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fevereiro 10, 2020

Cinthia Marcelle na Vermelho, São Paulo

Representada pela Vermelho desde 2007, Marcelle ocupa a galeria pela terceira vez com uma individual. A artista também já expos na Vermelho outras duas vezes com Tiago Mata Machado, seu parceiro frequente na produção de vídeos. Tendo os processos colaborativos como uma constante em sua carreira, dessa vez a artista expõe uma grande série de desenhos feitos em colaboração com Rodrigo Franco.

[scroll down for English version]

Conhecida por suas grandes instalações, Marcelle reúne na mostra ‘Já visto’ trabalhos que exploram proporções mais intimistas, embora a montagem das obras sonde estratégias de esquadrinhamento e proporção típicas de sua produção. Na exposição, Marcelle investiga pontos de inversão entre trabalhos à primeira vista abstratos e figurativos.

Calendário (2020)

Em “Calendário”, Marcelle propõe uma contagem de tempo a partir de uma seleção de materiais - tecido, tinta, sarrafo e cadarço - e de alguns procedimentos. São 13 módulos com 6 camadas de tecido industrialmente estampado com 124 listras pretas sobre fundo branco. Cada módulo representa um mês do ano. O 13º módulo aponta para as relações de trabalho incutidas no fazer da obra, além de ampliar os sentidos de leitura possíveis sobre o trabalho.

As listras pretas são gradativamente cobertas por tinta branca em cada módulo. A mesma medida linear de listras cobertas é rebatida com o cadarço preto que cobre segmentos de sarrafos que se acumulam gradualmente junto a cada módulo. Cadarço e listras têm a mesma espessura.

O ato de obliteração do branco sobre o preto, e a transferência do preto para os sarrafos, estabelecem sistemas de hierarquização e mecanização que refletem o empenho de trabalho investido na construção das peças. Essa hierarquização, no entanto, fica submetida ao sentido de leitura do trabalho, num jogo de adição e subtração sem começo ou fim. O 13º módulo é matricial e não carrega nenhuma interferência.

Duas cenas ou elogio ao amor (2014 – 2020)
Cinthia Marcelle com Rodrigo Franco

“Duas cenas ou Elogio ao amor” é uma série de desenhos de observação feita por um casal a partir de casais desconhecidos em lugares públicos. A mesma cena é ilustrada duas vezes, de dois pontos de vista, evidenciando mudanças sutis nas situações. A particularidade dos traços e a linguagem de cada desenho, remete à construção de uma vida a dois por meio de suas diferenças de perspectivas e subjetividades.

Os desenhos foram feitos em São Paulo, na Bahia e em diferentes partes da África do Sul, e mapeiam o relacionamento dos artistas desde 2014. Cada desenho traz em si um carimbo que pontua o local dos retratos.

Os desenhos são feitos rapidamente, a fim de não perder o casal observado. Essa velocidade do traço às vezes evidencia mais a estrutura dos corpos do que os sujeitos em si. O sistema dos desenhos e a organização dos quadros também colaboram para destacar sua estrutura.

Déjà vu (2019)

Na série “Déjà vu”, Cinthia Marcelle trabalha com a memória do espectador a partir da ilusão de já ter visto algo, como aponta a expressão francesa que, em tradução livre, quer dizer ‘já visto’. A expressão, porém, além de lidar com a falsa impressão de já se ter vivido ou visto algo, também se refere à possibilidade de nos defrontarmos com uma cópia ou plágio de algo, como aponta sua variação ce qui manque d’originalité (que sofre de falta de originalidade).

Sobre prateleiras, pilhas de moedas e um copo de vidro se alternam em seus posicionamentos em cada uma das três partes do conjunto. Em uma das prateleiras, as moedas estão na frente do copo, em outra, moedas e copo ocupam o mesmo espaço e, na última prateleira, as moedas estão atrás do copo. Além disso, o conjunto de moedas e copo se alterna entre à esquerda, ao centro e à direita da prateleira, como se juntas pudessem ocupar a mesma prateleira. As prateleiras não devem ser vistas juntas. Desse modo, ao se deslocar pela exposição, o espectador pode ter a sensação de já tê-las visto. Questões relativas à originalidade ou aos meios de produção seriada na arte estão lançadas a partir desse jogo.

Verdade ou desafio [Truth or Dare] (2018)

Verdade ou Desafio parte de uma fotografia tirada por Cinthia durante uma viagem à África do Sul. O vídeo mostra um insólito triângulo encontrado incrustado na terra vermelha queimada do interior do país. A forma gira com velocidade variável, às vezes desacelerando, mas nunca parando. Assemelha-se a uma bússola desorientada cuja agulha nunca navega definitivamente em direção à ordem ou desordem. O vídeo foi construído a partir de um software que animou a fotografia, fazendo-a girar sobre seu eixo. Em determinado momento, uma sombra projeta-se sobre a imagem. A sombra é a da artista enquanto fotografa o triângulo, mas pode ser entendida como sendo a do espectador que passa a ser incluído no jogo evocado pelo título aonde o jogador tem que optar entre a verdade ou o desafio. O som do vídeo envolve as salas da exposição e estabelece a circularidade da montagem: da alteração das listras em contagem de tempo, do desenho de figura humana em estrutura e da novidade naquilo que já foi visto.

Marcelle acaba de encerrar uma individual no Wattis Institute, em São Francisco, EUA, onde a colaboração se dava de maneira ampliada, dependendo da participação do público para a ativação da instalação baseada na peça A Morta, de Oswald de Andrade.

Cinthia Marcelle segue em cartaz em Soft Power, maior exposição já apresentada pelo museu norte-americano SFMoMA (São Francisco - EUA), com organização de Eungie Joo. Além disso, a artista tem obras em exposições em cartaz no MAM RJ (Rio de Janeiro), na Fundação Joaquim Nabuco (Recife), na Penn State’s HUB-Robeson Gallery (Pensilvânia – EUA). Em março, Marcelle estará em cartaz na Fundação Merz, em Turim, em exposição curada por Claudia Gioia. Em novembro Cinthia Marcelle inaugurará uma grande individual no Museu MACBA, em Barcelona.


Represented by Vermelho since 2007, Marcelle occupies the gallery for the third time with an individual exhibition. The artist has also exhibited at Vermelho two other times alongside Tiago Mata Machado, her frequent partner in video production. With collaborative processes as a constant in her career, this time the artist exhibits a large series of drawings made in collaboration with Rodrigo Franco.

Recognized for her large-scale installations, Marcelle brings together in the show ‘Already Seen’ works that explore more intimate proportions, although the setup of the works involves charting and gauging strategies typical of her production. In the exhibition, Marcelle investigates points of inversion between works that are, at first glance, abstract or figurative.

Calendar (2020)

In "Calendar", Marcelle proposes a time count system based on a selection of materials - fabric, paint, batten and shoelace - and a few procedures. The work presents 13 modules with 6 layers of industrially printed fabric with 124 black stripes on white background. Each module represents a month of the year. The 13th module points to the work relationships instilled in the making of the work, in addition to expanding the possible meanings of reading about the work (there is reference to the work force law in Brazil which predicts a 13th salary in the end of the year).

The black stripes are gradually covered with white paint in each module. The same linear measurement of covered stripes is transferred to black shoelace that covers segments of battens that gradually accumulates next to each module. Shoelaces and stripes are the same thickness.

The act of obliterating the black with the white, and the transferring of the black to the battens, establishes systems of hierarchy and mechanization that reflect the work effort invested in the construction of the pieces. This hierarchy, however, is subject to the reading direction one chooses to see the work, in a game of addition and subtraction without beginning or end. The 13th module is a matrix and does not carry any interference.

Two scenes or praise of love (2014 - 2020).

“Two scenes or Praise of love” is a series of observation drawings made by a couple from unknown couples in public spaces. The same scene is illustrated twice, from two points of view, showing subtle changes in situations. The particularity of the features and the language of each drawing, refers to the construction of a life in a couple through their differences in perspectives and subjectivities.

The drawings were made in São Paulo, Bahia and in different parts of South Africa, and have mapped the artists' relationship since 2014. Each drawing bears a stamp that punctuates the location of the portraits.

Déjà vu (2019)

In the “Déjà vu” series, Cinthia Marcelle works with the viewer's memory based on the illusion of having already seen something, as the French expression points out – which, in free translation means 'already seen'. The expression, however, in addition to dealing with the false impression of having already lived or seen something, also refers to the possibility of facing a copy or plagiarism of something, as pointed out by its variation ce qui manque d'originalité (which suffers from lack of originality).

On shelves, piles of coins and a glass cups alternate in their positions in each of the three parts of the set. On one shelf, coins are in front of the glass, on another, coins and glass occupy the same space, and on the last shelf coins are behind the glass. In addition, the set of coins and cup alternates between the left, the center and the right of the shelf, as if together they could occupy the same shelf. The shelves must not be seen together. Like that, when moving through the exhibition, the viewer may have the feeling of having already seen them. Questions regarding originality or the means of serial production in art are raised from this game.

Verdade ou desafio [Truth or Dare] (2018)

Truth or Dare starts with a photograph taken by Cinthia Marcelle during a trip to South Africa. The video shows an unusual triangle found embedded in the burnt red earth of the interior of the country. The shape rotates with variable speed, sometimes slowing down, but never stopping. It resembles a disoriented compass whose needle never navigates definitively towards order or disorder. The video was built using a software that animated the photograph, making it rotate on its axis. At a certain moment, a shadow is projected on the image. The shadow is that of the artist while photographing the triangle, but it can be understood as that of the viewer who is included in the game evoked by the title where the player has to choose between the truth or the challenge. The sound of the video surrounds the exhibition rooms and establishes the circularity of the setup: the alteration of the stripes into time, the drawing of a human figure into structure and the novelty in what has already been seen.

Marcelle has just closed a solo exhibition at the Wattis Institute, in San Francisco, USA, where the collaboration took place in an expanded way, depending on the public's participation to activate the installation based on the play A Morta, by Oswald de Andrade.

Cinthia Marcelle is currently on view in Soft Power, the largest exhibition ever presented by North American museum SFMoMA (San Francisco - USA), organized by Eungie Joo. In addition, the artist has works on display at MAM RJ (Rio de Janeiro), at the Joaquim Nabuco Foundation (Recife) and at the Penn State’s HUB-Robeson Gallery (Pennsylvania - USA). In March, Marcelle will show at the Merz Foundation in Turin, in an exhibition curated by Claudia Gioia. In November, Cinthia Marcelle inaugurates a large solo exhibition at the Barcelona Museum of Contemporary Art [MACBA].

Posted by Patricia Canetti at 11:01 AM