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setembro 19, 2019

Cildo Meireles no Sesc Pompeia, São Paulo

Exposição Entrevendo, de Cildo Meireles, abre ao público dia 26 de setembro, no Sesc Pompeia, com o maior acervo já exposto do artista na América Latina

Partindo da ideia polissêmica de “sentido”, a antologia com curadoria de Júlia Rebouças e Diego Matos apresenta cerca de 150 obras, dos anos 1960 até os dias atuais, que dialogam com a pluralidade de usos e públicos da unidade projetada por Lina Bo Bardi

A seleção traz grandes instalações nunca expostas no Brasil, como “Amerikkka” e a série completa de “Blindhotland”, além de trabalhos que ganham versões inéditas, como “Missão, Missões (Como construir catedrais)”

O Sesc Pompeia apresenta ao público, de 26 de setembro de 2019 a 2 de fevereiro de 2020, a exposição Entrevendo, de Cildo Meireles. Com curadoria de Júlia Rebouças e Diego Matos, a antologia reúne cerca de 150 obras dos anos 1960 até os dias atuais. Trata-se do maior acervo de Meireles já exposto na América Latina, preenchendo uma lacuna de quase duas décadas sem uma grande mostra nacional do artista, um dos nomes mais importantes da arte brasileira.

Para Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, “a exposição é um percurso educativo pela obra do artista, que exercita a sensibilidade dos visitantes que perpassam o ambiente livre e acolhedor do Sesc Pompeia, e estimula a reflexão para novas apreensões da realidade propostas pelo olhar sensível do artista”. Danilo complementa afirmando que “a instituição cumpre sua missão ao difundir as Artes Visuais a um ampliado público, confirmando que a cultura é intrínseca ao desenvolvimento humano e mola propulsora de transformações que visam ampliar a qualidade de vida de toda a sociedade”, diz.

“Trabalhamos com um conjunto de obras que não foram mostradas no Brasil, ou que foram montadas há muito tempo - queríamos corrigir um lapso de uma ou até duas gerações, em alguns casos. Ainda que não seja uma retrospectiva, há um escopo de trabalhos bem diverso”, afirma Cildo Meireles.

Para desenvolver Entrevendo, a dupla de curadores teve dois pontos de partida, começando pela ideia polissêmica de “sentido” – sensação, compreensão, sinestesia, escala, direção e propósito, presentes na produção de Meireles. “A visão, que é o sentido mais associado às artes plásticas, é descontruída e desafiada em muitos dos seus trabalhos, que nos propõem perceber o mundo de outras formas e desconfiar daquilo que parece verdade”, afirma Rebouças.

A segunda premissa foi o próprio local da exposição. Para a curadora, levar essa mostra para uma instituição não-museológica, com múltiplos usos e públicos, é um gesto contundente e necessário. “Entrevendo foi pensada para dialogar com essa condição democrática e generosa que vemos no Sesc Pompeia. É importante apresentar a produção de Cildo Meireles para um público grande e diverso, fazê-lo participar e se engajar com sua obra, em diferentes linguagens, suportes e temas”, diz.

Com produção e expografia de Alvaro Razuk, a mostra ocupa uma área de mais de 3000m2 no Sesc Pompeia, entre a Área de Convivência, o Galpão e Deck. “Tendo em vista a qualidade arquitetônica do projeto de Lina Bo Bardi e as diferentes atividades que caracterizam a unidade, o projeto curatorial privilegia o amplo acesso e adequação do espaço físico, evitando a construção de novas estruturas ou a descaracterização do entorno”, fala Matos.

PERCORRENDO A EXPOSIÇÃO

Entrevendo, obra que dá nome à exposição, foi projetada por Cildo Meireles em 1970 e realizada pela primeira vez em 1994. A instalação cilíndrica de madeira convida o visitante a entrar e caminhar em direção a uma fonte de vento quente, enquanto derretem em sua boca gelos de água doce e salgada. Entre o claro e o escuro, o frio e o quente, o doce e o salgado, o visitante experimenta sensações que transbordam o campo da visão e deflagram outras maneiras de perceber.

O trabalho estará na Área de Convivência, livre de salas ou paredes, junto com outras grandes instalações do artista, como Amerikkka (1991/2013). Pela primeira vez no país, a obra que já foi exibida em grandes instituições internacionais, como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, em 2013, apresenta aproximadamente 17 mil ovos de madeira e 33 mil balas de armas de fogo. Caminhando sobre a plataforma de ovos e sob a placa de projéteis, é possível refletir sobre uma América marcada por guerras, desde os tempos coloniais, até recentes ataques realizados por organizações de extrema-direita, numa referência à Ku Klux Klan, presente no triplo K do título da instalação.

Missão, Missões (Como construir catedrais) (1987/2019) ganha uma nova versão, em formato circular. Exibida na importante exposição Magiciens de la Terre, no Centro Pompidou de Paris, em 1989, o trabalho é constituído por milhares de moedas, ossos de boi, centenas de hóstias e trata dos processos missionários de catequização dos povos indígenas. “Quis construir uma espécie de equação matemática, muito simples e direta, conectando três elementos: poder material, poder espiritual e uma espécie de consequência inevitável e historicamente repetida dessa conjunção, que foi tragédia”, diz Cildo Meireles.

A obra se relaciona com Olvido (1987-1989), que traz uma tenda indígena coberta por cédulas de dinheiro de países americanos. Situada no meio de uma área circular com toneladas de ossos de boi e circundada por uma parede de velas, a tenda abriga um ruído de motosserra, que se propaga pelo espaço expositivo. Esses trabalhos, em conjunto, discutem a história do Brasil e das Américas, marcadas pela violência colonial que repercute ainda hoje nas estruturas sociais e políticas. Para além de lançar um olhar crítico sobre o passado, a obra de Cildo Meireles se atualiza a cada exibição, de modo a ressignificar questões da contemporaneidade.

Outra grande instalação desta mostra é Antes, obra concebida no ano de 1977 e realizada pela primeira vez em 2003, no Musée d'art Moderne et Contemporain de Strasbourg. Em montagem inédita no Brasil, ela permite ao público subir uma escada que leva a uma plataforma com uma cadeira e uma mesa. Sobre seu tampo, é possível observar uma outra escada, em escala menor, que leva a uma segunda plataforma, de onde parte outra escada. Ao criar uma nova relação de escala tanto com o ambiente expositivo, como com o corpo de quem o experimenta, o trabalho altera a percepção espacial do visitante.

A série Blindhotland (1970), por sua vez, será pela primeira vez apresentada na íntegra. Na Área de Convivência está a icônica Eureka/Blindhotland (1970-1975), cujo nome origina-se da interjeição supostamente pronunciada pelo matemático grego Arquimedes, quando descobriu a resposta para o dilema acerca do volume e densidade dos corpos. Na obra, Meireles experimenta diferentes relações entre peso, densidade e volume de objetos, como nas centenas de bolas de borracha aparentemente idênticas, questionando a dominância da percepção visual.

Podem ser vistos ainda neste mesmo espaço projetos, desenhos, ações, objetos e documentos da série Arte Física (1969), os trabalhos Zero Dollar (1978-1984/2013) e Zero Real (2013), a série Malhas da Liberdade (1976/2008), os projetos de Volumes virtuais (1968-1969), e Ocupações (1968-1969), entre outros.

No Galpão, a exposição assume uma proposta museológica com paredes e vitrines, apresentando desenhos e objetos, como Razão/Loucura (1976), Rodos (1978-1981) e Esfera Invisível (2012). Também estará presente parte das séries Espaços virtuais: Cantos (1967-1968/2008/2013), um dos primeiros trabalhos instalativos de Cildo Meireles.

Nesta área do Sesc Pompeia encontra-se ainda a instalação Volátil (1980/1994). Para chegar a uma sala escura, iluminada por uma única vela, o visitante percorre descalço um caminho instável, impregnado de cheiro de gás. Segundo o artista, a obra é “uma tentativa de associar sensação e emoção, produzindo um elo quase instantâneo, também ligado por esta região do medo”.

Com outras duas grandes instalações, a exposição ganha um caráter ainda mais participativo e público no Deck, “quase um jogo ou brincadeira, qualidades que na obra de Meireles abandonam seu caráter meramente lúdico para tratar de negociações entre espaços de poder e relações sociais ”, de acordo com Rebouças.

Blindhotland/Gueto (1975), montada uma única vez na década de 1970, traz bolas esportivas, como de vôlei e futebol, preenchidas por diferentes materiais. Assim como Eureka/Blindhotland, a obra desconstrói a relação direta entre tamanho e peso, provocando no visitante uma desorganização cognitiva e convidando-o a jogar em um território incerto. Já o trabalho (Entre. Parêntesis) (2005/2007) propõe ao visitante entrar entre dois semicírculos e experimentar um momento de digressão, protegido do ambiente externo e das narrativas que o circundam.

SOBRE O ARTISTA

Cildo Meireles (Rio de Janeiro, 1948) é artista multimídia. Iniciou seus estudos em arte em 1963, na Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília, orientado pelo ceramista e pintor peruano Barrenechea (1921). Em 1967, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde estuda na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Nesse período, cria a série Espaços Virtuais: Cantos, com 44 projetos, em que explora questões de espaço, desenvolvidas ainda nos trabalhos Volumes Virtuais e Ocupações (ambos de 1968-1969). É um dos fundadores da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1969, na qual lecionou até 1970. O caráter político de suas obras revela-se em trabalhos como Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970) e Quem Matou Herzog? (1970). No ano seguinte, viaja para Nova York, onde trabalha na instalação Eureka/Blindhotland e na série Inserções em Circuitos Antropológicos. Após seu retorno ao Brasil, em 1973, passa a criar cenários e figurinos para teatro e cinema e, em 1975, torna-se um dos diretores da revista de arte Malasartes. Desenvolve séries de trabalhos inspirados em papel moeda, como Zero Cruzeiro, Zero Centavo (ambos de 1974-1978) e Zero Dólar (1978-1994). Em 2000, a editora Cosac & Naify lança o livro Cildo Meireles, originalmente publicado, em Londres, em 1999, pela Phaidon Press Limited. Participa das Bienais de Veneza, 1976; Paris, 1977; São Paulo, 1981, 1989 e 2010; Sydney, 1992; Istambul, 2003; Liverpool, 2004; Medellín, 2007; e do Mercosul, 1997 e 2007; além da Documenta de Kassel, 1992 e 2002. Tem retrospectivas no IVAM Centre del Carme, em Valência, 1995; no The New Museum of Contemporary Art, em Nova York, 1999; na Tate Modern, em Londres, 2008; e no Museum of Fine Arts de Houston, 2009. Recebe, em 2008, o Prêmio Velázquez de las Artes Plásticas, concedido pelo Ministerio de Cultura da Espanha. Em 2009, é lançado o longa-metragem Cildo, sobre sua obra, com direção de Gustavo Moura. Entre a últimas individuais estão no Itaú Cultural, São Paulo (2010); Centro de Arte Reina Sofia, Madrid (2013); Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto (2013-2014); Galeria Luisa Strina, em São Paulo (2014); e Galerie Lelong, em Nova York (2015).

SOBRE OS CURADORES

Júlia Rebouças (Aracaju, Brasil, 1984) é curadora, pesquisadora e crítica de arte. É curadora do 36º Panorama da Arte Brasileira: Sertão, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, de agosto a novembro de 2019. Foi co-curadora da 32a Bienal de São Paulo, Incerteza Viva (2016). De 2007 a 2015, integrou a curadoria do Instituto Inhotim, Minas Gerais. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, como curadora, na comissão dos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil, em São Paulo. Foi curadora adjunta da 9a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Se o clima for favorável, em 2013. Realiza diversos projetos curatoriais independentes, dentre os quais destaca-se a exposição Entrementes, da artista Valeska Soares, na Estação Pinacoteca, São Paulo, de agosto a outubro de 2018, a mostra MitoMotim, no Galpão VB, São Paulo, de abril a julho de 2018 e Zona de instabilidade, com obras da artista Lais Myrrha, na Caixa Cultural Sé, São Paulo, em 2013, e na Caixa Cultural Brasília, em 2014. Integrou o corpo de jurados do concurso que selecionou o projeto arquitetônico e curatorial do Pavilhão do Brasil na Expo Milano 2015, concurso realizado em janeiro de 2014, em Brasília. Escreve textos para catálogos de exposições, livros de artista e colabora com revistas de arte. Graduou-se em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). É mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (2017).

Diego Matos (Fortaleza, 1979) é pesquisador, curador e professor; mestre (2009) e doutor (2014) pela FAU-USP. Defendeu a tese Cildo Meireles – Espaço, Modos de Usar. É organizador, com Guilherme Wisnik, do livro Cildo: estudos, espaços, tempo (Ubu Editora, 2017). Foi um dos curadores do 20o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (Sesc Pompéia, 2017). Foi coordenador de Acervo e Pesquisa da Associação Cultural Videobrasil (2014-2016). Foi também assistente de curadoria da 29ª Bienal de São Paulo (2010), sendo editor do site; membro do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake (2011 – 2013); curador assistente do 18º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2013). Realizou a curadoria das exposições coletivas Da Próxima Vez Eu Fazia Tudo Diferente (Pivô, inauguração da instituição em 2012) e Quem nasce pra aventura não toma outro rumo (Paço das Artes, 19º Festival Sesc_Videobrasil), entre outros projetos curatoriais e de pesquisa. Foi professor substituto da Universidade Federal do Ceará (2005). Atua como professor em centros de ensino de arte e arquitetura em São Paulo (Instituto Tomie Ohtake, Escola São Paulo, Centro de Pesquisa e Formação do Sesc e outras unidades do Sesc São Paulo).

Posted by Patricia Canetti at 12:36 PM