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abril 29, 2015

Eduardo Coimbra na Nara Roesler, Rio de Janeiro

Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro segue com série de mostra que questionam o espaço em Fatos Arquitetônicos, individual de Eduardo Coimbra com obras inéditas

Depois das janelas e portas de Lucia Koch no fim do ano passado e das intervenções em listras e quadrados de Daniel Buren entre março e abril, a Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro segue na linha de exposições que debatem a apropriação do espaço e a relação com arquitetura em Fatos Arquitetônicos, individual de Eduardo Coimbra. A mostra, que fica em cartaz de 08.05 a 05.06.2015, traz cerca de onze obras inéditas, realizadas especialmente para a exposição.

Dando continuidade a pesquisas recentes, Coimbra vai reinterpretar intervenções realizadas antes em espaços públicos, como a Praça Tiradentes, no Centro do Rio, e o CCBB de Brasília. Formadas por cubos-caixas vazados e em grandes dimensões, esses trabalhos compõem a série Esculturas, dialogando tanto com o urbanismo quanto com os transeuntes.

Dentro da galeria, a relação com a arquitetura ganha uma dimensão mais sutil. As obras da nova série, Fatos Arquitetônicos, são relevos de parede, formados por áreas e volumes retangulares ou quadrados, com superfícies brancas, pretas ou listradas de branco e preto. Esses relevos, dispostos no plano vertical das paredes, oferecem ao espectador uma visão aérea frontal de um aglomerado de elementos cúbicos e planos superpostos que remetem a organizações urbanas imaginárias. A criação de maquetes é uma prática presente há muito no vocabulário do artista.

O preto, o branco e as listras são assumidos por seu minimalismo, sua neutralidade. Como uma terceira cor, as listras criam ritmos visuais que ampliam o efeito perceptivo de distâncias e profundidades dos elementos arquitetônicos. Nas esculturas em grande escala, as superposições desses planos geravam espaços a serem percorrido pelo corpo. Já nos novos relevos é o olhar do espectador que percorre as superfícies e descobre caminhos e relações entre os elementos.

No espaço expositivo da galeria, os Fatos Arquitetônicos são posicionados nas paredes como acontecimentos individuais num grande cenário de fundo. As paredes dessa sala têm suas superfícies tomadas por linhas e planos pretos, brancos e listrados, trazendo para o espaço físico da galeria as relações presentes no interior dos relevos. Impregnando o espaço, Coimbra estabelece a subversão da continuidade panorâmica plana das paredes com os relevos aplicados no plano vertical.

O conjunto é formado por quatro relevos de 90 x 90 x 16 cm, e um maior de 135 x 225 x 25 cm. Seu formato e organização interna estabelecem relações diretas com as linhas e planos pintados nas paredes.

Completa a exposição outra nova série de trabalhos, os Fatos Geométricos. Também de parede, são seis peças que tensionam a fronteira entre desenho e objeto. Realizados em branco e preto, assim como os Fatos Arquitetônicos, são compostos apenas por linhas retas e planos em alto e baixo relevo. Esses trabalhos, de 40 x 40 x 5 cm, estão instalados num espaço estreito de paredes altas e brancas, criando um ambiente muito mais silencioso que a sala inicial.

Eduardo Coimbra nasceu em 1955, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Participou da 29ª Bienal de São Paulo (2010) e da 3ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2001). Exposições coletivas recentes incluem: A Experiência da Arte (CCBB Brasília, Brasília, São Paulo, Brasil, 2014); Coleção Itaú de Fotografia Brasileira (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2013; Palácio das Artes, Belo Horizonte, Brasil, 2013); Espelho Refletido (Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, Brasil, 2012); Höhenrausch 2 (Offenes Kulturhaus Oberösterreich, Linz, Áustria, 2011); Lugar algum (SESC Pinheiros, São Paulo, Brasil, 2010); e After Utopia (Centro per l’Arte Contemporanea Luigi Pecci, Prato, Itália, 2009). Algumas de suas mostras individuais recentes são: Futebol no Campo Ampliado (Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil, 2014) 2 esculturas (Praça Tiradentes, Rio de Janeiro, Brasil, 2013); Projeto Nuvem (Lexus Hybrid Art Project, Moscou, Rússia, 2013; Arte na Cidade, São Paulo, Brasil, 2012); Museu observatório (Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil, 2011); e Natureza da Paisagem (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, 2007).

Posted by Patricia Canetti at 1:50 PM

abril 26, 2015

DES Tudo na Funarte, Brasília

A subjetividade de Brasília inspira obras plásticas de jovens criadores

DES Tudo abre sua galeria para visitas orientadas com alunos

Sensíveis à importância do contato com a arte, o coletivo de artistas da exposição DES Tudo, em cartaz na Funarte Brasília até 3 de maio, abre suas portas para visitas guiadas com alunos da rede de ensino. “Pensamos o adolescente enquanto indivíduo sensível e, com esta visita, buscamos formular experiências e estimular a criatividade”, diz Mateus Vieira, produtor da exposição.

A mostra configura-se como ponto de apresentação da produção local em criação de artes visuais. Os cinco jovens artistas plásticos, recém-formados pela Universidade de Brasília, apresentam uma poética pungente e amadurecida em ambiente acadêmico com trabalhos que estabelecem um claro diálogo entre si. Cuidadosamente apresentadas em Galeria, com a arquitetura de Brasília,as obras trazem aparatos que remetem ao imaginário visual de Capital Federal.

A expografia, disposição das obras no ambiente de exposição, foi pensada de modo a fazer dela uma grande instalação. “O visitante não vê separação entre as obras tampouco a identificação dos trabalhos, mas percebe, após momentos passados no espaço, interconexões entre elas”, observa o curador André Vechi. “Trata-se de uma constelação de peças em que limites não se constituem diretamente, pois se esbarram e se complementam à atenção do observador”, complementa, a também curadora, Luciana Paiva.

DES Tudo imerge o visitante num espaço propício a trocas com as obras, bem como com todo o ambiente da exposição, mostrando que obras organizadas em um ambiente ganham sentido a partir da relação que tomam com outros corpos.

Posted by Patricia Canetti at 2:23 PM

abril 25, 2015

Programa Curador Visitante: Encruzilhada na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage inaugura no próximo dia 28 de abril, às 19h, a exposição Encruzilhada, com curadoria de Bernardo Mosqueira, primeiro convidado do programa Curador Visitante, que estabelece uma nova política de exposições na instituição. “Encruzilhada” reúne cerca de cem trabalhos de mais de 70 artistas brasileiros, de várias gerações, que ocuparão o Palacete, as Cavalariças, a Capela, a Torre, a Gruta, a Lavanderia dos Escravos, as trilhas e a área verde do Parque. Durante o período de exposição, haverá uma programação de performances, ações encontros e palestras aos sábados. A cada semana, o curador fará alterações na montagem, resultando em novas vivências do público. No dia 8 de maio de 2015, às 19h, haverá uma conversa aberta entre a diretora da EAV, Lisette Lagnado, e o curador Bernardo Mosqueira sobre a exposição.

Nomes consagrados como Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Cao Guimaraes, Carlos Vergara, Cildo Meireles, Cláudia Andujar, Dias&Riedweg, Laura Lima, Lenora de Barros, Marcos Chaves, Montez Magno, Paulo Bruscky, Renata Lucas, Rivane Neuenschwander e Waltercio Caldas estão na exposição junto com artistas que integrarão a Bienal de Veneza em maio – André Komatsu, Berna Reale e Paulo Nazareth – e ainda a estudantes da EAV Parque Lage: Carol Valansi, Maya Dikstein, Odarayá Mello, Pedro Victor Brandão, Rafael RG, Raquel Versieux e Tiago Malagodi.

Vários trabalhos foram feitos especialmente para a exposição, e são inéditos, e outros são históricos na arte contemporânea brasileira, como o vídeo "Telefone sem fio", de 1976, com Anna Bella Geiger, Paulo Herkenhoff, Fernando Cocchiarale, Ana Vitoria Mussi, Leticia Parente, entre outros. As obras foram selecionados pelo curador Bernardo Mosqueira, que investiga o conceito de “encruzilhada” e suas implicações, a partir de diversas abordagens. Ele convidou para assistente de curadoria Ulisses Carrilho, estudante da EAV Parque Lage.

ABERTURA

No dia da abertura, o público poderá ver no Salão Nobre um segmento dedicado a Brasília, onde estarão “Crossing collors” (2012) de Jac Leiner; o trabalho de Rafael RG, em que Brasília nasce de uma encruzilhada de umbanda; Beto Schwafaty, com uma investigação sobre a construção da cidade; "Ebó", de Milton Marques, em que uma maquete do congresso pega fogo; o trabalho “Capital”, de Íris Helena, com recibos de cartão de crédito, e a performance/vídeo de Leandro Nerefuh sobre o surgimento fantástico da quarta capital do Brasil junto ao Partido da Utopia Brasileira. Depois, este núcleo estará em outro espaço no Palacete.

CURADOR VISITANTE

O programa Curador Visitante consiste em convidar curadores residentes no Rio e atuantes no circuito da arte, para que acompanhem a produção dos alunos da EAV e realizem uma exposição mesclando seus trabalhos com o de artistas já reconhecidos. “Ao convidar agentes do sistema da arte – críticos, escritores e curadores – a fazerem curadorias experimentais nos espaços do Parque Lage, o programa Curador Visitante garante uma fluidez entre o período de aprendizado e a inserção profissional dos alunos, e ao mesmo tempo oferece a esses curadores a possibilidade de exercer um trabalho piloto, de caráter experimental, inserido em âmbito educativo”, diz Lisette Lagnado, diretora da EAV Parque Lage. Ela ressalta que o programa reafirma a EAV “como laboratório de prática e reflexão curatorial para profissionais em início de carreira”. Além de Bernardo Mosqueira, os curadores convidados deste ano são Bernardo de Souza, Luisa Duarte, Daniela Labra e Marta Mestre.

PESQUISA

Bernardo Mosqueira comenta que utilizou três métodos simultâneos de pesquisa sobre o significado de “encruzilhada”. “O primeiro, e mais habitual no sistema das artes, foi uma articulação do conhecimento acadêmico ocidental, entre Baruch Spinoza, Friedrich Nietzsche, Herbert Marcuse, Mario Perniola, Toni Negri, Milton Santos e Muniz Sodré. O segundo método surgiu da cosmologia de ancestralidade africana (ou de genealogia afro-brasileira) e comungou de uma série de consultas a Orunmilá, em especial de um jogo de búzios com a grande ialorixá Mãe Beata de Iemanjá e com o amoroso Bruno Balthazar”, explica. “O terceiro caminho foi uma espécie de dispositivo analítico de linguagem pelo qual, após procurar sinônimos e traduções da palavra ‘encruzilhada’, buscamos a diferença entre os termos para, então, a partir desses coeficientes, listar suas qualidades singulares. Desse modo, fomos capazes de entender que a encruzilhada é onde/quando os vetores espaciais cruzam os vetores temporais. Do ponto de vista da percepção, é quando nos surpreendemos com uma situação em que sentimos a necessidade de agir, mas não sabemos que escolha fazer. Ou seja, investimos na ação, num ícone da transformação e da possibilidade e, portanto, signo propício aos encontros, ao desejo e à comunicação. Porém, mais do que intencionar expor um estudo sobre a encruzilhada, esta curadoria tem como objetivo propor o exercício da encruzilhada. Dessa forma, serve à análise do momento político do país, mas serve também para pensar a crise ecológica mundial e as negociações do real nas relações amorosas, por exemplo. De maneira mais ampla, ela se compromete com a pedagogia da análise crítica e serve diretamente a um projeto educativo de caráter transdisciplinar e experimental como o da atual Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Em nosso programa, mais do que um tema, a encruzilhada é cultuada e construída para provocar reflexões. Ela é simultaneamente o objeto da pesquisa, mas também o processo em si e um resultado que toma a forma de uma exposição, com programação, conteúdo e reverberação. Não desejamos produzir uma metáfora da encruzilhada: projetamos como efeito a própria encruzilhada”.

ENCRUZILHADA – PERCURSO

O percurso da exposição não será linear. As obras estarão agrupadas em um fluxo entre núcleos que se integram uns aos outros. Nas Cavalariças, estarão dois grupos de obras. O primeiro trata de uma passagem das manifestações políticas até o carnaval, com a instalação de Pedro Victor Brandão sobre a tentativa de conseguir passe livre para artistas e estudantes de arte; as fotografias inéditas de Mauro Restiffe sobre as manifestações dos 20 centavos em São Paulo; as fotografias da CPI dos ônibus no Rio feitas por Joana Traub Cseko; o mapa do Rio com as áreas de conflito, de Guga Ferraz; pinturas de Tiago Malagodi sobre as manifestações em São Paulo e de um ônibus pegando fogo; nove cartazes de Carol Valansi associam a pornografia à política; fotografias de Eduardo Kac do Movimento da Arte Pornô dos anos 1980, com o registro de performance de pessoas nuas segurando cartazes na praia de Ipanema; fotografia de carnaval de Marcos Chaves; foto de Carlos Vergara da série do desfile do Cacique de Ramos, nos anos 1970; Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander mostram o vídeo “Quarta-feira de cinzas”, em que formigas carregam confetes. Há ainda o vídeo “Telefone sem fio”, uma criação coletiva dos anos 1970, e uma fotografia de Mauro Restiffe em que investiga a comunicação como articulação coletiva de encruzilhada. Todos esses trabalhos estão em frente à obra “Faça você mesmo: Território liberdade” (1968/2015), de Antonio Dias, escolhida para a exposição para afirmar que o “interesse é o real e não sua representação”.

O segundo grupo nas Cavalariças trata das questões ecológicas, antropológicas e sociais como encruzilhada. A situação da população indígena é discutida nos trabalhos de Paula Sampaio e Beto Schwafaty sobre desmatamento; no díptico de Claudia Andujar com retratos de dois índios e a frase “marcados para"; e o vídeo "Reduções", de Armando Queiroz, em que uma vela acesa adornada com um decalque de um índio queima até o fim. Questões relativas ao povo negro estão na foto "Blacks in the pool", de Paulo Nazareth, junto com o registro do fotógrafo João Pacca da festa de encerramento do EAVerão, coordenada pelo artista e sacerdote do candomblé Aderbal Ashogun. Trabalhos feitos no Parque Lage, dos anos 1970 até 2015, de Anna Bella Geiger, Rodrigo Braga, Marcos Chaves, a dupla Dias&Riedweg e Maria Laet, com sua monotipia “Caminho”, um registro do próprio caminhar solitário.

Entre os dois grupos, há o áudio do samba do Salgueiro de 2014, “Gaia: a vida em nossas mãos” (Xande de Pilares, Dudu Botelho, Miudinho, Betinho de Pilares, Rodrigo Raposo e Jassa), que reúne carnaval e manifestação política às questões do povo negro e da crise ecológica.

Na Capela, uma instalação inédita de Cinthia Marcelle e Tiago Mata Machado aborda as manifestações políticas no Rio de Janeiro.

No Palacete, há dois grupos de trabalhos. O primeiro investiga Brasília como uma encruzilhada, e apresenta sua história desde sua construção real (trabalhos de Rafael RG e Beto Schwafaty) até seu “fim fantástico”, com a maquete "Ebó", de Milton Marques, e o vídeo de Leandro Narefuh com o surgimento da “quarta capital brasileira”. De Jac Leirner está um de seus “Crossing colors”, marcando a passagem do cruzamento bidimensional para o espacial. O trabalho de Íris Helena apresenta recibos de máquina de cartão de crédito em que são termogravados marcos de Brasília. A obra joga com o nome "capital" no masculino e feminino. Um vídeo e um díptico de Carla Zacangnini investigam a ideia de farsa. Um desses trabalhos compara Brasília, presente na capa da revista “Time”, de fins dos anos 1950, com o Cristo Redentor na capa do “The Economist”, nos anos 2000, que faz a passagem para a obra de Domingos Guimaraens, com a imagem do Cristo Redentor representando a letra “T” nas palavras cruzadas "ritual" e "tesão". Junto a esse trabalho a fotografia "Promesseiros", de Luiz Braga, exibe uma cena que também cruza “tesão” e “ritual” sagrado no Círio de Nazaré.

O outro grupo é formado por seis trabalhos que se utilizam da imagem do dado, dos artistas Cildo Meireles, Waltercio Caldas, Montez Magno, Ana Linnemann, Nazareno e José Patrício. São seis como as faces do dado. Além deles, há as fotografias "Talvez", de Armando Queiroz, “Contra Mão”, de Lenora de Barros, e "Sim, senhor", de Berna Reale.

No Hall, entre as salas, está a fotografia "Encruzilhada", de Renata Lucas.

Na outra sala do Palacete, há um grupo de trabalhos que investiga a relação afetiva como encruzilhada. De Tiago Rivaldo, a videoperformance em que dois homens, frente a frente, compartilham bolhas de sabão; o políptico de Maria Laet, com um desenho formado pelo esforço de um par ao soprar o nanquim sobre o papel. Chico Fernandes mostra o registro da performance em que se trancou numa jaula com um tigre. Em um outro monitor, estarão vários vídeos em sequência: o de Gustavo Ferro, que consegue flagrar o encontro entre dois rastros de aviões no céu, o de Rafael RG, que registra o "contágio imediato" entre dois homens numa faixa de pedestres, e “Seesaw”, de Maria Laet, que se equilibra em uma gangorra com uma pedra. Ainda integram este conjunto de trabalhos o vídeo "Prelúdio a uma morte anunciada", de Rafael França, e "Cruzes", de Marcos Chaves, que aborda a morte, o HIV e a relação de um casal gay no começo dos anos 1990.

Na área externa, estarão obras de Andre Komatsu, com um cruzamento de outdoors e os signos de esquerda e direita; Paulo Nazareth com um tanque para fermentar uma bebida pra Exu numa encruzilhada; Regina Parra com o luminoso “A grande decisão”, na floresta; uma peça sonora de Daniel Steegman, também em meio à mata; uma costura entre duas raízes de árvore de Maria Laet; um trabalho de Afonso Tostes e Aderbal Ashogun nos caminhos do Parque e na antiga lavanderia dos escravos; uma escuta de Ana Costa e Silva na Torre; uma escuta de Elisa Castro no Terraço; performance de Maya Dikstein na piscina; performance de Odaraya na Gruta; e duas ações do coletivo Opavivará: na Piscina, e, junto com o Grupo Um, no Kupixawa (Oca).

Bernardo Mosqueira é escritor e curador independente. Membro da Comissão Curatorial da Galeria de Arte IBEU desde 2011; lecionou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage; participou de residências no Brasil e no exterior; Recebeu o prêmio-residência V::E::R, como crítico/curador, em Terra Una, MG (2011); foi premiado no 1º Laboratório Curatorial da SP-Arte; realiza de forma independente e anualmente o festival de performance Vênus Terra desde 2010. Foi responsável por mais de 40 curadorias, entre elas: Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome (RJ, 2010); Quase Casais (EIC Maus Hábitos, Porto, Portugal, 2010); Sem Título # 1: experiências do pós-morte (Galeria Oscar Cruz, SP, 2011); E os Amigos Sinceros Também (Galeria de Arte Ibeu, RJ, 2012); Trepa-Trepa no Campo Expandido (SP,2012); Conexiones (Hoy en el Arte, BsAs, Argentina, 2013); Tronco (Casa França-Brasil, RJ,2013); e primeiro estudo: sobre amor (Galeria Luciana Caravello, RJ, 2014). Atualmente, entre outros, desenvolve projetos para MANA Contemporary (Jersey City, Estados Unidos) e Solyanka VPA (Moscou, Rússia). Diretor do Prêmio FOCO Bradesco ArtRio.

Posted by Patricia Canetti at 12:59 PM

Manuela Costalima na Zipper, São Paulo

Em tempos de geolocalizadores utilizados à exaustão nas palmas das mãos, Manuela Costalima convida a uma reflexão sobre o lugar

Zip’Up: Manuela Costalima - Pedras errantes, Zipper Galeria, São Paulo, SP - 29/04/2015 a 30/05/2015

A obra da paulistana Manuela Costalima se pauta por uma investigação sobre o lugar, hoje não apenas um item de cartografia planificada mas sim um território prenhe de significações múltiplas no campo das artes visuais, em tempos de Google Street View e geolocalizadores utilizados à exaustão, na palma da mão. No entanto, sua abordagem poética por meio de variadas linguagens, como a fotografia e o objeto, não se liga a uma frieza de coleta de dados ‘tecnológicos’ e de interações forçadas, e sim a uma busca de humanização de procedimentos, abordagens e métodos de uso cotidiano que podem ser amplificados e dizer muito sobre nossos dias.

Por meio de múltiplos suportes, Manuela vem desenvolvendo uma pesquisa sobre o lugar e seu processo de significação pela experiência humana. A artista parte do conceito de lugar como espaço percorrido, que no percurso é apropriado e ganha significado. Um ponto do espaço a que se atribui um nome e uma memória é que assim se distingue de todos os outros. O caminhar é, para a artista, um instrumento de significação de espaços. O caminho, ele mesmo, um lugar.

Na entrada da galeria, o público se deparará com a presença da primeira obra, Gabião. Uma grande gaiola metálica repleta de pedras britadas. Uma pedra maior destaca-se desse conjunto, rompendo a trama metálica. Implantada na área externa da Zipper, a escultura pretende criar uma ponte entre o que está presente no espaço interno da galeria e seu tema: a cidade.

Gabião remete a uma experiência de espaço público e a uma tensão entre indivíduo e multidão. Seus elementos constituintes, pedra e metal relacionam-se diretamente à materialidade das ruas e sua simplicidade bruta. O rompimento da tela revela a presença de falhas e surpresas em sistemas e espaços criados pelo homem.

Em Geopantone, presente no interior da galeria, o espaço urbano é explorado em caminhadas virtuais. A partir da tela do seu computador, a artista captura cenas congeladas da cidade. Ao realizar uma aproximação máxima, através do zoom, ela transforma essas imagens em planos de cor. A repetição da ação traduz seu percurso virtual e o espaço urbano em uma escala cromática.

Como em uma escala Pantone, que contém o código correspondente a cada cor, junto à cada tonalidade da cidade estão as informações contidas na barra do navegador do Google Street View, indicando o endereço virtual daquele lugar. Geopantone propõe assim uma relação com São Paulo a partir de sua paleta de cor.

Na terceira e ultima obra em exposição, Wandering rocks, as vozes da cidade se materializam em cubos de concreto espalhados pelo espaço expositivo. Em cada um dos cubos estão gravadas as coordenadas geográficas do início e do fim de caminhos realizados em São Paulo em que a artista capta sons de vozes humanas. Os registros desses encontros no ambiente urbano estabelecem pontos dessa geografia que adquirem memória e que, por isso, passam a distinguir-se dos demais. Em conjunto, a instalação forma um grande fluxo de consciência da cidade, um mapeamento sonoro e geográfico, que convida o público a percorrer o espaço urbano a partir desses múltiplos estímulos.

O som que ecoa das caixas e preenche a sala não é um registro exato de cada caminho, mas uma reconstrução a partir da memória. Algumas coisas marcam, outras são esquecidas, e no ambiente permanece a essência de uma experiência de espaço público.

A artista contrapõe instrumentos de racionalização e controle - sistemas, grelhas e padrões - à experiência humana e discute os limites da proximidade e do pertencimento gerados por esses sistemas de matematização do espaço real e virtual. Assim, busca trazer significado àquilo que é frio e desprovido de identidade. Por meio dessa reconstrução afetiva dos espaços percorridos, apresenta uma cidade polifônica e singular.

Manuela CostaLima nasceu em 1983, em São Paulo, onde vive e trabalha. Formou-se em 2013, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP. Em 2012, participou de uma exposição coletiva na Casa Batló, em Barcelona. Em 2013 participou da 21ª Mostra do Programa Visualidade Nascente da Universidade de São Paulo com exposição coletiva no Centro Universitário Maria Antônia. Participou também de Roupa de Domingo – exposição do coletivo de fotografia companhia rapadura na Biblioteca Alceu de Amoroso Lima, em São Paulo, organizada pela galeria Central. Em 2014 a artista participou da exposição do coletivo Companhia Rapadura no Palácio das Artes de Belo Horizonte, do 46º SAC - Salão de arte contemporânea de Piracicaba e na Casa Cactus, São Paulo. A exposição O Duplo, foi sua primeira exposição individual, que aconteceu de novembro a dezembro de 2014, na Casa da Cultura de Paraty. PARAGENS - exposição individual da artista na Fundação Cultural BADESC, em Florianópolis, tem abertura prevista para Julho de 2015.

Isabella Lenzi (1986) vive e trabalha em São Paulo. Arquiteta formada pela FAU-USP e pela Universidade do Porto, Portugal, possui um MA, com especialização em fotografia, da Universitat Pompeu Fabra e da Elisava - Escola Superior de Disseny, Barcelona. Consultora Cultural do Consulado Geral de Portugal em São Paulo desde 2013, integrou até o início do ano o núcleo de programação da Associação Cultural Videobrasil, onde atua como editora e pesquisadora da PLATAFORMA:VB, ferramenta online de pesquisa e curadoria da instituição. Curadora da exposição LAMBE-LAMBE - Um retrato dos fotógrafos de rua na São Paulo dos Anos 70, que integra o Maio da Fotografia 2015 do Museu da Imagem e do Som de São Paulo - MIS. Em 2014 foi curadora das exposições Cartas de São Paulo – sobre a presença portuguesa na história da Bienal de São Paulo e desenho só desenho a - sós, individual do artista Fernando Lemos, ambas realizadas no Consulado Geral de Portugal em São Paulo. Foi assistente da curadoria dos Programas Públicos do 18o Festival de Arte Contemporânea Sesc Videobrasil, realizado no SESC Pompeia, além de assistente de curadoria de Eduardo Brandão na Galeria Vermelho, onde realizou diversas exposições, entre elas: Pelas bordas, de Carla Zaccagnini; Rio Corrente, da dupla Detanico Lain; Serpentes, de Carmela Gross; Imagens Claras x Ideias vagas, de Dora Longo Bahia, entre outras. Antes disso foi assistente do curador Agnaldo Farias na XI Bienal de Cuenca, Equador, e curadora da exposição La Lista de Sandra, realizada em Barcelona na galeria The Private Space.

Juliana Caffé (1983) vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Possui formação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP e especialização em Urbanismo e Meio Ambiente; e Arte, Crítica e Curadoria pela Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da PUCSP. Integra a equipe de produção editorial da Associação Cultural Videobrasil. Foi assistente de produção editorial dos livros da exposição Memórias Inapagáveis, Caderno Sesc_Videobrasil 10: Usos da Memória e Videobrasil: três décadas de vídeo, arte, encontros e transformações. Integrou a equipe de produção para a seleção dos artistas do 19º Festival Sesc_Videobrasil. É Curadora Assistente da exposição LAMBE-LAMBE - Um retrato dos fotógrafos de rua na São Paulo dos Anos 70, que integra o Maio da Fotografia 2015 do Museu da Imagem e do Som de São Paulo - MIS.

Posted by Patricia Canetti at 11:17 AM

Delson Uchôa na Zipper, São Paulo

Individual de Delson Uchôa marca seu retorno a São Paulo, onde não expõe há 5 anos, e o início de sua representação pela Zipper

Delson Uchôa - Belo em si, Zipper Galeria, São Paulo, SP - 29/04/2015 a 30/05/2015

A volta de Delson Uchôa (Maceió, Al, 1956) à cidade depois de cinco anos, agora artista representado pela Zipper, é comemorada com esta exposição que reúne cinco pinturas, duas esculturas e uma série de fotografias, todos trabalhos inéditos e recentes. O artista, que já participou 53ª Bienal de Veneza pelo pavilhão brasileiro, ficou reconhecido por suas pinturas monumentais que exaltam a cor e a luz da atmosfera de sua terra natal, construídas por muitas camadas que formam uma superfície contemporânea a partir de signos de raiz popular.

Nesta mostra, com curadoria de Paula Braga, autora também do texto do livro sobre o artista que será lançado no final da exposição, a maioria das obras - três das cinco pinturas, as esculturas e as fotos - discute a ideia da cultura em tempos de globalização. Os elementos que orientam a composição das peças são retirados de sombrinhas chinesas, produzidas em escalas que só os "made in China" podem alcançar. Segundo Braga, estas peças, numa espécie de mestiçagem expandida, colocam cores e padronagens decorativas na paisagem seca da caatinga alagoana. "Como as sombrinhas são assustadoramente baratas, produzidas às custas de baixíssimos salários e alto impacto ambiental, para além da superfície colorida, o belo da matéria chega a um discurso político", aponta a curadora.

Em seu texto para o livro, Braga chama atenção para a beleza dos padrões simétricos da pintura de Delson Uchôa, mas sugere ao espectador que vá além da beleza contida em sua superfície para alcançar o "belo em si". Ao retomar suas pinturas muito antigas, para continuá-las, ou capturar marcas da rotina da casa, vestígios da memória e do tempo, a curadora acrescenta a questão da autofagia na obra de Uchôa. Em uma de suas técnicas, o artista despeja resina transparente no chão de lajotas de barro, espera a secagem, pinta no chão por cima da resina seca, pisa naquele tapete inusitado, arrasta os móveis, varre, passa produtos de limpeza doméstica. A partir desta base e ao descascá-la, o artista acrescenta elementos, linhas, cores. "A pintura já foi chão ou toalha de mesa e antes ainda foi átomo do cerne do mundo", completa Braga.

A curadora destaca ainda a autofagia cultural, a forma como o artista olha para o espelho da arte nordestina popular, para os bordados, cestarias, cerâmicas marajoaras "e volta como um Ulisses para a origem virtuosa de tudo". Segundo Braga, a obra de Delson Uchôa tem várias camadas, materiais e significativas, peles sobrepostas, que podem ser levantadas e adentradas. "O belo expande-se para muitas dimensões, sai da parede para ocupar o espaço, a casa, a caatinga, a galeria, a discussão sobre arte nacional e economia global".

Delson Uchôa, nos anos 1980, já era conhecedor de história da arte, que estudava voraz e solitariamente em paralelo às demandas da faculdade de medicina, concluída em 1981. O convite de Marcos Lontra para apresentar uma obra na hoje famosa exposição do Parque Lage “Como vai você Geração 80?”, motivou-o a juntar o que lia na coleção “Gênios da Pintura” com as referências figurativas e geométricas da pintura popular, dos parques de diversão nordestinos e carrocerias de caminhão. Interessava-o a “estridência cultural e luminosa do nordeste”.

Em 2009, participou da 53ª Bienal de Veneza com seu trabalho extenso de pesquisa de cores. O artista tem obras em coleções de museus em todo o mundo. O Instituto Inhotim, por exemplo, abriga as maiores obras de sua carreira, sendo todas elas, de grandes dimensões. Para 2015, ele prevê exposições na China, Alemanha e no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR). Vive e trabalha em Maceió, onde se formou em Medicina no ano de 1981 e, paralelamente, iniciou seus estudos em pintura na Fundação Pierre Chalita. Dentre diversas exposições no Brasil e exterior, destacam-se: XX Bienal de Curitiba (Curitiba, 2013); 12th Cairo Bienalle (Egito, 2010); 10a. Bienal de la Habana (Cuba, 2009); 53ª Biennale di Venezia – Pavilhão Brasileiro (Itália, 2009); Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil, 2003); XXIV Bienal de São Paulo (Brasil, 1998); entre outras.

Paula Braga é professora na Universidade Federal do ABC, doutora em Filosofia pela USP e mestre em História da Arte pela University of Illinois. É autora de Hélio Oiticica, Singularidade, Multiplicidade (2013) e organizadora de Fios Soltos: a arte de Hélio Oiticica (2008), ambos pela editora Perspectiva. Além de ter colaborado com capítulos e artigos em várias outras publicações acadêmicas, escreve sobre arte contemporânea em revistas de divulgação como Art al Dia, PubliFolha, e foi colaboradora da Bravo.

Posted by Patricia Canetti at 11:04 AM

abril 8, 2015

Baravelli na Marcelo Guarnieri, São Paulo

Após passagens pelo Instituto Figueiredo Ferraz, e na unidade da Galeria Marcelo Guarnieri, em Ribeirão Preto, retrospectiva que contempla 50 anos da produção de Luiz Paulo Baravelli chega a São Paulo.

Aos 72 anos de idade e cinco décadas de intensa produção, Luiz Paulo Baravelli é um artista que ao método opta pelo distinto caminho da sensibilidade. Suas obras feitas de idas e vindas, como em “emaranhados”, dialogam com a arquitetura – seu campo de formação – com a figura do corpo feminino, a poesia de W. H. Auden, e, sobretudo, com o espírito de contestação – poética - que compõe o cenário de um possível pós-modernismo. Passado 50 anos de atividades, a Galeria Marcelo Guarnieri apresenta no próximo dia 11 de abril (sábado), 11h, retrospectiva da carreira do artista, na unidade de São Paulo. Durante o mês de março, outras duas exposições foram apresentadas na unidade da Galeria em Ribeiro Preto e no Instituto Figueiredo Ferraz (IFF).

Com caráter retrospectivo, as três exposições fazem justa homenagem ao artista que teve participação ativa num dos períodos mais férteis da arte nacional: os anos 70. Foi na cidade de São Paulo, como aluno e parceiro de Welley Duke Lee, que formou, ao lado de nomes proeminentes como Carlos Fajardo, Frederico Nasser e Jose Rezende, a Escola Brasil. Além da crítica à produção da época, destacavam a produção artística como experiência de ensino, reavaliando movimentos importantes e contemporâneos como a Pop Art e o Tropicalismo.

“Analisar os cinquenta anos de produção nos leva a reflexão sobre as mudanças globais ocorridas ao longo desse período, e, também, nos faz refletir sobre como esse conjunto de obras dialoga conosco no tempo presente”, conta o curador e marchand Marcelo Guarnieri, que teve o apuro de acompanhar todo o processo de criação e montagem das três exposições.

A ênfase da retrospectiva de São Paulo recai sobre o trabalho de pintura do mestre. Autoafirmando-se como um pintor, mesmo no trabalho das peças tridimensionais, a abordagem concilia as três dimensões com o pictórico. Para a individual de São Paulo, serão apresentadas 60 obras, entre 10 pinturas/recortes e 50 croquis e desenhos dos anos 60 até os dias atuais, que serviram de base para as respectivas obras expostas. Destas, 80 compuseram o acervo da retrospectiva no Instituo Figueiredo Ferraz (IFF), em Ribeirão Preto.

Trabalhando de madrugada em seu atelier – parando, apenas, quando o nosso dia começa – o recorte faz jus à fama de incansável artista que Baravelli carrega. Antes de produzir qualquer obra em relevo, executa vários esboços, croquis, e faz extensa pesquisa de materiais. Sua sensibilidade é a do tempo, incluindo aí a paciência de se “perder”, horas à fio, no labirinto da criação, no qual a forma e a vida não se separam. Suas obra é um testemunho que ultrapassa um começo e um fim, uma narrativa linear, para que possamos enxergar sinais de dentro, como a luz da noite.

“Para um visitante que não conheça meu trabalho esta exposição pode trazer uma perplexidade. A variedade do trabalho é enorme e, sem consultar as etiquetas, é difícil adivinhar as datas em que as obras foram feitas. Penso uma explicação que pode ser redutiva, mas serve para começar: lá atrás, no começo da década de 60 me propus a ter uma sensibilidade em vez de ter um método. Naquela época predominava aqui o concretismo, com suas regras, rigores e tabus. Visitando as exposições deles eu pensava: o que estas artistas fazem quando não estão pintando? Será que andam na rua, olham para as pessoas e as coisas? Por que isso não aparece no trabalho? Porque não enfrentam o mundo em sua riqueza e complexidade em vez de se confinar a uma clausura árida e metódica?”, reflete Baravelli sobre o seu trabalho.

Posted by Patricia Canetti at 7:47 PM

Marino Marini na Iberê Camargo, Porto Alegre

A Fundação Iberê Camargo apresenta a primeira exposição individual no Brasil do artista italiano, reconhecido mundialmente por suas esculturas em bronze.

Marino Marini - Do arcaísmo ao fim da forma, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS - 11/04/2015 a 21/06/2015

Para nós, não poderia haver melhor contexto para o início de um percurso expositivo no Brasil”, destacou Alberto Salvadori, curador da exposição e diretor do Museu Marino Marini em Florença. “A relevância de Marino Marini foi a de um artista que não se comportou como um filólogo, não aceitou os dados históricos consumidos pelo estudo e pela interpretação antropomorfa do sujeito, mas revelou, no seu trabalho, uma dimensão de atualidade da matéria numa relação direta entre homem e sujeito”.

Marino Marini é apontado como um dos artistas mais importantes de sua época por personalidades como o crítico e ex-curador do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), James Thrall Soby, e a colecionadora Peggy Guggenheim. A exposição do italiano apresenta um total de 89 peças, entre elas, 34 esculturas em bronze, além de pinturas e desenhos vindos da Fundação Marino Marini, em Pistoia, e do Museu Marino Marini, em Florença.

O público será recebido no átrio da Fundação Iberê Camargo com a obra Grande Cavalo, escultura em bronze com mais de dois metros de altura criada por Marini em 1951 e premiada na Bienal de Veneza. A obra foi cedida pelo Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC).

Marino Marini nasce em uma pequena cidade, Pistoia, onde não permanece indiferente às grandes lições giottescas, às de Masaccio e de Pisano e, particularmente, às importantes coleções etrusca e egípcia do museu arqueológico da vizinha Florença. A ligação do artista toscano com a antiguidade faz parte de uma dimensão que pertence ao tempo de seu estudo e de sua formação.

As suas esculturas, assim como as egípcias, apresentam-se por assemblage lógica, sem nenhum interesse ilusionístico, introduzindo, assim, outro dado essencial para ler a sua obra: o valor absoluto que ele confere à relação entre arte e arquitetura. Quatro temáticas tiveram particular importância para Marini, três das quais antigas: o retrato, a Pomona e os cavaleiros. A essas deve se somar o tema do circo, com os malabaristas, as bailarinas e os acrobatas.

Marino era extremamente fascinado pelo mundo do circo, e a natureza do ofício do malabarista, do palhaço, dos acrobatas intrigava-o. Entreter o público, ser capaz de pertencer a uma tipologia de máscara eterna, tinha tornado esses sujeitos importantes para o seu imaginário.

As Pomonas, ao contrário, são a encarnação, segundo Marini, do eterno feminino. A antiga divindade da fertilidade nos é posta como metáfora do nascimento, da plenitude sensual da vida. O cavaleiro e o cavalo estão, desde os anos 30, dentre os temas que mais interessaram a pesquisa de Marino Marini. "As minhas estátuas equestres exprimem o tormento causado pelos eventos deste século. A inquietude do meu cavalo aumenta a cada nova obra. Eu aspiro tornar visível o último estágio da dissolução de um mito, do mito do individualismo heróico e vitorioso do homem de virtudes, dos humanistas".

Convivem história e mito, realidade e fé, testemunhas de que as obras do artista devem ser lidas como passagens que marcam o devir da história. As coisas mudam com o proceder do confronto bélico na Europa, as esculturas se tornam formas seccionadas arquitetonicamente pela grande tragédia. O próprio Marino define as obras do período como arquiteturas de uma enorme tragédia que se liberará, em seguida, no famoso Anjo da cidade, de 1950, que até hoje domina o Canal Grande.

A partir dos anos 50 Marini volta a praticar a pintura com maior intensidade. Com cores brilhantes e encorpadas, fechadas em um campir geometrizante que se destaca sobre o fundo plano e com formas sempre mais desagregadas, as obras pictóricas definem, assim como a escultura, uma evidente mudança de chave expressiva. Desenho, gráfica, pintura e escultura vivem em Marini uma simbiose dinâmica, um enredo dificilmente desatável, carregado de tensões e de páthos. O retrato se insere no percurso de Marini como representação dos valores humanos, no qual ele ensaiou o limite mais alto de um criador de formas. A capacidade plástica e a pura invenção são subjugadas à verdade fisionômica do modelo, e os quatro retratos aqui expostos nos colocam diante de tamanha força da representação.

O ano de 1950 é decisivo porque o artista decidiu aceitar o convite para ir a Nova York. Em 14 de fevereiro, foi aberta a primeira individual de Marini na cidade americana e iniciou-se um percurso de reconhecimentos internacionais que não mais se encerrou. Estamos na série dos Milagres, eventos ao mesmo tempo terrenos e sobrenaturais, que aludem à morte do homem, ao seu declínio. Dentre as obras presentes nas mostras de 1951 e de 1952, são representadas a dissidência, a ruptura da harmonia entre cavalo e cavaleiro, a ingovernabilidade dos eventos. Tal condição fora de controle constitui o ato final de uma tragédia que encontra no Grito, de 1962, também presente na mostra, sua conclusão.

Uma palavra-chave para compreender a escultura de Marino é "tensão". O artista, mais que sobre o próprio movimento, incide sobre o instante de imobilidade que aparece forçado pela forma na composição e, através do qual, surge o movimento ou a escultura morre. Dentre os oito pequenos bronzes presentes nesta mostra, em Figuras abstratas e Composições, dos anos 60, não é mais perceptível a presença de cavalos e cavaleiros que vivem escondidos nos planos e nos cortes da matéria. Abstração e geometrização não são outra coisa que a ampliação da gama expressiva, da figuração de Marino Marini.

Em Uma forma em uma ideia, de 1964, o artista atinge a desagregação e constitui o ato final de uma tragédia interior. Eis então que a série sobre papel Composição, de 1960, e as três grandes têmperas sobre papel – Intensidade (1967), Energias e Vivacidade, ambas de 1968 – colocam-nos de frente a uma pintura íntima e que se esquiva de qualquer construção formal, própria de um artista que não ficou fora de seu tempo. A obra Dois elementos (1971) fecha a narrativa escultural de Marini.

Posted by Patricia Canetti at 7:28 PM

Leda Catunda no Galpão Fortes Vilaça, São Paulo

A nova exposição de Leda Catunda no Galpão Fortes Vilaça apresenta pinturas, gravuras, aquarelas, colagens e esculturas, além de um papel de parede estampado desenvolvido especialmente para a mostra. Com o título Leda Catunda e o gosto dos outros, a artista traz para o corpo de suas obras um apanhado de referências pop em que questiona conceitos de beleza, exotismo, o bom e o mau gosto.

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Catunda frequentemente analisa o poder exercido pela cultura pop de converter imagens e objetos em signos de status social e pertencimento. Debruça-se, portanto, sobre o gosto das pessoas e suas relações com conforto, identificação e consumo. Ela se apropria de objetos do cotidiano (em geral toalhas, cobertores e roupas), separando-os por temas ou semelhanças, e então realiza interferências que lhes atribuem novas cores, volumes e texturas. Não escapam ao seu olhar a morbidade das camisetas de rock (presentes nas pinturas Botão e Botão II), a objetificação da mulher na publicidade (em MG - Mulheres Gostosas), a profusão das selfies de férias (em Indonésia), os locais exóticos idealizados pelo universo do surfe (na série Ásia).

Os conceitos de bom gosto e de belo, tão rígidos outrora, são assumidos pela artista como parâmetros dinâmicos na sociedade contemporânea, diluídos em valores que eventualmente englobam o kitsch e o cafona. Leda Catunda, sensível a essas mutações, procura reconhecer esse novo belo presente no gosto dos outros e assim identificar a ânsia desenfreada do indivíduo de ver-se representado em uma imagem.

Todas as obras da exposição foram realizadas tomando por base a estrutura dos desenhos no papel de parede. São padrões que, na prática da artista, geralmente surgem nas aquarelas, multiplicam-se nas gravuras e ganham corpo em pinturas e esculturas. O papel de parede, por sua vez, age como síntese do seu vocabulário particular, marcado por contornos arredondados e macios. A exposição contempla todos esses suportes, sendo possível observar, por exemplo, a gravura Drops transfigurar-se nas pinturas da série Borboleta. Com esse diálogo, Catunda explicita o sentido de unidade entre as diversas linguagens desenvolvidas ao longo de sua trajetória.

Leda Catunda nasceu em São Paulo em 1961, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais, destaca-se a mostra Pinturas Recentes, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013) e que itinerou também para o MAM Rio (Rio de Janeiro, 2013); além de Leda Catunda: 1983-2008, mostra retrospectiva realizada na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). Uma das expoentes da chamada Geração 80, a artista esteve nas antológicas Como Vai Você, Geração 80?, Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); e Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983). Sua carreira inclui ainda participações em três Bienais de São Paulo (1994, 1985 e 1983), além da Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001) e da Bienal de Havana (Cuba, 1984). Sua obra está presente em diversas coleções públicas, como: Instituto Inhotim (Brumadinho); MAM Rio de Janeiro; Fundação ARCO (Madrid, Espanha); Stedelijk Museum (Amsterdã, Holanda); além de Pinacoteca do Estado, MAC-USP, MASP, MAM (todas de São Paulo).


The new exhibition by Leda Catunda at Galpão Fortes Vilaça features paintings, prints, watercolors, collages and sculptures, along with a printed wallpaper developed especially for the show. With the title Leda Catunda e o gosto dos outros [Leda Catunda and the Taste of Others], the show involves pop references with the aim of questioning concepts of beauty and exoticism as well as good and bad taste.

Catunda frequently analyzes the power of pop culture to convert images and objects into signs of social status and belonging. She therefore investigates the taste of people and their relations with comfort, identification and consumption. She appropriates everyday objects (in general towels, blankets and clothes), separates them by themes or similarities, and then interferes on them, lending them new colors, volumes and textures. She takes notice of the morbidity of rock music T-shirts (present in the paintings Botão I [Button] and Botão II [Button II]), the objectification of the woman in advertising (in MG – Mulheres Gostosas [HW – Hot Women], the profusion of vacation selfies (in Indonésia [Indonesia]), and the exotic places idealized by the surfing world (in the series Ásia [Asia]).

The concepts of beauty and good taste, which in past times were very rigid, are taken by the artist as dynamic parameters in contemporary society, dissolved in values that eventually include the kitsch and the tacky. Aware of these mutations, Leda Catunda seeks to recognize this new beauty present in the taste of others, and thus identify the individual’s unbridled desire to see him or herself represented in an image.

All of the works in the exhibition were made on the basis of the structure of the drawings on the wallpaper. They are patterns which, in the artist’s practice, generally arise in watercolors to then be multiplied in prints and given body in paintings and sculptures. The wallpaper, for its part, acts as a synthesis of the artist’s unique vocabulary, marked by rounded and soft outlines. The exhibition considers all of these supports. The viewer can observe, for example, the print Drops transfigured in the paintings of the Borboleta [Butterfly] series. With this dialogue, Catunda explains the sense of unity among the various languages developed throughout her career.

Leda Catunda was born in 1961 in São Paulo, where she lives and works. Her solo shows have most notably included Pinturas Recentes, at Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013), which traveled to MAM Rio (Rio de Janeiro, Brazil, 2013); as well as Leda Catunda: 1983–2008, a retrospective held at the Estação Pinacoteca (São Paulo, Brazil, 2009). One of the leading figures of the so-called Geração 80, the artist participated in key exhibitions such as Como Vai Você, Geração 80?, Parque Lage (Rio de Janeiro, 1984); and Pintura como Meio, MAC-USP (São Paulo, 1983). Her career has also included participations in three editions of the Bienal de São Paulo (Brazil; 1994, 1985 and 1983), as well as the Bienal do Mercosul (Porto Alegre, Brazil, 2001) and the Bienal de Havana (Cuba, 1984). Her work figures in various public collections, such as those of Instituto Inhotim (Brumadinho, Brazil); MAM Rio de Janeiro (Brazil); Fundação ARCO (Madrid, Spain); and Stedelijk Museum (Amsterdam, Holland); as well as the Pinacoteca do Estado, MAC-USP, MASP, and MAM (all in São Paulo, Brazil).

Posted by Patricia Canetti at 4:09 PM

abril 6, 2015

Ivan Grilo na Triângulo, São Paulo

Ivan Grilo trata das heranças africanas e investiga Lina Bo Bardi em sua primeira exposição na Casa Triângulo

Para sua primeira exposição individual na Casa Triângulo, Ivan Grilo apresenta um conjunto de obras que aparecem como desdobramentos de duas pesquisas recentes do artista nos últimos anos: a herança cultural africana na sociedade brasileira, principalmente os conhecimentos transmitidos através de gerações pela oralidade, os quais Grilo observou durante sua pesquisa de campo em 2014 na Bahia motivado por um projeto de Mario de Andrade dos anos 1930/40. Somado a isso, a continuação de sua investigação sobre a obra de Lina Bo Bardi, com foco principal no período em que a arquiteta italiana viveu na região nordeste do Brasil.

Eu quero Ver é o cruzamento dessas duas pesquisas aparentemente distintas, porem unificadas por um ponto em comum: a busca pela necessidade narrativa do homem brasileiro, nesse caso em especial na região nordeste. O titulo da exposição surge parcialmente do uso de camadas e visibilidades presente na obra do artista, e também faz alusão à uma canção de 1974 de Jorge Ben, que diz “Eu quero ver quando Zumbi chegar, o que vai acontecer”. Segundo Ivan Grilo, “a exposição faz referência [e reverência] a ícones da historia brasileira como Zumbi dos Palmares e Antônio Conselheiro. Há trabalhos que fazem menção à exposição Nordeste do Brasil, montada em Roma em 1965, com curadoria de Lina Bo Bardi, porém nunca aberta ao publico em função da censura realizada pela ditadura militar brasileira através de suas embaixadas.”

O núcleo da exposição é um trabalho composto por três imagens e uma intervenção no espaço; são estudos sobre movimentos circulares presentes nas danças do Candomblé, nos voos dos urubus e nas escadas caracol de Lina, as quais inspiraram o artista a fazer uma escada de ferro baseada num desenho original da arquiteta, que leva do primeiro ao segundo plano da exposição e permite ao espectador a experiência corporal de girar em torno de um eixo.

Posted by Patricia Canetti at 2:24 PM

Alfredo Jaar na Luisa Strina, São Paulo

A Galeria Luisa Strina tem o prazer de apresentar Gold in the Morning, a primeira exposição individual do artista Alfredo Jaar na Galeria.

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Alfredo Jaar é artista, arquiteto e documentarista, nasceu em 1956 no Chile, país onde se deu sua formação. Em 1982 mudou-se para Nova York, onde vive e trabalha atualmente.

Em 1985, Jaar viajou ao Brasil para documentar a mina de ouro de Serra Pelada, um ano antes de Sebastião Salgado começar a fotografar na região.

Jaar desenvolveu um grande grupo de trabalhos nos anos seguintes, em consequência dessa experiência. Ele primeiro lançou uma série dessas fotografias como parte da instalação Gold in the Morning, que foram exibidas em 1986, na Bienal de Veneza, onde o artista se tornou o primeiro artista latino-americano a participar da Bienal. Outro desdobramento desta série fotográfica foi a intervenção pública Rushes, realizada na estação de metrô Spring Street em Nova York, em que as imagens de Serra Pelada eram justapostas a cotações do valor do ouro ao redor do mundo.

A exposição será a primeira focada exclusivamente na série de Serra Pelada. Será composta por um vídeo e uma selação de fotografias tanto coloridas quanto branco e preto, incluindo suas imagens icônicas da paisagem e trabalhadores, como imagens até então inéditas da série.

A situação precária dos trabalhadores da mina de Serra Pelada registrada nessas fotografias, denuncia as relações perversas entre o crescimento econômico e condições de trabalho que muitas vezes são sacrificadas em prol do lucro.

Além da natureza documental, as imagens também atuam de forma metafórica como símbolos que articulam as contradições do mundo contemporâneo – pautado por relações de desigualdade social, domínio econômico e exploração da terra.

Dentre as diversas exposições coletivas do artista destacam-se: Bienal de Veneza (1986, 2007, 2009, 2013), Documenta de Kassel (1987, 2002) e Bienal de São Paulo (1987, 1989, 2010).

Alfredo Jaar realizou exposições individuais em instituições como New Museum of Contemporary Art, Nova York (1992); Whitechapel Gallery, Londres (1992); Museum of Contemporary Art, Chicago (1992); Moderna Museet, Estocolmo (1994); Museum of Contemporary Art, Roma (2005); Berlinische Galerie, Alte Nationalgalerie e Neue Gesellschaft für Bildende Kunst, Berlin (2012); e no Museum of Contemporary Art Kiasma, Helsinque (2014).

O trabalho do artista pode ser encontrado em coleções ao redor do mundo, incluindo o Museum of Modern Art, Nova York: Tate, Londres; Guggenheim Museum, Nova York; LACMA, Los Angeles; MOCA, Los Angeles; Centro de Arte Reina Sofia, Madri; Centro Georges Pompidou, Paris; Moderna Museet, Estocolmo, e MASP, São Paulo.

Simultaneamente a abertura da exposição Gold in the Morning, a galeria organiza o lançamento do livro de artista Outros pensam / Otros piensan. A publicação é a versão em Português / Espanhol de Other People Think, projeto de Jaar em homenagem a John Cage, criado em seu centenário em 2012. O texto, que discorre sobre as relações entre a América do Norte e a América do Sul, foi escrito por Cage quando tinha 15 anos. Essa nova edição bilíngue é produziada e lançada no Brasil pela Ikrek Edições, com tradução Lucrecia Zappi.


Galeria Luisa Strina is pleased to present Gold in the Morning, Alfredo Jaar’s first solo exhibition to be held at the gallery.

Alfredo Jaar is an artist, architect and filmmaker. He was born in 1956 in Chile, where he was also educated. In 1982 he moved to New York, where he lives and works today.

In 1985 Jaar traveled to Brazil to document the Serra Pelada gold mine, a year before Sebastião Salgado began to photograph in the region.

Jaar developed a large body of work over the following years based on this experience. He first released a series of the photographs as part of his installation Gold in the Morning, exhibited in 1986 at the Venice Biennale where he became the first Latin American artist ever invited to participate in the Biennale. Another upshot of this photographic series was the public intervention Rushes, conceived that same year for the Spring Street subway station in New York, whereby images of Serra Pelada miners were juxtaposed against current gold prices around the world.

This exhibition will be the first ever to focus exclusively on the Serra Pelada series. It will consist of a video and a selection of both color and black and white photographs, including his iconic images of the landscape and workers as well as previously unreleased images from the series.

The precarious situation of the Serra Pelada miners registered in these images exposes the perverse relationships between economic growth and working conditions that are so often sacrificed for the sake of profit. Beyond their documental nature, these images also exercise a metaphorical function by symbolizing the contradictions of the contemporary world – based on relations of social inequality, economic dominance and exploitation of the earth.

The artist’s several collective exhibitions have included: Venice Biennale (1986, 2007, 2009, 2013), Documenta, Kassel (1987, 2002) and São Paulo Biennial (1987, 1989, 2010).

Alfredo Jaar has had solo exhibitions at institutions such as the New Museum of Contemporary Art, New York (1992); Whitechapel Gallery, London (1992); Museum of Contemporary Art, Chicago (1992); Moderna Museet, Stockholm (1994); Museum of Contemporary Art, Rome (2005); Berlinische Galerie, Alte Nationalgalerie and Neue Gesellschaft für Bildende Kunst, Berlin (2012); and Museum of Contemporary Art Kiasma, Helsinki (2014).

The artist’s work can be found in collections worldwide, including the Museum of Modern Art, New York, Tate, London; Guggenheim Museum, New York; LACMA, Los Angeles; MOCA, Los Angeles; Centro de Arte Reina Sofia, Madrid; Centre Georges Pompidou, Paris; Moderna Museet, Stockholm, and MASP, São Paulo.

Simultaneously with the opening of Gold in the Morning, the gallery will host a launch for the artist book Outros pensam / Otros piensan. The publication is the Portuguese / Spanish version of Other People Think, a project by Alfredo Jaar in homage to John Cage, created on the occasion of Cage´s Centennial in 2012. The text, which explores relationships between North and South America, was written by Cage when he was 15 years old. This new bilingual edition is produced and launched in Brazil by Ikrek Editions, translated by Lucrecia Zappi.

Posted by Patricia Canetti at 2:06 PM

Alexandre da Cunha na Luisa Strina, São Paulo

A Galeria Luisa Strina tem o prazer de apresentar Real, a quarta exposição individual do artista Alexandre da Cunha.

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Alexandre da Cunha apresenta uma nova série de obras de parede e esculturas de concreto realizadas a partir de moldes de pneus usados. Continuando sua pesquisa com materiais do cotidiano, o artista apresenta trabalhos de parede em grande escala e outras esculturas que utilizam materiais fundidos, um aspecto novo no seu trabalho.

Através do uso de objetos encontrados e justapostos pelas suas afinidades formais, relevos de parede (Comédia, 2015) fazem referência a ícones da história da arte como Bull’s Head de Picasso, 1942. De forma semelhante, mops de limpeza são tensionados com barbante criando composições circulares (Mandala, 2015). Os objetos usados sofrem pouca alteração, mas a combinação entre eles cria uma nova linguagem onde a percepção do espectador é convidada a enxergá-los de outra forma.

Seu trabalho é parte das coleções da Tate Modern, Londres, Inglaterra; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil; Centro de Arte Contemporânea Inhotim, Brumadinho, Brasil; CIFO Cisneros Collection, Miami, EUA; Zabludowicz Collection, Londres, Inglaterra; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Exposições individuais incluem: Le Grand Café, Centre d’art Contemporain, Saint Nazaire, França (2012); Full Catastrophe, Thomas Dane Gallery, Londres, Inglaterra (2012); Kentucky Pied de Poule, CRG Gallery, New York, EUA (2012); Laissez Faire, Camden Arts Centre, Londres, Inglaterra (2009).

Exposições em grupo recentes incluem: Cruzamentos Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus, EUA (2014); When Attitudes Became Form Become Attitudes, curadoria de Jens Hoffman, Museum of Contemporary Art Detroit, EUA (2013); DECORUM: Tapis et tapisseres d’artistes, Musée d’art Moderne de la Ville de Paris, França (2013), 30a Bienal de São Paulo, A Iminência das Poéticas, curadoria de Luis Pérez-Oramas, São Paulo, Brasil (2012).

O artista apresentará seu trabalho, ainda em 2015, na Zabludowicz Collection, Londres, Inglaterra e numa exposição individual no Museum of Contemporary Art Chicago, EUA. Além disso, foi recentemente selecionado para a próxima edição do British Art Show, exposição itinerante que ocorre entre 2015 e 2016.


Galeria Luisa Strina is delighted to announce Real, the fourth solo exhibition by artist Alexandre da Cunha.

Alexandre da Cunha presents a new series of wall-based works and concrete sculptures made with casts of used tyres. Continuing his research with everyday materials, the artist exhibits large scale wall-based works and metal cast sculptures, a new aspect of his work.

Through the use of found objects, juxtaposed by their formal affinities, wall reliefs (Comédia, 2015) reference to art history icons such as Picasso’s Bull’s Head, 1942. In a similar way, cleaning mops are tensioned with strings creating circular compositions (Mandala, 2015). The objects used suffer little alteration, but the combination among them create a new language where the viewer’s perception is invited to see them in another way.

His work is part of the following collections: Tate Modern, London, UK; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brazil; Centro de Arte Contemporânea Inhotim, Brumadinho, Brazil; CIFO Cisneros Collection, Miami, USA; Zabludowicz Collection, London, UK; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brazil.

Recent solo shows include: Le Grand Café, Centre d’art Contemporain, Saint Nazaire, France (2012); Full Catastrophe, Thomas Dane Gallery, London, UK (2012); Kentucky Pied de Poule, CRG Gallery, New York, USA (2012); Laissez Faire, Camden Arts Centre, London, UK (2009).

Recent group shows include: Cruzamentos Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Columbus, USA (2014); When Attitudes Became Form Become Attitudes, curated by Jens Hoffman, Museum of Contemporary Art Detroit, USA (2013); DECORUM: Tapis et tapisseres d’artistes, Musée d’art Moderne de la Ville de Paris, France (2013), 30th Bienal de São Paulo, A Iminência das Poéticas, curated by Luis Pérez-Oramas, São Paulo, Brazil (2012).

Alexandre da Cunha has an upcoming show at the Zabludowicz Collection, London, UK and a solo show at the Museum of Contemporary Art Chicago, USA. Besides, he’s been recently selected for the next edition of the British Art Show, touring exhibition from 2015 to 2016.

Posted by Patricia Canetti at 1:38 PM

Cao Guimarães na Nara Roesler, São Paulo

Cao Guimarães traz olhar ao passado em Depois, sua 5º individual na Galeria Nara Roesler de São Paulo, com lançamento de livro pela Cosac Naify

Cao Guimarães acaba de completar 50 anos, em janeiro. A partir da data e da edição de um livro sobre seu trabalho pela editora Cosac Naify, o artista mineiro encontrou a motivação para lançar um olhar sobre os registros realizados ao longo de sua carreira, principalmente as sobras, o material que ficou de fora dos trabalhos oficiais. O resultado dessa visão retrospectiva é a exposição Depois, sua 5º individual pela Galeria Nara Roesler, em cartaz na sede paulista entre 07.04 e 06.06.2015. O livro, Cao, será lançado junto com a abertura da mostra.

O ponto de partida da exposição foi a série Ilhas (antes chamada de Úmido), constituída por quatro fotos em que folhas de plantas caídas no chão mostram ao seu redor o halo de umidade deixado pela chuva que já passou. É uma boa síntese do imaginário evocado pela exposição: aquilo que sobra, que permanece, depois que algo ou alguém se vai. “É a memória do gesto, o rastro, o que fica. São nuances do que se passou ali”, diz o artista. De todos os trabalhos da mostra, a série Ilhas é a única que já foi exibida previamente. Mesmo assim, não no Brasil: as fotos participaram da última edição Miami Art Basel Miami Beach 2014.

Outros quatro agrupamentos fotográficos ocuparão a porção anterior do espaço anexo da Galeria Nara Roesler de SP, sempre remetendo ao chão, sempre trazendo marcas da presença humana que já não está mais. Todos trazem também o caráter fortemente gráfico, no encontro com uma beleza imprevista.

“Muitos desses materiais eu encontrei entre as várias sobras de filmes, de fotos, que fui acumulando ao longo da carreira. É um sinal dos nossos tempos: eu, que trabalho com audiovisual, vou deixando de lado uma porção de registros que não incluo nos trabalhos. E ao revê-los, percebi que tinham uma intenção estética, um olhar que, mesmo um pouco inconsciente, estava atento a uma identidade formal, à beleza das imagens.”

Das obras clicadas para a exposição, figura a série Steps, em que pegadas de trabalhadores da construção civil ganham registro em 14 fotografias p&b. Os rastros foram impressos em uma lona preta, que serviu de anteparo ao pó de cal desprendido no lixamento de paredes. No contraste do pó branco com o fundo negro, fica marcada a evidência que de outra forma seria imperceptível: a ação dos homens por meio de seus passos e gestos.

Em outra série, sem título, uma trama que se assemelha a uma renda, a uma tessitura, é formada pelas inúmeras pegadas de pássaros sobre a areia escura de uma praia. São quatro fotografias que faziam parte dos arquivos de Guimarães, assim como as três fotos de uma série sem título que se unem formalmente pela sinuosidade dos elementos que mostram: o rastro de uma lesma, um filete de água visto no reflexo de uma poça de chuva em chão de terra e um pelo pubiano em um piso de taco.

Outra seleção de arquivos é a série Sonho de Bebê, um quadríptico composto por fotogramas de Super 8 que enfocam vistas aéreas de ilhas do Rio São Francisco. Pela indefinição da imagem graças ao granulamento da película, em oposição à nitidez fria da mídia digital, Cao Guimarães traçou um paralelo com as formas que possivelmente povoam o imaginário dos bebês, ainda desprovido das imagens fixadas das coisas do mundo.

Essa qualidade de perspectiva e a granulação do Super 8, com visualidade retrô, também dá a ambiência do vídeo que ocupará o fundo do anexo. Duas imagens se intercalam em looping infinito, com mudanças sutis de cor e ritmo da sucessão: a sombra de um cabelo feminino contra a parede e a visão do alto das ondas do mar indo e vindo. “O que se acentua é a relação de ondulação entre o cabelo e o mar”, explica o artista.

Cineasta e artista visual, Cao Guimarães se acerca das superfícies onde os seres, sem saber, registram sua existência nessa exposição. “O chão e a parede são por excelência os aparatos de registro da presença humana”. Na aproximação formal entre os diferentes testemunhos da ausência, encontra a beleza que redimensiona os pequenos gestos e acontecimentos cotidianos. Seu olhar sobre a vida valoriza os mínimos instantes, sabendo que é da efemeridade que o tempo se constitui.

Sobre o artista

Os trabalhos de Cao Guimarães são peças audiovisuais expandidas, frequentemente situadas na fronteira entre filme e artes visuais. O artista também trabalha com fotografia, como é o caso da sua série em andamento Gambiarras. Aqui, sua habilidade de improvisar dá origem a momentos de estranhamento que são capazes de reinventar nosso olhar sobre objetos e situações comuns.

Seus filmes foram exibidos em festivais, tais como: Festival de Locarno (2004, 2006 e 2008), Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica di Venezia (2007); Sundance Film Festival (2007); Cannes Film Festival (2005); Rotterdam International Film Festival (2005, 2007 e 2008), International Documentary Film Festival Amsterdam (2004); Sydney International Film Festival (2008); entre outros. Mais recentemente, seu longa‑metragem, Otto (2012), recebeu o prêmio de Melhor Documentário Longa‑Metragem, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora Original (para O Grivo) no 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

O artista nasceu em Belo Horizonte, em 1965, onde vive e trabalha. Participou das 25ª e 27ª edições da Bienal de São Paulo, Brasil (2002 e 2006); da 8ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (2011); da 6ª Bienal de Montreal, Canadá (2009); e da Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Shenzhen, China (2011). A obra de Guimarães está representada internacionalmente em museus e coleções privadas, incluindo: Fondation Cartier Pour L’art Contemporain, Paris, França; Tate Modern, Londres, Inglaterra; Walker Art Center, Minneapolis, EUA; Guggenheim Museum, Nova York, EUA; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; MoMA, Nova York, EUA; San Francisco Museum of Modern Art, San Franciso, EUA; Instituto Cultural Inhotim, Brumadinho, Brasil; entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 7:56 AM

abril 2, 2015

Athos Bulcão na Nara Roesler, São Paulo

Murais de azulejo de Athos Bulcão ganham primeira exibição, em São Paulo, de sua reedição exclusiva pela Galeria Nara Roesler

A Galeria Nara Roesler tem o prazer de apresentar uma exposição memorável: um conjunto de seis painéis de azulejos de Athos Bulcão, marca registrada da obra do artista morto em 2008. É a primeira vez que a reedição das obras originais será mostrada em São Paulo, desde o acordo de representação firmado pela galeria com a Fundação Athos Bulcão em 2014. Dois dos painéis, cujos azulejos foram forjados na mesma fábrica que os originais, estrearam na seção Lupa da ArtRio 2014. A curadoria da mostra, que fica em cartaz entre 07.04 e 16.05.2015, é de Agnaldo Farias.

É ele quem define Bulcão como "artista único, preocupado em levar seu trabalho depurado para a esfera social", cujo gênio elevou o muralismo com azulejos "de ícones até as composições abstratas, até os intrincados quebra-cabeças formais, da manufatura até a linguagem padronizada e industrial, e do painel mural para a elaboração de elementos arquitetônicos". A maestria do artista na arte mural, que o abraçou como elemento integrante da arquitetura e não como mero forro da estrutura, ganha testemunho na Galeria Nara Roesler por meio dos seguintes exemplares: o do Museu das Gemas, que tem lugar de destaque na vitrine da galeria; o do Hospital de Brasília e do Centro de Reabilitação da Rede Sarah Kubitschek; do Instituto Rio Branco; da Diretoria de Gestão e Atendimento ao Público (DGAP); e do Sambódromo do Rio de Janeiro.

Por que Bulcão é considerado um pioneiro no muralismo com azulejos? A questão formal, em que o artista rompe com a geometria padronizada de sua época para se aproximar do público, fornece uma pista da importância desse segmento de sua obra. A própria realização dos trabalhos ganhava organicidade com a inserção do elemento humano como agente do acaso. Nas palavras do curador, "(...) a aplicação de todos os seus painéis é deixada sempre a critério do operário encarregado, um critério que, segundo o artista, tem o mérito de ser 'deseducado', isto é, sem o gosto pelo equilíbrio ou mesmo pela desordem arrumadinha incutida pelas nossas escolas. Cada unidade vai se juntando com a outra num todo aleatório, de ritmo sincopado, cuja sequência nos é impossível apreender de bate-pronto".

Com isso, a monotonia tanto da arquitetura modernista em sua racionalidade exacerbada, caso de Brasília, quanto do olhar viciado do transeunte são subvertidos. O espectador é surpreendido pelas padronagens combinadas a esmo, o que rompe a harmonia esperada pela visão, acostumada a ordenar aquilo que capta. "O efeito de pulsação, reflexo da retina saturada por parte daquele que experimenta a obra, pode ser obtido tanto por formas fechadas, polígonos complexos e coloridos que disputam sua presença com o branco do azulejo, polígonos que têm a densidade e a concisão de uma letra ou de um logotipo, como por formas lineares, circulares ou estriadas, linhas que sangram para os limites do quadrado, insinuando-se para além deles. Em todos os casos, o artista pode adicionar o uso da cor, um uso pródigo da cor (...)."

Paradoxalmente, esse jogo intrincado que invade o dia a dia graças à sua existência em meio às cidades, que surpreende e subverte o olhar, está de tal forma ao alcance de todos, como obra disponível à fruição constante e democrática, que por isso é assimilado com intimidade pelo público, muitas vezes desavisado de sua relevância. "Embora invariavelmente de grandes dimensões, muitas das obras de Athos Bulcão, pela sua proximidade da arquitetura e da cidade, pela familiaridade imposta pelo contato cotidiano, terminam por eclipsar sua condição excepcional, sua natureza de um pensamento plástico refinado".

Dessa forma, "Athos Bulcão obtém, na sua já longa e prolífica carreira, o que poucos artistas sonham obter: que a sua obra já não mais lhe pertença. (...) Sua obra caminha para o anonimato para integrar o imaginário, para se converter em fonte de expressão de um povo, do povo que Athos Bulcão ama e a cujo bem-estar vem se dedicando ao longo de sua vida". Com a reedição dessas obras icônicas, a Galeria Nara Roesler vem garantir que, para além da incorporação de seu trabalho como parte do espírito nacional, Athos Bulcão seja reconhecido como o artista fundamental que é na história da arte do Brasil e exterior.

Athos Bulcão nasceu no Rio de Janeiro, então capital da República, em 2 de julho de 1918. Com a morte da mãe, foi criado pelo pai e pelas irmãs (tinha ainda um irmão). Frequentava o meio dos artistas e escritores modernistas, entre eles Carlos Scliar, Jorge Amado, Pancetti, Enrico Bianco - que o apresentou a Burle Marx -, Milton Dacosta, Vinicius de Moraes, Ceschiatti e Manuel Bandeira, entre outros. Abandonou o curso de medicina para dedicar-se às artes visuais por influência desses amigos, entre eles Murilo Mendes, que o apresentou ao casal de pintores formado pela portuguesa Vieira da Silva e pelo franco-húngaro Arpad Szenes. Aos 21 anos, foi apresentado a Portinari, de quem foi assistente no Mural de São Francisco de Assis na Pampulha, aprendendo técnicas que se revelariam fundamentais em sua produção autoral. Passa um ano em Paris com bolsa de estudos, entre 1948 e 1949. Depois de uma breve pesquisa em fotomontagens, sua formação e relações culminam, em 1953, em seu ingresso na NovaCap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital). A partir de então, Bulcão desenvolve a técnica que o tornaria internacionalmente conhecido e incorporado ao imaginário brasileiro como artista original: o mural de azulejos, acompanhado de relevos e painéis. Algumas de suas obras estão no Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Teatro Nacional Claudio Santoro, Palácio do Itamaraty, Palácio do Jaburu, Memorial Juscelino Kubitschek, Capela do Palácio da Alvorada, Hospital Sarah Kubistchek e outros. Após lutar por 17 anos contra o Mal de Parkinson, morreu em 2008, aos 90 anos.

Posted by Patricia Canetti at 11:20 AM

abril 1, 2015

Rodrigo Matheus na Fortes Vilaça, São Paulo

A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar Atração, a nova exposição de Rodrigo Matheus. O artista apresenta esculturas inéditas construídas a partir da associação entre objetos domésticos e peças industriais encontrados em diversas lojas da cidade de São Paulo. Ao unir em um só corpo materiais de natureza genérica, as obras invertem a lógica industrial da produção em massa, assim como as noções primárias sobre forma e função.

Rodrigo Matheus ativa o espaço da galeria de diversas maneiras: com obras se erguendo do chão, penduradas no teto, suspensas, ou correndo ao longo das paredes − o que confere à mostra um caráter “instalativo”. Um exemplo é a obra Abraço, onde folhas e galhos de plantas artificiais são organizados em linha reta nas paredes. Esta instalação leva ao limite as relações entre construção e natureza ao atribuir qualidades arquitetônicas a elementos supostamente orgânicos.

Flauta reforça a ideia de ritmo com o qual cada peça se insere no espaço. Trata-se de uma pilha de objetos que se ergue até o teto, composta por uma mesa Saarinen, um barril, uma lâmina circular, um prato de bateria, um trompete, entre outros elementos. Sua construção depende de coincidências industriais entre medidas, resistência e forma. Através dela, o artista discute o caráter distópico do design moderno − hoje amplamente copiado e vendido no mundo inteiro em lojas como Ikea ou Tok&Stok. Os objetos que compõe Terra à Vista, por sua vez, são cabos, elásticos, âncoras e roldanas fixadas no teto. Peso e tensão configuram um desenho no espaço e alteram de maneira bem humorada a personalidade das peças que compõe o arranjo.

Com Brise, o artista cria uma espécie de monumento com pequenos módulos de vidro e plástico. Em sua função original, essas estruturas seriam usadas como mostruários para exposição de produtos em lojas, mas no trabalho de Matheus tornam-se o próprio assunto. Evidencia-se aí o interesse do artista em dar destaque a elementos que, na tradição da arte e do design, são pensados para serem apenas suportes. Na inversão da lógica presente no trabalho de Matheus, a base já é a escultura.

As esculturas de Atração reafirmam o interesse do artista por temas como a natureza da representação, design, artificialidade. O arranjo preciso entre as partes que compõe cada trabalho provoca um jogo de relações inesperadas, que levam em conta suas qualidades inerentes, o circuito social e as relações de poder presentes em cada componente da mostra. Através dessas articulações, Rodrigo Matheus aponta para o potencial poético e estético de objetos banais que, uma vez livres de função, revelam novas possibilidades de sentido e compreensão para além do que foram concebidos.

Rodrigo Matheus nasceu em São Paulo em 1974 e atualmente vive e trabalha em Paris, França. Suas exposições individuais recentes incluem: Coqueiro Chorão, Ibid Projects (Londres, Reino Unido, 2014); Do Rio e para é to Rio and from, Galeria Silvia Cintra + Box 4, (Rio de Janeiro, 2014); Colisão de Sonhos Reais em Universos Paralelos, Fundação Manuel António da Mota (Porto, Portugal, 2013). Suas exposições coletivas incluem: Imagine Brazil, Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2015) − mostra itinerante originalmente exibida no Astrup Fearnley Museet (Oslo, Noruega, 2013); 3ª Bienal da Bahia, MAM-Bahia (Salvador, 2014); Champs Elyseés, Palais de Tokyo (Paris, França, 2013); 32ª Panorama da Arte Brasileira, MAM-SP (São Paulo, 2011); The Spiral and the Square, Bonniers Kontshall (Estocolmo, Suécia, 2011). Sua obra está presente em importantes coleções, como: Instituto Inhotim (Brumadinho); MAM Rio de Janeiro; MAM São Paulo. Um livro sobre o trabalho de Rodrigo Matheus está previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano.

Posted by Patricia Canetti at 6:46 PM

Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim no Itaú Cultural, São Paulo

A arte neoconcreta da coleção Inhotim sai pela primeira vez de Minas Gerais e aterrissa em exposição no Itaú Cultural

Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim traça um arco cronológico da arte da década de 1950 até a atualidade,e revela a sua influência nas práticas artísticas contemporâneas; a mostra apresenta ao público paulista grande parte de trabalhos nunca exibidos no Inhotim, em Brumadinho; inaugurada no ano passado em Belo Horizonte, chega ao instituto acrescida de três obras inéditas – de David Lamelas, Michael Smith e Marcellvs L.

De 2 de abril a 31 de maio, o Itaú Cultural recebe Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim. Trata-se da maior apresentação da coleção que o instituto mineiro vem formando ao longo dos últimos 10 anos, e foi concebida como o seu primeiro grande projeto envolvendo o acervo fora de Brumadinho.Com curadoria do diretor de programas culturais da instituição, Rodrigo Moura, e da curadora portuguesa Inês Grosso, o recorte se foca no estilo neoconcreto dos últimos 50 anos, representado por mais de 50 obras de 29 artistas, nacionais e internacionais, a maioria das quais,nunca exibida em seu parque.

Depois de ser apresentada na Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no ano passado, Do Objeto para o Mundo chega a São Paulo com mais três obras inéditas: a instalação Límite de una proyeccíon I (1967), do argentino David Lamelas, a projeção The U.S.A. Freestyle Disco Contest (1979/2003) do americano Michel Smith e o filme de artista 0314 (2002), do mineiro Marcellvs L. A obra Seção Diagonal, de Marcius Galan, instalada em Inhotim desde 2010, foi readequada para o espaço do Itaú Cultural.

Entre artes ambiental, processual e conceitual, instalações, vídeo e filme de artista, escultura em campo ampliado, performance e acionismo, reinvenção da fotografia documental, a exposição ocupa três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural. Dividida em seis núcleos temáticos, possibilita ao visitante conhecer como a arte neoconcreta praticada entre as décadas de 1950 e 1970 exerceu decisiva influência sobre as técnicas contemporâneas.

A linha curatorial parte do momento histórico em que a arte deixa de se resumir a objetos para existir de maneira mais aberta para o mundo. Nesse contexto, elementos do cotidiano, do espaço real, da política e do corpo são incorporados e o espectador se transforma em participante.Vem daí o nome dado à exposição que também faz referência à manifestação Do Corpo à Terra, realizada durante a inauguração do Palácio das Artes, de Belo Horizonte, em abril de 1970. Organizado por Frederico Morais, um dos mais importantes críticos de arte da vanguarda brasileira naquela década, o evento é considerado ainda hoje um marco das investigações sobre arte ambiental e experimentalismo de vanguarda no Brasil.

Duas produções realizadas naquela ocasião também integram esta mostra: Ação no Parque Municipal, 1970, de Décio Noviello,e Situação T/T 1 – Belo Horizonte, 1970, de Artur Barrio. O título da exposição retoma, ainda, a célebre frase “museu é o mundo”, do artista Hélio Oiticica, além de outras referências neoconcretas à crise do objeto.

“Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim representa uma espécie de estudo genealógico do neoconcretismo de diversas gerações e partes do mundo e uma compreensão sobre a linha expositiva do próprio museu-sede, em Brumadinho”, observa Moura.As obras datam dos anos de 1950 até os dias de hoje propondo uma reflexão sobre como se formou o campo da arte contemporânea a partir da coleção e do programa da instituição, inaugurada ao público em 2006.“São trabalhos que deixam perceber possíveis caminhos na história da arte dos últimos 50 anos, que permitiram ao Inhotim ser o que é”, completa.

A exposição

Boa parte das obras históricas estão articuladas com outras contemporâneas e são apresentadas em quatro núcleos temáticos no piso 1M. No primeiro núcleo Neoconcretismo, ontem e hoje encontra trabalhos da década de 1950, de autoria de Hélio Oiticica, Lygia Pape e Lygia Clark, ao lado de obras de artistas mais jovens, como Juan Araujo, Gabriel Sierra e Jose Dávila. Em comum, guardam a essência na abstração geométrica do concretismo.

O segundo núcleo deste andar é Circulação e Virtualidade, com obras produzidas a partir de 1960, nas quais é possível observar a transposição do objeto de arte para o mundo real e a aproximação a temas cotidianos e à comunicação de massa. Aqui, as obras dos artistas importantes para o período, André Cadere, Channa Horwitz, Cildo Meireles e David Lamelas apresentam, entre outros pontos, a ênfase na elaboração da linguagem e a incorporação de materiais inspirando a produção de Iran do Espírito Santo, Jac Leirner e Rivane Neuenscwhander, também presentes neste piso.

Uma das obras expostas de Rivanne ultrapassa os limites deste andar e até do instituto: Um dia como outro qualquer é composta por relógios de parede ou de mesa, que marcam sempre 00:00. Espalhados por diversos locais do Itaú Cultural, também podem ser vistos em outras instituições da cidade como o Espaço Memória do CEIC, Auditório Ibirapuera, MAM-SP, MASP e a Pinacoteca.

Na sequência está Acionismos e artes do corpo, que dá luz ao que se produziu em torno de ações efêmeras, que guardam consigo a inquietação do questionamento do significado da própria obra. Neste terceiro núcleo estão trabalhos datados dos anos 1970 até mais recentes de Décio Noviello, Artur Barrio, Cinthia Marcelle, Chris Burden e Abraham Cruzvillegas.

Em paralelo, suspenso a poucos centímetros do chão,o grande cubo vermelho Red(1956-2013), obra da japonesa TsurukoYamasaki, convida o público a entrar na obra, e ao fazer, virar parte dela. Em interlocução como portfólio do fotógrafo Kiyoji Otsuji e ainda, à dupla projeção de Hitoshi Nomura, todos fazem parte do núcleo Gutai e além, sobre o vanguardismo incidente no concretismo japonês do pós-guerra.

Na sala intitulada Percepção e ilusão, no piso1S, a arte e a magia são o pano de fundo para as obras que dialogam com luz, sombra, volume e ilusão deDavid Lamelas, Jorge Macchi e Marcius Galan. Estão ali, também, o filme 16mm, realizado entre 2008 e 2011 na Mata Atlântica por Daniel Steegmann Mangrané, e a obra de Raquel Garbelotti, a qual remete à gênese de Inhotim, com o registro da clareira que antecedeu o museu a céu aberto.

Som e Visão, o último espaço expositivo, apresenta uma série de desdobramentos no campo audiovisual desde 1960. Por 26 minutos é possível assistir alternada e sucessivamente produções audiovisuais contemporâneas de Michael Smith, Anri Sala, Marcellvs L. e Melanie Smith. Entre essas, somente o filme de Anri Sala já foi exibido em Inhotim.

Performance e conversa

O Itaú Cultural realiza a inauguração para convidados, no dia 1 de abril,com uma série de performances dirigidas pela coreógrafa americana Ellen Davis. Sonakinatography nº3 (1968/2012), At the Tone the Time will Be (1969) e Poem Opera (1978/2012) foram criadas a partir das obras matemáticas e abstratas Sonakinatography – Composition 3 (1968/2012) da artista visual Channa Horwitz, e são interpretadas por bailarinos da Companhia Sesc de Dança de Belo Horizonte.

A partir das 20h do dia 2, com a exposição já em cartaz, a Sala Vermelha recebe o argentino David Lamelase o americano Michael Smith para uma conversa aberta com o público, sobre o seu trabalho e a exposição, no esquema de perguntas e respostas.

Natural da Argentina, aos 21 anos Lamelas participou da 9ª Bienal de São Paulo, e, no ano seguinte, na 36ª Bienal de Veneza. Depois disto, o artista se lançou pelo mundo se tornando cosmopolita, o que mais tarde justificaria a presença do debate da condição nômade do ser humano para um entendimento da arte como algo transitório e fugidio em seus trabalhos.

Enquanto Lamelas se atém à forma do neoconcretismo no objeto, Smith complementa a conversa por ser mais performático, com apresentações ao vivo e vídeos curtos. A obra dele também tem início nos anos de 1970, mas na Nova York underground, num momento em que os artistas buscavam lugares alternativos para exibir sua produção. Sempre referenciando e pervertendo a lógica do entretenimento, Smith criou e interpretou personagens como Baby Ikki, o bebê, e Mike, o alter ego joão-ninguém, para discutir temas caros à sua geração, como identidade, gênero, cultura de massa e sexualidade.

Posted by Patricia Canetti at 11:41 AM