015); “Room for Us”, Kadist Art Foundation, Paris (2013); “Ejercicios de Resistencia”, MUAC Museo de Arte Contemporaneo, Mexico City (2012); “Desaprender”, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2012).

Recent group shows include: “Libretas de dibujos: reencuentros de memoria gráfica”, Biblioteca Luis Ángel Arango, Bogotá (2017); “Ser Humano Ser Urbano” – public space project, Mexico City (2017); “Boa sorte com os vossos esforços naturais, combinados, atrativos e verdadeiros em duas exposições”, Fórum Eugénio de Almeida, Évora (2017); “El curso natural de las cosas”, La Casa Encendida, Madri (2016); “De lo espiritual en el arte”, MAMM Museo de Arte Moderno, Medellín (2016); “United States of Latin America”, MOCAD Museum of Contemporary Art, Detroit (2015); “Bonne chance pour vos tentatives naturelles, combinées, atractives et véridiques en deux expositions”, CRAC Alsace, Altkirch (2015); XII Havana Biennial (2015), “Ernesto”, CEAAC Centre Européen d’ Actions Artistiques Contemporaines, Strasbourg (2014); “The Peacock”, Grazer Kunstverein, Graz (2014), A Pause for Reflexexion, Musac, León (2014); “Saber Desconocer”, 43 Salon (inter)nacional de Artistas, Medellín (2013); “The Ungovernables” – segunda trienal do New Museum, New York (2012); 54th Venice Biennial (2011); 11th Lyon Biennial (2011).

Public collections holding his work include: Tate Collection, England; Kadist Art Foundation, Paris; JUMEX Collection, Mexico City; MAMM Museu de Arte Moderno de Medellín, Colombia; MUSAC Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León, León, Spain.

Posted by Patricia Canetti at 11:33 AM

março 25, 2018

Berlin Radio na Murilo Castro, Belo Horizonte

Galeria Murilo Castro traz para Belo Horizonte exposição coletiva inédita de cinco artistas alemães

Um dos principais pontos de convergência da arte em Belo Horizonte, a Galeria Murilo Castro apresenta ao público a exposição Berlin Radio, que reúne cinco artistas vindos direto da Alemanha para a capital mineira – sendo uma brasileira radicada na Berlin –, em uma mostra inédita e gratuita. A exposição acontece até o dia 31 de março, na Galeria Murilo Castro.

“Berlin Radio” é composta por berlinenses construtivistas, cada um com sua identidade e seu conceito: Isabelle Borges, DAG, Jens Hausmann, Christian Henkel, Vanessa Henn. O galerista Murilo Castro explica, no entanto, que o trabalho dos cinco artistas se conecta. “A ampla exploração do legado de vanguarda une esses nomes. Eles propõem uma abertura do campo da percepção, a globalização da comunicação, a reorganização e a análise da modernidade, a desconstrução das estruturas visuais e do pensamento”, diz.

Dos cinco artistas, quatro vieram para o Brasil sem saber exatamente o que iriam encontrar. O desafio era transformar a galeria em ateliê e produzir as obras aqui. “O espaço era para eles como uma página em branco, não havia sketches de trabalhos e eles não sabiam quais materiais e cores iriam encontrar. O resultado foi uma exposição com a cara de BH”, revela Castro. O galerista ainda conta que algumas obras levam o nome da cidade, como as esculturas produzidas por Christian Henkel. Além disso, Vanessa Henn deu a suas esculturas nomes das ruas do bairro Pompéia, lugar pelo qual se apaixonou durante a sua estadia.

As obras apresentam e mesclam tendências abstratas, arte concreta, anatomias arquitetônicas, geometrias fragmentadas, linhas, pontos, formas, esculturas, espaços, cores. Nelas, os artistas constroem diálogos com o objetivo de ultrapassar os limites do construtivismo para o futuro. “É uma exposição única em Belo Horizonte, gratuita, e uma ótima oportunidade para os amantes da arte”, completa Murilo Castro. “Berlin Radio” também marca o início da produção de obras da artista Vanessa Henn no Brasil.

Posted by Patricia Canetti at 12:07 PM

Katia Maciel no Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro

A leitura de um poema escrito pela poeta e artista Katia Maciel dispara progressivamente vários estados da água em ebulição em longa tela de 19 metros na sala do 4 andar do Oi Futuro Flamengo. Os versos do poema se combinam quando lidos e relidos de modo interativo a medida em que os visitantes se aproximam dos seis pontos de luz dispostos no ambiente.

Em sua primeira exposição individual no Oi Futuro, a artista integra suas pesquisas no campo do cinema e da poesia em uma instalação interativa que na abertura funcionará ao vivo a partir da leitura do poema Ebulição por 12 poetas. O trabalho celebra o momento único que vivemos da poesia escrita por mulheres no Brasil.

Sobre a artista

Katia Maciel (Rio de Janeiro, Brasil 1963) é artista, poeta e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua obra investiga o imaginário próprio das imagens em relações com a paisagem, os objetos e a palavra. Em seus vídeos e instalações, a influência do cinema é flagrante na escala, na poética do movimento, na inclusão do espectador. Seus trabalhos estiveram em exposições no Brasil, na Colômbia, no Equador, no Chile, na Argentina, no México, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na Espanha, em Portugal, na Alemanha, na Lituânia, na Suécia e na China. Recebeu, entre outros, os prêmios: Prêmio Honra ao Mérito Arte e Patrimônio (2013), Prêmio da Caixa Cultural Brasília (2011), Funarte de Estímulo à Criação Artística em Artes Visuais (2010), Rumos Itaucultural (2009), Prêmio Sérgio Motta (2005), Petrobrás Mídias digitais (2003), Transmídia Itaúcultural (2002), Artes Visuais Rioarte (2000). As obras da artista encontram-se nas coleções Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte do Rio, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, Oi Futuro do Rio de Janeiro e Maison Européenne de la Photographie, entre outras.

Sobre o curador

Alberto Saraiva, curador do Oi Futuro, dedicado à curadoria sobre arte e tecnologia. É formado em Arte Educação e Museologia e possui especialização em Arte e Filosofia. Tem publicado textos críticos e teóricos sobre arte contemporânea e vem se dedicando à pesquisa sobre videoarte, novas tecnologias e poesia visual brasileira. Foi co-curador da Bienal do Fim do Mundo, em 2009 e realizou curadoria de exposições individuais de artistas como Ivens Machado, Marcos Chaves, Vicente de Mello, Neville d'Almeida, Eduardo Kac, Nelson Felix, Daniel Senise e Adriana Varejão.

Posted by Patricia Canetti at 11:40 AM

março 21, 2018

Camile Sproesser na Mercedes Viegas, Rio de Janeiro

Mercedes Viegas apresenta a primeira individual de Camile Sproesser no Brasil, com 20 telas de pintura a óleo

Um mundo alegre e colorido de desenhos infantis, facões, pedaços de corpo, serpentes e outros animais, frases tiradas de algum lugar. Com pinturas em diversas escalas e formatos, a artista paulistana Camile Sproesser realiza sua primeira exposição individual no país, na Mercedes Viegas Arte Contemporânea, de 28 de março a 28 de abril. Sob o título Pantera Serpente e outros amuletos, a exposição apresenta 20 telas de pintura a óleo - e se pinturas são o que há de mais tradicional na arte, na obra de Camile elas são contraditórias, pois parecem não ter compromisso com estruturas pré-concebidas.

A artista ressalta que o título da exposição é "Pantera Serpente e outros amuletos", assim, sem vírgula, pois ela pode ser tanto uma entidade quanto uma pantera e uma serpente e outros amuletos.

"O caráter enigmático que a pintura de uma forma geral suscita me interessa muito. Gosto quando meu trabalho esbarra em elementos que nos fazem questionar o que estamos vendo. Levanta dúvidas, não é simples entrar num acordo e sair satisfeito".

As telas geralmente têm escritos, seja das poesias que Camile escreve ou de coisas que leu ou ouviu em algum lugar. Ela diz que suas pinturas parecem ser infantis, alegres, mas que não dá pra ter certeza disso:

"Elas podem ser satíricas e assustadoras ao mesmo tempo. Depende de como você olha para elas. Com isso, quero criar uma atmosfera bem humorada, trabalhando o improvável, e confiando em acidentes, criando uma certa desconfiança semiótica".

Para a artista visual Ana Prata, que assina a curadoria da mostra ao lado de Bruno Dunley, a pintura de Camile tem simultaneamente um caráter combativo, porque os trabalhos parecem ser feitos com certa urgência e ansiedade:

"Suas cores são extravagantes, sua tinta massuda é assentada de maneira sensual, uma mancha se encaixando na outra, bem pertinho, numa espécie de carência, dividindo o mesmo espaço de forma amorosa".

Ana diz ainda que o trabalho de Camile é um agregado de significados:

"Vemos manchas abstratas, gordas ou magras, junto de figuras que, muitas vezes, parecem brinquedos, doces, artigos de sex shop, coisas de plástico. Uma pintura meio gulosa, que parece dizer: pode vir que você também cabe nesse retângulo-maravilha".

Camile Sproesser nasceu em São Paulo (1985), onde vive e trabalha. Estudou artes visuais no Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo e cursou direção cinematográfica na Academia Internacional de Cinema. Em 2016, participou de uma residência artística no Institut für Alles Mögliche, em Berlim, onde realizou uma exposição individual, e já mostrou trabalhos em exposições coletivas ao lado de artistas como Guto Lacaz, Rodrigo Bueno, Pedro Caetano e Anaísa Franco. Seu principal campo de pesquisa é a pintura a óleo. Seu trabalho se estrutura na criação de relações dinâmicas e improváveis e na diversidade na forma de pintar.

Posted by Patricia Canetti at 5:53 PM

Tony Camargo no MON, Curitiba

Museu Oscar Niemeyer apresenta exposição panorâmica do artista Tony Camargo

Mostra percorre 20 anos da produção artística do paranaense e revela profunda investigação sobre a espacialidade do mundo real

O Museu Oscar Niemeyer apresenta ao público, a partir de 28 de março, às 10h, Seleta Crômica e Objetos, exposição panorâmica que contempla 20 anos de produção do artista paranaense Tony Camargo. A mostra reúne pinturas, desenhos, fotografias, vídeos e objetos que combinam formas geométricas e cores vibrantes em uma sistemática ordem conceitual. A exposição é acompanhada de catálogo com textos inéditos de Arthur do Carmo, Artur Freitas e Paulo Herkenhoff.

A produção de Tony Camargo sintetiza importantes questões poéticas da arte brasileira produzida a partir dos anos 2000. Conjugando o rigor visual da tradição construtiva com ações performáticas e o humor do gosto popular, o artista trabalha o confronto de sistemas poéticos aparentemente opostos, explorando os limites do espaço e da linguagem pictórica.

A cor é o elemento basilar que alinha uma produção diversa e questiona, entre outros temas, as articulações entre a linguagem controlada das imagens comerciais e a irracionalidade do sujeito no caos mundano. Para o artista, suas fotos e vídeos pertencem a uma atmosfera poética que surge do embate entre o rigor plástico de suas pinturas geométricas de origem construtiva e o caos criativo de suas performances personalistas, diretamente conectadas à imprevisibilidade da vida. O resultado é uma profunda investigação sobre a espacialidade do mundo real.

A exposição “Seleta Crômica e Objetos” integra o projeto “Pintura Esférica”, realizado com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba e com incentivo do Banco do Brasil.

Tony Camargo - Nascido em 1979 no município de Paula Freitas, no Paraná, Tony Camargo concluiu o curso de Artes Visuais na Universidade Federal do Paraná em 2001. Ao longo de 20 anos tem produzido uma obra complexa e diversa, contemplando pinturas, desenhos, fotografias, vídeos e objetos. Participou de mostras coletivas como a X Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2015); PR/BR, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2012); e Nova Arte Nova, no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo, 2008 e 2009). Entre suas exposições individuais, destacam-se Novas Planopinturas, na Galeria SIM (Curitiba, 2016); Fotomódulos e Desenhos, na Galeria Casa Triângulo (São Paulo, 2010); e Fotomódulos, no Paço das Artes (São Paulo, 2008). Recebeu o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2012), o Prêmio Rumos Itaú Cultural (2006) e foi nominado para o Prêmio Pipa (2010, 2011 e 2017). Tem peças em coleções como o Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu Oscar Niemeyer e Museu de Arte do Rio.

Posted by Patricia Canetti at 5:02 PM

Pinacoteca de São Paulo abre quatro exposições em 24 de março

A proposta é destacar obras específicas pouco ou nunca antes mostradas

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, recebe, a partir do dia 24 de março, quatro novas mostras no segundo andar do prédio da Luz: uma seleção de obras de arte colonial da coleção da Fundação Nemirovsky, um vídeo de Rosangela Rennó, um conjunto de trabalhos recentes da artista Ana Dias Batista e pinturas do paulista José Antonio da Silva.

Todas as mostras serão montadas nas salas anexas às galerias da exposição de longa duração do segundo andar e a curadoria é assinada pela equipe da Pinacoteca. Elas fazem parte de uma série de exposições em que o museu se propõe destacar obras específicas ou pequenos conjuntos do acervo, pouco ou nunca antes mostrados, acompanhadas de dispositivos textuais informativos que proporcionem uma aproximação mais concentrada do público a aspectos das coleções da Pinacoteca.

“Arte colonial na coleção da Fundação Nemirovsky” poderá ser encontrada na sala A. Composta de destaques deste acervo, em comodato com a Pina desde 2006, conhecido sobretudo por seu consistente conjunto de obras do período moderno, a exposição demonstra a amplitude do interesse do casal Nemirovsky, que se dedicou também a colecionar obras relevantes de arte colonial brasileira e latino-americana.

Na sala B os visitantes podem conferir o vídeo “Vera Cruz” (2000), uma narrativa ficcional sobre o descobrimento do Brasil baseada no conteúdo da carta de Pero Vaz de Caminha. Produzido para a Mostra do Redescobrimento (São Paulo, 2000), o vídeo de Rennó foi também exibido e premiado na 13° edição do Festival VideoBrasil e faz parte das aquisições recentes da coleção da Pinacoteca.

Ocupando a sala C, bem como a sala 7 da exposição do acervo da Pinacoteca, a artista Ana Dias Batista apresenta Chão Comum. Na sala 7, dedicada à pintura de gênero, os visitantes encontrarão uma intervenção que cria um espaço de pausa dentro do museu, mudando a relação do público com a mostra de longa duração. Na sala C, uma instalação sonora faz um comentário sobre como percorremos exposições, como o museu organiza seus objetos e como as características do espaço físico do museu impactam a nossa experiência. Em sua produção, Ana Dias Batista frequentemente explora objetos cotidianos, muitas vezes alterando a sua escala e função. A exposição desses trabalhos também enfatiza o esforço da Pinacoteca em promover o diálogo entre a arte contemporânea e a história da arte.

Já a exposição de José Antonio da Silva apresenta 13 pinturas do artista na sala D. Assim como as telas de arte sacra, as obras apresentadas aqui fazem parte do acervo da Pina ou da Coleção da Fundação Nemirovsky, também em comodato com o museu há mais de dez anos. A seleção compreende um período amplo dessa produção, entre o final da década de 1940, quando a obra de José Antonio começa a chamar a atenção do ambiente cultural brasileiro, e o início dos anos de 1980. A exposição apresenta também aspectos variados da obra do artista, desde a representação de temas míticos e religiosos, até cenas da vida rural, com figurações de festas populares, plantações de algodão e a criação de gado.

As exposições permanecem em cartaz até 6 de agosto de 2018, todas no segundo andar da Pina Luz – Praça da Luz, 02. A visitação é aberta de quarta a segunda-feira, das 10h00 às 17h30 – com permanência até às 18h00 – os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Crianças com menos de 10 anos e adultos com mais de 60 não pagam. Aos sábados, a entrada é gratuita para todos os visitantes. A Pina Luz fica próxima à estação Luz da CPTM.

Posted by Patricia Canetti at 9:52 AM

Bruno Dunley: lançamento de livro + conversa na Nara Roesler, Rio de Janeiro

No dia 22 de março, a Galeria Nara Roesler lançará em sua sede no Rio de Janeiro Bruno Dunley, uma publicação inédita que reúne trabalhos feitos pelo artista nos últimos 10 anos.

O livro foi publicado pela APC - Associação para o Patronato Contemporâneo, uma associação sem fins lucrativos fundada em 2011 pela Galeria Nara Roesler para viabilizar a realização de projetos institucionais e estimular o patronato cultural.

Bruno Dunley conta com um projeto gráfico ousado que propõe novas relações entre as obras e os temas essenciais de sua pesquisa por meio de conversas registradas em textos. A publicação é composta por páginas duplas, formando abas que se abrem e se fecham ao gosto do leitor. A publicação possibilita inúmeros arranjos entre as obras, funcionando assim, como uma espécie de exposição gráfica, linear, porém não cronológica.

Galeria Nara Roesler | Rio de Janeiro
22 de março, 2018
19h > conversa com o artista
20h > sessão de autógrafos

Posted by Patricia Canetti at 9:16 AM

março 20, 2018

Paulo Pasta na Millan, São Paulo

Artista ganha na mesma semana mostra panorâmica no Tomie Ohtake

A Galeria Millan exibe em seu Anexo, de 24 de março a 28 de abril de 2018, um resumo da produção recente de Paulo Pasta, com uma ampla seleção de trabalhos realizados no último ano. Na mesma semana será inaugurada no Instituto Tomie Ohtake uma mostra panorâmica de pinturas do artista, com telas de grandes dimensões e de diferentes fases, selecionadas pelo curador Paulo Miyada. Uma feliz coincidência que permite ao público confirmar, em dose dupla, a solidez e maturidade de sua obra e testemunhar a qualidade rara de Pasta de se reinventar sem perder sua identidade.

Intitulada Lembranças do Futuro, a mostra no Anexo da Millan se debruça sobre uma questão essencial de sua obra: o tempo. Há em suas telas uma clara relação com a memória, uma conjunção entre passado, presente e futuro, como se diante delas nos colocássemos diante de um tempo dilatado, expandido. Não se trata do tempo do relógio, nem de uma condensação de um instante, mas sim de uma construção de um estado latente, contemplativo, que é criado por um tênue equilíbrio, ao mesmo tempo rigoroso e intuitivo, entre forma e cor.

A exposição reúne um seleto conjunto de pinturas, realizadas no último ano pelo artista. Apesar desse recorte temporal enxuto, há uma grande diversidade de questões tratadas nesses trabalhos. Dentre os aspectos mais marcantes de sua pesquisa recente destacam-se uma tendência a trabalhar com cores mais escuras e uma grande preocupação com a exploração dos valores cromáticos. Essa pesquisa em torno da saturação e intensidade dos tons deriva de sua investigação acerca da paisagem – gênero não contemplado nesta seleção –, da função da cor como elemento central para a criação de efeitos óticos na pintura.

Colocadas lado a lado em sutis contrastes tonais, sobrepostas de forma a criar uma zona intermediária imprecisa, ou núcleos potentes que parecem irradiar luminosidade, as cores de Pasta não existem isoladamente. É a partir das relações que estabelecem entre si que adquirem sua potência. Como ele costuma dizer, "cor é uma sugestão, um estado de espírito. É difícil traduzir algo tão intuitivo. Tem a ver com uma vontade, que não é só racional". "Eu gosto de deixar meu trabalho ir na minha frente e depois vou entender. O contrário para mim é mais nocivo, mais pernicioso", acrescenta.

Esse lado imponderável, experimental, da produção de Pasta também está presente nas escolhas das formas estruturais que organizam suas telas, nas dimensões adotadas e na depuração formal de cada composição. Usualmente trabalhando várias telas simultaneamente, o artista desdobra várias pesquisas ao mesmo tempo, estabelecendo um campo amplo de investigação a partir de elementos apenas aparentemente reduzidos. Nestas produções mais recentes, por exemplo, ganham espaço as linhas diagonais – que sugerem profundidade. Mas elas convivem com esquemas (traçados?) já familiares, como as cruzes e faixas.

A diversidade entre trabalhos paradoxalmente muito familiares se faz sentir de forma ainda mais intensa entre obras de diferentes escalas. É como se as relações compositivas e formais assumissem características muito específicas em função do espaço que ocupam. As pinturas em papel, de pequenas dimensões, como as do ensaio visual feito por Pasta para a Revista Serrote – que ocupará uma parede inteira do anexo –trazem a leveza do gesto e um descompromisso maior com o acabamento, que acaba por contrastar e iluminar o depuramento formal presente nas grandes telas.

Esse diálogo entre os diferentes caminhos trilhados pelo artista no isolamento do ateliê, possibilitado pelo convívio no espaço expositivo, não apenas torna mais tangível os aspectos mais evidentes de sua pesquisa, como evidencia a importância, em doses praticamente iguais, do esforço e do desejo em sua prática artística. Referindo-se com frequência a mestres da pintura que o antecederam, Pasta costuma dizer que aprendeu com Matisse o valor da disciplina e com Volpi a importância de ter paciência. Como diz ele, "não basta a intenção, o projeto tem que ser submetido à ação diária, persistente, vagarosa, tornando-se assim destino".

Paulo Pasta (1959, Ariranha, SP) é doutor em artes plásticas pela Universidade de São Paulo, SP (2011), realizou exposições individuais em diversos espaços, como Galeria Carbono, São Paulo, SP, e Paulo Darzé, Salvador, BA (2017); Palácio Pamphilj, Roma, Itália (2016); Galeria Millan e Anexo Millan e Museu Afro Brasil, São Paulo, SP (2015); Sesc Belenzinho, São Paulo, SP (2014); Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS (2013); Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, SP (2011); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ (2008); Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP (2006); entre outros. Também participou de importantes exposições coletivas, entre elas: MAC-USP no Século XXI – A Era dos Artistas, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP (2017); Clube de Gravura – 30 Anos, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, e Os Muitos e o Um, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP (2016); 30 x Bienal, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP (2013); Europalia, International Art Festival, Bruxelas, Bélgica (2011); Matisse Hoje, Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP (2009); Panorama dos Panoramas, MAM-SP, SP (2008); MAM [na] Oca, Oca, São Paulo, SP (2006); Arte por Toda Parte, 3ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS (2001); Brasil + 500 – Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP (2000); III Bienal de Cuenca, Equador (1991), entre outras. Suas obras integram diversas coleções, entre as quais: Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, RJ; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP; Museu de Belas-Artes do Rio de Janeiro, RJ; Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA; e Kunsthalle, Berlim, Alemanha.

Posted by Patricia Canetti at 3:20 PM

5 anos de Carbono na Carbono, São Paulo

Carbono completa 5 anos e realiza exposição comemorativa

Abraham Palatnik faz edição especial para mostra

Com um conceito único de múltiplos no Brasil, a Carbono Galeria completa 5 anos de intenso trabalho. Com mais de 200 edições exclusivas, com artistas consagrados nacionais e internacionais, abre mostra com uma retrospectiva desse período com 40 obras do seu acervo. Na ocasião será lançada uma edição especial de Abraham Palatnik, realizada com exclusividade para a galeria. A abertura acontece no próximo dia 26 de março e permanece até 19 de maio.

A edição especial para celebrar os cinco anos da galeria assinada pelo Palatnik coincide com o aniversário de 90 anos do artista. Pioneiro na arte cinética no Brasil, Abraham já participou de oito edições da Bienal de SP e da 32ª Bienal de Veneza. O trabalho inédito para Carbono terá uma tiragem de 25 e apresenta um relevo em vacuum forming e pintura.

Comandada com garra e comprometimento por Ana Serra e Renata Castro e Silva, a Carbono trabalha com a colaboração de artistas consolidados, importantes galerias e curadores experientes, apresenta edições exclusivas com a finalidade maior de expandir o mercado, criando mais oportunidades para novos colecionadores e difundindo o pensamento do artista.

Para a curadora Ligia Canongia, “Desde o início, ficaram claros os padrões profissionais e a seriedade da galeria, a ponto de se poder mesmo dizer que ela, praticamente, já nasceu madura. E aqui não se trata de precocidade, mas, sim, de respeito e compromisso permanente com os processos, veículos e conceitos contemporâneos” conta em texto de apresentação.

Além do acervo exclusivo, a Carbono também trabalha em parceria com alguns dos melhores editores internacionais. A cada curadoria, novas edições são incorporadas à coleção, sempre com o rígido controle e certificação de autenticidade. As edições, ou seja, obras de arte que são reproduzidas em série limitada (em sua grande maioria), abrange diversas categorias, como esculturas, objetos, livros de artistas, gravuras, fotografias, vídeos e até instalações.

Um livro comemorativo aos 5 anos também será lançado durante o período expositivo, com textos de importantes curadores, galeristas, críticos de arte entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 2:25 PM

março 19, 2018

Jorge Fonseca na Funarte, Belo Horizonte

Projeto inspirado no Inhotim é vencedor do primeiro lugar do “Prêmio Funarte – Conexão Circulação Artes Visuais”

FIOTIM – O Museu em Movimento é uma Fábula-Instalação criada pelo artista mineiro Jorge Fonseca, que estará em exposição em Belo Horizonte, a partir do dia 23 de março, na Funarte.

Nela, um camelô visita um importante museu em Minas Gerais – o Inhotim – e, presenciando encantado uma verdadeira romaria, descobre ali uma oportunidade de mudar de vida. A partir de então, este ‘arteiro viajante’ se lança na missão de fazer miniaturas de tudo o que viu. Mesmo sem entender nada daquilo e dispor de poucos recursos, produz, à sua maneira, uma série de souvenirs – imitações dos objetos de adoração – visando ‘tirar proveito’ da fé, da devoção e da comoção que envolve aqueles romeiros contemporâneos, que adentram o paraíso pós-moderno, ávidos por progresso espiritual, sabedoria e conhecimento.

Esta é a saga de Jorge K., que faz as vezes de mestre de cerimônia do FIOTIM. O personagem possui uma biografia, personalidade própria e um visual altamente cativante. Realiza performances e é uma atração a mais neste envolvente universo criado por Fonseca.

Para a construção do projeto, ganhador do 1º lugar no Prêmio Funarte – Conexão Circulação Artes Visuais 2016, Jorge Fonseca se inspirou nos mascates e camelôs de outrora. Outra inspiração foram os “gabinetes de curiosidades”, pequenos circos sobre rodas que percorriam cidades do interior levando ao público uma exposição de raridades e novas descobertas.

Com o FIOTIM, Jorge Fonseca percorre o Brasil promovendo a democratização do acesso à arte e à cultura, parando em lugares improváveis e gerando acontecimentos inusitados, em um trailer que abriga a instalação, com ares de circo e parque de diversões, com direito a jardins, aves, paisagens, fontes e muito sonho. O projeto é perpassado por uma fina ironia que o artista vem destilando ao longo de sua intensa produção, mas é, acima de tudo, uma exaltação à arte.

Conceitualmente, FIOTIM representa a síntese de 22 anos de pesquisa de Jorge Fonseca. Um desdobramento do seu “fazer artístico” que extrapola os limites do ateliê e passa a ocupar os espaços públicos, estabelecendo um nível mais profundo de relação com as pessoas. Ao mesmo tempo, traz um questionamento acerca de uma série de conceitos que norteiam e determinam o sistema de arte na contemporaneidade.

Sua singularidade está no fato de atrair um público diverso, pessoas que nunca estiveram em uma exposição de arte ou em um museu e que, nem por isso, se intimidam diante das ações e dos objetos que lhes são apresentados. “O fato é que um número significativo de pessoas nunca entrou em um museu. Sequer já viu um de perto. E de repente chega o FIOTIM na cidade e cria a oportunidade para as pessoas se conectarem com a arte. E o que é melhor: de uma forma festiva e afetiva. Essa é uma das principais características conceituais do projeto como um todo, desacostumar as pessoas a ter um contato frio e 'sisudo' com a arte em exposições. Seja em praça pública ou em espaços institucionais, um dos atributos da arte deve ser possibilitar o prazer e a alegria. O FIOTIM tem essa capacidade de quebrar paradigmas”, conta Fonseca.

Em 2015, no Rio de Janeiro, o projeto participou do Festival de Esculturas Monumentais, da Feira de Arte Urbana - Art Rua e do Festival Interculturalidades, da UFF, em Niterói. Entre julho e setembro de 2016, percorreu milhares de quilômetros com a Caravana “No Coração do Brasil”, margeando o Rio São Francisco de sua nascente até a foz, do sertão de Minas Gerais ao litoral de Alagoas. O artista também foi indicado ao Prêmio Pipa 2017 e sagrou-se vencedor do Prêmio PIPA OnLine (categoria Voto Popular)

Sobre a estrutura:

O FIOTIM é um ambiente multissensorial que envolve o espectador convidando-o a interagir com a obra. O trailer possui, em sua parte externa, um jardim artificial composto por gramado, plantas, flores e aves; além de lâmpadas e cataventos. Internamente, comporta até quatro pessoas por vez que podem visitar as 40 obras de arte - releituras feitas em miniatura das obras monumentais de Inhotim.

O “Parque Everland” é um espaço composto por vários ‘objetos estéticos relacionais’. Nele, os visitantes interagem e se divertem com as esculturas interativas. Algumas inspiradas em brinquedos já existentes, com nomes bem originais, como: a “Máquina de Abrir Sorrisos”, o “Realizejo”, o “Self-Game – o Seu Maior Adversário é Você”, o “Renascedouro”, a “Máquina de Fazer Arte” dentre outros.

O projeto ainda possui um programa que desenvolve ações educativas e fomenta o conhecimento nas cidades por onde passa: residências artísticas, oficinas de arte, palestras, intercâmbio com artistas locais, visitas guiadas para educadores e estudantes etc.

Posted by Patricia Canetti at 2:29 PM

Thiago Rocha Pitta na Millan, São Paulo

Thiago Rocha Pitta investiga os primórdios da evolução do planeta em nova mostra na Galeria Millan

Conjunto amplo de trabalhos transita por diversos suportes, como afresco, escultura e vídeo, e joga luz sobre a vida de microrganismos ancestrais que mudaram drasticamente a composição química da atmosfera da Terra

A Galeria Millan tem o prazer de apresentar, de 24 de março a 28 de abril de 2018, a exposição O Primeiro Verde, de Thiago Rocha Pitta. A mostra marca um novo capítulo em sua meticulosa investigação acerca do meio ambiente, à medida que ele mergulha mais profundamente na origem e na evolução do planeta a partir de um conjunto de trabalhos – em sua maioria afrescos, além de uma instalação, uma escultura, uma aquarela e um vídeo – concebidos entre 2017 e 2018.

A prática diversificada de Rocha Pitta está conectada a uma fascinação profunda com as sutis transformações de seu entorno: a lenta erosão e a alteração da areia do deserto, a descida de uma neblina e as flutuações de formações subaquáticas. Suas obras têm capturado a vibração de um planeta vivo por meio do treinamento do olhar do observador acerca das lentas transformações materiais, as progressões físicas de minúsculas partículas de um território e as alterações repentinas do tempo.

Nesse novo corpo de trabalho, o artista examina os processos naturais envolvidos na fundação de todos os seres vivos: desde o surgimento das cianobactérias, primeiros seres a realizar fotossíntese, há 3,7 bilhões de anos, até o período da “grande oxidação”, quando o oxigênio produzido por esses microrganismos começou a ser liberado na atmosfera, criando condições para a vida tal qual a conhecemos hoje.

A partir disso, Rocha Pitta cria um rico campo visual que revigora e atualiza essa narrativa na vida contemporânea – atualização que se faz pertinente ao considerarmos nosso papel dentro da contínua transformação do planeta, que, para muitos cientistas, atravessa agora a era do antropoceno, em que seres humanos e suas atividades técnico-científicas têm substituído a natureza como força ambiental predominante. Ao retratar microrganismos ancestrais que operaram uma mudança radical na composição química da atmosfera, o artista propõe nos alertar também para nossa insignificância na história do mundo.

Essas ideias manifestam-se na exposição por meio do engajamento do artista, desde 2016, com a cor verde, que empresta seu nome ao título. A cor evoca não só as paisagens exuberantes do Brasil como pode ser considerada um sinônimo de diversos ecossistemas ao redor do mundo. Utilizando-se do vasto espectro, matizes e gradações contidos entre o verde e o azul, ele tece visões abstratas da terra e do mar que irrompem em nosso olhar com energia.

A vivacidade dessas vistas é acentuada por meio da implementação da técnica tradicional do afresco, através da qual são aplicados pigmentos diretamente sobre uma camada úmida composta de cal e areia, resultando em superfícies frescas. A escolha do artista dessa técnica – cujo processo envolve a evaporação, o endurecimento e a liberação de calor – estabelece uma clara conexão com os ciclos geológicos abordados na exposição.

Complementa o conjunto o vídeo Before the Dawn, filmado no Hamelin Pool, na região oeste da Austrália. O Hamelin Pool é um dos dois únicos lugares na Terra onde ainda vivem estromatólitos semelhantes aos encontrados em rochas de 3.5 milhões de anos. O vídeo, de 12 minutos, captura a ascensão da aurora sobre essas extraordinárias criaturas marinhas e oferece uma comovente imagem a respeito dos primórdios da vida: dos pequenos organismos que provocaram o desenvolvimento das diversas flora e fauna do mundo de hoje à primeira experiência da luz.

“O amanhecer marca um momento em que a luz e a escuridão ainda não estão separadas e o mundo se apresenta como uma atmosfera indistinta, com aspecto primitivo. Essa é a sensação que permeia toda a exposição. Trata-se de reconhecer os extraordinários processos que contribuíram para a formação do mundo que entendemos hoje. Também é uma lembrança de que nosso ambiente não é estático. Ele está respirando e mudando o tempo todo”, reflete o artista.

Thiago Rocha Pitta (1980, Tiradentes, MG)foi vencedor dos prêmios Open Your Mind Award, Suíça (2009), e Marcantonio Vilaça, Brasil (2005), e apresentou mostras individuais na Marianne Boesky Gallery, Nova York, EUA (2017); Igreja Santa Maria Incoronata e Gluck50 Gallery, ambas em Milão, Itália (2013); Andersen’s Contemporary, Copenhague, Dinamarca (2012); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ (2011); Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ (2010); Meyer Riegger, Karlsruhe, Alemanha (2009); Arts Initiative Tokyo, Japão (2008); e Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, MG (2002); entre outras. Exposições coletivas importantes incluem: The Garden of Forking Paths Sculpture Project, Migros Museum Für Gegenwartskunst, Zurique, Suíça (2012); 30ª Bienal de São Paulo, SP (2012); The Travelling Show, Galería Fundación/Colección Jumex, Cidade do México, México (2009); Nova Arte Nova, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ (2008); A Time Frame, PS1-MoMa, Nova York, EUA (2006); e J’en Rêve at Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris, França (2005). Também participou da 9ª e da 5ª edições da Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS (2013 e 2005). Suas obras integram as seguintes coleções públicas: MoMA PS1, Nova York, EUA; Maison Européenne de la Photographie, Paris, França; Hara Museum, Tóquio, Japão; Patricia Pelphs de Cisneros, Nova York, EUA; Colección Jumex, Cidade do México, México; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP; MoCP – Museum of Contemporary Photography, Chicago, EUA; entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 12:49 PM

Antonio Malta Campos na Leme, São Paulo

A Galeria Leme apresenta a segunda exposição individual de Antonio Malta Campos em seu espaço. É a primeira vez que o artista mostra as suas pinturas em São Paulo, depois da sua participação na 32ª Bienal de São Paulo, em 2016. Para esta exposição Antonio Malta apresenta um conjunto de nove pinturas recentes e inéditas onde aprofunda a sua exploração pictórica e compositiva.

O processo de elaboração das obras de Antonio Malta é fruto de um jogo de forças entre método e improvisação. O artista estrutura as suas pinturas a partir de camadas sucessivas de campos de cor que se sobrepõem e crescem organicamente e intuitivamente. Sobre estas camadas equilibra uma série de elementos que flutuam num jogo gravitacional entre si. Formas em metamorfose, entre o resíduo de uma possibilidade figurativa e a sua deformação e emancipação de qualquer significado prescrito. A apreciação da composição geral subsequentemente dá lugar à percepção das narrativas existentes na correlação das partes. E mesmo diante de composições sem figuração explícita, o visitante é convidado a especular imaginativamente sobre os possíveis sentidos contidos no encadeamento das partes de cada obra.

Para esta exposição Antonio Malta Campos concebe suas pinturas pensando não apenas nas composições internas de cada obra mas também na relação que estas estabelecem entre si. A lógica de figura-fundo presente em cada um das suas telas é refletida à macro-escala da exposição, onde cada uma das obras é cuidadosamente elaborada e posicionada para ser vista em relação às demais e de forma a estabelecer um profundo diálogo, compositivo e cromático. O artista expande a sua lógica compositiva para lá dos limites da tela, aplicando-a e potencializando-a na totalidade da exposição.

Antonio Malta Campos
São Paulo, Brasil, 1961. Vive e trabalha em São Paulo.

Exposições individuais selecionadas: F2 Galería, Madri, Espanha; Galeria SIM, Curitiba, Brasil (2017); Aquarelas, Galeria Leme, São Paulo, Brasil (2016); Antonio Malta, Galeria Pilar, São Paulo, Brasil (2014); Antonio Malta e Erika Verzutti, Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil (2012), entre outras.

Exposições coletivas selecionadas: Incerteza Viva, 32 a Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil; Os Muitos e o Um: Arte Contemporânea Brasileira na Coleção Andrea e José Olympio Pereira, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2016); Uma coleção particular – Arte contemporânea no acervo da Pinacoteca. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil (2015); Pangaea: New Art from Africa and Latin America. Saatchi Gallery, Londres, Inglaterra (2014), entre outras.

O seu trabalho integra coleções tais como: Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; MAR - Museu de Artedo Rio, Rio de Janeiro, Brasil; Saatchi Collection, Londres, Inglaterra; Colección olorVISUAL, Barcelona, Espanha.

Posted by Patricia Canetti at 12:22 PM

Paulo Pasta no Tomie Ohtake, São Paulo

Nesta individual de Paulo Pasta, o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada selecionou treze pinturas produzidas nos últimos treze anos que refletem o arsenal pictórico do celebrado artista paulista. Projeto e Destino é a primeira exposição que reúne um conjunto de suas pinturas de dimensões quase arquitetônicas (2,4 metros de altura por 3 metros de comprimento). De acordo com o curador, também convergem nesta seleção de trabalhos: o campo da pintura seccionado em segmentos amplos e de contorno regular, quase sempre ortogonal; as linhas definidas entre os blocos de cor que se assemelham a esquemas de cruzes, pórticos, pilares, telhados e vigas; a variação cromática combinada entre 3 a 6 matizes por tela, todas com valores tonais similares.

Mas foi em um dos ensaios mais conhecidos do historiador italiano Giulio Carlo Argan, Projeto e Destino, de 1964, que Miyada foi buscar nova reflexão sobre a obra de Pasta. Como ele aponta, Argan colecionava sinais alarmantes de que a própria historicidade da civilização poderia estar à beira de seu final, quando seria substituída por uma vida pós-histórica, sem consciência de seu passado e sem construção de futuro. O historiador questionava ainda a relevância que a arte poderia ter nesse cenário. Para o curador, Pasta não pretende ser portador dessa resolução, mas ressalta que, em sua prática artística, o pintor criou fundações justamente no cerne do impasse sobre qual pode ser o lugar da arte.

“Sua pintura existe no tenso limiar entre, por um lado, um possível desejo de religar uma parcela dos legados da história e, por outro, experimentar a invenção de algo novo”. Miyada, destaca que, porém, exista aí um paradoxo impossível de resolver (ou, pelo menos, é impossível que um artista sozinho a resolva). “Se a obra artística aderir integralmente ao passado, estará desprovida de liberdade de construir seu futuro, estará atrelada a roteiros predeterminados; mas, também, se perder sua capacidade de evocar a história, será vista como mais uma imagem no turbilhão indiferenciado do consumo”.

Para o curador, Pasta, com resiliência rara, procura sustentar o limiar dessa tensão paradoxal. “É talvez por advirem desse limiar que as telas reunidas possuem características ambivalentes: há algo nelas que parece emergir para, logo em seguida, retroceder diante do olhar. Os sutis contrastes entre cores de tonalidade similar vibram e se escondem. Alguma profundidade pictórica é sugerida e, logo, dissolve-se. A lembrança do cromatismo de certo pintor (Volpi, Morandi, Rubens, Tintoretto) se delineia, mas pode ser igualmente substituída pela memória dos muros e fachadas dos bairros populares brasileiros”, completa Miyada.

Paulo Pasta nasceu em Ariranha, interior de São Paulo, em 1953. Doutor em artes plásticas pela Universidade de São Paulo, SP (2011), realizou exposições individuais em diversos espaços, como Galeria Carbono, São Paulo, SP, e Paulo Darzé, Salvador, BA (2017); Palácio Pamphilj, Roma, Itália (2016); Galeria Millan e Anexo Millan e Museu Afro Brasil, São Paulo, SP (2015); Sesc Belenzinho, São Paulo, SP (2014); Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS (2013); Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, SP (2011); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ (2008); Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP (2006); entre outros. Também participou de importantes exposições coletivas, entre elas: MAC-USP no Século XXI – A Era dos Artistas, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP (2017); Clube de Gravura – 30 Anos, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, e Os Muitos e o Um, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP (2016); 30 x Bienal, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP (2013); Europalia, International Art Festival, Bruxelas, Bélgica (2011); Matisse Hoje, Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP (2009); Panorama dos Panoramas, MAM-SP, SP (2008); MAM [na] Oca, Oca, São Paulo, SP (2006); Arte por Toda Parte, 3ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS (2001); Brasil + 500 – Mostra do Redescobrimento, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP (2000); III Bienal de Cuenca, Equador (1991), entre outras. Suas obras integram diversas coleções, entre as quais: Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP; Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, RJ; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP; Museu de Belas-Artes do Rio de Janeiro, RJ; Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA; e Kunsthalle, Berlim, Alemanha.

Posted by Patricia Canetti at 11:46 AM

Cecily Brown no Tomie Ohtake, São Paulo

Cecily Brown, artista inglesa que emergiu nos anos 80, egressa do movimento conhecido como Young British Artists, tornando-se uma das pintoras mais celebradas internacionalmente, apresenta Se o paraíso fosse assim tão bom, exposição formada por um conjunto de trabalhos da última década de sua carreira. As dez pinturas e os oito desenhos selecionados pela artista em diálogo com Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake, representam a frequente reflexão de Brown sobre um assunto que a tem fascinado: o paraíso.

As pinturas são repletas de cor e movimento; faces – animais e humanas – espreitam os espectadores por entre véus de cor; figuras exploram o espaço pictórico e recusam-se à imobilização e fixação. Tudo está movimento, nada está assentado. Os trabalhos apresentam-se no meio da narrativa, transpirando um dinamismo que desafia a natureza estática da pintura. Eles revelam e escondem na mesma medida, solicitando ao espectador que olhe de novo e de novo.

Uma característica muito discutida pelos críticos acerca do trabalho poderá ser apreciada pelos visitantes: as obras apresentam uma tensa relação entre figuração e abstração: é possível reconhecer corpos, animas e plantas emaranhados, mas também é possível deixar de enxergá-los e perceber apenas manchas e campos de cor dinamicamente posicionados. Isso decorre do modo único que a artista desenvolveu para evocar cenas e situações sem prendê-las em contornos rígidos, ao mesmo tempo em que experimenta com espontaneidade e vigor as possibilidades plásticas da pintura com tinta à óleo sem limitar-se por planos previamente definidos.

Graças a essa atitude, a visão de Brown sobre o paraíso lembra um campo de batalha, mas livre de insinuações moralizantes. “É difícil precisar se os paraísos de Cecily Brown seriam, afinal, mais ou menos toleráveis do que as versões idílicas que os precederam. Seus aspectos associáveis ao inferno (dinamismo, choque e confusão) seriam talvez bem-vindos para os cidadãos do presente, tão apaixonados pelo espetáculo de gratuidade e destruição que desfila nas velhas e nas novas mídias dia após dia, minuto a minuto”, pondera Miyada.

Nestas pinturas, ao invés de ensaiar a calma batalha entre o bem e o mal, Brown luta com a relação entre essas forças opostas, como elas interagem e se tensionam. É a coexistência perpétua do bem e do mal, da luz e da escuridão, e a tensão produtiva criada por essa mistura que fascinam a Brown. Ela se volta a representações do paraíso que exploram a inquietante natureza da utopia. Sua obra é inspirada pelo tratamento dado ao tema por artistas como Hieronymus Bosch, Michelangelo Buonarroti e Jan Breughel. Esses artistas canônicos pintaram cenas paradisíacas, nas quais humanos e bestas coexistem em uma irrealidade que é tão exuberante e fecunda quanto melancólica. Assim como Brown, eles entenderam que o paraíso é precário. É o cenário de uma dança delicada, um duelo de forças ao mesmo tempo sedutor e agourento. Brown usufrui dessa instabilidade e impregna seus trabalhos com uma beleza entrópica. Evocando as portentosas palavras de W.B. Yeats, “things fall apart, the center cannot hold” (livremente traduzido como “as coisas se desintegram, não é possível segurá-las”), o conjunto de pinturas de Cecily Brown sugere que talvez seja a natureza intangível e efêmera do paraíso que o transforme nisso: um ideal inatingível e irresistível.

Cecily Brown nasceu em Londres em 1969. Seu trabalho figura em coleções públicas como: Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York; Whitney Museum of American Art, Nova York; MFA, Boston; Tate Gallery, Londres; Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington, D.C.; e National Gallery of Art, Washington, D.C.. As suas principais exposições individuais incluem mostras em museus como Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington, D.C. (2002); MACRO, Roma (2003); Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri (2004); Museum of Modern Art, Oxford (2005); Kunsthalle Mannheim (2005–06); Des Moines Art Center, Iowa (2006); Museum of Fine Arts, Boston (2006–07); Deichtorhallen, Hamburgo (2009); Kestner Gesellschaft, Hanôver (2010, itinerante para GEM, Museum of Contemporary Art, Haia); e Galleria d’Arte Moderna e Contemporanea, Turim (2014). A artista também realizou inúmeras exposições individuais em galerias, incluindo: Gagosian Gallery, Maccarone Gallery, Victoria Miro, CFA, Kukje Gallery, entre outras. Brown vive e trabalha em Nova York.

Posted by Patricia Canetti at 11:28 AM

Alice Quaresma + Gian Spina na Casa Nova, São Paulo

Paralelamente à 14 a edição da SP-Arte a Casa Nova inaugura mostras inéditas dos artistas Gian Spina e Alice Quaresma

No Sábado, dia 24 de Março, temos o prazer de apresentar a primeira individual do paulistano Gian Spina e o projeto solo da carioca Alice Quaresma, ambos inéditos e produzidos especialmente para a Casa Nova.

A exposição Concreto Contínuo do artista Gian Spina contempla diversas mídias como vídeo, performance, instalação e a sua atividade como escritor e poeta, mostrando o lado multifacetado do artista. Spina desenvolve sua prática em torno da investigação de construções narrativas e das representações da história e da memória. Para esta exposição, que conta com a curadoria de Juliana Caffé, o artista produziu uma série de obras que buscam refletir sobre as representações da memória no espaço público, a historiografia apologética na qual se fundam e o que elas suscitam no imaginário social.

Já a artista Alice Quaresma apresenta o projeto Coisas da Vida, que traz como foco o questionamento do movimento e cronologia através da fotografia. Para sala de projeto solo da Casa Nova, Alice criou um mural fragmentado usando fotografias e paneis coloridos pendurados individualmente criando profundidade e distanciamento entre cada imagem e cor. A instalação permite que o público percorra o trabalho de forma que se surpreendam com a fotografia panorâmica da cidade natal da artista, Rio de Janeiro, ao fundo da sala.

Além disso, o projeto "Coisas da Vida" contemplará seis obras únicas, onde a artista cria linhas e marcas gestuais sobre fotografias tiradas no Rio de Janeiro, nos últimos 15 anos. A artista continua investigando os limites da fotografia como um objeto de precisão e verdade. A geometria e marcas gestuais são elementos constantes no trabalho da Alice, onde ela investiga maneiras de romper com formas representacionais presentes na fotografia. Decisões subjetivas e ocasionais são constantes e aparentes no seu trabalho, de forma que aproximam suas obras a acontecimentos da vida. As obras de Alice Quaresma trazem um olhar poético para pequenos encontros e desencontros do dia a dia, criando uma história sem cronologia.

Com isso a Casa Nova afirma sua proposta de inserir no mercado cultural novos e promissores talentos que possuem pesquisas poéticas e imagéticas sobre os dias atuais, solidificando a cena artística contemporânea Brasileira ao criar um dialogo desta nova geração com um público interessado por novas descobertas do circuito da arte.

A Casa Nova participa novamente da Art Weekend, circuito criado para promover eventos e ações dos espaços culturais de São Paulo. Na Terça-feira, 10 de Abril, será realizada uma visita guiada pelas exposições com os artistas. E no dia seguinte, a Casa Nova participará também - pelo terceiro ano consecutivo - da feira de arte SP-Arte, no prédio da Bienal de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 10:14 AM

março 16, 2018

Gilson Rodrigues + Joana Cesar + Luiz d'Orey na dotART, Belo Horizonte

Abrindo o calendário de 2018, a galeria dotART celebra o ano com três apostas da cena da arte contemporânea. No dia 20 de março, a galeria abre “Tudo se Ilumina”, novas e exclusivas mostras individuais dos artistas Luiz d’Orey, Joana Cesar e Gilson Rodrigues. Toda a mostra é composta por trabalhos inéditos, pensados e realizados para as exposições dentro da galeria, são as primeiras exposições individuais desses artistas em Belo Horizonte, sendo um deles mineiro de Contagem.

Os três jovens artistas talentosos possuem uma trajetória já definida e ascensão na cena artística e cultural, fazem uma viagem, cada um a seu tempo, em que o belo, o virtual e o real estão efetivamente presentes, trazendo um novo sentido para a arte. Há um desejo concreto, estruturado e bem realizado em cada um deles. Em obras de múltiplas narrativas e referências, são trabalhos em que nada é o que parece. Com olhar por vezes sádico, sinistro, sedutor, poético e luminoso, são três artistas que apresentam uma releitura particular da arte brasileira. Suas trajetórias e processos criativos singulares carregam uma explosão de luz e qualidade que são refletidas na exuberância de belas obras de arte.

Na galeria 1 - 1º andar, está a mostra Não uma, mas duas pessoas, de Joana Cesar. Seu trabalho em ateliê leva a artista para as ruas da cidade, onde passa a usar muros, calçadas, postes e viadutos como suporte para sua escrita em código, inventada na infância. No espaço da galeria, Joana vai realizar uma instalação onde as pessoas poderão tocar em papéis pendurados que terão aplicações em frente e verso na superfície.

Subindo para o 2º andar da galeria 1, os visitantes poderão encontrar a obra de Gilson Rodrigues, Trauma. Sua produção é recorrente na investigação sobre questões ligadas ao tempo, a memória e a paisagem. Seu trabalho tem ligações com a história da representação e cria diálogos entre a tradição da pintura de paisagem e utensílios domésticos. Sobrepõe-se a reapresentações de objetos ornamentos, sobre ícones da tradição pictórica, criando paisagens fragmentadas e inquietantes. Ao deslocar a imagem de objetos comuns, como talheres e xícaras, para o plano da pintura oferece-se ao espectador uma nova maneira de perceber as formas presentes na superfície destes utensílios, silenciadas pelo caos da vida cotidiana.

Na galeria 2, o Espaço Comum de Luiz d’Orey toma a galeria. Para esta mostra, o artista ainda irá produzir obras para a exposição dentro da própria galeria. Seu trabalho investiga objetos urbanos pré-existentes, seus ambientes e rituais de construção arquitetônica. Cartazes que antes estavam pregados em tapumes de construção civil, agora são levados ao estúdio, onde suas imagens impressas a jato de tinta substituem o uso de tinta em representações dos edifícios em andamento. O interesse pelo material e processo criativo, surge junto dos limites criados pela disponibilidade do material e dos problemas pictóricos a serem resolvidos durante o caminho. Numa espécie de retroalimentação infinita entre obra e cidade, d’Orey ainda fotografa e reproduz em lambe-lambes cada uma das pinturas após terminá-las, colando-as novamente nos tapumes de obra.

Posted by Patricia Canetti at 11:41 AM

O tempo das coisas no Porão do Paço Municipal, Porto Alegre

A Coordenação de Artes Plásticas da Secretaria de Cultura de Porto Alegre apresenta a estreia de “O tempo das coisas”, projeto curatorial que inicialmente se desdobrará em duas exposições interligadas. A primeira mostra, com abertura no dia 19 de março, às 18h30min, faz parte da programação da Semana de Porto Alegre. Subintitulada “Módulo 1”, a exposição inaugural do projeto apresenta trabalhos dos artistas Bruno Borne, Túlio Pinto, do russo Fyodor Pavlov-Andreevich e o duo Ío (formado por Laura Cattani e Munir Klamt). A concepção e a curadoria são do crítico de arte, jornalista e pesquisador Francisco Dalcol.

Esta primeira exposição de “O tempo das coisas” tem lugar no Porão do Paço Municipal de Porto Alegre. O espaço expositivo, sob gestão da Pinacoteca Aldo Locatelli, localiza-se no andar inferior da prefeitura da cidade, no prédio histórico construído entre 1898 e 1901 para hospedar a então Intendência Municipal. Além de uma seleção de vídeos, a exposição traz a público 2 trabalhos desenvolvidos em resposta ao lugar de exposição: o característico espaço arquitetônico do Porão do Paço, onde antigamente funcionou uma cadeia policial com celas nas quais eram confinados os prisioneiros.

BRUNO BORNE participa com uma videoinstalação site-specific localizada nos chamados Arcos do Porão. Integrando a pesquisa do artista em torno do espaço arquitetônico e da linguagem da animação digital, o trabalho faz convergir imagens de arquiteturas distintas, que se hibridizam em movimento, de modo a gerar uma nova e reinventada arquitetura que, por sua vez, também recria tanto os próprios espaços que originam o trabalho como aqueles onde é apresentado.

O duo ÍO apresenta uma instalação que, como os vendavais ou as enchentes, evoca certo fascínio da destruição sem propósito, orientada pelos princípios de reação em cadeia – ou ainda jogos infantis, que têm como único objetivo a queda e a bagunça. “Falange” constitui-se como uma queda de dominós, sendo que barras de concreto, chocolate escorrido, vidro estilhaçado e pedras são os vestígios remanescentes desse processo. Os acontecimentos, os encaixes entre as partes e o encadeamento – assim como o exíguo tempo de duração – desse dispositivo de desabamento passam a existir na imaginação do espectador, uma vez que a instalação conserva os materiais remanescentes do processo de desenvolvimento do trabalho no próprio espaço expositivo.

Além dessas 2 instalações produzidas especialmente para a exposição, uma valendo-se da linguagem do vídeo e outra privilegiando o pensamento processual, “O tempo das coisas — módulo 1” também se hospeda nos demais espaços do Porão, com trabalhos em vídeo de outros dois artistas.

FYODOR PAVLOV-ANDREEVICH participa com a exibição de um programa de cinco microfilmes que oferecem registros de suas performances e ações, algumas realizadas no Brasil. Em comum, os vídeos enfatizam os aspectos de duração e resistência física e psicológica nos modos como o artista russo explora os limites do corpo enquanto suporte expressivo em suas práticas artísticas, explicitando também questões sociais que o mobilizam, tais como as condições de escravidão que identifica na sociedade contemporânea. “Temporary Monument # 7: O Pairado (São Paulo)” mostra uma performance na qual Fyodor ficou pendurado em um guindaste a uma altura de 40 metros, durante 7 horas, diante do prédio do MAC-USP. “O batatódromo” registra uma performance instalativa concebida a partir de milhares de tubérculos de batata no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. “Try Me On I’m Very You” mostra fragmentos de uma performance sonora, na qual o corpo se torna espécie de instrumento musical. “Foundling Series # 5” apresenta uma edição da ação em que o artista se deixa trancafiar em um diminuto cubo com lados de vidro, gerando intervenções onde é deixado dentro da caixa. Os locais escolhidos são sempre eventos e instituições de arte que ignoram a performance no campo das práticas artística. Por fim, o programa traz a público “Fyodor’s Performance Carousel”, proposta em que uma estrutura rotativa dividida em 9 partes traz cada uma delas um artista e sua obra. O vídeo apresenta a primeira edição, em Buenos Aires. A terceira foi realizada em 2017, no Sesc Consolação, em São Paulo.

TÚLIO PINTO integra a exposição com três vídeos e um objeto que também partem de uma pesquisa sobre performance, mas com especial atenção às possibilidades de diálogo, trânsito e reverberação com o pensamento escultórico que marca a sua produção. “Nadir # norte-leste” apresenta uma ação concebida pelo artista e performada em palco por Diego Passos no Festival Mais Performance, no Oi Futuro do Rio de Janeiro. Na exposição, é também apresentado o traje utilizado pelo performer. Outro trabalho é “Unicórnio”, uma videoperformance realizada em meio à paisagem desértica das Superstition Mountains nos EUA. Por fim, “Transposição” rememora o marcante projeto realizado em Porto Alegre em 2012. Trata-se de um filme de cerca de 40 minutos que oferece um retrospecto documental e de acompanhamento da proposição que consistiu na transferência de 6.000 blocos de concreto, ao longo de 20 dias, da Praça da Alfândega para a galeria Augusto Meyer da Casa de Cultura Mario Quintana.

O “Módulo 2” do projeto curatorial “O tempo das coisas” deverá ter início ainda durante o período expositivo do “Módulo 1”. Configurando-se como uma segunda exposição interligada à primeira, reunindo outras obras e número maior de artistas, está sendo concebida para ser apresentada nas dependências da Pinacoteca Ruben Berta, espaço também sob gestão da Coordenadoria de Artes Plásticas da Secretaria de Cultura de Porto Alegre.

A Semana de Porto Alegre é apresentada pela Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer e Companhia Zaffari, com patrocínio Caixa e Governo Federal. Agenciamento cultural Primeira Fila Produções. A Semana de Porto Alegre é uma realização da Prefeitura de Porto Alegre, financiada através do Pró-cultura RS, Lei de Incentivo à Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Posted by Patricia Canetti at 10:28 AM

Cabelo no BNDES, Rio de Janeiro

Com curadoria de Lisette Lagnado, mostra estreia no Espaço Cultural BNDES e explora elementos extraídos das culturas pop e afro-ameríndia

Nesta terça (20/3), o Espaço Cultural BNDES e Rosa Melo Produções Artísticas abrem ao público, no Rio de Janeiro, a nova exposição do artista visual, poeta e músico Cabelo, Luz com Trevas. A inauguração acontece a partir das 18h. A mostra reúne um conjunto significativo de trabalhos, com curadoria da crítica de arte Lisette Lagnado. Além da retrospectiva, obras inéditas do artista estarão no Espaço Cultural até 11/5.

Cabelo é conhecido por utilizar a música em muitos de seus trabalhos, seja improvisando ou com uma banda, transformando em raps poemas de Baudelaire ou Gerardo Mello Mourão. Destacam-se as trilhas sonoras que integram suas instalações, como Caixa Preta, com Paulo Vivacqua, em que mistura funks “proibidões” com as vozes de Glauber Rocha e Hélio Oiticica. Como compositor, tem músicas gravadas por artistas consagrados como Ney Matogrosso, Pedro Luis e a Parede, Cidade Negra e Monobloco, entre outros.

Luz com Trevas, faixa musical que dá nome à mostra, é um rap composto pelo artista, com produção de Kassin e Nave, e integra o disco Cabelo Cobra Coral, já em fase de gravação. Na inauguração, Cabelo apresentará a música ao vivo como mestre de cerimônias, com a participação de dançarinos e músicos. Utilizando vestimentas e materiais diversos, todos os envolvidos serão convidados a ativar poeticamente o espaço expositivo, por meio do canto e da dança, incorporando elementos da cultura pop e afro-ameríndia.

Durante a inauguração será lançada publicação bilíngue e ilustrada, contendo um pequeno ensaio de Lisette Lagnado e um glossário dos termos recorrentes que vêm acompanhando o artista ao longo de duas décadas. A curadora, responsável pelo convite feito a Cabelo em 1996 para participar da antológica mostra “Antarctica Artes com a Folha” (Pavilhão Manoel da Nóbrega, Parque Ibirapuera), traça linhas de discussão com referências e homenagens a David Medalla, Hélio Oiticica, Rogério Sganzerla, Tarsila do Amaral e Tunga, entre outros.

A exposição Luz com Trevas fica aberta até o dia 11/5 e tem entrada franca.

Sobre o artista

Em 1997, Cabelo foi um dos poucos artistas brasileiros a participar Documenta X (com curadoria de Catherine David), prestigiada exposição internacional organizada a cada cinco anos na cidade de Kassel (Alemanha). Entre outras coletivas, destacam-se a Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2009), a Bienal de São Paulo (2004) e “How Latitudes Become Forms: Art in a Global Age” (Walker Art Center, Minneapolis, EUA, 2003). A faixa “Luz com Trevas”, entre outras, pode ser ouvidas no site do artista: www.cabelo.etc.br/disco/

Posted by Patricia Canetti at 9:05 AM

março 14, 2018

Suzana Queiroga no Paço Imperial, Rio de Janeiro

Exposição ocupará três salas do Paço Imperial, com trabalhos recentes e inéditos da artista, dentre pinturas, esculturas, instalações e vídeos sobre o tempo, o infinito, a paisagem e a cartografia.

No dia 21 de março, será inaugurada a exposição Miradouro, com obras recentes e inéditas da artista plástica Suzana Queiroga, que ocuparão três salas do segundo andar do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, em uma área total de 300 m2. Com curadoria de Raphael Fonseca, serão apresentados cerca de quinze trabalhos em grandes dimensões, dentre pinturas, esculturas, instalações e vídeos, que mostram a pesquisa da artista sobre o tempo, a paisagem e a cartografia. A exposição também terá uma parte documental, com diversos estudos, mapas, pesquisas e o processo de trabalho da artista no ateliê. A mostra comemora os dez anos do projeto “Velofluxo”, em que a pesquisa de Queiroga sobre a cartografia, as cidades, os fluxos e o tempo, culminou com voos no balão Velofluxo, criado pela artista, em que a experiência do voo foi compartilhada com o público no CCBB de Brasília, em 2008. Para este ano, a artista também tem uma exposição programada na Cassia Bomeny Galeria, em Ipanema.

“A exposição traz ao público algo da variedade de mídias com as quais Suzana tem trabalhado. Há trabalhos na linguagem da pintura, área na qual seu trabalho foi inicialmente institucionalizado nos anos 1980 e o qual pesquisa sistematicamente. Há trabalhos realizados na linguagem mais próxima ao desenho e à pesquisa de diferentes materialidades de papel. E há também, por fim, trabalhos em vídeo que exploram a relação entre a documentação da paisagem e sua exploração por meio do desenho e da pintura”, conta o curador Raphael Fonseca.

As obras da exposição se relacionam entre si e o percurso da mostra foi criado de forma a aproximar o público. Logo na entrada, estará uma grande pintura redonda, de 1,5m de diâmetro, em óleo sobre tela, com veios em tons de azul, verde e laranja, que representam os fluxos. Nesta mesma sala, haverá desenhos e sketches, montados sobre a parede, sem moldura, trazendo um pouco da atmosfera do ateliê da artista para o museu.

Adentrando o grande salão principal, que tem área total de 182m2, estarão cinco pinturas em grande formato, que representam paisagens, não só urbana, mas também aérea e marítima. “No meu trabalho, penso a cartografia de forma ampla. Minha pesquisa envolve a cartografia do tempo, do infinito”, afirma. Nesta mesma sala estará a obra “Nuvem”, composta por 24 papéis vegetais, que recebem banhos de pigmentos em tons de cinza, violeta e rosados. “A obra tem uma palheta de nuvem carregada, prestes a chover, quando recebe os últimos raios de sol do dia”, explica a artista, que deu os banhos de pigmento com a intenção de “retirar a rigidez do papel, transformando-o em um campo atmosférico”. Este trabalho, de 2013, é inédito e foi criado como base para os vídeos “Mar”, em que a artista vai folheando esses papéis mesclados com imagens de nuvens, e “Cais”, em que os papéis se misturam com ondas do mar.

Também estará na exposição o vídeo “Atlas” (2015), em que um olho observa o interior de um globo terrestre em constante rotação. “Esse trabalho é uma cartografia mutante, fala do tempo e do fluxo. Em ‘Atlas’, somos observados e ao mesmo tempo observamos a este olho que oprime e inebria, como num voo ou circunavegação infinita às avessas na cartografia terrestre”, conta a artista.

A grande instalação “Topos” (2017), que ocupará o chão da última sala, é composta por diversos recortes em feltro, que representam as cartografias de várias cidades, reais e imaginárias. “O feltro bruto, feito de aparas de refugo de indústria têxtil possui uma massa corpórea espessa que se projeta no espaço e estabelece uma relação direta com a escala humana e arquitetônica. Ao mesmo tempo possui uma carga simbólica: é um tipo de manta utilizada pela indústria mas também pelo indivíduo morador de rua como cobertor, veste e abrigo”, diz a artista, que ressalta que nesta obra estão presentes elementos que atravessam o seu trabalho nos últimos anos: o fluxo, o tempo, o infinito, as cidades e as cartografias.

A exposição também terá uma grande parte documental, com pesquisas e estudos de ateliê. O espectador entrará em contato com os fragmentos deste percurso através de uma montagem pouco ortodoxa e suportes variados, que incluem desenhos, estudos, mapas, entre outros. Uma oportunidade única e rara de adentrar o ateliê da artista e seu processo de trabalho.

Suzana Queiroga (Rio de Janeiro, 1961) atua nas artes plásticas desde a década de 1980 e suas poéticas atravessam a ideia de fluxo e tempo. Traz à tona questões da expansão da pintura e do plano dialogando com diversos meios, entre os quais instalações, performances, infláveis, audiovisual e escultura. Participou de importantes exposições, no Brasil e no exterior, como “ÁguaAr”, no Centro para Assuntos de Arte e Arquitetura, em Guimarães, Portugal (2015), onde também foi artista residente e a individual “Prelúdio”, na Galeria Siniscalco, em Nápolis (2014); realizou uma individual para o Projeto Ver e Sentir do Museu Nacional de Belas Artes (2017). Acumulou cerca de 12 prêmios como o Prêmio de Aquisição na XVIII Bienal de Cerveira, em Portugal (2015); 5º Prêmio Marcantônio Vilaça/Funarte para aquisição de acervos (2012), pelo qual apresentou a individual “Olhos d’Água no Museu Nacional de Arte Contemporânea de Niterói no ano seguinte; o I Prêmio Nacional de Projéteis de Arte Contemporânea/Funarte (2005) e a bolsa RIOARTE (1999). Foi também finalista do 6º Prêmio Marcantônio Vilaça para as Artes Plásticas, cuja coletiva aconteceu no Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia (2017). Foi artista residente na Akademia der Bildenden der Künste Wien, na Áustria (2012), no Instituto Hilda Hilst, em São Paulo (2012), na IV Bienal del Fin del Mundo, na Argentina (2014), entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 6:28 PM

Helena Trindade no Paço Imperial, Rio de Janeiro

No dia 21 de março, quarta-feira, às 18h30, a artista Helena Trindade vai abrir a exposição A letra é a traça da letra, no Paço Imperial. Com curadoria de Glória Ferreira, a mostra apresenta cerca de 45 obras, entre objetos, instalações, fotos, esculturas, vídeos e performance (no dia da abertura) que ocupam as quatro salas do segundo pavimento da instituição. Os trabalhos, a maior parte em grandes dimensões, são inéditos e muitos deste ano.

As obras dialogam com a forte tradição brasileira em Poesia Visual, campo no qual a artista trabalha desde a década de 90. Na produção de Helena, signos visuais e linguísticos se concentram na materialidade da letra, na tensão entre o enunciável e o visível.

“A letra é a traça da letra”, a exposição, também dá nome a uma das instalações, composta pelo trabalho Alfabeto traça – invenção de um alfabeto autorreferente (não corresponde a nenhum outro conhecido) com teclas apagadas de máquinas de escrever –, e por um dicionário etimológico perfurado pela artista, ao modo das traças, com pequenos tipos de máquinas de escrever. “Existe no movimento que gera a linguagem um trabalho perpétuo de rearticulação que problematiza a questão da origem, uma vez que nesse processo nada se produz que não seja pela transformação”, esclarece Helena.

São muitas as letras e os abecedários presentes nas diversas instalações da exposição “Alfabetos latinos sem serem segmentais, mas em processo de constante construção, destruição e reconstrução. Os trabalhos remetem-se uns aos outros e estabelecem um amplo campo de Poesia Visual”, explica Glória Ferreira.

Nas paredes o Alfabeto traça é disposto como em um caderno de caligrafia. “Sem código, dialoga com a destruição do muro da linguagem pelo Vírus na primeira instalação e com a apresentação das coisas do amor e do desejo nas outras salas. Arremata o encadeamento dinâmico de todos os trabalhos, ainda que de forma provisória, posto que o processo da artista avança, retroage e se transforma, com a invenção de um novo alfabeto”, resume a curadora.

Quatro grandes instalações, concebidas como poesias visuais, abordam diferentes aspectos do funcionamento da linguagem, por meio de imagens, letras e sons. Cada uma delas possui elementos que remetem às instalações seguintes. E o público interage com algumas das obras. A instalação (a)MURO – onde está um grande muro construído com estênceis de letras –, por exemplo, trata de engajar sensorialmente o corpo das pessoas na Floresta de casulos, que deve ser atravessada para se ter acesso à sala seguinte. Nesta instalação, as pessoas se encostam nos elementos de papel e linha de encadernação, de formas orgânicas, movimentando-os e, ocasionalmente, alterando essas formas.

A questão do tempo e do corpo também está presente no vídeo D’Écrit x Des Cris (Escritos & gritos), parceria com Ana Kfouri, onde o corpo aparece sempre aos pedaços ou por meio de sombras e de gritos. E também o corpo da artista se presentifica na ação ‘Nada terá tido lugar senão o lugar’, no dia da abertura.

“A instalação (a)MURO se dá como num campo de forças em ‘inter-ação’. Um polo impuro do tempo: o vídeo D’écrits & Des cris (Escritos & gritos), a ação Nada terá tido lugar senão o lugar e a instalação Floresta de casulos; e um outro polo impuro, do espaço: o (a)MURO, as fotografias Alfabeto traço e os Vírus. Entre os dois polos estaria o Tempo para compreender, objeto que consiste em dois relógios com mostradores de letras, sendo que um deles funciona no sentido anti-horário”, pontua a artista.

Na instalação seguinte, (A)MOR, há um vídeo-díptico, que consiste em dois vídeos projetados no chão da sala, que colocam em questão momentos diversos do afeto amoroso. Um vídeo é dinâmico e vertiginoso, com música eletrônica. O outro é plácido e suave, com música da Grécia Antiga. Espera-se que as pessoas atravessem o espaço desses vídeos, projetando suas sombras e deixando-se “banhar” pelas imagens.

A instalação Medida de todas as coisas é composta por 20 objetos que remetem também ao corpo e à letra, na forma de utensílios, livros, brinquedos e outras coisas que se transmutam em obras de arte a depender da visada e o desejo do espectador; trabalhos intensos e instigantes que se relacionam entre si pela letra, pela presença e pelo lugar de onde falam ao outro...

Muitos autores têm se referido à letra: para Lacan, “o exemplo mais puro do significante é a letra, uma letra tipográfica”; para Barthes, “Toda a poesia, todo o inconsciente são uma volta à letra”; já para o poeta dadaísta Kurt Schwitters, “A base material da poesia não é a palavra e sim a letra”. “A letra não permite diretamente a leitura, mas problematiza o sentido e a visualidade”, diz Tania Rivera em seu livro O avesso do imaginário.

Para Helena Trindade, “a letra é um ‘pré-texto’ para um jogo poético”.

“A poeticidade da letra acontece num intervalo de indeterminação, na lacuna mesmo, entre o dizível e o visível. É o trabalho da plasticidade da letra com a imagem que abre um texto para legibilidades ilimitadas. Na unidade formal mínima da letra, as palavras são flagradas antes de significarem”, finaliza Helena.

Mais sobre a artista

Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua produção compreende instalações, objetos, vídeo, poesia visual, fotografia e projetos site-specific. Desde 1994, Helena tem sido convidada a desenvolver projetos para algumas das mais prestigiosas instituições, sendo que entre as nacionais figuram: FUNARTE, Paço Imperial, Oi Futuro Centro de Arte e Tecnologia, Casa de Cultura Laura Alvim, SESC, Museu da República, Centro de Arte Helio Oiticica, Centro Cultural São Paulo e Espaço Cultural Sérgio Porto. Entre as instituições internacionais onde Helena atuou estão: City University of New York, École d’Art d’Avignon durante o Ano do Brasil na França, Universidade de Coimbra, University of Hawaii, Metrospace da Prefeitura de East Leasing-Michigan, Fundação Portuguesa das Comunicações de Lisboa e Art Radio da Universidade de Maryland.

A artista conta, ainda, com participações na Agency of Unrealized Projects de Julieta Aranda e Hans Ulrich Obrist, na Plataforma digital da XII Documenta de Kassell e na Mostra Paralela Oficial da XXVI Bienal de São Paulo.

Em 2009, Helena Trindade publicou pela editora Contra Capa LIVROs, um livro sobre sua obra. LIVROs contém documentação fotográfica de suas exposições; ensaios desenvolvidos por Marisa Flórido, Tania Rivera, Alberto Saraiva e Cyriaco Lopes sobre seus trabalhos; uma entrevista à crítica e curadora independente Glória Ferreira e um ensaio fotográfico colaborativo com o diretor Neville D’Almeida que também idealizou, filmou e dirigiu o curta LIVROs que tem seu trabalho como tema. Participa também do livro Poesia visual da coleção Oi Futuro Arte e Tecnologia organizado por Alberto Saraiva, e Entrefalas, entrevistas por Glória Ferreira da Coleção Arte: ensaios e documentos; além de diversas matérias em revistas como Santa Art Magazine e Select.

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFRJ, iniciou livre formação artística na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde participou dos núcleos de Escultura, Desenho, Gravura, Teórico e de Aprofundamento em Pintura.

Em Nova York, cursou Gravura na Art Students League, Teorias da Arte Contemporânea na School of Visual Arts e na New York University.

Em 2003, concluiu Mestrado em Linguagens Visuais na Escola de Belas Artes da UFRJ, sob a orientação de Gloria Ferreira, com destaque para a qualidade do trabalho plástico apresentado na dissertação “Campo minado”.

Em 2006, concluiu, com nota máxima, o curso de pós-graduação em Arte e Filosofia da PUC-Rio com a monografia “Sob(re) o olhar”.

Participou ainda de seminários sobre Arte e Psicanálise na UFRJ e na escola lacaniana de psicanálise Letra Freudiana.

Posted by Patricia Canetti at 3:57 PM

Geraldo Marcolini no Paço Imperial, Rio de Janeiro

Nessa mostra, Geraldo Marcolini apresenta uma série de pinturas a óleo realizadas a partir de um arquivo de imagens fotográficas, tanto pessoais quanto apropriadas do universo digital.

Se em um momento anterior Marcolini trabalhou com procedimentos de pintura impressa e em tons mocromáticos que se relacionavam com processos mecânicos da indústria gráfica, nessa nova produção há um resgate tanto da cor como de uma certa gestualidade. A tinta a óleo ressurge como catalisadora dessa volta às cores, do gesto, do “inacabado”. Ao mesmo tempo permanece o interesse do artista pela arquitetura e por paisagens inabitadas, aparentemente anônimas, em sua maioria de piscinas e áreas de lazer de residências, condomínios e clubes. Lugares de recreação e descanso, que evocam o hedonismo vazio dos fins de semana na praia, dos churrascos â beira da piscina das famílias abastadas ou mesmo das pool parties regadas a drogas sintéticas e house music.

Títulos como Alugue Temporada e MDMA fazem referência direta a esses prazeres de aluguel. Certo aspecto de decadência está presente em algumas obras, sugerido por piscinas vazias ou lodosas, de casas ou hotéis que já viram melhores dias. O texto que acompanha e dá título a exposição - Fim de semana em Cabo Frio -, uma crônica do escritor e poeta mineiro Paulo Mendes Campos, foi escolhido pelo artista por exprimir o desencanto e a futilidade dessa busca por alegrias passageiras, fugazes, típicas dos fins de semana na praia.

Posted by Patricia Canetti at 3:32 PM

Alexandre Vogler no Paço Imperial, Rio de Janeiro

Instalação composta por um conjunto de 10 serigrafias sobre papel, desenvolvidas a partir da observação das lentes de Fresnel e reunidas para instaurar um campo de energia condensada.

Os trabalhos, resultado de um conjunto de impressões sobrepostas, tratam questões relativas ao conceito de fóton, a estrutura dinâmica de ondas luminosas, amparando-se em disciplinas complementares à Pintura – como a Física Ótica e a Fotônica.

Tomando por princípio o aspecto corpuscular da luz (e da energia eletromagnética), as gravuras reproduzem a geração de um único espectro luminoso combinado em seqüência e submetido à refração do conjunto de lentes de Fresnel [1] (especialmente as lentes de farol de sinalização náutica).

A pesquisa, embora sustentada pela Física Ótica (de referência newtoniana), aponta para a criação de zonas condensadoras de energia (de ordem metafísica). Da mesma forma, a Fotônica - ciência da geração, transmissão e processamento da luz – é apropriada para atender pretensões espirituais e de transcendência.

A realização dos trabalhos combina pintura e gravura, recorrendo a processos rudimentares de mascaramento e sobreposição de cores relativamente transparentes, acumulando camadas de padrões construtivos e gerando uma aparência de dispersão solar. A cor amarela aparece decomposta por estruturas dinâmicas, configurando sua expansão e comunicando os dez elementos da instalação num ambiente imersivo.

O trabalho, bem como toda essa série de pinturas, encontra referências no Orfismo – movimento batizado pelo poeta Guillaume Apollinaire em 1912 e que teve, entre seus praticantes os pintores Robert e Sonia Delaunay, Franz Kupka, Picabia e Leger. Flertavam com o conhecimento newtoniano, a teoria atômica da matéria e os novos conceitos de tempo, espaço e energia; recorrendo a imagem da dispersão circular da luz como metáfora da expansão do espírito. A crença mística na ciência moderna, sobretudo na descoberta de que a matéria não é inerte, fortaleceu os elos com o Simbolismo do séc. XIX e a Teosofia. Da mesma forma a analogia entre a estrutura molecular da matéria e o sistema solar era visto como o poder do espírito em se expandir e envolver todo o ser.

A reunião de conteúdos científicos e espirituais, além das referências apontadas acima, permeia, em última análise, a produção de Pinturas de Fresnel, utilizando-se de padrões de estrutura móvel e seqüenciada para fazer atingir experiências de transcendência e unicidade. Nesse sentido, mais que a representação dinâmica de um raio luminoso, Pinturas de Fresnel se pretende a criação de um campo de luminescência, vitalidade e força.

A exposição acompanha texto do crítico e curador Felipe Scovino.

NOTA
1 Tipo de lente inventada pelo físico francês Augustin-Jean Fresnel. Criada originalmente para uso em faróis de sinalização marítima, seu desenho possibilita a construção de lentes de grande abertura e curta distância focal sem o peso e volume do material que seriam necessários a uma lente convencional. Em comparação com outras, as lentes Fresnel são bem mais finas, permitindo a passagem de mais luz. Dessa forma, os faróis com elas equipados são visíveis a distâncias bem maiores.

Posted by Patricia Canetti at 2:50 PM

março 13, 2018

Adriano Costa, Arjan Martins e Juliana Cerqueira Leite no Tomie Ohtake, São Paulo

O Instituto Tomie Ohtake criou em 2013 o Arte Atual, uma plataforma para pesquisas artísticas, de caráter experimental, na qual, por meio de uma questão sugerida pelo seu Núcleo de Pesquisa e Curadoria, coordenado por Paulo Miyada, um grupo de artistas convidado desenvolve um novo trabalho.

Nesta sétima edição do programa, que conta com o patrocínio da Recovery, a partir das obras de Adriano Costa, Arjan Martins e Juliana Cerqueira Leite, os curadores propõem questionar as urgências do tempo presente e seu apego à própria descartabilidade. “Em uma época que resiste a planejar seu futuro ou a conhecer seu passado, talvez seja o momento de questionar a fugacidade do que se propaga ao redor: e se nada – nenhum produto, nenhum corpo, nenhuma história – for tratado como descartável? ”, analisa Miyada.

Em suas obras, o paulistano Adriano Costa lança mão de objetos e imagens banais hoje produzidos, consumidos e supostamente esquecidos, para, como aponta a curadoria, recombiná-los até a lógica dos produtos fraturar o fazer artístico e vice-versa. “Até o ponto em que se possa perceber que os artefatos, imagens e ideias mais avançados na cadeia produtiva atual são materiais do presente e podem ser já a memorabilia das ruínas que existirão no futuro”.

Já o carioca Arjan Martins, em sua pintura, reconfigura valores de ícones já capturados por narrativas fáceis de consumir e símbolos de grande circulação social, especialmente relativos à história da colonização do Brasil e às visões e versões sobre a imigração e a escravidão africanas. “Em cartografias pintadas, procura, por exemplo, o avesso do papel heroico atribuído às caravelas e outros baluartes do projeto colonial, ao mesmo tempo em que se questiona a constante representação de imigrantes como alquebrados subalternos”. Miyada acrescenta: “sabendo ainda que, assim como a tinta sobre a tela, todo esforço crítico tende a escorrer no regime vigente de consumo de todo tipo de imagem”.

Por sua vez, Juliana Cerqueira Leite, artista nascida em Chicago e que atualmente reside em Nova York, faz do próprio corpo molde, motor e matriz. Peças desse corpo esculpidas constroem uma ponte entre a obra e a identidade desse mesmo corpo. De acordo com a curadoria, a artista imprime sequências de movimento e empilhamentos de gestos em esculturas que, por um lado, vão além do reconhecimento de sua anatomia e, por outro, dependem do confronto físico direto com a resistência e plasticidade da matéria que molda sobre si: a ação não exprime uma ideia, mas imprime posições.

“Com estratégias tão diversas, esses três artistas arriscam-se a colocar-se em rota de colisão com o presente, não para capturá-lo ou vencê-lo, mas para deixar-se fraturar com seu empuxo e, assim, criar rastros para sua voracidade”, completa Miyada.

O Programa Arte Atual conta com a parceria de galerias para a produção das obras, desenvolvidas por meio de diálogos entre a equipe curatorial do Instituto Tomie Ohtake e os artistas convidados. O programa já contabilizou seis exposições: Estranhamente Familiar (2013); Medos Modernos (2014); E se quebrarem as lentes empoeiradas? (2015); Da banalidade (2016); É como Dançar sobre Arquitetura (2017) e Fábula, frisson, melancolia. Nesta sétima edição, as galerias A Gentil Carioca, Casa Triângulo e Mendes Wood DM tornaram possível sua realização.

Adriano Costa (São Paulo, 1975) vive e trabalha em São Paulo. É representado pela galeria Mendes Wood DM. Graduado em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, recentemente, participou de mostras coletivas inclui, como: Neither, Mendes Wood DM Bruxelas (2017), Kiti Ka’ Aeté, The Modern Institute, Glasgow, Escócia (2015), Draw flying Penis/Pussy Against Gentrification, White Cubicle Toilet Gallery, Londres, RU (2015), Imagine Brazil, DHC/Art Foundation for Contemporary Art, Montreal, Canadá (2015/2016) e Under the same sun, Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, EUA (2014). Dentre suas exposições individuais recentes estão: StorytellingCaipira Supportico Lopez, Berlin, Alemanha (2016), Every Camel Tells A Story, Mendes Wood DM, São Paulo, SP (2015/2016), La Commedia dell’Arte, Peep-Hole, Milão, Itália (2014), Touch me I am geometrically sensitive, Sadie Coles HQ, Londres, RU (2014) e From My Body Comes, Through Your Body Goes, Zabludowicz Collection, Londres, RU (2014).

Arjan Martins (Rio de Janeiro, 1960) vive e trabalha no Rio de Janeiro. È representado pela galeria A Gentil Carioca. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com Paulo Sérgio Duarte, Fernando Cocchiarale e Charles Watson, para citar alguns. Em 2002, realizou sua primeira exposição individual, Desenhos, no Museu da República e, ao longo dos anos realizou individuais como, Américas (MAM-RJ, 2014), Et Cetera (A Gentil Carioca, 2016) e O Estrangeiro (Stiftung Brasilea na Suíça, 2017). Participou de várias exposições coletivas, como Arte Brasileira Hoje (MAM-RJ, 2005), Novas Aquisições (MAM-RJ, 2004) Abre Alas na galeria A Gentil Carioca (2009), Do Valongo à Favela (MAR Rio, 2014) e, recentemente, EX AFRICA (CCBB, 2017). Participou da Bienal de Dakar, em 2006.

Juliana Cerqueira Leite (Chicago, 1981) vive e trabalha em Nova York. É representada pela Casa Triângulo. É formada em Artes pela Chelsea College of Art and Design de Londres e possui mestrado em Desenho (Camberwell College of Arts, Londres) e Escultura (Slade School of Fine Arts, Londres). Esteve presente em mostras coletivas, como Antarctica (57ª Bienal de Veneza, Pavilhão da Antártica, 2017), 5ª Bienal de Moscou (2016) e 3ª Bienal de Vancouver. Realizou exposições individuais tanto no Brasil, Posicional (Casa Triângulo, 2013), quanto no exterior, como Intransitive (Regina Rex, Nova York, 2016). Participou de residências artísticas no Brasil, Estados Unidos, Canadá e Marrocos. Além de seu trabalho como artista, atua como curadora em diversos projetos.

Posted by Patricia Canetti at 2:44 PM

Nelson Leirner na Silvia Cintra + Box 4, Rio de Janeiro

A Galeria Silvia Cintra + Box 4 abre seu calendário com a mostra A Nova Revolução Industrial do artista Nelson Leirner. Com curadoria de Lilia Schwarcz, a exposição apresentará ao público 9 tapeçarias que foram produzidas manualmente, reproduzindo os projetos do artista, por um grupo de tecelões durante o último ano.

A “nova revolução” proposta por Leirner é na realidade uma volta no tempo, quando o mundo não estava dominado pelas máquinas da revolução industrial, e nem pela tecnologia que recentemente inundou nossas vidas, mudando inclusive a forma como nos relacionamos com o tempo. E é exatamente a essa forma de produção artística que Leirner tem se dedicado: o artesanal.

As tapeçarias que já foram moda, e atualmente são vistas como algo kitsch, ganham no universo de Leirner uma graça que lhe é peculiar. Uma natureza-morta bordada ganha a companhia de frutas de plástico, partituras em preto e branco saem do papel para virarem um grande tapete, assim como as teclas de um piano.

Mas o grande homenageado da exposição é o italiano Alighiero Boetti e seus Maps of the world, também uma série de bordados onde o artista suprimia países, alterava fronteiras e criticava todo tipo de jogo político. Desta vez é com ele que Leirner dialoga criando novas versões para o mapa mundi e aguçando e atualizando as tensões e ironias que já eram presentes na obra do italiano. Nas obras da mostra, o mundo aparece ora como um quebra cabeça, ora se desfazendo em fios, com o oriente refletindo o ocidente e também com novas representações territoriais.

Todo o processo de feitura das obras também vai estar presente na exposição. Uma vitrine no centro da galeria abrigará as lãs e agulhas usadas pelos artesãos e também uma série de fotos deles trabalhando durante as várias etapas do projeto.

É desta forma que Leirner pretende fazer um convite ao espectador para se rebelar contra a aceleração em que estamos vivendo. Ver essas tapeçarias é compartilhar de um tempo bem gasto e pensar no significado simbólico do trabalho manual. Perder tempo também pode ser ganhar.

Posted by Patricia Canetti at 11:25 AM

Victor Arruda no MAM, Rio de Janeiro

A exposição faz uma homenagem ao artista de 70 anos, um dos grandes nomes do panorama brasileiro, reunindo mais de 100 obras emblemáticas de sua produção, que cobre um período de quase 50 anos. Autor de uma obra inconfundível, caracterizada por uma pintura bruta, Victor Arruda nunca fez concessões aos temas que lhe interessam: a feroz crítica contra a hipocrisia, a denúncia da opressão, e as questões de gênero.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 17 de março de 2018, às 15h, a exposição ARRUDA, Victor, que homenageia o artista Victor Arruda, um dos grandes nomes da arte contemporânea. A exposição, que tem curadoria de Adolfo Montejo Navas, percorre os quase 50 anos de trajetória do artista, com cerca de cem trabalhos produzidos desde o início dos anos 1970 até 2018.

Victor Arruda é conhecido por sua pintura rude, bruta, sem concessões, com uma feroz crítica contra a hipocrisia e o abuso de poder, e a presença, desde sempre, de questões de gênero, com cenas explícitas de sexo. Para o artista, sua arte é conceitual, em que a “pornografia” (“nas aspas”, ele ressalta) e a agressividade estão a serviço da discussão de temas internos e também sociais, como o assédio denunciado na pintura “Salário mais justo”, de 1975. Suas obras estão em coleções importantes como a de Gilberto Chateaubriand, Luiz Schymura, João Sattamini, Hélio Portocarrero e a do crítico italiano Achille Bonito Oliva (1939), que conheceu seu trabalho por intermédio do artista Antonio Dias (1944).

Adolfo Montejo Navas apontou dois grandes temas para aproximar os trabalhos de Victor Arruda na exposição: O primeiro é Palavras e Textos, que estrutura grande variedade de obras e suportes. A escrita é uma característica marcante na pintura do artista, e ora aparece como frases ou palavras soltas, ora como narrativa. As demais pinturas estarão agrupadas por décadas: 1970, 1980, 1990, 2000 até o momento. Além de pinturas, a exposição terá uma instalação – “Homenagem às vítimas do dinheiro” (2014) – desenhos, fotografias, vídeos e cadernos de anotação do artista.

O segundo tema coloca a ênfase no lado culturalista que tem sua obra, cheia de diálogos heterodoxos com artistas de diversas épocas. Os trabalhos de Victor Arruda trazem referências à história da arte, como os suprematistas russos ou Magritte (1898-1967) – “o artista que mais admiro, que já disse tudo o que tinha que dizer” – embora nem sempre aparentes. Quando ao terminar uma tela percebe que ela contém elementos conhecidos, de outros artistas, Victor Arruda deixa clara a homenagem no título da pintura. Estarão na exposição várias dessas pinturas feitas “em homenagem” a outros artistas. “Penso muito nos títulos”, explica. “Quero deixar tudo explícito, facilitar a comunicação com o espectador”, diz Victor.

Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, em 1947, Victor Arruda se mudou para o Rio aos 14 anos. Estudou museologia na UniRio, com especialização em arte contemporânea. “Eu era um artista contemporâneo antes mesmo de este termo ser usado, porque não me identificava com nada do que se fazia na época. Tudo era moderno e eu não era moderno”, conta.

CARLOS ZÉFIRO E NELSON RODRIGUES
Ele conta que alguns fatos foram decisivos para ele se convencer do caminho a trilhar em seu trabalho. Em 1973, viajou para Paris. Ao entrar no Grand Palais, a claridade do dia de verão parisiense contrastou com a penumbra do interior do museu. Isso fez com que pensasse que uma tela do pintor abstrato Ad Reinhardt (1913-1967), exposta na grande galeria, era toda pintada de preto. Não entendeu o sentido daquilo, pois Malevich (1879-1935) já havia pintado o célebre "branco sobre branco" há décadas, e o quadrado preto sobre preto; e, depois, Robert Rauschenberg (1925-2008) mostrou só a tela branca. Foi então que o olhar se acostumou à luz do salão, e ele pode perceber que na verdade se tratava de cruzes em um tom muito escuro de púrpura – “praticamente berinjela” – sobre um fundo negro. “Aquilo era de uma tal sofisticação cromática, uma coisa tão transcendental, que pensei: isso não é pro meu bico”. “E o que era o meu bico? As pinturas que eu já estava fazendo, impulsionado pelo processo psicanalítico”.

Um ano depois, outra experiência marcante. Decidiu morar um tempo em Londres, e viu na Tate uma exposição de Lichtenstein (1923-1997). “Quando vi aquelas telas enormes, uma metralhadora mandando bala em um avião que já está explodindo (“As I Opened Fire”, 1964), quase caí pra trás. Pensei, uau, é por aqui que tenho que ir. Mas espera aí: isso é a pop art americana, e eu não vou agora copiar o Lichtenstein, eu não nasci pra isso. Eu não tinha a menor chance de competir com aquilo que eu admirava tanto. Não ia ser o seguidor de última categoria do Picasso”. Então, Arruda escreveu em um pedaço de papel: “não pinto para virar verbete”, conceito escolhido por Adolfo Montejo para nomear a exposição.

Victor Arruda conta que foi a partir de então que decidiu persistir no que já vinha fazendo. "Não vou fazer arte de Nova York. Sou brasileiro, de Cuiabá, Mato Grosso. Vou procurar meu jeito de me expressar”.

Além da psicanálise que também tem um papel relevante na produção do artista. “A psicanálise revirou tudo, o sentimento de culpa por ser homossexual, por não ser uma pessoa dita normal, e resolvi enfrentar as questões que vinham de fora: o dedo acusador. Passei a questionar quem era o homem normal, maravilhoso, o pai de família sério, que usava terno & gravata. Aquele mesmo que acha normal assediar a empregada, dentro da normalidade escravagista, prometendo-lhe pagar um "Salário mais justo". O tal "normal" é machista, racista, explorador, homofóbico! Entendi isso aos vinte e poucos anos. Decidi que minha pintura tinha que ser uma reação contra essas pessoas conservadoras pois eram as donas do poder. Com as minhas pinturas, aponto o dedo de volta. para toda essa nojeira que é o abuso do poder do dinheiro. Contra essas pessoas que ditam as regras. Só que não podia falar sobre isso. Por quê? Porque a arte ainda era a arte moderna. Não podia ter texto, não podia ter narrativa, não podia ter perspectiva, frente e fundo, não podia ser autobiográfica. Não podia sexo, não podia nada! Sabe o que resolvi fazer? Resolvi usar tudo o que não podia ao mesmo tempo!”.

Victor Arruda enfatiza que na época recebeu um importante apoio de Antonio Dias. “Ele me ajudou muito. Um amigo importantíssimo. Foi ele quem me apresentou ao Achille Bonito Oliva, ao João Sattamini. Muito generoso.

Depois, com o surgimento da transvanguarda – termo cunhado justamente por Achille Bonito Oliva – e a bad art, Victor Arruda sentiu-se encaixado, e identificado com esses movimentos.

Ele lembra que Gilberto Chateaubriand uma vez disse: "o que mais me espanta em seu trabalho é a sua coragem”. Victor destaca que não está preso a nenhuma data. “O trabalho ‘Salário mais justo’, de 1975, uma pintura brutal, malfeita, está ligado ao néon de ‘Homenagem às vítimas do dinheiro’, de 2014, super elaborado, uma traineira que navegou nas águas da Baía de Guanabara em frente à ArtRio. As duas obras estão na exposição, ligadas pelo mesmo conceito que faz com elas existam”, afirma. Os temas sociais permeiam toda a exposição, como “a tortura, que existente em qualquer lugar do mundo, uma coisa pavorosa”.
Desde o início dos anos 2000, Victor Arruda passou a usar mais cor em seus trabalhos. “Sabe que durante 35 anos eu não usei verde? Olha que coisa louca.. Eu pintava o verde e depois acabava cobrindo de cinza, conta".

O artista tem o hábito de desenhar durante telefonemas, muitas vezes tarde da noite, quando amigos o procuram para comentar o dia, ou filmes a que assistiram. Para isso, ele se vale de qualquer papel a sua frente, muitas vezes precisando dobrar a folha para continuar desenhando. Depois, o mosaico formado pelas várias imagens se transformam em pintura. “As imagens são tão diferentes que lembra a prática surrealista de desenhos produzidos coletivamente”, explica. A obra “Kadavre exquis, meu somente” (2017), em acrílica sobre tela, de 120 x 80 cm, é um exemplo disso.

A família materna de Victor Arruda é russa e quando imigravam para o Brasil, sua mãe nasceu, em Harbin, na Manchúria, no período em que a Rússia ocupou a cidade, de 1896 a 1924. “Eles eram muito brancos, de olhos claros. Já a família de meu pai é uma mistura de portugueses com índios, negros, provavelmente cristãos novos, por isso me considero um coquetel molotov”, brinca.

Fiel as suas próprias pulsões internas, Victor Arruda mantém uma trajetória pulsante e coerente, que o público poderá conhecer, de forma abrangente, com esta exposição no MAM Rio.

Posted by Patricia Canetti at 10:57 AM

Vicente de Mello no MAM, Rio de Janeiro

O celebrado fotógrafo, na contramão da avalanche de reproduções em mídias digitais, convida o público a ver pessoalmente imagens inéditas, únicas, feitas sem câmera e sem negativo, em que a impressão se dá por um breve contato de objetos sobre a superfície do papel fotográfico.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 17 de março de 2018, a exposição Monolux, com 28 obras inéditas do fotógrafo Vicente de Mello. Com curadoria do poeta Eucanaã Ferraz, a mostra reúne fotogramas, “imagens singulares, simples impressões construídas pela velatura da luz direta que ocorre pelo contato de objetos sobre a superfície do papel fotográfico”. “Vicente de Mello retoma o procedimento, dando a ele um caráter pessoal. Em vez de arranjos estritamente formais ou de avizinhamentos aleatórios, cria “relâmpagos narrativos”. Iluminações. Imagens que, não sendo literárias, ou literais, guardam fragmentos narrativos em sua origem, reduzidas ao mínimo, à condição de peças de um jogo. Especificamente, de um jogo da memória”, observa o artista.

Vicente de Mello explica que diante da “desconcertante reprodutibilidade na prática social, onde a imagem se tornou um fluxo permanente que deságua nas redes sociais em uma profusão nunca antes vista”, buscou a natureza primeira da fotografia: os fotogramas. Os fotogramas “são fotografias sem câmera e sem negativo, uma antítese do impalpável e imensurável universo de pixels”. “Agradava-me a ideia de pensar que tanto a luz quanto os objetos exerciam uma ação tátil de clara composição ambígua sobre o papel, resultando em um fato fotográfico de força enigmática”, explica.

Fotógrafo educado a “reconhecer o ato fotográfico como uma ação de foro pessoal, autoral, profissional, da procura da imagem perfeita, singular, carregada de significados implícitos”, Vicente de Mello conta que buscou entender e lidar com esta nova situação, em que a tecnologia “esgarçou no século 21 as fronteiras da captação e da pluralidade de imagens”.

“No meio da constatação desta espetacular hecatombe de imagens, senti que, eu mesmo já estava há anos convivendo com um grande manancial de imagens editadas, conhecidas, exibidas, adquiridas, publicadas, além das arquivadas que nunca chegaram a outros olhos”, conta Vicente de Mello. “Essas imagens formavam o ‘cosmos’ da minha propriedade como autor, ainda a ser descoberto e revisto em múltiplas análises, recortes e inserções”. Ele ressalta que não considera ter esgotado sua percepção, mas que precisava “retornar a um pensamento em que pudesse construir, dominar, e que ele fosse único, sem a possibilidade de estar, enquanto original, em vários lugares”. “Um novo estatuto da fotografia, sem freio”, afirma.

Vicente de Mello reconhece que ao reproduzir digitalmente as imagens dos fotogramas, e elas forem lançadas nas redes, “todo mundo terá acesso, enquanto o original não poderá ser duplicado”. “Para conhecer o original será preciso que o olho humano esteja em frente a ele”, diz.

TELESCÓPIO JAPONÊS
O título da exposição, “Monolux”, vem da lembrança de Vicente de Mello do nome de um telescópio japonês de uso amador dos anos 1970, e “pelo fato físico de que, para imprimir os fotogramas, uma única fonte de luz é utilizada: a lâmpada da cabeça do ampliador”.

“Os fotogramas abandonam a materialidade do negativo, para lidar com a materialidade da luz, e a experimentação é a força orientadora, a âncora na imaterialidade da imagem”, diz. “O princípio do fotograma é o avesso do que está por cima do papel fotográfico, é o nexo entre a materialidade dos objetos e seu volume nulo, em fundo-abismo”.

O artista explica que os materiais utilizados têm uma relação particular entre si: “vieram das minhas coleções de madeira, de itens fotográficos, de coisinhas acumuladas que achei na rua, que comprei no mercado de pulgas, de objetos de uso doméstico e as que criei, exclusivamente, para configurarem como formas reconhecíveis”.

Na impressão dos objetos, dentro do retângulo de 50cm x 60cm, “todas as modulações, tentativas e acidentes foram às cegas”, conta ele. “O laboratório precisa estar em completa escuridão e somente uma luz vermelha (que não revela o papel virgem) permeia o ambiente para guiar a colocação dos objetos. O que vejo nos fotogramas é que a forma impressa não respeita a gravidade, tudo flutua e parece entrar em orbita, em um infinito impalpável. Não estou reinventando a pólvora”.

O artista comenta que as proposições de seus fotogramas, se baseiam em duas interpretações – uma na literatura italiana e outra na brasileira – que lhe agradam “aos olhos e mente”:

“Umberto Boccioni (1882 – 1916), que desde o texto do manifesto técnico da pintura futurista, afirmava que era fundamental estabelecer uma relação de complementariedade entre a observação do mundo fenomênico, o indelével que só existe em nossa mente e o que se manifesta por meio da recordação. A meu ver, ele queria atribuir importância à capacidade de se recorrer às recordações individuais, e por meio da ‘intuição e estado da alma’ constituir o fazer artístico.

A outra interpretação de que gosto é a uma fala em “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa (1980-1967) que contextualiza as referências das imagens dos meus fotogramas: “O que lembro, tenho!”. A relocação dos objetos no pré-table top, foram fundamentais para transcender o representado, o que via na composição realizada a olho nu, das imagens que tinha em mente, não eram o resultado em preto e branco, após o laboratório. Olhava para as composições e pensava: ‘vocês perderão a posição de protagonistas e entrarão em uma atmosfera de cumplicidade’.”

Posted by Patricia Canetti at 10:13 AM

março 12, 2018

Claudio Mubarac no Face Gabinete de Arte, São Paulo

O artista Claudio Mubarac mostra um cojunto de 30 trabalhos recentes no Face Gabinete de Arte a partir do dia 17 de março. Dentre os trabalhos apresentados, encontram-se 9 telas, gravuras e desenhos a aquarela, em que Mubarac aborda elementos caros à sua poética, tais como a anatomia do corpo, tratada sempre de forma fragmentada. Essa fragmentação caminha junto com os processos experimentais e híbridos que o artista usa nas suas práticas da gravura, lançando mão de vários instrumentos e técnicas sobrepostos para desenhar e irromper a superfície do metal e, por consequência, do papel. Aliás, o suporte da gravura, isto é, o papel, tem sido também parte inerente da pesquisa artística de Mubarac: colecionador voraz de papéis das mais diferentes fibras, texturas e tonalidades, novos e antigos, ele cria trabalhos únicos, em que o mesmo elemento gravado numa matriz pode emergir combinado a tantos outros, em diferentes papéis e composições.

O título da exposição - Anatomias de Abril - é sugestivo de alguns aspectos de sua produção do último ano. A etimologia da palavra “abril” remonta à duas acepções: aprillis, abrir/germinar, e aprus, o nome etrusco da deusa do amor e da beleza, Vênus. Nos desenhos e gravuras aquareladas, as cores e formas orgânicas abstratizantes aludem a um corpo erotizado. Embora sem uma referência ou citação evidente, eles resultam da longa admiração de Mubarac pela estampa japonesa e pelos desenhos eróticos do escultor francês Auguste Rodin. A cor surge com uma nova presença em seus trabalhos e se contrapõe ao desenho à ponta-seca, reagindo e derramando-se na superfície do papel.

Artista, gravador, e professor livre-docente do Departamento de Artes Visuais da Escola de Comunicação e Artes da USP, Claudio Mubarac vive e trabalha em São Paulo. Suas obras estão nas coleções dos principais museus da cidade. Várias instituições importantes, aqui e fora do país, realizaram exposições de seu trabalho. A mais recente individual dedicada a ela foi realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 12:45 PM

março 9, 2018

Claudio Tozzi na Caixa Cultural, São Paulo

Exposição traz uma retrospectiva da obra gráfica de Claudio Tozzi

Claudio Tozzi volta a fazer uma exposição individual em São Paulo. A exposição, Emblema da Cultura Brasileira – Retrospectiva da Obra Gráfica, com uma visão panorâmica da obra gráfica do artista nos últimos 50 anos, acontece na CAIXA Cultural São Paulo, com abertura em 13 de Março, terça-feira, às 19 horas, e visitação até 20 de Maio.

Com curadoria de Manuel Neves, a mostra reúne 93 obras produzidas entre 1968 e 2018 – é a mais completa exposição já realizada sobre a produção gráfica de Claudio Tozzi. Nela pode-se perceber que o artista apresenta soluções técnicas coerentes com cada fase de sua produção pictórica, com utilização de variados processos de reprodução gráfica: serigrafia, xerox, litografia, gravura em metal, zinc offset e digitografia.

Existe na produção de Tozzi uma absoluta coerência de linguagem entre sua pintura e o meio de reprodução utilizado em cada fase. Assim, as cores chapadas dos astronautas e multidões da década de 60 são reproduzidas pelo processo de serigrafia. Os parafusos, mais simbólicos e contidos, exigem técnica mais intimista, a gravura em metal.

A produção mais recente de Tozzi exige técnicas e superposições de retículas gráficas, que permitem ao espectador uma percepção mais ampla da forma e da cor através da somatória ótica de retículas com variações de seus matizes.

As imagens reunidas na exposição englobam toda a produção de Claudio Tozzi, em suas diversas fases: multidões, bandido da luz vermelha, astronautas, parafusos, cor pigmento luz, recortes e territórios – esta última, a fase mais recente.

Emblema da Cultura Brasileira é resultado de uma pesquisa do curador e historiador Manuel Neves, realizada na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, trabalho que investigou a produção da arte brasileira na segunda metade da década de 1960, na qual a obra de Claudio Tozzi ocupa destacado lugar.

A pesquisa tem o título "Image Pop: Pop art presence et négation dans l’art brésilien des années soixante". Em idioma francês, foi editada na Europa pela Éditions Universitaires Européennes, Sarrebruck. Não está ainda publicada no Brasil.

Sobre o artista

Nascido em 1944, o paulistano Claudio Tozzi estudou no Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (1956 a 1962) e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1964 a 1969), onde trabalha como professor.

Iniciou seu percurso de artista no começo da década de 60, através da apropriação de objetos, imagens de jornais, história em quadrinhos e fotografias associadas a conotações simbólicas de conteúdo social. Em 1967, seu painel Guevara, Vivo ou morto…, exposto no Salão Nacional de Arte Contemporânea, é destruído a machadadas por um grupo radical de extrema direita, sendo posteriormente restaurado pelo artista. Tozzi viaja a estudos para a Europa em 1969. A partir dessa data, seus trabalhos revelam uma maior preocupação com a elaboração formal.

Na década dos 70 cria em sua pintura uma sintaxe através da construção de uma trama de retículas e granulações cromáticas, que resultam em estruturas e espaços de intensos significados simbólicos. É um processo mais cerebral e perceptivo, que emocional e expressivo, do qual a essência é o conceito, a estrutura e a construção do espaço da pintura.

A partir da década de 80, até as obras mais recentes, intensifica sua preocupação formal e passa a trabalhar com elementos estruturais básicos: linhas, planos, cores, formas orgânicas, matérias; que criam analogias formais com imagens preexistentes e ampliam seu caráter construtivo.

Em seu processo metódico e objetivo, Claudio Tozzi utiliza ícones visuais – parafusos, escadas, fragmentos de objetos, símbolos tropicais, espaços urbanos etc. – e os desconstrói, captando seus aspectos essenciais, revelando-se, desta forma, artista de elevado rigor formal, cuja obra transita por vertentes construtivas e conceituais.

Posted by Patricia Canetti at 12:31 PM

Mul.ti.plo + Estúdio Baren - Gravuras na Mul.ti.plo, Rio de Janeiro

Mul.ti.plo convida Estúdio Baren

Com a missão de construir um olhar poético e fazer a arte de qualidade circular, galeria abre exposição de gravuras de jovens artistas com técnicas e linguagens diversas

Reafirmando a sua proposta de construir um olhar poético e fazer circular obras de arte de qualidade, a Mul.ti.plo Espaço Arte convidou o Estúdio Baren para fazer a primeira exposição no ano da galeria, “Mul.ti.plo + Estúdio Baren” que contempla técnicas tradicionais e contemporâneas de gravura, tais como: xilogravura, gravura em metal, litografia, monotipias e muito mais. A mostra será aberta na galeria do Leblon no dia 8 de março, às 19h, e ficará aberta até 24 de março. Participarão jovens artistas como Antonio Bokel, Alexandre Baltazar, Clara Veiga, Demian Jacob, Elvis Almeida, Fabricio Lopez, Marcelo Macedo, Marcos Bonisson, Mateu Velasco e Pedro Sánches, dentre outros.

"A Mul.ti.plo tem investido na multiplicidade de ações no circuito das artes: em nossa galeria no Vale das Videiras, promovemos um encontro inusitado entre o maestro Isaac Karabtchesky e o artista Manfredo de Souzanetto, além da realização de uma pintura mural de mais de 10 metros pela artista Célia Euvaldo; no gabinete do Leblon, uma instalação, hoje pertencente ao acervo do MAM, do artista Pedro Cabrita Reis, um dos expoentes da cena contemporânea europeia. Essa diversidade, que não para, foi dessa vez ao encontro do Estúdio Baren, que sem dúvida realiza um trabalho de excelência na criação de obras gráficas", explica o consultor de arte Maneco Muller.

Sobre o Estúdio Baren

O editor do estúdio é João Sánchez, formado em gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, tendo trabalhado em Madri de 2007 a 2011, em dois importantes ateliês de gravura da Espanha: Benveniste CP&P, conhecido por suas impressões de grande formato, e Taller Antonio Gayo, especializado em litografia. Segundo João, a exposição na Mul.ti.plo vai mostrar edições da casa, isto é, trabalhos que foram propostos pelo estúdio.

Posted by Patricia Canetti at 11:11 AM

FVCB lança livro de Silvio Nunes Pinto no MARGS, Porto Alegre

No dia 15 de março, às 14h30, no auditório do MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – a FVCB promove o lançamento da publicação Silvio Nunes Pinto: Ofício e Engenho, acompanhada de palestras dos pesquisadores Prof. Dr. Paulo Silveira e do Prof. Ms. Anderson da Silva – vinculados ao Instituto de Artes da UFRGS – e do Prof. Dr. José Carlos Gomes dos Anjos, da Sociologia da UFRGS.

O livro terá distribuição gratuita e o evento entrada franca.

Realizado com financiamento do Pró-Cultura RS | Fundo de apoio à Cultura, o projeto tem título homônimo ao da exposição realizada em 2016 na FVCB. Com organização da artista Vera Chaves Barcellos e da arquiteta Marcela Tokiwa, a mostra apresentou ao público a então desconhecida obra de Silvio Nunes Pinto (Viamão, RS, 1940 – 2005), artista negro autodidata com uma variada produção que atesta a potência inventiva da cultura popular.

Posted by Patricia Canetti at 11:00 AM

março 8, 2018

Arnaldo de Melo na Cassia Bomeny, Rio de Janeiro

Arnaldo de Melo faz sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro

Artista paulistano, que teve sua formação entre Berlim e Nova York, apresenta trabalhos inéditos na Cassia Bomeny Galeria

No dia 13 de março, Cassia Bomeny Galeria inaugura a primeira exposição individual do artista Arnaldo de Melo no Rio de Janeiro. Com curadoria de Franz Manata, serão apresentadas 15 obras inéditas, dentre pinturas – sobre tela, madeira e papel – e monotipias do artista, que começou sua trajetória em 1979, e já expôs em importantes instituições, como MASP e MAC/USP, em São Paulo; Palácio Das Artes, em Belo Horizonte, Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, entre outros. Nos últimos anos, artista esteve afastado do circuito das artes, dedicando-se ao mestrado e ao doutorado em arquitetura, mas sem nunca deixar de pintar.

As obras que serão apresentadas na Cassia Bomeny Galeria foram produzidas no segundo semestre de 2017 e mostram a mais recente produção do artista, cuja formação artística se deu em Berlim, onde morou entre 1987 e 1990, e em Nova York, onde viveu entre 1984 e 1985, época em que predominava efervescência artística influenciada pelo início da arte de rua e o esplendor de carreiras em rápida ascensão através de linguagens e narrativas imediatistas e espontâneas como a “pop-art”, a “action painting” e a performance. Essa vivência influenciou a sua obra até hoje.

“O Arnaldo de Melo pintor é incansável na exploração de meios, formas e suportes para sua representação artística. Suas referências vêm de observações, vivências e introspecção enraizadas em seu atento e curioso olhar desde os primórdios de sua carreira artística”, afirma Tereza de Arruda no texto que acompanha a exposição.

OBRAS EM EXPOSIÇÃO
Na exposição, serão apresentadas sete pinturas em grandes dimensões, com tamanhos que chegam a 2mX3m, em tinta acrílica sobre tela e madeira, que seguem o expressionismo abstrato. “Arnaldo de Melo bebeu nas duas fontes que originaram esta vertente artística: a intensidade do expressionismo alemão banhado no antifigurativismo das Escolas abstratas da Europa, como o Futurismo, Bauhaus e Cubismo. Devemos considerar que este movimento surgiu nos Estados Unidos e especificamente em Nova York no iníco da década de 50. Ambos contextos foram vivenciados ‘in loco’ pelo artista no início de sua carreira, emanando tentáculos que o influenciam até a atualidade”, ressalta Tereza de Arruda.

A exposição também terá cinco pinturas em acrílica sobre papel, uma pintura em acrílica sobre colagem e duas monotipias. “As telas e assemblages, por ele criadas como suporte através da junção e sobreposição de molduras e outros materias com que se depara, recebem um tratamento pictórico semelhante a uma camuflagem a tornar a superfície homogênea através da criação de formas e contornos que se complementam mantendo a abstração como gesto e intenção”, conta Tereza de Arruda.

INFLUÊNCIAS ARTÍSTICAS
O artista sempre enfatiza sua escolha pela pintura gestual a partir de sua inserção no ambiente onde se deu a pintura abstrata-expressionista do imediato pós-guerra, sendo de Kooning, bem como outros artistas ligados a New York School - a exemplo de Jackson Pollock, Robert Motherwell, Franz Kline e Lee Krasner - influencias marcantes em seu trabalho até os dias atuais. Vale lembrar, todavia, que na primeira metade dos anos 1980 as mais potentes galerias de arte de Nova York, cotidianamente visitadas por Arnaldo nos dois anos de sua permanência naquela cidade, exibiam em frenética rotatividade exposições dos pintores neo-expressionistas alemães, italianos e norte-americanos (Baselitz, Lüpertz, Penck, Hödicke, Chia, Clemente, Schnabel, Salle, entre muitos outros) que, exacerbando figurações e temáticas conectadas ao Zeitgeist – vivido e discutido em conjunto com a literatura, a música e as contradições políticas e ideológicas -, também resgatavam os gestos pictóricos e a escala de trabalhos consagrados do abstrato-expressionismo.

Nesse sentido, a “ponte” entre a abstração e a figuração estabelecida na pintura de Arnaldo de Melo sempre esteve em constante diálogo, marcadamente pelas influências obtidas nesse seu período de formação. Segundo o artista, interessa-lhe incursões figurativas não como narrativas a substanciar um longo período de trabalho, mas tão somente para abordar situações de um “som ao redor”: uma vez em Berlim, por exemplo, o artista passou cerca de um ano trazendo às telas imagens de imensos Kebaps, estes alusivos à forte presença da comunidade turca na cidade.

Para Arnaldo de Melo, a arte lhe serve como um “exercício de liberdade”, daí o cuidado para não se alongar por caminhos que logo poderiam lhe comprometer para além daqueles atinentes à pintura, à sua paleta de cores que incorpora a preferência pelas aguadas e os gestos rápidos mais aproximados de uma “escrita” como, aliás, foi a caligrafia oriental fonte de interesse para os abstrato-expressionistas americanos.

SOBRE O ARTISTA
Arnaldo de Melo vive e trabalha em São Paulo. Frequenta a Hochschule der Künste Berlin (hoje Universität der Künste), com bolsa DAAD, concentrando-se em pintura sob orientação de Karl-Horst Hödicke (1987-1990). Em período anterior (1984-1985), reside e trabalha com pintura em Nova York. Em 2006, conclui o curso de Arquitetura na Escola da Cidade, em São Paulo. Em seguida, parte para a pós-graduação na FAU-USP em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo concluindo, em 2014. Em 2015 é contemplado pelo Prêmio ProAC do Governo do Estado de São Paulo.

Dentre suas exposições individuais destacam-se “Círculos Urbanos” (2016), Phosphorus, São Paulo; a exposição no Palácio das Artes (1994), Belo Horizonte; “Selecionados do Centro Cultural São Paulo” (1992), Fundação Bienal, São Paulo; as mostras no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (1992) - MAC/USP, e na Galerie Röpke (1990), Berlim, entre outros.

Dentre suas exposições coletivas estão “A Arte que Permanece - Coleção Chagas Freitas” (2014), no Museu Nacional dos Correios, Brasília e Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro; “Selecionados do Centro Cultural São Paulo” (1991), no Museu de Arte de São Paulo – MASP; “Freie Berliner Kunstausstellung” (1998), Messehallen am Funkturm, West-Berlin; “Salão Nacional de Arte” (1980), FUNARTE, Rio de Janeiro, entre outras.

SOBRE A GALERIA
Cassia Bomeny Galeria (antiga Um Galeria) foi inaugurada em dezembro de 2015, com o objetivo de apresentar arte contemporânea, expondo artistas brasileiros e internacionais. A galeria trabalha em parceria com curadores convidados, procurando elaborar um programa de exposições diversificado. Tendo como característica principal oferecer obras únicas, associadas a obras múltiplas, sobretudo quando reforçarem seu sentido e sua compreensão. Explorando vários suportes – gravura, objetos tridimensionais, escultura, fotografia e videoarte.

Com esse princípio, a galeria estimula a expansão do colecionismo, com base em condições de aquisição, bastante favoráveis ao público. Viabilizando o acesso às obras de artistas consagrados, aproximando-se e alcançando um novo público de colecionadores em potencial. A galeria também abre suas portas para parcerias internacionais, com o desejo de expandir seu público, atingindo um novo apreciador de arte contemporânea, estimulando o intercâmbio artístico do Brasil com o mundo.

Posted by Patricia Canetti at 1:03 PM

março 6, 2018

Jaildo Marinho na Multiarte, Fortaleza

A Galeria Multiarte apresenta a exposição Jaildo Marinho – Origens, a partir do próximo dia 7 de março, com curadoria de Max Perlingeiro, que reúne 24 obras, entre instalações, esculturas e pinturas do artista pernambucano nascido em 1970 e radicado há 24 anos em Paris. A exposição será acompanhada de um catálogo bilíngue – português-francês – com textos do galerista e curador da mostra, Max Perlingeiro, editado pela Pinakotheke Cultural.

A exposição revela o resgate, de forma poética, do artista em relação às suas origens nordestinas. O trabalho manual das rendeiras e labirinteiras - tema central cearense, que foi abordado nos anos 1930-1940 por Raimundo Cela – estão presentes nesta mostra de Jaildo Marinho. Duas grandes instalações em mármore e madeira representam os bilros, instrumentos de trabalho destas artistas anônimas. Complementam a exposição esculturas e pinturas com a temática “vazio e equilíbrio”.

Em suas esculturas, Jaildo Marinho utiliza mármore de Carrara com pintura em tinta acrílica, enquanto em suas pinturas usa madeira e tinta acrílica. Max Perlingeiro explica que, na infância, o pernambucano Jaildo Marinho descobriu que o mundo não era feito apenas de espessuras; nele estava o sulco, a fenda, a abertura, o rasgão. A terra se abre à passagem das chuvas. As proas dos navios abrem fendas nas águas. “Para Jaildo, o vazio existe como uma imposição do espaço. O que não está também está entre nós. O inexistente e o inabitável fazem parte da razão e da contabilidade do mundo”, explica Max.

Esses sulcos abertos na paisagem foram uma das obsessões de Rimbaud. “À direita a aurora de verão acorda as folhas e os vapores e os rumores deste recanto do parque, e os declives da esquerda abrigam em sua sombra violeta os mil rápidos sulcos da estrada úmida”, observa o poeta em “Sulcos”. E, no poema “Marinha”, alude “aos sulcos imensos das vazantes”.

Max Perlingeiro observa ainda que em “Origens” Jaildo Marinho registra, em sua arte deslumbrantemente exata, esse lugar da passagem entre o vazio e a visibilidade do mundo. “Esta sua exposição é um rimbaudiano desfile de coisas mágicas”, conclui o curador.

Posted by Patricia Canetti at 12:03 PM

Almir Mavignier na Nara Roesler NY, EUA

A Galeria Nara Roesler | New York tem o prazer de apresentar Almir Mavignier: Privileged Form, com cartazes de Almir da Silva Mavignier (1925, Rio de Janeiro, Brasil). A exposição também incluirá o seminal "Aparelho Cinecromático", produzido por volta de 1955 por Abraham Palatnik (1928, Natal, Brasil), objeto escultórico que utiliza jogo de luzes para criar imagens caleidoscópicas. As trajetórias de Palatnik e Mavignier coincidem, visto que ambos os artistas, juntamente com o crítico Mario Pedrosa e o artista Ivan Serpa, uniram-se em busca do que Mavignier chamava de "forma privilegiada". Almir Mavignier: Forma Privilegiada estará em cartaz de 2 de março a 14 de abril de 2018.

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As estratégias estéticas empregadas na investigação de formas e cores nos cartazes de Mavignier estão há muito tempo presentes em sua prática. Seu trabalho é influenciado por suas experiências iniciais no Rio de Janeiro, pelo período que passou na escola construtivista de Ulm, na Alemanha, liderada por Max Bill, e por sua associação com o grupo Zero. Mavignier incorporou magistralmente os princípios artísticos expostos por estes movimentos em seus projetos, uma habilidade que lhe conferiu um papel fundamental na produção de cartazes na vanguarda do século 20. Os trabalhos expostos refletem a extensão da produção do artista e incluem cartazes feitos para exposições de artistas, movimentos e instituições como Paul Klee, grupo Zero e o Museu de Arte Concreta. A exposição também destacará cartazes de divulgação produzidos para mostras de Jesús Rafael Soto e Abraham Palatnik, enfatizando os pontos comuns entre a prática de Mavignier e a investigação formal conduzida por estes artistas.

Entre 1946 e 1951, Mavignier dirigiu o ateliê de pintura fundado junto a Dra. Nise da Silveira no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Sua experiência com pacientes de psiquiatria fez com que reconhecesse que a "fantasia criativa" de um artista vem de seu interior. Ao longo destes anos iniciais, Mavignier produziu seus primeiros trabalhos abstratos, situados entre a forma geométrica e a figuração orgânica. A experiência do artista no hospital psiquiátrico também o aproximou de Pedrosa, Serpa e Palatnik. A tese de Pedrosa, da forma como um objeto de experiência direta, forneceu o quadro teórico para que os artistas ao seu redor conceituassem o potencial artístico inerente aos pacientes, observado no Engenho de Dentro. Durante este período, Palatnik produziu seu primeiro protótipo para o "Aparelho Cinecromático", que projetava padrões sequenciais de luzes coloridas sobre uma tela semitransparente. A obra presente na exposição, Sem Título (c. 1955), é uma das primeiras tentativas do artista em controlar tais padrões através de um botão giratório manual, um processo que, posteriormente, na década de 60, tornou-se automático. Nas palavras do historiador da arte Dr. Michael Asbury, "o caráter mecânico do trabalho, combinado com a associação a seus colegas, coloca aquelas experiências iniciais no hospital psiquiátrico dentro da tradição construtiva brasileira, ou assim parece ser".

No final dos anos 40 e no início dos anos 50 ocorreu o surgimento do movimento concreto na arte brasileira, uma transição fortemente marcada pela primeira exibição de Max Bill em São Paulo, em 1949. Como o poeta concreto e crítico de arte Ferreira Gullar explica, "o final da [Segunda Guerra Mundial] despertou uma onda de otimismo e renovação que se refletiu nas artes. A exposição de Max Bill em São Paulo, em 1949, criou a primeira conexão com o grupo de Ulm, herdeiro de algumas ideias da Bauhaus...". Max Bill, que posteriormente seria professor de Mavignier, apresentou a ideia da beleza enquanto produto de uma forma matemática. Os artistas de Ulm, liderados por ele, procuravam substituir a reprodução naturalista através da busca por uma compreensão fundamental sobre as estruturas que nos cercam, com foco no ponto, na linha e no plano. O contato com a prática de Bill provocou um deslocamento na perspectiva de Mavignier sobre a representação da forma.

Como o artista afirma, "comecei a pesquisar formas e a fazer essa pintura não-naturalista... um novo mundo aberto a nós, então éramos livres".

Mavignier começou a produção de cartazes enquanto estudava com Max Bill, em 1953, na Hochschule für Gestaltung, em Ulm, e passou a incorporar sua recém-descoberta liberdade em seus projetos. No final dos anos 50, os cartazes do artista adotaram uma qualidade que ele descreve como "modular". Nestes projetos, utilizava-se da repetição para transformar elementos compositivos e cromáticos em constantes matemáticas. A partir de 1960, o artista continuou a explorar repetições estruturadas através de seus "cartazes aditivos", cada um pensado para ser apresentado ao lado de uma impressão de si mesmo, estabelecendo um trabalho repetitivo e contínuo. Seu manuseio das cores também revela a influência de Joseph Albers, que lecionou na escola de Ulm de 1953 a 1954. O foco de Mavignier sobre a relação entre as cores é particularmente notado em cartazes que empregam tipografia colorida que, de longe, faz com que as palavras aparentemente se misturem com o fundo. Como resultado, os cartazes executam sua função informativa cativando o espectador através de um jogo de cores e formas.

Mavignier permaneceu na Escola de Ulm até 1958, o mesmo ano em que ocorreu sua primeira exposição junto ao grupo Zero, em Dusseldorf, na Alemanha. O grupo uniu-se pela rejeição à abstração gestual então em alta na Europa, e buscava empregar cores simples e estruturas seriadas na abordagem de uma estética minimalista progressista. Para este efeito, Mavignier desenvolveu uma série de pinturas que apresentavam padrões com gotas pontudas de tinta colorida. O foco dado pelo movimento artístico à luz e ao espaço também era consistente com a preocupação de Mavignier em relação aos elementos ópticos que mediam a relação entre o observador e a obra de arte. Na criação de seus cartazes, ele gera uma resposta perceptiva no olho do espectador ao combinar elementos de cores contrastantes com formas geométricas. Mavignier não apenas adotou os princípios estéticos defendidos pelo grupo, como também produziu cartazes para seus companheiros do grupo Zero, como Jesús Rafael Soto. Sua atenção à cor e à forma acentua a obra do artista venezuelano, para quem a prática artística tinha como foco a percepção do movimento. Através de seu envolvimento em conjunturas importantes na história da Arte, a arte e o design de Mavignier não abundavam apenas nas ideias mais inovadoras de seu tempo, mas também em relíquias da vanguarda pós-guerra.

Esta exposição foi desenvolvida em colaboração com o Instituto de Estudos de Arte Latino-Americana (Institute for Studies on Latin American Art - ISLAA), e a Galeria Nara Roesler gostaria de agradecer ao ISLAA por disponibilizar para exibição sua significativa coleção composta por quarenta cartazes. O ISLAA é uma organização filantrópica não-lucrativa (501c3) baseada em Nova York e dedicada ao apoio a pesquisas avançadas sobre a arte latino-americana através da promoção de palestras, simpósios, publicações e exposições.


Galeria Nara Roesler | New York is pleased to present Almir Mavignier: Privileged Form, featuring posters by Almir da Silva Mavignier (b.1925, Rio de Janeiro, Brazil). The exhibition will also include a seminal "Kinechromatic Device" produced circa 1955 by Abraham Palatnik (b.1928, Natal, Brazil), a sculpture that employs light play to create kaleidoscopic images. Palatnik's and Mavignier's trajectories overlap, as both artists, along with critic Mário Pedrosa and artist Ivan Serpa, were united in pursuit of what Pedrosa called a "privileged form." Almir Mavignier: Privileged Form will be on view from March 2 through April 14, 2018.

The aesthetic strategies employed in Mavignier's posters to investigate form and color have long been present in his practice. His work is informed by his early experiences in Rio de Janeiro, his time in the Constructivist Ulm School in Germany led by Max Bill, and his association with Group Zero. Mavignier masterfully embodied the artistic principles expounded by these movements in his designs, a skill that led him to secure a key position as poster-maker for the 20thcentury avant-garde. The presented pieces reflect the scope of Mavignier's production and include posters made to announce exhibitions by artists, movements, and institutions such as Paul Klee, Group Zero, and the Museum of Concrete Art. The show will also highlight posters produced to publicize exhibitions by Jesús Rafael Soto and Abraham Palatnik,emphasizing the commonalities between Mavignier's practice and the formal investigation led by these artists.

Between 1946 and 1951, Mavignier led the painting studio, which he co-founded with Dr. Nise da Silveira, at the psychiatric hospital in Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. His experience with psychiatric patients led him to recognize that an artist's "creative fantasy" comes from within. Throughout these early years, Mavignier produced his first abstract works, which were situated between geometric form and organic figuration. The artist's experience at the psychiatric hospital also drew him close to Pedrosa, Serpa, and Palatnik. Pedrosa's thesis concerning form as an object of direct experience provided a theoretical framework for the artists who surrounded him to conceptualize the patients' inherent artistic potential, witnessed at Engenho de Dentro. During this period, Palatnik produced his first prototype for a Kinechromatic Device, which projected sequential patterns of colored light onto a semi-translucent screen. The piece in the exhibition, Untitled (c. 1955), is one of the artist's early attempts to control these patterns with a hand-turned knob, a process that later, in the 1960s, became automatic. As art historian Dr. Michael Asbury points out, "The mechanical character of the work combined with the association with his colleagues posits those early experiences at the psychiatric hospital firmly within the Brazilian constructive tradition, or so it seems."

The late 1940s and early 1950s marked the dawn of the Concrete age in Brazilian art, a transition largely marked by Max Bill's first exhibition in São Paulo. As the Concrete poet and art critic Ferreira Gullar explains, "The end of the [Second World War] aroused a wave of optimism and renewal, which was reflected in the arts. The Max Bill exhibit in São Paulo, in 1949, created the first connection with the Ulm group, the heir of some ideas from Bauhaus…"2 Bill, who would later become Mavignier's teacher, put forward the idea of beauty as product of mathematical form. The Ulm artists he led sought to replace naturalist reproduction by pursuing a fundamental understanding of the structures that surround us, focusing on point, line, and plane. Contact with Bill's practice shifted Mavignier's perspective on the representation of form. As the artist states, "I began to research forms and I began this non-naturalistic painting … a new world opened to us, so we were free."

Mavignier began his poster production in 1953 while studying under Bill at the Hochschule für Gestaltung Ulm (Ulm School of Design), and incorporated his newfound freedom into his designs. Toward the end of the 1950s the artist's posters took on a quality that he describes as "modular." These designs employed repetition to transform compositional and chromatic elements into mathematical constants. From 1960 onward, the artist continued to explore structured repetition through his "additive posters," each designed to be presented next to a print of itself, establishing a repetitive and continuous design. His handling of color also reveals the influence of Josef Albers, who lectured at the Ulm School from1953 to 1954. Mavignier's consequent focus on the relationship between colors is particularly noticeable in posters that employ typography in colors that, from afar, cause the words to seemingly coalesce with the background. As a result, the posters perform their informative function by captivating the viewer through a play of color and form.

Mavignier remained in the Ulm School until 1958, the same year he first exhibited with Group Zero, in Düsseldorf, Germany. The group united over the rejection of gestural abstraction trending in Europe at the time, and sought to employ simple colors and serial structures to approach a forward-looking minimal aesthetic. To that end, Mavignier developed a series of paintings that presented patterns of colored paint droplets with pointed tips. The movement's focus on light and space was also consistent with Mavignier's concern with the optical elements that mediate the relationship between observer and artwork. In the creation of his posters, he generates a perceptual response in the viewer's eye by combining contrasting color elements with geometric forms. Not only did Mavignier adopt the aesthetic principles put forward by the group, but he also produced posters for fellow artists in the Zero network, such as Jesús Rafael Soto. Mavignier's attention to color and form accentuates the work by the Venezuelan artist, whose practice focused on the perception of movement. Through his involvement in important art historical junctures, Mavignier's art and design became not only suffused with the most innovative ideas of his time, but also a relic of the post-war avant-garde.

This exhibition was developed in collaboration with the Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA), and Galeria Nara Roesler would like to thank ISLAA for making its historically significant collection of 40 posters available for the exhibition. ISLAA is a New York-based non-profit 501(c)(3) philanthropic organization dedicated to the support of advanced research on the arts from Latin America through the promotion of lectures, symposia, publications, and exhibitions.

Posted by Patricia Canetti at 11:25 AM

Unânime Noite na Iberê Camargo, Porto Alegre

Mostra coletiva inspirada na literatura traz obras de 30 artistas contemporâneos de diversos países. Programação conta ainda com noites de cabaré, saraus literários, performances, seminário e sessões de cinema.

No próximo sábado, 10 de março, a Fundação Iberê Camargo inaugura a exposição Unânime Noite – Volume 3, que traz obras – muitas delas inéditas – de cerca de 30 artistas contemporâneos, referências nas artes visuais locais e mundiais. Inspirada nos jogos surrealistas e na literatura de Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, a mostra questiona os limites da linguagem e a autoria, num instigante desafio narrativo.

Uma ampla programação paralela está prevista durante os fins de semana em que a exposição fica em cartaz, até o dia 6 de maio. O Cabaret Unânime Noite será uma experiência noturna pontuada por atrações que envolvem música, performance, cinema e leituras, inspiradas pela carga de excitação e mistério presentes na ficção. Ao longo da noite e das apresentações, o público poderá saborear drinks servidos no átrio e área externa. Além dos Cabarets, a Fundação promoverá uma série de atividades paralelas, como saraus e seminários para discussão de temas da exposição, e o Cine Iberê, com filmes que ampliam as reflexões sobre a proposta da mostra. O Seminário O Império dos Sonhos - Loucura, Fantasia e Surrealismo – que será realizado sempre aos sábados, às 16h – vai promover conversas, leituras e debates em torno da noite, da loucura e do absurdo, com convidados como o artista visual Daniel Jablonski, o curador Leo Felipe, a escritora e jornalista Veronica Stigger, o artista Pablo Uribe, entre outros nomes a confirmar.

No fim de semana de abertura, às 16h do sábado, 10 de março, acontece o primeiro encontro do Seminário, com o artista Daniel Jablonski, que vai abordar o tema O sono, o sonho, Freud e as noções de ócio e produtividade. Jablonski é artista visual, professor e pesquisador independente. Sua produção multifacetada, conjugando teoria e prática, investiga o lugar do sujeito na formação de novas mitologias e discursos do cotidiano. Trabalha tanto no contexto de uma exposição convencional quanto de uma publicação ou de uma palestra.

No domingo, 11, também às 16h, o Cine Iberê traz o filme Mulholland Drive: Cidade dos Sonhos, de David Lynch. A sessão será comentada pelo roteirista, diretor e produtor cinematográfico Gilson Vargas. A exibição integra o programa Noturnal - atividade cinematográfica paralela à exposição Unânime Noite, e tem curadoria de Marta Biavaschi.

Sobre Unânime Noite

A exposição Unânime Noite tem a estrutura de um romance. Ao invés de capítulos, obras de arte compõem uma narrativa de ficção, cujo desdobramento se dá nas experiências vividas ao longo do percurso realizado pelo visitante no espaço expositivo. Partindo de um texto escrito pelo artista lituano Raimundas Malašauskas, o curador Bernardo José de Souza – que cumpre o papel de “narrador” da história – convida outros artistas para dar continuidade à narrativa, criando novas obras (novos capítulos) ou elegendo obras já existentes, que derivem ou se articulem com as anteriores e, assim, sucessivamente. Neste sentido, a estrutura da exposição busca desafiar as noções convencionais de narrativa: existe uma ordem de “leitura” proposta pelo autor, mas que pode e deve ser subvertida a qualquer tempo por iniciativa do leitor/visitante.

O nome da exposição surgiu da primeira sentença de um conto de Borges, As Ruínas Circulares. A influência dos romances policiais e da ficção científica e o gosto por narrativas não lineares também está presente na Mostra. “Mediante o constante instar do passado e do futuro a partir do presente – uma das marcas da contemporaneidade -, esta exposição pretende articular obras e artistas de tempos e estaturas diversas”, afirma o curador. Dessa forma, Unânime Noite é uma exposição em constante transformação, cujos Volume 1 e Volume 2 aconteceram na Bolsa de Arte (São Paulo, 2015) e no Centro de Arte Contemporânea de Vilnius (Lituânia, 2016), respectivamente, com outras obras e outros artistas. “É um projeto on going, sem data para acabar. É uma exposição que muda sua forma através do espaço e do tempo; que existe física e mentalmente. É uma exposição em busca de um autor”, explica Bernardo.

Posted by Patricia Canetti at 10:33 AM

Solon Ribeiro no MIS, São Paulo

Com curadoria de Ricardo Resende, a exposição traz vídeos e instalações com base em fotogramas de filmes clássicos das décadas de 1920 a 1960. A abertura acontece no dia 2 de março, às 19h00, com entrada gratuita

Reconfigurações de fotogramas do cinema clássico, do acervo do artista cearense Solon Ribeiro, estarão presentes no MIS - Instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo -, durante a exposição Quando o cinema se desfaz. Com curadoria de Ricardo Resende (Museu Bispo do Rosário/RJ), a mostra traz um recorte da produção de Solon por meio de Instalações, vídeos e fotografias - incluindo uma área com dezenas de monóculos com fotogramas de seu acervo original. A exposição fica em cartaz de 3 março até 8 de abril e ocupa todo o segundo andar do Museu.

Nos anos de 1990, Solon Ribeiro herdou de seu pai uma coleção de mais de 20 mil fotogramas mostrando, em geral, protagonistas de filmes clássicos de Hollywood. A coleção foi iniciada nos anos 50 por seu avô, Ubaldo Uberaba Solon. Os fotogramas eram cuidadosamente guardados em álbuns feitos especialmente para esse fim, contendo o nome e o ano de cada filme, bem como uma legenda com os nomes dos atores.

A mostra no MIS é composta do deslocamento desses fotogramas em vídeos e novas imagens fotográficas, demonstrando o desejo do artista de exorcizar essa herança que carrega ao longo de sua vida. Em suas mãos, os fotogramas são reconfigurados, ganhando um novo sentido na forma de instalações e projeções performáticas criando, assim, novos filmes e novos contextos para as cenas originais.

"Trabalhando com um acervo constituído fundamentalmente por fotogramas originários do cinema clássico, eu venho deslocando esses objetos em diversas configurações para desprogramar o dispositivo clássico e ativá-lo para outras possibilidades de fruição, estimulando a atuação imaginativa do espectador", afirma Solon.

Segundo o curador Ricardo Resende, Solon Ribeiro é artista da família dos inclassificáveis e não se enquadra em nenhuma categoria da arte tradicional. Do mesmo modo, o que faz como arte também não se coloca em uma gaveta, não deixa o pensamento se acomodar. É um turbilhão de coisas que remove tudo do seu lugar.

Sobre Solon Ribeiro

Artista visual, fotógrafo, professor e curador, Solon é formado em comunicação e arte pela L’école Superieure des Artes Décoratifs, París-France. É também autor dos livros “Lambe- Lambe Pequena História da Fotografia Popular” e “O Golpe do Corte”. Em 2016, o artista foi contemplado com o projeto O Golpe do Corte, no Rumos Itaú Cultural, em que propunha a preservação, a digitalização, a catalogação e a publicação desse acervo de fotogramas (www.ogolpedocorte.com.br). Como muitos artistas contemporâneos, seu trabalho se volta para a problematização das imagens clichês, tendo em vista o fenômeno contemporâneo (já ecológico) da saturação de imagens. Com a herança dos fotogramas, dá-se uma espécie de reencontro no caminho traçado por Solon: encontro entre o percurso questionador do artista e suas primeiras experiências em salas de cinema. Com a volta de fantasmas hollywoodianos, seu trabalho sofre uma metamorfose. Solon e as imagens de Hollywood se fundirão num ato violento e revelador.

Posted by Patricia Canetti at 10:06 AM

março 2, 2018

Cildo Meireles lança livro na Luisa Strina, São Paulo

Ubu Editora e Galeria Luisa Strina convidam para o lançamento do livro "Cildo estudos, espaços, tempo", com a presença do artista e dos organizadores, na terça-feira, dia 6 de março, às 19h30, na Galeria Luisa Strina.

Este livro apresenta a obra de Cildo tendo como baliza o conceito de “estudo”. Boa parte de sua produção mais relevante é mostrada não só com as fotos das obras em exposições, como também com desenhos e esboços que revelam o processo de realização dessas obras. Os organizadores e a diretora de arte da Ubu tiveram a chance de pesquisar material iconográfico inédito para este livro. Estão incluídas instalações notáveis como Eureka/ Blindhotland, Malhas da liberdade, La bruja e Desvio para o vermelho, Através, bem como obras mais desconhecidas, inéditas em livro.

Outro destaque do volume é uma seleção de 12 textos fundamentais de críticos nacionais e internacionais sobre Cildo ao longo de toda sua carreira, desde a primeira exposição em 1969 até 2017, de: Diego Matos, Frederico Morais, Guy Brett, João Moura Jr., Lisette Lagnado, Lynn Zelevansky, Maaretta Jaukkur, Moacir Dos Anjos, Ronaldo Brito, Sônia Salzstein e Suely Rolnik.

Em edição trilíngue (português, espanhol, inglês), atualmente é o único livro de Cildo Meireles disponível no mercado.

Posted by Patricia Canetti at 9:05 AM

março 1, 2018

Daniel Arsham na Baró Jardins, São Paulo

O ato de sentar e permitir o fluxo livre e contínuo de pensamentos recebe, no budismo, o nome de zazen. “Za” significa “sentar” e “zen” refere-se a um estado de concentração profunda. Zazen existe enquanto estado mental, no qual espaço e tempo são suspensos. Em Zazen, mostra individual do artista americano Daniel Arsham na Baró Galeria, os trabalhos reunidos propõem uma outra experiência e percepção do fluxo do tempo.

Conhecido por trabalhos situados entre arte e arquitetura, nos quais intervém em nossas impressões sobre o espaço, a poética de Arsham também tange a dimensão temporal. Os trabalhos do artista tensionam a temporalidade na qual se inscreve a arquitetura onde se instalam: suas obras apresentam-se, no momento e espaço contemporâneos, como objetos que tem permanência em uma escala temporal quase geológica. O tempo, para o artista, não parece ter início ou fim absoluto, pois ele é percebido como uma longa duração, que atravessa e suspende a espacialidade.

Dentre os trabalhos que compõe a mostra, destacam-se Ash and Rose Quartz Eroded Televisions e o video Future Relic. Tais trabalhos fazem parte da série Fictional Archeology, no qual o artista se coloca como um arqueólogo do futuro e convida os espectadores a fazerem o mesmo: objetos do presente são recriados como esculturas e expostos como relíquias. Nessa arqueologia ficcional, os artefatos contemporâneos parecem ter sido petrificados, pois são compostos por uma mistura de materiais rochosos, minerais e cimento. Ao contrário do que são hoje, objetos feitos em escala massiva e industrial, marcados pela rápida obsolescência do mundo do consumo, eles assumem um caráter único. Colocamo-nos diante deles como se estivéssemos diante de preciosidades, que resistiram ao tempo e às intempéries, mas que nos fazem rememorar nosso presente.

As obras Blue Gradient Teddy Bear e Blue Gradient Seated Female Figure integram uma instalação semelhante a Blue Garden, site specific realizado no Aterro do Flamengo em 2017, em que Daniel Arsham recria um jardim zen com areia e duas esculturas. Na cultura milenar japonesa, tal jardim é um refúgio para concentração e para o fluxo de energia. As marcas na areia realizadas com um restelo simbolizam, deste modo, o fluxo de água. No jardim de Arsham, a figura de mulher sentada e de um urso de pelúcia também petrificados substituem as tradicionais pedras como elemento decorativos e criam uma situação de simultaneidade entre o universo tradicional, que se estende temporal e espacialmente, e o mundo contemporâneo fugidio e acelerado.

Nos trabalhos que compõem a mostra, Arsham propõe ao espectador a experiência de um tempo que não é concreto - apesar da materialidade dos objetos de suas esculturas e instalações. O tempo, como no budismo, aparece como amplo e cíclico. Ele é, simultaneamente passado, presente e futuro, em um contínuo sem começo, meio e fim.

Sobre o artista

Daniel Arsham nasceu em Cleveland, Ohio, Estados Unidos, 1980. Vive e trabalha em Nova Iorque, Estados Unidos.
Conhecido por transformar o rotineiro em algo espetacular e surreal e guiado por conceitos arquitetônicos , o multiartista Daniel Arsham transita entre pintura, escultura, instalações, set design e performances de dança. ”De todos os produtos que os seres humanos fazem, a arquitetura é a maior e mais duradoura e importante forma de expressão cultural – é a única coisa que vai durar”, ele declara. Em 2007, desenvolveu o cenário para o espetáculo eyeSpace, o primeiro dos quatro que faria para a Merce Cunningham Dance Company, companhia lendária que outrora contou com colaborações de nomes importantes da arte como Robert Rauschenberg, Frank Stella e Bruce Nauman. Hoje é sócio e fundador da Snarkitecture, estúdio de design colaborativo que opera entre os territórios da arte e arquitetura.

Posted by Patricia Canetti at 2:00 PM

Amanda Mei na Baró Jardins, São Paulo

Galeria Baró têm o prazer de apresentar Refôrma*, exposição individual de Amanda Mei, no Baró Contêiner

Nela, as obras expostas giram em torno do conceito da reorganização e reequilíbrio de um modelo, matriz ou molde. Segundo a própria artista:

Refôrma traz a experiência de devolver para a natureza uma geometria falha, um novo uso, um desvio da função original dos materiais por meio da ideia de artificio e camuflagem.

A mostra é composta por pinturas e esculturas que tratam do equilíbrio entre elementos de formação do universo, com composições tridimensionais construídas pelo homem ou apropriadas diretamente da natureza. São combinações que se reorganizam de acordo com o meio em que estas se encontram, tal qual uma estrutura molecular ou um planeta.

O conjunto de trabalhos trata da dinâmica dos movimentos de transformação e destruição, a ideia de progresso e sobrevivência. Estes pontos se colocam como um pacto entre o homem e a natureza - seja pelo embate dos diferentes materiais com o espaço físico, da tinta com a parede e dos visitantes com as obras.

Os fragmentos de madeira, papelão, argila, tinta se transformam em formas tridimensionais e parecem crescer no espaço como uma arquitetura "não oficial” por um período determinado de tempo. Tais procedimentos refletem a ideia de camuflagem em relação ao deslocamento, função e transformação dos materiais.

Sobre a artista

Amanda Mei SP, 1980, iniciou sua pesquisa com fotografias, objetos e pinturas que misturam diferentes elementos e tipos de materiais como: madeira, papelão, pedra e concreto. Em sua produção, lida com questões próprias à linguagem escultórica e pictórica através de instalações e site-specifics que incorporam a arquitetura local. Investiga a relação contemporânea entre a natureza e o homem, através dos materiais de descarte/ demolição e as circunstâncias que tencionam a relação entre uma arquitetura projetada e orgânica.

Foi contemplada com o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2015, o edital Rumos Itaú Cultural, Prêmio Artes Visuais no 17ª Festival Cultura Inglesa, Prêmio para Projetos de Pesquisa e Produção em Artes Plásticas no 48º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Energisa Artes Visuais em João Pessoa. Também foi residente na Cité International Des Arts, em Paris e RedBull Station, em São Paulo. Entre suas exposições individuais, destacam-se: Acordos, desvios ou diálogos (galeria Flávio de Carvalho, Funarte, SP, 2017), Sobre a demolição da Terra (Arte Hall, SP, 2015), Resíduos, Rastros e Relíquias (Centro Cultural Britânico, SP, 2013), Como fazer tempo com sobras (Galeria TAC, RJ, 2010) e As Sobras e Desconstruções (Caixa Cultural, SP, 2010).

Posted by Patricia Canetti at 1:44 PM

Takesada Matsutani na Bergamin & Gomide, São Paulo

Bergamin & Gomide traz para o Brasil pela primeira vez o trabalho de Takesada Matsutani

Nascido no Japão e membro da segunda geração do grupo Gutai, o artista participou em 2017 da mostra Grafite Works, em Nova York e da 57ª Bienal de Veneza, na Itália. Matsutani participará da montagem da exposição e realizará uma programação paralela na JAPAN HOUSE São Paulo

Entre as características que marcam a obra do japonês Takesada Matsutani, radicado em Paris, está o material utilizado para compor seus trabalhos: a cola de vinil – uma espécie de adesivo de contato de aderência rápida e flexibilidade após a secagem. O artista representa a nova tomada do expressionismo abstrato e estará presente na exposição inédita no Brasil - Selected Works 1972 - 2017, que a Bergamin & Gomide apresenta a partir do dia 3 de março, em parceria com a galeria Hauser & Wirth e organizada com Olivier Renaud-Clément.

Em seus primeiros experimentos, Matsutani impregnou a superfície da tela com elementos bulbosos, usando sua própria respiração para criar formas inchadas e rompidas, evocando carne e feridas. A carreira do artista começou nos anos 1960 como membro-chave da “segunda geração” na Gutai Art Association, o inovador e influente coletivo de arte do Japão na pós-guerra. Um dos mais importantes artistas ainda em produção, Matsutani continua a demonstrar o espírito de Gutai, transmitindo a reciprocidade entre o gesto puro e a matéria-prima. Suas pinturas, desenhos e esculturas envolvem temas do eterno e ecoam os intermináveis ​​ciclos de vida e morte.

Ele lembra: "A cola começou a pingar e, à medida que secou, ​​formaram-se protuberâncias, que pareciam os úberes de uma vaca". Inspirado pela observação de bactérias através de um microscópio no laboratório de um amigo, Matsutani desenvolveu ainda mais esta técnica, usando secador de cabelo para criar formas que relembram as curvas do corpo humano.

Para a exposição na Bergamin & Gomide, foram selecionadas cerca de 20 trabalhos com grafite, cola de vinil, colagem e acrílico, entre outros materiais, tendo como suporte o papel, a tela e a madeira. Nos últimos três anos, Matsutani realizou as exposições individuais no Manggha Museum of Japanese Art and Technology (Krakow, 2018), na Hauser & Wirth Los Angeles (Los Angeles, 2017), na Hauser & Wirth, Zurique, (Suíça, 2016), no Otani Memorial Art Museum, 'Correntes', Nishinomiya (Japão, 2015) e na Hauser & Wirth New York (Nova York, 2015).

Em torno de 1977, alguns anos depois que o grupo Gutai se dissolveu, Matsutani procurou destilar sua prática: "Se você tem apenas um papel, um lápis, o que você pode fazer com isso?" - o artista perguntou a si mesmo. Trabalhando exclusivamente com grafite preto de forma expressiva, Matsutani cobriu uma tela texturizada ou folha de papel monumental com traçados repetitivos e sucessivos. Através da construção de camadas, cada marca e mancha de carvão captura o acúmulo de energia e tensão em uma poderosa manifestação de material e tempo.

Além da exposição na Bergamin & Gomide, Matsutani realizará uma programação paralela na JAPAN HOUSE São Paulo, na Avenida Paulista. Entre 6 e 11 de março, o espaço receberá duas obras do artista, além de performances exclusivas. Uma delas, aberta ao público, será realizada no dia 11 e integrará a programação do evento Paulista Cultural; iniciativa que prevê uma programação especial em diversas instituições da Avenida Paulista, como Casa das Rosas, Centro Cultural Fiesp, Instituto Moreira Salles, Itaú Cultural e MASP. Criada pelo governo japonês em São Paulo, Los Angeles e Londres, a JAPAN HOUSE se propõe a ser um ponto de difusão de todos os elementos da cultura contemporânea japonesa para a comunidade internacional com programação cultural e vivências abertas ao público.

Posted by Patricia Canetti at 12:25 PM

Jeanete Musatti na Bolsa de Arte, São Paulo

Individual S/ Título traz à Galeria Bolsa de Arte um panorama abrangente da obra de Jeanete Musatti, com curadoria de Ricardo Resende

A assemblage ganha contornos lúdicos e intimistas, incorporando elementos do universo pessoal da artista a narrativas que fundem ficção e realidade

Após dez anos sem expor, Jeanete Musatti abre o calendário 2018 da Galeria Bolsa de Arte com a mostra S/ Título, que traz Ricardo Resende como curador. Apresentando cerca de 50 trabalhos de diversos períodos dos mais de 40 anos de carreira da artista, a individual traça um panorama abrangente de sua obra, passeando por diferentes vertentes de sua produção, articuladas como partes de uma grande instalação que vai ocupar todo o espaço da galeria. A abertura acontece no dia 8 de março (quinta-feira), a partir das 19h30.

Nas palavras de Ricardo Resende, “Jeanete Musatti coleciona, agrupa dados (objetos) e vestígios (textos e imagens) de sua passagem pelo mundo. Com esse procedimento simples a artista parece tentar levar a cabo o desejo de criar, como descreve Elisabeth Roudinesco, um ‘arquivo absoluto’”.

Nesse arquivo intimista, cada elemento, cada objeto tem um sentido exclusivo que se amplia e modifica a partir das combinações propostas por Musatti. Da mesma maneira funcionam as obras: individualmente e como peças do grande conjunto, também reinterpretadas pelas semelhanças e clivagens com outros trabalhos e com o espaço, e também com a história da artista e, por sua vez, dos espectadores. De inspiração surrealista, os trabalhos de Jeanete Musatti trazem significados abertos, nunca totalmente definíveis, mas sempre reconhecíveis menos pela esfera racional que pela sensível e pela memória afetiva.

Cada uma das duas salas da galeria recebe um grupo diferente de trabalhos: na primeira, instalações e caixas trazem obras inéditas de produção recente; na segunda, desenhos inéditos da década de 1980, que a artista produziu no período em que morou em Londres, trazem uma faceta histórica e mais formalista, da abstração geométrica.

O universo familiar e ao mesmo tempo onírico, lúdico, surge nas caixas-narrativas expostas na primeira sala. São pequenas vitrines, de parede ou com base em metal e tampo de acrílico, em que a artista compõe histórias abertas, que se completam na imaginação do observador e parecem suspensas à ação do tempo, na eternização da cena.

Algumas novidades são as caixas do saci-pererê e a que traz dois pratinhos de baquelite com desenho oriental, ambas forradas ao fundo com sobras de tecidos que a artista coleciona. Dois relevos, quadros em que objetos são dispostos e cobertos com resina branca, oferecem apenas contornos levemente distorcidos para serem completados pelo olhar e imaginação.

A matéria-prima das caixas e relevos, como é próprio da assemblage, são objetos cotidianos, como bonecos, armações de óculos e suportes de copos, que no universo de Musatti são afetivos, pinçados cuidadosamente em suas viagens pelo mundo, e muitas vezes de uso pessoal. Ao contrário de Farnese de Andrade, que dava à técnica uma gravidade que esmiuçava a dor do convívio familiar, nas caixas de Musatti essas questões deixam-se entrever de forma divertida, leve.

Também é do âmbito familiar a instalação que abre a mostra, com mesa baixa e a toalha de renda de grandes proporções (4 X 2,5 metros) presenteada a sua mãe por seu pai, e depois passada para Musatti quando de seu casamento. A peça, que pela altura da mesa acaba por “escorrer” pelo chão, é encimada por um arranjo de flores com um espelho, de onde sai uma tartaruga estilizada em tamanho natural, feita com um casco real e cristais no lugar das patas e da cabeça.

As cadeirinhas colecionadas pela artista, réplicas em escala reduzida de modelos clássicos, formam um círculo no centro da primeira sala. Pendurada em uma vassoura no teto do espaço expositivo, como um totem, uma miríade de braceletes de baquelite são um universo visual colorido e chamativo, remetendo a uma arqueologia dos modismos femininos.

O segundo espaço, mais ao fundo da galeria, tem caráter histórico. Cerca de 20 desenhos que a artista produziu durante o período em que morou em Londres, na década de 1980, inéditos, ganham agora exibição completa. Compostos por segmentos de reta que se encontram em pontos de acúmulo de tinta, nas cores preta e vermelha sobre fundo branco, compõem delicadas partituras, como na música, uma das paixões de Musatti.

Sintetizando tanto o espírito da obra da artista quanto da exposição S/ Título, diz Resende: “A obra de Jeanete Musatti trabalha com a modificação de nossa noção de escala e com a fragmentação do tempo, operando manejos originais do perto e do longe, do hiato localizado entre o trabalho e quem o observa, e do vazio do espaço expositivo, que começa onde termina a obra. Um trabalho como esse gera, portanto, uma nova percepção dramática da natureza e do mundo como formas naturais de conhecimento do destino do homem”.

“Trata-se, assim, de obra com forte conteúdo ontológico, na qual muitas inquietações, individuais e coletivas, estão expressas de forma contundente, carregada de poesia – um desejo de dar permanência a uma realidade fluida, sabendo que na vida nada é permanente. Os trabalhos que dão corpo à obra da artista constituem uma forma de enxergar a totalidade das coisas de uma ótica que coloca o humano em escala menor, diante da imensidão do mundo e da nossa noção do infinito”.

Sobre a artista

Jeanete Musatti nasceu em São Paulo em 18 de julho de 1944. Casada com o colecionador Bruno Musatti, passou a usar seu sobrenome em vez de Leirner, sua família: irmã de Adolpho e prima de Nelson, também é tia de Jac Leirner. Foi aluna da húngara Yolanda Mohalyi e do catalão Joan Ponç, e frequentou a Escola Brasil, onde se aproximou de Baravelli e suas colagens. Sua exposição de estreia foi em 1973, no Masp, a convite de Pietro Maria Bardi, e a segunda aconteceu na Paulo Figueiredo Galeria de Arte. Entre suas individuais, estão Sonhos de Pondji - Aquarelas e lançamento do livro homônimo (escrito pela artista), em 1979, no Paço das Artes; Jeanete Musatti: Uma Exposição dentro de uma Exposição, em 2008, na Galeria Nara Roesler; e em 1995, no Instituto Moreira Salles e Museu Guido Viaro (Curitiba). Entre as coletivas, destacam-se São Paulo não É uma Cidade - Invenções do Centro, curadoria de Paulo Herkenhoff para o Sesc 24 de Maio, em 2017/2018; Tarsila e Mulheres Modernas no Rio, em 2015; no Museu de Arte do Rio (MAR); Bordando Arte, curadoria de Moacir dos Anjos para a Pinacoteca do Estado, em 2008; Um Século de Arte Brasileira: Coleção Gilberto Chateaubriand, também na Pinacoteca, em 2006, passando pelo Museu de Arte Moderna da Bahia (2007) e pelo Museu de Arte de Santa Catarina (2008); e a VI Bienal de La Habana: El Individuo y su Memoria, em 1997, em Havana; além de mostras no MAM SP, MAM RJ, Itaú Cultural e British Council, entre outros. Tem obras em coleções públicas como MASP, MAC USP, MAM RJ, MAC Niterói e Deutsche Bank.

Sobre o curador

Ricardo Resende, mestre em História da Arte pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), tem carreira centrada na área museológica. Trabalhou de 1988 a 2002, entre o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, quando desempenhou as funções de arte-educador, produtor de exposições, museógrafo, curador assistente e curador de exposições. De março de 2005 a março de 2007, foi diretor do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, no Ceará. De Janeiro de 2009 a junho de 2010, foi diretor do Centro de Artes Visuais da Fundação Nacional das Artes, do Ministério da Cultura. Diretor Geral do Centro Cultural São Paulo de 2010 a 2014. É curador do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea desde 2014, no Rio de Janeiro. Também curador da Fundação Marcos Amaro, desde 2017, em Itu.

Posted by Patricia Canetti at 10:27 AM

Paisagem Líquida no Espaço 321 Jacarandá, São Paulo

Expoentes da fotografia abordam questões atuais do desenvolvimento urbano na coletiva Paisagem Líquida

As questões surgidas com o desenvolvimento urbano ganham interpretação artística pelas lentes de Arnaldo Pappalardo, Bruno Bernardi, Edu Marin, Ivan Padovani, Lucia Loeb e Maurício Simonetti na exposição Paisagem Líquida. Resultado de um grupo de estudos com os fotógrafos, coordenado por Rosely Nakagawa, a coletiva tem abertura no dia 6 de março (terça-feira), a partir das 19h, no Espaço 321 Jacarandá.

O projeto Paisagem Líquida começou há cerca de dois anos a partir da observação de Rosely Nakagawa sobre trabalhos fotográficos com enfoque na paisagem. “Percebi que muitos dos bons fotógrafos da atualidade tinham uma pesquisa sobre a paisagem urbana com suas modificações e problemas”, ela afirma. O objetivo estabeleceu-se no debate das definições conceituais da imagem da paisagem na contemporaneidade. Se as cidades são hoje os centros da vida humana, suas transformações, para o bem e para o mal, são índices das relações sociais e acabaram por nortear o projeto.

Após encontros em que segmentos do tema foram postos em discussão (como paisagem e violência, paisagem e cultura, paisagem e lugar, paisagem e tempo etc.) e cada fotógrafo teve seu trabalho avaliado e comentado pelos demais, a coletiva traz esse debate de forma empírica nas obras. Inclusive, os trabalhos incorporam em seus suportes elementos da paisagem, como janelas, muros e lambe-lambes, extrapolando o limite bidimensional da fotografia pela transversalidade. “Cada projeto de instalação é um tipo de continuidade da construção da paisagem”, define a coordenadora.

Arnaldo Pappalardo traça um paralelo entre as mudanças na urbanização e a troca de tecnologias fotográficas com um trabalho de ressignificação de seu arquivo. Quando já mudava para o equipamento digital, ele guardou sem selecionar algumas imagens clicadas com sua câmera analógica, e agora exibe uma pesquisa sobre esse material, inédito mesmo para ele.

A documentação de polos de desenvolvimento urbano que derivaram em espaços gentrificados, como a região da Marginal do Rio Pinheiros e da Vila Olímpia, é o foco do trabalho de Bruno Bernardi. Ele entrou em canteiros de obras e acompanhou passo a passo a transformação do espaço da cidade em enormes blocos de concreto e vidro, moldados para cercear a circulação e criar núcleos de poder.

Edu Marin, que traz montagens fotográficas exibidas na exposição como lambe-lambes, tem o olhar mais poético e humano do grupo, segundo Nakagawa. “Ele captou imagens das interações humanas dentro de espaços aparentemente hostis ou de urbanização desorganizada, como crianças brincando em uma comunidade.”

Ivan Padovani mistura imagem e matéria em seu trabalho. Ele se apropria de detritos urbanos e compõe um jogo de ressignificações pela junção desses elementos com suas fotos.

Os livros surgem como metáforas das camadas pelas quais as cidades vão sendo cobertas ao longo de sua modificação no trabalho de Lucia Loeb. Ela sobrepõe imagens p&b de diferentes épocas em livros que mostram as pequenas alterações cotidianas na paisagem ao longo de anos.

Remetendo aos famosos monóculos fotográficos dos anos 1970-80, Maurício Simonetti expõe um muro de alvenaria com diversas imagens embutidas. Por meio de pequenos orifícios, o espectador pode visualizar as fotos. A mostra pretende conduzir o visitante à reflexão e não a um pensamento conclusivo, diante dessa paisagem mutante e desordenada que nos acompanha no cotidiano.

Sobre a coordenadora

Rosely Nakagawa (SP, SP, 1954) é graduada pela FAU USP (1977), com especialização em Museologia (USP) em 1979, Comunicação e Semiótica (PUC/USP, 2004). É curadora e editora de fotografia; atuou em instituições culturais como Galeria Fotoptica, fundada por ela e Thomaz Farkas em 1979. Foi curadora na Casa da Fotografia Fuji de 1997 a 2004. Foi curadora das Galerias FNAC Brasil, desde sua abertura no Brasil até 2009, quando publicou a coleção de entrevistas no livro Encontros com a Fotografia. Organizou a mostra de sua coleção de fotografias no circuito nacional da Caixa Cultural (SP, Curitiba, Brasília, Salvador) em comemoração aos seus 30 anos de carreira, em 2009, e no ano seguinte levou a exposição ao Museu Nacional em Estremoz, Portugal. Foi co-curadora da mostra Extremos no Festival Europalia/Brasil (Bélgica, 2011). Em 2016, realizou a mostra Retrato Popular no Sesc Belenzinho SP, e a exposição Os Dias Lindos - Fotografias Carlos Moreira, no Espaço Cultural Armazém 11 (Santos, SP), no qual é responsável pela gestão cultural desde a inauguração, em 2015.

Sobre os fotógrafos

Arnaldo Pappalardo (SP, SP, 1954) formou-se em Arquitetura pela FAU-USP (1979) e foi aluno de Carlos Fajardo e Claudia Andujar. Trabalha há mais 30 anos como fotógrafo profissional. Entre suas exposições, destacam-se as individuais Tensão sobre a Calma, Pinacoteca do Estado de SP, 2008; no Museu Nacional de Belas Artes RJ, 2009; Tavoletta, no Museu da Casa Brasileira, SP, 2013; e as coletivas Rencontres Interntionale de la Photographie, França,1984; 1˚ Bienal de Havana,1985; Brasil Projects, P.S.1 NY, EUA,1988; Arte Cidade, SP,1997 e Veracidade MAM SP, 2006. Entre os prêmios que recebeu, figuram Melhor Exposição do ano, APCA, 1998; Bolsa Vitae de Artes/Fotografia, 2003; 1˚ Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, 2011.

Bruno Bernardi (Goiânia, GO, 1975) , formou-se em Ciências Biológicas na UNICAMP (1997), onde, também, iniciou seu trabalho no campo da Antropologia Visual no Departamento de Multimeios (Instituto de Artes) com o Prof. Etienne Samain; em Nova York, frequentou cursos livres da SVA (School of Visual Arts); especializou-se em Comunicação e Arte com ênfase em Fotografia pelo Senac em 2005 e publicou o fotolivro Da Cor: 30 Fotografias. Faz parte da Coleção Joaquim Paiva (2017) e do acervo do Museu de Arte contemporânea de Caracas (MACC); foi finalista do Prêmio FCW de Arte 2015 (Ensaio Fotográfico), do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2017 e do 13º Festival Internacional de Fotografia - Paraty em Foco 2017 com a série Paisagem Movediça, realizada em Mariana (MG). Entre suas exposições, estão Lugar Não Lugar, MACC Venezuela (2017-18); Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas, Caixa Cultural Curitiba e SP (2015); Brasília, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro (2016); e 7º Salão dos Artistas Sem Galeria, na Zipper Galeria (SP), Galeria Sancovsky (SP), Orlando Lemos Galeria (MG) e Potrich Galeria (GO); curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, Marta Ramos-Yzquierdo e Douglas de Freitas (2016).

Edu Marin Kessedjian (SP, SP, 1976), é formado em Artes Visuais pela ECA-USP (2005). Possui obras nas coleções do MAC SP, do Museu de Arte de Ribeirão Preto, do MAM SP, da Casa da Imagem do Museu da Cidade de São Paulo e da Casa do

Olhar da Prefeitura Santo André. Entre suas individuais, expôs no Centro Cultural São Paulo (2005), no Centro Universitário Maria Antonia (2005) e no Itaú Cultural (2004). Participou, entre outras, das seguintes exposições coletivas, 15º Festival Internacional de Fotografia de Valparaíso (Chile, 2015), Red Bull Station (2015), Mostra de Aquisições Recentes do Acervo do Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto (2014), Fronteiras Incertas (MAC-USP, 2013), e Dez anos do

Clube da Fotografia do MAM (MAM, 2010).

Ivan Padovani (SP, SP, 1978), vive e trabalha em São Paulo. Formado em Administração pela FAAP, onde também cursou pós-graduação em Fotografia. Representado pela Galeria da Gávea (RJ), é professor na Escola Panamericana de Arte e Madalena Centro de Estudos da Imagem. Entre suas exposições, figuram a 15ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza (2016); Diário Contemporâneo de Fotografia, no Museu Casa das Onze Janelas, Pará (2016); Fotos Contam Fatos, na Galeria Vermelho, SP (2015); e Athens Festival – Benaki Museum, Grécia (2015). Foi finalista do Prêmio Conrado Wessel de Fotografia em 2016, entre outros.

Lucia M. Loeb (SP, SP, 1973) vive e trabalha em São Paulo. Trabalha com fotografia desde 1991. Buscando um novo suporte para as imagens, começou a investigar e experimentar a construção de uma série de livros objetos, que utilizam procedimentos tais como repetição de imagens, deslocamentos, sobreposições, cortes e furos, entre outros. Participou do 5º Núcleo de Formação em Linguagem Fotográfica, do Centro Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo,1991. Formou-se em Design Gráfico no Centro Universitário Belas Artes, São Paulo (2010). Mestra em poéticas visuais pela ECA-USP (2014), onde atualmente faz doutorado sob a orientação de Claudio Mubarac.

Maurício Simonetti (Santo André, SP, 1959) é fotojornalista e fotógrafo documental independente desde 1980. Suas pesquisas fotográficas enfocam água, ecossistemas brasileiros e paisagens urbanas. Suas fotos integram coleções como Pirelli-MASP, Itaú Cultural, MIS SP e Centro de La Imagen (Cidade do México). É autor do livro Brasil – As Cidades da Copa. Principais exposições: Documentos Plurales - La Participación Brasileña en las Muestras de la Fotografía

Latinoamericana Contemporánea (1978-1981), Centro de la Imagen, Cidade do México (2017); coletiva da Foto-Invasão na Red Bull Station, SP (2016); Paisagens, individual, Caixa Cultural Sé,SP (2008); entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 9:24 AM