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fevereiro 5, 2020

Abraham Palatnik na Nara Roesler, São Paulo

A Galeria Nara Roesler | São Paulo tem o prazer de abrir seu calendário de exposições, em 2020, com mostra individual de Abraham Palatnik. Aos 91 anos de idade e com sete décadas de produção, Palatnik é reconhecido internacionalmente por suas experimentações técnicas, que vão da construção de intricados dispositivos maquínicos, como o Aparelho cinecromático e os Objetos Cinéticos, à elaboração de métodos inovadores para a produção de pinturas. Um exemplo desse último caso é a série W, na qual vem trabalhando desde 2004. Esse conjunto de trabalhos marca a primeira inclusão de um procedimento não manual – o corte a laser – em sua prática, o que não exclui o acentuado caráter artesanal envolvido no processo de composição. A mais recente inovação, foco desta exposição, é a combinação da tinta acrílica, usualmente empregada, com a tinta esmalte dourada, misturando qualidades óticas bem diferentes na mesma pintura.

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A Galeria Nara Roesler foi a primeira a expor essa série, ainda em 2004, quando ela começou a ser produzida, e a apresenta novamente, quinze anos depois, junto a uma seleção de trabalhos históricos. Poderão ser vistas desde investigações iniciais, como uma paisagem do princípio de sua carreira, até as abstrações dinâmicas da série W. Essa visão articulada de diferentes fases e técnicas tem como objetivo proporcionar ao público uma perspectiva ampliada e integrada das questões presentes em sua prática, o que possibilita a compreensão do papel central que a pintura possui como fio condutor da trajetória artística de Palatnik.

Os trabalhos da série W são desdobramentos dos Relevos progressivos que o artista desenvolve desde a década de 1960. O aspecto central desses últimos reside na investigação das potencialidades dos materiais utilizados nas composições. Já na série W, o artista começa realizando duas pinturas abstratas sobre placas de madeira que, ao serem finalizadas, são cortadas a laser em tiras regulares. Palatnik, então, reúne as partes de ambas pinturas, intercalando-as e promovendo seus deslocamentos verticais, de modo a construir um terceiro trabalho a partir delas. Desse modo, as cores são reativadas, e o efeito de movimento da composição se amplia e renova, demonstrando grande potência visual e poética. A vibração do trabalho, ainda, convoca o corpo do espectador, ao instar sua movimentação ao seu redor. Dele se aproximando e distanciando, o público vê sua percepção ser continuamente alterada, em um processo que libera os sentidos possíveis da obra.

A produção de Palatnik já esteve em importantes exibições no Brasil e no exterior, entre elas a 32ª Bienal de Veneza (1964), além de oito edições da Bienal de São Paulo, entre 1951 e 1969. A exposição na Galeria Nara Roesler | São Paulo comprova a capacidade do artista de reiventar sua prática, seu compromisso com a experimentação, sem deixar de lado o rigor da execução que, mesmo se valendo de preceitos técnicos e mecânicos, sempre soube dividir espaço com a intuição e criatividade. Com a mostra, comemoram-se também vinte anos desde a realização da primeira individual de Palatnik na Galeria Nara Roesler.

Abraham Palatnik é figura central da arte cinética e óptica no Brasil. Seu interesse pelas possibilidades criativas das máquinas evoca a relação entre arte e tecnologia. O artista formou-se em engenharia, o que contribuiu para que desenvolvesse investigações técnicas focadas na experimentação com o movimento e a luz, realizando proposições baseadas no fenômeno visual que tornaram seu trabalho conhecido ao longo de sete décadas de produção. Destacou-se no cenário artístico a partir da criação de seu primeiro Aparelho Cinecromático (1949), peça em que reinventa a prática da pintura por meio do movimento coreografado de lâmpadas de diferentes voltagens, em distintas velocidades e direções, que criam imagens caleidoscópicas. Exibida na 1ª Bienal de São Paulo (1951), essa instalação de luz recebeu Menção Honrosa do júri internacional por sua originalidade.

As séries de progressões e relevos que iniciou posteriormente, feitas em materiais diversos (como madeira, cartão duplex ou acrílico), apresentam efeitos ópticos e cinéticos criados a partir de um meticuloso processo manual. O resultado são composições abstratas marcadas por um padrão rítmico que remete ao movimento de ondas irregulares. Embora a série W tenha incorporado o corte a laser feito por uma empresa especializada, Palatnik continua construindo e pintando artesanalmente cada peça até hoje, a fim de compor os quadros finais.

Abraham Palatnik nasceu em Natal, Brasil, em 1928, e vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, incluindo oito edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1951-1969), e a 32ª La Biennale di Venezia, Itália (1964). Recentemente, realizou a retrospectiva Abraham Palatnik - A Reinvenção da Pintura, com itinerância por importantes instituições no Brasil como: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ) (2017), Rio de Janeiro; Fundação Iberê Camargo (FIC) (2015), Porto Alegre; Museu Oscar Niemeyer (MON) (2014), Curitiba; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) (2014), São Paulo; e Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-DF) (2013), Brasília. Principais coletivas recentes incluem: The Other Trans-Atlantic: Kinetic & Op Art in Central & Eastern Europe and Latin America 1950s - 1970s, no Sesc Pinheiros (2018), em São Paulo, Brasil, no Garage Museum of Contemporary Art (2018), em Moscou, Rússia, e no Museum of Modern Art in Warsaw (2017), em Varsóvia, Polônia; Delirious: Art at the Limits of Reason, 1950 - 1980, no Metropolitan Museum of Art (2018), em Nova York, Estados Unidos; e Kinesthesia: Latin American Kinetic Art 1954-1969, no Palm Springs Art Museum (PSAM) (2017), em Palm Springs, Estados Unidos. Possui obras em importantes coleções institucionais como: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Royal Museums of Fine Arts of Belgium, Bruxelas, Bélgica; Adolpho Leirner Collection of Brazilian Constructive Art, Museum of Fine Arts Houston (MFAH), Houston, EUA; e Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA.

A Galeria Nara Roesler é uma das principais galerias de arte contemporânea do Brasil. Representa artistas brasileiros e internacionais, estabelecidos e em início de carreira, e conta com sedes em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York. Fundada em 1989 por Nara Roesler, a Galeria fomenta o desenvolvimento e a difusão dos trabalhos de seus artistas através de um consistente programa de exposições, sólidas parcerias institucionais e diálogo constante com curadores de destaque no cenário artístico contemporâneo.


Galeria Nara Roesler | São Paulo has the pleasure of inaugurating its’ 2020 exhibitions programme with a solo show by Abraham Palatnik, a pioneer and leading figure of kinetic art in Brazil. Over his seventy years-long artistic career, Palatnik has been acclaimed for his innovative approaches to investigating light, colour and movement, which famously include engineering intricately motorized artworks. Since 2004, the artist has dedicated his attention to the series W, which marked the first inclusion of non-manual processes such as laser-cutting within an otherwise labor intensive compositional process.

Galeria Nara Roesler was the first to exhibit this body of work back in its’ time of inception in 2004, and will now, fifteen years later, be showcasing it again along with a selection of other historical pieces. The exhibition will present works from the artist’s initial experimentation, notably including a landscape painting dating back to 1943, to his most recent investigations with dynamic abstraction in the W series. In showing Palatnik’s different phases and techniques, the exhibition hopes to offer an ample and integrated presentation of his career that will enable the public to not only discover his most recent works, but to also understand the questions, progressions and interrelations that unite his oeuvre.

Palatnik’s W series developed from his Progressive Reliefs series, which he had been working on since the sixties to explore the material potential of his compositions. The process begins with the artist making a pair of non-figurative paintings on wooden plates, which are cut into long, thin, equally wide strips with laser. He then assembles them back together, intercepting strips from both paintings, as if to re-build another, yet vertically displacing the strips. These shifts give a sense of motion - the colours seem to undulate through the canvas – re-invigorating the composition with stunning optical potency. The perceived motion captures the viewer’s body, the lines seem to come closer and then to distance themselves again, continuously involving spectators and allowing for the pieces to seemingly take on new forms.

Abraham Palatnik’s works have been shown in many important exhibitions in Brazil and internationally, including a presentation at the 32a Bienal de Veneza, (1964) and at eight editions of the Bienal de São Paulo between 1951 and 1969. The exhibition at Galeria Nara Roesler | São Paulo will testify to the artist’s ability to reinvent his practice, continuously experimenting with the balance between the specificity of mechanics and the spontaneity of creativity. The show will also coincide with the twentieth anniversary of the first solo-exhibition of Abraham Palatnik at Galeria Nara Roesler.

Abraham Palatnik is an iconic figure in the optical and cinetic art movements of Brazil - a pioneer in his long-standing interest for exploring the creative possibilities embedded in crossings of art and technology. Having studied engineering, the artist became interested in investigating mechanic uses of light and movement. In 1949, he rose to prominence with the creation of his first Aparelho Cinecromático [Kinechromatic Device] effectively reinventing the idea of a painting by using different voltage bulbs moving at different speeds and directions to create caleidoscopic images. The piece was shown at the 1st Bienal de São Paulo (1951) and received an Honorable Mention from the International Jury for its’ originality.

Abraham Palatnik subsequently initiated his work with reliefs, coined Progressive reliefs, which he made out of various materials (such as wood, duplex cardboard and acrylic), manually cut and intercalated to create a sense of rhythmic undulation. Apart from the series W, which has come to incorporate the use of laser-cutting, Palatnik continues to construct and paint every piece by hand, making each work a token of his craftmanship.

Posted by Patricia Canetti at 10:57 AM