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abril 23, 2015

Verdadeiramente por Bernardo Mosqueira

Verdadeiramente

BERNARDO MOSQUEIRA

Leonardo Remor - O vento dissipa as lembranças de uma realidade anterior, Santander Cultural, Porto Alegre, RS - 18/03/2015 a 26/04/2015

Porto Alegre, 2015. A cidade é um equívoco. Alguém disse, de forma melancólica, que aqui havia verde, que, no passado, aqui havia água. Mas, naquela época, o que havia de bom se já era cidade? Ó, cidadão, é mesmo para você que falo: renuncie o que acredita saber para conseguir descobrir que você não sabe. A tremenda petulância desse povo de Ocidente só reflete em discurso opaco, caminho frustrado e posicionamento arrogante que, ao tentar esconder a insegurança, dificultam encontrar ou construir beleza no que ainda podia ser semente. Nem plantinha baixa era ainda.

A cidade moderna é montada a esconder o que há de sujo, podre, poluente. Cloaca Máxima é o nome do esgoto de Roma onde foi jogado o pobre do São Sebastião, tão sofrido, lânguido e afirmativo. O cinema moderno é sonho compartilhado. Nasce e, sob tendas, acontece nas atrações, ao lado de outras magias, feitiçarias, bizarrices, infidelidades e desconhecimentos. Hoje, seu espaço – físico – é heterotópico como o jardim.

O jardim, por sua vez, nasceu com a sobra do tempo, com a sobra de comida, com a sombra, com a propriedade privada, com muda, enxerto, água e sol. E cuidado. Se antes a gente podia pensar no que vai fazer além de sobreviver, agora tem de ver desespero no horizonte. ¡Ayudame a mirar!

A natureza sempre foi e sempre será, mas sempre como nunca antes. Falta pouco para acabarmos, e repito o que já lhe perguntei e você não respondeu, ó, cidadão: o que, enfim, há de singular? E o que o mundo tem a ver com isso? Será que as respostas estão no já velho enigma escondido na Filadélfia? Lá, a cachoeira, o lampião?

Se isso fosse uma máquina de produzir fantasmas ou uma projeção ao vivo ou uma brincadeira com escalas ou algo diferente que o “tira da rotina”, isso seria algo como a feira de ciências que se repete sempre da mesma forma todo ano: isso seria senso comum, quase nada.

Mas não, cidadão. Isso é um velório relaxante do mundo. Isso é o elogio ao voyeurismo da própria desgraça em oposição ao passante comum que não é cego, mas não vê. Isso é um projetor de imagem/luz que ilumina o peso, a resistência e a morte dentro de tudo que é matéria. Isso é um desespero para se fazer entender (muito solitário e um pouco mais solidário do que generoso). Mas, sobretudo e lindamente, isso é um diorama que abriga no seu centro o próprio público e seus desejos.

Que verdura vem a ser Guaíba? Repita as perguntas. Que território é esse? Público? Mesmo? Relacional ou interacional? Esta exposição sem gente não é nada. São as pessoas e seus comportamentos aqui dentro que podem gerar interesse. São as pessoas e seus comportamentos, sempre, que geram interesse. Guaíba para limpar calçada. Macro vira micro. E o micro vira macro, num jogo que cativa o olhar, que cativa o olho, que torna o olho cativo, o olho em cativeiro, o olho prisioneiro. E então, por fim, nos torna prisioneiros da aparência. O espaço arquitetônico é sempre imaginário e concreto. A arquitetura (pelo fim das metáforas!) é como manejo do espaço para dramatizar a natureza. Vamos encenar no imaginário. Um depois do outro. Então, finalmente, estamos fabricando fantasmas, desorientações, discursos de estratégia opaca. Volume, aparência. Plantinha, MDF. Guaíba, tinta, fusível.

Constelação, montanha de folhas, sal, pedra, coisas da natureza. Pedra, areia e planta. É pedra. Areia. E planta. Com atraso, ao vivo, maior, estranho, mais alto, mais baixo. Decidir as formas como o outro vê é criar ficção. É desenhar laços de poder. Mas falta dado, sobra dado. Tem um coeficiente complexo entre fricção e fogo. Poderíamos ter vivido num mundo onde o que o outro sabe é mais encantador do que assustador. Hélas! Poderíamos ter vivido num mundo onde se entende e agradece pela verticalidade alternada e constante necessária para a riqueza das relações. Se falta pouco, que vivamos sem os afetos tristes, que pensemos o que há na relação entre melancolia, insegurança e espacialidade poética.

As cidades são palimpsestos de diferentes linguagens de poder de diferentes tempos. Faliu antes de abrir. Não soube. Tempos outros que são só o presente, esse lugar de passagem. E elogiemos a resistência e resiliência do que aqui é verdadeiramente móvel. E esse texto, em cada letra, é pleno na leveza e na graça de um belo jardim a passeio.

Posted by Patricia Canetti at 1:12 PM