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março 26, 2017

Projeto Situ: Pilar Quinteros na Leme, São Paulo

A Galeria Leme apresenta a sexta edição do projeto SITU com a instalação site-specific comissionada à artista chilena Pilar Quinteros - Amigos do Movimento Perpétuo. Parte de um projeto maior, curado por Bruno de Almeida, esta edição dá continuidade a uma pesquisa sobre formas de pensar e discutir a produção do espaço (urbano), através de uma sequência de obras realizadas nos espaços externos da galeria que estabeleçam uma relação estreita com o seu edifício (projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha em colaboração com o escritório Metro Arquitetos) assim como com o espaço público contíguo.

[scroll down for English version]

O projeto de Pilar Quinteros parte de uma reflexão sobre a história do edifício da galeria. Construído primeiramente em 2004, este foi demolido poucos anos depois, em 2011, resultado de dinâmicas urbanas que culminaram na compra de seu terreno por uma empresa multinacional. Depois de várias negociações a galeria foi reconstruída num outro lote a poucos metros da sua locação original, seguindo o seu projeto inicial. Deste modo o edifício atual é uma réplica do primeiro, à qual foi adicionada uma construção adjacente. A “clonagem”, deslocamento e ampliação deste edifício problematizam a fronteira entre a reprodutibilidade e a singularidade da obra arquitetônica, assim como a ideia de inseparabilidade conceitual e material entre o projeto e as especificidades do contexto urbano para o qual foi pensado.

Refletindo sobre estes aspectos Pilar Quinteros desenvolveu uma pesquisa sobre edifícios replicados, deslocados ou nômades e se deparou com paralelos improváveis entre a galeria Leme e um dos principais símbolos arquitetônicos da cidade de São Paulo, a Estação da Luz. Desde 1867 a estação sofreu contínuas modificações e reconstruções; ampliada em 1870, reconstruída entre 1895 e 1901 (projeto atual), destruída por um incêndio em 1946, reedificada entre 1947 a 1951, modificada de 2004 a 2006, pelos arquitetos Pedro e Paulo Mendes da Rocha, semidestruída por outro incêndio em 2015 e atualmente em processo parcial de reestruturação até 2018. As suas constantes reconstruções fazem parte da biografia da metrópole e da memória coletiva de seus habitantes. Mas, apesar da sua presença imemorial e ligação intrínseca com a cidade, esta estação cruzou o Oceano Atlântico de navio, desmontada peça por peça, até chegar a São Paulo. Presumivelmente escolhida a partir de um catálogo inglês, a estrutura metálica de ferro fundido que lhe dá sustentação foi trazida do Reino Unido, as suas telhas cerâmicas são de Marselha, França e a sua madeira é de pinho-de-riga Irlandês, apenas a sua alvenaria é de origem local. Este histórico trânsito mundial de materiais, componentes pré-fabricados, formas de fazer e estilos arquitetônicos desestabiliza, ainda hoje, a unicidade de projetos “icônicos” e a relação que estes têm com o seu contexto local. A Estação da Luz, por exemplo, partilha fortes similaridades (assim como peças estruturais pré-moldadas) com uma outra estação ferroviária, Flinders Street Station, construída no início do século XX na Austrália, também ela “única” no seu contexto.

Para o projeto SITU, Pilar Quinteros propõe uma intersecção simbólica das histórias dos edifícios da Galeria Leme e da Estação da Luz, através de uma justaposição arquitetônica. A artista adiciona ao edifício de Paulo Mendes da Rocha, uma torre de relógio semelhante àquela da estação paulistana. A torre do relógio é um símbolo que perpassa a história da arquitetura mundial como um elemento de domínio e organização sócio-espacial, não só por ser um ponto de referência visual mas também porque, através de seu relógio, institui e comunica uma noção de tempo público que pauta subliminarmente os ritmos da população. A torre da Estação da Luz foi, por muitos anos, o principal ponto de referência espacial e temporal da cidade, já que o seu relógio, visível de vários pontos da cidade, instituía a hora oficial que todos os cidadãos deveriam seguir. Porém a réplica construída por Pilar Quinteros parece negar essa referencialidade, subvertendo vários aspectos dados como adquiridos acerca deste elemento tão conhecido; a sua posição não é fixa, a sua materialidade não é permanente, o seu relógio está mudo e a sua verticalidade foi-lhe negada.

Pilar Quinteros, 1988, Santiago, Chile. Vive e trabalha em Santiago, Chile. Bacharel em Artes pela Pontifícia Universidade Católica do Chile (2011). Ela é co-fundadora e membro ativo do Coletivo de arte MICH (Museu Internacional de Chile), grupo multidisciplinar dedicado a gerar projetos reflexivos, espaços de arte e criação artística. Vencedora da bolsa Jean-Claude Reynal (2012) para artistas cuja produção artística considera o papel como um material de construção fundamental, oferecida pela Fundação de França em conjunto com o Museu de Belas Artes de Bordeaux, França. Vencedora do terceiro lugar da Beca de Arte CCU (2013). Finalista do Future Generation Art Prize 2014. Expôs o seu trabalho na 32ª Bienal de São Paulo - Incerteza Viva (São Paulo, Brasil, 2016); Centro de Artes Gráficas de Liubliana (Eslovênia, 2015); Carlos/Ishikawa Gallery (Londres, Inglaterra, 2015); PinchukArtCentre (Kiev, Ucrânia, 2014); Museo Nacional de Bellas Artes (Santiago, Chile, 2013); Casa de las Américas (La Habana, Cuba, 2013); Museo de Arte Contemporáneo (Santiago, Chile, 2010), entre outros.

Bruno de Almeida, 1987, Salvador, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Graduado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Portugal (2009). Mestre em Arquitetura pela Accademia di Architettura, Mendrisio, Suíça (2013). Trabalhou como arquiteto em Londres, Reino Unido (2010-2011) e como assistente curatorial no Instituto de Investigação Independente da Fondazione Archivio del Moderno, Mendrisio, Suíça (2012). Para além de ser criador e curador do SITU (2015 – em curso) Bruno de Almeida desenvolveu projetos com instituições tais como: Storefront for Art and Architecture, Nova Iorque, EUA; Pivô Arte e Pesquisa, São Paulo, Brasil; Kunsthalle São Paulo, Brasil, entre outras. Sua pesquisa e projetos foram publicados em: ARTFORUM International Magazine, EUA; ATLÁNTICA Journal of Art and Thought, Centro Atlántico de Arte Moderno, Espanha; TELLING #2, T+U Architectural Publications, Portugal; Revista aU – Arquitetura & Urbanismo, São Paulo, Brasil, entre outras.


Galeria Leme presents the sixth edition of the project SITU with the site-specific installation commissioned to Chilean artist Pilar Quinteros - Amigos do Movimento Perpétuo. Part of a larger project, curated by Bruno de Almeida, this edition continues a research on ways to think and discuss the production of (urban) space, through a sequence of works carried out in the external spaces of the gallery thereby establishing a close relationship with its building (designed by the architect Paulo Mendes da Rocha in collaboration with the office Metro Architects) as well as with the contiguous public space.

Pilar Quinteros’ project starts from a reflection on the history of the gallery’s building. First built in 2004, it was demolished a few years later in 2011 as a result of urban dynamics that culminated in the purchase of its land by a multinational company. After several negotiations the gallery was re-constructed, following its initial design, in another lot a few meters from its original location. Therefore the current building is a replica of the former, to which was added an adjacent building. The ‘cloning’, displacement and expansion of this building problematize the boundary between the reproducibility and the singularity of the architectural work, as well as the idea of conceptual and material inseparability between the project and the specificities of the urban context for which it was originally intended.

Reflecting on these aspects, Pilar Quinteros developed a research of replicated, displaced or nomadic buildings and encountered unlikely parallels between the Leme gallery and one of the main architectural symbols of the city of São Paulo, the Luz Railway Station (Estação da Luz). Since 1867 the station underwent continuous modifications and reconstructions; enlarged in 1870, rebuilt between 1895 and 1901 (current project), destroyed by a fire in 1946, rebuilt between 1947 and 1951, modified from 2004 to 2006, by the architects Pedro and Paulo Mendes da Rocha, destroyed by another fire in 2015 and currently undergoing a partial restructuring process until 2018. Its constant reconstructions are part of the biography of the metropolis and of the collective memory of its inhabitants. But despite its immemorial presence and intrinsic connection with the city, this station crossed the Atlantic Ocean by ship, dismantled piece by piece, until arriving at São Paulo. Presumably chosen from an English catalog, the precast iron structure that gives it support was brought from the UK, its ceramic tiles are from Marseilles, France, and its wood is Irish pine, only its masonry is of local origin. This historic worldwide transit of materials, prefabricated components, ways of making and architectural styles, destabilizes, even today, the unicity of "iconic" projects and the relation that these have with their local context. The Luz Station, for example, shares strong similarities (as well as precast structural componente) with another railway station, the Flinders Street Station, built in the early twentieth century in Australia and also "unique" in its context.

For SITU, Pilar Quinteros proposes a symbolic intersection of the stories of both buildings, Leme Gallery and Estação da Luz, through an architectural juxtaposition. The artist adds to Paulo Mendes da Rocha’s building a clock tower which is similar to the one at the Luz Station. The clock tower is a symbol that crosses the history of world architecture as an element of socio-spatial domain and organization, not only because it is a visual reference point but also because, through its clock, it establishes and communicates a notion of time which subliminally governs the rhythms of the population. The tower of the Estação da Luz was for many years the city's main spatial and temporal reference point, since its clock, visible from various points of the city, established the official hour that all citizens should follow. But the replica constructed by Pilar Quinteros seems to deny this referentiality, subverting several aspects that are taken for granted about this well-known element; its position is not fixed, its materiality is not permanent, its clock is muted and its verticality denied.

Pilar Quinteros, 1988, Santiago, Chile. Lives and works in Santiago, Chile. Bachelor of Arts from the Pontifical Catholic University of Chile (2011). She is a co-founder and active member of the MICH Collective (International Museum of Chile), a multidisciplinary group dedicated to generating reflective projects, art spaces and artistic creation. Winner of the Jean-Claude Reynal grant (2012) for artists whose artistic production regards paper as a fundamental building material offered by the French Foundation in conjunction with the Museum of Fine Arts in Bordeaux, France. Winner of the third CCU Art Fellowship (2013). Finalist of the Future Generation Art Prize 2014. Quinteros exhibited her work at the 32nd São Paulo Biennial - Live Uncertainty (São Paulo, Brazil, 2016); Center for Graphic Arts in Ljubljana (Slovenia, 2015); Carlos/Ishikawa Gallery (London, England, 2015); PinchukArtCentre (Kiev, Ukraine, 2014); National Museum of Fine Arts (Santiago, Chile, 2013); House of the Americas (Havana, Cuba, 2013); Museum of Contemporary Art (Santiago, Chile, 2010), among others.

Bruno de Almeida, 1987, Salvador, Brazil. Lives and works in São Paulo, Brazil. Holds a Bachelor degree in Architecture from the Faculty of Architecture of the University of Oporto, Portugal (2009), and a Master’s degree in Architecture from the Accademia di Architettura, Mendrisio, Switzerland (2013). Worked as an architect in London, UK (2010-2011), and as a curatorial assistant at the Fondazione Archivio del Moderno, Mendrisio, Switzerland (2012). Besides being the founder and curator of SITU (2015 – on going), Bruno de Almeida has recently developed projects with institutions such as: Storefront for Art and Architecture, New York, USA; Kunsthalle São Paulo, Brazil; Pivô Art and Research, São Paulo, Brazil, among others. His research and projects have been published in: ARTFORUM International Magazine, USA; ATLÁNTICA Journal of Art and Thought, Centro Atlántico de Arte Moderno, Spain; TELLING #2, T+U Architectural Publications, Portugal; Revista aU – Architecture & Urbanism, São Paulo, Brazil; Bamboo, São Paulo, Brazil, among others.

Posted by Patricia Canetti at 6:31 PM