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abril 9, 2020
CANAL NO TUBO Casa Triângulo apresenta vídeo de Yuri Firmeza
Yuri Firmeza, Apenas um gesto ainda nos separa do caos, 2017 - vídeo, 9'31"
Comissionado pela Biennale Jogja XIV, Indonésia, Apenas um gesto ainda nos separa do caos reflete sobre a dimensão política e poética dos vulcões. De um lado, a ameaça; de outro, sua conotação simbólica. Uma relação proustiana com o tempo, em que Madeleine se transforma na fumaça de um Gudang Garam ou na melodia de uma antiga lambada.
A produção foi exibida em diversos festivais pelo mundo, entre eles a Bienal de la Imagem en Movimento, Buenos Aires, Argentina - Prêmio Norberto Griffa; Festival de Curtas de São Paulo, São Paulo, Brasil; Oberhausen International Short Film Festival, Oberhausen, Alemanha [2018]; FUSO - Anual de Vídeo Arte Internacional de Lisboa, Lisboa, Portugal - Prêmio Aquisição pela Fundação EDP/MAAT [2019].
Yuri Firmeza (São Paulo, 1982) através de seus vídeos, performances e fotografias pressiona os limites entre a ficção, o possível e o real. De maneira crítica e irônica, o artista ocupa espaços inabitáveis, cria imagens insólitas, forja relações precárias e assim questiona as relações de poder no circuito de arte e na sociedade contemporânea. Dentre exposições recentes destacam-se: À Nordeste, curadoria de Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos, Sesc 24 de Maio, São Paulo, Brasil; Art Naif: Nenhum Museu a Menos, curadoria de Ulisses Carrilho, Cavalariças e Palacete da EAV Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil [2019]; Arte-Veículo, curadoria de Ana Maria Maia, Sesc Pompéia, Santos, Brasil; O Triângulo Atlântico, 11ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre, Brasil [2018]; Queermuseu - Cartografias da Arte Brasileira, curadoria de Gaudêncio Fidelis, Santander Cultural, Porto Alegre, Brasil [2017].
Clique aqui para mais informações sobre o artista.
Denise Mattar e Gustavo Possamai conversam no Instagram da Fundação Iberê
No sábado, 11 de abril de 2020, às 11h, a Fundação Iberê faz live no Instagram com Denise Mattar, curadora da próxima exposição “O Fio de Ariadne”, prevista para inaugurar após a quarentena. O bate-papo será conduzido por Gustavo Possamai, responsável pelo acervo da Fundação e co-curador da mostra.
“O Fio de Ariadne” reunirá cerca de 30 cerâmicas, sete tapeçarias de grandes dimensões e cartões pintados por Iberê, e gravuras. A exposição será complementada por uma cronologia ilustrada, reunindo fotos e depoimentos de algumas das mulheres que marcaram presença na vida de Iberê. Entre elas, a esposa Maria Coussirat Camargo, a artista Djanira, as ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck, as artistas Regina Silveira e Maria Tomaselli, a tapeceira Maria Angela Magalhães, a gravadora Anna Letycia, a escritora Clarice Lispector, as gravadoras Anico Herskovits e Marta Loguércio, a galerista Tina Zappoli, a produtora cultural Evelyn Ioschpe, a cantora Adriana Calcanhotto e a atriz Fernanda Montenegro.
Exposição inédita - Durante as décadas de 1960 e 1970, além de sua intensa produção em pintura, desenho e gravura, Iberê Camargo realizou trabalhos em cerâmica e tapeçaria. Eles respondiam a uma demanda do circuito de arte, herdada da utopia modernista, que preconizava o conceito de síntese das artes; uma colaboração estreita entre arte, arquitetura e artesanato.
Com assessoria técnica das ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck, Iberê realizou, nos anos 1960, um conjunto de pinturas em porcelana, com resultados surpreendentes. Na década seguinte selecionou um conjunto de cartões, que foram transformados por Maria Angela Magalhães em impactantes tapeçarias.
Há algum tempo a Fundação Iberê Camargo vinha estudando essa faceta da produção do artista e a oportunidade de apresentá-la surgiu paralelamente à realização, pela primeira vez nas dependências da instituição, da Bienal do Mercosul. A conjuntura feminina que permeou a produção dessas apeçarias e cerâmicas revelou grande afinidade com o conceito geral da 12ª Bienal. Convidada pelo centro cultural a desenvolver esse projeto, a curadora Denise Mattar, juntamente com Gustavo Possamai, expandiu essa percepção inicial, revelando o fio de Ariadne: a urdidura feminina que apoiou o trabalho de Iberê Camargo ao longo de sua história.
Prevista para inaugurar paralelamente à Bienal do Mercosul, em 18 de abril, a abertura da exposição foi adiada por tempo indeterminado, em colaboração às medidas de controle da propagação do novo Coronavírus (Covid-19).
Sobre Denise Mattar
Foi curadora do Museu da Casa Brasileira de São Paulo (1985 a 1987), do Museu de Arte Moderna de São Paulo (1987 a 1989) e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1990 a 1997). Como curadora independente realizou mostras retrospectivas de artistas, como Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho (Prêmio APCA), Ismael Nery (Prêmios APCA e ABCA), Pancetti, Anita Malfatti, Samson Flexor (Prêmio APCA), Maria Tomaselli, Norberto Nicola, Alfredo Volpi, Guignard, entre outras. Em 2019, recebeu novamente o Prêmio APCA pela retrospectiva de Yutaka Toyota, apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Brasileira da FAAP, São Paulo e Museu Nacional.
Sobre Gustavo Possamai
É responsável pelo Acervo da Fundação Iberê Camargo, pela parceria com o Google Arts & Culture e pelo Projeto Digitalização e Disponibilização dos Acervos que, em 2015, apresentou ao público o maior volume de documentos e de obras de Iberê já reunidos em todos os tempos. Graduado em Artes Visuais pela UFRGS (2009) e em Comunicação Social pela PUCRS (2003), foi pesquisador no Projeto de Catalogação da obra completa de Iberê Camargo; co-curador das exposições “Iberê Camargo: Visões da Redenção”(Fundação Iberê, 2019), “Iberê Camargo: NO DRAMA” (Fundação Iberê, 2017; Centro Cultural Marcantonio Vilaça, 2019) e “Iberê Camargo: Sombras no Sol” (Fundação Iberê, 2017), entre outras.
Programa de vídeo II e III na Jaqueline Martins
Programa de Vídeo, concebido em parceria entre a curadora Mirtes Marins de Oliveira e nossa equipe, tem como objetivo apresentar diferentes obras (ou seus fragmentos) em relação dialógica, sublinhando semelhanças que estimulem reflexões sobre a vida contemporânea.
PROGRAMA DE VÍDEO II
Para a segunda edição apresentamos Rafael França (1957-1991), com a obra Prelúdio de uma Morte Anunciada (1991) articulada à trechos de Pequenas Epifanias (2006) de Caio Fernando Abreu (1948-1996).
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O início dos anos 1980, no Brasil, foi um período promissor já que ao final dos 1970 se vislumbrava a obsolescência da ditadura iniciada em 1964. As pressões da sociedade civil contra a censura e a violência projetaram esse encerramento. A circulação de pessoas e informações também permitiram que, ao menos em relação aos modos de vida, a juventude dos grandes centros urbanos pudesse atuar naquele presente com sentimento de esperança em relação ao futuro. Certamente essa nova configuração passava pelo corpo, pela liberação sexual, pelas experiências com drogas e, em arte, pela experimentação e acesso às novas tecnologias de comunicação e produção de imagens.
Rafael França e Caio Fernando Abreu foram, cada um em sua linguagem, pioneiros tanto em transformar a arte em adequação ao seu tempo (pela temática, técnica, transgressão, entre outras dimensões) quanto em retratar a vida do jovem adulto em contexto da utopia democrática brasileira. Ambos vivenciaram a tragédia daquela geração no enfrentamento do HIV e suas consequências em termos comportamentais. Em Prelúdio de uma Morte Anunciada, França mostra o amor em interação dos corpos e rememoração dos amigos mortos pela doença ao som de La Traviata, de Verdi, emblema do amor marginalizado e trágico. Abreu, nos excertos de Primeira carta para além do muro e Última carta para além do muro busca compreender seu estranhamento da condição de doente, e apostar todas as suas fichas, assim como Rafael França, no poder da arte.
Rafael França — Prelúdio de uma Morte Anunciada (1991) from Galeria Jaqueline Martins on Vimeo.
Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias 2006
“Alguma coisa aconteceu comigo. Alguma coisa tão estranha que ainda não aprendi o jeito de falar claramente sobre ela. Quando souber finalmente o que foi, essa coisa estranha, saberei também esse jeito. Então serei claro, prometo. Para você, para mim mesmo. Como sempre tentei ser. Mas por enquanto, e por favor, tente entender o que tento dizer.
(…)
Por enquanto, ainda estou um pouco dentro daquela coisa estranha que me aconteceu. É tão impreciso chamá-la assim, a Coisa Estranha. Mas o que teria sido? Uma turvação, uma vertigem. Uma voragem, gosto dessa palavra que gira como um labirinto vivo, arrastando pensamentos e ações nos seus círculos cada vez mais velozes, concêntricos, elípticos. Foi algo assim que aconteceu na minha mente, sem que eu tivesse controle algum sobre o final magnético dos círculos içando o início de outros para que tudo recomeçasse.
(…)
A única coisa que posso fazer é escrever — essa é a certeza que te envio, se conseguir passar esta carta para além dos muros. Escuta bem, vou repetir no teu ouvido, muitas vezes: a única coisa que posso fazer é escrever, a única coisa que posso fazer é escrever."
Primeira carta para além do muro, 1994
"Sei também que, para os outros esse vírus de science fiction só dá me gente maldita. Para esse, lembra Cazuza: "Vamos pedir piedade, Senhor, piedade para essa gente careta e covarde". Mas para você, revelo humilde: o que importa é a Senhora Dona Vida, coberta de ouro e prata e sangue e musgo do tempo e creme Chantilly às vezes e confetes de algum carnaval, descobrindo pouco apouco seu rosto horrendo e deslumbrante. Precisamos suportar. E beijá-la na boca. De alguma forma absurda, nunca estive tão bem. Armado com as armas de Jorge."
Última carta para além do muro, 1994
PROGRAMA DE VÍDEO III
Para a terceira edição apresentamos Regina Vater (1943), com a obra Saudades do Brasil (1984) articulada à Cartão Postal (1928) de Tarsila do Amaral (1886-1973).
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Saudades do Brasil de Regina Vater pode ser interpretado em múltiplas camadas já que Vater, desde o início, trabalha em pauta transmidiática, característica que a torna uma das mais instigantes autoras de sua geração e da arte contemporânea brasileira.
À primeira vista, em sua dimensão sonora, Saudades do Brasil é um diálogo unilateral no qual Regina conversa por telefone com a artista Suzan Frecon, discorrendo sobre a cultura carioca e brasileira, a música, os cinemas de Dziga Vertov e de Glauber Rocha e suas características, sobre o ambiente brasileiro e norte-americano, sobre algumas de suas obras. Mas se, ironicamente, a voz de Frecon não comparece nessa conversa – apenas a de Regina - o diálogo se estabelece de maneira múltipla com uma evocativa trilha sonora, pautando o ritmo intenso das imagens em movimento das paisagens do Brasil e dos Estados Unidos.
Ao final dessas densas camadas que tratam das relações entre Brasil – e também da artista – e o mundo, encontramos uma homenagem pessoal, de cunho familiar. Mesmo assim, Saudades do Brasil é um anti-cartão postal.
Regina Vater — Saudades do Brasil (1984) from Galeria Jaqueline Martins on Vimeo.
Video Program, conceived by our team in collaboration with curator Mirtes Marins de Oliveira, aims to present different works (or their fragments) in a dialogical relationship, highlighting similarities that might serve to reflect on contemporary life.
VIDEO PROGRAM II
For the second edition we present Rafael França (1957-1991), with the work 'Prelude to an Announced Death' (1991) articulated to excerpts from 'Little Epiphanies' (2006) by Caio Fernando Abreu (1948-1996).
The early 1980s were a promising time in Brazil, for since the late 1970s one could envision the obsolescence of the dictatorship era that had begun in 1964. Social pressure against censorship and violence made sure that that was the case. The flow of people and information also made it possible, at least when it came to lifestyles, for youth at major urban centers to act upon the present with a sense of hope for the future. Certainly, this new configuration involved the body, sexual liberation, the dabbling in drugs and, in art, experimentation and access to new communication and image production technologies.
Rafael França (1957-1991) and Caio Fernando Abreu (1948-1996) were pioneers, each in their own language, both in transforming art into adaptation to their times (with their subject matters, techniques, transgression and other aspects) and in portraying the lives of young adults within the context of Brazil’s democratic utopia. They both experienced their generation’s tragedy in dealing with HIV, and its consequences in behavioral terms. In "Prelude to an Announced Death", França portrays love in the interaction between bodies and the remembering of friends whose lives were claimed by the disease, to the sound of Verdi’s La Traviata, an emblem of tragic, outlier love. Abreu, in excerpts from "First letter over the wall" and "Last letter over the wall" strives to comprehend his discomfort with the condition of being ill, and he bets it all, as does Rafael França, on the power of art.
“Something happened to me. Something so strange I’m yet to learn how to speak clearly about it. When I finally know what it was, this strange thing, I’ll also know how. I’ll be clear then, I promise. To you, to myself. As I’ve always tried to be. But for the time being, and please, try to understand what I’m trying to say.
(…)
For now, I’m still somewhat in the grip of that strange thing that happened to me. It’s so imprecise to call it that, the Strange Thing. But what could it have been? A murkiness, a vertigo. A maelstrom, I like this word that spins around like a living labyrinth, dragging thoughts and actions into its circles, ever faster, more concentric, elliptical. That was how something happened within my mind, without my having any control over the magnetic endpoint of the circles, hoisting up the beginning of other circles so it all could start anew.
(…)
All I can do is write – that is the certainty I send you, in case you manage to get this letter over the walls. Listen closely, I’ll repeat this in your ear again and again: all I can do is write, all I can do is write.
First letter over the wall, 1994
“I’m also aware that everyone else thinks this science fiction virus will only get those goddamned people. As for them, Cazuza said it: "Let’s ask for mercy, Lord, mercy on those square-minded, cowardly people.” But to you, I humbly disclose this: all that matters is Mrs. Life, covered in gold and silver and blood and the moss of time and the occasional whipped cream, and confetti from some carnival, discovering, little by little, its horrendous, fascinating face. We must withstand it. And to kiss your lips. In some absurd way, I’ve never been so well. Wielding the weapons of Saint Jorge."
Last letter over the wall, 1994
Caio Fernando Abreu, 'Little Epiphanies' (2006)
VIDEO PROGRAM III
For the third edition we present Regina Vater (1943), with the work 'Saudades do Brasil' (1984) articulated to 'Cartão Postal' (1928) by Tarsila do Amaral (1886-1973).
Regina Vater’s 'Saudades do Brasil' (1984) allows for multiple layers of interpretation, since Vater has always had a transmedia agenda, which makes her one of the most exciting authors of her generation and of all Brazilian contemporary art.
From an aural standpoint, 'Saudades do Brasil' at first seems like a one-sided dialogue. On the phone with artist Suzan Frecon, Vater goes on about the culture of Rio and Brazil; music; the cinema of Dziga Vertov and Glauber Rocha and their characteristics; the atmosphere of Brazil and the United States; and some of her own work. And yet, while Frecon’s voice is ironically missing from this conversation – only Regina’s is featured –, the dialogue established is a multifaceted one, as an evocative soundtrack sets the tone for fast-paced images of Brazilian and United States landscapes. These dense layers addressing Brazil’s – and the artist’s – relationship with the world culminate in a personal tribute of the family kind. And yet Saudades do Brasil is an anti-postcard.
Estamos orgulhosos em apoiar a Casa Chama, associação destinada aos cuidados para pessoas Trans afetadas pelo COVID-19. Para apoiar, por favor clique aqui.
We are proud to support Casa Chama, an association dedicated to the care of Trans people affected by COVID-19. Please click here if you want to support.
Programa de vídeo de Mirtes Marins de Oliveira e Galeria Jaqueline Martins
Com o intuito de continuarmos conectados com respeito e solidariedade neste período de recolhimento, estamos trabalhando para expandir nossas plataformas digitais e compartilhar com vocês conteúdos complementares sobre nossos artistas, os projetos em que estamos envolvidos e a programação da galeria para os próximos meses.
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Neste primeiro momento, apresentamos a primeira edição do Programa de Vídeo, concebido em parceria entre a curadora Mirtes Marins de Oliveira e nossa equipe. Com o objetivo de proporcionar novas camadas de leitura e interpretação à obras selecionadas do nosso acervo, o projeto aproxima obras dos nossos artistas em diálogo à obras de outros autores.
Nossa equipe continua trabalhando remotamente e está disponível para maiores informações por email e telefone.
Galeria Jaqueline Martins.
PROGRAMA DE VÍDEO
Programa de Vídeo tem como objetivo apresentar diferentes obras (ou seus fragmentos) em relação dialógica, sublinhando semelhanças que estimulem reflexões sobre a vida contemporânea.
PROGRAMA DE VÍDEO I
Para essa primeira edição apresentamos Letícia Parente (1930-1991), com a obra In (1975) articulado à trechos de A Paixão Segundo G. H. (1964) de Clarice Lispector (1920-1977).
A interseção entre as duas obras está localizada na mobília mais trivial presente em qualquer residência, o guarda-roupa, incorporado metaforicamente pelas duas artistas como espaço de restrição e também de perda da individualidade que, pela reflexão sobre o que as autoras expõem nas obras, permite ponderar sobre a própria existência.
Letícia Parente — In (1975) from Galeria Jaqueline Martins on Vimeo.
Trecho de A Paixão Segundo G. H., Clarice Lispector, 1964
"Abri um pouco a porta estreita do guarda-roupa, e o escuro de dentro escapou-se (...). Tentei abri-lo um pouco mais, porém a porta ficava impedida pelo pé da cama, onde esbarrava. Dentro de uma brecha da porta, pus o quanto cabida de meu rosto. E, como o escuro de dentro espiasse, ficamos um instante nos espiando sem nos vermos. Eu nada via, só conseguia sentir o cheiro (...). Empurrando, porém a cama para mais perto da janela, consegui abrir a porta uns centímetros a mais.
Minha mão rápida foi à porta do guarda-roupa para fechá-lo e me abrir caminho... Fiquei quieta. Minha respiração era leve, superficial. Eu tinha agora uma sensação irremediável. Eu sabia que tinha de admitir o perigo em que eu estava, mesmo consciente de que era loucura acreditar num perigo inteiramente inexistente. Mas eu tinha de acreditar em mim - a vida toda eu estivera como todo mundo em perigo - mas agora, para poder sair, eu tinha a responsabilidade alucinada de ter de saber disso (...).
Fiquei imóvel, calculando desordenadamente. Estava atenta, eu estava toda atenta. Em mim um sentimento de grande espera havia crescido, e uma resignação surpreendida: é que nesta espera atenta eu reconhecia todas as minhas esperas anteriores, eu reconhecia a atenção de que também antes vivera, a atenção que nunca me abandona e que em última análise talvez seja a coisa mais colada à minha vida - quem sabe aquela atenção era a minha própria vida (...) o próprio processo de vida em mim."
As we wish to remain connected to you, with respect and solidarity, through this moment of social distancing, we are working to expand our digital platforms in order to share complementary content about our artists, the projects we are engaged and the gallery's program for the upcoming months.
As a start, we present to you the first edition of our 'Video Program', conceived by our team in collaboration with curator Mirtes Marins de Oliveira. Attempting to provide new layers of reading and interpretation of selected works by our artists, the program brings together video art in dialogue with other authors.
Our team continues to work remotely and is available for further information via email and phone.
Galeria Jaqueline Martins.
VIDEO PROGRAM
Video Program aims to present different works (or their fragments) in a dialogical relationship, highlighting similarities that might serve to reflect on contemporary life.
VIDEO PROGRAM I
For this first edition we present Letícia Parente (1930-1991), with the work 'In' (1975) articulated to excerpts from 'The Passion According to G. H.' (1964) by Clarice Lispector (1920-1977).
The intersection between the two works is located in the most trivial furniture present in any home, the wardrobe, metaphorically incorporated by both artists as a space of restriction and also of individuality loss that, by reflecting on what the authors expose through each work, allow us to ponder about existence itself.
I pried open the narrow wardrobe door, and darkness escaped from within it (...). I tried to pull the door a little wider, but it bumped onto the leg of the bed and got stuck. I fit as much of my face is I could into the door gap. And as though the darkness from within were peeping at me, we ogled one another for a while without seeing anything. I couldn’t see a thing; all I could do was smell (...). I pushed the bed a bit toward the window and managed to edge the door open a few centimeters more.
My quick hand reached for the wardrobe door to shut it close and make way for me (...)
I stood quiet. My breathing was soft and shallow. Now, I had a feeling of inevitability.
I knew I must admit the danger I was in, despite the awareness that it was crazy to believe in an entirely nonexistent danger. I had to believe myself – my whole life I had been in danger, like everyone else – but now, if I was going to get out of there, I had to deal with the maddening responsibility of being aware of it (...).
I kept still, calculating wildly. I was alert, all of me was alert. A sense of great anticipation had arisen, and of surprised inescapability: this was so because in my attentive wait I recognized all of my past waits, I recognized the attention I had experienced before, the attention that never leaves me and may ultimately be the thing that is closest to my life – perhaps this attention was my own life itself. (...).
The very process of life within me.”
Clarice Lispector, The Passion According to G. H. 1964.
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“Todas as coisas já foram ditas; mas como ninguém escuta é preciso sempre recomeçar.”
“Everything has been said before, but since nobody listens we have to keep going back and beginning all over again.”
André Gide, Le Retour de L'enfant Prodigue, 1907.
Jimson Vilela disponibiliza livros na Simone Cadinelli
O artista Jimson Vilela, em parceria com a galeria Simone Cadinelli, disponibiliza seus dois livros para download gratuito
Os dois livros do artista Jimson Vilela – “Adaptável ao espaço que as palavras ocupam” (2015) e “Narrativa” (2018) – estarão disponíveis em pdf gratuitamente no site da galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea a partir do próximo dia 7 de abril.
Dessa forma, o público terá acesso às duas publicações que integram importantes bibliotecas nos EUA, como a do Metropolitan Museum, de Nova York, a do Congresso Americano, em Washington DC, e a New York Public Library e The Center for Book Art, em Nova York, e as bibliotecas públicas especializadas em arte no Estado de São Paulo, onde o artista carioca de 33 anos vive.
Em tempos de isolamento social, o artista e a galeria pretendem com esta iniciativa, facilmente acessível digitalmente, ampliar o acesso ao universo da arte.
Para baixar os dois livros, que contêm imagens e textos do artista além de ensaios dos críticos Liliane Benetti (“Adaptável”) e Agnaldo Farias (“Narrativa”), basta o interessado ir ao link e cadastrar seu e-mail, para que imediatamente receba os arquivos.
Ganhador de vários prêmios, Jimson Vilela tem obras em importantes coleções públicas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o MAM Rio, e o MAC de Niterói.
LIVROS
“Adaptável ao espaço que as palavras ocupam” percorre parte do conjunto inicial de trabalhos de Jimson Vilela, apresentando obras feitas a partir de livros, objeto constante dos trabalhos do artista. O livro aparece muitas vezes aparece como uma escala que mensura tanto o espaço expositivo quando a memória do observador. ”Narrativa” trata do conjunto recente de suas obras, feitas também a partir de livros.
Carioca nascido em 1987, Jimson Vilela se mudou para São Paulo para fazer um mestrado em poéticas visuais, na USP, concluído em 2015, e agora está em fase de conclusão de doutorado na mesma matéria e universidade.
EXPOSIÇÕES
Entre as exposições destacadas de Jimson Vilela estão “Longe dos Olhos”, sua individual na galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2019; “Adaptável ao espaço que as palavras ocupam”, no Centro Cultural São Paulo, 2015; “Sintomas e Efeitos Secundários da Sintonia” (Casa Modernista, São Paulo, 2013); e “Cambio” (Nuevo Museo Energía Arte Contemporáneo, Buenos Aires, 2012); e as coletivas “Retrospectiva – 25 anos Programa de Exposições CCSP” (Centro Cultural São Paulo, 2015), “Convite à viagem” (Rumos Itaú Cultural, 2012 e 2013), e 6ª e 7ª Bienal Internacional da Bolívia (SIART, 2009 e 2011).
PRÊMIOS
No Brasil, Jimson Vilela foi premiado com a Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais (2012), recebeu o Prêmio Honra ao Mérito Arte e Patrimônio do IPHAN/Centro Cultural Paço Imperial/MinC (2013), o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça – 6ª Edição (2013), Prêmio Aquisição Centro Cultural São Paulo (2014), Prêmio ProAC Artes Visuais do Estado de São Paulo (2014 e 2017) e Prêmio Estímulo à Jovens Artistas do 22º Cultura Inglesa Festival (2018).
abril 7, 2020
Sobre os efeitos da pandemia do Covid-19 na cultura: problemas e soluções
Para nos ajudar a refletir sobre o novo cenário que se desenha para a cultura, em especial para as artes visuais, vamos publicar neste post comunicados de instituições, notícias e artigos que abordam o assunto por diferentes ângulos.
Covid-19 support: The latest advice, guidance and emergency funding measures, Arts Council UK
Peste negra provocou retrocesso na arte; Covid-19 também poderá impactar setor por Maria Berbara, O Globo - 11/09/2020
Crise do coronavírus na cultura exige medidas urgentes por Sérgio Sá Leitão, Folha de S. Paulo - 09/04/2020
Cancelada, SP-Arte informa que só devolverá um terço do investimento de galeristas por Clara Balbi, Folha de S. Paulo - 06/04/2020
MoMA Terminates All Museum Educator Contracts by Valentina Di Liscia, Hyperallergic - 03/04/2020
A Conspiração Dos Perdedores por Paul B. Preciado, ArtForum e seLecT - 26/03/2020
Coronavírus: Alemanha promete assistência financeira a artistas afetados por cancelamentos, O Globo - 15/03/2020
Se tiver dicas para publicar neste post, coloque Covid-19 na cultura no assunto do email.
A 22ª Bienal de Sydney fechada pela Covid-19 em modo digital
A 22ª Bienal de Sydney, marcada para acontecer de 14 de março a 8 de junho de 2020, foi fechada a partir de 24 de março devido à pandemia da Covid-19. O comunicado abaixo anunciou a mudança de Nirin, o título da Bienal, para uma experiência digital.
Cássia Bundock nos deu a dica de que essa bienal, que foi inteiramente feita através de uma perspectiva indígena, havia migrado para o modo digital. Confira os perfis dos artistas brasileiros participantes de Nirin: Denilson Baniwa, Jota Mombaça, Maria Thereza Alves, Paulo Nazareth e Rosana Paulino.
22nd Biennale of Sydney: Nirin moves to digital experience
For nearly 50 years, the Biennale of Sydney has presented some of the most dynamic contemporary art from around the globe in iconic venues across Sydney.
This year’s exhibition, titled Nirin and meaning ‘edge’ in Wiradjuri, is an artist- and First Nations-led biennale showcasing more than 700 artworks by 101 artists and collectives. A global platform for diverse cultures and perspectives, the Biennale unites people across the world, stimulating dialogue and inspiring change.
The COVID-19 pandemic and potential impact on the safety of our visitors, artists, staff and wider community remains our top priority. And so, in line with the latest advice from Government authorities, the Biennale of Sydney is closing its public exhibitions from Tuesday, 24 March 2020 until further notice.
We will continue to adapt and innovate in the face of this global crisis. Our doors close across Sydney, and they will open online – for everyone, everywhere across the world. We remain steadfastly committed to the artists and communities we serve by moving to a digital program.
Working with long-time Biennale partner Google - and in a first for the Biennale of Sydney - audiences around the world will be able to engage with Nirin on the Google Arts & Culture platform. Creating a virtual Biennale will bring the exhibition and programs to life through live content, virtual walk-throughs, podcasts, interactive Q&As, curated tours and artist takeovers.
At times like these, it is more important than ever that we find ways to connect, to help each other, listen, collaborate and heal – all core themes of Nirin.
The Biennale remains artist-led and will allow our artists to lead the way in responding to the urgent social, political, and environmental issues we are facing today. We are shifting to digital programs, sharing more in coming weeks.
We look forward to welcoming you back to the physical exhibition when our Government authorities deem it safe to reopen. Until then, we encourage everyone to look after one another during this challenging time, and when you go looking for connections in isolation, engage online.
Programação online para abril na Galeria Nara Roesler
A Galeria Nara Roesler trabalha para cultivar um vínculo aberto permanente com a nossa comunidade. Para tanto, propõe colocar-se enquanto espaço de presença virtual e reflexão coletiva para superar as circunstâncias que nos obrigam a permanecer distantes. E esperamos nos reecontrarmos, em breve, mais fortes, unidos e sábios.
Tomando essa intenção como norteadora de nossas ações e com objetivo de criar proximidade em tempos de distância, desenvolvemos um programa especial com curadoria dos diretores da Galeria Nara Roesler e Luis Pérez-Oramas e gostaríamos de convidá-los a participar.
Nossa proposta é oferecer um intercâmbio de informações, diálogos, depoimentos, editoriais, música, exposições virtuais, para que, juntos, encontremos respostas para questões relevantes, dentro e fora do mundo da arte, enquanto nos mantemos em resguardo.
Essas ações assumem diversos formatos: Instagram Lives e debates interativos via YouTube, posts sobre o dia-a-dia, reflexões e inquietudes dos nossos artistas, além de podcasts, playlists e pílulas em áudio com leituras de poesia, textos e depoimentos acessíveis através do nosso canal no Spotify
Por fim, neste momento onde as distâncias geográficas dissolvem-se a partir da comunicação virtual, criaremos uma série de exposições que só poderiam acontecer nesse formato, onde estabeleceremos diálogos entre a obra de nossos artistas e referências variadas da história da arte.
Essas exposições estarão alinhadas ao conteúdo da programação e acontecerão em dois espaços virtuais: na plataforma Artsy e no site da Galeria Nara Roesler.
Você poderá acompanhar nossa programação através de nosso site e redes sociais.
PROGRAMAÇÃO
no Spotify
Toda segunda-feira estaremos compartilhando pequenas pílulas de conteúdo que inclui leituras de poemas, comentários sobre as notícias do mundo da arte e ideias sobre os trabalhos dos nossos artistas. Além disso, nossos convidados criarão playlists temáticas com músicas inspiradoras, audio-art, entre outros.
> Na próxima segunda-feira, dia 6 de abril, Raul Mourão começa nossa programação no Spotify com uma playlist especial!
Mais informações em breve.
no Youtube e Instagram
O projeto Ping-Pong apresenta uma série de conversas entre nossos artistas e outros convidados que irão acontecer nas seguintes plataformas:
> quartas-feiras | no YouTube
Na próxima quarta-feira, dia 8 de abril, às 18h, a crítica e curadora Luisa Duarte e o artista Marcos Chaves falam sobre os mais recentes projetos do artista carioca.
15 de abril, quarta-feira, às 18h
com Lucia Koch e Bruno Dunley
18 de abril, sábado, às 12h
com Luis Pérez-Oramas e Sheila Hicks
> sábados | no Instagram Live
O curador Luis Pérez-Oramas convida artistas da galeria e interlocutores diversos para um diálogo. Veja quem participará das próximas lives com o curador:
04/04 | Cao Guimarães fala sobre o sentido de normalidade, sobre a ideia de deserto e seu último longa metragem Espera (2018)
11/04 | Sérgio Sister fala sobre a produção artística entre o confinamento e o plein air
Em arquivo no Instagram
Neste vídeo, o curador Pérez-Oramas defende a ideia da exposição não como reunião de fotografias ou de selfies mas um comentário curatorial sobre a dialética entre a autorrepresentação e a obliteração da imagem.
In this video, the curator Pérez-Oramas defends the idea of the exhibition not as a collection of photographs or selfies but as a curatorial commentary on the dialectic between self-representation and image obliteration.
abril 6, 2020
CANAL NO TUBO Antoni Muntadas comenta a sua obra Palabras na ArcoMadrid 2017
Antoni Muntadas comenta a sua obra Palabras... (2017), que apresentou no stand do jornal El País na feira ArcoMadrid deste ano, uma crítica à perda de sentido das palavras na infodemia - epidemia de informação - que vivemos hoje; Muntadas é o próximo artista a expor na Galeria Luisa Strina (ver perfil), mostrando trabalhos recentes e, entre eles, banners da série Palabras... escolhidos especialmente para a expo em São Paulo.
