Página inicial

Blog do Canal

o weblog do canal contemporâneo
 


setembro 2018
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30            
Pesquise no blog:
Arquivos:
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
dezembro 2015
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
setembro 2012
agosto 2012
junho 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
novembro 2011
setembro 2011
agosto 2011
junho 2011
maio 2011
março 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
junho 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
maio 2009
março 2009
janeiro 2009
novembro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
maio 2008
abril 2008
fevereiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
agosto 2007
junho 2007
maio 2007
março 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
junho 2004
maio 2004
abril 2004
março 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

setembro 16, 2018

Alfredo Volpi e Ione Saldanha na Ipanema, Rio de Janeiro

A mostra homenageia o grande artista ítalo-brasileiro em seus trinta anos de morte, e cria um diálogo com a artista gaúcha radicada no Rio, em mais de 80 obras no total, que revelam as semelhanças na pintura de ambos.

A Galeria de Arte Ipanema apresenta, a partir do próximo dia 24 de setembro, às 19h, a exposição Alfredo Volpi e Ione Saldanha: o frescor da luminosidade, que homenageia o grande artista Alfredo Volpi (1896-1988) em seus trinta anos de morte, reunindo 66 obras suas em diálogo com outros 20 trabalhos de Ione Saldanha (1919 – 2001), com curadoria de Paulo Venancio Filho. Na abertura da exposição, será lançado um livro-catálogo editado pela Barléu, com texto do curador e imagens do fotógrafo Rômulo Fialdini. As obras que compõem “Alfredo Volpi e Ione Saldanha: o frescor da luminosidade” pertencem a importantes acervos privados no Brasil, como o do Instituto Volpi.

Foi de Volpi a primeira obra adquirida pela Galeria de Arte Ipanema, em 1965, ano em que foi criada. Além de representado pelo espaço de arte, Volpi foi pelas décadas seguintes amigo próximo da família responsável pela galeria. Ao longo de sua história, a galeria sempre realizou mostras com obras do artista, em especial as individuais em 1974, 1979, 1999 e 2003. Luiz Sève lembra que uma de suas “obrigações” quando viajava para a Europa era trazer para Volpi não somente os tubos de tinta que ele usava, como o queijo italiano pecorino, sua paixão, difícil de encontrar no Brasil.

Nesta mostra agora, a ideia é aproximar o universo de Volpi com o de Ione Saldanha. “Volpi é o inventor da alegria na pintura brasileira. A mesma que se encontra nos bambus de Ione”, afirma Paulo Venancio Filho, que aponta muitas semelhanças entre os dois artistas. "A simplicidade rítmica de porta e janela das casas modestas, de casarões e sobrados se transferiram para a pintura de ambos. (...) Absorvem não só a geometrização arquitetural, também as cores, simples, claras, timidamente puras, caracterizam essa pintura na margem do construtivismo brasileiro, nem concretista, nem neoconcretista estrito”. “Não é só a desconsideração dos fatos e da cor local que caracteriza desde seu início a pintura de Volpi, em Ione é também ausente o elemento literário, narrativo, alegórico. Todos esses elementos tão sugestivos ambos vão desconsiderar, ignorar, e propor um espaço de construção, um ambiente real e abstrato, vivo. Para isso contribui a lírica contida, não derramada, antirretórica que um e outra manifestam. Ambos falam pouco, numa sintaxe de poucos elementos, direta, resultado de uma aquisição rigorosa e econômica dos meios pictóricos próprios”.

“As ’bandeirinhas’ de Volpi e o bambu de Ione têm conexões próximas”, salienta o curador. Para ele, as “bandeirinhas” de Volpi e o bambu de Ione têm conexões próximas. “A ‘bandeirinha’ é uma forma, o bambu um objeto, mas a bandeirinha é também um objeto e o bambu uma forma. A proximidade e afastamento, a correlação entre forma e objeto é o que desperta o interesse”. “Ninguém tinha pintado antes num bambu, mas ele estava lá e Ione o encontrou. E se transformou em uma ‘tela’ cilíndrica, um objeto pictórico. O bambu não tem lados, frente e verso, é uma superfície contínua, circular. E há ainda uma conexão plástica entre a verticalidade natural dos bambus e os mastros de Volpi, as tão frequentes diagonais que atravessam as telas de alto a baixo”, destaca.

PEQUENA CRONOLOGIA DE VOLPI E IONE

Volpi nasceu em Lucca, Itália, em 1896. Ione em 1919, em Alegrete, Rio Grande do Sul. Uma diferença de 23 anos os separa. É pouco provável que tenham se conhecido pessoalmente. Que um tenha visto a pintura do outro é bastante possível. Estiveram juntos em algumas exposições. Viveram vidas bastante diferentes; Volpi no Cambuci, bairro então operário de São Paulo, Ione, no Rio de Janeiro, diante do mar do Leblon, onde morava. São os anos 1950 do século passado que os aproximam; os anos dominantes da abstração e das tendências construtivas, embora, nem um nem outro sejam por estas, estritamente, caracterizados. E é isso que os distingue e indica a discreta afinidade entre os dois. Anteriormente, Volpi, em Itanhaém, litoral de São Paulo, e Iole, em Ouro Preto, tinham dado atenção à singeleza esquemática da arquitetura urbana popular brasileira. Fizeram viagens importantes para a Europa praticamente na mesma época, Ione, pela segunda vez, em 1949, Volpi pela primeira em 1950. Estiveram juntos na II Bienal de São Paulo em 1953. Volpi teve sua primeira grande retrospectiva em 1957, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, apresentada por Mário Pedrosa. Em 1956 e 1957 é convidado a participar das Exposições Nacionais de Arte Concreta e mantém contato com artistas e poetas do grupo concreto. Nos anos 1960 e 1970 retorna a elementos pictóricos anteriores como as fachadas e as bandeirinhas. A primeira importante individual de Ione foi também realizada no MAM do Rio de Janeiro em 1959. A partir de 1966, abandona a pintura em tela e inicia os bambus, ripas e carretéis. Ambos participaram ainda de outras Bienais de São Paulo, exposições coletivas e individuais em museus e galerias. Alfredo Volpi faleceu em 1988, com 92 anos, e Ione Saldanha em 2001.

Posted by Patricia Canetti at 6:41 PM