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setembro 17, 2007

CONEXÃO Fortaleza - Um percurso pelo 58º Salão de Abril

viviane_gueller.jpg

CONEXÃO Fortaleza - Um percurso pelo 58º Salão de Abril

JULIANA MONACHESI

Ficamos um bom tempo hoje diante deste trabalho da Viviane Gueller. As imagens são manipuladas ou não? São, essas situações urbanas não existem assim, é impossível. Não, dependendo do ângulo do qual foram feitas as fotos a artista pode ter conseguido essa perspectiva "impossível". Mas vamos olhar direito: uma avenida tomada por árvores desse jeito não tem como existir. E como é que esse edifício histórico poderia ter uma palmeira plantada ali no alto? Aliás, se não houvesse manipulação digital, por que o trabalho dela estaria ao lado das fotografias do Murilo Maia, que justamente flagra situações simbióticas entre natureza e construções urbanas? Talvez as obras tenham sido colocadas lado a lado para apresentar duas abordagens de um mesmo tema... Ou talvez elas estejam exibidas assim para evidenciar a oposição temática! Ana Cecília fez a seguinte leitura dos dois trabalhos: "Na obra de Viviane, a natureza é mostrada brigando com o concreto, enquanto nas fotos do Murilo vemos a malha urbana se moldando à natureza". Certo, mas essa briga com o concreto foi "fabricada", "amplificada", ressaltada ou retratada exatamente como se encontra nesse lugar? Não chegamos a uma conclusão lá muito definitiva. Quando parecia que alguém tinha resolvido o "problema", outra pessoa argumentava o contrário e voltávamos à estaca zero, o que foi ótimo.

O nosso percurso pelo salão começou antes, lá do lado de fora, onde o artista Marcos Martins instalou seu quase imperceptível Piso Tátil. Eu, que nunca tinha estado no MAUC (o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará), não notei que havia algo de estranho com o piso logo na entrada. Assim como não percebi que aquela árvore com aquele laguinho em volta -a primeira coisa que se dá a ver ao entrar no museu- era uma obra de arte. A Valéria resumiu tudo: "A questão aqui é você olhar e depois olhar de novo, o que é muito difícil de acontecer". Quando se trata de arte contemporânea, é salutar duvidar de tudo; acho que foi esse insight que nos postou diante de várias das fotografias expostas no salão com ares de "será que isso é isso mesmo?"; e o grande barato de ver uma mostra de arte com outras pessoas é o monte de perguntas que surgem sem parar. Visitar uma exposição é sempre uma ótima oportunidade para fazer perguntas, mesmo que as respostas não satisfaçam. O que importa são as perguntas. Pistas para possíveis respostas costumam vir dos títulos das obras. Voltando à obra de Viviane Gueller, fomos checar o título, claro: Projeto paisagístico. Eunice comentou: "Mas é tão desarrumado, o trabalho parece falar mais da falta de projeto ou de como os projetos se desenvolvem à força em determinados contextos. Alguma coisa aí não se encaixa".

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Já em fotos como as da série Cidade de Gelo, de Bruno Vieira, a postura de duvidar não parece fazer mais sentido. O trabalho é plasticidade e poesia puras, sem problematizações da linguagem fotográfica. A questão aqui é capturar um "happening" muito efêmero e que não poderia acontecer da mesma maneira em qualquer espaço expositivo: uma cidade de gelo é erigida diante do mar e dura o tempo de a maré encher (ou vazar), talvez nem isso. O registro fotográfico garante que a experiência possa reverberar para além do local onde o artista construíu sua cidade fadada ao desaparecimento. Estão expostos no 58º Salão de Abril três vídeos que partilham também dessa característica poética e efêmera, que são da ordem do quase inapreensível, o que justifica o formato videográfico. Refiro-me à obra sem título de Nelton Pellens, à videoinstalação Carona, de Maíra das Neves, e ao enigmático Ação Zen (Nightshot Skateboard), de Fábio Tremonte (detalhe do vídeo está reproduzido na imagem abaixo).

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jared_domicio.jpg chico_togni.jpg

(continua...)

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Posted by Juliana Monachesi at 11:21 PM