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setembro 5, 2019

Bispo do Rosário e Louise Borgeois na Fama, Itu

Bispo do Rosário e Louise Borgeois são celebrados em exposições no museu FAMA

Com curadoria de Ricardo Resende, as mostras individuais reúnem obras emblemáticas dos artistas que marcaram o século XX

A parisiense Louise Bourgeois (1911-2010) e o sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909-1989) marcaram a história da arte com suas obras autobiográficas criadas a partir de costura e tecido. Nada mais emblemático, portanto, que exibir uma seleção icônica da obra desses artistas na antiga fábrica têxtil do interior paulista onde hoje funciona o mais inventivo museu do estado. 50 obras de Bispo e 17 de Louise, inéditas no país, estarão à mostra na Fábrica de Arte Marcos Amaro (FAMA), em Itu, a partir deste sábado, 7 de setembro, e com grande evento de inauguração.

Ambas com curadoria de Ricardo Resende, as exibições criam um diálogo entre a subjetividade e as matérias-primas que coexistem nas obras dos dois artistas. Louise Bourgeois usou seus traumas e memórias para problematizar temas caros ao corpo feminino, como identidade, angústia e anseio por liberdade em suportes variados. Na FAMA, ocupam uma sala expositiva toda a escultura de tapeçaria Femme (2004), que costurou à mão, e os 16 desenhos que compõem a suíte Do Not Abandon Me (2009-2010). Esta, em parceria com a artista britânica Tracey Emin, retrata cenas e pensamentos íntimos e cheios de polêmica, seja de grávidas, seja de mulheres que beijam, habitam e até se enforcam em falos eretos. Já Femme é uma boneca sem cabeça nem membros que possui apenas curvas e um buraco no fim do torso – das mais valiosas obras do acervo da FAMA, que conta também com exemplares de Aleijadinho e Tunga.

No espaço expositivo ao lado, trabalhos de Bispo do Rosário pendem entre a loucura e a genialidade na exposição Bispo do Rosário: As coisas do mundo. São obras criadas na Colônia Juliano Moreira, um dos maiores pólos manicomiais do Brasil, onde Bispo, diagosticado esquizofrênico, viveu por 50 anos. Séries tipológicas de objetos cotidianos (que intitulava “vitrines”) organizam o mundo ao modo do artista. Além de pertences envoltos de azul, que Bispo mumificava com a linha dos uniformes do hospício, que desfiava delicadamente. “Refiava, costurava, bordava e recobria com linha azul. Organizava essas coisas, serializando-as, como se estivesse na linha de produção de uma fábrica – de tecidos, quiçá”, reflete o curador.

Foi tecendo que Arthur Bispo deu origem ao Manto de Apresentação (s.d.), um dos destaques da mostra, considerada pela crítica como sua obra-síntese, adorno que ele usaria quando chegasse ao Céu. A obra condensa todo o universo de Bispo: do lado de fora, imagens e textos de seu universo particular, por dentro, nomes de pessoas queridas, eleitas por ele para serem apresentadas a Deus. As mostras de Bispo e Louise criam um paralelo com a FAMA. No século passado, o local abrigava a Fábrica São Pedro de tecidos, cuja produção se destacou em pouco tempo – já em 1912, operava com mais de 150 teares; em 1944, contava com 2 mil operários e foi a que mais empregou na cidade de Itu nesse setor. Hoje, são 25 mil metros quadrados nos quais residem as obras de artes da FAMA, um acervo que vem avolumando a cada dia.

Celebração

No dia 7 de setembro, a FAMA também promove um circuito de palestras com especialistas em arte contemporânea e inaugura exposições individuais de José Spaniol, Samuel de Saboia, Pola Fernandez e Iza Figueiredo. Além do novo recorte curatorial da exposição de longa duração da coleção do museu, desta vez, compreendendo também "mulheres que, assim como Louise e Bispo, acostumaram-se a tecer o mundo”, como explica Resende – caso da paulistana Carmela Gross (1946), que evoca a imagem do divino com sua Asa (1995), peça de tecido e betume, e A Negra (1977), a mulher envolta em panos, flutuando tal qual uma sombra. Sua conterrânea Nazareth Pacheco (1961) explora a própria experiência em O Quarto (2003), instalação aos moldes de seu antigo dormitório. Enquanto a mineira Sonia Gomes (1948) ressignifica elementos como o toco de madeira retorcida de Súplica (2018), que mais parece um animal fossilizado, adornando com linhas de lã colorida e impregnada de história.

Posted by Patricia Canetti at 8:27 PM