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novembro 28, 2014

Claudia Jaguaribe no Itaú Cultural, São Paulo

O verso e o inverso de São Paulo pela lente de Claudia Jaguaribe

Exposição da fotógrafa no Itaú Cultural revela a cidade em panorâmicas com seu skyline
e conglomerado de edifícios, mescladas a imagens que visitam a intimidade de seus habitantes no interior de seus apartamentos e a perspectiva da metrópole que eles tem de suas janelas; foto-esculturas, um ebook, projeções em videomapping e backlights, um deles composto por 30 reproduções do céu paulista em horários diversos completam a mostra oferecendo uma ampla e poética reflexão sobre a urbe

Da vista a partir do interior dos janelões horizontais do edifício Copan e de uma luxuosa cobertura à beira da Marginal Pinheiros, passando por apartamentos glamorosos de bairros nobres e por outros, apertados no centro da cidade e na periferia. Dos sonhos das crianças mais abastadas e seus brinquedos, aos das menos favorecidas entre poucas bonecas. A diversidade do cotidiano de casais hetero e homossexuais, famílias, homens e mulheres solitários residentes em São Paulo é exposta na mostra EntreVistas, com mais de 50 fotografias de Claudia Jaguaribe. Outras imagens flanam em panorâmica aérea e, por vezes, em detalhes compactados, como mosaicos, da massa de concreto e das diferentes formas arquitetônicas que compõem a urbe. Com curadoria de Agnaldo Farias, a exposição entra em cartaz no Itaú Cultural em 6 de dezembro e permanece até 11 de janeiro de 2015.

Que a cidade em toda a sua magnitude impacta e impressiona, já é sabido. Observada a partir da lente de Claudia Jaguaribe, no entanto, ela ganha poesia e perspectivas novas em um universo composto por várias linguagens além da fotografia: totens sustentam foto-esculturas em uma mescla de recortes de imagens e projeções em videomapping, quatro backlights em grandes dimensões, entre 16m, 9m 6m – um deles com 27 imagens de céu paulista, outros três com um total de 31 retratos; um e-book com animações e vídeo-entrevistas com depoimentos dos moradores e o registro de pequenos momentos de sua vida. Dessa forma, a imensidão de São Paulo cabe em um dos subsolos do espaço expositivo do Itaú Cultural, envolta por um ambiente escuro cujas peças têm luz própria e a metrópole ganha outra vida.
“EntreVistas não é uma exposição de obras”, pontua Agnaldo Farias. “É uma versão condensada de São Paulo, um microcosmos”, completa. “É um convite a refletir sobre a própria dificuldade de se entender a cidade e como nos inserimos nela”, observa a artista.

A exposição é resultado de quatro anos de investigação de Claudia sobre a cidade. Primeiro, ela sobrevoou os seus prédios e os registrou em uma paleta de cores naturais e sobressalentes entre o conglomerado de edifícios que, cada um articulando a sua arquitetura, forma uma espécie de mosaico de arranha-céus. Entre 2011 e 2012, ela fez as fotos a partir de quatro voos de helicóptero e 10 subidas ao topo de diferentes edifícios como o Martinelli, no Centro; da Fiesp, na Paulista; e a nova torre do Santander, na Vila Nova Conceição. Daí deu forma ao livro Sobre São Paulo, publicado em 2013 pela editora Madalena.

“O tamanho de São Paulo é exorbitante, se perdem as fronteiras, e fotografar do ponto de vista do pedestre não fazia sentido”, conta ela que, por isso, optou por um ponto de vista frontal, aéreo e afastado. “Realizei montagens e junções do material fotográfico, criando imagens panorâmicas que se estendem como se estivéssemos desenrolando um novelo de cidade emaranhada”, conclui.

Claudia persistiu em sua investigação e decidiu entrar na casa das pessoas para inverter a perspectiva. Do todo, partiu para o detalhe e ampliou a poética sobre a riqueza cultural desta urbe. Visitou e fotografou mais de 60 moradias – como a cobertura de um artista visual sobre o Rio Pinheiros, o amplo apartamento da uma socialite que tem em sua luxuosa sala uma exuberante réplica de A Origem do Mundo, quadro de Gustave Courbet, pintado em 1866; o espaço apertado onde vive uma família boliviana, atulhado de coisas, além da tevê; ou o acanhado imóvel onde mora uma imigrante nordestina com seu filho, de cuja pequena janela ela gosta de ouvir o barulho do trânsito, se sentido, assim, acompanhada.

Em um conjunto de 31 fotografias selecionadas pela fotógrafa, se observa vistas particulares e visões da cidade delimitadas pelas janelas – daí o nome EntreVistas, que batiza a exposição e o livro a ser lançado no dia da abertura da mostra.

No livro, as panorâmicas são montadas em formato leporello – como na obra anterior – de modo a que a sua abertura crie enquadramentos inusitados nas imagens, que também podem ser visualizadas na sua completude ao desdobrar de quatro páginas. Na mostra, esta extensa pesquisa visual, que reúne imagens das duas obras, ganha vida própria. Nas laterais da sala, duas longas séries em bakcligths de 16m e 9m, cada, estampam os retratos dos moradores na sua intimidade e mostram a visão que eles têm de seu cotidiano. A artista registrou, ainda, depoimentos espontâneos desses moradores em pequenos audiovisuais, igualmente exibidos neste espaço em formato de e-book. Por meio do olhar e das palavras deles, o visitante revê a cidade e suas circunstancias.

Foto-esculturas, situadas no centro do espaço, tomam emprestado recortes individualizados das formas da metrópole, e a reconstroem em múltiplos planos. Sobre elas, projeções em videomapping transformam as fotos estáticas impressas na estrutura das obras em imagens em movimento. Ao fundo, uma instalação em backlight composta por 27 registros do céu da cidade dá o tom das diversas luzes que a iluminam e acompanham nosso cotidiano, muitas vezes sem que o percebamos, apesar de sua beleza.

A fotografia contemporânea no Itaú Cultural

A produção contemporânea da fotografia brasileira conquista cada vez mais espaço e projeção nas atividades do Itaú Cultural. Além da circulação das obras que compõem o acervo do Itaú Unibanco em dois recortes curatoriais – a mostra Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú e a Coleção Itaú de Fotografia Brasileira –, o instituto mantém atenção contínua nessa forma de expressão, apoiando projetos e eventos e promovendo outras exposições, como as três edições do Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo.

Posted by Patricia Canetti at 12:37 PM