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março 30, 2015

Rodrigo Braga na França-Brasil, Rio de Janeiro

A Casa França-Brasil, um espaço da Secretaria de Estado de Cultura administrado pela organização social Oca Lage, apresenta a partir do próximo dia 1º de abril a exposição Tombo, nome do site specific de Rodrigo Braga, artista destacado na cena da arte contemporânea. Nascido em Manaus em 1976, criado em Recife, e morador do Rio há quatro anos, Rodrigo Braga está presente em diversas exposições no Brasil e no exterior, e participou em 2012 da 30ª Bienal Internacional de São Paulo. Seu trabalho está em importantes coleções, como MAM Rio, MAM SP, e Maison Européene de La Photographie, em Paris. “Tombo”, que tem curadoria de Thais Rivitti, é a primeira exposição individual do artista no Rio.

Rodrigo Braga criou a instalação “Tombo” especialmente para o vão central da Casa França-Brasil. Ali, estarão dispostas no chão mais de 15 toras de aproximadamente cinco metros de comprimento cada, segmentadas de cinco palmeiras imperiais centenárias. “Tombo” provoca uma imediata relação com as 24 colunas internas do espaço, um dos marcos neoclássicos do país, construído em 1820 pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny (1776-1850), para ser a Praça do Comércio, em determinação de João VI.

A curadora Thais Rivitti observa que “as toras de árvore caídas, dispersas pelo espaço desordenadamente, e as colunas do prédio, construídas de forma regular e ritmada, criam entre si uma série de relações de aproximação e de distanciamento que se desdobram em vários sentidos”. “Em primeiro lugar, o trabalho recoloca em discussão o par ‘natureza e cultura’: a natureza aparece nas palmeiras em seu estado bruto, e a cultura na arquitetura neoclássica da qual as colunas são parte importante”.

Ela lembra que foi justamente João VI, chegado ao Rio em 1808, quem plantou no recém-inaugurado Horto Real, atual Jardim Botânico, o primeiro exemplar da palmeira Roystonea oleracea, por isso batizada de imperial. As sementes, nativas do Caribe, chegaram às mãos do Rei trazidas das Ilhas Maurício, então colônia francesa no Oceano Índico. Na época buscava-se adaptar ao Brasil espécies estrangeiras. Da mesma forma que a palmeira, as colunas da Casa França-Brasil também representam esta tentativa de “aclimatação”. “Revestidas por uma pintura que imita mármore, mostrando o caráter problemático e postiço da importação de estilos e modos de vida, as colunas da Casa França-Brasil revelam ao visitante as adaptações do neoclássico no país”, explica.

CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA DO BRASIL
“Gosto muito de história, gosto muito da natureza, e ao chegar ao Rio minha aproximação, meu gosto pela cidade, veio da observação da arquitetura histórica e das palmeiras”, conta Rodrigo Braga. “Essas palmeiras centenárias da cidade passaram por todos os períodos políticos, estão aí há cerca de 150 anos”. “Sua casca, seu caule trazem impregnados um pouco da cidade. São um reflexo, um espelho, e a cidade cresceu em torno delas, se modificou, e elas permaneceram”.

Ele destaca que as palmeiras, inicialmente, eram “um projeto da Coroa, do Império”. “As palmeiras só podiam ser plantadas em prédios públicos ou em casas da corte. Essas sementes da palma mater do Jardim Botânico eram protegidas, pois só o Rei dizia quem poderia plantar”. Em seguida as sementes passaram a ser vendidas clandestinamente, sendo adquiridas e cultivadas por nobres não apenas no Rio como em outras capitais e no interior, principalmente nas sedes das fazendas, as palmeiras eram plantadas em aleias, como símbolo de poder. “Era ainda o início da definição do que seria pátria brasileira, o rei tinha acabado de chegar. Enquanto a Europa estava lidando com uma situação mais urbana, o Brasil era esse país imenso em termos de território, com uma natureza gigante, exuberante, e a palmeira, mesmo sendo uma planta exógena, estrangeira, entrou simbolicamente para valorizar isso, e coube muito bem nesse projeto de construção simbólica do Brasil”.

RUÍNAS E TRANSFORMAÇÃO
Uma das salas laterais da Casa França-Brasil será ocupada por uma videoinstalação com imagens do processo de corte e retirada das palmeiras, já condenadas, no Horto, zona sul do Rio. Rodrigo Braga comenta que o título da exposição remete “ao desastre, ao tombo pela ruína ou pelo envelhecimento”. “Esta relação de perda, de envelhecimento, de queda, ou de derrubada deliberada pelo homem, de certa forma se relaciona com meus trabalhos anteriores, em que há este limite de tensão entre o que é a força da natureza e a força do homem, essa quebra de braço entre o que o homem é capaz de fazer com a natureza e de como a natureza é capaz de reagir”. “Mas também se relaciona com mudança, transformação, ciclo natural, de fim e recomeço”, diz. “Gosto de ver esta dimensão especulativa do trabalho, da imaginação das pessoas, qual leitura vão ter”.

Na outra sala lateral estarão referências históricas, como plantas arquitetônicas da antiga Praça do Comércio, desenhos de botânica, relatos de viajantes, e crônicas da época, como a do escritor francês Charles Ribeyrolles que, em 1858, descreve as palmeiras imperiais do Jardim Botânico “como uma sala em um palácio, como se fossem colunas elegantes, fazendo esta relação entre palmeira e arquitetura”.

VISITA GUIADA E CONVERSA ABERTA
No dia 29 de abril de 2015, às 19h, será realizada na Casa França-Brasil uma conversa aberta com o artista Rodrigo Braga e a curadora Thais Rivitti. No dia 2 de maio, às 16h30, o artista Rodrigo Braga fará uma visita guiada para o público.

SOBRE O ARTISTA
Nascido em Manaus em 1976, Rodrigo Braga logo mudou-se para Recife, onde graduou-se em Artes Plásticas pela UFPE (2002). Atualmente vive no Rio de Janeiro. Expõe com regularidade desde 1999 e em 2012 participou da 30ª Bienal Internacional de São Paulo. Em 2009 recebe Prêmio Marcantonio Vilaça – Funarte/MinC; em 2010 o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, em 2012 o Prêmio Pipa/MAM-RJ Voto Popular e em 2013 o Prêmio MASP Talento Emergente. Possui obras em acervos particulares e institucionais no Brasil e no exterior, como MAM-SP, MAM-RJ e Maison Européene de La Photographie, Paris.

Posted by Patricia Canetti at 1:01 PM

Programa Verbo e Belas Artes na Vermelho, São Paulo

A Mostra de Performance Arte VERBO, organizada pela Galeria Vermelho desde 2005, firma parceria com o Centro Universitário Belas Artes Artes para organizar uma área para apresentação de performances dentro da feira SPArte, no Pavilhão Ciccilio Matarazzo, no Parque do Ibirapuera. Como parte da programação desse espaço, a Galeria Vermelho recebe no dia 11 de abril, três ações em sua sede.

Artistas: Leonardo Akio, Magaly Milene e Merien Rodrigues

11 de abril de 2015, sábado, 14, 14h30 e 15h30

Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais 350, Higienópolis, São Paulo

PROGRAMA

14h
Parábola (Leonardo Akio, 2010)
O objeto performático consiste em longa haste de ferro com suporte para o corpo. A ponta do objeto deve
ser colocada na quina entre parede e chão, e os performers devem usar o peso de seus corpos para vergar a linha de ferro. Colocada à altura dos quadris, o prolongamento entre objeto e pernas forma uma curva.

14h30
Reconhecer-se (Magaly Milene, 2010)
A performer entra em espaço preparado com uma cadeira de madeira, mesa branca, bacias com água e
tigelas com pedaços de gaze engessada. Ela se despe, senta-se e engessa a frente de seu corpo dos pés
até o pescoço. Após alguns minutos, com movimentos sutis, ela desgruda o molde de si, levanta-se da
cadeira, veste-se e sai do espaço, deixando sentada a imagem de seu corpo em gesso.

15h30
Eu sou você (Merien Rodrigues, 2008)
A artista abre um grande guarda-chuva embaixo de filete de areia que cai do teto. Os grãos acumulam-se
ao redor de seu corpo, formando um círculo branco sobre o chão. Quando a areia termina, ela caminha para outro filete de areia e repete a mesma ação, e assim sucessivamente. No final, a performer deixa o espaço e ficam os círculos desenhados no chão.

Posted by Patricia Canetti at 10:29 AM

março 23, 2015

Maria Lynch na Anita Schwartz, Rio de Janeiro

AGENDA RJ Hoje 26/03 às 19h: Maria Lynch @ Anita Schwartz http://bit.ly/A-Schwartz_M-Lynch

Posted by Canal Contemporâneo on Quinta, 26 de março de 2015

Artista cobrirá com pipoca o chão do grande espaço central da Anita Schwartz Galeria de Arte, e apresentará pinturas e esculturas inéditas

Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta, a partir do dia 26 de março para convidados e do dia seguinte para o público, a exposição A Dobra Palco, Rizomas e Selvageria, da artista carioca Maria Lynch. O chão do grande salão térreo da galeria, que tem 140 metros quadrados de área, será inteiramente coberto com pipoca, que será fabricada pela artista na própria galeria. Neste espaço, serão apresentadas doze obras inéditas, produzidas este ano especialmente para esta exposição – sete pinturas em grande formato e seis esculturas. A mostra será acompanhada de uma entrevista com a curadora Luisa Duarte.

“Um cenário, um ambiente, uma cena; pipoca vira adereço no chão, vira sonoplastia, o espectador pisa, não come. Participa ao entrar, o papel do entertainment é sensorialmente alterado”, diz Maria Lynch.

As pinturas em grande formato, com tamanhos que chegam a 2m X 3,45m, com cores fortes e vibrantes, características do trabalho da artista, serão colocadas na parede próxima ao chão e não na altura dos olhos, como é de costume nas exposições. A mostra terá, ainda, uma escultura de parede, de 180cm de diâmetro, em tecido e acrylon, e quatro esculturas de chão, intituladas “Dramatização Invertida”, feitas com brinquedos de plástico, e pintadas cada uma de uma cor: verde, branco, rosa e laranja. “Aqui utilizo brinquedos de plástico que brincamos na infância para projetarmos o ser adulto, aqui inverto essa ordem fazendo o adulto lidar com esta dissolução”, explica a artista.

Ao entrar, a mostra sugere elementos de cinema. “O filme está em proporção alterada, o que está dentro da tela não se mexe, falo da pintura, mas fazendo com que ela confronte o espectador de uma outra maneira. Nessa minha busca pelo que se expande da pintura, o que ativa o sensorial e o sensível do imaginário, pratico romper com este sistema, provocar a estranheza da ambiguidade do sentir, da memória, essa fragmentada para excluir a lógica”, afirma a artista.

Maria Lynch nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1981, e atualmente vive e trabalha em Nova York. É formada pela Chelsea College of Art and Design, Londres, onde concluiu pós- graduação e mestrado em 2008. Entre suas principais exposições estão “The Jerwood Drawing Prize”, em 2008, com itinerância a partir de Londres para outras cidades da Inglaterra. No mesmo ano participou de “Nova Arte Nova”, no CCBB, Rio e São Paulo, com curadoria de Paulo Venâncio Filho. Em 2010, ganhou o Prêmio Funarte de Artes Plásticas Marcantônio Vilaça. Em 2011, integrou a 6º Bienal de Curitiba Vento Sul, com curadoria de Alfons Hug. Em 2012, mostrou a instalação “Ocupação Macia”, no Paço Imperial, Rio, e a performance “Incorporáveis”, no MAM Rio. Foi convidada para expor durante as Olimpíadas de Londres, 2012, no Barbican Centre. Em 2013, fez exposição individual “Acontecimento Encarnado”, na Anita Schwartz Galeria de Arte e mostrou “Bordalianos do Brasil” na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal. Depois de realizar uma residência artística na Residence Unlimited, em Nova York, EUA, em 2014 foi contemplada com o Prêmio da Embaixada brasileira para uma exposição individual na Storefront For Art and Arquitecture, em Nova York , EUA, que será realizada em maio deste ano.

Maria Lynch está presente em importantes coleções públicas como Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Centro Cultural Candido Mendes, no Rio, Brasil, Coleção Gilberto Chateubriand, Brasil/MAM Rio, Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, e Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.

Posted by Patricia Canetti at 9:43 AM

Daniel Buren na Nara Roesler, Rio de Janeiro

AGENDA RJ Hoje 24/03 às 19-22h: Daniel Buren na Nara Roesler http://bit.ly/Roesler-Rio_D-Buren

Posted by Canal Contemporâneo on Terça, 24 de março de 2015

Após 14 anos, o icônico artista francês Daniel Buren volta a apresentar individual non Rio de Janeiro com instalação especialmente criada para a Galeria Nara Roesler de Ipanema

Daniel Buren, Galeria Nara Roesler, Rio de Janeiro, RJ - 25/03/2015 a 02/05/2015

A Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro tem o prazer de apresentar a individual do francês Daniel Buren. Conhecido no mundo todo por suas intervenções públicas com listras brancas e coloridas, sua marca registrada, o icônico artista conceitual foi exibido pontualmente no Brasil (na Bienal de São Paulo em 1983 e 1985 e no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica em 2001). Após 14 anos sem uma mostra inteiramente dedicada a seu trabalho, ele exibirá entre 24.03 e 02.05 intervenções criadas especialmente para o espaço da galeria em Ipanema.

Formado na École des Métiers d’Art em 1960, Daniel Buren abandonou a pintura em 1965 em favor de uma arte fortemente conceitual, calcada na economia de elementos, definidos por listras brancas alternadas a listras coloridas. Inicialmente, o artista usava um tecido já pronto, o que reforçava o caráter objetivo de seus trabalhos.

Com as listras brancas e coloridas como marca registrada, Buren foi desenvolvendo sua pesquisa pela aplicação do material em diversos suportes, passando para sua utilização na arquitetura dos espaços. Sancas no teto, paredes, colunas e outros elementos tinham sua presença deslocada ou ressaltada com o padrão.

O desdobramento da marca registrada de Buren em colunas foi uma nova evolução, gerando instalações icônicas, como a colunata listrada de preto e branco que povoa o vão central do Palais-Royal em Paris desde 1986. A obra abriu o debate sobre a implementação de obras contemporâneas em prédios históricos, a exemplo da pirâmide do Louvre, do arquiteto Ieoh Ming Pei, cuja construção foi concluída três anos depois do trabalho de Buren.

Desde o início do novo século, Buren expandiu sua pesquisa com cores, ampliando a gama de padronagens e utilizando listras de cores sem a intervenção do branco. Também passou a utilizar jogos de espelhos e transparências para permitir a reflexão da luz e a projeção da cor dentro dos ambientes, como na incrível instalação criada para o Grand Palais em 2012. Nela, a claraboia foi acrescida de vidros azuis alternados aos transparentes, projetando uma padronagem xadrez sobre o chão. Ainda, inúmeros discos de vidro coloridos dispostos sobre colunas permitiam ao público passar por baixo deles, aumentando os efeitos de cor.

Para a Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro, além de criar uma instalação inédita nos moldes de suas instalações mais recentes, Buren deve utilizar a claraboia do corredor para criar seus jogos cromoluminosos, em que o espectador vê sua percepção cotidiana ser alterada para uma nova ordem, que remete ao lúdico.

Sobre o artista

Nascido em 25 de março de 1938, na cidade francesa de Boulogne-Billancourt (onde vive e trabalha ainda hoje), Daniel Buren tornou-se um dos grandes nomes da arte conceitual dos anos 1960-70 até a atualidade. Formado pela École des Métiers d’Art com breve passagem pela École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Daniel Buren começou com trabalhos em pintura nos anos 1960 para abandoná-los em função de processos de incorporação de padronagens industriais a intervenções que interferem na percepção da arquitetura. Daí a criação de sua marca registrada, as listras brancas e coloridas de tecido de decoração. Atualmente, o desenvolvimento de sua pesquisa culminou na utilização da luz para produzir efeitos de cor em macroescala e no uso de espelhos para obter a modificação do espaço por meio da refração de imagem. Amplamente exibido ao redor do mundo, principalmente nos EUA, Europa e Japão, só no ano passado esteve em cartaz com as individuais “Buren: De un Patio a Otro: Laberinto”, no Hospicio Cabañas (Guadalajara, México); “Daniel Buren. Lavori Luminosi”, na Galeria Massimo Minini (Brescia, Itália); “Daniel Buren. Comme un Jeu d’Enfant”, no Musée d’Art Moderne et Contemporain (Estrasburgo, França); "Daniel Buren. Catch as catch can: works in situ", no Baltic Centre for Contemporary Art; entre outras.

Posted by Patricia Canetti at 7:10 AM

março 18, 2015

Nelson Wiegert na FVCB, Viamão

Abrindo a temporada de mostras da Sala dos Pomares em 2015, a Fundação Vera Chaves Barcellos apresenta, de 21 de março a 18 de julho 2015, a exposição de Nelson Wiegert, Fórmulas Abstratas.

Com organização e expografia de Vera Chaves Barcellos e do próprio Nelson Wiegert, a exposição individual do artista destaca sua mais recente produção: fotografias de grande formato, em preto e branco, que reproduzem intervenções sobre fórmulas matemáticas, gerando imagens de grande força e rigor. A esse conjunto de trabalhos, o artista denominou Fórmulas Abstratas.

A ideia da obra surgiu em uma visita ao Instituto de Mineralogia e Física de Munique no momento em que o artista observou fórmulas deixadas em um quadro negro. O trabalho é uma espécie de acerto de contas do artista com a matemática, campo do conhecimento humano que nunca antes havia despertado seu interesse.

A execução da obra revelou ao artista um novo método de desenho rápido sem a utilização do papel. “Por permitir apagar e refazer, o desenho a giz sobre o quadro é um ótimo método de trabalho, ágil e constante. Os desenhos selecionados são fotografados e computadorizados, podendo ser reproduzidos. As reproduções são igualmente selecionadas e, posteriormente, impressas como peças únicas. Com essa breve exposição, espero que este trabalho chegue ao espectador com o mesmo impulso livre que despertou em mim” – diz o artista.

A série ocupará toda a galeria do térreo da Sala dos Pomares. Desenhos, fotografias e colagens que esclarecem sobre o processo de construção da obra de Nelson Wiegert poderão ser vistas pelo público no mezanino. A mostra exibirá trabalhos da coleção do artista e do Acervo da FVCB.

Nelson Wiegert I Fórmulas Abstratas permanece em cartaz até o dia 18 de julho de 2015 e contará com uma programação paralela constituída por palestras com teóricos e visitas mediadas que integram o Programa Educativo da FVCB, que segue apostando no poder socialmente transformador da arte.

SOBRE O ARTISTA

Nascido em Tuparendi, RS, Brasil, em 1940, Nelson Wiegert cursa o então Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, de 1962 a 1966, onde é aluno de Ado Malagoli, Alice Soares, Cristina Balbão e Fernando Corona.

Participa de um curso livre de pintura ministrado por Iberê Camargo. Integra várias exposições coletivas em Curitiba, Florianópolis e Sāo Paulo. Primeiro Prêmio em Desenho no Salāo de Arte Contemporânea de São Paulo em 1965.

Transfere-se para Munique em 1966. Participa da Academia de Verão em Salzburg, onde ganha o Primeiro Prêmio de Pintura como aluno de Emilio Vedova, que o convida para trabalhar em seu estúdio em Veneza.

Retorna a Munique em 1967, realizando sua primeira individual na Galeria Buchholz neste mesmo ano.

Entre 1968 e 1970, participa de mostras coletivas em Basel, Frankfurt e Munique, e participa na feira de arte Colonia. Mostra individual, Galeria 5, Genebra, 1970.

A partir de 1969, paralelamente ao seu trabalho como artista, assume a profissão de marchand na Galeria Buchholz em Munique, onde organiza a primeira mostra de Fernando Botero na cidade e exposições com outros importantes artistas latino-americanos como Julio Le Parc, Jesús Soto, Cruz-Diez e Olga do Amaral e também coletiva com as gravadoras brasileiras Fayga Ostrower, Maria Bonomi e Vera Chaves Barcellos.

Faz contato com Sergio Camargo em Paris, e, em 1968, promove a primeira mostra de seu trabalho em Munique.

A partir de 1971 até 1979, trabalha na galeria Art in Progress, onde expõe Cy Twombly, Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Richard Serra, Carl Andre, Fred Sandback e Sol LeWitt e desenvolve projeto com Christo para a embalagem da galeria, obra realizada em 1977.

Nos anos 1980, inicia atividade com a Galeria Biedermann, onde representa artistas como Eduardo Chillida e Antoni Tàpies.

Nos anos 90, desenvolve projetos com artistas americanos como Tony Ousler, Claes Oldenburg, Linda Karshan, Michael Goldberg e Richard Wentworth. Wiegert permanece na Galeria Biedermann até o término das suas atividades, em 2012.

A partir dos anos 1990 começa a passar um tempo maior no Brasil. Faz contato com a Galeria Gestual, com quem desenvolve projeto para a primeira individual de Robert Wilson em Porto Alegre, 2000.

Retornando a uma dedicação maior à sua produção pessoal, a partir de 2005, realiza sucessivamente na Galeria Gestual três exposições individuais, em 2010, 2011 e 2012, com séries de desenhos, fotografias e colagens.

Posted by Patricia Canetti at 9:36 AM

março 17, 2015

Eloá Carvalho + Rodrigo Cunha na Zipper, São Paulo

A próxima individual de Rodrigo Cunha, Jardim Cético, inaugura na galeria Zipper Galeria no dia 24 de março, às 19h. Nascido e residente em Florianópolis, o artista pesquisa a linguagem da pintura há mais de uma década e possui uma trajetória com diversas exposições individuais e coletivas. Sua pintura se destaca pela exploração de figuras humanas em pequena e média escala que habitam interiores semelhantes a residências permeados por objetos que contribuem com um tom por vezes misterioso às narrativas visuais.

Para essa mais nova exposição, o artista apresentará uma nova série de trabalhos que nasceram da tensão entre essa presença humana comentada em suas imagens e paisagens idílicas. Trata-se de um jogo entre essa dicotomia entre cotidiano habitado pelo homem e a natureza que serve como fundo, cenário ou mesmo janela de algumas de suas obras. O que esta entrada da paisagem campestre (por muitas vezes próxima à idéia de Arcádia) por trazer em termos de pintura para sua produção?

Para refletir sobre essa inquietude, o artista tem se dedicado à uma pesquisa iconográfica sobre a inserção de temas bucólicos na pintura ocidental, com destaque para as tradicionais reuniões de pequenos grupos humanos a descansar sobre a relva. Corpos nus, livres em um espaço predominantemente natural, reforçam o propósito da busca pela liberdade e até de uma certa licenciosidade carnal. Por fim, também contrastam com o caráter aparentemente urbano dos corpos que se deparam com essas paisagens e com o próprio percurso de Rodrigo Cunha.

Entre cidade e campo, urbe e rural, contemporâneo e tradicional, o artista compartilha com o público algumas possibilidades de jardins céticos da sua pureza, mas potentes no que diz respeito à sua circunscrição e recodificação de elementos visuais da história da arte.

Rodrigo Cunha nasceu em Florianópolis em 1976, vive e trabalha em sua cidade natal. Estudou pintura e gravura na Universidade do Estado de Santa Catarina. Como exposições individuais ressaltamos O Mundo de Dentro, realizada na Zipper Galeria em 2012 (São Paulo), individual na Galeria Múltipla de Arte em 2009 (São Paulo), e Diálogos com Desterro, no Museu Vitor Meirelles, em 2008 (Florianópolis). Rodrigo participou ainda das seguintes exposições coletivas recentemente: A Figura Humana, na Caixa Cultural em 2014 (Rio de Janeiro), É o que há, Fundação Cultural Bradesco (Florianópolis),13º Salão Nacional de Artes de Itajaí, (Ijataí) e Um Novo Horizonte, na Galeria Tina Zappoli (Porto Alegre), todas em 2013, e ainda, Como o Tempo Passa Quando a Gente se Diverte, na Casa Triângulo em 2011 (São Paulo), Artistas Brasileiros: Novos Talentos, no Salão Branco do Congresso Nacional em 2009 (Brasília) e Caminhos da Pintura Contemporânea e a Figuração, na Galeria FloripaLoft em 2008 (Florianópolis).

Raphael Fonseca vive e trabalha no Rio de Janeiro. Trabalha como crítico, curador e historiador da arte. É doutorando em Crítica e História da Arte (UERJ), professor do Colégio Pedro II e escreve periodicamente para a revista ArtNexus. Trabalha como curador de exposições e mostras de cinema com destaque para Derek Jarman – cinema é liberdade (Caixa Cultural Recife, 2014); Água mole, pedra dura (I Bienal do Barro, Caruaru, PE, 2014); Deslize (Museu de Arte do Rio, 2014); A lua no bolso (Largo das Artes, RJ, 2013) e City as a process (Ural Industrial Biennial, Ekaterinburgo, Rússia, 2012). Atualmente atua como curador-assistente da 10a edição da Bienal do Mercosul, a ser realizada em Porto Alegre, em 2015. Organiza sua produção crítica e curatorial no blog Gabinete de Jerônimo (http://gabinetedejeronimo.blogspot.com).


A temporada 2015 do projeto Zip'Up tem como segunda exposição a individual da fluminense Eloá Carvalho, sua estreia em SP.

Depois de mostras em espaços importantes na cidade do Rio de Janeiro, como o Ibeu e o Museu da República, a artista exibe uma série de pinturas e desenhos em Projetos da minha espera na galeria paulistana. Carvalho extrai de fontes variadas, como a internet, os arquivos e os acervos, registros iconográficos que, por meio de um elaborado processo pictórico ou gráfico, geram novas contextualizações e circunstâncias. Assim, antigos visitantes de vernissages décadas atrás podem coexistir, visualmente, com figuras que podemos encontrar em eventos de hoje, por exemplo. A artista também opta por um tratamento menos ostensivo, mais opaco, nessa representação de espaço-tempo que serve para embaralhar certezas definitivas e abordagens mais estanques.

Eloá Carvalho (1980) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Participou das seguintes exposições coeltivas: A escolha do curador, curadoria de RejaneCintrão/Feira PARTE - São Paulo/SP, Figura Humana, curadoria de Raphael Fonseca/Caixa Cultural Rio de Janeiro/RJ, Novas aquisições, Coleção Gilberto Chateaubriand, curadoria de Luis Camilo Osório e Marta Mestre/MAM/RJ,Como se não houvesse espera, curadoria Ivair Reinaldim/Centro Cultural Justiça Federal/RJ, todas em 2014, e Mirante, curadoria de Daniela Name/MUV Gallery/RJ em 2013. Como individual podemos citar: Miseenscène, curadoria de Ivair Reinaldim na Galeria Ibeu - Rio de Janeiro/RJ em 2013.

Mario Gioia é graduado pela ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), coordena pelo quarto ano o projeto Zip'Up, na Zipper Galeria. Em 2013, assinou por tal projeto as curadorias das individuais de Ivan Grilo, Layla Motta, Vítor Mizael, Myriam Zini e Camila Soato. No mesmo ano, fez as curadorias da coletiva Ao Sul, Paisagens (Bolsa de Arte de Porto Alegre) e das intervenções/ocupações de RodolphoParigi e Vanderlei Lopes na praça Victor Civita/Museu da Sustentabilidade, em SP. Foi repórter e redator de artes e arquitetura no caderno Ilustrada, no jornal Folha de S.Paulo, de 2005 a 2009, e atualmente colabora para diversos veículos, como a revista Select. É coautor de Roberto Mícoli (Bei Editora), Memória Virtual - Geraldo Marcolini(Editora Apicuri) e Bettina Vaz Guimarães (Dardo Editorial, ESP). Faz parte do grupo de críticos do Paço das Artes, instituição na qual fez o acompanhamento crítico de Black Market(2012), de Paulo Almeida, e A Riscar (2011), de Daniela Seixas. É crítico convidado do Programa de Fotografia 2012/2013 e do Programa de Exposições 2014 do CCSP (Centro Cultural São Paulo).

Posted by Patricia Canetti at 4:39 PM

março 12, 2015

Paiva Brasil na Mercedes Viegas, Rio de Janeiro

A galeria de Mercedes Viegas apresenta a exposição de pinturas de Paiva Brasil intitulada Tangentes, com curadoria do colecionador Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho, com abertura dia 18 de Março, quarta-feira, de 19h às 22h. A mostra é constituída de 12 quadros-objeto, recentes e inéditos, realizados em módulos de madeira, revestidos de tela e tinta acrílica. Estas obras ocuparão os espaços maiores da galeria. Na sala menor serão apresentadas cerca de sete obras datadas das décadas de 50, 70 e 80, com o objetivo de mostrar o percurso do artista e a coerência entre as suas diferentes fases.

Paiva Brasil iniciou seus estudos em arte no antigo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro na década de 50, logo em seguida frequentou, no MAM RJ, o curso de Desenho Estrutural e Composição com o artista Santa Rosa. Mais tarde, no mesmo museu foi aluno de pintura com Samson Flexor.

Paiva Brasil faz parte de um importante grupo de artistas, com Ivan Serpa, Décio Vieira, Ubi Bava e Rubem Ludolf. Embora o artista não tenha participado diretamente das manifestações concretistas da década de 50, pertence por direito e justiça a este movimento.

Ao longo de seis décadas, Paiva Brasil vem desenvolvendo trabalhos enraizados na experiência construtivista, de caráter abstrato-geométrico, aliados ao lúdico, em que a estrutura formal se desenvolve na busca de envolver o olhar em uma leitura dinamizada da forma e da cor no espaço. Uma obra rica visualmente, que, mesmo sendo simples e sóbria, não elimina a intensidade e o encantamento silencioso do olhar.

Posted by Patricia Canetti at 8:44 PM

março 8, 2015

Katia Maciel na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

Nesta exposição que reúne quatro videoinstalações, uma delas inteiramente inédita, a artista cria a atmosfera de um filme, em que a palavra “suspense” ganha vários significados.

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage inaugura no próximo dia 23 de janeiro de 2015 a exposição Suspense, uma instalação-filme composta por quatro videoinstalações da artista carioca Katia Maciel, que serão apresentadas nas Cavalariças e na Capela contígua. Artista destacada no cenário de arte e tecnologia, nascida no Rio em 1963, Katia Maciel participa de diversas exposições no Brasil e no exterior, como a individual “Répétiton(s)”, realizada em 2014 na Maison Européenne de la Photographie, em Paris, com curadoria de Jean-Luc Soret. Autora de diversos livros e artigos, com dois PhD (University of Wales College, na Inglaterra, e na USP), é também coordenadora, junto com o professor André Parente, do Núcleo de Tecnologia da Imagem da ECO-UFRJ.

Com curadoria de Paula Alzugaray, estão na mostra na EAV Parque Lage as obras “Pista” (2015), “Verso” (2013), “Vulto” (2013) e “Uma árvore” (2009), que integram a pesquisa “Mulher perdida no paraíso envia pistas para a sua impossível localização”, iniciada pela artista em 2013. “Pesquiso as aproximações da ideia de cinema e seus processos experimentais na arte contemporânea”, explica a artista. Ela conta que “a experiência cinematográfica invade a proposta”, que traz “a terminologia do cinema”, como os nomes ‘Pista’ e ‘Vulto’. “Todos os trabalhos pertencem ao universo do cinema, e são conjuntos de indícios e pistas”, diz. Ela chama de “sinopse” um resumo da proposta narrativa presente na exposição, e convida o espectador a dar um mergulho nas ilusões e sensações que o cinema proporciona. Além de estar relacionado a um gênero cinematográfico, “Suspense” também significa “incerteza, ansiedade, suspensão, estados do corpo quando sujeito a situações inesperadas”, explica a artista. “Está também presente aos trabalhos na exposição relacionados ao corpo suspenso”.

IMENSO ESPELHO

Ao entrar na exposição, o espectador vê um imenso espelho, que reflete a imagem exterior às Cavalariças. Na verdade, uma câmara capta em tempo real o entorno das Cavalariças, que é projetado na grande parede central. A obra, interativa, se chama “Verso”, em alusão aos falsos espelhos utilizados em interrogatórios de filmes policiais.

Na parede do fundo da sala à esquerda está “Vulto”, destacada pela curadora como o eixo central do projeto de cinema expandido que a artista realiza. Nela, uma mulher de costas, amarrada pelos punhos a um tronco de árvore, balança indefinidamente de um lado para o outro. ”Este ‘Vulto’ confere um eixo rítmico ao entrecortado discurso cinematográfico em processo de Katia Maciel”, afirma a curadora Paula Alzugaray.

Na parede da direita está “Pista”, inédita e feita especialmente para a exposição, em que se vê a imagem de um tronco de árvore deitado no chão, que não para de se movimentar, em “um ‘traveling’ infinito, em que você vê os detalhes, sulcos, que também lembram estradas, em outro sentido da palavra pista”, explica a artista.

Na Capela está “Uma árvore”, filmada no Parque Lage, que mostra uma árvore que se movimenta em meio a uma floresta imóvel. O movimento da árvore foi editado pela artista como o fluxo de sua própria respiração.

Paula Alzugaray, no texto que acompanha a exposição, chama a atenção também para o fato de que “cada uma das quatro obras expostas espelha a realidade verde circundante” do Parque Lage. Ela observa que Katia Maciel “tem o ímpeto de devassar a espessura da floresta”. “Mas, diferentemente de seus antecessores expedicionários e artistas viajantes, não contempla nem ataca suas maravilhas. É capturada pela paisagem”. Ela ressalta ainda que “onde hoje está o Parque Lage, na pré-história do Rio de Janeiro, viveram os temíveis índios carajás, que tinham aversão ao olhar humano e o poder de se transformarem em onças. O mito conta que não havia selva mais escura que aquela onde viviam os carajás. Como medusas, devoravam quem quer que os encarasse. Era fatal enfrentá-los de olhos abertos”.

Katia Maciel conta pensa neste projeto como uma série de episódios, em que a cada capítulo irá acrescentar “uma pista” nova, um novo trabalho. As obras interagem uma com as outras, dando sinais para o visitante tentar desvendar o suspense que envolve a exposição. Cada videoinstalação projetada na parede funciona como se fosse um mapa.

SOBRE A ARTISTA

Katia Maciel nasceu no Rio de Janeiro em 1963. É artista, cineasta, curadora, escritora, pesquisadora do CNPq e professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1994. Em 2001, realizou o pós-doutorado em artes interativas na Universidade de Walles, na Inglaterra. Atualmente coordena o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem) da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com André Parente.

Realiza filmes, vídeos, instalações e participou de exposições no Brasil, na Colômbia, no Equador, no Chile, na Argentina, no México, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na Espanha, na Alemanha, na Lituânia, na Suécia e na China. Recebeu, entre outros, os prêmios: Prêmio da Caixa Cultural Brasília (2011), Funarte de Estímulo à Criação Artística em Artes Visuais (2010), Rumos Itaucultural (2009), Sérgio Motta (2005), Petrobrás Mídias digitais (2003), Transmídia Itaúcultural (2002), Artes Visuais Rioarte (2000).

Publicou, entre outros, os livros “Letícia Parente” (org. com André Parente 2011), “O Livro de Sombras” (org. com André Parente 2010), “O que se vê, o que é visto” (org. com Antonio Fatorelli 2009), “Transcinemas” (Contracapa 2009), “Cinema Sim” (Itaucultural 2008), “Brasil experimental: Guy Brett” (org 2005), “Redes sensoriais” (em parceria com André Parente, Contracapa 2003), “O pensamento de cinema no Brasil” (2000) e “A Arte da Desaparição: Jean Baudrillard” (org 1997).

Posted by Patricia Canetti at 10:57 AM

março 6, 2015

Diego Arregui + James Kudo na Zipper, São Paulo

James Kudo apresenta instalações que libertam as águas aprisionadas em suas telas

A Zipper Galeria tem o prazer de apresentar, a partir de 24 de fevereiro, às 19h, a exposição Oxímoros, do artista paulista James Kudo. A mostra reúne 13 pinturas e duas instalações site specific, nas quais o artista faz jorrar, metaforicamente, as águas aprisionadas em suas telas.

A água sempre foi um tema presente na produção de Kudo, que viu sua cidade natal submergir durante a construção de uma represa. Encantamento e reflexão são situações construídas no universo onírico do artista, que recorre à memória e a transformação para criar obras de qualidade técnica impecável e estética vibrante. Não por acaso James Kudo foi incluído no livro 100 painters of tomorrow, de Kurt Beers, e sua participação individual na ART15, em Londres, foi aprovada com entusiasmo pelo curador Jonathan Watkins.

Oxímoro é uma figura de linguagem que combina dois conceitos opostos, de forma a criar um terceiro, metafórico. Segundo Denise Mattar, autora do texto de apresentação, James Kudo é um criador de oxímoros:

“Nas suas colagens, pintadas à mão, as cores são estridentemente silenciosas e nas paisagens, docemente venenosas, tudo parece fixo - na eternidade do instante. O trabalho de Kudo se constrói em relatos, onde a ficção e a não ficção estão continuamente mescladas. São memórias imaginadas borrando a linha entre o real e o irreal. Na reconstrução desse painel de memórias, Kudo cola os fragmentos opondo referências. Pinta superfícies de madeira imitando o revestimento que a imita, criando um duplo simulacro. Árvores e folhagens, sutilmente desenhadas, sobrepõem-se a explosões de cores cítricas, industriais, que permanecem em suspensão - no momento antes do grito. Na floresta, cuidadosamente recortada, colada sobre planos vigorosos e luminosos, mimetizam-se armas. Comportas e águas enfileiram-se hieráticas - em escalas de cor. Kudo cria, também, pequenas pinturas, como escudos de armas, nas quais estabelece um equilíbrio flutuante dos elementos que aludem às suas vivências: a opressiva presença das comportas, a força cristalina da água e a memória afetiva dos piqueniques no rio. E eles afloram representados por signos criados pelo artista para encarná-los: os sólidos de falsa madeira, o degradé de azuis, os retalhos de xadrez...”

Instalação do peruano Diego Arregui cria intervalos no espaço ao segmentar os planos de uma fotografia em profundidade

A primeira exposição do projeto Zip-Up em 2015 inaugura também uma nova tendência nas atividades da Zipper Galeria, que passa a promover o intercâmbio internacional. Paralela à exposição de James Kudo, o artista peruano residente no Chile Diego Arregui foi convidado pela curadora Denise Gadelha (ler texto) a fazer sua primeira individual no Brasil.

Diego Arregui explora um jogo entre planos bidimensionais que flutuam no espaço, reconstituindo a totalidade da imagem pela soma cognitiva de suas partes. A obra cria uma ambiguidade na percepção de profundidade da representação. A estratégia consiste, basicamente, em escurecer um ambiente pintado de preto para projetar uma fotografia em grande escala, dialogando com a dimensão arquitetônica. No entanto, ao invés de simplesmente atingir o suporte final (a parede no fundo da sala), a projeção é interceptada por outras superfícies posicionadas estrategicamente no meio do caminho. Assim, a imagem é decomposta em áreas menores, reproduzindo fisicamente a separação original entre os ambientes da cena fotografada. O artista divide a projeção em três planos distintos e com isso produz intervalos que podem ser percorridos dentro da fotografia. O público é convidado a circular, literalmente, no interior da imagem.

Diego Arregui é peruano, nascido em 1987. Atualmente vive e trabalha no Chile. É formado em fotografia pelo Centro de la Imagen em Lima. Ao longo de seus estudos desenvolveu instalações experimentais que estabelecem diálogo entre a fotografia e outras artes, sobretudo a escultura, performance e arquitetura. Em Wall-Branco realizou uma ação performática que consistia em construir para logo a seguir destruir uma parede museológica diante do publico. Este trabalho foi apresentado em conjunto com Deconstruyendo el Tiempo/Espacio: Chuyillache na galeria The Edge em Lima no ano de 2012. Participou da exposição inaugural do espaço El Borde no Centro de la Imagen em Lima, 2011. A defesa de sua monografia ao final do curso também foi exposta em El Borde, compartilhando o desdobramento da pesquisa iniciada ali no ano anterior, agora intitulada Arqueologia Contemporânea: Chuyillache.

Denise Gadelha nasceu em 1980, Belém, PA. Vive e trabalha em São Paulo. É mestre em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da UFRGS. Em 2012 cursou o programa intensivo de Art and Business no Sotheby’s Institute of Art em Londres. Atua como artista, professora e curadora. Em 2014 participou da II Bienal de Fotografía de Lima apresentando a individual DúO na Galeria El Ojo Ajeno. Nesta mesma bienal foi co-curadora da exposição Brasil: voces en la multitud, Assef, De Andrade e Morais na Sala Inca Garcilaso, Lima, Peru. Ainda em 2014 curou a exposição Vertigo realizada na SIM Galeria e a individual do artista espanhol Isidro Blasco intitulada Descontrução da Paisagem no MuMA, ambas em Curitiba. Também em 2014 curou a exposição A Falta que nos Constitui de Nati Canto na Zipper Galeria.

Lançamento do Catálogo da temporada 2014 do projeto Zip’up

A Zipper tem o prazer de convidar para o lançamento do catalogo da quarta temporada do projeto Zip’up. Desde 2011, o projeto recebe, mensalmente, uma nova mostra concebida por curadores jovens e independentes que são estimulados a mostrar trabalhos de quaisquer artistas, sem representação em São Paulo, de acordo com suas propostas curatoriais.

No ano de 2014, o projeto Zip’up recebeu Raphael Fonseca e Daniela Seixas, do Rio de Janeiro, Bruna Fetter e Fernanda Valadares, do Rio Grande do Sul, Josué Mattos, de Santa Catarina, que escolheu o paulista Gustavo Daré e ainda a cearense Galciani Neves com a conterrânea Patricia Araujo. O projeto convidou dois coletivos, pela primeira vez, o Ágata, formado por Camila Martins, Juliana Biscalquin e Luciana Dal Ri, e o Garapa, constituído de Leo Caobelli, Paulo Fehlauer e Rodrigo Marcondes. Para a temporada 2015, além do convite a artistas e curadores estrangeiros, radicados ou não no país, o projeto vai contar com a indicação de um artista por um colecionador, que coordenará uma das exposições do ano. A experimentação e o risco continuarão em pauta, como atestaram as oito individuais que passaram pelo espaço em 2014, como foi o caso também das exposições de Vick Garaventa que teve curadoria de Mario Gioia, de Camilo Meneghetti, com curadoria de Paulo Gallina e ainda o site specific de Flavia Mielnik, que utilizou a fachada e o espaço externo da galeria.

Posted by Patricia Canetti at 10:32 AM

março 1, 2015

Jonathas de Andrade no MAR, Rio de Janeiro

O Museu de Arte do Rio – MAR apresenta a exposição Museu do Homem do Nordeste, um duplo da instituição homônima, localizada no Recife e fundada nos anos 70, cujas intenções sociais e antropológicas são saqueadas e reposicionadas pelo artista Jonathas de Andrade. O trabalho, as relações entre classes, a sexualidade, a cidade e a história são alguns dos temas de interesse do museu nordestino, e o projeto ambientado no MAR promove uma leitura analítica acerca do papel das instituições museológicas na produção de subjetividades de seus respectivos contextos.

Nesta exposição, o artista – alagoano radicado no Recife – reúne 18 obras suas (várias delas inéditas, concebidas especialmente para a mostra) e 74 peças da coleção Fundação Joaquim Nabuco (parte dos acervos do Centro de Estudos da História Brasileira – Cehibra e do Museu do Homem do Nordeste), da Fundação Gilberto Freyre e do Instituto Lula Cardoso Ayres. São instalações, vídeos, fotografias, pinturas, grafites, objetos e documentos que, articulados, tensionam os estereótipos de masculinidade e outras ideias pré-concebidas normalmente vinculadas à região que foi berço da colonização portuguesa no Brasil.

“O interesse de Jonathas de Andrade por questões da história e da experiência presente da cidade onde vive, o Recife, da região que geopoliticamente a circunscreve – o Nordeste – e, mais amplamente, pelo Brasil, pode confundir as leituras possíveis de sua obra. A reincidência de certos tópicos sociopolíticos que atravessam esses contextos pode fazer parecer que o artista tem o ‘local’ como tema, enquanto o mais significativo esforço de seu trabalho se dá em torno do ‘método’ – dos modos de relacionar, organizar e estabelecer sentido e valor que são culturalmente construídos e praticados. Mais instigante do que a tematização do lugar, a atenção aos modos que a partir dali se constituem – e, como tal, são recriados – percorre projetos diversos do artista, elaborando problematizações e estratégias singulares.” comenta Clarissa Diniz, que junto de Paulo Herkenhoff assina a curadoria da exposição.

A crítica ao estereótipo fica evidente em obras como a instalação Cartazes para Museu do Homem do Nordeste, que teve início a partir de anúncios publicados semanalmente nos classificados de um jornal popular do Recife, entre 2012 e 2013. A convocação era direcionada a trabalhadores interessados em posar da forma como se imaginavam representando a região. Cada encontro foi documentado em anotações e seis delas fazem parte da obra, composta por 77 cartazes que variam de acordo com a atmosfera de cada conversa – em uma construção da identidade baseada numa relação ambivalente, antropofágica e erotizante.

Para Herkenhoff, Jonathas de Andrade se move com um raro sentido crítico, político e intelectual. “Sua obra agencia a história como processo de emancipação social. Ele simboliza a relação de desconfiança de seus contemporâneos na democracia formal e, no entanto, assume a defesa do valor da igualdade. Jonathas conduz deambulações pelo urbanismo da modernidade e pela arquitetura do desejo, expondo jogos ideológicos entre Estado e interesses hegemônicos do capital", comenta o curador.

A exposição convida o público a vivenciar uma experiência diferente. O projeto expográfico, desenvolvido para despertar no visitante a sensação de estar vendo um museu dentro de outro, tira as obras da parede e as coloca em um mobiliário especialmente criado para a mostra. Museu do Homem do Nordeste ocupa totalmente o primeiro andar da instituição e fica em cartaz até 22 de março de 2015, integrando o projeto curatorial do MAR que tem como objetivo abrir espaço para artistas que vivem e têm sua produção focada fora do eixo Rio-São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 7:34 PM