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abril 2, 2018

Manata Laudares na Sé Galeria, São Paulo

No sábado, 7 de Abril de 2018, acontece a abertura da exposição After Nature, primeira individual do duo Manata Laudares em São Paulo, na Sé. Os artistas ocupam todo espaço expositivo com trabalhos inéditos e históricos, que vêm sendo produzidos desde 1998 nos mais diversos suportes. A exposição marca o início da representação da dupla carioca pela Sé Galeria.

After Nature é a primeira individual do duo, composto pelos artistas Franz Manata e Saulo Laudares, em uma galeria em São Paulo. Os artistas, que vêm trabalhando à margem do mercado de arte formal, têm desenvolvido trabalhos abertos, em processo e colaborativos.

“Não se trata de resistência, mas, sim, opção política e conceitual”, afirma Manata. Ao longo dos anos, enquanto desenvolvem seus projetos, os artistas “editam o mundo” e realizam o que chamam de “produtos” ou “desdobramentos” do trabalho, que são apresentados nesta mostra na Sé Galeria.

Segundo a crítica Lisette Lagnado, que assina o ensaio para o livro e o texto de apresentação da exposição: "Nesse momento em que o digital e o virtual investem um poder de inclusão do outro, cabe examinar propostas que se mantiveram à margem da lógica da manufatura de um objeto puro. Compartilhar, colaborar e transferir ao público o uso de 'produtos' são as três operações fundamentais que norteiam um percurso cuja visibilidade permaneceu oculta do sistema formal de mercado, mesmo atuando intensamente na economia política das artes."

AFTER NATURE

A série After Nature surgiu em 2008, a partir da instalação sonora realizada no “Recanto dos animais”, no Aterro do Flamengo, RJ, e contemplada com o Prêmio Interferências Urbanas daquele ano (imagem 01).

A instalação já foi realizada em outros sítios e é composta por uma trilha sonora feita a partir da ecologia acústica do próprio local. Sons de pássaros, animais e vestígios humanos são somados a texturas e filtros, para depois serem reproduzidos em pequenos alto-falantes posicionados na copa das árvores.

Segundo Lisette Lagnado: “O duo cria um ambiente sintético-real, trazendo reminiscências conceituais (de John Cage a Guilherme Vaz) para repropor a poética em extinção dos passeios românticos. O conceito de panorama, anterior à invenção da fotografia, retorna aqui no tema da paisagem, com elementos reais, sonoros e representados. Talvez seja possível creditar à sua origem mineira a parcela de afinidade com uma melancolia difícil de ser nomeada, nó górdio que os artistas não desatam como meio de resistência ao movimento irremediável da proliferação de híbridos.”

Para os artistas, “After Nature abre na paisagem uma pequena trilha e convida o passante a desacelerar o ritmo da vida contemporânea, ao mesmo tempo que fala sobre prazeres: orgânicos, sintéticos, eletrônicos, sonoros... E trata daquilo que “parece ser” e que confunde nossos sentidos.”

A EXPOSIÇÃO

No primeiro andar da Sé Galeria, o duo apresenta os produtos derivados da série After Nature, que refletem sobre como é viver em um mundo mediado pelas experiências virtuais e, ao mesmo tempo, permeado pela memória da tradição. Apresentam trabalhos que dialogam com os mais diversos suportes: desenhos, pinturas, esculturas, bordados, objetos sonoros e instalações.

SP 8 Bits - Um tríptico feito em tapeçaria bordada em ponto cruz mostra uma vista aérea da cidade de São Paulo em sua mais alta densidade, convertida em 8 bits. A série - que é realizada a partir de imagens dos locais afetivos e de trabalho do duo - surge pela primeira vez em 2012, com a captura de uma imagem que mostra o Leme - bairro da Zona Sul do Rio, lar e ateliê do duo - em um site de geolocalização que comemorava os 25 anos do lançamento da primeira imagem em 8 bits.

Nesse jogo lúdico de “ida e volta” os artistas misturam técnicas e procedimentos, cruzando o erudito com o popular para apresentar duas esculturas em bronze que mimetizam peças de artesanato e utilitários: “Quem fez isto comigo?”, um pequeno pássaro sobre uma base-pódium, e “Ninho”, uma caixa de mercado popular que traz meia dúzia de ovos pousados sobre feno.

O pequeno pássaro brasileiro dançador-de-coroa-dourada descoberto em 1957 e dado como extinto, foi redescoberto em 2012 e é o mote para vários trabalhos. Uma gravura apresenta o pássaro transformado em pixel e enclausurado em sua moldura (imagem 02). O mesmo pássaro, pixelizado, transforma-se na escultura em 3D "Até parece que viu passarinho verde" (imagem 03).

No final de 2017, pesquisadores canadenses anunciaram que o Dançador era primeira espécie híbrida de pássaros da Amazônia, algo raro e que foi atestado apenas cinco vezes na natureza. Ele é resultante do cruzamento de duas espécies distintas: ouirapuru-de-chapéu-branco e o dançador-de-coroa-prateada. Inspirados nessa outra parte da história, os artistas apresentam na aquarela "Delírio" uma cena que flagra os três pássaros a contemplar uma antiga caixa de som.

Este ambiente onírico se completa com uma instalação After Nature Tiradentes, com os sons da ecologia acústica de uma manhã de outono na cidade mineira onde sons de pássaros, animais e charretes se misturam às vozes de crianças, ao sino da igreja e outros eventos. O trabalho foi apresentado na programação da Radio documenta 14 - Every time a ear di soun', em 2017.

SOBRE O DUO

O duo teve início em 1996, em Belo Horizonte MG, a partir da observação dos artistas sobre o universo do comportamento e da cultura da música eletrônica contemporânea e, desde lá, o pensamento cresceu.

“Atuamos na membrana do sistema e na formação de artistas, gostamos de agir como ‘catalisadores’, acelerando os processos.” ressalta Manata.

Os artistas afirmam seu interesse em atuar na “economia política da arte” criando espaços de convivência e troca de informações que podem assumir vários formatos (residências, workshops, instalações e programas em processo). A estratégia passa pela utilização de signos universais, tais como: cantos de pássaros, batidas do coração, quebra-cabeças, a forma do alto falante ou o próprio, como artifícios utilizados na construção de uma rede que aguça os sentidos dos participantes.

O som, no trabalho do duo, atua como “dispositivo social” e tem valor agregador e possibilitador. Ele promove um resgate da memória e o intercâmbio cultural, sem pedir especialistas, ao mesmo tempo em que é tratado como um canal de afeto.

“Nossas atividades sonoras são capazes de agregar tanto iniciados quanto os que não têm acesso aos discursos acadêmicos e aos espaços específicos do sistema, como as galerias e salões.” diz Laudares. Os artistas propõem arte contemporânea na forma de mediação e intervenção pública ao afirmar: “Nós somos o Sistema de Som (SoundSystem)”.

Posted by Patricia Canetti at 2:00 PM