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dezembro 7, 2011

Conhecendo Artistas por Bruno Mendonça

Conhecendo Artistas

Por Bruno Mendonça

O projeto “Convivendo com Arte” é um programa desenvolvido e promovido pelo Banco Santander com o intuito de aumentar a relação da instituição com o campo da arte contemporânea.

O Banco Santander no Brasil tem se colocado nos últimos anos como um patrocinador de mostras, exposições e eventos culturais.

Na cidade de São Paulo as ações mais recentes da instituição em torno desse interesse pelo campo da arte contemporânea têm acontecido na sede do banco, onde uma galeria tem recebido exposições de artistas brasileiros, além de outras atividades culturais, todas com a coordenação geral de Elly de Vries, responsável pela coleção de arte do Santander, e sob a curadoria de Rejane Cintrão.

Neste ano de 2011 o Ateliê Fidalga - grupo de pesquisa e produção em arte contemporânea - coordenado pelos artistas Sandra Cinto e Albano Afonso foi convidado para uma edição especial do projeto “Convivendo com Arte” no Banco Santander. Com o título “Conhecendo Artistas” o projeto realizado em parceria com o Ateliê Fidalga tem como objetivo revelar e apresentar o trabalho de 41 jovens artistas.

O convite feito ao Ateliê Fidalga pelas coordenadoras e curadora do projeto era desafiador, os 41 artistas iriam intervir em praticamente todos os andares do banco, causando assim um deslocamento do espaço da galeria já presente na sede da instituição para de fato outros locais promovendo um contato maior com os mais de 6.000 funcionários do banco.

Esse convite se deu de fato após a visita de ambas em 2010 na exposição “Ateliê Fidalga no Paço das Artes” onde os artistas participantes do grupo ocuparam praticamente todo o espaço expositivo do Paço das Artes em São Paulo, comemorando os 40 anos da instituição.

O experimentalismo, a liberdade, a despretensão, a não hierarquia, o frescor e a proliferação de linguagens presente no grupo foi o que motivou a curadora a propor esta colaboração.

Na verdade isto vai de encontro aos projetos mais recentes desenvolvidos por Rejane Cintrão que tem atuado fortemente na produção e curadoria de exposições em espaços diversos, como o próprio Banco Santander e o Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos onde desde 2010 tem ativado um local de mostras interessante, quase sempre com propostas de site specific ou instalações.

Para o Ateliê Fidalga o projeto é interessante porque também dá continuidade a uma série de eventos que os artistas do grupo têm participado e organizado em sua maioria de proposições experimentais buscando sempre novos formatos expositivos.

O mais interessante no projeto foram as questões que surgiram, como por exemplo, de que forma intervir neste espaço coorporativo, como relacionar o trabalho de arte com este contexto e com o entorno, que público é este, dentre outras.

Estes questionamentos resultaram em reações interessantes. Alguns artistas se ocuparam subversivamente, ou com intervenções sutis quase invisíveis e silenciosas ou de formas mais táticas criando assim uma tensão com o espaço como foi o caso da obra do artista Gabriel Centurion que realizou um vídeo corporativo/institucional ficcional para ser reproduzido em televisões dispostas pelos lounges da instituição. Assim como Gabriel os artistas Bruno Mendonça, Alice Ricci, Evandro Prado e Andréia Reis criaram respectivamente intervenções interessantes.

No caso de Bruno Mendonça, o artista criou backlights que graficamente eram muito parecidos aos utilizados como sinalização espacial ou mídia para publicidade em espaços corporativos, o artista desloca esse objeto para mobiliários presentes no local como mesas de reunião, café, entre outros, transformando a obra em um corpo estranho, entre o design e a arte.

Bruno_Mendonca.jpg Bruno Mendonça, (fonte: Ateliê Fidalga)

Já a artista Alice Ricci dá continuidade a sua série de “impressões” e cria em uma das áreas de convivência do banco uma prateleira parecida a uma gôndola de supermercado apenas com embalagens vazias e sem cor de produtos industrializados. O artista Evandro Prado por sua vez intervém nos suportes para copos plásticos no qual se bebe o tão famoso “cafezinho” no coffe break da empresa, nos copos criados por Evandro a frase “água benta” aparecia gravada no plástico, sendo assim uma crítica bem humorada ao sistema. Andréia Reis por sua vez cria novos crachás para os funcionários, a partir de escalas de cor, propondo uma ação colaborativa.

Alice_Ricci.jpg

Alice Ricci – sem título, 2011. (fonte: Ateliê Fidalga)

Por outro lado artistas como Carla Chaim, Roberto Fabra, Alexandre Paiva e Renata Cruz promoveram situações de pausa, reflexão, contemplação e interação, ou através de palavras, símbolos e imagens, ou através de ações realizadas dentro do próprio espaço da instituição.

Alexandre Paiva e Carla Chaim com seus neons trazem para dentro do espaço coorporativo do banco imerso por seus números, cálculos, metas e planilhas as luzes da cidade de São Paulo porém leves e delicadas, desenhos de luz em meio a esta frenética rotina de trabalho. Já Roberto Fabra faz refletir com a obra “As Horas Passam Todas” com uma fotografia do céu de São Paulo recortado em letras garrafais aplicadas como um adesivo na parede do banco. A artista Renata Cruz por sua vez realiza trocas com os funcionários, trocando um objeto pessoal por um desenho e o que é recolhido pela artista é posteriormente exibido ao público.

Alexandre_Paiva.jpg

Alexandre Paiva – Clouded, 2011. (fonte: Ateliê Fidalga)

De fato o projeto revelou essa relativização do que pode vir a ser um espaço expositivo, na verdade “Conhecendo Artistas” funcionou como um laboratório, um ateliê, um processo, onde o desafio de sair da zona de conforto se tornou para estes artistas uma potência, revelando novas possibilidades, estratégias, relações e para o público um novo local de experiências e conhecimento.


Bruno Mendonça é artista, pesquisador e produtor cultural. Atualmente é pesquisador na área de Comunicação e Artes na PUC-SP e realiza projetos como produtor cultural para diversas instituições públicas e privadas. Como artista participa desde 2008 do grupo Ateliê Fidalga e têm exposto regularmente no Brasil e no exterior.

Posted by Marília Sales at 3:36 PM | Comentários (1)