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abril 29, 2015

Miragem por Paula Ramos

Miragem

PAULA RAMOS

O olhar percorre as imagens e identifica prédios, janelas, telhados, antenas: linhas e planos geométricos a sugerir os ritmos e desenhos da urbe. De modo coadjuvante, emergem também fragmentos de nuvens, árvores, adensamentos irregulares ao fundo, bafejando o contorno de morros. E então, em meio a uma Porto Alegre de céu chumbado, desponta sutilmente um edifício, ou mesmo um conjunto deles. Aclarados por uma luz invulgar, esses fragmentos parecem ficção.

Observador arguto das relações entre natureza e urbano, Nelton Pellenz (São Paulo das Missões, RS, 1967) permitiu-se maravilhar com o fenômeno do deslocamento das nuvens em dias nublados, quando o sol atinge rapidamente um ou mais prédios, destacando alguns pontos e conferindo-lhes evidência, mesmo que fugidia. Fascinado, pôs-se a registrar esses lampejos, intensificando os contrastes por meio de ajustes técnicos na câmera, sem recorrer a efeitos de pós-produção. O resultado são imagens que tensionam realidade e fantasia, sugerindo devaneio, miragem, capricho.

Ultrapassando, porém, o aspecto de quimera, essas luzes efêmeras revelam os novos ordenamentos urbanos. Tradicionalmente, a cidade é percebida pela materialidade de sua arquitetura, volumetria dos bairros e traçado das ruas. Reconhecer o ambiente é condição vital para que possamos nos inserir nele, e poucas coisas são mais angustiantes para quem vivencia o espaço urbano do que o sentimento de desorientação. Com a expansão dos médios e grandes centros, os bairros têm seus perímetros reconfigurados, e alguns pontos, outrora de referência, deixam de cumprir essa função, embaralhando a lógica e a percepção dos transeuntes. A dimensão concreta dessa realidade encontrou, nos movimentos das nuvens e no olhar sensível de Pellenz, a sua resposta poética. Nesse ínterim, o que permanece são os lugares a partir dos quais as fotografias foram produzidas: o apartamento e o local de trabalho do artista, ambos na zona central de Porto Alegre, seus marcos pessoais na cidade.

Obsessivo em seu processo e incansável em seus propósitos, para Nelton Pellenz a fotografia é, sempre, instrumento de invenção, a partir da qual ele revisita o cotidiano, o entorno, a paisagem. É isso que Referenciais móveis para cidades em trânsito evidencia.

Paula Ramos
Crítica de arte, professora e pesquisadora do Instituto de Artes da UFRGS

Posted by Patricia Canetti at 8:46 PM