Página inicial

Arte em Circulação

 


abril 2019
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30        
Pesquise em
arte em circulação:

Arquivos:
abril 2019
março 2019
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
janeiro 2015
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
março 2012
fevereiro 2012
dezembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
julho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
setembro 2008
maio 2008
abril 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
março 2005
fevereiro 2005
novembro 2004
junho 2004
abril 2004
março 2004
fevereiro 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
setembro 2003
agosto 2003
As últimas:
 

abril 7, 2019

Piti Tomé: 90 tentativas de esquecimento por Efrain Almeida

Piti Tomé: 90 tentativas de esquecimento

EFRAIN ALMEIDA

Piti Tomé - 90 tentativas de esquecimento, Paço Imperial - Terreirinho, Rio de Janeiro, RJ - 12/04/2019 a 07/07/2019

Em sua primeira exposição individual em um espaço institucional, a artista Piti Tomé apresenta dois conjuntos de obras distribuídos em ambientes diferentes.

No primeiro espaço, a série de trabalhos intitulada Natureza-morta reúne obras nas quais a artista utiliza galhos, folhas, troncos e madeiras. A esses vestígios apropriados da natureza são conjugadas fotografias de paisagens. Há nesses trabalhos um jogo formal e conceitual no sentido de articular e enfatizar contradições e ambiguidades como real e virtual, natureza e representação, memória e esquecimento.

Ao escolher títulos para as obras dessa série, torna-se evidente o universo de referências de Piti Tomé. Sejam elas extraídas do romantismo do alemão Caspar David Friedrich ou das melancólicas paisagens do pintor americano Edward Hopper. Apesar de todas as referências e possibilidades de leitura, o vigor da obra da artista está na maneira como agrega e produz novos sentidos para objetos triviais. Ao recorrer a procedimentos como o recorte e a supressão de partes de imagens ou mesmo a associação de imagens de origens diversas, ela promove o deslocamento de sentidos. Os objetos são retirados de sua condição original — banal e cotidiana — e alcançam assim um novo lugar. Deixam de ser o que pareciam antes — o resto, o resíduo insignificante — para adquirirem um novo estado.

No segundo espaço, na instalação 90 tentativas de esquecimento, Piti Tomé mostra peças em displays expositivos à maneira de um museu de arqueologia, paleontologia ou de história natural. Há nessa escolha muitas possibilidades de significado. O mais evidente de todos talvez seja o de nos falar sobre memórias, apagamentos ou, simplesmente, sobre a certeza da finitude à qual estamos destinados. O impressionante aqui é como, poética e sutilmente, Piti Tomé nos aproxima e nos afasta do aspecto trágico de nossa existência. Aproxima-nos, quando podemos nos reconhecer nas fotografias, nos restos de objetos e nas paisagens por ela apresentados. Mas, ao mesmo tempo, afasta-nos quando não nos reconhecemos ou não nos vemos refletidos naquelas imagens e objetos. Recorrentemente, a artista se utiliza de fotografias antigas, em preto e branco. Talvez essa escolha estratégica em fazer esse corte temporal promova no espectador uma memória associada a um tempo remoto. Agindo assim, a artista se protege e, consequentemente, preserva-nos da tão dolorida e indesejada certeza da mortalidade.

É importante ressaltar os recorrentes vínculos da obra de Piti Tomé sempre com um olhar crítico e atento à história da fotografia e ao ato fotográfico, tendo como função primeira o registro e a permanência da imagem e sua memória, seja ela coletiva ou pessoal. Não podemos esquecer também da importância para a artista de um outro campo de saber — a psicanálise. Ao sobrepor e tensionar arte e psicanálise, interpolando dois campos de conhecimento, Piti Tomé nos revela, com maestria e brilhantismo, seu domínio sobre os sentidos e significância de sua obra.

Efrain Almeida
Março de 2019 Porto - Portugal

Posted by Patricia Canetti at 7:17 AM