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outubro 23, 2016

Frederico Filippi e Raphael Escobar na Leme, São Paulo

O que se dá com a propriedade da arte que é sempre engajada de uma maneira ou de outra em sua impropriedade? A pergunta parece simples, mas complexa em sua ambiguidade, pois existe dentro da pergunta através de uma singular dualidade. É que não poderíamos escolher uma das palavras: se próprio, é legítimo, mas sua legitimidade parte de um contexto duvidoso porque pode dominar o outro; se impróprio, ilegítimo, que possivelmente parte de um contexto interpretado e significado pelo qual é dominado.

Próprio-impróprio, Galeria Leme, São Paulo, SP - 26/10/2016 a 19/11/2016

Frederico Filippi apresenta cinco trabalhos de diferentes formatos. Deriva são cinco atlas cortados em diversos formatos, cada pedaço deslocado de seu eixo de fixação auxilia formar outra imagem geométrica do retângulo ou quadrado do livro, gerando dessa forma uma proposição múltipla de leitura entre título, o espaço geográfico que cada atlas se refere e o corte realizado. Em Queima, o suporte da tela tem o formato de um triangulo isósceles também cortado ao meio, porém o corte é realizado na imagem. Da metade para cima, uma camada grossa de tinta asfáltica preta parece cobrir uma pintura de mata virgem detalhada na parte inferior do triângulo. Já em 3˚ Demarcação, a tela quadrada, com a imagem cortada diagonalmente, do canto superior direito ao inferior esquerdo, divide igualmente um plano de cor vermelho e uma mata. Ultradistância, chapas de metal dispostas a construir um retângulo apresentam um fundo preto com manchas quase geométricas vermelhas, que aludem às marcações realizadas pelos desmatamentos ou às plantações em larga escala de propriedades privadas. E, Propriedade da União, o artista apresenta quatro facões, com fios de corte e pintados de preto, que tem suas formas em escala representativa de quatro diferentes reservas indígenas demarcadas pela Funai no Brasil.

Com Raphael Escobar, dois grupos de trabalhos vieram a tona. Town&Country, em que são dispostos cinco pedaços de paredes de um antigo hospital de São Paulo, nos quais o artista interveio em suas superfícies a fim de desenhar em contra relevo cinco símbolos que foram ou ainda são proibidos aos presos no sistema carcerário, pois representam, aos olhos da polícia, crimes. O título desse trabalho também se apropria de um outro contexto, de uma marca de surf existente desde 1971 que em seu logo se sustenta o símbolo Yin Yang, o qual é referenciado pelos presos como o nome da marca. Em, Circulação, são cinco backlights que fazem referencia a serviços específicos encontrado dentro da ocupação do Movimento Sem Teto do Centro no antigo Hotel Cambridge, no centro de São Paulo, onde Escobar encerrou recentemente uma residência artística. Cada backlight apresenta um logotipo, que o próprio artista desenvolveu com os prestadores de serviço da ocupação.

Já nas propostas de Leonardo Araujo, curador da exposição, buscou-se fazer três movimentos gráfico-textuais. O título da exposição recorre à palavra-conceito de Maurice Blanchot, utilizada no texto A Comunidade Inconfessável. O X, texto plotado sobre uma grossa chapa de MDF, replica o tamanho das placas de cimento utilizadas na estrutura arquitetônica do edifício da galeria. X cruza os discursos que cada artista apresenta sobre seus trabalhos, em suas duas linhas superiores; o discurso em consonância dos artistas e curador sobre o projeto, centralmente; e os comentários deste aos trabalhos dos artistas, na parte inferior. E Dois sujeitos cuidam de um prédio, como texto curatorial, em que, dois trabalhos dos artistas, Gato de Escobar e Peixe de Filippi, tomam forma num conto fantástico.

Como irmãos siameses, que mesmo unidos são diferentes em espírito e forma, compartilhando o mesmo corpo e passado, próprio-impróprio surge tanto do veneno de sua realização quando do antídoto de sua idealização. Por isso, em nenhum momento as imagens e os textos apresentados intentam responder a problemática dual de seu título, mas refletem sobre a dificuldade existente entre a realidade comum e a imaginação do sujeito que neles fruem.

Frederico Filippi, São Carlos, Brasil, 1983. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
O trabalho de Frederico Filippi se depara sobre oposições de ordem e desordem, relações invisíveis presentes na vertigem dos processos civilizatórios, em especial no contexto da América do Sul. Com procedimentos variados e técnicas dispersas, a centralidade das imagens presentes em suas investigações muitas vezes partem da influência que recebe dos temas da antropologia - especificamente da etnologia ameríndia - como a pesquisa de campo, os resíduos imagéticos de encontros de mundos diferentes e a diagramação de informações aparentemente caóticas em um contexto novo. Para isso, ao mesmo tempo que se debruça sobre objetos e materiais para produzir pinturas, desenhos e instalações, também leva a cabo pesquisas mais extensas em processos de deslocamento e residências que acabam por produzir uma ação sobre a realidade, mesmo que ínfima, de modo a introduzir um ruído na imagem geral. Cada vez mais a agência invisível dos objetos e das informações tem se tornado um ponto de encontro em seu processo, de forma que o artista não se abate sobre uma técnica verticalmente, mas transita de acordo com a sondagem e encontra em diferentes materiais e ações caminhos para tornar visíveis estes procedimentos.
Entre suas principais exposições estão: O sol, o jacaré albino e outras mutações, Galeria Athena Contemporânea, Rio de Janeiro; Totemonumento, Galeria Leme, São Paulo (2016); Fogo na Babilônia, Pivô, São Paulo; Até aqui tudo bem, Galeria White Cube, São Paulo (2015); Si no todas las armas, los cañones, Matadero Madrid, Madri, Espanha; Mostra da 5º Edição da Bolsa Pampulha, Museu da Pampulha, Belo Horizonte; A parte que não te pertence, Maisterra Valbuena, Madri, Espanha (2014). Prêmios e residências artísticas: Kiosko, Santa Cruz de la Sierra, Bolívia; El Ranchito Matadero Madrid, Madri, Espanha (2015); Bolsa Pampulha, Museu da Pampulha, Belo Horizonte; Prêmio Novíssimos, Galeria IBEU, Rio de Janeiro; La Ene, Buenos Aires, Argentina (2013); 5º RedBull House of Art, São Paulo (2011).

Raphael Escobar, São Paulo, Brasil, 1987. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
A obra de Raphael Escobar se fundamenta na dicotomia das noções de público e privado, lugar e não-lugar, centro e margem, utilizando objetos de uma linguagem própria ao cotidiano das cidades, ações e situações corriqueiras do cotidiano urbano a fim discutir relações de poder e imposição, mas também da subversão dessas lógicas, rumo ao ilegal ou ao considerado “vandalismo”. Desde 2009 atua com educação não formal em contextos de vulnerabilidade social. Esta atuação serve também como pesquisa e ativação do seu trabalho que frequentemente evidencia as formas de resistência em meio à precariedade, ao apagamento, à exclusão e à diminuição de direitos e liberdades.
Entre as suas principais exposições estão as coletivas: Totemonumento, Galeria Leme, São Paulo (2016); Vaguear, transitar, caminhar, errar..., Ateliê Aberto, Campinas, São Paulo (2015); 31ª Bienal de São Paulo (colaboração com coletivo Ruangrupa), São Paulo (2014); X Bienal de Arquitetura, Centro Cultural São Paulo, São Paulo; A Alma é o Segredo do Negócio, Funarte, São Paulo, Brasil (2013), entre outras.
Residências artísticas: Red Bull Station, São Paulo, Brasil (2016); Condomínio Cultural, São Paulo, Brasil; Muros: Territórios Compartilhados, Salvador, Brasil (2013), entre outras.

Leonardo Araujo vive e trabalha em São Paulo. É escritor, critico de arte e editor independente. Cursou parcialmente Filosofia pela Unifesp e graduou-se em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes. Realizou a curadoria da exposição Noves_Fora no espaço independente Beco da Arte, no qual trabalhou por 3 anos. Foi assistente no Núcleo de Pesquisa e Crítica em História da Arte na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Desenvolveu o projeto expositivo Estruturas Possíveis: um diálogo crítico-criativo com o artista Bruno Baptistelli, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Atualmente participa do Grupo de Estudos Práticos em Linguagem Experimental em que desenvolve o projeto Gramatologia na mesma instituição. Também, está em andamento com o projeto Gravidade [espécies de espaços], junto ao artista Daniel de Paula Mendes na Colônia da Cratera, Parelheiros. Através da Glac Edições, lançou recentemente o livro Claire Fontaine: em vista de uma prática política.

Posted by Patricia Canetti at 12:47 PM