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abril 28, 2020
5ª Semana de Seleção de obras de arte na Simone Cadinelli
Na quinta e última semana de sua “Seleção de obras de arte”, a galeria carioca Simone Cadinelli exibe nas mídias sociais e site trabalhos dos artistas Claudio Tobinaga, Jimson Vilela e Yoko Nishio
Na quinta e última semana da “Seleção de obras de arte” nas páginas digitais da galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea, o público verá trabalhos dos artistas Jimson Vilela, Yoko Nishio e Claudio Tobinaga.
As obras desta semana de 27 de abril a 1º de maio são: “Sem título” (“Distorção”), 2019, de Jimson Vilela; “Vista Pitoresca de Bertillon 2” (2019), de Yoko Nishio e “Viva Melhor” (2018), de Claudio Tobinaga.
“O sentido de deslocamento do que entendemos como realidade pode ser observado nas três obras selecionadas”, comenta Érika Nascimento, gestora artística da galeria. Em “Distorção” o papel do livro em branco na biblioteca, “Viva Melhor” com uma paisagem “bugada”, e “Vista Pitoresca de Bertillon”, onde o objeto capacete torna-se protagonista, ao invés do indivíduo.
São partes fundamentais da poética de Jimson Vilela a palavra, a linguagem e a gramática. Da mesma forma, os suportes que utiliza – o livro e o papel – integram sua pesquisa. “Distorção” – impressão com pigmento mineral sobre papel Photo Rag Baryta 315 – é uma relação direta com as folhas de papéis em branco de um livro, inseridas em seu ambiente usual de leitura.
A série de aquarelas “Vista Pitoresca de Bertillon”, de 40 x 30 cm, de Yoko Nishio, reverte o procedimento criado em 1879 por Alphonse Bertillon (1853-1914) – o Sistema de Identificação Criminal, que padronizou a imagem e ficha fotográfica policial – em que é o capacete o personagem ameaçador.
Na pintura em óleo sobre tela, de 140 x 100 cm, Claudio Tobinaga faz uma das raras paisagens em sua produção, em que usa elementos do cotidiano carioca. Em “Viva Melhor” (2018), estão presentes as listras, uma constante em seus trabalhos, que representam o “glitch” (erro) da imagem, uma paisagem em processamento, “bugada, como as falhas das imagens das barras de rolagem das redes sociais, em estado de quase desaparecimento”.
As obras selecionadas para a programação iniciada em 30 de março são de quinze artistas representados e convidados pela galeria: Claudio Tobinaga, Fernanda Sattamini, Gabriela Noujaim, Isabela Sá Roriz, Jeane Terra, Jimson Vilela, Kammal João, Leandra Espírito Santo, Patrizia D’Angello, Roberta Carvalho, Sani Guerra, Stella Margarita, Urbano Iglesias, Ursula Tautz e Yoko Nishio.
Para acessar a programação basta ir nas páginas da galeria no Instagram e no Facebook. Todas as obras postadas desde 30 de março podem ser vistas também no link www.simonecadinelli.com/selecao-obras, onde basta se cadastrar para receber a newsletter semanal, gratuita, com as informações dos artistas e seus trabalhos.
ACESSO À PRODUÇÃO DOS ARTISTAS
Estas ações mantêm a galeria ativa para os amantes da arte, face ao seu fechamento temporário em virtude das medidas para se conter o COVID-19. “A galeria pretende possibilitar que os colecionadores, assim como os demais admiradores da arte contemporânea, tenham acesso maior às produções de nossos artistas e ao nosso vasto catálogo. É uma maneira de contornarmos este período grave, e oferecer uma janela, uma aproximação para se conhecer trabalhos em diferentes conceitos e linguagens. A seleção foi pensada para mostrar obras que dialogassem com as sutilezas e tensões das relações humanas e sociais, a paisagem e a memória”, destaca Érika Nascimento.
SOBRE OS ARTISTAS DA SEMANA DE 27 DE ABRIL A 1º DE MAIO DE 2020
Jimson Vilela (1987, Rio de Janeiro) vive e trabalha em São Paulo. É doutorando em Poéticas Visuais (ECA/USP, 2020), Mestre em Poéticas Visuais (ECA/USP, 2015) e Bacharel em Artes Visuais (IART/UERJ, 2010).Ganhador de vários prêmios, Jimson Vilela tem obras em importantes coleções públicas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o MAM Rio, e o MAC de Niterói. Publicou os livros “Adaptável ao espaço que as palavras ocupam” e “Narrativa”, que podem ser baixados gratuitamente no site www.simonecadinelli.com/
Yoko Nishio (1973, Rio de Janeiro, onde vive e trabalha) é artista visual, professora-adjunta da Escola de Belas Artes da UFRJ e pesquisadora. Doutora e mestre em Artes Visuais pela EBA/UFRJ. Começou a se dedicar ao tema da violência, que teve como objeto a análise de desenhos e inscrições nas paredes de prisões e delegacias. É pesquisadora do NuVisu (Núcleo de Estudos Visuais em Periferias Urbanas), com o estudo Pintura e Materialidade: imagens da violência e do controle.
Claudio Tobinaga (1982, Rio de Janeiro, onde vive e trabalha) desenvolve projetos em múltiplos meios, tendo a pintura como principal suporte de sua produção. Produz imagens em que um universo distópico emerge de fotografias coletadas das redes sociais e de imaginários periféricos, principalmente da Zona Norte do Rio de Janeiro. Formado na Escola de Música Villa-Lobos (UFRJ), frequentou diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Conversa com o artista Alex Donis e Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta do MASP
Nesta terça-feira, 28 de abril, às 20h (horário de Brasília), Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea do MASP, participará de uma conversa online com o artista Alex Donis. O bate-papo, em inglês, será transmitido pelo YouTube do Centro de Pesquisa em Artes da Universidade da Califórnia (Berkeley).
Eles irão discutir a obra feita por Donis, a pedido do MASP, para a exposição "Histórias da dança". Em seus trabalhos, que frequentemente sofrem censura, o artista explora e redefine limites estabelecidos entre religião, política, raça e sexualidade. A mostra coletiva, prevista para este ano, tem curadoria de Julia Bryan-Wilson, Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Olivia Ardui, curadora-assistente.
Abact estreia podcast com participação de artistas e galerias de arte nacionais
Intitulado ‘Arte Contemporânea: da casca ao caroço’, o podcast traz no 1º episódio discussão sobre importância da arte em tempos de isolamento social
Nesta quarta-feira, dia 29 de abril, a ABACT – Associação Brasileira de Arte Contemporânea - estreia seu próprio podcast, o ‘Arte Contemporânea: da casca ao caroço’, que trará conteúdos exclusivos com entrevistados que vão desde artistas até representantes de galerias de arte associadas.
A cada quinze dias será lançado um novo episódio e entre os temas que serão abordados há discussões relacionando a arte ao atual momento que o mundo se encontra, de necessidade de isolamento social, já que este universo tem tido um papel fundamental neste processo de reclusão do indivíduo.
De acordo com a ABACT o nome do podcast tem total relação com o que a associação espera de seu público ao ouvi-lo, que é: não enxergar a beleza da arte superficialmente apenas (casca), mas também se aprofundar e conseguir entender tudo o que envolve a construção de uma obra e/ou exposição (caroço). “A ideia é que o público tire 10 minutos do seu dia para refletir como a arte contemporânea pode ser fundamental no dia a dia, para inspirar, entreter e até relaxar. E com isso as pessoas acabam por perceber quão importante é o trabalho dos artistas e todos os envolvidos para que grandes obras de arte cheguem até elas” - explica Luciana Brito, presidente da ABACT. Além disso, o nome também tenta transparecer uma característica importante do podcast: a de trazer temas relevantes de forma descontraída e leve, já que faz referência a uma confusão comum e engraçada com o nome da Associação – ABACT/Abacate.
O podcast ‘Arte Contemporânea: da casca ao caroço’ pode ser acessado pelos aplicativos de reprodução Spotify, Apple Podcasts e Google Podcasts ou diretamente pelo aplicativo agregador Anchor (clique aqui).
1º episódio discute papel das produções artísticas em meio a uma pandemia
A ABACT traz no episódio de estreia de seu podcast a artista Mariana Palma e a diretora da galeria Casa Triângulo, Camila Siqueira, para falar sobre como a indústria de arte contemporânea tem se reinventado no ambiente digital de forma a se manter ativa mesmo com a paralização de feiras e fechamento de portas de galerias e museus.
Além disso, o episódio traz uma discussão sobre a importância das produções artísticas em momentos áridos, como o que estamos vivendo com a pandemia da covid-19, que acabam sendo uma ajuda às pessoas em casa, que estão mais propícias por conta do isolamento a ter desânimo, falta de interesse e criatividade para enfrentar o dia a dia.
Episódios de maio
13/05 – Iniciativas das galerias para continuarem próximas do público
27/05 – Revisitando a exposição “Febre Amarela” de Vivian Caccuri
Sobre a ABACT
Entidade sem fins lucrativos criada em 2007, a ABACT - Associação Brasileira de Arte Contemporânea reúne atualmente 45 galerias de arte do mercado primário, localizadas em seis estados brasileiros e no Distrito Federal e que representam mais de mil artistas.
Reconhecendo o papel fundamental da arte contemporânea na construção e exportação de uma imagem moderna do pensamento brasileiro, a ABACT tem como missão ampliar o intercâmbio cultural, promover ações para profissionalização e desburocratização do mercado e fomentar o diálogo e educação em torno do setor de arte contemporânea no Brasil, valorizando as diferentes etapas de produção e seus responsáveis.
Entre os projetos administrados pela Associação estão Art Weekend São Paulo e o projeto Latitude – platform for Brazilian art galleries abroad.
abril 27, 2020
Ping-Pong série de conversas online na Galeria Nara Roesler
Assista abaixo as conversas já publicadas no canal do Youtube da Galeria Nara Roesler e a seguir as próximas conversas programadas:
Ping-pong # 9 | Julio Le Parc e Estrellita Brodsky
(em espanhol - já publicada abaixo)
29 de abril, quarta-feira, 18h
Ping-pong #10 | Laura Vinci e Guilherme Wisnik
(em português)
2 de maio, sábado, 14h30
Ping Pong #1 | Vik Muniz e Luis Pérez-Oramas (English subtitles)
Ping Pong #2 | Cao Guimarães e Luis Pérez-Oramas (English subtitles)
Ping Pong #3 | Luisa Duarte e Marcos Chaves
Ping Pong #5 | Lucia Koch e Bruno Dunley
Ping Pong #6 | Agnaldo Farias e Daniel Senise
Ping Pong #7 | André Severo e Luis Pérez-Oramas
Ping Pong #8 | Alexandre Arrechea and Lowery Stokes Sims
Ping Pong #9 | Estrellita Brodsky and Julio Le Parc
Casa Roberto Marinho celebra dois anos com atividades digitais
Instituto cria uma série de atividades digitais para celebrar dois anos de portas abertas no Cosme Velho
No próximo dia 28 de abril de 2020, a Casa Roberto Marinho, dirigida pelo arquiteto, antropólogo e curador Lauro Cavalcanti, completará dois anos de atuação na paisagem cultural do Rio de Janeiro. Em virtude da pandemia do novo coronavírus e das consequentes medidas de isolamento social, o instituto segue fechado ao público por tempo indeterminado. Para celebrar a data, a equipe da Casa criou uma série de ações digitais, que incluem depoimentos gravados em vídeo com artistas, curadores e personalidades que fazem parte da escrita da instituição. Beatriz Milhazes, Beth Jobim, Iole de Freitas, Luiz Áquila, Maria Bonomi e Paulo Climachauska são apenas alguns entre os muitos que participam da programação especial em homenagem à data.
No dia 28, terça-feira, serão publicadas nas redes da Casa Roberto Marinho conversas entre o diretor Lauro Cavalcanti e convidados. A primeira será com a artista carioca Beatriz Milhazes. Em seguida, Cavalcanti dialoga com o curador e editor Leonel Kaz, que prepara exposição em parceria com a Casa. Para encerrar, um bate-papo com Macia Mello e Paulo Venancio Filho, que assinam a curadoria da coletiva “Duplo Olhar”, atualmente montada no segundo andar do instituto, reunindo pintura e fotografia modernas brasileiras.
O casarão rosa neocolonial de 1939, que teve por referência o Solar de Megaípe (construção pernambucana do século XVII), foi inaugurado em 2018 com a exposição “Modernos 10, Destaques da Coleção”, que apresentou ao público 124 obras da Coleção Roberto Marinho. De lá pra cá, o instituto situado no Cosme Velho, zona sul do Rio, recebeu 104 mil visitantes e firmou-se como um importante centro de referência em modernismo brasileiro, dos anos 1930 e 1940, e em abstração informal, dos anos 1950.
Os jardins orginalmente projetados por Burle Marx, em franja da Floresta da Tijuca, inspiraram a mostra aberta em dezembro do ano passado, que segue montada no térreo do instituto, reunindo múltiplos de 11 artistas contemporâneos, como Angelo Venosa, Carlito Carvalhosa e Regina Silveira.
Com mais de 1.200m² de área expositiva, a Casa Roberto Marinho já realizou oito exposições, algumas em parceria com outras instituições, como foi o caso de “Djanira: a memória de seu povo”, coproduzida com o MASP, em 2019. A coletiva “Oito décadas de abstração informal”, montada em parceria com o MAM de São Paulo, foi premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte na categoria de melhor exposição nacional de 2018.
Visando o fortalecimento dos vínculos durante o período de quarentena, a Casa Roberto Marinho segue levando arte ao público através de suas redes. Vídeos das palestras do ciclo 'Olhares Modernos', realizado pelo instituto em junho de 2018, sobre as obras de Guignard, Pancetti e Ismael Nery vêm sendo compartilhados no instagram. Neles, os críticos e curadores Frederico Morais, Paulo Sergio Duarte e Paulo Venancio Filho contam curiosidades sobre as obras e as trajetórias dos três expoentes do modernismo.
Entre os conteúdos digitais propostos pela casa, durante a quarentena, estão também a veiculação de uma série (realizada pelo Canal Philos) de entrevistas com artistas que já expuseram na Casa, como Anna Bella Geiger, Carlos Vergara e José Bechara. Agradam aos seguidores as postagens com destaques da Coleção Roberto Marinho, apresentadas com informações e curiosidades sobre obras e artistas, como é o caso do óleo sobre tela "O Touro (paisagem com touro)", 1925, de Tarsila do Amaral.
A equipe de Educação do instituto também permanece atuante e criou uma série de proposições para as famílias. A partir de materiais singelos, disponíveis em casa, as atividades apresentadas (sempre às sextas-feiras) estimulam a percepção do público infantil, intensificam os vínculos entre as famílias e reforçam a necessidade do isolamento social.
Assim que possível, a Casa Roberto Marinho espera reabrir as portas e retomar suas diversas atividades, seguindo as orientações dos órgãos de saúde e priorizando a máxima segurança do público e de seus funcionários.
A programação especial do dia 28 de abril será transmitida via Instagram e os conteúdos digitais serão posteriormente disponibilizados no site do instituto.
Série criada por Eric Nepomuceno durante isolamento social narra leituras e histórias
Após pouco mais de um mês do início do período de isolamento social e quarentena devido à pandemia do Covid-19, a Nepomuceno Filmes irá estrear, a partir do dia 27 de abril de 2020, um combo de conteúdo inédito na internet, composto por duas séries e um curta-metragem produzidos de forma totalmente independente ao longo do mês de abril. Filmados através de um aparelho de telefone celular e editados em um laptop, as séries “Leituras na Quarentena”, “Dias e Noites de Amor e de Guerra” e o curta-metragem “Cinco anos de solidão” foram feitos na serra de Petrópolis, onde Eric Nepomuceno está confinado com a mulher e o filho.
Leituras na Quarentena é uma série de 40 programas de aproximadamente dois minutos cada, com sugestões de livros, autoras e autores, para ajudar a enfrentar a solidão e o isolamento. Apresentada pelo escritor Eric Nepomuceno, que entre uma e outra dica de leitura revela histórias de amigos como Gabriel García Márquez, Cristovão Tezza, Juan Rulfo, Fernando Morais, e memórias pessoais relacionadas a livros como “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger, “Antes do Baile Verde”, de Lygia Fagundes Telles, “O Quarto de Giovanni”, de James Baldwin, e personagens como Mafalda e Tom Sawyer.
“Ficar sozinho é uma coisa, sentir solidão é outra. Eu, por exemplo, adoro ficar sozinho. Sempre que posso, escolho essa situação. Mas não ter essa escolha é, para mim, assustador: muito diferente de me isolar, é ser isolado. Ficar isolado, sem poder ver amigas e amigos de décadas e que estão logo ali, ao alcance da mão. Pensando nisso, pensei em maneiras de combater o vazio do isolamento. E cheguei à conclusão de que ler é o melhor remédio. Ao longo de anos e anos eu disse e redigo que nenhum, nem um único livro, mudou a história do mundo. Nem mesmo a obra de ficção mais lida e traduzida na história da humanidade, a Bíblia, mudou o mundo. O que os livros podem mudar e muitíssimas vezes mudam é a nossa maneira de ver a vida e o mundo. E nos levar a tentar, então, mudar a realidade que nos rodeia ou buscar a realidade que nos foi escondida”, diz Eric Nepomuceno.
Dias e Noites de Amor e de Guerra é um conjunto de 16 programas de aproximadamente três minutos cada, com leituras da obra de Eduardo Galeano, no ano em que o escritor uruguaio completaria 80 anos, realizadas pelo seu amigo e tradutor, Eric Nepomuceno.
Cinco Anos de Solidão retrata um casal em isolamento em uma cidade no interior do Rio de Janeiro, rodeado de árvores e livros, lidando com memórias e ausências, durante a quarentena de abril. O curta-metragem é uma carta de amor e resistência em um tempo trágico, composto por incertezas e esperanças.
As séries “Leituras na Quarentena”, “Dias e Noites de Amor e de Guerra” e o curta-metragem “Cinco anos de solidão” seguem a mesma linguagem apresentada pela produtora carioca em consagradas séries como “Sangue Latino” (Canal Brasil) e longas-metragens como “Lugar de Fala”, exibido recentemente na mostra Première Brasil do Festival do Rio.
Locais de Exibição
Redes sociais da Nepomuceno Filmes no Instagram e Facebook, e canal de Eric Nepomuceno no Youtube.
Cronograma
Leituras na Quarentena – de segunda a sexta, a partir de 27 de abril de 2020
Cinco Anos de Solidão – estreia dia 30 de abril de 2020.
Dias e Noites de Amor e de Guerra – aábados e domingos, a partir de 1 de maio de 2020.
Ler é o melhor remédio por Eric Nepomuceno
Ficar sozinho é uma coisa, sentir solidão é outra.
Eu, por exemplo, adoro ficar sozinho. Sempre que posso, escolho essa situação.
Mas não ter essa escolha é, para mim, assustador: muito diferente de me isolar, é ser isolado. Ficar isolado, sem poder ver amigas e amigos de décadas e que estão logo ali, ao alcance da mão.
Pensando nisso, pensei em maneiras de combater o vazio do isolamento. E cheguei à conclusão de que ler é o melhor remédio.
Ao longo de anos e anos eu disse e redigo que nenhum, nem um único livro, mudou a história do mundo. Nem mesmo a obra de ficção mais lida e traduzida na história da humanidade, a Bíblia, mudou o mundo.
O que os livros podem mudar e muitíssimas vezes mudam é a nossa maneira de ver a vida e o mundo. E nos levar a tentar, então, mudar a realidade que nos rodeia ou buscar a realidade que nos foi escondida.
O que eu nunca disse, porque embora estivesse convencido acreditava ser muito óbvio, é que os livros podem, e conseguem na imensa maioria das vezes, suavizar a nossa solidão.
Ao conviver com personagens que nos atraem ou rejeitamos, ao tentar descobrir não apenas o que eles pensam mas qual rumo tomarão, eles se transformam em companhia.
Por esses dias de pandemia descontrolada e de país desgovernado, sem norte nem rumo, tenho lido.
E além de ler, tenho me lembrado de livros que li (e alguns reli, e outros se tornaram releituras rotineiras ao longo dos tempos).
Assim, conto que andam me fazendo companhia o velho Santiago, de O velho e o mar, e Lia, Lorena e Ana Clara, de As meninas, e convivo com a tensa e amedrontadora atração entre David e Giovanni de O quarto de Giovanni, ou padeço a tensão que paira soberba sobre o desespero do casal de O Banho, e observo de longe a solidão do halterofilista de A força humana, e torno a mergulhar, depois de décadas, nas águas do Mississipi e constato, sereno e feliz, que nada mudou nem nelas, nem na minha memória.
São companhias variadas, que varrem a minhas lembranças pelo avesso. E é graças a essas companhias que a solidão da quarentena se torna menos densa, mais suave.
Como disse dia desses Joaquín Sabina, um dos maiores compositores da música popular espanhola contemporânea, ler é o melhor remédio contra o medo – esse medo imenso que se espalha nestes tempos de tensão e breu.
Sobre a produtora
Fundada em 2013 por Tereza Alvarez e Felipe Nepomuceno.
Entre seus trabalhos estão os DVDs “Atento aos Sinais Vivo” (2014) e “Bloco na Rua” (2019), de Ney Matogrosso.
Outros trabalhos são os curtas-metragens: “A incrível volta ao mundo do tricolor suburbano” (2013), “Caetana” (2014) e “Estrondo” (2019), exibidos nos festivais É Tudo Verdade, Festival do Rio, Curta Cinema e Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (Cuba), entre outros.
Realizou as séries: “Sangue Latino”, “Contradança”, “A Arte do Encontro”, “Janelas Abertas” e “26 Poemas Hoje”, exibidas no Canal Brasil.
Em 2018, estreou o longa-metragem “Eduardo Galeano Vagamundo”, exibido em mais de 20 festivais internacionais.
Em 2019, lançou na Mostra Geração do Festival do Rio seu segundo longa-metragem, “Lugar de Fala”, filmado integralmente com um aparelho de telephone celular.
