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agosto 11, 2019

Somos muit+s: experimentos sobre coletividade na Pinacoteca, São Paulo

Mostra na Pinacoteca investiga a arte como prática coletiva

Experiências artísticas concebidas por Hélio Oiticica, Maurício Ianês, Mônica Nador e Jamac, Rirkrit Tiravanija, Tania Bruguera, Vivian Caccuri e o Coletivo Legítima Defesa são apresentadas em diálogo com a produção do alemão Joseph Beuys

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, apresenta, de 10 de agosto a 28 de outubro de 2019, a exposição coletiva Somos muit+s: experimentos sobre coletividade, que investiga a prática artística como exercício coletivo. Com curadoria de Amanda Arantes, Fernanda Pitta e Jochen Volz, a mostra apresenta experiências artísticas pensadas enquanto diálogos, diretos ou indiretos, com a produção de Joseph Beuys, um dos mais importantes e ativos artistas da segunda metade do século 20. Além dele, participam outros sete artistas/coletivos nacionais e internacionais: Hélio Oiticica, Maurício Ianês, Mônica Nador e Jamac, Coletivo Legítima Defesa, Rirkrit Tiravanija, Tania Bruguera e Vivian Caccuri.

Joseph Beuys (Krefeld, Alemanha, 1921 – Düsseldorf, Alemanha, 1986) cunhou o conceito de escultura social, com o qual defendia o entendimento de toda e qualquer atividade humana como prática artística capaz de estruturar e transformar seu próprio meio. O escultor social é, então, aquele que, valendo-se da linguagem, dos pensamentos, das ações e objetos, cria novas estruturas na sociedade. Para ele, a sociedade é a matéria-prima de sua obra, tal qual a pedra, a madeira ou a argila seriam para o escultor. Mergulhando nessa temática, a exposição articula um grupo de artistas cujas pesquisas têm se direcionado para a criação de espaços propícios à imaginação de novas formas de sociabilidade e modos de vida, tal como Beuys formulou.

Como eixo central da mostra, a curadoria apresenta um conjunto de obras de Beuys — incluindo vídeos, desenhos e colagens — com destaque para a instalação Honigpumpe am Arbeitsplatz [Bomba de mel no local de trabalho], 1974-1977, proveniente do Louisiana Museum of Modern Art, da Dinamarca, e que foi apresentada na documenta 6, em Kassel, Alemanha, em 1977. Durante aquela mostra, o artista instalou tubos ao redor da escada e corredores do Fridericianum (edifício principal do evento), através dos quais 150 quilos de mel fluíam com a ajuda de uma bomba motorizada. Apresentando o mel como símbolo do produto do trabalho coletivo e seu estado circulante como referência ao fluxo do organismo humano e à sociedade, a obra atuava como lugar de encontro para as atividades da Universidade Livre Internacional, escola alternativa de cooperação, fundada pelo artista em 1973. A obra é considerada, hoje, uma das mais proeminentes do artista alemão, tendo antecipado discussões em torno de criatividade, economia e democracia.

A compreensão da arte como prática coletiva que dissolve a autoria individual também se coloca na exposição. “A máxima ‘todo mundo é um artista´, talvez uma das mais conhecidas de Beuys, explicita a renúncia à unicidade da obra de arte correspondente à noção restritiva de autoria, mas também reivindica a compreensão de que a coletividade é capaz de reunir e potencializar a vontade e a capacidade criativa de diferentes indivíduos”, explica a curadora Amanda Arantes. Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 1937-1980) foi um dos principais artistas que se colocaram a experimentar essa noção, ao tornar o público participante e não mais espectador.

A obra Apropriação (Mesa de bilhar, d’après “O café noturno de Van Gogh”), de 1966, de sua autoria e exibida pela primeira vez na mostra coletiva Opinião 66, no MAM-Rio, é exposta agora, após quinze anos desde sua apresentação em São Paulo. Por meio dela, o artista introduz a ideia da arte como um jogo: “Todos, inclusive eu, descobrem o jogo, ou seja, o elemento ‘prazer’ do jogo. Isto sim, é importante: a obra é prazer, e como tal só pode ser livre (joga-se quando quer, ou se se sabem as regras do jogo, etc.). A participação não é a ‘da vida real’, como sói pensar, mas uma participação livre no prazer que é aqui realizada pela proposta de um jogo, talvez o mais interessante e mais clássico que exista (dos de ‘salão’)”, declarou ele certa vez sobre a obra em questão.

Para o curador Jochen Volz, “ao traçar o potencial das estratégias de Beuys e Oiticica e o legado de sua obra para a arte contemporânea, é possível perceber como sua linguagem, seu campo de ação para além dos espaços artísticos convencionais, como galerias e museus, suas teorias e ferramentas artísticas específicas tornaram-se importantes para as gerações seguintes de profissionais das artes. A presente exposição reúne uma constelação singular, mas que é uma entre as muitas constelações possíveis de artistas que, de forma consciente, relacionam-se com e ampliam as ideias de coletividade, de criação artística e do papel do artista como agente de mudanças”.

A dissolução da autoria individual também permeia a prática de Mônica Nador (Ribeirão Preto, SP, 1955) que, desde 2004, vem operando o Jamac – Jardim Miriam Arte Clube, um projeto dedicado a desenvolver soluções criativas para problemas culturais, com o auxílio dos moradores da zona sul de São Paulo. Especialmente para a exposição, a artista associou-se ao Projeto Educativo Extramuros, desenvolvido pelo NAE – Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca, em que seus participantes criarão composições a partir de suas próprias histórias, que darão origem a murais coletivos, estandartes e outras peças que comporão a exposição.

Maurício Ianês (Santos, SP, 1973), cujo trabalho performático é dos mais relevantes hoje no Brasil, apresenta Ágora, que propõe a construção coletiva de um espaço de diálogo e reflexão. O artista passará seus dias no espaço expositivo recebendo os visitantes para um café, uma conversa, a criação de um desenho etc. Usando seu próprio corpo e individualidade como matéria-prima, Ianês inverte, dessa forma, a equação de Beuys e oferece ao público a oportunidade de moldar conjuntamente novas estruturas de troca e relação.

Já Vivian Caccuri (São Paulo, SP, 1986) utiliza-se do som como ponto de partida para explorar a percepção e temas de natureza histórica, cultural e social. Por meio de objetos, instalações e performances, seu trabalho abre espaço para desfazer significados, narrativas e convenções aparentemente tão fixas quanto nossa própria estrutura cognitiva. Para a presente exposição, a artista partiu do instrumento musical e da forma triangular para criar a instalação sonora inédita Ode ao triângulo, apresentada como uma espécie de memorial, composta de elementos – parte deles pertencentes à Pinacoteca – ligados à música, à espiritualidade e, sobretudo, aos aspectos ritualísticos e coletivos da arte, que será ativada por performances musicais ao longo da exposição.

Um palco aberto, baseado na estrutura espiral Raumbühne [espaço de palco], termo definido pelo arquiteto e teórico Friedrich Kiesler, é o que propõe o artista tailandês Rirkrit Tiravanija (Buenos Aires, Argentina, 1961). Conhecido por trabalhos que requerem situações de troca social em espaços comuns, Tiravanija agora se apropria desse alicerce pensado para uma experiência teatral performática, que ficará à disposição para a livre utilização dos visitantes. Ali eles poderão se expressar, trazendo suas habilidades, talentos e vontades, seja em formato de oficinas e apresentações de dança e teatro, ou declamações de poesia e aulas de ioga. A obra receberá também as performances imersivas do grupo Coletivo Legítima Defesa, realizadas em parceria com o músico sul-africano Neo Muyanga e o curador brasileiro Thiago de Paula.

Beuys compreendeu também a produção artística como prática educativa, tendo afirmado uma vez que sua “maior obra de arte era ser professor”. “Além de aludir ao aspecto performático inerente a toda atividade docente, com essa afirmação o artista enfatiza a noção do artista como agente que propõe a expansão e o enriquecimento da esfera social”, comenta a curadora Fernanda Pitta. Relacionando-se a esse aspecto pedagógico de seu legado, Tania Bruguera (Havana, Cuba, 1968) investiga minuciosamente o propósito e as consequências da arte e desenvolve uma prática diversa, que ela denomina, em sua própria terminologia, ‘arte de conduta’ ou ‘arte de comportamento’ e ‘arte útil’.

Ela propõe, assim, a Escola de Arte Útil, que consiste em uma série de aulas a serem ministradas dentro do espaço expositivo até o encerramento da mostra, voltadas para a discussão desse conceito e das práticas a ele relacionadas. As aulas serão coordenadas pelo artista Fábio Tremonte e contarão com a participação de artistas, professores e especialistas, além de parcerias com universidades locais. O projeto visa debater o potencial da arte de mudar perspectivas e de alavancar o desenvolvimento e a mudança social, política e cultural.

Somos muit+s: experimentos sobre coletividade, portanto, propõe ao público conhecer ou revisitar múltiplos experimentos sobre coletividade para além dos limites físicos do museu. No ano em que a instituição prepara sua expansão para o novo edifício da Pinacoteca Contemporânea, a coletiva incorpora a intenção da Pinacoteca de pensar sua própria inscrição e papel enquanto agente transformador no bairro e na cidade.

CATÁLOGO

Somos muit+s: experimentos sobre coletividade é acompanhada de um catálogo ilustrado com imagens históricas e representativas das obras, introdução do diretor geral da Pinacoteca e cocurador da mostra Jochen Volz e texto da curadora Amanda Arantes. Inclui também ensaios assinados pelos pesquisadores Fred Coelho e Marcelo Campos, trechos do texto de Arnd Wedemeyer, escrito por ocasião da documenta 6, e biografias dos artistas. Apresenta ainda textos assinados por alguns dos artistas participantes: Hélio Oiticica, Joseph Beuys e Tania Bruguera, sendo os dois últimos publicados pela primeira vez em português. Português e inglês.

Posted by Patricia Canetti at 11:07 AM