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janeiro 6, 2010
Software e Arte
Um dos primeiros pensadores a iniciar um debate sobre
a importância do software nas sociedades contemporâneas foi Matthew Fuller,
professor do Goldsmiths College em Londres. O campo de análise do projeto de Fuller estabelecia
que o software deveria ser visto não como mero coadjuvante nas alterações
iniciadas pela cultura do computador, mas como protagonista de inúmeras
modificações, entre elas comportamentais (como viver com um celular e ser
informado em “tempo real” dos acontecimentos), além de visuais, através da
introdução de softwares de manipulação de imagens estáticas e em movimento que
acabaram criando novos padrões estéticos. Isso sem contar com os aspectos quase
inconscientes associados aos softwares, como quando dirigimos nosso carro pelas
ruas das grandes cidades, somos monitorados por algoritmos que alteram o fluxo
e a velocidade, controlam os semáforos, nos indicam a melhor rota (agora com a
introdução de GPS em tempo real nos celulares), quando vamos ao supermercado
somos analisados em nossas compras e são formados bancos de dados que orientam
as compras e os cancelamentos em tempo real dos fornecedores, assim como a
introdução de novos produtos.
Baseados
nas premissas de Fuller e Manovich, começamos a observar que existem no campo da
arte novas questões criadas
via software na cultura e na sociedade, entre elas sistemas de geração de
imagem de alta complexidade através de linguagens especialmente dedicadas à
visualização, como é o caso do Processing,
uma linguagem compilada que permite criar imagens e animações baseadas em
protocolos de acesso ligados à estética dos bancos de dados computacionais.
Outro sistema que vem sendo utilizado principalmente na área de ensino de arte
digital é o projeto OpenFrameWorks,
criado pelos artistas Zachary Lieberman e Theo Watson, que permite a
compreensão de forma bastante simples, de linguagens complexas. O sistema
ensina a um público leigo, mas interessado em arte, como manipular a linguagem
C++ e criar com procedimentos básicos animações ou interatividades bastante
sofisticadas. Além disso, existem outros
vários sistemas que vem sendo desenvolvidos com a intenção de tornar mais
acessível a compreensão da importância de se conhecer a “estrutura”da linguagem
dos computadores, para entender melhor como estamos sendo por ela afetados.
Matthew Fuller publicou recentemente o livro Software Studies, Cambridge, MIT Press, 2008.
Texto retirado do Relatório da Curadoria de Arte Digital - Cícero Inácio da
Silva
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