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dezembro 4, 2020

Canal Contemporâneo faz 20 anos por Patricia Canetti

Canal Contemporâneo faz 20 anos

Poppy Field

Participei da Documenta 12 em duas ocasiões distintas: em junho, para a abertura da mostra, e em julho, para participar com o Canal Contemporâneo do programa Palestras no Almoço do Projeto Magazines. Cada visita foi marcada por uma imagem da Friedrich Platz, a praça principal de Kassel, em torno da qual ocorre a Documenta. Em junho, a praça estava vazia, seus canteiros de flores cheios de terra seca, chamuscada pelo calor então intenso, um solo em que era difícil imaginar a instalação da artista croata Sanja Iveković, “Poppy Field” [1]. Na segunda visita, desci do bonde na praça e, quando levantei a cabeça, encontrei um mar de papoulas vermelhas irradiando ao sol do final da tarde. Simplesmente glorioso. Esse contraste entre as imagens de junho e julho da Friedrich Platz é uma espécie de alegoria para os sentimentos contraditórios despertados pela Documenta 12 e seu Projeto Magazines [2]. [3]


“Parece que foi ontem!” Ouvi muito isso na terça-feira sobre o aniversário do Canal Contemporâneo, criado em 1º de dezembro de 2000. Também foi dito que “poucas são as publicações que chegam aos 20 anos neste país”. “Resistir é preciso” e “Vida longa ao Canal” são desejos que muito me emocionam.

Confesso que, enquanto nos aproximávamos dessa efeméride, pensei em algumas alternativas para esse 2020, mas passei longe do que estamos vivenciando, é claro.

Novamente as imagens do “Poppy Field” reaparecem. Dessa vez elas piscam freneticamente – alternando o esturricado e o radiante – e contraditoriamente instauram uma instabilidade inabalável. Não se trata mais da reação a um único evento, mas de um contexto amplo, do lar de cada indivíduo às diferentes regiões do planeta: um momento agitado constantemente por promessas do passado e incertezas do futuro.

A pandemia e a suspensão dos eventos de arte (pela primeira vez em duas décadas, imaginem o que é isso?) estacionaram o Canal neste ritmo frenético e instável, como em um disco de vinil arranhado, em que não é possível desenvolver o pensamento calmamente sobre um tópico, sem ser interrompido por vários outros (e sempre os mesmos). A ruína do país, o desmonte das políticas culturais, a utopia cibernética sendo engolida pelas fake news, tendências totalitárias pelo mundo afora e uma pandemia a nos confinar e ressaltar diferentes reações à ciência e ao conhecimento; cada um deles um ruído a nos tirar a concentração. Reserve.

Na semana passada aconteceu uma discussão sobre imprensa, crítica de arte e mercado, em postagem [4] do crítico e curador de arte Tadeu Chiarelli no Facebook. Tadeu coloca que a “crítica” de jornal é dependente e subserviente de exposições em galerias. Muitos comentários ampliam a noção de subserviência para outros atores do sistema de arte. Termos como atrelada e venda casada esvaziam ainda mais a “crítica”. Outros comentários ressaltam a falta de espaço para a crítica de arte.

O estar dependente a exposições me lembrou a “Quebra de padrão” [5] tão sonhada e nunca atingida pelo Canal. Sim, continuamos submetidos a eventos, a aberturas, movidos a convites e releases, pelo menos até o início da pandemia... Na introdução do texto mencionado, cito a pesquisadora e artista Diana Domingues [6]: “A revolução digital determina formas de vida expandida pelas tecnologias, e se constitui numa verdadeira revolução antropológica que modifica o cenário social.” Dezessete anos após a publicação de ambos os textos, podemos nos perguntar: que modificações ocorreram no cenário social da arte contemporânea brasileira?

Na minha opinião, uma das mudanças mais significativas, para o bem e para o mal, foi a vivência do circuito de arte como um sistema, com seus agentes e atores permanentemente interconectados. O que era conhecido em teoria passou a ser vivido com mais intensidade na prática. Os laços se estreitaram, os jogos de poder também, chegando a causar um certo sufocamento, como a exemplo da referida falta de espaço para a crítica de arte na atualidade. Com um universo de zettabytes disponíveis na Internet, de que outra maneira poderíamos explicar essa falta de espaço? Por um segundo sufocamento?

As grandes redes sociais sequestraram a Internet e tornaram-se locais de mercado (marketplaces), seguindo o passo das grandes lojas estrangulando as pequenas e os shoppings sufocando as lojas de rua. A economia dos aplicativos avança em ritmo acelerado e parece demonstrar que a revolução digital foi confiscada pela área de negócios. No entanto, nesse cenário, não tivemos modificações significativas nas áreas de negócios da arte contemporânea: nas duas primeiras décadas do milênio, mesmo no formato digital, continuamos basicamente com os mesmos modelos, usando as galerias, leilões e feiras para vendas e as publicações e instituições como vitrines (para além de suas funções de memória, preservação e pesquisa).

Esse contexto de locais de mercado, que tomou conta da Internet, e a falta de um impulso inovador, em nossa área de atuação, são duas chaves importantes para pensar passado, presente e futuro do Canal Contemporâneo.

Voltemos agora no tempo para lembrar do extraordinário ímpeto do Canal Contemporâneo, ao se lançar no espaço cibernético. (Recomendo aos que não participaram desde o início, que leiam na minha dissertação de Mestrado [7] a introdução e o primeiro capítulo sobre a origem do Canal, ou pelo menos o primeiro tópico desse capítulo sobre o início.) O pioneiro envio de convites digitais, a partir da demanda da comunidade para ser distribuída a ela mesma, forjou uma rede social profissional anos antes delas virem a ser inventadas. A troca de informação era acompanhada de discussões, críticas, manifestações, protestos, além de muita arte e encontros.

Naquela primeira década do milênio, o Brasil vivia um momento especial e profícuo para a cultura; tínhamos mais instituições, galerias e iniciativas de artistas acontecendo e o Canal nos permitia interagir com as diferentes regiões do país. Mas, financeiramente, a cultura mantinha-se frágil.

Logo no segundo ano de existência, o Canal lançou um programa de assinaturas/associações para custeá-lo, com uma significativa participação de profissionais da área – veja aqui neste e-nforme de 2002 [8]. Na sequência, para avançar tecnologicamente, tornou-se um projeto convidado da Petrobras, incentivado na Lei Rouanet em 2005. Dois planos foram apresentados: uma plataforma de comunidade digital e uma agenda de eventos. A Petrobras escolheu a segunda opção, mesmo assim a seção Comunidade seria desenvolvida nos anos seguintes de patrocínio [9].

Ao longo de oito anos de patrocínio, com uma verba anual média de R$ 150 mil, chegamos a ter uma equipe editorial de 4 profissionais da área, trabalhando em esquema de rodízio em todas as funções editoriais. Construímos um arquivo único da arte do século XXI, editando e armazenando o material recebido da comunidade e produzindo textos e vídeos – www.canalcontemporaneo.tv.

No período em que estávamos com patrocínio, com tranquilidade financeira, tentei pensar novos modelos de negócio para nós. Fiz uma tentativa junto a Petrobras para organizar um encontro com este objetivo, envolvendo outros projetos e áreas culturais, e paguei por uma consultoria. Nenhuma das duas iniciativas resultou. O aporte financeiro das assinaturas, após os anos de patrocínio, ganhou um novo desenho com maior peso de quem paga para enviar do que de quem paga para receber, nos aproximando do perfil de revistas e jornais e nos distanciando de nossa identidade original de comunidade.

Esforço, abnegação, persistência, garra, consistente, superação, resiliência, resistência, tenacidade, determinação, perseverança, guerreira, são algumas das palavras usadas nos comentários da postagem [10] que fiz no Facebook na terça-feira. Essas características não são apenas minhas, mas também da coletividade que dá vida ao Canal. É certo que já fomos mais combativos e eu não saberia explicar onde foi parar o nosso ativismo do início dos anos 2000...

Creio que a instabilidade que descrevi no início, juntamente com o conjunto de incertezas que estamos vivenciando, vai nos exigir acima de tudo muita paciência. Me sinto apenas tateando um novo terreno. Depois do choque inicial, veio a percepção de que essa turbulência provocará novos pontos de vista, mas para tanto um novo ritmo se impõe; temos muito trabalho pela frente.

Sejam bem-vindos aos anos 20 do Canal Contemporâneo!

Patricia Canetti [11]
Pesquisadora, artista e criadora do Canal Contemporâneo

PS: o Canal está e sempre esteve aberto para a crítica de arte.


NOTAS
1 The Friedrichsplatz between lightning red and songs of revolution. In: documenta 12 16/06 – 23/09 2007. Review 100 days. Kassel: Documenta Kassel, 2007. Disponível em: https://www.documenta12.de/en/100-tage/100-tage-archiv/allgemein/poppy-field.html. Acesso em: 3 dez. 2020.
2 Apresentação. In: documenta 12 magazines. magazines. Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: http://www.canalcontemporaneo.art.br/documenta12magazines/_v2/sections.php?id=1. Acesso em: 3 dez. 2020.
3 CANETTI, Patricia K.; SANTOS, L. P. Magazines Field or The Next Documenta Should Be Curated by Magazines. Radical Philosophy, p. 43-45, 1 nov. 2007. Disponível em: https://www.radicalphilosophy.com/article/magazines-field. Acesso em: 3 dez. 2020.
4 As artes só aparecem nos jornais atreladas a exposições em galerias. In: Facebook. Tadeu Chiarelli. São Paulo, 2020. Disponível em: https://www.facebook.com/TChiarelli/posts/10158705071134346. Acesso em: 3 dez. 2020.
5 A quebra de padrão. Canal Contemporâneo, Rio de Janeiro, 4 ago. 2003. Disponível em: http://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/000004.html. Acesso em: 3 dez. 2020.
6 DOMINGUES, Diana. Cibermundos: o corpo e o ciberespaço. In: LYRA, Bernadette; SANTANA, Gelson. (org.) Corpo & Mídia. São Paulo: Editora Arte & Ciência, 2003. p. 24.
7 CANETTI, Patricia K. Canal Contemporâneo: Memórias e Perspectivas. 2015. Dissertação (Mestrado em Pesquisa Design Digital e Inteligência Coletiva) – Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2015. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/18178. Acesso em: 3 dez. 2020.
8 Hora de crescer 6 - A mudança. Canal Contemporâneo, Rio de Janeiro, 10 nov. 2002. E-nformes, Ano 2 N. 229. Disponível em: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=388. Acesso em: 3 dez. 2020.
9 (CANETTI, 2015, p. 33)
10 Acreditem, o Canal Contemporâneo faz 20 anos hoje. In: Facebook. Patricia Kunst Canetti. São Paulo, 2020. Disponível em: https://www.facebook.com/pcanetti/posts/10157977329879247. Acesso em: 3 dez. 2020.
11 Patricia Kunst Canetti. In: CNPq. Currículo Lattes. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/5006506741939894. Acesso em: 3 dez. 2020.

Posted by Patricia Canetti at 9:30 AM