Página inicial

Blog do Canal

o weblog do canal contemporâneo
 


agosto 2017
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31    
Pesquise no blog:
Arquivos:
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
dezembro 2015
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
setembro 2012
agosto 2012
junho 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
novembro 2011
setembro 2011
agosto 2011
junho 2011
maio 2011
março 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
junho 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
maio 2009
março 2009
janeiro 2009
novembro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
maio 2008
abril 2008
fevereiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
agosto 2007
junho 2007
maio 2007
março 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
junho 2004
maio 2004
abril 2004
março 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

agosto 10, 2017

Tomie Ohtake na Nara Roelser, São Paulo

Nesta exposição de Tomie Ohtake na Galeria Nara Roesler, o curador Paulo Miyada traz mais uma chave para alcançar o pensamento plástico da consagrada artista brasileira. Focada em pinturas da década de 70, acrescida de algumas gravuras, a mostra inclui parte dos cadernos da pintora - muito pouco conhecidos, mesmo no circuito das artes -, nos quais pequenas colagens revelam como se iniciava a experimentação pictórica de Tomie.

[scroll down for English version]

Os delicados estudos eram feitos a partir de um procedimento singular: rasgar, cortar e colar recortes de papéis comuns do dia-a-dia, como revistas, convites, jornais, folhetos etc. "Prestar atenção nessa processualidade de Tomie Ohtake é ganhar acesso aos vínculos de sua pintura com o acaso, a gestualidade e a ousadia cromática", assinala o curador.

Miyada aponta que os diminutos estudos são um recurso consistente e recorrente na obra da artista até meados da década de 1980. "As composições encontradas serviam de roteiro para pinturas e gravuras que experimentavam diferentes escalas e combinações cromáticas. É como se a prancheta com papéis recortados fosse uma zona de mineração de formas e encontros de cores", observa o curador.

Em suas composições da década de 60, Tomie rasgava os pedaços de papel para criar a gênese de suas pinturas. "As figuras, no caso, assemelham-se a formas geométricas simples, porém de contornos tremeluzentes; guardam a memória de terem sido rasgadas com a ponta dos dedos", ressalta o curador. Já na década de 1970, quando as pinturas começaram a lidar com formas de contornos mais nítidos, os estudos também se transformaram, pois a artista passou a utilizar a tesoura - e nunca régua e estilete - para cortar os papéis. "Era uma forma de lidar com a instantaneidade do gesto e impregnar todo o processo de pintura com seu equilíbrio entre acaso e controle".

Miyada destaca ainda que essas composições dos anos 1970 ficaram mais densas, o branco (a folha em branco) foi tomado por áreas de cor, às vezes sugerindo paisagens. "As texturas da pintura, surpreendentemente, muitas vezes nascem na própria colagem, apropriadas de materiais fotográficos diversos. A paleta cromática também se expande, num corpo a corpo com o cromatismo de uma época que flertava com a psicodelia", completa.


In Tomie Ohtake: On the Tips of the Fingers at Galeria Nara Roesler | São Paulo, curator Paulo Miyada provides yet another key to grasping the plastic thinking of this acclaimed Brazilian artist. Comprising of paintings from the 1970s, as well as a few engravings, the exhibition also features some of the painter’s sketchbooks – which are little known, even within the art circuit – containing small collages that allow a glimpse into the genesis of Ohtake’s pictorial experimentation process.

These delicate studies follow a unique process: tearing out, cutting up and pasting together cutouts from everyday media such as magazines, invitations, news dailies, leaflets etc. “To pay attention to Tomie Ohtake’s process is to gain access to her paintings’ connections with chance, gestures and chromatic boldness,” the curator remarks. Miyada points out that these minuscule studies are a consistent and recurrent resource in the artist’s oeuvre up until the mid-1980s. “These found compositions worked as a script for paintings and engravings that experimented with different scales and color combinations. It is as though the clipboard with cutouts was a mining area for shapes and color combinations,” the curator notes.

In her 1960s compositions, Ohtake would tear up pieces of paper as a starting point for her paintings. “The figures here resemble simple geometric shapes, but their outlines are shimmering; they contain the memory of having been torn with the tips of the fingers,” Miyada says.

Later, in the 1970s, when the paintings began to deal with shapes that had clearer-cut contours, the studies also morphed as the artist began to use scissors – never a ruler or a utility knife – to cut up the paper. “It was a way of dealing with the instantaneousness of the gesture and of balancing out chance and control throughout the entire painting process.”

Miyada also highlights that these 1970s compositions grew denser; the whiteness (the blank sheet) was encroached by areas of color, occasionally suggesting landscapes. “The textures in the paintings often surprisingly emerge from the collage itself, appropriated from assorted photographic materials. The color palette also expands, meeting face to face the chromaticism of an age that flirted with psychedelia,” he concludes.

Posted by Patricia Canetti at 10:13 AM