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dezembro 8, 2020

Na Espera: Produção no isolamento na Nara Roesler, São Paulo

Na Espera: Produção no isolamento reúne trabalhos desenvolvidos na quarentena por artistas representados por Nara Roesler. O debate sobre a reclusão traz à tona posições tradicionalmente opostas: muitos a consideram um inconveniente e a principal causa de ansiedade, outros acreditam que a condição proporciona uma perspectiva inigualável. Como escreveu a poeta e escritora Tishani Doshi: “A solidão tudo exagera – beleza, perigo, terror, calma. A solidão é, de fato, uma busca por intimidade, uma busca por nós mesmos.” A exposição surge da difícil tarefa de apresentar obras que emergem como uma miríade de respostas a essa situação, circunscrevendo-as em um critério temporal ou contextual sem impor nem expectativas, nem preconceitos a sua recepção, ao mesmo tempo em que se evita um mero recorte cronológico.

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Busca-se evitar um tom dominante, seja de positividade, esperança, sofrimento ou melancolia, pois essa atitude viria a se contrapor a um dos aspectos mais intrigantes da produção artística desta época: a de como cada indivíduo passou a se envolver, lidar e responder às circunstâncias únicas que se abateram sobre nós. Na Espera: Produção no isolamento é um exercício de abordagem de trabalhos surgidos em decorrência do prolongado período de distanciamento social obrigatório durante a pandemia que, mesmo sob diferentes formas, partilham uma característica comum justamente por terem surgido das particularidades instauradas nos últimos meses. A mostra busca apresentar a natureza multifacetada dessa experiência recente, evocando sua monotonia, solidão, isolamento, assim como o modo em que levou artistas a sonhar com espaços abertos, a olhar para si mesmos, seus tetos e pisos, e a revisitar trabalhos abandonados há muito tempo.

Em Na Espera: Produção no isolamento, três abordagens abrangentes se delineiam de modo determinante em meio à variedade de práticas e experiências na quarentena. A primeira refere-se ao processo de olhar para dentro. Nesse sentido, Fabio Miguez nos fala da preguiça, do tédio, da ociosidade, por meio das quais olhava para o interior de seu ateliê, passando a investigar as padronagens do tapete, assim como sua inerente banalidade. As fotografias de Laura Vinci são instantâneos de ervas secando em sua própria cozinha, uma espécie de natureza-morta improvisada no espaço escuro, calmo e silencioso da solidão. Já os 120 dias de Marco Chaves são, como prenuncia o título, resultado de 120 dias de isolamento, durante os quais o artista produziu uma fotografia por dia, captando tanto o interior da sua casa, como o exterior visto de dentro, criando uma série que incorpora a cadência da quarentena, a quietude que convoca a atenção para os mínimos detalhes do nosso entorno, trazendo à tona o ordinário que, muitas vezes, passa despercebido.

O segundo modo de reação provém do desejo pelo ar livre, ou talvez, de modo mais amplo, pela liberdade. O Jardim, de Maria Klabin, por exemplo, é uma pintura de uma paisagem onírica em grande escala, que parece habitar o limite entre consolidação e a dissolução, incorporando os sentimentos de hesitação e incerteza na espera por tempos melhores. Vik Muniz especulou sobre um lugar que transcende o contexto físico e geográfico, sendo capaz de existir temporariamente – e com exclusividade – na memória de alguém, ao evocar a mente como espaço a ser explorado livremente quando nos encontramos fisicamente restritos.

Por outro lado, o isolamento, a impossibilidade de troca com o exterior, desencadeou o desejo de olhar novamente para aquilo que já se possuía, assim como de mergulhar mais fundo e intensamente em trabalhos pré-existentes. Imbuída de uma nova perspectiva, Virginia de Medeiros retornou aos seus arquivos antigos, o que lhe permitiu completar uma série não finalizada. Brígida Baltar encontrou novas formas de trabalhar com os icônicos tijolos extraídos das paredes de sua casa na década de 1990, criando, com o material, uma série de esculturas de seios, que, em sua individualidade, captam a diversidade das experiências femininas ao mesmo tempo em que oferecem um reflexão sobre seus possíveis significados durante esse tempo, sem desvencilhar-se da própria biografia da artista.

Em última análise, Na Espera: Produção no isolamento traz a oportunidade de mergulhar em variadas experiências de reclusão, identificando como a natureza sem precedentes das circunstâncias deste ano moldou a comunidade artística da Galeria Nara Roesler. Talvez, diante desse cenário inusitado, a mostra seja capaz de apresentar uma combinação de propostas artísticas tão variadas entre si, propondo diálogos entre artistas que nunca ou raramente foram mostrados lado a lado; mas cuja justaposição, à luz da pandemia, passou a fazer sentido. Suas obras se unem pela experiência compartilhada mas infinitamente diversa de 2020, oferecendo uma reflexão sobre as múltiplas compreensões, internalizações e expressões, assim como as consequências do cotidiano moldado por esse ano.

Lista completa de artistas

Brígida Baltar, Cao Guimarães, Daniel Senise, Fabio Miguez, Karin Lambrecht, Laura Vinci, Lucia Koch, Marcelo Silveira, Marco Chaves, Maria Klabin, Milton Machado, Paulo Bruscky, Raul Mourão, Rodolpho Parigi, Sérgio Sister, Vik Muniz e Virginia de Medeiros


In Waiting: Works Produced in Isolation brings together a selection of works produced during isolation by various artists represented by Nara Roesler—thoughts about seclusion have traditionally been in opposition, many have considered it to be an inconvenience and cause for anxiety, while others believe the condition allows for one to achieve unequaled perspective—ultimately, as poet and author Tishani Doshi wrote 'Solitude exaggerates everything—beauty, danger, terror, calm. Solitude is in effect, a search for intimacy, a search for ourselves.' The result is a myriad of responses and with this, the exhibition comes as a result of undertaking the difficult task of presenting works according to a time or situational criteria, without imposing a certain expectation or preconception in the type of reaction one seeks to showcase, while also seeking to avoid a mere chronological cutout. One does not want to define a tone of either positivity, hope, suffering, or melancholy, as this would go against perhaps the most intriguing aspect of the artistic production of this time, that is how every individual has come to engage, deal and respond to the unique circumstances that have befallen us. In Waiting: Works Produced in Isolation is an exercise in presenting works that came about due to the prolonged period of mandatory isolation during the pandemic, in whatever form, but that share a common characteristic in having emerged due to the particularities of the past few months. The exhibition works to present the multi-faceted nature of the recent experience, it evokes its monotony, its solitude, its insulation, and how it encouraged some to dream of wide-open spaces, some to stare at themselves, their ceilings or floors, and others to revisit long lost work.

Amidst the wide variety of practices of and engagements with the quarantine, it is interesting to note that there seems to have been three overarching approaches within In Waiting: Works Produced in Isolation. The first takes shape in a process of looking inwards. In this sense, Fabio Miguez speaks of a feeling of laziness, of boredom, of idleness, whereby he stared into the interior of his studio and began experimenting with the patterns and physicality of his carpet, and its inherent banality. Laura Vinci's photographs are snaps of drying herbs in her own kitchen—like an impromptu still life—in a dark, lull, and silent space of solitude. While Marco Chaves's 120 Dias [120 days] is the result of one-hundred-twenty days in isolation, during which the artist produced one photograph per day capturing the interior of his home, as well as the exterior seen from the inside, creating a series that embodies the cadence of the quarantine, and the stillness that draws attention to the minute details of our surroundings, bringing into focus the often unperceived ordinary. The second form of reaction stems from a longing for the outdoors—or perhaps more widely for freedom—for example, Maria Klabin's Jardim [Garden] is a large-scale painting of an oneiric landscape appearing to be on the verge of either consolidating or dissolving, embodying the sentiment of waver and uncertainty embedded in the process of waiting for better times. Vik Muniz reflected upon a place that transcends physical or geographical context, but rather is able to temporarily exist exclusively in someone’s memory, evoking the mind as a place to explore freely, when one is physically restricted. Alternatively, isolation, or the lack of exchange with the external, triggered in others a desire to look back into what they already had, and delve deeper and more intensely into pre-existing bodies of works. Notably, Virginia de Medeiros returned to earlier, unfinished archives with a new perspective, allowing her to complete a series she had previously been unable to. Brígida Baltar found new ways of engaging with her iconic house bricks, extracted from the walls of her home in the 1990s, in a series of brick sculptures of breasts, which in their individuality capture the diversity of the female experience, and offer a reflection not only on the artist's own biography, but also on its significance during this time.

Ultimately, In Waiting: Works Produced in Isolation brings an opportunity to delve into the different experiences of seclusion, and how the unprecedented nature of this year's circumstances molded practices within Nara Roesler's artistic community. Perhaps, in view of such an unusual scenario, the exhibition presents an unusual combination as well, proposing dialogues between artists that have never or have rarely been shown side by side; but, whose juxtaposition, in light of the pandemic, come to make sense. Their works unite under the common, yet infinitely diverse experience of 2020, offering a reflection on the multi-faceted understandings, internalizations, and expressions of the year's day-to-day and its consequences.

Complete list of artists

Brígida Baltar, Cao Guimarães, Daniel Senise, Fabio Miguez, Karin Lambrecht, Laura Vinci, Lucia Koch, Marcelo Silveira, Marco Chaves, Maria Klabin, Milton Machado, Paulo Bruscky, Raul Mourão, Rodolpho Parigi, Sérgio Sister, Vik Muniz e Virginia de Medeiros

Posted by Patricia Canetti at 12:56 PM