Página inicial

Arte em Circulação

 


maio 2017
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31      
Pesquise em
arte em circulação:

Arquivos:
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
março 2012
fevereiro 2012
dezembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
julho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
setembro 2008
maio 2008
abril 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
novembro 2004
junho 2004
abril 2004
março 2004
fevereiro 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
setembro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

maio 14, 2017

Depois do fim por Bernardo José de Souza

Depois do fim

BERNARDO JOSÉ DE SOUZA

Depois do fim, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS - 19/05/2017 a 12/08/2017

Em meio ao desastre político, econômico e ambiental a impactar a humanidade nesta quadra sombria do século XXI, a Fundação Iberê Camargo (FIC) retoma suas atividades preocupada com o futuro. A suposta plasticidade atribuída ao homem, à natureza e ao sistema capitalista parece se haver esgotado, esgarçado, encontrado um limite real, em que pese a virtualidade dos fatores a complexificar uma equação que sequer as ciências nos dão margem para resolver. Nesse conturbado contexto, a perspectiva do fim vem ganhando contornos diversos nos mais variados horizontes, quer remotos ou imediatos; e na esteira de uma série de especulações quanto aos rumos da própria FIC, do Brasil e do mundo, torna-se imperativo articular possíveis respostas ao conjunto de dilemas experimentados pela humanidade em face a um cenário de matizes obscurantistas e tintas apocalípticas.

Partindo de um universo ficcional, que lança o público em uma viagem no tempo, Depois do fim busca explorar a relação ambivalente que estabelecemos com o passado, o presente e o futuro. Ora, se a contemporaneidade está permanentemente a instar a revisão do passado (sobretudo política), ao passo em que nos demanda divisar possíveis futuros para humanidade (uma questão de sobrevivência), o que dizer de nossa relação com um presente de pós-verdade? Vivemos em um tempo que se apresenta fracionado, nebuloso, insondável - em meio ao que Giorgio Agamben chama de "escuridão do presente" (Giorgio Agamben) -, mas que, contudo, carrega em si a potência de um futuro possível, latente, ainda que disforme.

Nesse sentido, a ficção científica a inspirar esta mostra serve como plataforma plástica e discursiva para que uma série de debates e investigações estéticas, políticas e filosóficas ganhem corpo, problematizando nossa relação com o futuro e estimulando o uso da imaginação e da fantasia como antídotos ao estado de paralisia e conformidade que parece decretar o fim dos tempos e de toda forma de utopia - após a queda do muro de Berlim (1989), o consequente abandono de qualquer perspectiva de transformação do mundo acabou por ceder espaço à conformidade mórbida que hoje alimenta as correntes (e perversas) posturas fatalistas e apocalípticas.

Em Depois do fim, a Fundação Iberê Camargo transforma-se em um espaço ficcional, uma cápsula do tempo na qual são conservados diversos elementos constitutivos da memória afetiva, simbólica e material do homem - um edifício projetado para preservar a espécie humana dos riscos representados pela natureza num estágio avançado do Antropoceno. Nessa zona heterotópica, que obedece a uma lógica própria, interna e fechada - portanto descolada da realidade exterior -, uma seleção de objetos e obras de arte constituem um arco temporal que ora remete ao passado, ora sinaliza um futuro tão distópico quanto revelador dos dramas experimentados no presente.

O público da Fundação Iberê Camargo é convidado a desempenhar o papel de exploradores do futuro, seres de uma civilização vindoura que lá aportam e deparam com os vestígios e ruínas de nosso tempo. Nesse sentido, a obra de Álvaro Siza, refratária ao mundo exterior, é um elemento central nessa exposição, que deve seu nexo e razão de existir justamente à articulação entre natureza, homem e arquitetura.

Depois do fim é um projeto que responde, em caráter emergencial, ao senso de urgência que emana das sociedades contemporâneas diante da absoluta precariedade moral, afetiva, política e material a marcar nosso tempo e nossas vidas.

Bernardo José de Souza
Diretor Artístico
Fundação Iberê Camargo

Posted by Patricia Canetti at 9:10 PM