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junho 13, 2018

Fernando Velázquez na Zipper, São Paulo

Dando sequência à sua pesquisa no campo da arte e tecnologia, o artista Fernando Velázquez apresenta sua terceira exposição individual na Zipper Galeria. Aberta no dia 21 de junho, Iceberg apresenta um conjunto de novos trabalhos que remetem ou exploram alegoricamente a figura do iceberg. “Enxergamos uma porção ínfima da totalidade do iceberg já que a maior parte da sua massa encontra-se submersa. Alegoricamente, poderíamos pensar que o nosso entendimento da realidade se assemelha a um iceberg já que necessariamente o campo do que conhecemos será infinitamente menor que o campo do que seria possível conhecer. O inconsciente, por exemplo, poderia ser a parte invisível de um iceberg chamado consciência", afirma o artista.

Ao admitir que o conhecimento a respeito de qualquer fenômeno será sempre relativo, parcial e incompleto, Velázquez se dispõe a pensar questões da contemporaneidade relacionadas ao crescente impacto da tecnologia no cotidiano e na nossa capacidade de estabelecer um diálogo crítico neste cenário. A exposição ocupa a galeria principal com uma instalação multimídia na qual lasers acoplados a totens de madeira desenham um grid ortogonal, como paralelos e meridianos em um mapa, em alusão à geografia e ao território.

Cada totem – cuja estrutura formal remete à vegetação do mangue – é uma pequena estação inteligente que conta com um microcomputador e um sensor. Em conjunto, os totens se comunicam entre si, via wifi. Utilizando dados da movimentação do público na sala, como velocidade, posição e distância, um algoritmo de inteligência artificial altera a posição dos feixes de laser modificando a configuração do território. Por baixo dos feixes de laser, no chão da galeria, é projetado uma animação em vídeo que apresenta de maneira alegórica e sintética o conhecimento acumulado pela humanidade – alfabetos, mapas, patentes, documentos, fórmulas, fotografias – em assim um sistema que contrasta a inteligência artificial dos algoritmos e máquinas com a inteligência humana.

Complementa a experiência imersiva uma trilha sonora espacializada em 4 canais, sincronizada aos lasers e à animação em vídeo. A trilha sonora será edição em um álbum em vinil, cujo rótulo permite a leitura por realidade aumentada.

Um filme em realidade virtual em 360º (no qual icebergs flutuam e se modificam em um ambiente de gravidade não convencional) e um letreiro em neon com a inscrição "loop (mente a mente)” – sentença que emula a sintaxe de uma linguagem de programação e sugere que o entendimento da realidade é mediado pela mente e suas inerentes contradições e agenciamentos – completam o conjunto de trabalhos.

PROGRAMAÇÃO

No sábado, 11 de agosto, às 15h, o artista Fernando Velázquez faz visita guiada, lança o catálogo eletrônico da exposição Iceberg, com textos de Daniela Bousso e Josué Mattos, e o álbum digital da exposição pelo selo Contour Editions, com curadoria de Richard Garet (Nova Iorque). Acompanhe no evento do Facebook.

Fernando Velázquez (Montevidéu, Uruguai, 1970 - vive e trabalha em São Paulo desde 1997) é artista multimídia. Suas obras incluem vídeos, instalações e objetos interativos, performances audiovisuais e imagens geradas com recursos algorítmicos. Explora a relação entre natureza e cultura, colocando em diálogo dois tópicos principais: as capacidades perceptivas do corpo humano e a mediação da realidade por dispositivos técnicos. Mestre em Moda, Arte e Cultura pelo Senac-SP, pós graduado em Video e Tecnologias On e Off-line pelo Mecad de Barcelona, participa de exposições no Brasil e no exterior com destaque para The Matter of Photography in the Americas, Cantor Arts Center, Stanford University (EUA, 2018); Reinventando o Mundo, Museu da Vale, (Vitória-ES, Brasil, 2013), Emoção Art.ficial Bienal de Arte e Tecnologia, Itaú Cultural (São Paulo, Brasil, 2012), Bienal do Mercosul (Porto Alegre, Brasil, 2009), Mapping Festival (Suiça, 2011), WRO Biennale (Polônia 2011) e o Pocket Film Festival no Centro Pompidou (Paris, 2007). Recebeu, dentre outros, o Premio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (Brasil, 2009), Mídias Locativas Arte.Mov (Brasil, 2008) e o Vida Artificial (Espanha, 2008). Foi professor convidado na PUC-SP, FAAP-SP e Senac-SP e ministra palestras e workshops em instituições públicas, privadas e do terceiro setor como, Stony Brook University (Nova Iorque), Cyberfest (São Petesburgo, Rússia), Naustruch (Sabadell, Espanha), Visiones Sonoras (Morelia, México). Foi curador dentre outros do Festival Motomix (2007) e do Festival Manobra (2009), e das exposições Adrenalina (2014) e Periscopio (2016). Desde 2015 é o curador e diretor artístico do Red Bull Station em São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 2:03 PM