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agosto 5, 2015

João Castilho na Zipper, São Paulo

Um dos nomes de maior destaque da fotografia brasileira contemporânea, João Castilho é tema de uma nova individual na Zipper Galeria. Intitulada Porcelana e Vulcão, a mostra reúne uma série de obras inéditas que aprofundam sua pesquisa conceitual e formal no campo da fotografia e do vídeo. Além disso, ele apresenta ainda obras de inspiração escultórica, uma nova vertente de sua produção.

De acordo com o artista, os trabalhos reunidos relacionam-se com ideias e imagens associadas aos materiais apontados no título – entre a leveza e delicadeza da porcelana e o peso e fúria do vulcão. Há uma vontade de ruptura com a permanência das coisas e dos seres no mundo. Porém, segundo ele, a angústia da estagnação não é um estágio que possa ser vencido com facilidade; é um estado permanente.

Na foto-instalação "Corte" (2015), dezenas de fotografias de tamanhos variados exibem fendas, fissuras e cortes em esculturas de ferro. A escultura em resina "Cão" (2015), por sua vez, mostra um cachorro tentando morder a própria cauda. No vídeo "Alvo" (2015), vemos um suporte atingido por várias flechas simultaneamente.

Outra série iniciada pelo artista este ano são as colagens “Dinheiro Pintado” (2015), feita com um conjunto de notas de R$ 10 manchadas com uma tinta vermelha quando retiradas de caixas eletrônicos em tentativas de roubo. Já o grupo três esculturas em cerâmica “Irreversíveis” (2014) mostra jabutis posicionados de cabeça para baixo. A exposição traz ainda duas fotografias da premiada série “Zoo” (2014-2015).

Os trabalhos de João Castilho têm inspiração na literatura, na arte, na cultura popular, na atualidade e em sua própria história, oscilando entre a memória pessoal e coletiva. Explora temas existenciais e políticos da vida e da morte, do bem e do mal, da inocência e da culpa, da pulsão e do medo.

As obras presentes na exposição carregam um tipo de anulação, de força imutável, como se os seres – homens, animais - tivessem muita dificuldade de sair do estado em que se encontram. Como num pântano. As obras apresentam problemas insolúveis e questionam o mito do progresso.

João Castilho (Belo Horizonte - MG, 1978) é mestre em artes visuais pela UFMG. Entre suas exposições individuais recentes destacam-se: “Prélio”, Galeria Arlinda Corrêa, no Palácio das Artes, Belo Horizonte; “O Futuro Avança Para Trás”, na Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte, em 2014; “Caos-Mundo”, no Galpão 5 - Funarte MG, Belo Horizonte e Zipper Galeria, São Paulo, em 2013; e “Disruption”, 1500 Gallery, Nova York, EUA, em 2012.

Participou de diversas exposições coletivas, entre as quais: “Singularidades/ Anotações”, no Itaú Cultural, São Paulo; “Punto de Quiebre”, na Beatriz Gil Galería, Caracas, Venezuela; “Cães Sem Plumas”, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife; “Decifrações”, no Espaço Cultural Contemporâneo, Brasília; “ Duplo Olhar”, no Paço das Artes, São Paulo; e “O que temos para o almoço”, Funarte MG, Belo Horizonte, todas realizadas em 2014. Ainda, Bienal Internacional de Curitiba, Curitiba; 1a FotoBienalMasp, no Museu de Arte de São Paulo, São Paulo; “13 Brazilian Photographers”, no Centre for Contemporary Photography, Ljubljana, Slovenia; “Coleção Itaú de Fotografia Brasileira”, no Palácio das Artes, Belo Horizonte; “Coleção Itaú de Fotografia Brasileira”, no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo; “Convite à Viagem”, Rumos Artes Visuais, no Paço Imperial, Rio de Janeiro; e “Imagem Mi(g)rante”,
na Zipper Galeria, São Paulo, todas em 2013.

João recebeu os prêmios: Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte (2015), Bolsa de Fotografia Zum/IMS (2014), Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2013), Prêmio Ibram de Arte Contemporânea (2012), Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (2010), Prêmio Fundação Conrado Wessel de Arte (2008) e Prêmio Porto Seguro de Fotografia (2006).

Posted by Patricia Canetti at 10:00 AM