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fevereiro 20, 2016

Angelo Venosa na Nara Roesler, São Paulo

AGENDA SP Hoje 20/02 às 11-15h: Angelo Venosa @ Nara Roesler, São Paulo http://bit.ly/N-Roesler_A-Venosa >>> Com um...

Publicado por Canal Contemporâneo em Sábado, 20 de fevereiro de 2016

Em sua primeira individual na Galeria Nara Roesler de São Paulo, Angelo Venosa apresenta três novas séries de trabalhos derivadas de sua pesquisa sobre forma.

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Angelo Venosa faz sua primeira individual na Galeria Nara Roesler entre 20 de fevereiro e 28 de março, intitulada Giusè. Nela, exibe cerca de 20 obras divididas em três novas séries de dimensões e materiais variados, esculturas processuais que derivam de sua pesquisa sobre forma desenvolvida ao longo de sua trajetória artística.

A produção de Venosa tem um caminho particular dentre os artistas da chamada Geração 80. Com um trabalho focado na tridimensionalidade, o artista valoriza os procedimentos e a experiência da realização como constituintes da obra. Seu processo criativo comumente alia elementos tecnológicos à manufatura, quando há o embate entre o conceito e o trabalho final.

Nas palavras do próprio artista, em entrevista a Paulo Sergio Duarte (2012): “ Olho para o que faço, para o que venho fazendo, e vejo de cara duas vertentes que são aparentemente antagônicas. Uma delas, mais cartesiana, um modo lógico e objetivo de construir o mundo, vamos dizer assim. E outra, em que há uma espécie de pressão da imagem, totalmente contrastante com a primeira e propositadamente mais desorganizada. Porém, um desordenamento que não é propriamente desordenado”.

As três séries de obras apresentadas na exposição lidam de maneira distinta com essas premissas processuais. A primeira é composta por sólidos construídos em camadas, saindo diretamente da parede ou do chão ou apoiados num suporte negro em que se vê a projeção bidimensional da continuidade de sua forma (chamados de “quadros”, estabelecendo uma relação entre pintura e escultura), num jogo entre a ideia e a matéria. Aqui, Venosa parte de uma forma ideal, criada no computador, para construir os volumes pela sobreposição de camadas, num resultado visualmente orgânicos.

O grupo com os maiores trabalhos da mostra apresenta o desenvolvimento da pesquisa de Venosa em busca de corpos estruturados externamente, ou seja, formas ocas delimitadas apenas por sua camada externa, como exoesqueletos. Nesses trabalhos, o embate do artista com o material torna-se mais evidente, já que as obras são formadas pela justaposição de camadas de compensado parafusadas umas nas outras. Novamente, a idealização inicial da obra é forçada contra seu limite material, que só pode ser configurado de fato durante sua realização.

Finalmente, pequenos elementos produzidos por uma impressora 3D, que se assemelham a estruturas orgânicas tais como corais - surge aí novamente a ideia do exoesqueleto - compõem conjuntos heterogêneos, como um gabinete de curiosidades da Era Moderna. “São também um forte espaço de experimentação no sentido mais direto e lúdico do termo” como define Venosa.

Pela integração de madeira à matéria plástica que constitui as camadas de impressão - que geram um paralelo à realização manual dos volumes em camadas do primeiro grupo de obras -, as peças ganham aparência entre orgânica e artificial, num efeito trompe l’oeil. E incorporam como parte da obra os erros de processamento (os chamados “stringings”, quando filetes de camadas sobram para fora da peça, como fios puxados), o que subverte a objetividade do processo tecnológico, inserindo a inexatidão e o acaso.

Assim, o sentido que perpassa esses trabalhos e os conecta à trajetória de Angelo Venosa é a assimilação da indefinição como componente de um mundo cada vez mais avesso ao imperfeito e baseado na certeza. Em seus quebra-cabeças processuais que, como numa ilusão de ótica, desmontam a todo instante a aparente coerência de seus elementos integrantes, o artista nos remete constantemente ao momento presente, na forma da experiência de contato com a obra, imprevisível como o próprio processo de criação. Mais importante do que compreender um sentido estático da obra é perceber-se instigado por suas contradições, que criam uma ponte entre a assertividade científica, cerebral, e a natureza de que somos parte.


In his first solo exhibit at Galeria Nara Roesler in São Paulo, Angelo Venosa presents three new artwork series deriving from his research on form.

Angelo Venosa will have his first solo exhibit at Galeria Nara Roesler, entitled Giusè, from February 20 to March 28. It will feature roughly 20 pieces divided into three new series in varying sizes and materials, process-based sculptures deriving from the research on form he developed throughout his career.

The history of Venosa’s output stands apart from that of so-called 80s Generation artists. Focusing on threedimensionality, the artist values procedures and the art-making experience as the constituents of his work. His creative process often combines technological elements and handicraft, opposing concept and the finished artwork.

As the artist himself put it in an interview to Paulo Sergio Duarte (2012): “I look at what I do, at what I’ve been doing, and the first thing I see is two seemingly opposite strains. One is more Cartesian, a logical, objective way to build the world, so to speak. And in the other one there’s this pressure of image, which is in complete contrast with the first one and is purposely more disorganized. But that disorder is not exactly disorderly.”

The three series of artworks featured in the show deal with these processual premises in different ways. The first one comprises layered solids jutting directly from the wall or the floor or sitting on a black stand where one sees the two-dimensional projection of the continuity of their form (they are called “pictures,” creating a connection between painting and sculpture), in an interplay of idea and matter. Here, Venosa works from an ideal form, created in a computer, to build the volumes through layer superimposition to arrive at a visually organic result.

The set comprising the biggest pieces in the exhibit showcases the development of Venosa’s research that strives for externally-structured bodies, i.e. hollow forms whose boundaries are set exclusively by their outer layer, like exoskeletons. In these pieces, the artist’s confrontation with the material becomes all the more evident, since the artworks are composed through the juxtaposition of layers of plywood screwed onto one another. Once again, the artwork’s original conception is forced against its material limits, which can only be truly configured during its making.

Finally, small elements produced using a 3D printer, resembling coral-like organic structures – here the idea of the exoskeleton appears again – create heterogeneous sets, like a Modern-Age curiosity cabinet. “They’re also a strong space for experimentation in the most direct, playful sense of the word,” as Venosa puts it.

The integration of wood and the plastic material that constitutes the print layers – which draw a parallel with the fact that the layered volumes in the first set of artworks are handmade –, the pieces take on an appearance between organic and artificial, in a trompe l’oeil effect. And they incorporate processing errors as part of the artwork (the so-called “stringings,” when threads from some layers jut out of the piece, like seam slippages), which subverts the objectivity of the technological process, adding inexactitude and chance.

Thus, the meaning that runs through these pieces and connects them to Angelo Venosa’s careers is the assimilation of indefiniteness as a component in a world that’s more and more averse to imperfection and based on certainty. In his process-based puzzles, which, like an optical illusion, disassemble the seeming coherence of their constituent elements at every moment, the artist constantly brings us back to the present moment, in the form of the experience of contact with the artwork, unpredictable like the artwork creation process itself. More than grasping a stationary meaning to the artwork, the important thing here is to find oneself instigated by its contradictions, which bridge the gap between cerebral, scientific assertiveness and the nature we are part of.

Posted by Patricia Canetti at 11:18 AM