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março 29, 2017

Fyodor Pavlov-Andreevich no MAC USP, São Paulo

Artista russo faz performance e fica pendurado a 40 metros de altura por 7 horas

Para chamar a atenção para a escravidão e o racismo, Fyodor Pavlov-Andreevich faz performance na inauguração de sua exposição Monumentos Temporários. Fotoinstalações e microfilmes das atuações anteriores ficam em cartaz de 1 de abril a 13 de agosto no MAC USP, em São Paulo.

Levar seu corpo ao limite para rememorar a dor e a humilhação daqueles que foram e ainda são escravizados nos dias de hoje. Esta é a proposta do artista russo Fyodor Pavlov-Andreevich, um dos principais performers da Rússia contemporânea, na série Monumentos Temporários que chegará ao Museu de Arte Contemporânea da USP no dia 1 de abril.

Depois de pré-estreia no Centro de Arte Contemporânea Winzavod, em Moscou, a exposição, agora completa, chega ao público brasileiro com instalações fotográficas, microfilmes (colaboração do videoartista alemão Ilya Pusenkoff) e performance do artista na inauguração. Fyodor Pavlov-Andreevich ficará pendurado a 40 metros de altura, no topo do edifício do MAC, a céu aberto, segurando uma longa faixa que chama a atenção do público para a escravidão contemporânea: a escravidão do pensamento que se dá por meio do racismo. Esta será a última das sete performances que o artista realiza desde 2014 sobre o tema.

Há quatro anos Fyodor Pavlov-Andreevich está imerso em intensa pesquisa sobre a escravidão histórica e contemporânea no mundo, em especial no Brasil. As cenas montadas pelo artista recriam situações tanto históricas quanto contemporâneas. Na primeira performance, por exemplo, Fyodor escalou um coqueiro e ficou agarrado ao tronco, a 10 metros de altura, por sete horas, em referência aos escravos que escalavam as árvores, escondidos na noite, em busca de sementes para contrabandear e tentar conseguir dinheiro para comprar alforria. Na quinta performance, no Rio de Janeiro, caminhou por sete horas com um pesado cesto na cabeça para relembrar uma das humilhantes obrigações dos escravos brasileiros: levar e despejar as fezes de seus senhores no mar. Na sexta atuação, o artista relembrou o caso do jovem de 14 anos, negro, suspeito de furto, que foi violentamente agredido, deixado nu e preso com uma trava de bicicleta a um poste, na zona sul do Rio de Janeiro. De pele muito alva e loiro, Fyodor atou-se a um poste, nu e ficou lá por sete horas e escancarou a distinta reação dos passantes.

Todas as performances realizadas foram captadas em fotos e vídeos e agora compõem a exposição Monumentos Temporários, que traz um olhar do artista sobre o material captado. Sobre a efemeridade da performance, o artista acredita que ela pode perdurar por ainda mais tempo do que os monumentos estáticos. “Não acredito em monumentos eternos. Com o passar das décadas eles perdem a comoção do contexto inicial e se tornam meros elementos arquitetônicos. Acredito em monumentos temporários. Aqueles que existem no espectro de um horizonte temporal fixo, marcados por trabalho físico intenso. Uma estrutura mutável, porém com um senso continuo da energia do momento”, explica Fyodor.

“Para Fyodor, resistir ao risco, físico e psicológico, é ser honesto diante da experiência da performance, respeitá-la em sua integridade”, explica Ana Avelar, curadora da exposição. “Os monumentos temporários são objetos que se constituem de meios diversos – a foto, a performance, o objeto – e não pretendem se fixar na paisagem”, completa.

SOBRE O PROJETO

Monumentos Temporários é uma série de sete performances, realizadas entre 2014 e 2017, com duração de sete horas cada. As performances dizem respeito à história e à modernidade do trabalho escravo no Brasil, e também à resistência à ele, desde os primeiros tempos até hoje.

Por meio de uma instalação fotográfica, Fyodor documenta seus monumentos temporários: aqueles que não existem fisicamente depois de completar o seu tempo performativo, mas marcam a história como um acontecimento singular e uma atitude.

As performances representam sete cenas de castigos impostos historicamente a escravos, emprestados da história brasileira.

Embora o trabalho do artista se baseie no contexto social, político e cultural brasileiro, o projeto é global, uma vez que a situação do trabalho escravizado se dá numa esfera mais ampla, extrapolando o contexto nacional. "Meu trabalho não é sobre uma nação em particular. Sou russo, passo meu tempo entre lá e o Brasil. Os dois países estão lutando para lidar com o pesado legado do patrimônio totalitário: muitos brasileiros ainda se consideram proprietários de escravos, ou até mesmo escravos, ao passo que os russos se consideram a melhor e a única nação do mundo, ainda que o país ocupe a 7ª posição no Índice de Escravidão Global. Hoje, 1,4 milhões de trabalhadores na Rússia consideram-se escravos devido às condições severas de trabalho e de vida, principalmente aqueles vindos do Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão, e, somando-se a isto, sofrem também com ataques e manifestações xenofóbicas, de ódio e de violência física. O meu projeto é sobre como o trabalho escravo continua a existir, de uma forma ou de outra, na cabeça, no corpo, nas práticas e nas condutas de cada um de nós.

Fyodor Pavlov-Andreevich nasceu em Moscou e atualmente divide residência entre Moscou, Londres e São Paulo. Historiador de literatura e com background em teatro e escrita, Fyodor começou a fazer performances em 2008. Seus primeiros projetos foram imediatamente notados no mundo da arte: em 2009, o curador Hans-Ulrich Obrist o convidou para fazer parte de mostra do grupo de arte de performance - Marina Abramovic Apresenta - na galeria de Whitworth, como parte do Festival Internacional de Manchester, com seu trabalho vivo Minha Boca É Um Templo. Em 2010 o diretor do museu do MoMA PS1, Klaus Biesenbach, e a fundadora da Bienal Performa, RoseLee Goldberg, incluíram a Egobox no International Performance Festival (CCC "Garage", Moscou). As exposições individuais de Fyodor foram exibidas em museus e centros de arte em todo o mundo, incluindo CCSP (São Paulo), Kuenstlerhaus (Viena), Faena (Buenos Aires), CCBB (Brasília), e para citar apenas algumas galerias: Paradise Row (Londres), Stanislas Bourgain (Paris), NON (Istambul), Pechersky (Moscou) e Deitch Projects (NYC). Performance Carrossel de Fyodor foi exibido na Áustria e na Argentina e foi premiado com o Grand-prix do prêmio de Kuryokhin.

Posted by Patricia Canetti at 12:57 PM