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maio 7, 2016

Fuso por Iran do Espírito Santo

Fuso - Declaração do Artista

IRAN DO ESPÍRITO SANTO

[Scroll down for English version]

And when I do my job, I am thinking about these things.
Because when I do my job, that is what I think about.
Langue d’amour / Laurie Anderson

Esta exposição reúne uma pintura de parede e duas esculturas. São trabalhos concebidos independentemente, mas que foram agrupados por aquilo que neles diz respeito às várias formas de interpretação do tempo.

A palavra fuso refere-se, entre outras coisas, tanto ao fuso horário quanto ao fuso mecânico, às peças de relógio e ao instrumento usado para fiar na roca, numa época de produção pré-industrial. Em inglês, thread significa linha mas também rosca (fuso) de um parafuso e, metaforicamente, diz respeito à narração de um evento (o fio da meada).

Para a Cúpula, tomei como modelo a cúpula de um velho relógio cujo mecanismo é exposto dentro de uma espécie de vitrine. Esse objeto, que pode estar associado a outras funções – como a proteção de coisas frágeis valiosas –, neste caso, protege o mecanismo hiper-simbólico da marcação do tempo, cuja função está indissociada do espetáculo da mecânica com seus movimentos pendulares, rotativos e sons característicos. Na transposição para a escultura, foram mantidas suas formas e medidas básicas, enquanto o material do objeto original está re apresentado com o cristal em versão sólida, indicando, talvez, uma cristalização paralisante pela supressão e suspensão de um tempo pragmático, por via da contemplação de um ícone vazio.

A pintura sobre parede intitulada Fuso recorre a minha constante opção e apreço pela imagem aderida ao espaço que a contém, cujos limites são definidos pela realidade objetiva e pela função da arquitetura. São alusões ao dia e à noite, apresentados, simultaneamente, como projeções de imagens inversas, sendo uma o negativo da outra. Seu paralelismo traz para o interior da exposição a ideia de simultaneidade e “transparência” do mundo globalizado, onde as faces do planeta se alteram entre a claridade e a escuridão, sem, contudo, aquietarem-se por conta das demandas dos movimentos dos mercados.

Os dois trabalhos acima citados situam-se no segundo andar/mezanino da galeria. Entre eles, circulam ideias implícitas sobre o tempo incontinente que constrange nossa existência, na combinação de um sólido transparente e imagens evanescentes que, embora tendo rastros de um significado sugerido, de fato, alteram fisicamente a luminosidade do espaço real, dada a predominância do claro ou do escuro. Nesse sentido, essas pinturas atuam sobre a percepção concreta do mundo físico. Com elas, continuo a trabalhar um dos assuntos mais recorrentes em minha produção: as várias formas de representação da luz com suas variações e o largo espectro de significados, inseparáveis do real e da matéria.

A Galeria Fortes Vilaça tem uma particularidade em sua arquitetura: o visitante entra pelo nível intermediário, uma espécie de átrio, dividindo, marcadamente, os outros dois níveis. Essa característica me levou a projetar a exposição, considerando especialmente as divisões entre alto e baixo, entre o evento cósmico “dia e noite” (acima, na “cúpula” da galeria) e da dinâmica do dia a dia (baixando ao nível inferior). Nesse plano, o mais rente ao solo, paralelo à rua, tentei criar uma espécie de praça/chão de fábrica, com a mate rialidade hiperbólica de uma escultura em aço, de significado inequívoco. Intitulada Base fixa , ela é formada por quatro conjuntos de porcas e parafusos, dezoito vezes maiores que o modelo original e pesando mais de uma tonelada. Ela incorpora o material e as formas da produção industrial da qual é originária e representante. Dessa forma, essa escultura tem um caráter indicial inerente, que reforça o elo material entre objetos e signos que, separadamente, talvez pudessem ser tomados (sem que houvesse aí nenhum equívoco) por expressões de poéticas paralelas, independentes das questões sociopolíticas que norteiam a exposição como um todo. Seus quatro cantos demarcam um quadrado central de forma clara e definitiva, como fixados numa base imóvel. Se, por um lado , o desenho espiralado da rosca contém o movimento helicoidal infinito de uma figura matemática, por outro, a materialidade ostensiva da escultura fixa o movimento, restando a tensão entre as forças de avanço e de retrocesso, de movimento e reação.


Fuso* - Artist Statement

IRAN DO ESPÍRITO SANTO

And when I do my job, I am thinking about these things.
Because when I do my job, that is what I think about.
Langue d’amour / Laurie Anderson

This exhibition brings together a wall painting and two sculptures. The works were conceived independently, but were grouped together on account of their distinct forms of interpreting time.

Among other things, the Portuguese word fuso refers both to time zones and to screw threads, as well as to specific clock parts and also to the spindle, an instrument used for hand spinning in pre-industrial times. In English, the word “thread” is commonly used to designate a strand of cotton, nylon or other fiber used for sewing, but it also used to denote “screw thread”, a helical ridge wrapped around a cylinder or cone used as a fastener. In addition, “thread” is also used metaphorically to refer to the narration of an event, in the sense of a theme or characteristic running throughout a situation or piece of writing.

For Cúpula [Dome], I based myself on the glass casing of an old clock whose mechanism is presented inside a type of dome-shaped display case. This object, which can also be associated to other functions -­ such as the protection of fragile, valuable things -­, in this case protects the hypersymbolic mechanism of timekeeping, whose function is indissociable from the mechanical spectacle with its pendular, rotating movements and its characteristic sounds. In being transposed into sculpture, its basic forms and dimensions were maintained, while the material of the original object is re-­presented with the crystal in its solid version, indicating , perhaps, a paralysing crystallization due to the suppression and suspension of a pragmatic time, by means of the contemplation of an empty icon.

The wall painting entitled Fuso refers to my recurrent choice and interest in the image that merges with the three-­dimensional space that contains it, whose limits are defined by objective reality and by the function of architecture. They are allusions to day and night, simultaneously presented as projections of inverse images, one being the negative of the other. Its parallelism brings to the interior of the exhibition the idea of the simultaneity and of the “transparency” of the globalized world, where the surfaces of the planet alternate repeatedly between light and dark, albeit without becoming subdued by the demands of the movements of the markets.

The two above-mentioned works are displayed on the gallery’s second floor/mezzanine. Between them circulate implicit ideas about the incontinent time that constrains our existence, in the combination of a transparent solid and evanescent images which, though they reveal traces of an implied meaning, in fact they physically alter the luminosity of real space, given the predominance of light and dark. In this sense, these paintings act on the concrete perception of the physical world. With them, I continue to develop one of the most recurring themes in my artistic production: the diverse forms of representation of light with its variations and the broad spectre of meanings, inseparable from the real and from physical matter.

The architecture of Galeria Fortes Vilaça has a distinguishing feature: the visitor enters the gallery through an intermediary floor, a type of atrium that markedly divides the other two levels. This feature led me to design the exhibition, taking into special account the divisions between upper and lower floors, between the cosmic “day and night” event (above, in the gallery’s “dome”) and the dynamics of daily life (moving down to the lower level). In this landing, on the ground level, parallel to the street, I tried to create a sort of plaza/shop floor, with the hyperbolic materiality of a steel sculpture, of unequivocal meaning. Entitled Base fixa [Fixed base ], it is formed by four sets of nuts and bolts, eighteen times larger in size than the original model and weighing over a ton. It incorporates the material and the forms of industrial production from which it originates and which it represents. This way, this sculpture has an inherently indexical character, which reinforces the material link between the objects and signs which, individually, possibly could be taken (without incurring in any misconceptions) for expressions of parallel poetics, independent of the sociopolitical issues that guide the exhibition in general. Its four corners mark out a central square form in a clear and definitive way, as if affixed onto a stable base. If, on the one hand the spiral design of the thread contains the infinite helical movement of a mathematical figure, on the other hand the overt materiality of the sculpture restricts any possible movement, leaving only the tension between thrust and retraction, movement and reaction forces.

* In Portuguese the word fuso has a variety of different definitions, including time zones (fuso horário ), screw threads (fuso mecânico), a pull cord, which operates a mechanism when pulled, found in engines, toys and other motorized equipment such as grandfather clocks, a spindle used in hand spinning , and others.

Posted by Patricia Canetti at 3:33 PM