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novembro 30, 2006

"Entre o novo e o nada", de Márcio Almeida

"Entre o novo e o nada", de Márcio Almeida

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Entre julho de 2005 e julho de 2006, visitei várias invasões na Região Metropolitana do Recife, a fim de encontrar uma família que quisesse trocar uma casa que comprei num bairro popular (com o dinheiro do prêmio bolsa-pesquisa do 46º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco) por sua residência e seus pertences. Entre muitos nãos e porquês, em julho de 2006, por intermédio de César, recepcionista de um edifício no bairro da Madalena, finalmente encontrei dona Edineide, uma moça que morava com o marido e a filha numa invasão no bairro de Sapucaia de Dentro.

Pelo aspecto extremamente afetivo do trabalho, procurei a todo instante deixar claro que se tratava de uma troca, e que eu não era de todo "bonzinho", pois tal troca envolvia mais que simplesmente uma casa, havia outras questões que estariam disfarçadas, talvez, e que viriam à tona apenas no decorrer do processo.

Dias depois do primeiro encontro, fomos visitar a casa em questão, e começamos as negociações, marcando para na 1ª quinzena de outubro a mudança e o desmonte do barraco.

No dia 22 de outubro, o barraco estava montado dentro do MAC - Museu de Arte Contemporânea, junto com um vídeo de 30 min, completando, assim, o projeto, com o qual fiquei bastante satisfeito.

Márcio Almeida


Entre mundos, por Cristiana Tejo

Esta casa que ocupa praticamente toda a sala maior do térreo do MAC não se apresenta simplesmente como objeto de contemplação, mas é o troféu de Márcio Almeida. Interessado especialmente em questões da geopolítica e da ocupação do espaço urbano, o artista delineou um projeto de alta carga ética e afetiva: propor a um morador de habitação precária a troca de sua casa, com todos os objetos pessoais incluídos, por uma outra moradia em melhores condições e mais valiosa, escolhida por Márcio em uma comunidade que não tivesse, a princípio, vínculos afetivos com a família escolhida. Diferentemente do que se pode pensar, o artista recebeu muitos nãos até conseguir realizar plenamente seu projeto. Recaía, obviamente, uma desconfiança de suas intenções e da real finalidade de tal transação, assim como muitas pessoas não desejavam abandonar seu entorno, seus laços afetivos. Durante o processo, o artista estabelecia, portanto, uma delicada negociação de esferas, ao tentar utilizar códigos e princípios da arte para interferir no mundo real. Quando finalmente o pacto entre as duas partes foi firmado, casa e objetos foram inscritos no mundo da arte e seus valores passaram a ser cotados como obras de arte, valendo algumas vezes mais do que anteriormente. Esta mudança de valor e o trânsito de campos tangenciam a essência do capitalismo, mas também evidenciam a porosidade da esfera da arte legada pelo século XX.

Márcio Almeida trabalha em Recife, cidade onde nasceu, em 1963. Atua nas artes plásticas desde 1988. Já realizou diversas exposições individuais e coletivas em várias capitais brasileiras e no Exterior.

Fotos: Flávio Lamenha

Posted by Leandro de Paula at 4:59 AM | Comentários(7)
Comments

O texto é por demais sucinto. Um projeto dessa natureza parece reclamar uma abordagem menos "telegráfica". Dúvidas: O vídeo constava de que? Gostaria de ouvir um pouco mais sobre a "satisfação" do artista em relação ao resultado do projeto. Também penso que seria bem vinda uma elucidação do termo "troféu", que pareceu-me bastante curioso neste contexto. O que, exatamente, Cristina Tejo pretende sugerir com esse termo? Como foram as peculiaridades dessa "negociação de esferas"? Enfim, pequenas curiosidades...

Posted by: Fabíola Tasca at dezembro 21, 2006 3:27 PM

Concordo com as colocações De Fabíola Tasca, e ainda acrescento: Para mim é mais um desdobramento de Duchamp, e só.

Posted by: Augusto at dezembro 23, 2006 11:43 AM

Mais que um comentário sobre curiosidades de quem deixou ou não de aceitar a proposta de Marcio, e relevante analisarmos o resultado apresentado. Claro que a proposta pode ser vista como um desdobramento de Duchamp,afinal este deslocamento estético para além do universo da arte foi seu grande legado.Mas mais que isto a obra no museu mostra uma outra estética uma poética muito particular,a da família. Os objetos pessoais,a maneira de organizá-los,os recados na parede,os objetos catados etc etc. Penso sim que existiu e muito uma boa dose de emoção e afeto tanto da parte do artista quanto da família, grandes protagonistas desta obra, e o video mostra isto. O olhar de encantamento/espantamento da mãe, a roupa domingueira de todos ao visitarem a nova casa. Realmente é curo o espaço para me estender e econômico o texto de Cristina Tejo. Obra afinada com a linguagem contemporânea. Tanto pela proposta e todo o processo como pelo resultado obtido.Marcio, lembrei do teu trabalho quando passei na Bienal de SP.
Desculpe-meCristina Tejomas troféu de que?

Posted by: eleonora fabre at dezembro 23, 2006 4:00 PM

Que bacana.

Sabe o que me lembrou? Aquele desenho do Pimentinha e o Sr. Wilson. Costumavam mostrar em alguns episódios pessoas mudando de casa. Era um processo bem diferente. Ao invés de se embalar e retirar os moveis de dentro da casa, o que acontecia era que vinha uma patrola e /arrancava/ a casa do chão e a transportava para seu novo endereço.

Posted by: Renato at dezembro 23, 2006 8:02 PM

Uma curiosidade. Casas têm cheiro. E o cheiro desse barraco continuou o mesmo? Ou foi afetado pela sala do museu.

Posted by: Renato at dezembro 23, 2006 8:03 PM

O vídeo mostrava todas as etapas , desde as primeiras abordagens, quando algumas pessoas não aceitaram a permuta até a desmontagem do barraco. As imagens foram capturadas com filmadora digital, máquina fotográfica e fotografia digital.
Quanto a satisfação, foi com a realização do projeto e o resultado apresentado.
O cheiro...de Gente, de vida...coisas que não encontramos no comércio...

Posted by: Márcio Almeida at dezembro 23, 2006 9:33 PM

entre o novo e o nada, preponderou o nada. de novo, não há nada. mais um duchamp talvez como alguém disse aqui. parece que é proibido desenhar, apenas por exemplo. márcio almeida que tem um belo trabalho de pintura/desenho procurou o novo. que novo é esse? é esse que se chama contemporâneo e enche galerias de objetos estranhos, mas que não (me) dizem nada? qual o velho que se abandona em busca do novo? o contemporâneo: é proibido o traço, o rabisco, busquem o novo. esse novo envelheceu muito rápido.

Posted by: Paulo Rafael at dezembro 26, 2006 9:45 AM
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