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março 26, 2017

Fabiana de Barros no Sesc Pompeia, São Paulo

Com fotos, filmes, maquetes e uma série inédita de relevos, a mostra refaz o trajeto do projeto de intervenção artística e cultural que percorreu diversos países, sugerindo novas maneiras de pensar as relações entre a arte e o público

Na abertura, 29 de março (4ª feira), às 20h, será lançada pelas Edições Sesc São Paulo a 2ª edição de “Aberto [Open]: Fiteiro Cultural”

O Sesc Pompeia apresenta entre os dias 30 de março e 18 de junho de 2017, nas Oficinais de Criatividade da unidade, a exposição (+ = -) Mais é Igual a Menos, de Fabiana de Barros. A mostra gratuita comemora os 18 anos do Fiteiro Cultural, uma obra de intervenção artística e cultural que foi concebida em 1998 e circulou por 13 países, propondo novas maneiras de pensar a relação entre a arte e o público.

Participando de uma residência artística em João Pessoa, Fabiana Barros se inspirou nos quiosques da praia paraibana (lá chamados de fiteiros) para criar o primeiro Fiteiro Cultural. A construção simples de madeira se transformou em um poderoso instrumento de parcerias culturais, uma vez que instalado pela artista, o espaço vazio passa a ser ocupado pela comunidade local, podendo se tornar um ateliê, um centro de criação ou palco de performances, entre inúmeras possibilidades.

Desde então, a brasileira radicada na Suíça recebeu diversos convites de artistas, instituições, galerias e eventos internacionais para levar seus quiosques para todas as partes do mundo. Dezenove fiteiros foram montados em cidades como Atenas, Havana, Jerusalém, Milão, Nova York e São Paulo, todos diferentes, adaptados à realidade local e às necessidades dos usuários, mas essencialmente iguais em sua proposta: reunir indivíduos para criar, construir, brincar, escrever, aprender, ensinar, discutir e compartilhar.

Com projeto expositivo de Ricardo Amado, “(+ = -) Mais é Igual a Menos” – nome tirado de um poema do artista alemão Josef Albers (1888 - 1976) – traz fotos e filmes que refazem o trajeto do Fiteiro Cultural nos últimos 18 anos e maquetes de oito quiosques, além de obras inéditas de Fabiana de Barros.

Se valendo do vazio e da forma construtiva do fiteiro, a artista se inspirou nos quadrados coloridos e justapostos de Albers para desenvolver uma série de relevos, envolvendo desenho, recorte, reconstrução, escultura e fundição. Ela também construiu novas maquetes tridimensionais de epóxi do quiosque em várias configurações e as preencheu com silicone, dando corpo ao vazio do objeto. Para a artista, que sempre produziu os fiteiros para entregar ao outro, criar essas novas obras foi uma forma de se reapropriar do seu próprio trabalho.

Ainda em homenagem aos 18 anos do projeto de Fabiana de Barros, na noite de abertura da mostra, será lançado pelas Edições Sesc São Paulo a 2ª edição do livro “Aberto [Open]: Fiteiro Cultural”.

Fabiana de Barros nasceu em São Paulo, em 1957, e vive entre a Suiça e o Brasil. Filha do artista Geraldo de Barros, se formou em artes plásticas na FAAP (SP) e fez pós-graduação em multimídia na École des Beaux Arts de Genebra (Suíça). Seu trabalho é no campo da arte pública e contextual relacional, onde o público tem um papel vital na obra. Entre muitas intervenções urbanas, performances, vídeo-instalações e web art, destacam-se: Tours du Monde (1987), apresentado no Museu de Arte de São Paulo (MASP) e na Galerie Care Off, de Genebra, fazendo visitantes “viajarem” sem se mover do lugar; Fiteiro Cultural, realizado desde 1998 no Brasil e no exterior, e a partir de 2007, no Second Life; AUTO PSi (2004), criada em parceria com o seu marido, o fotógrafo e cienasta suíço Michel Favre, em que os passageiros de táxi são transportados gratuitamente em troca de uma história imaginária; e o Concurso de Beleza Interior para um Piquenique Antropofágico, que recentemente mobilizou o público e um dos principais jornais de Genebra. Principais exposições: Prémio MediaLab Madrid 2010, 20°, 24° e 25° Bienal Internacional de São Paulo, 1º Bienal das Canárias, Espanha, 8º Bienal de La Havana, Cuba e 7° Bienal do Mercosur, Porto Alegre.

Posted by Patricia Canetti at 8:07 PM