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novembro 14, 2019
V.E.R.V.E por Fausto Fawcett
ENTUSIASMOS FURIOSOS atiçam as sociedades terrestres nos dias que correm mais do que a nossa vã percepção pode alcançar. Todos parecem estar tomados por uma curiosa e arrebatadora
Acendendo a fogueira das precariedades nas MANCHAS URBANAS habitadas pela boa e velha mistura do SUPERNINGUEM COM TODOMUNDO, habitadas por batalhas incessantes pela sobrevivência via obtenção de alguma ração afetiva( de autoestima, familiar, profissional, sexual, religiosa,fetichista, de solidão regeneradora, etc) mesmo quando já se tem comida, moradia, alguma grana regular, alguma socialização cotidiana. Todas as precariedades atiçam uma furiosa
Daí que ansiedades muito antigas hoje estão incrivelmente aceleradas e ganham a denominação de
TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE APOCALIPTICA
provocados não apenas pelas batalhas psicológicas, psíquicas, psiquiátricas, sociais, individuais pelas rações de afeto que são conquistadas e agarradas a todo custo ou ( a maioria) que se esvaem pelo ralo do dia a dia mas também pela avalanche contínua e diária de revelações sobre o comportamento da mente e do coração, dos hormônios afetivos e das inconsciências do ser humano escancarando o PESADELO DA TRANSPARENCIA
ABSOLUTA NA DIVULGAÇÃO DE TUDO.
Somos terrivelmente mitômanos, precisamos amar pra aliviar a autoconsciência da MORTE que é quem manda nessa porra toda como diz o povo . Amamos ilusões de todo tipo, somos religiosos ate com uma sobremesa, temos que acreditar que ela vai ser gostosa e aí.... Amamos acreditar, crer, ter fé até no ceticismo, ser ateu qualquer imbecil é, a merda é ter que acreditar em si mesmo como ultimo refugio e aí ...Somos MITÔMANOS DE RAIZ e agora, graças as redes sociais e a tecnologia digital onipresente, somos mais do que nunca acumuladores compulsivos de MIRAGENS MOTIVACIONAIS, fake news dos afetos, evasão de privacidade, seres humanos pré pagos precisando de recarga emocional e PAVLOVIANAMENTE CADASTRADOS.
Só a comoção midiática provoca solidariedade? ACUMULADORES COMPULSIVOS de
provocada por redes de anarquias tirânicas porque a democracia esqueceu de pagar o dizimo relativo a IGREJA DO SENTIMENTO POLITICO dentro das pessoas e as anarquias tirânicas chegaram junto na atualidade pagando direitinho esse dizimo . Elas são responsáveis por grande parte da
Contemporânea que também é provocada pela exigência alucinante de preparo profissional em mutação o tempo todo gerando novidades no assim chamado MUNDO DO TRABALHO em contraste com as hordas de fudidos que ficarão a deriva sub aproveitados ou nem isso vivendo em BECOS DE IRMANDADES, nacionalidades improvisadas à margem do cinturão de mercados, que vão incrementar a
provocada principalmente pela carência de grandeza espiritual que há muito não faz parte das nossas vidas (espiritualidade é uma coisa que dá e passa, qual a sua operadora? Jeová, Maomé, Jesus Cristo, Animista, Alan Kardec, Marx, Hitler, Sade, Pokemon, Blavatsky, Kali ?) cheias de improvisada e perturbada
Somos incapazes de qualquer elevação, no máximo uma, como é que se diz hoje em dia ?, ah! Empatiazinha aliviadora de alguma culpa ou afirmando algum egoísmo já que orgulho e vaidade também atravessam as boas ações e dizemos que a
ainda nos dá alguma honra trágica alertando-nos para o fato de que ainda somos primitivos e sentiremos sempre um mal estar com a civilização pois alguma coisa nunca se encaixa, porque eticamente, moralmente não existe evolução nem progresso e a tal honra trágica surge sangrenta e desesperada quando a tecnologia cutuca com vara digital curta a fera que uiva, ruge, se move no âmago do nosso chassis nervoso como ultima esperança de sentido pra vida. .Esperança de sentido amoroso pra vida é o truque mor da evolução pra manter acesos nossas mentes e corações enquanto a Morte manda sinais todos os dias da nossa insignificância.. Esse uivo, esse rugido é a veemência da intensidade que vem do básico instinto de realização de alguma coisa brilhante a qualquer custo. Sem motivo social ou econômico ou financeiro ou familiar ....Contrariando os tarados por justificativas a VERVE escancara que os atos extremos provocados por alguma pessoa não são provocados por alguma coisa que aconteceu com ela. A pessoa é que resolveu ACONTECER AO EXTREMO não interessa de que forma.
NADA JUSTIFICA O QUE ACONTECE PRA VALER
é um dos motes da
Que assola o planeta.
Vórtice
Extremo
Radical
Vírus
Entidade
Vórtice
Radical
Extremo
Vírus
Entidade
Vórtice
Radical
Extremo
Vírus
Essas são as palavras que compõem, dão sustentação, inspiração e direcionamento ao projeto V.E.R.V.E que chega a Galeria Artur Fidalgo nesse Novembro de 2019.
A dupla de artistas (e muito mais) Marcos Bonisson e Khalil Charif fizeram o curta Kopacabana a partir de uma colagem de registros antigos, verdadeiros tesouros de imagens do lugar mais icônico e carismático do país, misturados, mixados com imagens, registros atuais, registros feitos por eles mesmos. Montagem que faz uma rasante, contundente e divertida biópsia visual do bairro emoldurada pela certeira trilha sonora do musico Arnaldo Brandão e pela narração de tom épico empreendida pelo escritor e compositor Fausto Fawcett.
O projeto V.E.R.V.E consiste numa trilogia que começa com uma pequena mancha urbana famosa, síntese de tudo no Rio e vórtice de propagações, promiscuidades, contaminações, poluições, pornografias – Kopacabana-e vai continuar sua saga enveredando por outras duas entidades ( segredo de status ainda) celebradoras dos vórtices dessa era de extremos, de suculentas radicalidades que transformam pessoas e grupos em vetores de não se sabe o que, entidades viralizantes, catastróficas, aguçando nossa sensação térmica de aquecimento social global provocando transtornos de personalidade apocalíptica que se expressam com
V.E.R.V.E intensa.
Kopacabana sempre foi isso e Khalil e Bonisson transmitem no curta essa potencia de aglomerado urbano desafiado pela potencia da mais bela praia urbana do mundo.
Khalil, Fawcett & Bonisson apresentam na Galeria Artur Fidalgo KOPACABANA primeira parte do projeto
V.E.R.V.E
FF
V.E.R.V.E., Artur Fidalgo Galeria, Rio de Janeiro, RJ - 13/11/2019 a 29/11/2019
novembro 12, 2019
Exposição Animal por Anette Hoffmann
Ser pouco ágil, destituído de recursos agressivos como unhas e dentes afilados, o homem do paleolítico tinha a constituição mais próxima de uma presa. Nas paredes dos ambientes mais resguardados das cavernas que habitava, desenhou cenas de seu cotidiano, onde os animais eram presença constante. Não o movia nenhum propósito estético, mas mágico. Como mágica era sua relação com a natureza. Os desenhos o relacionavam simbolicamente com as forças, para ele sobrenaturais, que nela se manifestavam. Temia e ao mesmo tempo respeitava as qualidades dos animais. Dotado de um cérebro diferenciado, desenvolveu artefatos e uma organização social que lhe permitiram dominar a natureza. Domesticou o animal, usou-o em seu proveito. Usou sua força no trabalho e na guerra. Esfolou-o para vestir-se. Nutriu-se de sua carne e de seu leite. Humilhou-o para divertir-se. Mas os mistérios mais profundos da natureza e de suas criaturas não se revelavam ao assédio de seus instrumentos e de sua inteligência. O animal alimentou pelos séculos afora seu imaginário. Viu-o ora como um deus, ora como aparentado aos demônios. Imolou-o em seus altares por vê-lo como um elo privilegiado, capaz de intermediar seu contato com os deuses. Perscrutou suas vísceras na tentativa de decodificar mensagens divinas que lhe revelassem o destino. Na inquietude de se auto-definir, usou-o como um referencial ora próximo, ora distante, ora igual, ora completamente outro. No imaginário e nos mitos de muitas culturas, as fronteiras entre o homem e o animal foram frequentemente cruzadas. No sentido oposto, sobretudo na cultura ocidental, ao propor um ordenamento do mundo natural, o homem atribuiu ao animal uma posição subalterna. No afã de defender seu sistema filosófico, Descartes destituiu-o de sua animalidade, comparando-o a uma máquina, incapaz, pois, de experimentar o sofrimento. Na esteira de seu pensamento, a ciência moderna, em nome de um pretenso progresso, imolou-o no altar dos laboratórios. A partir do século XVIII os naturalistas e na seqüência os etólogos, passaram a estudar os animais independentemente do proveito que poderiam trazer para o homem. Em decorrência destes estudos, as fronteiras entre homem e animal revelaram-se cada vez mais porosas. Primatólogos propõem ampliar as fronteiras do gênero Homo para nele incluir os chimpanzés. Filósofos e cientistas nos conclamam a rever nosso conceito de humanidade. Com isso, surge um conflito crescente entre as novas sensibilidades despertadas pelo conhecimento e os fundamentos materiais da sociedade humana.
Longe de esgotar-se, a complexidade das relações homem-animal povoa, sob novas formas, o imaginário contemporâneo. A obra Bicho de Lygia Clark materializa esta percepção: o animal, como o homem, não é redutível a um plano único. Muitas aberturas são possíveis. Aberturas que a própria natureza propiciou. Mas que, de forma assustadora, a ciência e a tecnologia ampliaram: os trans-gênicos e os clones engendrados nos laboratórios, levam-nos à possibilidade de um futuro pós-humano, como mostram as inquietantes obras de Rodrigo Braga e Eduardo Kac. Isto num momento em que sequer sabemos definir o que caracteriza a nossa humanidade.
No sentido oposto, surge um movimento de resgate de nossa relação com o animal, de renovação de um pacto rompido pela postura utilitarista. Muitos artistas estendem ao animal um olhar indagador, sensível a suas qualidades. O animal, insondável e inquietante, tem um lugar central na obra de Goeldi. Como muitos viajantes que no passado aportaram no Novo Mundo, Ivan Serpa constrói um bestiário pessoal, numa espécie de inquietante transgenia poética. Marcello Grassmann percebe o animal como um espelho no qual se refletem as múltiplas facetas de seu próprio ser. Valeu-se desta percepção para desenvolver a capacidade de evadir-se em outras vidas, num procedimento metamórfico capaz de levá-lo ao fundo de si próprio. Dentro de uma concepção anímica, muito presente em sua produção artística, Mario Cravo Neto promove fusões que propiciam ao homem acesso, mediado pelos animais, ao sagrado imanente na natureza.
A exposição ANIMAL nos mostra o fascínio que em todas as épocas, o animal despertou na mente humana. Pela beleza, como mostram algumas obras expostas, mas também pelo mistério. Mistério que nos envia de forma inclusiva, ao interior de nós mesmos, idéia tão bem expressa nos versos de Oliviero Girondo: “Eu, pelo menos, tenho a certeza que não poderia suportá-la (a vida) sem esta aptidão de evasão, que me permite transferir-me onde não estou: ser formiga, girafa, pôr um ovo e, o que é mais importante ainda, encontrar-me comigo mesmo no momento em que havia me esquecido, quase completamente, de minha própria existência”.
Na contramão desta forma de relação mediada por laços de phillia, as figuras animais, que povoam a intimidade de um quarto de dormir na obra de Ana Elisa Egreja, evocam um movimento de distanciamento. Num mundo dominado por relações mercadológicas e pela cultura de massa, os espaços são preenchidos com zumbis, na mesma medida em que tudo, o animal e o próprio homem são esvaziados de sua interioridade.
Animal, Galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, SP - 13/11/2019 a 08/02/2020
Animal, Galeria Marcelo Guarnieri, São Paulo, SP - 22/11/2019 a 08/02/2020
