|
|
abril 21, 2020
COVID-19 Representantes do Setor Cultural do DF se manifestam diante da crise provocada pelo Novo Coronavírus
Carta dos ex-conselheiros e ex-conselheiras de cultura do Distrito Federal
“Licença aqui para expressar mais um pouco de pessimismo sobre o futuro do nosso setor, mesmo torcendo muito para estar errado. Se nas próximas semanas acontecer de fato um aumento gigantesco nos casos e mortes de Covid-19 no Brasil, como está previsto, teremos logo ali na frente uma mudança significativa de comportamento na sociedade. Isso vai comprometer as atividades que dependem de aglomerações não só pelo prazo dos decretos oficiais, mas por muito mais meses, ou quem sabe anos. Quando os eventos que estamos acostumados a trabalhar/frequentar voltarem a ser permitidos, ainda serão fracos e intermitentes. Nem público, nem profissionais, nem patrocinadores, sejam privados ou estatais, voltarão com força e confiança. Infelizmente, depois dessa, nosso tipo de atividade vai se tornar insustentável por muito tempo. Hoje o que as pessoas estão fazendo para driblar a crise já não deve ser encarado como algo temporário, mas como teste para os novos modelos de entretenimento, cultura e arte que precisamos desenvolver pro futuro.”
DJ Pezão
Nós, ex-conselheiros e ex-conselheiras do Conselho de Cultura do Distrito Federal que desde a criação do colegiado em 1989, representamos a sociedade civil e/ou governo em diferentes momentos contribuindo significativamente com a elaboração, análise e o monitoramento de ações, políticas, programas e projetos culturais. Temos acompanhado com muita preocupação o cenário atual, em que as medidas necessárias de isolamento social para o combate ao CONVID-19 têm impactado de maneira drástica a cadeia produtiva da cultura como um todo, principalmente, no ponto de vista econômico e financeiro.
É necessário adotar medidas enérgicas e estratégicas para reduzir esses impactos e suas consequências a curto, médio e até mesmo longo prazo, já que estamos cercados de incertezas quanto ao período adequado para a duração do isolamento social. O que sabemos é que as atividades culturais convencionais, em grande maioria, estão ligadas à aglomeração de pessoas e que serão as últimas a serem autorizadas e normalizadas em sua plenitude.
Acrescentamos que a cultura vem sofrendo já há algum tempo, nas esferas nacional e local, tanto com a extinção do Ministério da Cultura, quanto com o cancelamento de editais e descontinuidade de políticas públicas de cultura, como por exemplo, as de fomento e incentivo. Com isso, tornou-se impossível que empreendedores, artistas e agentes culturais tivessem fundos de reserva mínimos para suportar essa nova crise generalizada.
Já temos diversos colegas de todos os setores artísticos e culturais, de todas as linguagens artísticas, além de produtores, agentes culturais, gestores de equipamentos culturais particulares e/ou independentes, além de técnicos de suporte a todas as áreas, em completa situação de pandemia financeira. E isso prejudica, consideravelmente, não só a cadeia produtiva cultural, mas também o comércio, o turismo, a economia local e a sociedade como um todo, já que a cultura está no cerne da cidadania e não é possível pensar em melhorar as cidades se o Estado deprecia este setor, o que, infelizmente, vem acontecendo há alguns anos.
Centenas de artistas e agentes culturais, em todas as áreas de atuação, estão sofrendo as consequências da necessária quarentena, com atrasos em pagamentos de serviços básicos, como moradia, alimentação e higiene, ao ponto de muitos estarem passando fome por não terem condições financeiras de se sustentar. Pois sabe-se que, se o artista não produz, ele não tem uma fonte de renda para sobreviver. O momento torna essencial e obrigatório ao Estado, independentemente do nível governamental, dar as condições necessárias aos que precisam para a sua manutenção, até que essa situação de pandemia se encerre e possamos voltar a produzir e a consumir espetáculos, filmes, shows, musicais, teatrais, de circo, de dança, de poesia, em suas mais variadas criações que sustentam e cunham a identidade de uma sociedade desde o tempo mais primórdio.
Por isso, esse coletivo de pessoas que sempre se dedicou à produção da arte e da cultura, além de terem contribuído com a formulação, análise e julgamento da aplicação do FAC, da LIC e da LOC, apresentam aos gestores das Secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal Secretaria Nacional de Cultura e demais gestores públicos do DF, Câmaras legislativas do DF e Federal e Senado, as demandas de apoio imediato para a superação do inesperado e do difícil momento. Construímos, conjuntamente, as seguintes propostas de incidência sobre os problemas apresentados pela comunidade cultural:
FAC pago com celeridade e urgência! Está no Art. 67 da Lei Orgânica da Cultura (Lei Complementar nº 934, de 7 de dezembro de 2017) que podem ser utilizados até 5% dos recursos do FAC para manutenção, informatização, contratação de consultoria, contratação de pareceres, contratação de serviços auxiliares, remuneração de colegiados e profissionais responsáveis pela análise de propostas, acompanhamento, fiscalização e análise final de prestação de contas, aquisição de ferramentas de gestão, aquisição de equipamentos e outros bens e serviços dedicados ao funcionamento eficiente do FAC e do Programa de Incentivo Fiscal. Ou seja, tal percentual pode ser utilizado para administração do próprio Fundo, o que está em execução desde 2009. Sugerimos assim, a contratação imediata de pareceristas externos para análise da parte documental e a criação de uma força tarefa coordenada pelos servidores do FAC e da LIC, com acolhimento de servidores de outros setores que não estão em atendimento, para dar celeridade a adoção das medidas necessárias para pagamento imediato, por exemplo: do Edital de Áreas Culturais de 2018, do FAC Ocupação 2019 e do FAC Gravação, Registro e distribuição em Música 2018. Se tais editais forem pagos imediatamente, em muito podem ajudar a nossa classe com os recursos em conta.
Também sugerimos o aumento do recurso do edital emergencial Conecta Cultura, muito bem proposto pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, para empregar urgentemente todo o recurso existente no fundo, sendo 50% em abril e 50% em agosto. Bem como, a criação de mais editais para alcançar os demais culturais, como: Manutenção de Grupo, Regionalizado, Conexão Gravação de Áudio. Com isso, o Conecta Cultura será ampliado consideravelmente, em relação ao atual montante que atende somente cerca de 2% da classe artística do DF.
“Quem tem o pão garantido perde a noção de que CADA DIA É UM DIA INTEIRO sem ter opção”
Ana Flávia, atriz e palhaça
Em relação aos editais emergenciais: Segundo a urgência da calamidade pública dada pelo Decreto Legislativo nº 6 de 20 de março de 2020 e pelo Decreto Distrital nº 40.520 de 14 de março de 2020, ambos amparam as aquisições de compras e serviços com dispensa de licitação, além de não precisar seguir os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), nem as metas fiscais previstas nas leis orçamentárias deste ano. A modalidade prêmio da Lei nº 8.666/93, por exemplo, pode ser acionada imediatamente, pois trata-se de modalidade especial de licitação. A Lei de Licitações e Contratos Administrativos, em seu art. 22, § 4º, traz o conceito de concurso, verbis: “Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 dias”.
Outra proposta que encaminhamos é agilizar o pagamento dos processos do edital de Ocupação dos contemplados que estão em situação regular e em fase de pagamento. Pois, não há, além do pagamento, outro procedimento administrativo para estes contemplados. Com isso, iniciaria a circulação de dinheiro no mercado. Lembrando que tal montante servirá para pagar, ao menos, a pré-produção como os designers gráficos para fazer as identidades visuais, os jornalistas para preparar os releases para a imprensa, pagar os técnicos e o que mais for possível, adiantando as produções em atividade que podem ser feitas na quarentena decretada. Existem, atualmente, três projetos de lei para ações destinadas ao setor cultural em tempos de coronavírus (dois na Câmara dos Deputados e um no Senado Federal) que possuem conteúdos próximos de inclusão dos profissionais das artes e da cultura para o acesso à renda de R$600,00.
Divulgação do Cadastro de artistas e culturais da SECEC para pagamento aos cadastrados. Tal ação política depende do encaminhamento do Governador do DF à fonte pagadora. Além disso, essa crise mostra que não temos mapeados todos os trabalhadores do setor que não são computados pelo Cadastro de Ente e Agente Cultural do DF (CEAC). Tal medida é uma inovação que sana este ponto na estruturação da cadeia produtiva.
Ativação das Emendas Parlamentares que estão destinadas a Eventos do 1° e 2° semestre e transformá-las em editais de prêmios aos artistas e para os técnicos e artistas, que não possuem CEAC - técnico de som, montadores de cenografia e expografia, iluminadoras e costureiras de ateliê de moda ou de escola de samba, por exemplo. As execuções das Emendas na Secretaria de Ação Social em forma de auxílio emergencial ao cidadão, pois neste momento o dinheiro é mais importante para a sobrevivência que o produto.
Para os espaços culturais que não são abarcados pela SECEC (18 no DF, segundo último levantamento e mapeamento da Funarte) que agregam valor à respectiva Região Administrativa, transformando em um território vivo, bem como para as instituições de ensino e de produções artísticas particulares com CNPJ, sugerimos: Lançamento emergencial do Edital de Manutenção de Grupos e Espaços Culturais e a retomada do conexão para gravação. Negociação com a Secretaria de Fazenda para isenção de IPTU para os espaços de cultura (como é feito para as igrejas); Negociação com CEB e CAESB para redução do valor da taxa e suspensão temporária da cobrança de tarifas de água e de esgoto; Decreto de redução temporária do valor de aluguel durante a calamidade pública para a continuação futura de entidades de ensino e produção artística, tanto as particulares e as independentes.
Por fim, a abertura de vários editais (sugerimos alguns que já foram aprovados pelos órgãos de controle) somando o que rege a LOC em seu Art. 64, inciso II. Indicamos que até 30 de abril, é lançado o primeiro bloco de editais, contendo todo o saldo do exercício anterior adicionado da metade da previsão orçamentária do exercício em curso, incluindo-se o disposto no art. 66, II eIII – até 31 de agosto, é lançado o segundo bloco de editais, com todo o saldo restante do exercício em curso, incluindo-se o disposto no art. 66, II. Seria o montante de trinta milhões de reais até o final de abril, e mais trinta milhões reais até final de agosto. Tais editais incluiriam todas as áreas culturais, que acolheriam o vulto mínimo de oito mil trabalhadores da cadeia cultural, sendo cinco mil já cadastrados no CEAC e outros três mil que fazem parte do setor e que até hoje não são computados oficialmente pela SECEC, mas que são importantíssimos na construção da identidade da arte e da cultura do DF.
Editais nacionais e do Distrito Federal que podem ser simultaneamente reeditados para atender a Classe - Sem CEAC e pela 8.666 ( caso dos Técnicos e artistas não credenciados):
http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2013/07/Edital-Mais-Cultura-Microprojetos-Pantanal1.pdf
https://drive.google.com/file/d/0B_PAmmNTaiArNWZVQ0xLMlRDTzA/view
http://www.fap.df.gov.br/2017-3/
Editais da Secretaria de Cultura:
http://www.cultura.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2017/11/Edital-Cultura_e_Cidadania_FAC-2018.pdf
Saindo da escala do Distrito Federal, estamos convictos que a saída estará na articulação dos poderes públicos em âmbito distrital e federal para a prevenção de um colapso maior no setor. Desta forma, apoiamos as propostas já articuladas em escala nacional tramitando nos PL 1075/2020, PL 1089/2020, PL 1541/2020:
a) Liberação dos valores retidos e antecipação dos valores comprometidos do Fundo Nacional de Cultura e do Fundo Setorial do Audiovisual, que estão vinculados a projetos já aprovados e que não podem, por lei, ter qualquer outra destinação. Isso injetará cerca de R$ 1,5 bilhão de reais no setor como um todo, sem onerar o caixa central do governo federal e do distrito federal;
b) Concessão de um salário mínimo, em virtude do afastamento de suas atribuições pelo período que perdurarem as medidas de contenção ao vírus, aos microempreendedores individuais (MEI) que atuam na área cultural e criativa;
c) Concessão de auxílio financeiro aos artistas, técnicos e produtores culturais informais, com o auxílio do Poder Público do Distrito federal para inclusão dos trabalhadores que não tenham cadastros na assistência social.
As propostas aqui elaboradas estão de acordo e apoiam as iniciativas várias que ocorrem em escala nacional, estadual, distrital e municipal no país, tais como no DF: Carta dos Espaços Culturais do DF,Carta Aberta dos profissionais da Musica ao Governo Federal, Carta da Câmara de Economia Criativa da Fecomércio/DF, OFÍCIO Nº 82/2020-GAB DEP. Chico Vigilante, Carta da ABRAPE – Associação Brasileira de Promotores de Eventos, Carta da Frente Unificada de Cultura do DF, Carta da APTR Associação dos Produtores de Teatro e ainda apoiamos a articulação em escala nacional para artistas, produtores culturais e músicos (autônomos e Microempreendedores Individuais - MEI) com vistas ao recebimento de salário de afastamento de suas atribuições, via Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - aproximadamente 19 mil assinaturas; articulação nacional em prol da isenção por 2 (dois) meses de contas para músicos, produtores de eventos e equipe, e autônomos - aproximadamente 69,5 mil assinaturas; Manifestação da Comissão de Direitos Culturais da OAB/CE – CDCult; Carta Proposta para a Política Cultural no Amazonas em tempos de COVID-19; Medidas de Contenção do Impacto Econômico e Jurídico da Pandemia Covid-19 Sobre O Setor Cultural, emitida pelo Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais – FBDC; e Comunicado do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura.
Isso posto assinamos esta carta ex Conselheiras e ex conselheiros de 1995 a 2018.
Alberto Peres Neto, sociedade civil, segmento Música de 2016 a 2019;
Anderson Formiga , sociedade civil do segmento Circo e Cultura Popular 2017-2018;
André Muniz Leão, sociedade civil, segmento Audiovisual, de 2014 a 2018;
Carlos Alberto Xavier, representando o governo, de 2015 a 2018;
Carlos Silva, sociedade civil segmento artes visuais 2017 a 2018;
Claudia Rachid representante governamental de 2014;
Clerí Fichberg, representante do Governo e sociedade civil, Circo e Cultura Popular, 2011 a 2017;
Clerton Oliveira Evaristo, representando da Educação de 2011 a 2014;
Daniela Diniz representante governamental de 2016 a 2018;
Débora Aquino, sociedade civil segmento Teatro, de 2015 a 2018;
Fátima de Deus sociedade civil de 1995 a 1998 representando o governo de 2011 a 2013;
Izabela Brochado, representante da UNB de 2011 a 2012;
Jaqueline Fernandes de Souza Silva, representante do Governo 2018;
Johanne Madsen sociedade civil área da dança, de 1995 a 2000 e representante governamental de de 2015 a 2018;
Kuka Escosteguy, sociedade civil do segmento Teatro 2011 a 2014;
Luiz Felipe Vitelli sociedade civil segmento Literatura de 2016 a 2018;
Marcio Moraes , sociedade civil segmento audiovisual 2009 a 2012;
Marcos Sílvio Pinheiro, representando da Educação de 2015 a 2017;
Maria Antonieta Vilela Mendes, sociedade civil do segmento dança 2018;
Pedro César Batista, sociedade civil segmento Literatura, de 2014 a 2016;
Plinio Mósca, sociedade civil do segmento Teatro de 1999 a 2002;
Reginaldo de Almeida Moreira, sociedade civil do segmento dança 2015 a 2016;
Romario Schettino representando do governo de 2012 a 2015;
Verena Castro, sociedade civil, segmento Dança de 2013 a 2015, e 2016 a 2018;
Victor Ziegelmeyer, sociedade civil, segmento Música de 2012 a 2016;
Yara De Cunto sociedade civil segmento dança de 1999 a 2002.
Atropelados pela pandemia, museus rastejam na internet por Giselle Beiguelman, Folha de S. Paulo
Atropelados pela pandemia, museus rastejam na internet
Artigo de Giselle Beiguelman originalmente publicado no jornal Folha de S. Paulo em 17 de abril de 2020.
Instituições, por favor, saiam das redes sociais, contratem designers, comissionem artistas
O coronavírus ressuscitou a internet dos anos 1990. Entre videochamadas, lives e visitas virtuais, descobrimos o que já sabíamos —viver no universo paralelo é muito chato. O homem é um animal político. Seu lugar é a pólis, a cidade, a rua, não atrás da tela.
E descobrimos outra coisa —museus, galerias de arte e instituições culturais estão na idade da pedra da internet. Atropelados pela pandemia e sem conteúdo artístico e cultural criado para a web, aderiram aos únicos campos da vida online que conhecem, as redes sociais, ecommerce e saídas de emergência apontadas para o Google Arts & Culture.
Veja os museus e centros culturais fechados por causa do coronavírus em SP
Bom momento para revisitar ou descobrir quem não ficou na era do byte lascado, começando pelas poucas coleções de net art, como o Whitney Art Port, que comissiona obras desde 2001; o Netescópio, do Museu Estremenho e Ibero-americano de Arte Contemporânea, e a Net Art Anthology do Rhizome.org.
Entre os brasileiros, enquanto o único museu nacional com uma trajetória consistente no campo da artemídia, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, não disponibiliza na internet sua coleção “web specific” e de videoarte (trabalho em processo), uma alternativa é o site Web Arte no Brasil, mantido há 15 anos por Fabio Fon.
No plano do audiovisual, o MoMA, em Nova York, acaba de inaugurar seus tours virtuais com uma mostra do seu acervo de filmes, em sintonia com o contexto pandêmico, “Private Lives Public Spaces”.
Outra possibilidade é visitar a seção do acervo do Videobrasil, com materiais de referência sobre artistas que passaram pelos mais de 30 anos do festival paulistano.
Saindo da esfera das coleções históricas, o prêmio Hash, parceria do Museu de Arte e Mídia da Alemanha, o ZKM, com a Akademie Schloss Solitude, e fruto de residências artísticas online, é uma boa referência.
Por aqui, as atividades do Aarea, que comissiona obras de net art a artistas que não têm produções anteriores relacionadas ao meio online, funciona como um oásis. É bom lembrar, no entanto, que o site do Aarea não disponibiliza o acervo e se torna a obra do artista que está em cartaz. Seria interessante rever, nestes tempos de “coronavida”, um flashback do que já passou por ali.
Sob impacto da pandemia nas artes, o Instituto Moreira Salles prepara um projeto com obras comissionadas para o ambiente online, que respondam ao contexto da crise desencadeada pela Covid-19.
Mesmo que seja alentadora a resposta do IMS, é importante sublinhar que a aridez das instituições culturais não se resume ao vazio de conteúdo artístico. Isso fica patente quando se observa de que forma laboratórios de centros de excelência, nada digitalmente nativos, exploram a internet como dimensão ampliada de seu patrimônio.
A Biblioteca Pública de Nova York desenvolveu, há quatro anos, uma interface de visualização de dados, criada pelo artista Brian Foo, para dar acesso aos mais de 180 mil itens em domínio público sob sua guarda. É possível navegar por século (desde o 13), gênero, coleção e também por cores (uma visão muito particular do acervo). Foo fez recentemente uma plataforma semelhante para o Museu de História Natural que abrange 13 mil fotografias digitalizadas, filtros temáticos e cronológicos.
Já o Museu do Prado, em Madri, disponibiliza uma linha do tempo em camadas que possibilita contextualizar as obras em relação ao momento histórico, à arquitetura, à ciência, e também a artes cênicas, filosofia, literatura, música e pintura.
No Brasil, a ação mais sintonizada com esses processos é a integração do Museu do Ipiranga ao Glam, ou Galleries, Libraries, Archives, and Museums, da Wikipedia, que visa a expansão do seu acervo em meio digital, contemplando imagens e verbetes críticos e de caracterização das obras que detém.
Nenhuma dessas estratégias brota de um dia para o outro. A compreensão da internet para além de um repositório de links e o reconhecimento de sua produção artística são fatores determinantes. Mas investimento em pesquisa e criação são decisivos. Dito de outra forma —instituições, por favor, despendurem-se das redes sociais, contratem designers, comissionem artistas e paguem um programador.
Giselle Beiguelman é artista e professora da USP, pesquisa estéticas da memória no século 21
Overdose de lives e museus virtuais causam cansaço e vertigem por Nathalia Lavigne, Folha de S. Paulo
Overdose de lives e museus virtuais causam cansaço e vertigem
Matéria de Nathalia Lavigne originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 17 de abril de 2020.
O que falta é justamente a possibilidade de vagar distraídos, descobrindo obras ao acaso
Nunca imaginei que acompanhar a programação de arte durante a quarentena tivesse um efeito tão angustiante quanto as notícias sobre o avanço do coronavírus. Logo na primeira semana, o título de um artigo do site Hyperallergic —“2.500 museus que agora você pode visitar virtualmente”— parecia trazer a solução para quem estivesse “sentindo fome de arte”, como dizia o texto. Nem se chegarmos ao décimo mês de confinamento alguém teria interesse em acessar tudo aquilo.
Além da metáfora infeliz, a chamada revela o lado mais alienante desse meio, que parece não se dar conta de como pesquisar acervos de museus está longe de ser uma prioridade para a maioria das pessoas durante uma pandemia global.
Sim, porque a principal vantagem do Google Arts & Culture ainda é permitir fazer pesquisas nas 2.500 instituições com coleções reunidas pela plataforma. Ver detalhes de uma pintura impossíveis de se enxergar a olho nu, ou obras em realidade aumentada, sem dúvida são ótimas ferramentas, mas em geral voltadas para um público familiarizado que sabe bem o que procura.
Quem entra pela primeira vez em um museu pelo Google Street View possivelmente vai se entediar e sair zonzo nos primeiros minutos. Isso porque essa ou outras plataformas que simulam a experiência no espaço físico não levam em conta como a construção da visualidade nos museus é indissociável da relação com o corpo e outros sentidos além da visão. E, quando já passamos os dias de uma tela para outra, o olhar saturado não contribui para uma experiência contemplativa —principalmente de trabalhos pensados para serem vistos ao vivo.
Podemos não nos dar conta, mas visitar um museu envolve uma série de coreografias corporais que influenciam na maneira como descobrimos as obras. Em muitos casos, são padrões de como o espectador deve se comportar, construídos e incorporados desde os primeiros museus públicos.
Um amplo estudo sobre o assunto é feito por Helen Rees Leahy, da Universidade de Manchester, em “Museum Bodies”, ou corpos de museu.
Sua abordagem sobre a experiência no museu vai desde instruções publicadas em periódicos no século 18 sobre como se portar de forma confiante e o que vestir a análises contemporâneas.
O que chama mais atenção no estudo são os relatos sobre patologias associadas ao museu. Sintomas como tontura, cansaço ou até náusea, provocados por sensações como confusão mental ou opressão, apareciam em descrições de visitantes desses espaços até a primeira metade do século passado.
De certa forma, não é tão diferente da vertigem causada pelas visitas virtuais do Google Arts & Culture, em que a falta de contexto e a dificuldade de atrair nossa atenção provocam um efeito igualmente desestabilizador.
Embora pareçam oferecer a chance de escolher entre tantas opções, o que falta é justamente a possibilidade de vagar distraído como caminhamos pelos corredores dos museus, descobrindo obras ao acaso.
Passei a sentir uma enorme nostalgia de visitar os museus ao vivo. Mesmo que o histórico disciplinarizante desses lugares tenha deixado marcas até hoje, romper com esse imaginário tem sido uma preocupação grande das instituições nas últimas décadas.
Acompanhar as fotos de visitantes por meio de hashtags é uma boa maneira de entender seu comportamento hoje e relacionar com o histórico dessas práticas corporais.
Há desde encenações de poses contemplativas com ar de seriedade a pessoas que rompem com essa tradição, fotografando-se com roupas iguais às obras ou simulando a situação retratada. A série, por sinal, reapareceu durante o confinamento, com recriações caseiras de pinturas clássicas reunidas na hashtag #BetweenArtandQuarentine. Pode parecer bobagem, mas indica um rompimento com o imaginário opressor do museu.
A programação online durante a quarentena tenta suprir a ausência do espaço físico com uma overdose de lives. Talvez os museus virtuais de hoje se assemelhem aos primórdios dessas instituições, quando a construção disciplinarizante da visualidade resultava em uma experiência misturada a sensações de cansaço e vertigem —tudo que é bom evitar neste momento.
Nathalia Lavigne é pesquisadora na USP, estuda arte no Instagram e museus pós-redes sociais
Open letter to museums and galleries in support of education and other essential workers, Art & Education
Open letter to museums and galleries in support of education and other essential workers
We the undersigned write with grave concern about a growing trend of layoffs targeting education staff at major global museums in the name of COVID-19. Museums including MoMA, LA MOCA, Mass MoCA, Serralves Foundation and others, have recently reported redundancies, many of them affecting freelance and part-time educators and, in the case of the MoMA, offering no horizon of re-employment. Far from redundant, such workers—employed to give tours, design and develop programmes for schools and communities of all ages—are at the heart of museum and gallery work.
As those most in touch with communities outside of the museum, educators push criticality and innovation. Their work is regularly used to attract donors and supporters to many institutions. That they are first in the line of fire for layoffs, is disconcerting, to say the least.
This is especially true as gallery education posts are more often to be those in which racialised, working-class people and women are employed to work with communities who are not members of the cultural elite. At a moment when museums and galleries claim an interest in their diversification, why do they de-fund the very people and communities made most vulnerable by the current crisis?
We find this treatment of educators to be a great tragedy in a moment when their skill-sets—meaning-making, public engagement, community care and support—are more essential than ever. This could be a moment in which to utilise these skills to offer more to communities than virtual museum tours. Instead of retrenching museums into conservative modes of exclusionary content dissemination, a more forward-thinking stance would be to intensify the educational dimension of their offer in this moment of fear, loss and community re-organisation, and to prioritise relationships with their most excluded groups.
Sadly, the reported layoffs follow years of precarity for museum and gallery educators and other cultural workers, who are rendered dispensable in times of economic or social uncertainty. While our letter is focused on the situation of educators, we stand with cleaners, porters, visitor service staff and other low paid and precarious workers in museums and galleries and call on their employers to reverse these layoffs and to offer fairly paid, secure and protected contracts for all cultural workers.
We implore museums and galleries to take this opportunity to re-imagine—with their workers and their communities—the role of culture in the time of COVID-19 and its aftermath. And we ask those museums who are already doing so to step forward and speak out on behalf of education and other essential workers targeted by these cuts.
Signed by:
1. Dr Janna Graham, BA Curating, University of London, Goldsmiths, UK
2. Dr Carmen Moersch, Mainz Academy of Arts, Johannes Gutenberg University, Germany
3. Dr Cayo Honorato, Department of Visual Arts, University of Brasilia, Brazil
4. Professor Irit Rogoff, Curatorial/Knowledge, Goldsmiths, London University, UK
5. Prof Doreen Mende, HEAD Genève and Harun Farocki Institut Berlin, Germany
6. Dr Ines Moreira, NOVA Lisbon and U.Porto, Portugal
7. Ainslie Roddick, ATLAS Arts, Skye, Scotland
8. Mahan Moalemi, writer and researcher
9. Dr Vipash Purichanont, Department of Art History, Silpakorn University, Thailand
10. Dr Sophie Hope, MA Arts Policy and Management, Birkbeck, University of London, UK
11. Ashley Whitfield, Founder, Johannesburg Family Gathering, Johannesburg, South Africa
12. Dr Raimi Gbadamosi, Artist, Academic. DeMontfort University, Leicester, UK.
13. Anne Julie Arnfred, Curator and PhD fellow, Roskilde University, Roskilde, Denmark
14. Eloy V. Palazón, PhD Candidate, Universidad Complutense de Madrid, Spain
15. Andrea Francke, artist and associate lecturer, University of the Arts London, UK
16. Dr Carolina Rito, Centre for Arts, Memory and Communities, Coventry University, UK
17. Dr Bridget Crone, Senior Lecturer in Visual Cultures, Goldsmiths, University of London
18. Sara Greavu, curator and Queer Arts Development Leader, Outburst Arts, Belfast
19. Dr Sarah Pierce, artist and Lecturer in Visual Cultures, National College of Art and Design Dublin
20. Leire Vergara, Dutch Art Institute, Artez University of the Arts, Arnhem/ Bulegoa z/b, Bilbao
21. Astrid Korporaal, Research Curator, Frames of Representation festival at the Institute of Contemporary Arts, London, UK
22. Dr María Bella, independent researcher and curator, Corcubión, Spain
23. Jenny Richards, PhD candidate, Konstfack, University of the Arts, Stockholm, Sweden
24. Miguel Amado, Director, Sirius Arts Centre, Cobh, County Cork, Ireland
25. Huiying Chen, Curator, Taipei Fine Arts Museum, Taiwan
26. Ariadna Serrahima, Publisher and PhD candidate, Goldsmiths University, London, UK
27. Ben Messih, Education Curator at the South London Gallery, UK
28. Grant Watson, Tutor, Royal College of Art, London, UK
29. Mariam Atieh, Associate Lecturer, University of Arts London, London College of Fashion, UK
30. Fereshte Moosavi, Independent Curator, PhD Curatorial/Knowledge Goldsmiths University of London, UK
31. Vaida Stepanovaite, Independent curator, MRes Curatorial/Knowledge, Goldsmiths, University of London, UK
32. Ane Rodríguez Armendariz, Cultural Manager, MA Contempemporary Art Theory, Goldsmiths University, London, UK
33. Gema Darbo, Curator, MRes Advanced Practices, Goldsmiths University, London, UK
34. Alex Thorp, Education Curator, Serpentine Galleries, London, UK
35. Dr Felicity Allen, artist, former Head of Interpretation & Education, Tate Britain; founding director, Engage, UK
36. Zoë Marden, artist & assistant researcher, Advanced Practices, Goldsmiths University, London, UK
37. Patricia Roig, MRes Curatorial/Knowledge, Goldsmiths University, London, UK
38. Theodor Ringborg, Artistic Director, Bonniers Konsthall, Stockholm, Sweden
39. Ayesha Keshani, museum worker and PhD candidate Visual Cultures, Goldsmiths University, London, UK
40. Eva Rowson, Managing Director, Bergen Kjøtt, Bergen, Norway .
41. Jemma Egan, Assistant Education Curator, Serpentine Galleries, London, UK
42. Deniz Kirkali, Independent Curator, PhD Curatorial/Knowledge, Goldsmiths University, London, UK
43. Olivia Plender, Royal Institute of Art, Stockholm, Sweden
44. Eduarda Neves, Curator and Director ESAP, Portugal
45. Srajana Kaikini, PhD, Assistant Professor of Philosophy, Krea University, independent curator. India.
46. Clara Rocha, Independent Curator and PhD Candidate Visual Cultures, Goldsmiths University, London, UK
47. Lawrence Lek, Artist and PhD Candidate, Royal College of Art, London, UK
48. Dennis Dizon, Independent Digital Curator, MRes Curatorial / Knowledge, Goldsmiths, London, UK
49. Alex Sainsbury, Director, Raven Row, London, UK
50. Samia Henni, Cornell University, USA
51. Vasiliki Antonopoulou, Artist, Royal College of Art, London, UK
52. Maria Morata, Independent Curator and Researcher, Berlin, Germany
53. Laura Hensser, Managing Director, Gasworks, London, UK
54. Michael Maranda, assistant curator, Art Gallery of York University
55. Pascal Schwaighofer, Artist and PhD student Comparative Literature Cornell University, USA
56. Ofri Cnaani, Artist, Associate lecturer, BA Curating, University of London, Goldsmiths, UK
57. Pablo Martínez, Head of Programming, MACBA Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Spain
58. Francesca Maria Lazzarini, Curator and PhD Candidate Curatorial/Knowledge, Goldsmiths University, London, UK
59. Joni Zhu, Research Assistant, Visual Cultures, Goldsmiths, London, UK
60. Joselyne Contreras, PhD candidate in Curatorial Knowledge, Goldsmiths, London, UK
61. Sophie Jung, artist and freelance educator, external tutor at Institut Kunst, Basel, Switzerland
62. Dr Joshua Simon, Pennsylvania Academy of Fine Arts, Philadelphia and Maayan Magazine, Tel Aviv-Jaffa
63. Lucia Pietroiusti, Curator, Serpentine Galleries, London UK
64. Murat Adash, Artist and PhD Candidate in Art at Goldsmiths, University of London
65. Dr Ronny Hardliz, artist and researcher, Lucerne University of Applied Sciences and Arts, Switzerland
66. Avi Varma, PhD candidate at the Centre for Research Architecture, Goldsmiths, University of London, UK
67. Dr. Anshuman Dasgupta, Kala Bhavan, Visva Bharati University, Santiniketan, India
68. Emily Pethick, Director, Rijksakademie van beeldende kunsten, Amsterdam, Netherlands
69. Maya Watanabe, artist and PhD Candidate in Visual Cultures, Goldsmiths University, London, UK
70. Alasdair Milne, MRes student, Visual Cultures, Goldsmiths, University of London, UK
71. Sara Martín Terceño, freelance educator, Madrid, Spain
72. Silvia Zayas Serra, artist, freelance educator, Spain
73. Ainhoa Hernandez Escudero, artist, cultural worker, Madrid, Spain
74. Patricia Raijenstein, free freelance educator, Spain
75. Dr. Theo Reeves-Evison. Leverhulme Early Career Fellow, Birmingham School of Art, UK
76. Cibelle Cavalli Bastos, MA, Royal College of Art, London, UK
77. Prof. Dr. Anja Kraus, Department of Humanities and Social Sciences Education, Stockholm University, Sweden
78. Ana Mae Barbosa, Full Professor (retired) from Universidade de São Paulo, Brasil
79. Léontine Meijer-van Mensch Director Ethnological Collections, State of Saxony, Germany
80. Thomas Locher, Dean Academy of Fine Arts Leipzig, Germany
81. Catarina Martins, Faculty of Fine Arts, University of Porto, Portugal
82. Prof. Ulf Aminde weissensee academy of art Berlin
83. Danja Erni, KontextSchule, UdK Berlin, Germany
84. Prof. Dr. Andrea Sabisch, University of Hamburg, Germany
85. Friederike Schönhuth, director RED PONY - agency for art and art education, Frankfurt, Germany
86. Silke Ballath, sideviews. e.V. and German Children and Youth Foundation, Germany
87. Elke aus dem Moore, Director, Akademie Schloss Solitude, Stuttgart, Germany
88. Dr. Lüder Tietz, MA Program Museum and Exhibition, University of Oldenburg, Germany
89. Dr. Nanna Lüth, University of the Arts Berlin, Germany
90. Prof.Dr. Silke Wenk, Carl von Ossietzky University of Oldenburg, Germany
91. Natalie Bayer, director, FHXB Friedrichshain-Kreuzberg Museum, Berlin, Germany
92. Tom Holert, Harun Farocki Institute, Berlin, Germany
93. Christine Gerbich, Centre for Anthropological Research on Museums and Heritage, Humboldt-University Berlin, Germany
94. Samuel Guimarães, Art Educator and Professor at School of Music and Performing Arts, Portugal
95. Helene Illeris, Professor of Art Education, University of Agder, Norway
96. Marta Coelho Valente, PhD student in Arts Education, Research Institute of Art, Design and Society, University of Porto, Portugal
97. Raquel Ribeiro dos Santos, Head of Participation, Families and Schools, Culturgest - Fundação Caixa Geral de Depósitos, Portugal
98. Lara Soares, Art educator at Burilar - Creative Processes in Public's Mediation, Portugal
99. Madalena Wallenstein, Cultural Programmer and Coordinator at CCB/ Fábrica das Artes - Childhoods, Portugal
100. Prof. Dr. Karen Ellwanger, Carl von Ossietzky Universität Oldenburg, MA Museum and Exhibition
Full list of signatories here.
Fonte: Art & Education
Maratona 45 anos Luisa Strina: Conversas para a quarentena
No canal no YouTube da Galeria Luisa Strina, estamos publicando a íntegra das entrevistas com artistas, curadores, jornalistas, colecionadores, galeristas e consultores de arte realizadas durante o Art Weekend 2019 como parte das comemorações dos 45 anos da galeria. Esperamos que você aproveite esse rico material para conhecer mais da história da galeria e dos vários protagonistas da cena artística que dão vida e sentido ao nosso espaço. A publicação da maratona é também uma forma de agradecer a todos que compõem ao mundo da arte, a quem desejamos muita saúde e serenidade nesse momento tão delicado.
Anna Maria Maiolino discute as imagens primordiais e arquetípicas de sua obra e comenta a experiência de ter recém-realizado duas grandes retrospectivas de seu trabalho: uma no PAC – Padiglione d’Arte Contemporanea, na Itália, e outra na Whitechapel Gallery, no Reino Unido.
Jac Leirner comenta a projeção internacional de sua obra, conta que aprendeu muito sobre arte contemporânea na Galeria Luisa Strina, em seu tempo de estudante, e que compartilha com Luisa até hoje interesses conceituais e formais, analisando o perfil de artistas e trabalhos que encontra na galeria.
Eduardo Barella comenta como iniciou, com sua esposa Camilla, a coleção de arte política que se organiza em torno dos temas da fronteira e do pertencimento; conta a história inusitada da aproximação entre o casal e a galeria; e finaliza a entrevista com um depoimento empolgado sobre o projeto do Novo Pacaembu.
Miguel Chaia relembra obras e artistas que acompanhou desde 1974 na galeria e compartilha o que aprendeu na convivência com Luisa e com a maneira como ela concebe o programa de exposições. O cientista social e colecionador destaca o ritmo de divulgação da arte contemporânea e a exigente sequência de qualidade como marcas registradas da Galeria Luisa Strina.
Camila Yunes Guarita compartilha suas experiências como art advisor, que defende ter o papel de desmistificar o universo da arte, e conta sobre seu projeto KURA, plataforma de difusão e de formação. A consultora também apresenta o seu novo projeto, Caixa de Pandora: intervenções de artistas contemporâneos no contexto da coleção Ivani e Jorge Yunes, que reúne um acervo de arte desde o século IV até os anos 1970.
Sócio-fundador da Galeria Vermelho, Eduardo Brandão relembra os tempos em que fazia as fotografias das obras de seus amigos artistas que eram representados pela Galeria Luisa Strina, como Leonilson e Edgard de Souza, e propõe uma reflexão profunda sobre o papel de uma galeria e sua responsabilidade ao definir o que é ou não pertinente expor e chancelar.
Laura Lima comenta vários trabalhos de sua trajetória; revela um momento epifânico de quando e onde ela formalizou a ideia de sua “filosofia ornamental”, linha de pensamento que alinhava grande parte de sua pesquisa mais recente. No final da entrevista, a artista conta ainda como foi começar a trabalhar com Luisa Strina e resume os projetos que já realizou na galeria.
Cleusa Garfinkel conta quais estratégias adota para fomentar e fortalecer as instituições brasileiras; relembra uma das primeiras vezes em que foi à galeria e descreve como foi a constituição de sua coleção particular. A colecionadora e mecenas das artes dá ótimos conselhos sobre os critérios para escolher obras para adquirir e comenta o prêmio que recebeu da Fundación ARCO no início de 2019.
Lorenzo Mammì conta a história de seu primeiro contato marcante com a arte brasileira: a exposição Cinza, de Cildo Meireles, na Galeria Luisa Strina, em 1986, ano em que chegou ao Brasil. O professor de filosofia e curador comenta a sua atuação à frente do Centro Universitário Maria Antonia, no início dos anos 2000, e, mais recentemente, a direção geral do Instituto Moreira Salles da Avenida Paulista.
Parem a competição já por Daniel Jablonski e Flora Leite, seLecT
Parem a competição já
Artigo de Daniel Jablonski e Flora Leite originalmente publicado na revista seLecT em 17 de abril de 2020.
Podemos aproveitar a interrupção de atividades para formular questões como: é necessário produzir tanto? Expor tanto? Expor-se tanto?
Assim como todos no meio da arte, vimos nossos melhores planos para 2020 evaporar de um dia para o outro. Eram exposições, feiras, aulas, palestras, publicações, lançamentos, tudo cuidadosamente planejado para acontecer ao longo dos próximos meses. Até o confinamento forçado arrastar consigo cronogramas, oportunidades, prioridades, enfim, tudo o que era, até ontem, essencial. Até mesmo a urgência na palavra deadline parece ter sido tragada de um plano simbólico para o de uma literalidade crua e rasteira.
Como muitos, temos procurado refletir sobre o papel da arte numa conjuntura extraordinária como esta. Por um lado, é certo que este período de isolamento prolongado trará uma evidência, mesmo aos mais cínicos detratores da classe artística: o que nós fazemos importa. Por outro lado, é de se supor que os inúmeros livros, discos, filmes e séries que serão lidos, escutados e vistos este ano estejam entre aqueles que já existiam antes da pandemia. Mas o que acontece com a arte agora?
De nossos confinamentos temos também acompanhado com grande entusiasmo o surgimento de diversas iniciativas feitas para manter acesa a chama da produção. Artistas documentando seus ateliês no Instagram, espaços independentes exibindo cursos e seminários em lives, museus disponibilizando seus acervos online, galerias também disponibilizando portfólios e realizando vendas via redes sociais — ferramentas que estavam disponíveis antes, é claro, e eram utilizadas com frequência para a circulação de imagens de trabalhos, imagens de artistas, imagens de vernissages. Agora se avolumam em quantidade e velocidade. Curadores já começaram também a se interessar por “arte feita na quarentena”, e instituições de pequeno e grande porte foram rápidas em anunciar incentivos extraordinários a projetos relevantes produzidos “agora”.
Tais esforços são realmente louváveis e mostram a vitalidade de um meio artístico que está buscando reinventar-se, apesar de uma de suas principais ferramentas históricas — a exposição — ter sido temporariamente inviabilizada. No entanto, cabe perguntar o quanto desse esforço é orgânico e corresponde, de fato, a demandas reais dos produtores e do seu público em quarentena. E o quanto, por oposição, é a tentativa de transpor para a segurança de um espaço virtual um sistema especulativo e excessivo, e que acredita estar ao abrigo de qualquer tipo de crise.
É justamente em tempos como este que os pontos cegos dos sistemas “normais” se deixam ver com maior nitidez. Assim como a quem servem e como servem. Enquanto algumas dessas iniciativas online visam a criação de redes de apoio financeiro aos artistas — que foram dos primeiros a sentir os efeitos econômicos da crise —, outras reproduzem os mesmos modelos e práticas que precarizavam os produtores antes da pandemia. Entre estas estão o trabalho muitas vezes não remunerado, o estímulo à competição pelas escassas possibilidades de financiamento e vendas e o uso irrestrito de suas imagens como capital simbólico (e, por que não, financeiro).
Como se sabe, a ideia de oferecer “visibilidade” em troca da exposição de trabalhos de arte (ou de suas imagens) nada tem de novo. Exceto, talvez, seu suporte agora totalmente virtual, desmaterializado. Ora, na tentativa de obter alguma legitimação em um meio que exige credenciais institucionais, artistas sempre trabalharam de graça, financiando sua produção com fontes alternativas de renda. Isso na esperança de que tal visibilidade gere novas oportunidades de trabalho, e assim sucessivamente, até que, finalmente, seja possível pagar as contas. Mas isso é ilusório, pois o circuito da arte, tal como existiu até agora, dependeu precisamente dessa desvinculação entre retorno simbólico e retorno financeiro como contrapartida ao trabalho artístico. O dinheiro circulava, mas nunca chegava de fato ao produtor.
Hoje, como ontem, pede-se ao artista que produza as imagens de um mundo por vir, deixando de lado a questão de saber como ele está vivendo o seu presente. Por trás dessa demanda está um ideário já antigo, vindo do Romantismo, que faz do artista um outsider e do próprio trabalho artístico algo excepcional. Os verdadeiros artistas seriam, assim, aqueles que trabalham de forma autônoma, pelo puro prazer (ou necessidade) de se expressar. Por mais anacrônica que seja, essa separação entre a realização pessoal e a remuneração financeira é mantida hoje de forma estratégica. E tem como efeito prático situar o produtor na vanguarda de um capitalismo eminentemente simbólico, cujo maior ativo é a “criatividade”. Ou seja, o poder de inventar soluções, mesmo diante das grandes adversidades produzidas pelo próprio sistema. Não à toa, as motivações que antes eram atribuídas quase exclusivamente aos artistas se tornaram componentes centrais dos discursos empresarial e publicitário.
A presente crise só torna mais evidente a perversidade dessa situação: o artista opera como fornecedor de “autenticidade” para uma engrenagem articulada por agentes intermediários, agregando com suas obras “valor de prestígio” às instituições-marcas que as exibem. E continua a fazer exatamente isso quando esse valor produzido, exposto e claro, vendido, é a sua própria personalidade: artista jovem, artista maldito, artista engajado, artista periférico, artista queer. E, agora, artista confinado, cujo ritmo de produção, sem os “entraves” do mundo exterior, pode ser até mesmo beneficiado pela quarentena.
As chamadas que circulam na internet nestes dias dão a entender que a criação desse “imaginário da crise” é urgente. Não é. Que temos poucos dias para produzir uma obra relevante, pungente e reveladora. Não temos. Artistas não têm a obrigação (ou os meios) de dar conta dessa demanda por “sentido” de uma sociedade à deriva, que perdeu a capacidade de se projetar no futuro. Se há uma “classe” que está em medida de dar uma resposta efetiva à crise, esta é a dos cientistas, médicos, enfermeiros, lixeiros, atendentes, caixas de supermercado e, sim, políticos; todos que estão (ou deveriam estar) nas linhas de frente da luta contra a pandemia.
O que nós fazemos importa, é claro. Mas como todos os trabalhadores de serviços “não essenciais”, o melhor que fazemos agora é ficar em casa. Não precisamos deixar de ser artistas; trabalhar pode ser uma forma de nos mantermos sãos e ativos em meios a esse “entreato” de duração indefinida. No entanto, podemos também aproveitar a interrupção forçada das atividades para refletir sobre a nossa suposta “normalidade”. E formular questões simples sobre práticas naturalizadas no passado, como: era mesmo necessário produzir tanto? Expor tanto? Expor-se tanto? Mas também para nos projetarmos no futuro, nessa já tão antecipada “retomada”: ao final da quarentena, o quanto essas dinâmicas de visibilidade terão corroborado uma capitalização da tragédia que vivemos? E, neste caso, a quem terão beneficiado? E a quem não terão?
E “agora”, o que é que precisamos de verdade? De mais views? De likes? De thumbs up? Por favor, apenas parem. Artistas, parem de estetizar a quarentena e a si mesmos. Não será tal demanda, menos um desejo de expressão dos artistas, e mais a necessidade do meio de seguir circulando seu capital nas redes sociais? Por que não, pelo contrário, parar de produzir por um tempo? Abraçar essa mentalidade competitiva que recompensa a produtividade como única moeda de troca na crise só nos fará mal. Já estamos sozinhos, não é hora de competir por um lugar ao sol. Importa, pelo contrário, criar redes de proteção e de auxílio. De trocas de serviços e trabalhos. De escuta.
Curadores, parem de selecionar obras sobre a quarentena. Não fará tal demanda aumentar a pressão sobre os artistas, que, temendo a invisibilidade profissional, terão de criar obras que se adaptem sem fricção ao “novo” modo de circulação e exposição, exclusivamente virtual? Por que não, pelo contrário, fazer exposições virtuais com trabalhos já existentes? Estes não faltam. Seguir alimentando essa lógica de produtividade e autoexposição, como se a crise fosse apenas uma “ocasião para criar”, serve para aprofundar um processo já antigo de alienação do artista, mas agora com graves consequências psicológicas.
Instituições, parem de premiar artistas que trabalhem na quarentena. Não estimulará tal demanda a criação de obras de qualidade duvidosa, geradas unicamente pelo medo de se verem privados dos parcos recursos destinados a esses “editais emergenciais”? Por que não, pelo contrário, comprar obras ou doar diretamente seu dinheiro aos artistas? Sem esquecer, é claro, de garantir nesse período a remuneração dos demais profissionais da arte que trabalham nas exposições, a exemplo dos produtores, educadores e montadores. Prêmios agora não fazem mais do que espetacularizar o espírito winner-takes-all do circuito da arte, que faz com que pouquíssimos ganhem muito e a maioria esmagadora ganhe bem pouco ou menos que nada.
E jornalistas, parem de escrever matérias sobre obras-primas produzidas em quarentenas. Não contribuirá tal demanda para o aprofundamento da mística do artista como indivíduo excêntrico, excepcional e autônomo — impermeável às condições sociais? Por que não, pelo contrário, escrever sobre como artistas no Brasil sempre produziram em condições adversas, mesmo antes da pandemia? Shakespeare, de fato, criou obras-primas durante a peste bubônica no século 17, mas ele tinha poderosos mecenas que lhe permitiram viver confortavelmente, enquanto os teatros londrinos estavam fechados. Não é o nosso caso.
Daniel Jablonski (Rio de Janeiro, 1985) é artista visual, professor e pesquisador independente. Sua produção multifacetada, conjugando teoria e prática, investiga o lugar do indivíduo na formação de novas mitologias e discursos do cotidiano. Atualmente vive e trabalha em São Paulo e leciona e coordena o curso de ‘História da Arte Moderna e Contemporânea’ no Museu de Arte de São Paulo.
Flora Leite (São Paulo, 1988) é artista e pesquisadora. Seu trabalho, materializado em suportes diversos – da realização de exposições a programas públicos – propõe uma reflexão crítica a respeito do contexto nos quais arte contemporânea acontece, atravessada pela historicidade de suas linguagens, materiais e iconografias empregadas. Atualmente, faz mestrado em Poéticas Visuais na ECA-USP.
El museo del futuro se despide de las exposiciones de masas por Peio H. Riaño, El País
LA CRISIS DEL CORONAVIRUS El museo del futuro se despide de las exposiciones de masas
Matéria de Peio H. Riaño originalmente publicada no jornal El País em 13 de abril de 2020.
La crisis sanitaria transformará la vida de las instituciones de arte, que tendrán que aprender a vivir con una drástica caída de ingresos por la venta de entradas
Nadie sabe cómo será la reapertura de los museos cuando pase la crisis sanitaria de la Covid-19, pero todos coinciden en que nada será como antes. En el futuro vaticinado por los responsables de estas instituciones no hay “taquillazos”. No habrá lugar para salas abarrotadas como la de El Bosco, en el Prado, Dalí, en el Reina Sofía, o Leonardo, en el Louvre. “En el mundo post-Covid los museos dejarán de ser objetivo del turismo masivo y los indicadores de éxito serán menos cuantitativos y más cualitativos”, apunta Ana Botella Diez del Corral, Responsable de Programas Publicos, en la Wellcome Trust del Reino Unido, que propone cerrar los museos al menos tres meses y reactivar de manera gradual.
La vuelta no va a ser fácil. Los hábitos de higiene han alterado las pautas sociales y disparado el miedo. “Es una crisis de salud, pero también una crisis existencial que va a provocar cambios fundamentales en nuestro estilo de vida. No tiene sentido seguir con las mismas prácticas museológicas (en las exposiciones, los programas públicos o la educación). Debemos replantearlo todo. No dejo de preguntarme cómo reabrir y contribuir de manera relevante a las necesidades sociales”, añade Botella.
Las alteraciones socioeconómicas van a transformar las condiciones materiales que han sustentado un modelo internacional colapsado. Será difícil volver a atraer público al museo: “Llevará un tiempo convencerlo de que acepte encerrarse durante dos horas en un espacio junto a gran número de gente”, sostiene María López-Fanjul, conservadora de los Museos Nacionales de Berlín. Para el día de la reapertura pide endurecer las exigencias sanitarias ante el contacto entre el público y el personal, y un aforo limitado (por higiene y por tranquilidad). “Seguramente estemos viviendo el fin de la tiranía de los récords de números de visitantes, a favor de una experiencia museística centrada en el bienestar del público”, cuenta la especialista.
Museos sin turistas
Es un cambio real, que obliga a reconsiderar las prioridades hacia el desarrollo de la comunicación virtual y de lo local. María López-Fanjul espera que se refuerce la idea de que la cultura no es ocio y los museos “lugares de esperanza, cuyas obras de arte cuentan infinitas historias de superación y supervivencia”. Miguel Zugaza, director del Museo de Bellas Artes de Bilbao, adelanta que habrá que esforzarse en “explicar una vez más por qué el arte es tan relevante y necesario para la sociedad, como terapia o tan solo para tratar de entender el mundo y sus crisis. Este debe ser el centro de la reflexión”, incide. Zugaza cree que “los museos turísticos se resentirán sin duda a corto plazo, pero seguramente les ayudará a reencontrarse con su alma más pura, alejada de los intereses mercantiles y materiales”.
La dirección del Museo del Prado explica que el 60% de sus visitantes son turistas internacionales y reconocen que es un colectivo que se va a reducir “dramáticamente”. Además, la situación española de incertidumbre y parón económico “va a suponer un tremendo problema de gestión, porque la venta de entradas es la primera fuente de ingresos del museo”. El gasto social cerrará el grifo y volverán a gestionar la escasez. Solo el Museo del Prado aplicó un plan de salvaguarda contra el Covid-19, un día antes del cierre: control de aforos ante los cuadros más populares y rebaja a 500 el número de entradas gratuitas, un recorte cercano a los 3.000 visitantes. Fue peor, porque el museo se vació, en una imagen inusual que podría repetirse en la reapertura. La merma de taquilla saldrá muy cara a los museos: el Prado recaudó 19,4 millones de euros, en 2018. Es el 75,5% del total de ingresos propios (25,6 millones de euros). Es decir, en tres meses de parón perdería más de 5 millones de euros solo en taquilla.
Debacle económica
La presidenta y directora ejecutiva de la American Alliance of Museums, Laura L. Lott, ha puesto cifra a la debacle económica: los museos de EE UU pierden al día 33 millones de dólares (30,6 millones de euros). La semana pasada, el MoMA de Nueva York, uno de los museos más ricos del mundo, notificó a sus educadores un mensaje demoledor: “Pasarán meses, si no años, antes de que podamos volver a los niveles de presupuesto y operaciones para requerir los servicios de los educadores”. La dirección ha despedido a todos.
“Quizá la ‘normalidad anormal’ que llegue será una oportunidad para ahondar en la sostenibilidad de los museos, para la mejor preservación de los bienes y mejor calidad de la experiencia de los ciudadanos”, cuenta a este periódico Pilar Fatás, directora del Museo Nacional de Altamira. “La sostenibilidad es un término contrario al consumismo cultural masificado de los últimos años”, añade Fatás. Cree que tardaremos en recuperar los hábitos, pero nada será como lo entendíamos antes de esta crisis. Los irremediables cambios sociales van a provocar “nuevos modelos de visitas”. “En el Museo de Altamira, por ejemplo, la necesidad de conservación de la cueva trasciende el hecho de visitarla”, añade. La directora de Altamira avanza que la nueva situación económica mermará “ostensiblemente” los presupuestos de las instituciones públicas. En el Ministerio de Cultura no han cuantificado las pérdidas a las que se enfrenta el sector y recuerdan que corresponderá a las autoridades sanitarias certificar la reapertura de la actividad y entonces será cuando estudien un plan de acción.
Nuevas exposiciones
El gerente del Museo Nacional Thyssen, Evelio Acevedo, prefiere no concretar cómo compensarán la pérdida de los ingresos en taquilla, pero cree que la organización de las exposiciones tradicionales implicará “algunas dificultades adicionales a la hora de conseguir préstamos y movilizar obras, pero no se puede esperar un cambio radical en el modelo expositivo”. Frente a esta opinión, Manuel Borja-Villel, director del Reina Sofía, cree que “habrá que reflexionar sobre nuevos modelos museísticos”. “Quizás haya que plantear las muestras de otro modo, pensar más en la investigación”, subraya. El intercambio de obra internacional, con España e Italia como capitales del patrimonio europeo y los países con más infecciones del continente, alterará la política de las exposiciones temporales.
“Habrá un cambio en la experiencia estética, ya que el tipo de relación con el público será distinta. También cambiarán nuestras prácticas artísticas, formas de producción y relación”, cuenta Borja-Villel. Cree que esta situación derivará, “al menos temporalmente”, en la desaparición del museo como objetivo turístico: “Pasará mucho tiempo hasta que el visitante vuelva a tener confianza y poco a poco comience a viajar o a moverse como hacía hace unas semanas”, añade.
Pepe Serra, director del Museo Nacional de Arte de Cataluña (MNAC), está convencido de que la pandemia acelerará la crisis de “la carrera absurda por las audiencias, con grandes exposiciones de muy alto coste y corta duración, pensadas para atraer al público de forma puntual”. Un modelo “claramente cuestionable”. “Se puede plantear un museo con otro tempo. Un lugar que es ante todo servicio público y debe servir a todas y todos. Esta crisis es una lección sobre la fragilidad de un modelo de capitalismo”, indica Serra, que señala cómo la potencia y la fortaleza ciudadana ha salido reforzada.
REAPERTURA SANA
El Museo Reina Sofía ha planteado medidas higiénico-sanitarias preventivas para garantizar la seguridad de los visitantes y de los trabajadores para la reapertura. Incluyen el control del aforo por cada sala y un metro entre los visitantes en la fila de las taquillas. Esto alterará el uso de espacios abarrotados como el Palacio de Cristal, en el Retiro. También señalan que se entregarán equipos de protección individual a los trabajadores del Museo Reina Sofía y se desinfectarán las instalaciones. Habrá líquido desinfectante en todos los aseos y se estudiará la posibilidad de reforzar el servicio de enfermería.
