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março 7, 2020

Sandra Cinto no Itaú Cultural, São Paulo

Entre terras e águas, mares e cosmos, além de referências históricas e contemporâneas, a trajetória iniciada por Sandra há 30 anos tece um caminho pessoal que passa pelo afeto, como revolução íntima, e permeia relações com artistas de todos os tempos em um diálogo de gerações na busca do lugar da arte no espaço social e coletivo. A primeira grande mostra do ano no Itaú Cultural apresenta este trabalho e seus cruzamentos em quase 200 peças, algumas nunca vistas.

Sandra Cinto: das Ideias na Cabeça aos Olhos no Céu abre no dia 11 de março (quarta-feira), no Itaú Cultural, e segue até 3 de maio (domingo). A mostra se estende pelos três andares do espaço expositivo do instituto e tem curadoria de Paulo Herkenhoff, que batizou cada piso de acordo com o espírito do conjunto ali exibido: Chuva, no -2, para começar do andar de baixo para cima; Garoa, no intermediário (-1), e Neblina, por fim, no mezanino. Em um total de cerca de 200 peças(consulte a lista aqui), além de suas obras e projetos, alguns relacionados com a educação, o público encontra outros trabalhos de artistas e intelectuais com os quais ela dialoga.

Em um arco temporal formado pelos três andares dedicados às exposições no instituto – cada um subdividido por núcleos –, o visitante tem contato com a essência da produção da artista e de sua evolução criativa. Traçando uma espécie de panorâmica que perpassa 30 anos de dedicação à arte, navega-se entre desenhos, pinturas, esculturas, vídeos, livros de artista e projetos de arte pública.

Vale começar o percurso, por sugestão do curador, pelo piso -2 (Chuva) onde ensaios testam a corporeidade que Sandra Cinto pretende conferir à arte. É o início de seu processo criativo, entre projetos, estudos, maquetes e anotações que apresentam o método de trabalho da artista em múltiplas faces e elementos de sua agenda, como a educação. O andar seguinte, o -1 (Garoa) reúne desde seus delicados desenhos iniciais às primeiras pinturas de céus e nuvens também entre os primeiros objetos executados por ela – pinturas, caixas, experiências sensoriais e referências históricas – e a complexidade material de suas obras.

Por fim, no piso M (Neblina) chega-se ao cosmos e céus da artista e sua visão poética do universo. Este andar é praticamente tomado por Nós somos poeira de estrela, todos nós somos Luz, um site specific que ela executou durante a montagem da exposição. Vale observar que, neste período, ela também pintou com estrelas e cores azuis, o banco de concreto situado na fachada do instituto, ao ar livre na avenida Paulista.

“Vejo esta mostra não como uma panorâmica ou retrospectiva, mas sim como uma exposição de meus afetos, diálogos e relações com trabalhos de outros artistas”, observa Sandra. Para ela, a verdadeira revolução passa pela afetividade, pela educação e pelo acolhimento e isso se vê em todo o seu percurso artístico. Não há dissociação entre o processo de ensino e aprendizagem em sua carreira artística.

Quem conhece a produção de Sandra Cinto logo pensa em imensas ondas formando mares agitados ou imensos céus estrelados que ela pinta, pacientemente, com caneta de tinta permanente. Quem for ver a exposição, no entanto, constatará que o seu arco é muito mais extenso. Uma das obras nunca vistas pelo público brasileiro é o seu próprio braço esculpido em alabastro branco como nos tempos de Michelangelo, sem nenhuma relação com as atuais reproduções em 3D. Ele foi realizado durante seis meses, entre 2015 e 2016, por especialistas do Graphicstudio, da Universidade do Sul da Flórida (EUA), para onde a artista havia sido convidada a executar algum projeto, e um escultor contratado da Filadélfia. Esta peça acaba de ser incorporada pela Coleção Itaú Cultural de Arte.

Outro projeto nunca visto no Brasil é The Great Sun, realizado em 2016 com alunos e alunas da Public School 56, localizada no Bronx, em Nova Iorque (EUA). Na exposição são exibidos os estudos de composição, amostras de azulejos, maquetes, teste de cores e referências para esta obra cujo resultado é um mural de azulejos que forma um enorme e radiante sol. “A escola deve ser, em qualquer lugar do mundo, um grande sol, mesmo nos dias em que não há sol, no sentido mais completo da palavra”, afirma a artista, para quem a educação é parte indissociável de seu fazer criativo.

A sua relação com outros artistas está patente na exibição de uma série de obras que foram referência para ela ou que dialogam com o seu trabalho. Entre elas, Festa de São João em Ouro Preto, 1961, de Alberto da Veiga Guignard; Azulejos da igrejinha Nossa Senhora de Fátima, 1958, de Athos Bulcão ou A Grande Onda de Kanagawa, 1829-1832, xilogravura sobre papel washi, de Katsushika Hokusai e uma clara inspiração para ela.

Há muitas peças de mulheres nesta mostra, em uma relação de gerações, mestras e alunas. Por exemplo, Projeto para 1.001 Dias (bordados), feito por Regina Silveira, que foi sua professora, e uma acrílica sobre tela, Sem título, de 1990, assinada por Ana Maria Tavares, também ex-aluna de Regina. Há, por sua vez, obras de artistas que foram ensinadas por Sandra, como Lia Chaia de quem é apresentado Setamanco, de 2009.

Não faltam, evidentemente, os mares, céus e cosmos de Sandra Cinto. “O céu da artista se faz por camadas espaciais. Estão ali o céu de nuvens da Terra e os pontos remotos de um universo imaginário, cujos confins a ciência mal começa a conhecer”, aponta Herkenhoff. “Ali, uma instalação em espaço tridimensional curvo indica que a Terra é uma esfera, opõe-se à teoria obscurantista da terra plana”, continua o curador para quem ela leva a grandeza inimaginável do cosmo ao entendimento das pessoas comuns. “Converte os visitantes em exploradores do universo, em cosmonautas poéticos a caminho da consciência ecológica de uma humanidade mais responsável”, completa.

Acessível a todos os públicos

Garantir acessibilidade a todas as suas atividades é um dos grandes motivadores do Itaú Cultural. Nesta exposição, cada andar apresenta piso e obras táteis, audiodescrição, vídeoguias, e audiovisuais com interpretação em Libras, de modo a que os visitantes cegos e surdos possam apreciar o trabalho da artista. Pelo menos 18 áudios e sete objetos táteis, assim como os pisos e o mapa descritivo de cada andar e mobiliário projetado para facilitar a movimentação de cadeirantes permitem o acesso de todos os públicos aos três pisos do espaço expositivo do Itaú Cultural, que abrigam Sandra Cinto: das Ideias na Cabeça aos Olhos no Céu.

Posted by Patricia Canetti at 3:25 PM