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junho 2, 2021

Homenagem a Gelson Radaelli, por Eduardo Haesbaert, na Fundação Iberê, Porto Alegre

“Homem cheio de vida, pintor inquieto. Grande artista. Vai ser muito difícil sem a presença dele. Fica um vazio.”

Ainda é difícil para Eduardo Haesbaert compreender a partida precoce do amigo Gelson Radaelli, na madrugada do dia 28 de novembro do ano passado. O telefonema da esposa do artista, Rogéria, tirou seu chão. Foram mais de 30 anos de convívio.

A amizade dos dois começou no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, em 1986. Haesbaert fazia gravura em metal, e Radaelli sempre passava por lá para distribuir o jornal que editava na época, o Pra Ver. Poucos anos depois, dividiram o mesmo ateliê, o porão de uma casa na Rua Garibaldi. Juntos, participaram de diversas exposições coletivas, em especial com o grupo que formaram com Fabio Zimbres, A Casa do Desenho.

Foi Radaelli quem apresentou Haesbaert a Iberê Camargo que precisava de um impressor, em 1990. Desde então, trabalhou como assistente e impressor de Iberê até a morte do artista, em 1994.

“Devo muito ao Gelson, era um cara generoso. Ele já era amigo de Iberê, conheceram-se também na época do Pra Ver”, recorda Eduardo Haesbaert.

Gelson Radaelli era, na verdade, um grande admirador do trabalho de Iberê. Foi influenciado pelo pai, Seu Zeno, um apaixonado por arte, que ele mergulhou nesse universo. O primeiro trabalho foi criar um catálogo pessoal de Iberê, como relembra em texto escrito para o catálogo da mostra “Iberê Camargo: Visões da Redenção”, em 2019.

“Ainda pré-adolescente, eu já tinha fascínio pelo trabalho do Iberê; morava em uma cidade minúscula, sem livraria, sem biblioteca nem banca de revistas. Meu pai, um apaixonado pela natureza e por arte, trazia da cidade maior publicações que falavam de pintores. Lembro-me bem da coleção Gênios da Pintura, com mais de vinte pequenos livros com capa dura, que reproduziam estampas dos principais quadros de cada artista consagrado, com fama mundial. Inconformado, eu garimpava fotos e matérias em revistas – Manchete e, quem sabe, na Revista do Globo ou na Cruzeiro!? – e em alguns fascículos e catálogos que chegavam às mãos. Recortando e colando, criei o exemplar do Iberê Camargo nessa coleção que eu tanto apreciava. Minha quase veneração por esse artista se manteve após adulto e uma admiração única persiste até hoje.

Na metade da década de 1980, tive a sorte e o privilégio de conhecer o pintor entorpecido pela série exuberante com figuras humanas, carga matérica, infindáveis veladuras e pinceladas cheias de fúria. Não podia tê-lo encontrado em momento mais admirável. Eu permanecia imóvel no canto do ateliê, completo silêncio, invisível, assistindo o espetáculo de entrega e criação incomum, talvez única. (...) Acompanhei inúmeras jornadas do artista pela procura dessas imagens que nos ferem com delicadeza, cheias de visualidade e significados. (...) Foi num dia desses, quando o Iberê ainda morava na Rua Lopo Gonçalves, que saímos a pé para mais um percurso no Parque da Redenção. Chegamos na fonte entre árvores, naquele momento riscada pela luz do sol: um cenário de filme. À volta dela, vários mendigos conversavam e lavavam as suas roupas. O artista pareceu iluminado. Apenas com os olhos e a mão em movimento, executou desenhos lindos e fluidos como música. Depois, num gesto de gratidão, pagou os modelos: entregou uma nota de dinheiro a cada um deles e fomos embora. Nesse dia, uma figura me provocou a atenção: o homem flagrado de frente, curvado sobre o espelho d’água da fonte, com o olhar fixo no artista e suas costas acima da própria cabeça, passava uma sensação simultânea de dignidade e de sofrimento, como se estivesse pronto para carregar o peso do mundo. Esse desenho é um dos estopins na minha série de pinturas em preto e branco com figuras curvadas, estreada no desfecho do século passado.”

Desta relação nasceu uma pintura, Gelson Radaelli foi modelo de Iberê por um dia. Sempre prometia voltar para terminar a obra, mas o sucesso do seu restaurante Atelier das Massas, no centro histórico, lhe ocupava todo o tempo. Iberê faleceu e a pintura ficou inacabada, apenas com assinatura atrás, junto ao título: Gelson.

Esta obra integra a pequena mostra que dialoga com a exposição “Um rio que passa”. Complementam “Homenagem a Gelson Radaelli, por Eduardo Haesbaert" três desenhos de Iberê Camargo e outras duas pinturas de Radaelli cedidas pela Galeria Bolsa de Arte.

Posted by Patricia Canetti at 4:52 PM