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fevereiro 18, 2021

Uma História Natural das Ruínas no Pivô, São Paulo

A exposição coletiva Uma História Natural das Ruínas, que inaugura o programa de exposições do Pivô em 2021, teve sua data de abertura antecipada para o dia 20 de fevereiro. A mudança se deve à reclassificação do município de São Paulo para a fase amarela no plano de combate ao Covid-19. Com a retomada das atividades pelos espaços culturais, permitindo 40% de ocupação presencial, o Pivô volta a seu horário regular de funcionamento, de terça à sábado, das 13h às 19h.

Uma História Natural das Ruínas propõe uma revisão crítica da distinção moderna entre cultura e natureza a partir da obra de um grupo singular de quinze artistas, de diferentes contextos e gerações, alguns deles apresentando suas obras no Brasil pela primeira vez.

Artistas participantes:

Candice Lin (EUA)
Cristiano Lenhardt (Brasil)
Daniel Steegmann Mangrané (Brasil/Espanha)
David Bestué (Espanha)
Denilson Baniwa (Brasil)
Elvira Espejo Ayca (Ayllu Qaqachaca)
Isuma (Nanavut)
Janaina Wagner (Brasil)
Lina Mazenett e David Quiroga (Colômbia)
Louidgi Beltrame (França)
max wíllà morais (Brasil)
Minia Biabiany (Guadalupe)
Paloma Bosquê (Brasil)
Sheroanawe Hakihiiwe (Sheroana, Alto Orinoco)

As implicações da representação fora da linguagem, através da exploração de outras tecnologias e formas de inteligência que não as humanas, estão no cerne do projeto curatorial de Lozano. Ela conta: "No centro da exposição está uma crítica à divisão moderna entre natureza e cultura e suas implicações ontológicas". Por meio de uma série de processos históricos, alguns humanos se separaram da natureza, fabricando-a, portanto, como categoria. Lozano prossegue: "Os regimes coloniais propagam essa noção por meio da educação e da exploração, normalizando a natureza como um 'recurso' à disposição dos humanos. É em grande parte por meio do conhecimento e das práticas ecológicas dos povos indígenas que essas categorias coloniais podem ser produtivamente desafiadas".

A exposição também busca oferecer oportunidades para pensar sobre a cura no que a antropóloga Anna Tsing chamou de "sobrevivência precária". É a vida multiespécie que reage à violência humana na paisagem arruinada do capitalismo. Lozano especula: "As ruínas produzidas no presente podem ser parcialmente consideradas como a projeção de um inconsciente modernista".

Através de uma pluralidade de práticas e diferentes mídias, tais como pinturas, instalações, vídeos e performances sonoras, as/os artistas presentes na exposição, nas palavras da curadora, "enfrentam a brutalidade das categorias e práticas binárias modernas".

Alguns destaques da mostra: Em Mesa Curandera (2018), o artista francês Louidgi Beltrame registra cerimônias de cura com o cacto San Pedro promovidas por um xamã no Peru; Qapirangajuq: Inuit Knowledge and Climate Change (2009), do coletivo de arte e mídia inuit Isuma, que ocupou o pavilhão do Canadá da Bienal de Veneza em 2019, é o primeiro documentário feito em idioma inuktitut sobre o tema do aquecimento global; os delicados desenhos do yanomami Sheroanawe Hakihiiwe descrevem as formas e marcas deixadas por animais e plantas que fazem parte do ambiente onde vive, no Alto Orinoco venezuelano; feita especialmente para o projeto pelo espanhol David Bestué, a série de novos trabalhos tem inspiração no Poema Sujo, de Ferreira Gullar; Whole New Animal (2012), vídeo da estadunidense Candice Lin, interroga as histórias do colonialismo e do imperialismo no Brasil, EUA e Bélgica; além da participação de duas jovens artistas brasileiras Janaina Wagner, com o vídeo Lobisomem (2016), e max wíllà morais, que apresentará uma obra inédita.

*O programa de 2021 do Pivô se articula em torno da leitura feita pelas antropólogas Marisol de la Cadena e Milton Blaser do conceito de pluriverso, como mundo onde cabem muitos mundos. Esse conceito alinha as pesquisas dos artistas envolvidos no programa de exposições, e aparecerá também de maneira transversal nos outros programas da instituição. Acompanhe em www.pivo.org.br.

A apresentação do projeto pela curadora da mostra, a colombiana Catalina Lozano, estará disponível em vídeo, com interpretação em Libras, a partir do dia 1º de março.

Uma História Natural das Ruínas tem o apoio da Trampoline Association.

Para consultar o protocolo de segurança sanitária do Pivô, acesse o link.


SOBRE A CURADORA

Catalina Lozano (Bogotá, 1979) é curadora independente e escritora, é Diretora de Programas da KADIST na América Latina. Nos últimos 10 anos, tem se interessado por narrativas menores que questionam formas hegemônicas de conhecimento. As análises das narrativas coloniais e a desconstrução da divisão moderna entre natureza e cultura têm servido de ponto de partida para muitos de seus recentes e futuros projetos curatoriais e editoriais, como as exposições The willow sees the heron’s image upside down (TEA, Tenerife, 2020), Le jour des esprits et notre nuit (CRAC Alsace, Altkirch, 2019, com curadoria de Elfi Turpin), Winning by Losing (CentroCentro, Madrid, 2019), Ce qui ne sert pas s’oublie (CAPC, Bordéus , 2015), A Machine Desires Instruction as a Garden Desires Discipline (MARCO Vigo, FRAC Lorraine, e Alhóndiga Bilbao, 2013-14), e o livro Crawling Doubles: Colonial Collecting and Affects (B42, Paris), coeditado com Mathieu K. Abonnenc e Lotte Arndt. Em 2018, seu livro The Cure foi publicado pela A.C.A. Público. Entre 2017 e 2019 foi Curadora Associada do Museo Jumex na Cidade do México onde desenvolveu projetos expositivos com Bárbara Wagner & Benjamin de Burca, Fernanda Gomes e Xavier Le Roy, entre outros artistas, e organizou a exposição Could Be (An Arrow). Uma leitura de La Colección Jumex. Fez parte da equipe artística da 8ª Bienal de Berlim em 2014.

SOBRE AS/OS ARTISTAS

Denilson Baniwa (1984) vive e trabalha no Rio de Janeiro. As obras de Baniwa retratam sua experiência como Ser indígena hoje, mesclando referências indígenas tradicionais e contemporâneas e se apropriando de ícones ocidentais para comunicar o pensamento e a luta dos povos originários. Sua prática inclui diversos suportes e mídias como pintura, instalações, mídias digitais e performance. Como ativista pelos direitos dos povos indígenas, desde 2015 ministra palestras, oficinas e cursos nas regiões Sul e Sudeste do Brasil e também na Bahia. Baniwa frequentemente se apropria de referências culturais ocidentais para descolonizá-las em sua obra; ele é conhecido por questionar paradigmas e abrir caminhos para que povos indígenas em territórios nacionais sejam protagonistas de suas próprias histórias.

David Bestué (Barcelona, 1980) vive e trabalha em Barcelona. Artista e escritor interessado na relação entre texto, escultura e arquitetura. Sua prática experimenta ideias extraídas da poesia, história da arte e arquitetura, testando até onde elas podem ser levadas literalmente e conceitualmente. Ao fazer pequenas alterações nos cenários público e doméstico, suas obras criam situações que questionam nossas convenções de comportamento, e buscam estabelecer vínculos temporários e frágeis entre as formas permanentes e a presença de elementos transitórios, tanto humanos quanto inanimados, no espaço.

Louidgi Beltrame (Marselha, 1972) vive e trabalha em Mulhouse, França. Seu trabalho é baseado em modos de documentação da organização humana ao longo da história do século XX. Ele viaja para locais definidos por uma relação paradigmática com a modernidade: Hiroshima, Rio de Janeiro, Brasília, Chandigarh, Chernobyl ou a colônia mineira de Gunkanjima, sobre o mar perto de Nagasaki. Seus filmes – baseados no registro da realidade e na constituição de um arquivo – apelam à ficção como uma maneira possível de considerar a História. Mais recentemente, seus projetos o levaram a sítios arqueológicos no deserto costeiro do Peru: El Brujo, ruínas culturais de Moche e as Linhas de Nazca que ele conectou, respectivamente, à história do cinema francês “New Wave” e à Land art americana dos anos 70. Concluiu em 2018, Mesa Curandera um projeto colaborativo com José Levis Picón, um xamã peruano que conheceu em 2015.

Paloma Bosquê (Garça, 1982) vive e trabalha em São Paulo. Sua pesquisa baseia-se principalmente em sua prática diária no estúdio. Lá, ela lida e associa livremente materiais que não são típicos da escultura, criando composições de diferentes formatos e escalas. Em uma busca constante por um equilíbrio possível e consensual entre seus elementos selecionados, a artista geralmente desenvolve métodos específicos para combinar, justapor e mesclar materiais sem nunca forçá-los a uma interação definitiva. Experimentando a textura, o peso e o equilíbrio de seus materiais, Bosquê cria paisagens visuais extremamente delicadas que exploram a transitoriedade da matéria e da impermanência. Suas obras nos lembram a fragilidade dos acordos que unem tudo o que consideramos permanente ou definitivo.

Minia Biabiany (Basse-Terre, Guadalupe, 1988). Trabalha e vive entre a Cidade do México e Guadalupe. Em sua prática, Minia Biabiany utiliza a desconstrução de narrativas por meio de instalações, vídeos e desenhos e constrói poéticas efêmeras de formas em relação às realidades coloniais. Seu trabalho começa com uma investigação sobre a percepção do espaço e explora o paradigma relacionado ao processo de tecelagem e a noção de opacidade na linguagem visual, oral e escrita. Iniciou o projeto coletivo artístico e pedagógico semillero Caribe em 2016 na Cidade do México e continua a explorar a desconstrução de narrativas com o corpo e conceitos de autores caribenhos com sua plataforma pedagógica e experimental Doukou.

Elvira Espejo Ayca (Ayllu Qaqachaka, 1981) é uma artista visual, tecelã e narradora da tradição de sua cidade natal, localizada na província de Avaroa, Oruro, Bolívia. Falante de aimará e quíchua, é coautora de várias publicações, incluindo Hilos sueltos: Los Andes desde el textil (2007), Ciencia de las Mujeres (2010), Ciencia de Tejer en los Andes: Estructuras y técnicas de faz de urdimbre (2012) e El Textil Tridimensional: El Tejido como Objeto y como Sujeto (2013). Foi diretora do Museu Nacional de Etnografia e Folclore de La Paz, Bolívia, entre 2013 e 2020, e recebeu o Prêmio Eduardo Avaroa nas Artes, Têxteis Nativos Especiais, em 2013.

Sheroanawe Hakihiiwe (Sheroana, Venezuela, 1971) vive e trabalha em Pori Pori, comunidade Yanomami, El Alto Orinoco. Artista ondígena que, desde os anos 1990, desenvolve um trabalho que visa resgatar a memória oral de seu povo, de sua cosmogonia e tradições ancestrais, da fabricação de papéis artesanais, da edição de livros elaborados com sua comunidade e, mais recentemente, do desenho como ferramenta para representá-los. Sua experiência no campo da criação começa em 1992, quando aprende a fazer papel artesanal com fibras nativas como Shiki ou Abaca, sob a tutela da artista mexicana Laura Anderson Barbata. Juntos, eles fundariam o projeto comunitário Yanomami Owëmamotima (A arte Yanomami de papel de jogo), uma iniciativa pioneira e auto-sustentável a partir da qual os primeiros livros artesanais foram publicados até hoje – escritos e ilustrados – a partir de uma experiência coletiva da comunidade.

Isuma, que significa “pensar”, é um coletivo de empresas de propriedade Inuit com sede desde 1990 em Igloolik, Nunavut, com um escritório em Montreal. Em janeiro de 1990, quatro sócios Zacharias Kunuk, Paul Apak, Pauloosie Qulitalik e Norman Cohn incorporaram a Igloolik Isuma Productions Inc. para produzir e distribuir filmes independentes em língua inuit, apresentando atores locais recriando a vida inuit na região de Igloolik nas décadas de 1930 e 1940. Nos dez anos seguintes, Isuma ajudou a estabelecer um centro de artes de mídia Inuit, o NITV; um grupo de mídia e circo juvenil, Artcirq; e um coletivo de vídeo feminino, Arnait Video Productions. Em 2001, o primeiro longa-metragem de Isuma, Atanarjuat The Fast Runner, ganhou a Camera d’or no Festival de Cannes; o segundo longa de Isuma, The Journals of Knud Rasmussen, abriu o Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2006. Em 2004, Isuma incorporou a Isuma Distribution International e em 2008 lançou o IsumaTV www.isuma.tv, o primeiro site mundial de arte de mídia indígena que agora exibe mais de 7.000 filmes e vídeos em 84 idiomas. O projeto de arte-mídia de Isuma representou o Canadá na Bienal de Veneza de 2019 com seu mais novo longa, One Day in the Life of Noah Piugattuk, que foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto e ganhou o prêmio de Melhor Filme Canadense no Festival Internacional de Cinema de Vancouver 2019.

Cristiano Lenhardt (Itaara, 1975) vive e trabalha no Recife. A obra de Lenhardt explora as narrativas que entrelaçam a cultura pop e a cultura de massa, a construção de mitos e lendas e uma reflexão sobre as formas como seres humanos, animais e objetos se relacionam. A sua prática não privilegia um meio acima do outro, mas antes abrange filme, performance, instalação, escultura, fotografia, desenho e gravura. O artista cria peças que fazem referência a diferentes fontes, incluindo folclore, história da arte, literatura fantástica e ficção científica, deixando sua pesquisa ser guiada não por um conceito pré-estabelecido, mas por uma série de exercícios de escrita, desenho e manipulação de materiais de diferentes origens que vão sendo modelados, montados, dobrados e trazidos à vida.

Candice Lin (Concord, 1979) vive e trabalha em Los Angeles. Lin trabalha com instalação, desenho, vídeo e materiais e processos vivos, interrogando as maneiras como as histórias de poder e marginalidade são inscritas nos corpos e no mundo natural. Ela costuma criar ambientes escultóricos que respiram, filtram, fermentam e se decompõem, trabalhando com um arsenal de formas esculturais que incluem objetos finamente trabalhados, organismos, como plantas, insetos, bactérias e compostos naturais.

Lina Mazenett (Bogotá, 1989) e David Quiroga (Bogotá, 1985) exploram a inter-relação entre organismos e os erroneamente denominados “recursos” do meio ambiente, sua distribuição e ressignificação através da cultura. Os artistas refletem sobre a temporalidade, a origem e o simbolismo de alguns elementos fundamentais da economia mundial, como diversos minerais e derivados de petróleo muito presentes em nosso cotidiano, conectando o ser humano a tempos geológicos remotos. Sua prática abrange uma ampla gama de meios e é inspirada por um diálogo entre a mitologia do povo amazônico e certos campos da ciência ocidental, como geologia, astronomia e economia. Por meio de seu trabalho, eles tentam reconectar elementos comuns e cotidianos com o conhecimento antigo e o tempo mítico.

max wíllà morais (Rio de Janeiro, 1993) vive e trabalha entre Rio de Janeiro e São Paulo. Bicha, artista, escritora, graduada em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2016), mestranda em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2019-2021) e bolsista na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em Mediação (2014) e no Programa Formação e Deformação (2019-2020). Seus trabalhos de desenho, fotografia, instalação, costura e aparição mobilizam histórias, geografias e as relações materiais e imateriais que podem surgir entre o mundo e as coisas vivas. Elabora também experiências visíveis e invisíveis a partir da diáspora preta e dos encontros tanto familiares quanto incomuns. max foi indicada ao prêmio PIPA em 2020 e expôs na galeria A Gentil Carioca, no Museu de Arte do Rio, Paço Imperial do Rio de Janeiro e, ao lado de Leonilson, no espaço de arte Auroras, em São Paulo.

Daniel Steegmann Mangrané (Barcelona, 1977) vive e trabalha no Rio de Janeiro. A obra de Mangrané examina a área nebulosa que existe entre noções estritamente opostas na cultura ocidental, como cultura e natureza, sujeito e objeto, realidade e devaneio, visto e oculto. O artista combina diversos elementos, como o natural com o artificial, ou os coloca em ambientes estranhos. Ao fazer isso, fabrica situações em que hierarquias predeterminadas se desfazem e as fronteiras de coisas aparentemente inversas se dissolvem para fornecer novas perspectivas de meio-termo. Sua prática abrange uma vasta gama de suportes, incluindo cinema, escultura, som, jardins e desenho, com enfoque na criação e migração de formas entre natureza, arte e arquitetura.

Janaina Wagner (1989) vive e trabalha entre São Paulo e Roubaix. A pesquisa da artista explora aspectos da tentativa de controle do ser humano de seu meio ambiente, principalmente por meio de processos civilizatórios voltados para o domínio da natureza, ignorando sua fragilidade e finitude. Sua prática abrange uma ampla gama de mídias, incluindo instalações, vídeo, fotografia, desenho, pintura e cenografia. Muitas das referências de Wagner derivam dos procedimentos através dos quais a humanidade registra e articula seu progresso e legado. Tendo estudado Belas Artes e Jornalismo, ela aborda e questiona os mecanismos que validam uma história como verdadeira – olhando de perto cada constelação de contos, fatos e imagens. Wagner desenvolve sua obra plástica em um processo de “decupagem”, rearticulando imagens e textos já inseridos na circulação midiática.

SOBRE O PIVÔ

Fundado em 2012, o Pivô é um espaço de arte autônomo que oferece uma plataforma para a experimentação artística e o pensamento crítico de artistas, curadores, pesquisadores e público em geral. No Pivô, artistas e curadores são incentivados a responder às especificidades da arquitetura da instituição – um espaço previamente abandonado de 3.500m² dentro de um dos edifícios mais emblemáticos de São Paulo, o Copan, projetado por Oscar Niemeyer – e seu contexto desafiador. O programa é composto por exposições, residências, palestras públicas e publicações de artistas locais e internacionais. A instituição já realizou mais de 150 residências nos últimos anos e os recentes comissionamentos incluem os artistas Katinka Bock, Eduardo Navarro, Erika Verzutti, Mário Garcia Torres, Letícia Ramos, Rodrigo Hernandez e a mostra coletiva “imannam” de Ana Maria Maiolino, Ana Linneman e Laura Lima.

Posted by Patricia Canetti at 1:43 PM