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novembro 7, 2019

Campo de força (I) por Mercedes Lachmann

Campo de força (I)

MERCEDES LACHMANN

Campo traz a noção de estrutura, matéria, continuidade. Força denota energia, matéria, potência. Matéria é o elo entre campo e força, é o que ancora a estrutura, reverbera como energia, gerando uma determinada potência de modo contínuo. Quando se trata de matéria, o fato de uma coisa suceder à outra produz a contiguidade, o ser contíguo. Tudo que é vida tem materialidade, e, portanto, é um campo de força em si. Tudo que foi vida reverbera a memória da matéria e também constitui um campo de força.

Campo de força é uma determinada estrutura, uma tessitura invisível, que se estabelece a partir da energia e potência da matéria, reverberando no tempo e no espaço.

A conexão e a integração de tipos de matérias que compartilham uma determinada vibração energética constituem um campo de força, no qual operam circuitos e fluxos de comunicação. Uma mata, um rio, seus afluentes e nascentes, um jardim de ervas medicinais, flores, rochas e cadeias de montanhas, uma determinada altitude e temperatura realizam coletivamente um sistema de trocas de alta potência. Sutileza é a chave para penetrar e se conectar com essa força generosa, silenciosa, disponível, suave e também profunda, aguda, intensa, transformadora.

Campo de força (I) articula conceitos ambíguos, propondo o transporte poético de um lugar que está em outro lugar. Cápsulas guardam qualidades alquímicas, a memória de um campo, deslocado, a intensidade de forças de uma rede de matérias, em reversibilidade. Elas aguardam a ação do outro para que o elo possa se estabelecer, acionando o ritmo, a frequência, o campo.

Mercedes Lachmann - Campo de força (I), Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ - 11/11/2019 a 19/12/2019

Posted by Patricia Canetti at 11:43 AM

novembro 5, 2019

Poderia ser uma frase comum... por Alexandre Sá

“E se o espaço é na linguagem de hoje a mais obsessiva das metáforas, não é porque ele se oferece a partir de agora como o único recurso, mas porque é no espaço em que a linguagem se desdobra desde o início do jogo, desliza sobre si mesma, determina suas escolhas, desenha suas figuras e suas translações.”
Michel Foucault

Para quem se abrem as portas é o título dessa exposição coletiva que reúne sete artistas com trajetórias e trabalhos distintos. O que os conecta é, além do óbvio desejo de trabalharem em conjunto, a provocação feita pela curadoria: a porta. Não unicamente a porta como objeto, mas como possibilidade de latência. A porta como conexão, vínculo, passagem, atravessamento e metáfora. Como elemento que demarca simbolicamente aberturas e finalizações, começos e despedidas. Ou mais além: a porta como eixo conceitual que consolida em si, como matéria, objeto e arquitetura, a delicada concisão que une dois movimentos supostamente díspares: abrir e fechar.

Esse pequeno jogo de linguagem termina por promover então um espaço semântico para que os artistas estabeleçam nexos, construam diálogos, ironizem suas cobiças e façam um uso afetivo e estrutural de algumas referências da história da arte para a produção de seus trabalhos. Obviamente, não se trata aqui de um simples exercício de releitura, mas de tentativas infinitas de aproximarem suas poéticas de outras obras e inclusive, reavaliarem o legado de tais propostas nos dias de hoje.

Importante também destacar que o nome da exposição não vem acompanhado de um ponto de interrogação, embora o mesmo pareça não conseguir se desgrudar da estrutura da oração que erige a empreitada. Nesse sentido, à partir de uma afirmação e de um desejo utópico de abertura de caminhos e reestruturação discursiva, surge no subsolo a dúvida retumbante se isso ainda é possível atualmente. Portas ainda são passíveis de serem movimentadas? E se assim o forem, como é possível compreendê-las e empreende-las poeticamente? Em que medida passado, presente e futuro, não são apenas dimensões espaço-temporais apaixonadas por seus respectivos reflexos e por seus restos em eterno moto-contínuo?

Alexandre Sá

Posted by Patricia Canetti at 9:37 AM

novembro 4, 2019

Aplomb, encontro entre Hugo França e Tom Fecht por Mírian Badaró

És pó
Só pó
Se és pó
Sê esse pó poesia

Augusto de Campos, em um de seus recentes poemas concretos (Pós, 2012), sentenciou com precisão o que hoje vem a ser o tema da exposição Aplomb - encontro entre Hugo França e Tom Fecht, na Galeria Bolsa de Arte: reconhecer a pequenez humana diante da grandiosidade da Natureza e seus fenômenos, e desse reconhecimento, extrair poesia.

Essa postura é visível na obra dos dois artistas. Ambos transmitem, por qualquer das peças que compõem a exposição, a certeza de um trabalho prévio e mesmo exaustivo de observação, que lhes permite capturar imagens e revelar formas que apenas agora, parecem ter estado sempre ali, disponíveis, à espera de serem resgatadas.

Ainda que fazendo uso de suportes distintos, é esse posicionamento de maneira aprumada, firme, quase irredutível ante o objetivo, que une os dois trabalhos - e dá nome à exposição.

Hugo vê na madeira o que ninguém mais vê. O que ela precisava mostrar - e ele nos mostra. Pelas lentes de Tom, além de imagens muitas vezes invisíveis a olho nu, a certeza de estar diante do instante mágico que, dentre uma infinidade de possibilidades, era o que tinha de ser registrado.

O artista está presente em cada obra, ainda que, paradoxalmente, por vezes, na ausência de intervenção, como se podem permitir somente os que, com segurança e modéstia, têm domínio total de seu ofício e consciência de seu papel. No conjunto de obras apresentado por Hugo França, suas conhecidas esculturas mobiliárias se desvencilham da função e cedem espaço a uma narrativa essencialmente artística. A instalação “Flutuante” apresenta peças de duas coleções mantidas por Hugo desde o início de sua produção: canoas e remos. Os instrumentos tradicionais das culturas indígenas por ele tão observadas, agora, constroem o movimento ondular que outrora os movia. Já na série de esculturas circulares “Aram”, que em tupi-guarani significa “o tempo primordial da Natureza”, a verticalidade de árvores milenares é desconstruída em fatias tombadas, carbonizadas. O que era vivo, então, queima; o que era todo, vira parte. E há que se seguir enxergando beleza na passagem do tempo e naquilo que nos consome.

Na obra de Tom Fecht, os fenômenos naturais escondidos no tempo são temática recorrente. O horizonte, as marés, os efeitos da gravidade... Nem o intangível escapa à sua percepção, e tudo é registrado, ainda que, nada sem um propósito. Intensas pesquisas lhe permitem até mesmo construir as próprias câmeras, mas não o impedem de deixar espaço para descobertas ao acaso.

Da série “Dark Matters”, minimalista no conceito e generosa nas dimensões (e onde sua aficção por Física Quântica fica explícita), Tom apresenta uma seleção de seus recentes “Eclipses”, que consagraram seu trabalho fotográfico, num elegante relato de quem invadiu a noite e se deixou invadir por ela. Em “Electric Cinema”, verdadeiro elogio em preto e branco à perfeição do Universo, explora um território fotográfico maior e mais antigo que nós. Na escala oposta, “Tides” é composta por quinze pequenas - porém, impactantes - imagens da superfície turbulenta do mar, capturadas “entre chien et loup”, um curto momento do crepúsculo, quando os primeiros raios da luz do dia se cruzam com os reflexos restantes da lua cheia. Por fim, explorando o deslocamento do centro gravitacional do corpo humano, “Basics” nos deixa um alerta pungente a preservar o equilíbrio ameaçado.

Após três anos de trocas e diálogos marcados por diferenças linguísticas e conexões poéticas, Hugo França e Tom Fecht, juntos pela primeira vez em uma exposição, nos mostram, cada um a sua maneira, como navega pela Arte um homem com prumo.

Hugo França (1954, vive em São Paulo) e Tom Fecht (1952, tem sua base em Berlim) não compartilham nenhuma língua em comum, mas sim décadas de prática artística autodidata, com formação em engenharia. Os dois artistas mantém estúdios remotos em dois extremos do mundo: na costa selvagem do Atlântico, na Bretanha, França, e nas florestas tropicais de Trancoso, Bahia, Brasil.

Texto de Mírian Badaró, escrito em outubro de 2019

Posted by Patricia Canetti at 5:05 PM

Se a gente postasse menos, talvez compreendesse mais por Fred Coelho

Se a gente postasse menos, talvez compreendesse mais

FRED COELHO

Esse texto é dedicado a Carlos Vergara, o maior de todos que andam por aí.

I
Em um trabalho que já é mundialmente conhecido, Carlos Vergara fotografa, em pleno carnaval carioca de 1973, um homem negro que pintou em seu peito a palavra “Poder”. Essa imagem eterna sintetizou um tempo em que a comunicação política tinha poucos meios para circular além de sua força oral e de suportes tradicionais impressos. Tal força de uma simples palavra pintada em uma cena-valise como essa, faz com que, até hoje, a fotografia de Vergara permaneça como potência utópica de toda a luta antirracista que, cada vez mais, se efetiva dentre a juventude negra do país.

Mais de quarenta anos depois, Luiz D’Orey nos apresenta em “Eu não falei?” o avesso – ou a expansão infinita? – daquela imagem. Não há mais uma palavra ou enunciado que se estabeleça com tamanha presença e sintetize uma época. Os ditos e escritos do contemporâneo só produzem distopias, esvaziamentos radicais em velocidades desnorteadoras de nossos sentidos.

II
A história da arte, desde seus princípios orientais e ocidentais, instalou na brecha entre a poesia (isto é, a palavra) e a imagem, uma espécie de tensão produtiva em que a harmonia ou a hegemonia de uma sobre a outra foram pelejadas de muitas formas. Uma das mais conhecidas faces dessa tensão situa, grosso modo, a palavra no âmbito do tempo e a imagem no âmbito do espaço. Nessa definição mutante, há uma costura tênue cuja linha é a ideia de narrativa. Para muitos, a imagem precisa narrar o mundo. Dessa forma, a palavra sempre retorna como uma espécie de véu cobrindo as figuras e formas. Mesmo que Clemente Greenberg tenha declarado o fim da narrativa a partir do abstracionismo e do expressionismo abstrato norte-americano, ainda debatemos os temas ligados a esse par. Principalmente por sabermos que a palavra, enquanto forma gráfica, é uma imagem – e que uma parte importante da arte feita ao longo do século XX explorou esse campo até o limite.

III
Os trabalhos de Luiz, porém, vão além dessa tradição moderna. Ele atravessa, corta, cola, vaza, rasura, satura e sutura não mais a palavra, mas o discurso materializado em escrito. E não qualquer escrito. De forma atenta, ele ampliou os sentidos de leitura das redes sociais em um ano crítico para o mundo – a eleição de Donald Trump para a presidência norte-americana. Mergulhou nas redes sociais como o Twitter e passou a compilar o noticiário viralizado dos trend topics, ou seja, as falas-escritas mais comentadas do momento.

Essa nova forma de escrita em rede, cuja força do discurso é idêntica a uma quimera, se desenrola em um aqui e agora mundializado e desloca a velha ideia de espaço e tempo. Tal deslocamento faz com que a narrativa do mundo seja uma espécie de fluxo instável de fatos, falas e formas. Atualmente, palavra e imagem já nascem contaminados por desdobramentos imediatos que as rasuram. São tempos em que ambas naufragam perante a banalização do falso. Vivemos a era da velocidade do código e da relatividade da crença.

Nesse mundo, o artista que deseja pintar a “lição das coisas” é atropelado por tal profusão difusa de sentidos. Nas redes, a cada tweet, a cada nova polêmica, o mundo sai do lugar. Se desde as experiências impressionistas e do advento da fotografia não é mais a pintura a garantir a imagem desse “real”, hoje ela não pode nem mesmo fixar uma impressão, um olhar singular, sem ser afogada pela produção incessante e voraz de códigos digitais. São tempos em que robôs disparam palavras em rede e dedos de silício produzem milhões de simulacros por minuto.

IV
Nesta exposição, a obra de Luiz apresenta uma maturidade rara dentre os artistas de sua geração. Ela captura uma ideia histórica – o jogo entre palavra e imagem – e abandona qualquer nostalgia de uma narrativa (seja como presença, seja como esvaziamento da mesma). Seu motor é uma pergunta impossível de responder: como capturar em imagem o atual fluxo contínuo de informações? Ao abordar o tema político de um momento de sua vida (Luiz reside parte de seu tempo em Nova Iorque), ele percebe que redes sociais e jornais produzem um conflito permanente e irresolúvel entre o que falado (a reportagem que compila o que já virou fato) e o dizendo (o fluxo incessante dessa escrita-em-gerúndio que são as redes sociais). Para efetivar essa ruptura discursiva, palavras são cortadas a laser, páginas de jornais são esburacadas com novas camadas de texto, criando duplas leituras com sobras de outras coisas ditas sobre o mesmo. Luiz sabe que hoje tudo é falso e tudo é dito com todas as letras.

Se a narrativa do mundo estraçalha a palavra, Luiz dá materialidade a isso fazendo dela uma espécie de estilete visual. Ele ativa nosso olhar já pixelizado em telas de diferentes escalas. Na nossa escalada ciborgue, vemos pixels como imagens, vemos imagens como sequências de micropontos binários, lemos textos produzidos por algoritmos. A palavra e a imagem, cada vez mais, se tornam vazias. E é justamente dessa vazies – inclusive da verdade do que é dito – que ele produziu matéria artística. Suas obras dão carne ao que não tem corpo. Não mais a palavra impressa dos livros, mas sim a fala digital transformada em letras confusas que seguem a manada dos assuntos mais comentados do dia.

Na série de telas “Cascade” encontramos o ponto alto disso. Ao dar volume ao fluxo de letras que formam as frases retiradas das redes e notícias, Luiz vai aos poucos aproximando o espaço entre as linhas. É nessa operação banal, e eis aí a inteligência do artista, que as palavras se adensam e começam a virar cor. O preto do tipo se transforma em grossas linhas cinzas até tornar-se uma massa compacta e escura. As tiras de cores fortes contrastam com essa massa e produzem um inusitado efeito visual. Luiz faz pintura do que é um amálgama de informações em entropia. E apesar de utilizar palavras e frases, produz uma imagem que nada diz. Nem tempo, nem espaço: Luiz pinta a velocidade de uma estática. O vídeo “Burburinho” demonstra em movimento o processo imagético e nos dá a senha para ajustar os olhos a mirar esse mundo em cascata.

V
Outro Luiz, o Melodia, cantava que “se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais”. A exposição de Luiz D’Orey já se situa em um tempo que falar menos é uma utopia tão grande como o Poder pintado no peito de um homem negro em 1973. E se um dia o bardo afirmou que a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, Luiz nos apresenta um tempo em que a história continua sendo contada por idiotas, porém cheia de escrita e fúria. O som? Tornou-se esse ruído de infinitas vozes, um murmúrio difuso, confuso, hiperbólico, histérico. Apure os ouvidos, se aproxime dessas telas, dessas esculturas, desses jornais e vídeos. Consegue escutar? Sabe o que elas murmuram? Pois é. Eu não falei?

Luiz d'Orey - Eu não falei?, Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, RJ - 08/11/2019 a 29/11/2019

Posted by Patricia Canetti at 3:44 PM