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agosto 17, 2018

Você sonha com o quê? na Luisa Strina, São Paulo

-Mmmmmm… Medalla! Você sonha com o quê?
-Eu sonho com o dia em que eu vou criar esculturas que respiram, suam, tossem, riem, bocejam, sorriem, piscam, suspiram, dançam, andam, rastejam… e se movem entre pessoas como sombras se movem ao redor de pessoas… Esculturas que preservam as dimensões secretas de uma sombra, não seu comportamento servil… Esculturas sem esperança, com horas de vigília e horas de sono… Esculturas que migram em massa para o Pólo Norte em determinadas estações. Esculturas como um espelho translúcido sem a translucidez do espellho!
David Medalla, “Manifesto MMMMM…” (1965)

[scroll down for English version]

Esta é uma exposição - Você sonha com o quê? A Flor Mohole e outras fábulas - no presente do indicativo; uma exposição sobre devaneios e pesadelos inquietantes, sobre visões domésticas e fantasias tecnológicas. É um exercício de indagar como a arrogância do progresso pode ser neutralizada pela empatia criativa da natureza; de explorar os mundos visível e invisível; de revelar os limiares de percepção que conectam luz e sombra, espaço interior e sideral; um exercício de apontar para a criação de novos ambientes que permitem o desenvolvimento de novas histórias.

Centrais para a concepção da exposição são os trabalhos A Flor Mohole (1964), de David Medalla, e os Espaços Virtuais, de Cildo Meireles. A escultura animada de David Medalla faz referência ao Projeto Mohole, iniciado em 1957 e interrompido em 1966, que consistia em escavar no sentido do centro da Terra para extrair um fragmento de sua crosta; o trabalho era para ser plantado no centro da Terra, a fim de ressurgir “com pétalas rolando como a crista de uma onda chegando à costa”, em diferentes formas e em locais variados do planeta. Já os Espaços Virtuais de Meireles foram desenvolvidos no final da década de 1960, a partir de uma visão infantil do artista, referenciada no trabalho A Penteadeira (1967), que eventualmente o levou a questionar a geometria euclidiana e a explorar as características mutantes da paisagem, da narrativa e da escultura.

Como uma fita de Moebius, que produz um plano espelhado que nunca é idêntico a si mesmo, a exposição explorará a sombra que se desprende de seu corpo original; a superfície refletora que adquire vida própria; a máscara que não se conforma com a anatomia escondida – ou o contrário. Criaturas fantásticas e matéria orgânica criarão um ambiente de espaços deslizantes e escalas variáveis, onde compatibilidade e dissidência poderiam realocar as portas entre a vida contemporânea e as civilizações extintas.

Artistas na exposição: Pierre Huyghe, Laura Lima, Marie Lund, David Medalla, Cildo Meireles, Theo Michael, Gabriel Sierra e Pablo Vargas Lugo.

Magali Arriola é crítica de arte e curadora independente que vive na Cidade do México. Atualmente é a curadora principal de América Latina para a Kadist. Foi curadora-chefe da Fundación Jumex Arte Contemporáneo e do Museo Tamayo, ambos na Cidade do México. Arriola escreveu extensivamente para livros e catálogos e contribuiu para publicações como Art Forum, Curare, Frieze, Mousse, Manifesta Journal e The Exhibitionist, entre outras.


-Mmmmmm… Medalla! What do you dream of?
-I dream of the day when I shall create sculptures that breath, sweat, cough, laugh, yawn, smile, wink, gasp, dance, walk, crawl… and move among people like shadows move among people… Sculptures that preserve the secret dimensions of a shadow not its servile behavior… Sculptures without hope, with hours of wakefulness and hours of sleep… Sculptures that at certain seasons migrate en masse to the North Pole. Sculptures as a translucent mirror without the mirror’s translucency!
David Medalla, “MMMMM…. Manifesto” (1965)

This is an exhibition - Você sonha com o quê? A Flor Mohole e outras fábulas [What do you dream of? The Mohole Flower and other tales] in the present tense; an exhibition about daydreams and uncanny nightmares, about domestic visions and technological fantasies. This is an exercise in inquiring how the arrogance of progress can be counteracted by nature’s creative empathy; in exploring the visible and invisible worlds; in revealing the perceptual thresholds that connect light and shade, inner and outer space; an exercise in pointing to the creation of new environments that allow different histories to develop.

At the exhibition’s core are David Medalla’s The Mohole Flower and Cildo Meireles’s “virtual spaces”. Medalla’s 1964 animated sculpture references the Mohole Project, a project started in 1957 and aborted in 1966, that consisted of digging to the core of our planet in order to extract a fragment of its crust; Medalla’s work was meant to be planted at the center of the earth in order to resurface “with rolling petals like the crest of a tidal wave reaching the shore”, in different shapes and at different locations. Meireles’s “virtual spaces” developed in the late 1960’s out of a childhood vision of the artist referenced in the work A Penteadeira (1967) that eventually lead him to question Euclidian geometry, and to explore the mutating features of landscape, narrative and sculpture.

Like a Moebius strip that produces a mirrored plane that is never identical to itself, this exhibition will explore the shadow that detaches itself from its originating body; the reflecting surface that acquires a life of its own; the mask that won’t conform to its concealed anatomy—or the other way around. Fantastic creatures and organic matter will create an environment of sliding spaces and shifting scales where compatibility and dissent might relocate the doorways between contemporary life and extinct civilizations.

Artists in the exhibition: Marcel Duchamp, Pierre Huyghe, Laura Lima and Zé Carlos Garcia, Marie Lund, David Medalla, Cildo Meireles, Theo Michael, and Gabriel Sierra.

Magali Arriola is an art critic and independent curator currently living in Mexico City. She is currently Kadist Lead Curator for Latin America. She was Chief Curator at Fundación Jumex Arte Contemporáneo and at Museo Tamayo. Arriola has extensively written for books, and catalogues and has contributed to publications such as Art Forum, Curare, Frieze, Mousse, Manifesta Journal, and The Exhibitionist, among others.

Posted by Patricia Canetti at 11:26 AM