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novembro 24, 2014

Lucia Koch na Nara Roesler, Rio de Janeiro

A artista exibe a partir de 29 de novembro conjunto de janelas e portas dispostas como objetos autônomos transformados pela cor, além de intervenção na claraboia do espaço

Em sua nova individual, Duplas, a quarta exposição a ocupar a Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro, a partir do dia 29 de novembro, Lucia Koch propõe novamente a interação entre arquitetura e cor. Desta vez, não apenas intervém na luz ambiente, mas também apresenta peças que têm o caráter de objeto: janelas e portas industrializadas que são transformadas pelo uso da cor.

Koch utiliza estruturas móveis - basculantes e de correr - nas quais substitui os vidros originais por filtros de diferentes cores, sempre dispostas aos pares, numa aposta na ideia de que a unidade mínima e indivisível na leitura das cores é a dupla. Há cores de filtro que se repetem em várias janelas, mas, como são sempre afetadas por seu par, veem-se distintas a cada dupla.

“São janelas através das quais não se pode ver o exterior, portas que não conectam espaços, ou dentro e fora. Estão fechadas em si e restritas às relações que contêm. Mas essas relações não são fixas, refazem-se quando movemos suas partes e uma cor se inclina, cobre ou revela, desliza sobre a outra”, explica a artista.

Lucia Koch faz uma intervenção na extensa claraboia que ilumina um dos ambientes da galeria, com a instalação de acrílicos de um tom de fumê distinto para cada um dos sete vidros: Semana Cinzenta. “São acrílicos de cores fabricadas sob encomenda, cinzas nada neutros - avermelhados ou azulados - que, postos em sequência, aparecem como cores singulares e têm suas sombras projetadas na parede, movendo-se ao longo do dia, afetadas também pelos humores do céu”.

Esta série cromática é vista junto às duplas instaladas em janelas e portas, o mesmo tipo de filtro operando ora diretamente na arquitetura, ora em objetos portáteis. “A luz natural filtrada e atravessando a arquitetura divide o espaço com objetos mais ou menos transparentes que são iluminados por lâmpadas, luz mais estável e controlada. Talvez as diferentes naturezas dos elementos deste conjunto se evidenciem, talvez se dissolvam, contaminadas uma pela outra”.

O que está posto em jogo nos trabalhos de Koch é o caráter transitório e fugaz da visão em particular (e dos sentidos em geral) como instância asseguradora do mundo externo a quem olha. Ao observador, resta ceder ao transitório na disputa entre a imediatez visual e a compreensão do que se vê.

Lucia Koch nasceu em 1966, em Porto Alegre. Vive e trabalha em São Paulo. Participou da 11ª Bienal de Sharjah, Emirados Árabes Unidos (2013); da 11ª Bienal de Lyon, França (2011); da 27ª Bienal de São Paulo, Brasil (2006); da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (1999, 2005 e 2011); e da 8ª Bienal de Istambul, Turquia (2003). Exposições coletivas de que participou recentemente incluem: Prospect 3: Notes for now (New Orleans, 2014); Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil (Wexner Center for the Arts, Columbus, EUA, 2014); 30 x Bienal (Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2013); Sense of Place (Pier 24, San Francisco, EUA, 2013); Travessias 2 (Galpão Bela Maré, Rio de Janeiro, Brasil, 2013); Um outro lugar (Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2011); When Lives Become Form (Yerba Buena Center for Arts, San Francisco, EUA, 2009; Contemporary Art Museum, Tóquio, Japão, 2008). Suas mais recentes mostras individuais são: Mañana, montaña, ciudad y Brotaciones (Flora ars + natura, Bogotá, Colômbia, 2014); Materiais de construção (Galeria Nara Roesler, São Paulo, Brasil, 2012); Cromoteísmo (Capela do Morumbi, São Paulo, Brasil, 2012); Matemática espontânea (SESC Belenzinho, São Paulo, Brasil, 2011); e Casa acesa (La Casa Encendida, Madri, Espanha, 2008).

Posted by Patricia Canetti at 12:46 PM