Página inicial

Blog do Canal

o weblog do canal contemporâneo
 


julho 2015
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 31  
Pesquise no blog:
Arquivos:
As últimas:
 

julho 1, 2015

Carla Linhares no NaCasa Coletivo Artístico, Florianópolis

AGENDA SC Hoje 03/07 às 19h: Carla Linhares @ NaCasa Coletivo Artístico http://bit.ly/NaCasa_C-Linhares

Posted by Canal Contemporâneo on Sexta, 3 de julho de 2015

Exposição individual de Carla Linhares em NaCasa Coletivo Artístico

Quatro fotografias alinhadas em uma parede. Sobre elas, a projeção de uma linha vermelha que vai do início ao fim das imagens. O áudio do coro dos índios Imbiá Guarani se diluindo no som de uma multidão e se reconstituindo a partir deste mesmo som de massa, numa forma circular.

Essas são algumas das variáveis do trabalho Permanente/Mutável, que dá título a exposição individual de Carla Linhares, que abrirá no dia 3 de julho de 2015, às 19h, em NaCasa Coletivo Artístico e que ficará em cartaz até o dia 22 de julho. A programação da exposição contará com a presença de Karai Djkupe, cacique da tribo Imbiá Guarani, que conversará com o público, junto à artista, durante a abertura da exposição, a partir das 19h do dia 3 de julho.

De uma parte, as fotografias são perceptíveis materialmente mas, por outra, a imagem projetada, a linha vermelha, por mais que pareça sólida, não pode ser tocada, ou segurada. É permanente, mas sutil. Uma ficção social criada, presente, mas não tão palpável quanto a presença dos próprios índios. A projeção desta linha, uma linha de borda, de fronteira, está em um plano de percepções, onde os limites são tênues e nítidos ao mesmo tempo.

Existe uma busca da dimensão material da multidão, a multidão como forma de resistência ao poder. A questão dos índios urbanos é pertinente à questão das lutas de poder inserida nas práticas do biopoder, desenvolvidas pelo Estado e aplicadas em larga escala pela população no seu dia a dia.

Segundo a artista: “Vivendo os índios da cidade nesta linha de fronteira não geográfica, considero ser algo representativo encontrar inserido no múltiplo o singular, estar apto para isto e para criar novos circuitos cooperativos. Afinal, somos todos personagens de um jogo social, de comportamentos, de pequenas e abstratas lutas de poder. Onde, segundo algumas regras deste jogo, estabelecidas pelo Estado, existem práticas de controle social. O espaço das práticas de biopoder é o espaço da vida”.

É o espaço urbano da rua o cenário onde se desenvolve o tema desta proposta, que busca trazer os limites do convívio social ao qual os índios que vivem ou trabalham na cidade estão sujeitos. Estes representam hoje 36% do total da população indígena, mas se somarmos os índios que vão à cidade para trabalhar e passam ali todo o seu dia, este número aumenta consideravelmente. A diáspora indígena decorrente da expulsão dos mesmos de suas terras, que muitas vezes traz a dispersão de uma cultura, com seus membros buscando viver socialmente em um ambiente urbano, estabelece ao mesmo tempo óbvios e camuflados limites socioeconômicos. Os índios urbanos, vivem em um limite de convívio social, estão em uma linha de fronteira não geográfica, mas perceptível.

Sobre a artista
Carla Linhares (Itabira, MG, 1975) é bacharel em desenho pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, 2000. Participou de cursos e seminários sobre arte contemporânea e fotografia no Brasil e exterior, como Paraty em Foco, 2014, Produção Pessoal e Construção do Sentido, com Eduardo Gil, Ecarta, Porto Alegre, 2011 e TransUrbanism, Netherlands Architecture Institute/Roterdã, Holanda, 2002. Realizou uma série de exposições individuais e coletivas, como Portraits 2014 - The Center for Fine Art Photography / USA, Multitude, SESC Pompéia/São Paulo, 2014, 10º Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco/RJ, 2014, Tudo é Brasil - Instituto Itaú Cultural/São Paulo, 2005, Carla Linhares, Museu de Arte da Pampulha/Belo Horizonte, 2004, Carla Linhares, Galeria Thomas Cohn/São Paulo, 2001, Salão Paulista de Arte Contemporânea/SP, 2000. Vive e trabalha em Florianópolis.

Sobre o NaCasa Coletivo Artístico
O espaço de NaCasa Coletivo Artístico existe há 5 anos. Localizado em uma ampla casa no bairro da Trindade, em Florianópolis (SC), opera em regime coletivo com artistas, pesquisadores, professores e curadores dividindo os cômodos e ambientes assim como as despesas. O espaço oferece diversas oficinas temporárias e permanentes além de contar com uma sala de exposições. Desde 2010, já foram realizadas mais de 50 mostras de artistas como Diego de los Campos, Egidio Rocci, Jorge Menna Barreto, Joelson Bugila, Julia Amaral, Juliana Hoffmann, Karina Segantini, Karina Zen, Rubens Oestroem, Sandra Fávero, entre outros.

Posted by Patricia Canetti at 12:33 PM